Como diagnosticar e quando tratar insuficiência istmocervical?

A Insuficiência Istmocervical (IIC) é a doença em que a falha no sistema oclusivo do útero determina abortos tardios e partos prematuros, tornando-se uma gravidez de alto risco.

O quadro clínico característico é de histórico de perdas gestacionais, sempre na mesma época da gravidez, que começam com cervicodilatação, seguido de rotura das membranas, com expulsão rápida do concepto associado a pouca dor e pouco sangramento e concepto vivo e sem malformações.

O diagnóstico fora da gravidez se faz pela anamnese referindo a história típica de perdas gestacionais prévias, e pode ser complementado pelo teste da vela 8 e histerosalpingografia. Os exames complementares não são fundamentais, mas auxiliam a verificar a dilatação e a posição do orifício interno do colo do útero. Na gestação, o diagnóstico também se faz pela anamnese e eventual cervicodilatação fora de trabalho de parto. O Ultra-som durante a gestação pode mostrar as membranas prolabando pelo canal cervical, produzindo a imagem em dedo de luva ou em ampulheta. Cabe ressaltar que o colo curto não faz diagnóstico de IIC, e que o comprimento curto do colo só auxilia no diagnóstico de IIC quando já houver história de prematuridade prévia.

Uma vez diagnosticada a IIC o tratamento deverá ser a cerclagem, que consiste em sutura em bolsa. Três são as técnicas em que todas as outras se baseiam:

  • Shirodkar, que requer abertura da mucosa vaginal, por via transvaginal;
  • McDonald, que é a sutura circular transmucosa, também por via transvaginal;
  • Benson-Durfee, realizada por via abdominal;

Não há evidências de que uma ténica apresente melhores resultados que a outra, e o cirurgião deve optar pela que tenha maior afinidade. A mais usada, em vista de menor morbidade, é a de McDonald.

Essas cirurgias devem ser realizadas, quando possível, entre 12 e 16 semanas de gestação, após o Ultra-Som morfológico de primeiro trimestre descartar grandes malformações no concepto. Perdida essa oportunidade, pode-se praticá-la até 25 semanas.

Importante tratar as vulvovaginites antes do procedimento, que deverá ser realizado sob raquianestesia, com a bexiga vazia e em posição de Trendelemburg. Pode-se usar como fio de sutura o Prolene 2 com agulha G-9 ou Ethibond 2 já agulhado. Não há necessidade de uterolíticos ou do uso de antibióticos durante ou após a cirurgia. A alta hospitalar deverá ser de 6 a 24h após o procedimento. No Pós-operatório não há necessidade de repouso absoluto sendo que a paciente deverá receber informção de ter vida praticamente normal.

São contra-indicações absolutas à cerclagem a presença de contrações uterinas de trabalho de parto, o sangramento e alterações do bem estar fetal.

O fio deverá ser retirado ao redor de 37 semanas de gravidez, após o que deve-se aguardar que a paciente entre em trabalho de parto. O tempo entre a retirada do fio e a parturição, em média, é de 7 dias, período em que o colo geralmente apresenta algum grau de cervicodilatação. Caso haja indicação obstétrica de cesárea, o fio deverá ser retirado, ainda sob efeito da anesteria, logo após o parto. O fio tambem deverá ser retirado se houver rotura das membranas, trabalho de parto ou se houver alteração da vitalidade fetal.

Pode-se pensar em manter a cerclagem para partos futuros? Não existem estudos, mas uma das complicações mais desagradáveis da cerclagem é o aumento importante de corrimento vaginal e existe a possibilidade desta cervicite vir a ser causa de dificuldade para engravidar. Portanto, essa conduta não tem sido adotada como rotineira.

Na cerclagem de urgência, com as membranas expostas, é necessário respeitar as contra-indicações: o colo não pode ter dilatação acima de 4 cm e não estar muito esvaecido, não pode haver suspeita de corioamninite e o concepto deve ter vitalidade conservada. Também há necessidade de discutir com o casal riscos e vantagens. A literatura mostra haver cerca de 60 a 70% de sobrevida do concepto, mas, em geral, a cerclagem de urgência prorroga aproximadamente em 8 semanas a gestação e pode tirar de situação em que o concepto morreria por não atingir idade gestacional de viabilidade .

As cerclagens mais difíceis são as com membranas prolabadas para dentro da vagina, em que há necessidade de reduzir as membranas para dentro da cavidade uterina. Pode-se fazê-lo com chumaço de gaze embebido em soro fisiológico, balão da sonda de Folley ou pela redução do líquido amniótico por amniodrenagem orientada por Ultra-Som no momento da cirurgia.

Na exposição das membranas há que se ter muito cuidado com a possibilidade de infecção após o procedimento, uma vez que podemos ter uma corioamnionite subclínica.

Finalmente, os bons resultados da cerclagem dependem de diagnóstico correto da Insuficiência Istmocervical e de sua realização no momento oportuno.

Projeto de educação sexual e prevenção de gravidez na adolescência

Trata-se de projeto nascido da observação de que há muitas adolescentes fazendo ultrassonografia gestacional no município de Novo Horizonte. São 26% com menos que 18 anos.

Preocupados com esse dado alarmante e com o objetivo de tentar diminuir a estatística, optou-se por ministrar palestras nas escolas, que abrangessem a faixa etária de 12-13 a 18 anos, com alunos de ambos os sexos.

Para introduzir aspectos psicológicos da gravidez na adolescência, a responsabilidade e a necessidade de ambiente harmônico e com estrutura mínima para receber um bebê, houve a inclusão no projeto da psicóloga Lígia Ebner Melchiori.

“Uma vez formada a equipe, montamos as palestras, incluindo também a temática das doenças sexualmente transmissíveis que vêm aumentando estatisticamente no País”, comenta Roberto Melchiori, representante credenciado SOGESP das cidades de Catanduva, Novo Horizonte e Itajobi.

O passo seguinte foi solicitar o apoio das secretarias de Saúde e de Educação do Município, com a liberação dos profissionais no momento das palestras ou facilitando o acesso às escolas.

Do segundo semestre de 2017 até o momento atual, já foram ministradas 16 palestras para 1252 alunos, de todas as escolas municipais, estaduais e particulares da cidade.

“Os alunos também tiveram oportunidade de esclarecer dúvidas a respeito do conteúdo apresentado e nos surpreenderam com a quantidade de perguntas, verbais ou por escrito. Ainda não temos dados estatísticos da diminuição do número de gestantes adolescentes, mas houve um grande aumento, por parte dos adolescentes masculinos, para tomar a vacina de HPV”.

Este projeto ilustra como medidas simples podem contribuir para maior informação, redundando em resultados que realmente venham a se refletir em melhor cuidado com a saúde e a prevenção de gravidez, no caso no campo da adolescência.

Fonte: Sogesp

A lei de ‘importunação sexual’, avaliada por 2 especialistas

Uma nova lei, sancionada no último dia 24 pelo ministro do Supremo Dias Toffoli, cria a figura da “importunação sexual” no Código Penal. A lei define o tipo penal como prática de ato libidinoso contra alguém, sem o consentimento dessa pessoa.

Criminaliza, ainda, a divulgação de cena de estupro e estabelece causas de aumento de pena para “crimes sexuais contra vulnerável e crimes contra a liberdade sexual”, na definição da lei. Duas das causas de ampliação da pena são estupro coletivo e estupro corretivo.

O primeiro ocorre quando há dois ou mais agressores e, o segundo, quando a violência sexual ocorre “para controlar o comportamento social ou sexual da vítima”, cometida principalmente contra a população LGBT.

Toffoli é presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça, e exerce a Presidência da República durante uma viagem do presidente Michel Temer a Nova York, onde participa da Assembleia Geral da ONU.

