A Saúde Mental da Mulher Durante a Gravidez

 

A gravidez é um período de mudanças físicas, emocionais e psicológicas significativas na vida de uma mulher. A saúde mental desempenha um papel fundamental nesse processo, pois influencia tanto o bem-estar da mãe quanto o desenvolvimento saudável do bebê. Durante a gravidez, muitas mulheres enfrentam uma série de desafios que podem afetar sua saúde mental, como flutuações hormonais, preocupações com a saúde do bebê, alterações no corpo e preocupações financeiras. Portanto, é essencial entender e abordar adequadamente a saúde mental das mulheres grávidas.

Fatores de Impacto na Saúde Mental:

  1. Flutuações Hormonais: As mudanças hormonais durante a gravidez podem desencadear emoções intensas e alterações de humor. Algumas mulheres podem experimentar ansiedade, depressão ou irritabilidade devido a essas mudanças.
  2. Preocupações com a Saúde do Bebê: As futuras mães frequentemente se preocupam com o bem-estar e o desenvolvimento de seus bebês. Medos relacionados a complicações na gravidez, parto e saúde do recém-nascido podem aumentar o estresse e a ansiedade.
  3. Mudanças no Corpo: As transformações físicas da gravidez, como ganho de peso, inchaço e alterações na aparência, podem afetar a autoestima e a imagem corporal da mulher, impactando sua saúde mental.
  4. Pressões Sociais e Familiares: Expectativas culturais, pressões sociais e familiares também podem causar estresse durante a gravidez. A necessidade de equilibrar responsabilidades domésticas, profissionais e pessoais pode sobrecarregar a mulher grávida.
  5. Histórico de Saúde Mental: Mulheres que já enfrentaram problemas de saúde mental, como depressão ou ansiedade, podem ser mais suscetíveis a esses problemas durante a gravidez devido à combinação de fatores biológicos, hormonais e psicológicos.

Importância do Cuidado da Saúde Mental: É crucial que as mulheres grávidas recebam apoio adequado para lidar com os desafios emocionais da gravidez. A negligência da saúde mental pode resultar em complicações para a mãe e para o bebê. A depressão e a ansiedade não tratadas durante a gravidez podem aumentar o risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e problemas comportamentais no futuro da criança.

Abordagens para Promover a Saúde Mental:

  1. Apoio Psicossocial: Proporcionar um ambiente de apoio emocional é fundamental. O suporte do parceiro, familiares, amigos e profissionais de saúde pode aliviar o estresse e ajudar a mulher a se sentir compreendida e amparada.
  2. Acompanhamento Médico: As visitas regulares ao médico permitem monitorar a saúde mental da gestante e identificar sinais precoces de problemas emocionais. Os profissionais de saúde podem fornecer orientação e encaminhamento para tratamento, se necessário.
  3. Terapia e aconselhamento: A terapia individual ou em grupo pode ser benéfica para ajudar as mulheres a lidar com suas preocupações e emoções durante a gravidez. A terapia cognitivo-comportamental e a terapia de apoio são abordagens comuns.
  4. Estilo de Vida Saudável: Praticar atividades físicas adequadas, adotar uma dieta equilibrada e praticar técnicas de relaxamento, como meditação e ioga, podem contribuir para o bem-estar mental.
  5. Educação e Conscientização: A educação sobre saúde mental na gravidez, tanto para as gestantes quanto para suas famílias, é essencial para entender os desafios e procurar ajuda quando necessário.

Conclusão: A saúde mental da mulher durante a gravidez é um aspecto crítico do bem-estar geral, impactando tanto a mãe quanto o bebê. É fundamental que as gestantes tenham acesso a informações, apoio e tratamento adequados para lidar com as emoções e desafios desse período, garantindo uma experiência de gravidez saudável e positiva.

A importância do Pré Natal

O pré-natal é uma etapa crucial do cuidado da saúde materna e fetal durante a gravidez. É um processo de monitoramento regular e acompanhamento médico que visa garantir que a mãe e o feto estejam saudáveis e bem-cuidados durante todo o período gestacional. A importância do pré-natal é inquestionável, pois ele ajuda a prevenir e identificar problemas de saúde que possam surgir durante a gravidez, além de fornecer orientação para o parto e pós-parto.