A proposta de alteração de artigos do Código Penal referentes a crimes contra a dignidade sexual havia sido aprovada no Senado em agosto de 2018. Pretende, segundo um artigo publicado no site Justificando, ser um “combo” de combate à violência contra as mulheres.

O projeto foi elaborado a partir de casos de grande repercussão, como o estupro coletivo sofrido por quatro adolescentes no Piauí em 2015, um outro estupro coletivo contra uma jovem de 16 anos no Rio de Janeiro em 2016, filmado e divulgado na internet, e o episódio do homem que ejaculou no pescoço de uma moça quando ambos se encontravam no interior de um ônibus na Avenida Paulista, em São Paulo, em 2017.

Algumas determinações da nova lei

  • O crime de importunação sexual será punido com um a cinco anos de prisão
  • Divulgação de cena de estupro ou de imagens de sexo sem consentimento será punida com um a cinco anos de prisão para quem divulgar, publicar, oferecer, trocar ou vender esse material
  • O estupro coletivo ou corretivo será punido com um acréscimo de um a dois terços sobre a pena de estupro. O aumento também vale se o crime é praticado por agente que mantém ou tenha mantido relação íntima ou afetiva com a vítima. Até então, o crime de estupro gerava pena de seis a 10 anos de prisão

O Nexo fez duas perguntas às especialistas Maíra Zapater e Ana Paula Braga sobre sua avaliação da nova lei e o que muda a partir dela.

Ana Paula Braga é advogada do Braga & Ruzzi, escritório de advocacia especializado em direito das mulheres e desigualdade de gênero
Maíra Zapater é professora de direito penal da Fundação Getúlio Vargas

Como você avalia a lei sobre importunação sexual?

Ana Paula Braga A princípio, avalio essa aprovação da lei como uma mudança muito positiva. Havia uma lacuna jurídica muito grande para responsabilizar [os agressores] nesses casos de assédio sexual em espaços públicos.

Isso ficou muito evidente no ano passado [em 2017], quando houve aquele caso da ejaculação no ônibus, que ficou em um limbo entre uma importunação ofensiva ao pudor, que é uma contravenção penal com pena de multa, e um crime de estupro, que é um dos crimes mais graves do nosso ordenamento jurídico.

Esses casos, que são, infelizmente, muito comuns, de assédio em metrô, em balada, em show, em que há uma passada de mão, constrangimento da vítima, sem haver necessariamente emprego de violência, acabavam ficando impunes por cair nessa lacuna. Essa nova lei vem justamente para suprir esse problema.

Mas acho a redação da lei um pouco problemática. A questão do ato libidinoso não fica muito bem configurada. O que é um ato libidinoso?

Mas acho que vamos ter que ver se esse tipo de problema vai acontecer na prática mesmo. Em termos gerais, acho [a lei] muito mais positiva do que negativa.

Maíra Zapater O problema que havia no Código Penal, no que diz respeito a essa parte dos crimes sexuais, é que o crime de estupro, da forma como está redigido desde 2009 – “prática de qualquer ato libidinoso, mediante violência ou grave ameaça” – [abarcava] uma variação muito grande de condutas, quanto à sua gravidade, submetidas a uma mesma pena.

Para um beijo forçado a um caso de estupro coletivo, tinha-se uma mesma pena, que se torna excessiva e desproporcional para casos de menor gravidade.

Claro que qualquer uma das condutas é grave quando a gente pensa em termos de violência de gênero. Mas, para aplicar uma pena, no direito penal, a medida tem que ser a culpabilidade do agente, a gravidade de sua conduta.

Pensando que o direito penal é projetado para resguardar direitos do réu, não havia como proteger o direito de alguém acusado de um crime sexual, punindo-o com uma pena que fosse proporcional à sua conduta.

A opção do legislador foi criar esse novo tipo penal, o da importunação sexual com pena de um a cinco anos. Tem um caráter positivo, no aspecto de ter a possibilidade de colocar condutas menos graves que um crime de estupro em um tipo penal que vai ter uma pena menor.

Na minha leitura, a técnica mais adequada teria sido criar uma causa de redução de pena no artigo 213 [do Código Penal]. Em legislações de outros países funciona assim: quando há um crime sexual em que haja qualquer tipo de penetração, relação sexual vaginal, anal ou oral, é um crime de estupro. E há um tipo menos grave, com uma pena reduzida, quando há qualquer outro ato libidinoso que não envolva penetração.

Nosso legislador não quis adotar esse modelo, criou um tipo penal à parte. Essa já é uma crítica.

Uma segunda crítica é em relação à pena, que acho que ainda pode continuar sendo excessiva. São um a cinco anos de reclusão, com regime inicial fechado. Para se ter uma ideia, a pena para um homicídio culposo, matar alguém com um tiro acidental por exemplo, tem pena de um a três anos de detenção. Começa com regime semi-aberto.

A redação [que fala em] praticar ato “contra” alguém é menos pior do que a redação original, que era praticar ato “na presença” de alguém, que ficava excessivamente aberto. Mas vamos ter que chegar em um consenso jurisprudencial para entender o que é praticar um ato libidinoso contra uma pessoa. Embora esteja melhor, essa redação ainda vai oferecer problemas para sua interpretação.

Essa conduta da importunação sexual ainda não inclui o assédio sexual verbal. A conduta dos homens que falam obscenidades para as mulheres na rua, que era enquadrada na importunação ofensiva ao pudor como contravenção penal, não vai estar abrangida. [A nova lei revogou a lei das contravenções penais.] A conduta de mexer com mulher na rua passou a ser atípica [no sentido de não haver tipo penal por meio do qual é possível puni-la] a partir dessa lei.

Na prática, o que deve mudar a partir dela?

Ana Paula Braga Acho interessante que essa nova lei não cria só o crime de importunação sexual mas, também, o crime de divulgação de imagens íntimas, de cenas de sexo, de nudez ou estupro sem consentimento da vítima, o que vai passar a reprimir os casos de pornografia de vingança, que antes eram reduzidos a uma mera difamação. Agora, [isso] se torna um crime bastante grave.

Ela também reconhece a existência do estupro corretivo e traz uma série de aumentos de pena para circunstâncias nas quais os crimes sexuais podem ser cometidos, agravando, por exemplo, a pena de um estupro marital. Todos esses aumentos de pena servem não só para o estupro mas para qualquer crime contra a dignidade sexual, o que é bem interessante.

Uma das coisas que acho um dos maiores avanços e que acho que vai provocar uma mudança muito prática, muito importante, é que os crimes contra a dignidade sexual passam a ser de ação penal pública incondicionada. Antes dessa lei, a não ser que a vítima fosse menor de 18 anos, ou tivesse, por exemplo, alguma deficiência mental, ou ainda se estivesse drogada, a vítima tinha um prazo de seis meses para denunciar.

O que a gente observa é que esse prazo é muito curto. Às vezes a mulher ainda não conseguiu superar esse trauma para ir adiante, ou às vezes demorou para entender que aquilo foi uma violência. Acontece muito de a gente ver mulheres que decidem denunciar e já não têm mais prazo. A nova lei extingue esse prazo, embora a denúncia não possa ser feita em qualquer tempo, porque há um tempo prescricional, ela tem muitos anos para poder decidir tomar a atitude de denúncia, e quem cuidará do caso será o Ministério Público.

Maíra Zapater Sobre a crença de que essa tipificação vai reduzir a conduta, isso não se verifica em crime nenhum. Na própria justificativa do projeto, a deputada Laura Carneiro [DEM-RJ] fala que o fato de o crime de estupro ter se tornado crime hediondo não diminuiu a sua prática.

O próprio legislador coloca que agravar as penas não gera resultado, mas insiste nessa mesma estratégia. É aquilo em que a gente sempre insiste: enquanto a gente não tiver mudança cultural, de pensamento e do próprio sistema de justiça para receber as mulheres vítimas de violência, não sei se vai se conseguir o impacto que, provavelmente, é o esperado – reduzir esse tipo de violência.

Fonte: Nexo

Insônia na transição para a menopausa

A tendência à insônia aumenta na fase do climatério por causa do desequilíbrio hormonal e da queda na produção de estrogênios, que são hormônios associados com a regulação do sono da mulher. As ondas de calor e suores que acompanham o desequilíbrio hormonal também podem ocorrer à noite e perturbar o sono. É importante estar atento à frequência desses episódios para que a insônia eventual não se transforme em crônica. A higiene do sono na transição para a menopausa tem um papel importante neste sentido, bem como os exercícios físicos.

Os médicos definem a insônia como um distúrbio psíquico-fisiológico, que tem origem em algum desequilíbrio hormonal ou orgânico associado, na maioria dos casos, a problemas de fundo emocional como ansiedade, fobias, separações e perdas, ou preocupações materiais como o desemprego e a falta de dinheiro. O problema predomina entre o sexo feminino, independentemente da idade, informa o neurologista José Renato Felix Bauab, pesquisador do Departamento de Neurologia da Universidade Federal Paulista (Unifesp). Calcula-se que a proporção de mulheres com o problema chega a ser 30% maior do que a de homens.

A tendência à insônia aumenta naturalmente, com a idade e, nas mulheres, especialmente na fase do climatério, em que o desequilíbrio hormonal as torna vulneráveis à depressão, além de sujeitas aos suores e fogachos bem como a problemas urinários. E não só. O Dr. Felix Bauab lembra de um estudo feito na Finlândia, que observou a ação dos estrogênios sobre o centro regulador do sono. “Esses hormônios atuam sobre o relógio biológico da mulher e podem alterá-lo quando entram em desequilíbrio”, diz o neurologista. É importante estar atento a esta possibilidade: “Um dos ritmos mais suscetíveis a desregular no ser humano é o sono e se a pessoa não toma providências, a insônia eventual pode se transformar em crônica. É o que chamamos de insônia aprendida e perpetuada.”

Para evitar que a insônia se torne crônica os médicos recomendam às pacientes, antes de mais nada, fazer a higiene do sono, cujos procedimento são descritos mais abaixo. Técnicas de relaxamento, meditação e yoga ou a prática diária de exercícios físicos são fundamentais para prevenir as alterações de humor e promover o bem estar e o sono. Os casos de ansiedade leve, típicos do climatério, que dificultam pegar no sono podem ainda ser resolvidos com o uso de calmantes naturais, fitoterápicos, como as ervas passiflora, valeriana, melissa e avenna sattiva. O neurologista Felix Bauab inclui nessa categoria o uso esporádico de medicamentos para dormir, uma necessidade que seu médico pode avaliar “O ideal é utilizar remédios para dormir uma vez ou outra e mesmo assim, de formulações mais leves, com menor potencial de causar dependência”, diz Bauab, ao esclarecer que os medicamentos tradicionais benzodiazepínicos, os populares soníferos, não são mais receitados para a insônia típica do climatério, que se repete com certa freqüência. Eles são hoje indicados para os casos de insônia aguda (esporádica) ou nos distúrbios crônicos de impercepção do sono, por exemplo, em que o cérebro da pessoa não tem capacidade de perceber o estado de sono e só consegue dormir com sonífero. Diante de um quadro de ansiedade mais intenso, em que a insônia parece caminhar para tornar-se crônica, o neurologista considera ainda a indicação de um tratamento psicoterapêutico e o uso de anti-depressivos.

HIGIENE DO SONO
A higiene do sono deve ser incorporada ao dia-a-dia, independente de qual seja a opção de tratamento. É uma terapia sem medicação que vale para todas as pessoas. A seguir, os procedimentos sugeridos pelos médicos para a higiene do sono:

  • Fazer a última refeição até oito horas da noite.
  • Preferir pratos leves, de fácil digestão.
  • Evitar atividade física depois das seis da tarde. O exercício depois desse horário desregula o relógio biológico.
  • Pessoas mais notívagas devem deixar a casa ou o ambiente onde estiver na penumbra.
  • A luz reduzida avisa o cérebro para secretar melatonina, o hormônio do sono.
  • Dedique-se a atividades agradáveis como ouvir música ou ver um programa na TV, mas fora do quarto de dormir.
  • Procure relaxar o corpo em uma poltrona confortável enquanto o sono não vem, vestida com roupa de dormir. Mas só vá para a cama quando tiver sono, realmente.

Ginástica para fortalecer os ossos

A vida sedentária acelera a perda de massa óssea, que é acentuada a partir da menopausa. Nos cinco primeiros anos após a última menstruação as mulheres perdem em média 1,4% de massa óssea ao ano. A desvantagem feminina é grande nessa área, pois temos 25 a 30% menos massa óssea do que os homens e perdemos 35% de osso compacto e 50% do tecido esponjoso ao longo da vida. Os homens perdem 12% e 16% de cada um, respectivamente.

Primeiro

De pé, sem caneleira, com o peso de 1 kg em cada mão e o quadril encaixado, o bumbum voltado para o chão e não arrebitado: afastar as pernas com as pontas dos pés apontando ligeiramente para fora e agachar, contraindo o períneo e o abdome e levando os joelhos na direção do dedão dos pés. Repetir 20 vezes e quando expirar, soprar o ar.

Segundo

De pé, segurando no espaldar de uma cadeira com as duas mãos: com os pés próximos um do outro ficar na ponta dos dedos, descer e subir tocando o chão com o calcanhar, levemente. Repetir 20 vezes.

Terceiro

No fim de cada série repetir a primeira e a segunda novamente. Em seguida, girar os braços para a frente e para trás ao mesmo tempo.

Quarto

De pé, com os pesos de 1 kg em cada mão, agachar e dobrar os braços trazendo as mãos para perto dos ombros e levantar esticando os joelhos e voltando os braços para a posição estendida. Se for difícil associar os movimentos de pernas e braços, fazer primeiro o movimento com os pesos e depois agachar, ou vice-versa. Repetir 20 vezes.

Quinto

De pé, com os pesos de 1 kg e os braços esticados, levantá-los aproximadamente 45 graus, evitando subir muito para não machucar os ombros. Repetir 20 vezes.

Fonte: Sogesp

4 motivos que te levam a engordar durante a menstruação

Seus hormônios podem ser os culpados

O hormônio sexual feminino estrogênio tem picos durante a última parte do ciclo menstrual, antes de iniciar o período. E níveis altos podem levar indiretamente seu corpo a reter líquidos, fazendo com que você se sinta inchada e ganhe alguns quilos de peso da água. A boa notícia: os níveis de estrogênio diminuem à medida que você começa a menstruar, então você sentirá algum alívio rapidamente.

“O outro hormônio em ação aqui é a progesterona”, diz Natasha Johnson, médica ginecologista do Brigham and Women’s Hospital (EUA). “Seus níveis aumentam na segunda metade do ciclo, levando à retenção de água, sensibilidade nos seios e o aumento do peso”, diz ela.

E nem tudo é má notícia. Algumas mulheres notam que seus seios aumentam durante a menstruação. “Isso ocorre novamente graças à progesterona, que faz com que seu corpo retire os vasos sanguíneos dos tecidos, fazendo com que pareçam mais cheios (talvez para se prepararem para uma gravidez)”, explica Natasha. Mas”, novamente, isso é apenas temporário, então se você não engravidar, seu corpo voltará ao normal.”

Você tem muitos desejos

Durante seu período menstrual você sente vontade de se acabar em alimentos salgados e doces?

“Infelizmente, isso é exatamente o que você não precisa agora”, diz Lisa Dabney, médica e professora assistente de obstetrícia, ginecologia e ciências reprodutivas na Icahn School of Medicine at Mount Sinai (EUA). “E, é claro, comer batatinha e carboidratos simples, como doces ou donuts, leva à retenção de líquidos”, completa. E se você “se jogou” na pizza e sorvete, é bem possível que ainda reste um pouco do peso ganho mesmo após o fim do período.