Durante o pré-natal, a mãe recebe uma série de exames e avaliações que ajudam a monitorar sua saúde e a saúde do feto. Entre esses exames estão a verificação da pressão arterial, a medição do peso e altura, o exame de urina, o exame de sangue, a ultrassonografia, entre outros. Esses exames ajudam a identificar qualquer problema de saúde que possa surgir durante a gravidez e permitem que o médico tome medidas preventivas ou inicie um tratamento adequado para garantir a saúde da mãe e do feto.

Além disso, o pré-natal é uma oportunidade para a mãe receber orientação sobre como manter uma dieta saudável, evitar substâncias prejudiciais como o álcool e o tabaco, praticar atividade física adequada e fazer outras escolhas que possam contribuir para uma gravidez saudável. A mãe também pode receber informações sobre o parto, as opções de parto e sobre o cuidado do recém-nascido após o nascimento.

O acompanhamento pré-natal é especialmente importante para mulheres que apresentam riscos adicionais durante a gravidez, como mulheres com idade avançada, mulheres com doenças crônicas, mulheres com histórico de abortos espontâneos ou mulheres que já tiveram partos complicados anteriormente. Nesses casos, o pré-natal pode ajudar a monitorar os riscos e a tomar medidas para garantir que a gravidez prossiga da maneira mais segura possível.

Em resumo, o pré-natal é uma etapa fundamental do cuidado da saúde materna e fetal durante a gravidez. Ele ajuda a identificar e prevenir problemas de saúde, oferece orientação e suporte para a mãe e o feto e contribui para uma gravidez saudável e segura. Por isso, é essencial que todas as mulheres grávidas recebam acompanhamento pré-natal adequado e regular durante toda a gestação.

Importância do pré-natal

A realização do pré-natal representa papel fundamental na prevenção e/ou detecção precoce de patologias tanto maternas como fetais, permitindo um desenvolvimento saudável do bebê e reduzindo os riscos da gestante. Informações sobre as diferentes vivências devem ser trocadas entre as mulheres e os profissionais de saúde. Essa possibilidade de intercâmbio de experiências e conhecimentos é considerada a melhor forma de promover a compreensão do processo de gestação.

Deverão ser fornecidos pelo serviço de saúde:

– o cartão da gestante com a identificação preenchida e orientação sobre o mesmo;
– o calendário de vacinas e suas orientações;
– a solicitação de exames de rotina;
– as orientações sobre a sua participação nas atividades educativas – reuniões em grupo e visitas domiciliares;
– o agendamento de consulta médica para pesquisa de fatores de risco.

Vantagens do pré-natal:

– permite identificar doenças que já estavam presentes no organismo, porém, evoluindo de forma silenciosa, como a hipertensão arterial, diabetes, doenças do coração, anemias, sífilis, etc. Seu diagnóstico permite medidas de tratamento que evitam maior prejuízo à mulher, não só durante a gestação, mas por toda sua vida;
– detecta problemas fetais, como más formações. Algumas delas, em fases iniciais, permitem o tratamento intraútero que proporciona ao recém-nascido uma vida normal;
– avalia aspectos relativos à placenta, possibilitando tratamento adequado. Sua localização inadequada pode provocar graves hemorragias com sérios riscos maternos;
– identifica precocemente a pré-eclâmpsia, que se caracteriza por elevação da pressão arterial, comprometimento da função renal e cerebral, ocasionando convulsões e coma. Esta patologia constitui uma das principais causas de mortalidade no Brasil.