Caso você esteja tentando perder peso, certifique-se de estar hidratada, procure proteínas magras como iogurte para te manter satisfeita e se alimente com foco para manter seus objetivos de perda de peso nos eixos.

Você não sente vontade de treinar

Você se sente preguiçosa, inchada e cansada. Nós te entendemos! Mas mesmo que ir à academia seja a última coisa que venha à sua cabeça, suar um pouco pode ajudar a manter seu corpo na linha”, diz Lisa.

Isso porque a transpiração ajuda a eliminar o peso extra da água. “Além disso, esse aumento de endorfina pode ajudar a acabar com as cólicas”, aponta ela.

Você está abusando da cafeína

É realmente tentador usar (e abusar!) das bebidas cafeinadas durante o período porque você se sente cansada. Mas adicionar mais café em sua dieta também pode promover alguns problemas gastrointestinais, inchaço e desconforto.

E o café não é o único culpado, não. Qualquer coisa com cafeína contribui para isso –vale em dobro para refrigerantes. “Algumas mulheres também estão erradas ao pensar que refrigerantes são hidratantes”, diz Sara Twogood, MD, professora assistente de obstetrícia e ginecologia da Universidade Keck da Califórnia. Mas esse não é o caso, especialmente desde os refrigerantes. geralmente também vêm com uma tonelada de açúcar ou adoçantes artificiais, que são ainda piores para o inchaço.

Fonte: Women’s Health

Empresas e a violência contra a mulher

Por Heloisa Macari*

No mês em que a Lei Maria da Penha completa 12 anos, o homicídio de mulheres torna-se pauta cada vez mais presente nas discussões sobre a preservação da vida. Ainda que as organizações não sejam diretamente responsáveis pela redução das estatísticas, todas podem ter papel importante na conscientização geral e no resguardo de possíveis vítimas. As estatísticas e acontecimentos recentes demonstram que, mesmo com o amparo da lei criada para proteger as mulheres vítimas de violência, elas seguem sendo as grandes vítimas nas narrativas de violência e homicídio. No Brasil são registrados mais de 600 casos por dia. Toda semana, pelo menos 20 brasileiras são mortas, vítimas de feminicídio.

O ano de 2018 foi marcado pelo assassinato de Marielle Franco e, mais recentemente, pelo caso de Tatiane Spitzner, encontrada morta após cair da sacada de seu apartamento, no Paraná.

Segundo o Atlas da Violência, divulgado no segundo semestre de 2018, somente em 2016, 4.645 mulheres foram assassinadas no país – o que representa 4,5 homicídios para cada 100 mil brasileiras. Ainda de acordo com o Atlas, em dez anos observou-se um aumento de 6,4% nos casos de homicídio de mulheres.

Embora a questão pareça distante do mundo corporativo, os dados sobre a violência doméstica também têm impacto altamente negativo na economia. Segundo pesquisas da Universidade Federal do Ceará e do Instituto Maria da Penha, as vítimas perdem, em média, 18 dias de trabalho ao ano apenas por consequência direta das agressões sofridas. As consequências na carreira dessas mulheres envolvem menos estabilidade, menos tempo de permanência em seus cargos e, também, menos produtividade.

Se a legislação e as políticas públicas ainda não mostram-se verdadeiramente eficazes no combate às violências de gênero, encontrar alternativas para educar, difundir direitos e conscientizar sobre a necessidade do aprimoramento dos mecanismos de enfrentamento é medida crucial para contribuir com a preservação de vidas.

Uma organização é composta por pessoas. Assim, gêneros, classes sociais, crenças e vivências completamente distintas se misturam, dando origem à realidade de cada colaborador. Ainda que não haja responsabilidade direta, uma empresa pode tornar-se grande agente na transformação pessoal de cada um através da disseminação de orientações e do oferecimento de suporte, contribuindo positivamente não somente no ambiente de trabalho como, também, nas questões vividas externamente.

São poucas as empresas que olham para o que acontece além das suas instalações, principalmente quando o assunto refere-se à violência contra as mulheres. Porém, na contramão dessa realidade, grandes companhias são referências em inclusão e diversidade e já mostram-se atentas ao tema, criando estruturas internas de proteção à mulher. As medidas desvendam cada vez mais qual o papel da iniciativa privada na mitigação dos casos. A principal preocupação das companhias engajadas no combate à violência de gênero é a de que suas colaboradoras sejam vítimas do feminicídio, tendo suas vidas interrompidas por omissão de toda uma sociedade.

Sabe-se que algumas empresas passam a contar com a terceirização especializada de canais de denúncias para criar linhas de comunicação internas para esses casos. Com o objetivo de estimular as mulheres na manifestação de ocorrências pessoais, os canais garantem segurança e integridade física e mental, apoiando, capacitando e fortalecendo as colaboradoras.

Como medida complementar a ser adotada pelas organizações, pode-se, também, considerar a implementação de treinamentos direcionados a todo o público relacionado à empresa. Às colaboradoras, entendimento das leis que explicitam seus direitos e treinamentos de comportamento preventivo. Aos colaboradores, esclarecimento sobre os dados estatísticos relacionados à violência contra a mulher e ao feminicídio, além do estímulo para ações diárias que podem fazer a diferença na redução dos casos contra as mulheres.

* Professora de Ética e Compliance na Fundação Instituto de Administração (FIA)

Fonte: Jornal do Brasil

Ginecologia no esporte

Durante muito tempo, a mulher foi poupada da prática esportiva pela crença de que, devido à “sua fragilidade”, isso poderia ser prejudicial à saúde. No entanto, nos últimos anos, cresceu o interesse feminino por atividades físicas, as mais diversas.

À medida em que a participação feminina em competições foi se estabelecendo e ganhando força, surgiu a percepção de que os treinamentos deveriam diferir entre homens e mulheres. E ninguém melhor que o ginecologista para entender o que se passa no corpo da mulher, seja ela atleta amadora ou profissional. É sempre recomendável uma avaliação médica pré-participação em atividades físicas, pois as mulheres esportistas necessitam de um atendimento diferenciado.

É necessário uma avaliação do condicionamento cardiorrespiratório; endurance e força muscular; composição corporal e flexibilidade. Por isso, é importante a avaliação cardiológica, nutricional, ortopédica e, no caso das atletas, um ginecologista especializado em Medicina Esportiva. A ginecologia do esporte aparece como aliada de atletas e esportistas que buscam por vida saudável e melhor performance no rendimento de seus exercícios, independentemente de eventuais problemas ginecológicos. Esse tipo de ginecologia tem como objetivos:

• minimizar o efeito do ciclo menstrual sobre o desempenho esportivo (seja ele físico ou psicológico);

• diminuir a ocorrência de alterações hormonais e osteoporose/ fraturas;

• identificar a incidência de incontinência urinária em atletas;

• monitorar o uso de medicações anticoncepcionais para o alívio de sintomas menstruais.

Existem diferenças no perfil hormonal, aumento de incidências de determinadas patologias e, até mesmo, da resposta ao exercício no sexo feminino. Sabe-se que o desempenho desportivo da mulher gira em torno de 6% a15% menor que o do homem; embora a capacidade de adaptação ao treinamento seja semelhante.

O exercício físico regular, realizado de maneira correta e associado à alimentação adequada, não costuma interferir na função hormonal nem no metabolismo feminino. Há relatos, inclusive, que destacam o alívio dos sintomas pré-menstruais em mulheres que se exercitam regularmente.

O que se costuma observar é que em mulheres que se submetem à atividade física intensa há uma incidência alta de distúrbios menstruais e, muitas vezes, amenorreia (ausência de menstruação). Entre outras complicações, uma das mais frequentes é a tríade da mulher atleta: irregularidade menstrual; distúrbios alimentares (pp. bulimia) e osteoporose. Essa tríade acontece devido ao overtraining (excesso de treinamento) e pode acometer 3% a 5% das frequentadoras de academia; e 3% a 66% de atletas.

O posicionamento da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte é que não existem restrições para a mulher, no que se refere a modalidades esportivas. Ela está apta a realizar quaisquer atividades, contanto que esteja sob a supervisão de profissionais qualificados e respeitando o seu limite.

Fonte: iSaúde

Empoderamento e direitos sexuais pautam congresso de ginecologia e obstetrícia em SP

A campanha Ela Decide, focada no empoderamento de jovens e mulheres, foi apresentada pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no dia 24/08 durante o 23º Congresso Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, na capital paulista.

O evento, realizado pela Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP), contou com a presença de profissionais da saúde, médicos e médicas, e adolescentes de várias regiões do estado.

Ao todo, cerca de 150 pessoas tiveram a oportunidade de ampliar o entendimento sobre os desafios específicos das e dos jovens no campo da saúde sexual e dos direitos reprodutivos.

A campanha Ela Decide, focada no empoderamento de jovens e mulheres, foi apresentada pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) na sexta-feira (24) durante o 23º Congresso Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, na capital paulista.

O evento, realizado pela Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP), contou com a presença de profissionais da saúde, médicos e médicas, e adolescentes de várias regiões do estado.

Ao todo, cerca de 150 pessoas tiveram a oportunidade de ampliar o entendimento sobre os desafios específicos das e dos jovens no campo da saúde sexual e dos direitos reprodutivos.

Entre os presentes, cerca de 100 eram jovens e adolescentes de projetos sociais de São Paulo e Campinas.

As especialistas discutiram temas como início da vida sexual, relacionamento com os pais, namoros, infecções sexualmente transmissíveis, contracepção, saúde e direitos. No Brasil, um em cada cinco bebês nasce de mãe com idade entre 10 e 19 anos.

Segundo Anna Cunha, o evento teve como objetivo falar sobre os direitos e cuidados com as mulheres para que elas sejam respeitadas e possam fazer valer as decisões sobre sua sexualidade e seu futuro.

Os vídeos da campanha, estrelados pelas atrizes Juliana Alves, Bella Piero, por Gabi Oliveira e pela também youtuber Juliana Tolezano, a JoutJout, foram apresentados no encontro.

Gabi Oliveira ressaltou a importância da comunicação com os jovens. “Os adolescentes já têm uma linguagem diferente da minha. Hoje, em uma notícia, as pessoas só leem os títulos e isso é um grande desafio, tanto para uma campanha como para o universo da Medicina, que precisa se adaptar à nova juventude”.

Mais informações sobre a campanha estão disponíveis no site eladecide.org.

Fonte: ONU

União subtrai R$ 21 bilhões do Sistema Único de Saúde

Até 2036, a rede saúde do Brasil não terá um só centavo de aumento real nos investimentos, sob o risco do agravamento contínuo de problemas já crônicos, como a falta de acesso, a subremuneração de recursos humanos, o sucateamento de hospitais, entre outros.

É uma consequência de distorção da Emenda Constitucional 95, aprovada em 2016, que congelou os gastos públicos por 20 anos, sem levar em consideração a necessidade de tratamento diferenciado às áreas sociais.

A Associação Paulista de Medicina (APM), além de outras instituições médicas e da sociedade civil, tem denunciado de forma recorrente os prejuízos ao SUS e aos pacientes. Em especial, porque a EC, ao estabelecer uma recomposição anual simples, pela inflação dos doze meses anteriores, simplesmente desconsidera que a inflação em saúde é bem maior do que qualquer índice oficial, seja ele INPC, IPCA, IGPM etc.

O quadro, entretanto, tem importante agravante, cuja origem é a própria União: nos últimos anos, a dívida do Governo Federal com a saúde disparou, chegando à cifra de R$ 21 bilhões, segundo estudo do conselheiro Wanderley Gomes da Silva, Conselho Nacional de Saúde (CNS), divulgado recentemente no portal UOL.

Só em 2017, o Programa Saúde da Família foi subtraído em mais de R$ 895 milhões, os hospitais deixaram de receber R$ 1,3 bilhões dos R$ 1,5 bilhões que a União se comprometeu a destinar no Orçamento. As perdas atingem os mais distintos segmentos, o Sistema de Atendimento Médico de Urgência (SAMU) é mais um deles: perdeu R$ 96 milhões, enquanto 1/3 dos recursos das políticas de vacinação sumiram.

A magia da subtração ocorre com estratégia que, de acordo com especialistas, assemelha-se às famosas pedaladas fiscais. O Governo aprova um orçamento com valor cheio e só investe parte dele. A diferença fica em uma rubrica denominada “restos a pagar”.

Ocorre que, entra ano, sai, o rombo e os prejuízos para a assistência em saúde aos cidadãos só crescem. Há uma década e meia, os tais “restos a pagar” beiravam os R$ 15 milhões. Em 2017, deixaram de ser investidos R$ 14,3 bilhões, das verbas já aprovadas para a saúde. Atenção à diferença: de milhões passaram a bilhões!

A FEBRASGO (Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia) condena veementemente o corte de verbas para a saúde e o não pagamento, por parte do governo, de R$ 21bilhoes da dívida que tem com o Sistema Único da Sáude. A atitude coloca em risco a saúde da população e a continuidade da existência do SUS, sistema responsável não somente pela universalidade do atendimento médico, como também por ações da vigilância sanitária, do transplante de órgãos, pelo plano de execução do saneamento básico em todo o país, controle de epidemias, produção de medicamentos, entre tantos outros procedimentos indispensáveis para garantir direitos fundamentais dos brasileiros.

Fonte: Febrasgo

Suicídio

Suicídio sempre foi um tema polêmico e cercado de tabus, assim como o câncer, os transtornos mentais e as doenças infectocontagiosas. Hoje, não conseguimos mais “escapar” destes temas, porque estamos vivendo um momento em que as notícias são divulgadas, muitas vezes, em tempo real. Um assunto que antigamente era mantido entre quatro paredes, hoje é questão em constante discussão e inclusive existem séries na internet que abordam claramente o tema. O assunto é tratado com muito mais naturalidade e realmente deve ser, porque temos presenciado casos nas escolas dos nossos filhos. Onde estamos errando? Qual a nossa parcela de culpa e qual a parcela da sociedade? Como minimizar os efeitos que podem fazer uma pessoa tirar a vida?

Em 12 anos, a taxa de suicídios na população de 15 a 29 anos subiu de 5,1 por 100 mil habitantes em 2002 para 5,6 em 2014 – um aumento de quase 10%.

O Brasil é o oitavo país com maior número de suicídios no mundo (OMS – Organização Mundial da Saúde, 2014). Foram 2.898 suicídios de jovens de 15 a 29 anos em 2014. Nesta faixa etária, a taxa de suicídio é sempre um pouco superior em relação às outras idades (Waiselfisz, 2014).

Segundo a OMS o crescimento das taxas de depressão, doenças crônicas, ansiedade e mesmo suicídios, reflete o tipo de sociedade e relações sociais que a humanidade tem desenvolvido nas últimas décadas, associado aos valores que “adquirimos” da nossa educação e das experiências de vida. Tudo isto vai nortear nossa história.

O suicídio na juventude intriga profissionais de saúde, pais e professores pelo paradoxo que representa: o sofrimento num período da vida de descobertas, alegrias e amizades e não de morte. Segundo especialistas, o problema também está associado a fatores como depressão, abuso de drogas e álcool, além das chamadas questões interpessoais – violência sexual, abusos, violência doméstica e bullying. Existe também muita cobrança por competitividade, nota e sucesso.