Principais objetivos:

– preparar a mulher para a maternidade, trazendo informações educativas sobre o parto e o cuidado da criança (puericultura);
– fornecer orientações essenciais sobre hábitos de vida e higiene pré-natal;
– orientar sobre a manutenção do estado nutricional apropriado;
– orientar sobre o uso de medicações que possam afetar o feto ou o parto ou medidas que possam prejudicar o feto;
– tratar das manifestações físicas próprias da gravidez;
– tratar de doenças existentes, que de alguma forma interfiram no bom andamento da gravidez;
– fazer prevenção, diagnóstico precoce e tratamento de doenças próprias da gestação ou que sejam intercorrências previsíveis dela;
– orientar psicologicamente a gestante para o enfrentamento da maternidade;
– nas consultas médicas, o profissional deverá orientar a paciente com relação à dieta, higiene, sono, hábito intestinal, exercícios, vestuário, recreação, sexualidade, hábitos de fumo, álcool, drogas e outras eventuais orientações que se façam necessárias.

A assistência ao pré-natal é o primeiro passo para parto e nascimento humanizados e pressupõe a relação de respeito que os profissionais de saúde estabelecem com as mulheres durante o processo de parturição e, compreende:

– parto como um processo natural e fisiológico que, normalmente, quando bem conduzido, não precisa de condutas intervencionistas;
– respeito aos sentimentos, emoções, necessidades e valores culturais;
– disposição dos profissionais para ajudar a mulher a diminuir a ansiedade e a insegurança, assim como o medo do parto, da solidão, da dor, do ambiente hospitalar, de o bebê nascer com problemas e outros temores;
– promoção e manutenção do bem-estar físico e emocional ao longo do processo da gestação, parto e nascimento;
– informação e orientação permanente à parturiente sobre a evolução do trabalho de parto, reconhecendo o papel principal da mulher nesse processo, até mesmo aceitando a sua recusa a condutas que lhe causem constrangimento ou dor;
– espaço e apoio para a presença de um(a) acompanhante que a parturiente deseje;
– direito da mulher na escolha do local de nascimento e coresponsabilidade dos profissionais para garantir o acesso e a qualidade dos cuidados de saúde.

O que a mulher grávida deve comer durante a gravidez? Desejo de grávida é verdade ou mito?

Como deve ser a dieta das gestantes?

Gestantes sem problemas de saúde não possuem grandes restrições alimentares. Entretanto, por conta das mudanças da gravidez, especialmente no início dela, a glicose do sangue é rapidamente absorvida pelos tecidos maternos, justamente para criar reservas que serão usadas pela mãe e pelo bebê em crescimento. Isso pode gerar hipoglicemia se houver longos períodos sem alimentação! Por isso, ingerir alimentos a cada 2 ou 3 horas é muito importante para as mulheres grávidas.

Quais alimentos são essenciais para o desenvolvimento do feto?

Todos os alimentos são importantes para o desenvolvimento fetal, assim não se deve excluir nenhum grupo alimentar. Pela quantidade de ômega 3, substância envolvida no desenvolvimento neurológico dos fetos, os peixes são alimentos recomendáveis. Igualmente importantes são os derivados de leite, pela quantidade de cálcio e as carnes, pelo nível de ferro. Vegetais e legumes ajudam no funcionamento do intestino, que fica mais lento durante a gestação.

A dieta ajuda na prevenção de doenças?

Dieta adequada e manutenção do peso ajudam a prevenir algumas doenças, especialmente o diabetes gestacional e a anemia. Adicionalmente, há indícios de que reduz a prematuridade, malformações, hipertensão e restrição de crescimento do feto.

O desejo de grávida realmente existe? Se sim, quais são as causas e o que ele provoca no corpo?

O desejo das grávidas existe, mas na maioria das vezes não provoca qualquer alteração física, seja ele atendido ou não. Todavia, é preciso ficar atento a algumas vontades, pois elas podem indicar deficiências de nutrientes. Um exemplo importante é a vontade de comer terra ou tijolo, que indicam anemia. Apetite muito anormal deve ser relatado ao obstetra.

Quais são as restrições alimentares?