Enfim, temos que cumprir um aprendizado contínuo e entendermos a dinâmica do mundo atual, para conseguir ajudar as pessoas que fazem parte da nossa vida. A educação tem um grande peso para garantir bem-estar, equilíbrio e qualidade de vida.

Dra. Patrícia Pereira Faure / Dr. Ricardo Faure

Fonte: Site – Globo.com

 

10 coisas que você precisa saber sobre TPM

1 – O que é síndrome pré-menstrual ou tensão pré-menstrual?

TPM é a abreviação de tensão pré-menstrual, que é uma combinação de sintomas físicos, emocionais e comportamentais que algumas mulheres apresentam aproximadamente uma semana antes de menstruar. Os sintomas aparecem antes do início da menstruação (até sete dias antes) e desaparecem durante a menstruação. Os sintomas podem afetar seu corpo e sua mente, e a intensidade pode variar muito de mulher para mulher. Também chamada de síndrome de pré-menstrual – SPM.

2 – Quais são os sintomas?
Os sinais e sintomas comumente observados são aumento do tamanho e da sensibilidade das mamas; inchaço nas pernas e, às vezes, no corpo todo; ganho de peso; dor de cabeça; cansaço; dor nas pernas; aumento do volume abdominal; acne; ansiedade; irritabilidade; depressão; mudanças de humor; depreciação da autoimagem; e alteração do apetite.

3 – Quais são as causas
Ninguém sabe o verdadeiro motivo. O que médicos e cientistas sabem é que ela está relacionada às mudanças
hormonais durante seu ciclo menstrual e que estas mudanças podem ser fisiológicas.

4 – Como sei que tenho TPM?
Não há exames para diagnosticar TPM. Seu diagnóstico é clínico baseado nos sintomas que a mulher apresenta no período pré-menstrual. A intensidade e a qualidade dos sinais e sintomas encontrados são muito variáveis de mulher a mulher, e têm sido relatadas desde a primeira menstruação até a menopausa. A maioria das mulheres busca ajuda para a TPM por volta dos 30 anos, após 10 anos ou mais com os sintomas.

5 – O que é transtorno disfórico pré-menstrual?
É a forma mais grave da TPM, em que os sintomas psíquicos estão muito exacerbados. Aparece em 3% a 8% das mulheres e os sintomas estão relacionados também a alteração do humor, intensos o suficiente para comprometer o funcionamento social, profissional e familiar. Há uma definição específica para este diagnóstico.

6 – Como posso tratar a TPM?
Não existe um tratamento específico, já que os sintomas variam muito de intensidade para cada mulher. Entretanto, há medidas que aliviam os sintomas como mudança no estilo de vida, alteração dietéticas e uso de alguns medicamentos. Converse com seu médico sobre seus sintomas.

7 – Quais vitaminas são usadas para amenizar os sintomas da TPM? E a pílula, tem indicação?
Há estudos com suplementação de vitamina B6, vitamina E, cálcio e magnésio, mas sem comprovação científica final. Outro medicamento é o ácido gama linoleico, que é um ácido graxo essencial e pode ser encontrado no óleo de prímula. Há estudos mostrando que o uso de anticoncepcionais combinados auxilia no alívio dos sintomas.

8 – Como saber se tenho esta forma mais intensa de TPM, o transtorno disfórico pré-menstrual?
O transtorno disfórico pré-menstrual é cíclico, cessa com a menstruação, tem sintomas mais intensos somáticos,
comportamentais e de humor; destes sendo mais frequentes a ansiedade, labilidade afetiva, sintomas depressivos,
tensão, irritabilidade, ira, distúrbios do apetite e do sono. Seu diagnóstico exige atuação cuidadosa do profissional da
saúde através de anamnese e exame físico completos e detalhados.

9 – Como tratar transtorno disfórico pré-menstrual?
Os médicos podem lançar mão de tratamentos com medicações como, por exemplo, alguns antidepressivos, mas há outras opções de tratamento disponíveis. O tratamento deve ser individualizado e é importante a avaliação médica para saber se realmente está diretamente ligado ao ciclo menstrual.

10 – O que posso fazer para que a TPM não interfira em minha qualidade de vida?
Prática de exercícios aeróbicos. Procure fazer uma alimentação balanceada com verduras, frutas e legumes. Diminua o sal. Redobre os cuidados com a pele. Evite o consumo excessivo de carboidratos a açúcares, como doces, chocolates e amendoim.

Fonte: Febrago

Terapia celular e incontinência urinária

A incontinência urinária (IU) afeta mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo (Norton, Brubaker, 2006). Incontinência urinária de esforço (IUE) é o tipo mais comum em mulheres, sendo responsável por aproximadamente metade dos casos de IU, com a maioria dos estudos reportando prevalência de 10 a 39% (Abrams et al., 2013).

O tratamento da IUE pode ser dividido em clínico e cirúrgico, porém nenhuma das terapias convencionais se concentra na parada de progressão da doença ou na reversão do dano existente. Assim, a medicina regenerativa surgiu como um emocionante meio de preencher esse vazio terapêutico através da restauração e manutenção da função normal, com efeitos diretos em tecidos lesados ou disfuncionais (Furuta et al. 2007; Wang et al., 2011; Goldman et al., 2012; Vaegler et al., 2012).

As células-tronco são classicamente definidas por sua capacidade de auto-renovação, proliferação e diferenciação em um ou mais tipos de células a longo prazo (Ho, Bhatia, 2012). Assim, tipos de células-tronco diferentes possuem diferentes habilidades.

Células-tronco toti ou pluripotentes, tipicamente embrionárias ou fetais na origem podem se diferenciar em qualquer tipo de célula ou camada celular germinativa. As multipotentes, incluindo células-tronco mesenquimais (a partir de sangue, medula óssea, placenta, tecido adiposo ou muscular) são capazes de se diferenciar em vários, mas não todos, tipos celulares. As células-tronco unipotentes (de pele por exemplo) são as mais limitadas, sendo capazes de regeneração em apenas um tipo celular (Fong et al., 2010; Ho, Bhatia, 2012; Singh, 2012).

Atualmente, quatro grandes categorias descrevem a diversidade de células-tronco investigadas em medicina regenerativa: células-tronco embrionárias (ESC), células derivadas da placenta ou do líquido amniótico (AFPs), células pluripotentes induzida (IPSC), e células-tronco adultas (ASC) (Martin, 1981; Thomson et al., 1998; Goldman et al., 2012; Vaegler et al., 2012; Kim et al., 2013).

O conceito inicial da terapia celular para IUE foi baseado na hipótese de que a injeção de mioblastos esqueléticos na uretra lesionada pode restaurar o músculo do esfíncter (Chancellor et al., 2000). Desde então evoluiu com a substituição dos mioblastos por outros tipos de células, como as células-tronco derivadas de músculo (MDSC), de adipócitos (ADSC), de medula óssea (BMSC) e AFPs.

Assim, diversos estudos pré-clínicos demonstraram melhora funcional com aumento da pressão de perda (LPP) na cistometria, melhora da amplitude de contração rápida uretral e melhora histológica uretral (Lee et al., 2003; Cannon et al., 2003; Chermansky et al., 2004; Kwon et al., 2006; Furuta et al., 2008; Xu et al., 2010; Lin et al., 2010; Wu et al., 2011; Zhao et al., 2011; Watanabe et al., 2011), servindo como base para o início das pesquisas em humanos.

A terapia celular em mulheres com IUE foi aplicada pela primeira vez por Mitterberger, Marksteiner et al. (2007a). Para avaliar sua eficácia, eles usaram o questionário I-QOL, teste urodinâmico e ultrassom para visualizar o rabdoesfincter e avaliar sua contratilidade. Ultrassom mostrou que o rabdoesfincter tornou-se mais espesso e sua contratilidade melhorou um ano após injeção de mioblastos e fibroblastos. A Pressão máxima de fechamento uretral na avaliação urodinâmica (PMFU) melhorou 40,6% em 119 mulheres.

Como foi o caso de outros estudos clínicos (Mitterberger, Pinggera et al., 2008b; Sebe et al., 2011), entre os critérios de exclusão foram destacados hipermobilidade uretral e prolapso do colo vesical, pois podem causar incontinência em pessoas cuja função esfincteriana está intacta.

Uma série de estudos que utilizaram diferentes questionários (I-QOL, ICIQ-QOL, PGI-I, etc.) demonstraram boa eficácia das terapias celulares em mulheres (Blaganje & Lukanović, 2012; Carr et al., 2013; Gras et al., 2014); no entanto, os achados desses estudos devem ser interpretados com cautela, pois não foram avaliados usando testes urodinâmicos.

Ao mesmo tempo, Kuismanen et al. (2014) não encontraram aumento na PMFU após injeções de ADSCs combinadas com gel de colágeno, o que pode ser devido a um curto período de seguimento (6 meses) ou a um pequeno número de pacientes (n = 5).

Dois estudos de viabilidade avaliaram a eficácia potencial de diferentes doses de células, bem como diferentes quantidades de doses, e sugeriram que as injeções de maior dose estão associadas a uma melhora maior da IUE (Carr et al., 2013; Peters et al., 2014). No entanto, ambos utilizaram apenas métodos de avaliação subjetiva e nenhum mencionou efeitos secundários estatisticamente relevantes, indicando segurança relativa do tratamento.

Assim, a terapia com células-tronco representa uma modalidade promissora de tratamento para IUE, tendo sua indicação em pacientes com defeito esfincteriano intrínseco, podendo ser uma boa opção futura em pacientes com uretra fixa. Entretanto, antes de se tornar uma prática clínica mais estudos são necessários para elucidar sua eficácia a longo prazo e segurança, assim como a dose de células, número de doses, via de administração e o tipo de célula-tronco ideal.

Autores:
Andreisa Paiva M Bilhar1 e Rodrigo de Aquino Castro2

  • 1- Doutora em Ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo. Membro da Comissão Nacional Especializada Uroginecologia e Cirurgia Vaginal- FEBRASGO
  • 2- Professor Associado Livre Docente do Departamento de Ginecologia da Unifesp – EPM. Presidente da Comissão Nacional Especializada em Uroginecologia e Cirurgia Vaginal- FEBRASGO

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Fonte: Febrasgo

Síndrome da Bexiga Dolorosa: Diagnóstico e Terapêutica Inicial

A Síndrome da Bexiga Dolorosa (SBD)/Cistite Intersticial (CI) é uma condição inflamatória crônica da parede vesical que leva a dor pélvica, urgência miccional, aumento da frequência urinária e noctúria, na ausência de outras causas identificáveis. Em função de todo o processo inflamatório, a dor geralmente é mais severa quando a bexiga está repleta de urina e alivia, pelo menos parcialmente, com o esvaziamento vesical. Essa condição leva a uma redução importante da qualidade de vida.

Dos pacientes com SBD/CI, 94% são brancos, a média de idade é de 40 anos e 90% são mulheres.

A Sociedade Europeia para estudo da SBD/CI (ESSIC) sugeriu em 2008 a mudança da nomenclatura e sistema de classificação. Como a dor é uma característica fundamental dessa condição, foi proposta a mudança de nome para SBD. Dessa forma, a SBD tem seu diagnóstico baseado na presença de dor pélvica, pressão ou desconforto vesical além de urgência ou frequência miccional.

A American Urological Association define SBD/CI como a sensação desagradável (dor, pressão ou desconforto) percebida na região vesical e associada a sintomas do trato urinário inferior com mais de seis semanas de duração na ausência de infecção ou outra causa identificável. Esta definição tem sido usada pela American Urological Association (AUA) nos mais recentes Guidelines.

A fisiopatologia desta doença envolve uma disfunção do epitélio urinário que passa a produzir glicosaminoglicanas (GAG) e proteoglicanas, formadoras do muco vesical, ineficientes. Esta falha na proteção do muco vesical ao urotélio propicia o contato direto das toxinas da urina com a parede vesical desencadeando a patologia.

Diagnóstico
A ESSIC sugere que o diagnóstico seja feito em três etapas. A primeira etapa é a seleção de pacientes. A SBD deve ter seu diagnóstico baseado na presença de dor pélvica crônica além de pressão, dor ou desconforto vesical e um ou mais sintomas como urgência urinária ou frequência miccional.

A queixa mais comum é de dor em hipogástrio associada a sintomas urinários irritativos: urgência, frequência, disúria e noctúria. Podem também estar presentes: dispareunia e dor na vagina. Doenças psiquiátricas são mais comuns nessas pacientes, o que muitas vezes pode dificultar o diagnóstico. A frequência miccional diurna aumentada, o baixo volume miccional e a presença de noctúria são achados característicos da SBD/CI e podem ser confirmados pelo diário miccional.

A segunda etapa é a exclusão de outras doenças como carcinoma de bexiga, doenças infecciosas (infecção urinária, chlamydia trachomatis, micoplasma, herpes vírus, HPV), prolapsos, endometriose, candidíase vaginal, divertículo, câncer ginecológico, retenção urinária, dor relacionada ao nervo pudendo ou à musculatura do assoalho pélvico. Isso pode ser pode ser realizado através da anamnese, exame físico, exame comum de urina, urocultura, volume residual pós miccional, cistoscopia e biópsia da bexiga, se necessário.

A terceira etapa é a classificação da SBD. Na cistoscopia podemos encontrar glomerulações e/ou úlcera de Hunner. As evidências histológicas positivas para SBD incluem infiltrado inflamatório e/ou tecido de granulação e/ou presença de mastócitos (detrusor mastocytosis) e/ou fibrose intrafascicular. Os sintomas normalmente são episódicos, com períodos de agudização e remissão, tornando-se mais intensos com a evolução da doença. A exacerbação da doença normalmente ocorre no período pré-menstrual.

Tratamento

Inicia com a orientação da paciente em relação ao diagnóstico, manejo e prognóstico da patologia. É fundamental que a paciente compreenda que o tratamento visa o alívio dos sintomas, não existe um tratamento curativo específico e que a doença é potencialmente crônica.

Os principais objetivos do tratamento devem ser maximizar o controle dos sintomas e melhorar a qualidade de vida, além de evitar efeitos adversos e complicações.

– Tratamento Conservador
A abordagem inicial deve priorizar as estratégias conservadoras. Orientação da paciente, modificações dietéticas, orientação do hábito miccional e manejo do stress são recomendados como primeira linha de manejo da SBD/CI.

Há uma expectativa de melhora significativa em 45-50% dos pacientes somente com medidas de aconselhamento e suporte. Mais de 90% dos pacientes tem exacerbação dos sintomas após a ingesta de certos alimentos e bebidas. Os alimentos que podem desencadear sintomas são: café, chá, frutas cítricas, bebidas carbonatadas e alcoólicas, bananas, tomates, comidas apimentadas, adoçantes artificiais, vitamina C e produtos derivados do trigo.

– Fisioterapia
Fisioterapia do assoalho pélvico pode ser recomendada para pacientes com disfunção do assoalho pélvico. Muitas vezes essa disfunção da musculatura do assoalho pélvico se deve ao aumento do tônus muscular. As mulheres que têm desconforto nessa região durante o exame físico, podem se beneficiar da fisioterapia.

– Medicamentos de uso oral
Os antidepressivos tricíclicos são indicados com base em suas propriedades analgésicas, anti-histamínicas, anticolinérgicas e sedativas, bem como pela sua ação no tratamento da depressão. A amitriptilina é uma boa opção para tratamento se houver falha das terapias conservadoras iniciais.