Não existem grandes restrições alimentares para as gestantes, mas algumas substâncias devem ser abandonadas ou evitadas. Um exemplo clássico é o do álcool, contraindicado na gravidez, pois não há níveis seguros de seu uso neste período. Alimentos que contêm cafeína devem ser consumidos com moderação. Refrigerantes devem ser evitados porque estão associados à piora da azia, sintoma comum na gravidez. Com moderação, todas as demais substâncias podem ser utilizadas, exceto na presença de doenças específicas que devem ser analisadas junto ao obstetra.

Entenda a relação entre a alimentação da mãe e a amamentação

Cuidados alimentares durante o puerpério

Após o parto, caso a mulher não tenha reservas ou o consumo de nutrientes e líquidos for inadequado, pode haver impacto na produção do leite materno. Essa produção é estimulada pela sucção do recém-nascido e a qualidade do leite tem relação com a composição da alimentação.

Dicas gerais sobre a alimentação materna

  • Mantenha a alimentação saudável e equilibrada. Evite períodos prolongados de jejum. Fracione as refeições, no máximo, entre 3 a 4 horas;
  • Hidrate-se ingerindo água e líquidos. A recomendação de consumo é, em média, 30 ml/kg/dia de líquidos;
  • Faça variações na composição do cardápio. Contemple todas as necessidades nutricionais: aumente o consumo de frutas e vegetais da época, produtos integrais, carnes magras e leite/derivados;
  • Consuma peixe, salmão ou sardinha, 2 a 3 vezes por semana para aumentar a ingestão de ômega 3, que é um tipo de gordura transferida para a criança pelo leite materno. Este nutriente está relacionado com o desenvolvimento neurológico satisfatório e também pode auxiliar no aumento do valor calórico do leite materno;
  • Garanta o consumo de fontes de cálcio (leite e derivados, vegetais de cor verde-escura) entre 3 a 4 porções/dia;
  • Consuma fontes de vitamina A e betacaroteno (vegetais e frutas vermelho/amarelo-alaranjados), em dias alternados;
  • Adoçantes compostos por aspartame, sucralose, neotame, sacarina, acesulfame K geralmente não apresentam contraindicação. Vale ressaltar que a sacarina, quando associada ao ciclamato, é contraindicada. Siga as recomendações de seu médico;
  • Evite o consumo de alimentos gordurosos, frituras e doces;
  • Reduza o consumo de cafeína (café, chá preto, chá mate, chá verde, chocolate, refrigerantes à base de cola), pois pode causar insônia ou hiperatividade nos lactentes;
  • O álcool não deve ser consumido, pois pode ser prejudicial ao bebê e afetar a produção do leite;
  • Modere o consumo de chocolate, pois pode causar irritabilidade ou aumento da movimento (peristalse) intestinal no lactente;
  • Atenção aos tabus alimentares, pois são de origem desconhecida e não apresentam explicação científica convincente. Procure manter a alimentação habitual, semelhante a que foi realizada durante a gestação, com ênfase nos hábitos saudáveis, observando a individualidade/sensibilidade do bebê;
  • Não faça restrições alimentares sem orientação do médico ou nutricionista.

Qual a recomendação de amamentação para mães vegetarianas?

Observe o risco de hipovitaminose B (falta de vitamina B) em crianças amamentadas por mães vegetarianas, pois a vitamina não pode ser encontrada em vegetais. É importante também certificar-se de que as mães vegetarianas estão ingerindo quantidade suficiente de proteínas.

Quando iniciar ou retomar a atividade física após o parto?

A atividade física no pós-parto tem inúmeros benefícios, como acelerar a perda de peso, melhorar o bem-estar da mulher, além de favorecer a amamentação. Porém, quando devemos iniciar ou retomá-la?

Ao retomar ou iniciar a atividade física, os exercícios devem ser leves e com aumento progressivo de intensidade. Atividades aeróbicas, como caminhada, bicicleta, corrida, devem ter duração de 30 minutos por dia, cinco dias da semana e são um excelente começo.

Tipo de parto interfere?

Sim. O momento de retomada das atividades físicas dependerá da via de parto. Partos vaginais não estabelecem restrição temporária, sendo as atividades permitidas a partir do momento que a mulher se sentir preparada.