Foster e colaboradores concluíram em seu estudo que o subgrupo de pacientes que recebeu a dose de pelo menos 50mg de amitriptilina obteve melhora dos sintomas significativamente maior que o grupo placebo. Van Ophoven e colaboradores testaram a amitriptilina nas doses de 25 a 100mg e compararam os efeitos com o grupo que recebeu placebo. Houve mudança significativa no score de sintomas e significativa melhora na dor, bem como na urgência, em relação ao placebo. Nesse estudo, o uso da amitriptilina por 4 meses foi considerado seguro e efetivo no tratamento da SBD. Em função desse estudo, os autores recomendam o uso da amitriptilina como primeira linha de terapêutica via oral em sua instituição.
Outra opção de uso oral seria a cimetidina. Os sintomas com melhor resposta ao uso da cimetidina foram a dor suprapubica e a noctúria. Essa terapêutica necessita de mais estudos.
O hidroxizine tem sido usado, pois a histamina liberada pela desgranulação dos mastócitos pode ser responsável pelos sintomas da SBD/CI. Os artigos são conflitantes e apenas estudos observacionais têm encorajado o uso, porém a medicação parece segura. Pode ser uma opção especialmente em pacientes com história de alergia.
O pentosan polissulfato (PPS) é provavelmente o melhor componente de uma estratégia terapêutica global conforme recomendado pelas diretrizes da American Urological Association (AUA). Pode ser usada isoladamente ou em combinação com o PPS intravesical. Entretanto, alguns estudos sugerem que os benefícios possam ser restritos.
Outra droga de uso oral com resultados iniciais promissores na SBD/CI, mas que ainda carece de mais estudos, é a ciclosporina A. Deve ser reservada a pacientes com sintomas severos e refratários a outras medicações, em função do potencial de sérios efeitos adversos e poucos estudos disponíveis na literatura. As pacientes devem ser rigorosamente monitorizadas (pressão arterial, creatinina) durante o uso.

Baseado no sucesso do tratamento de outras condições que levam a dor neuropática, a gabapentina pode ser uma opção no tratamento da SBD/CI em pacientes refratárias a outras terapêuticas. Essa medicação também necessita de mais estudos.

Discussão

O ginecologista normalmente recebe e investiga pacientes com dor pélvica e deve estar atento aos sintomas que podem levar ao diagnóstico de SBD.

Devemos iniciar o tratamento com as medidas conservadoras e, se não houver resultado satisfatório, podemos iniciar com as medicações de uso oral.

No Brasil não dispomos do Pentosan Polissulfato, mas a amitriptilina tem se mostrado eficaz e essa opção terapêutica deve ser considerada como primeira linha de tratamento farmacológico via oral em nosso meio.

Autores:

Thaís Guimarães dos Santos
Christiana Campani Nygaard
Rodrigo Castro
Jorge Haddad
Lucas Schreiner

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Fonte: Febrasgo

7 sinais que o corpo dá quando você para o anticoncepcional

Bastou menos de uma semana para a estudante Mariana Pereira Lopes, de 19 anos, sentir diferença ao parar na frente do espelho. Pelos aparecendo nos lugares errados, espinhas no rosto e nas costas começaram a brotar, além de um mau humor que a impedia de se sentir bonita até na sua roupa favorita.

Também não demorou muito para que ela lembrasse que a única mudança na rotina era ter cortado o anticoncepcional. Esses são alguns dos sete sintomas mais comuns no corpo de quem interrompe a medicação. “Eu achava que tudo isso era mito, mas vi que não. Engraçado que eu nem lembro de ter reparado as mudanças pra melhor”, conta ela.

A fase que Mariana chama de “medonha” a deixou tão encanada que ela nem quis aparecer na foto para esta matéria. “Só depois que eu voltar a tomar o remédio”. O ginecologista Roberto Cesar Nogueira Júnior, doutor em ginecologia endócrina, diz que acontece mesmo tudo isso e muito mais.

“O anticoncepcional traz uma série de benefícios, como diminuição do fluxo menstrual e melhora da cólica, da oleosidade e da acne”. Isso porque a medicação corta a testosterona, hormônio masculino que também é produzido pelas mulheres. Só que da mesma maneira que os benefícios aparecem rápido, eles também vão embora voando. “Quando o anticoncepcional é interrompido, seus benefícios também são”, explica o médico.

Paciência é fundamental

Para a endocrinologista Leticia Iervolino, é só imaginar que o corpo está acostumado a receber os hormônios prontos e, de uma hora para a outra, precisa retomar a produção que estava parada. “Nesse momento, o organismo tem de se adaptar às alterações hormonais. Esse tempo vai variar de mulher para mulher, e depende do anticoncepcional usado”. Antes de começar ou parar de tomar pílula é imprescindível procurar seu médico.

E é bom seu crush ser avisado sobre essa mudança, já que a especialista explica que cólicas e TPM podem piorar. “Como as mulheres são uma montanha-russa hormonal, essas variações de humor voltam com a interrupção da medicação. Devem piorar sintomas como instabilidade emocional, irritabilidade, tristeza, impulsividade, alterações do sono e dor de cabeça”, diz Leticia.

Por outro lado, tem boa notícia e num assunto pra lá de importante. No sexo, a coisa promete ficar boa! Vai rolar aumento da libido e da lubrificação vaginal, explica a especialista. “Isso acontece principalmente nas mulheres que estavam usando as medicações com efeito antitestosterona”.

O ginecologista Luciano Pompei, secretário geral da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, diz que a diminuição do sangramento menstrual e a regularização desse ciclo também podem acontecer. “Algo que as jovens precisam saber é que todo medicamento tem benefícios e riscos. Por isso, é fundamental consultar um médico para buscar orientação. Além disso, o anticoncepcional não protege contra DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e Aids. É preciso usar camisinha”. Dito isso, não esqueça do preservativo!

Fonte: A Tribuna

A importância da atividade física durante a gravidez

“Gravidez não é doença”. A frase é da funcionária pública Dalila Mattozo, de 30 anos. Grávida de sete meses de Bia, a potiguar segue firme nos exercícios físicos e treina cinco dias na semana, sob o acompanhamento de um profissional, o que lhe garante disposição para enfrentar o dia a dia. “É uma das coisas que tem ajudado a me manter de pé, com mais qualidade de vida”, dispara.

A atividade física garante benefícios para a mãe e o bebê e ainda contribui para o momento do parto. Melhora o condicionamento físico, fortalece a musculatura, facilitando o trabalho de parto, reduz o inchaço, ameniza desconfortos intestinais, diminui os riscos de hipertensão e obesidade, além de prevenir dores nas costas, sendo a lombalgia uma das mais comuns.

Porém, a gestante deve procurar um médico antes de dar início às atividades físicas. Lembrando que a prática da atividade física no período gestacional deve ser desenvolvida desde que a mulher apresente condições apropriadas e esteja liberada pelo obstetra.

Embora as benesses sejam muitas, é preciso redobrar os cuidados na hora do treino. De acordo com a instrutora de academia Raianny Alves, a mãe precisa respeitar as condições provenientes da gravidez e o profissional deve estar atento às limitações de cada gestante.

“Durante a gravidez, é importante atenuar a carga, a intensidade e a frequência de treinos, encurtando os riscos de complicações gestacionais. Estes cuidados são parâmetros para evitar redução de nutrientes para o feto, a hipóxia, que é a falta de oxigênio para o bebê, lesões musculares e problemas articulares, que podem surgir em detrimento da liberação da relaxina, hormônio que causa frouxidão articular e ligamentar”, explica Raianny, que está na reta final da gravidez e segue dando aula e mantendo os treinos.

Algumas atividades físicas mais recomendadas são as aulas coletivas de indoor cycling, musculação, dança, pilates, caminhada, yoga, hidroginástica e natação. “Estes exercícios são interessantes, pois ajudam as mamães a seguirem saudáveis durante toda a gestação”, afirma a profissional de educação física.

Fonte: Bebe.com.br