Já em relação à cesariana, a literatura médica apresenta diversas “opiniões”, mas em geral a orientação é aguardar cerca de 6 semanas pós-parto para atividades mais leves e 12 semanas para o início de exercícios de alto impacto, como musculação.

Lembrando: a atividade deve ser prazerosa. Assim, a mulher deve buscar o exercício que mais lhe agrada. Por outro lado, considerando a gravidez e o parto, exercícios para fortalecimento da musculatura pélvica são recomendados e benéficos.

O que acontece com o corpo da mulher após o parto e quais são os cuidados?

Depois do parto a atenção está toda no bebê. Afinal, ele precisa de cuidados e carinho para crescer de forma saudável. E isso exige a presença ativa da mãe 24h por dia. Mas não dá para esquecer que a mulher também vive um momento transformador – o de se tornar mãe – e passou uma grande experiência – o parto –, e precisa de cuidados também.

Por isso, as consultas com o médico são tão importantes depois do parto. Confira as principais mudanças que a mulher passa durante essa fase:

Diminuição do tamanho do útero: no primeiro dia após o nascimento do bebê, o fundo do útero está na altura do umbigo, quando apalpado. Após uma semana, ele pode ser sentido logo acima da sínfise púbica (osso da região anterior da bacia), e na segunda semana, não é mais sentido no abdome. Ele demora de seis a oito semanas para retornar ao seu tamanho de antes da gravidez. Durante esse período, seu peso diminui de 1.000 g para 60 g.

Nos três primeiros dias depois do nascimento, as contrações uterinas provocam cólicas abdominais, principalmente ao amamentar. Isso é resultado da liberação de um hormônio chamado oxitocina, que entre outras funções, estimula a contração do útero para diminuir o sangramento do puerpério.

Sangramento vaginal após o parto (loquiação): é o resultado da cicatrização e regeneração do local em que estava inserida a placenta dentro do útero.

Num primeiro momento, ocorre a saída de sangue avermelhado, que dura aproximadamente uma semana. O volume de sangramento tende a diminuir diariamente. É comum ter eventos de saída abrupta, mas com intervalos cada vez maiores. Conforme ocorre a diminuição do sangramento, ele se torna mais escurecido, com cor amarronzada, seguida por uma cor amarelada e finalmente mais esbranquiçada. Costuma cessar seis semanas após o parto.

Mamas: nos primeiros dois a três dias após o parto as mamas produzem o colostro, um precursor do leite materno, rico em minerais, proteínas, vitamina A e imunoglobulinas. No terceiro ou quarto dia ocorre a apojadura, que é a formação do leite materno para a amamentação. A mulher sentirá suas mamas crescerem, ficarem quentes e pesadas. Pode ser acompanhada de fraqueza, cansaço, mal-estar e, eventualmente, febre baixa.

Intestino: Após o parto o intestino da mulher fica mais lento e o aumento do volume da barriga é decorrente do acúmulo de gases. Esse acúmulo é intensificado caso a via de parto tenha sido cesárea, pois além das alterações hormonais, há o trauma da cirurgia propiciando uma lentidão acentuada do trânsito intestinal. Isso costuma melhorar bastante após uma semana e o intestino volta ao normal em seis a oito semanas.

O hábito intestinal deve ser semelhante ao hábito que a mulher tinha durante a gestação, que costuma ser um intestino mais obstipado. Para melhorar, uma boa dica é a caminhar e se movimentar para estimular o intestino a funcionar. Massagens na barriga, ter uma dieta rica em fibras e tomar muita água também ajuda.

Inchaço: Quando o útero contrai e diminui de tamanho, todo o sangue que estava dentro dele volta para corrente sanguínea. Desta forma, pode haver inchaço das extremidades (pés e mãos) principalmente na primeira semana depois do parto, voltando ao normal em seis a oito semanas.

Sono: A privação de sono é uma realidade para quem tem um recém-nascido em casa. A criança ainda depende da mãe para tudo. É preciso estabelecer prioridades. Os cuidados com o bebê estão em primeiro lugar. Outras questões de seu cotidiano, como os filhos mais velhos, cuidar da casa etc., ficam em segundo plano e devem ser compartilhados com o pai ou outra pessoa da família.

O cansaço crônico pode interferir na produção de leite e aumenta a chance de depressão pós-parto. Por isso, toda ajuda é bem-vinda para melhorar o bem-estar da mãe e do bebê. Fazer exercícios ajuda o organismo voltar ao normal e dá ânimo para a mãe. No primeiro mês após o parto o ideal é fazer exercícios leves como alongamentos, ioga e caminhadas.

Cuidados especiais para quem passou por uma cesárea

O cuidado mais essencial é a higiene no local da cicatriz: lavar o local do corte e deixá-lo sempre seco. Nos primeiros dias após o parto é natural que haja dor no local, por isso a paciente recebe analgésicos para o controle dessa dor. Caso o corte comece a ficar avermelhado, inchado e com saída de secreção, com piora da dor local, um médico deverá examinar para verificar presença de complicação no local.

DIU e DIU Hormonal

Dispositivo intrauterino (DIU) e Sistema intrauterino (DIU Hormonal – também conhecido como DIU medicado ou DIU Hormonal) são, como o nome já diz, sistemas ou dispositivos que devem ser inseridos por médicos, dentro do útero. A grande vantagem destes métodos é a comodidade e a alta eficácia, que pode proteger a mulher durante 5 a 10 anos, dependendo do produto.

Qual a diferença entre os dois?

Ambos impedem a penetração e passagem dos espermatozoides, não permitindo seu encontro com o óvulo. A grande diferença é que o DIU é feito de cobre, um metal, e não possui nenhum tipo de hormônio, enquanto o DIU Hormonal libera um hormônio dentro do útero. Além do efeito contraceptivo, o hormônio pode apresentar outros efeitos, como reduzir o fluxo menstrual.

Eles causam aborto?

Não. Como já citado, os dois métodos impedem que o espermatozoide encontre o óvulo, portanto eles nem deixam a gravidez ocorrer.

DIU e SIU

Existe chance de falha?

Sim. Atualmente não existe nenhum método anticoncepcional que seja 100% eficaz. No entanto, a chance de falha dos dois métodos é extremamente baixa, sendo parecida com a dos métodos cirúrgicos, como a laqueadura ou vasectomia, o que os deixa entre os métodos mais eficazes que existem.

Uma vez que não dependem da correta administração pela usuária, o DIU e o DIU Hormonal possuem eficácia superior quando comparados aos métodos de curta ação, como as pílulas, injeções, anel e adesivo contraceptivo.

Como posso utilizar o DIU/DIU Hormonal?

O dispositivo deve ser inserido pelo seu médico após ele ter sido indicado para você. Algumas vezes antes do procedimento de inserção o médico poderá solicitar exames complementares, variando de caso a caso.

O procedimento de inserção é simples, rápido e costuma ser realizado no próprio consultório do médico, sem a necessidade de anestesia geral. porém, pode causar desconforto para algumas mulheres.

Qualquer mulher pode utilizar o DIU/DIU Hormonal?

Não. Existem poucas situações em que o DIU e o DIU Hormonal são contraindicados. A escolha do melhor método para cada tipo de mulher deve ser feita sob orientação médica, após a discussão e avaliação das suas necessidades e preferências.

Quais reações adversas posso apresentar ao usar um DIU/DIU Hormonal?

Entre as reações adversas mais comuns estão as alterações do fluxo menstrual.

O DIU, por não conter hormônio, provavelmente não irá alterar a frequência das menstruações, porém poderá causar um fluxo menstrual mais intenso e possível aumento das cólicas menstruais nos primeiros três meses de uso.

O DIU Hormonal, devido à liberação local do hormônio, costuma diminuir a intensidade do fluxo a duração das menstruações e, após 6 meses de uso, 44% das usuárias param de menstruar.

Se quiser engravidar e tenho um DIU/DIU Hormonal, como devo fazer?

Se decidir que é hora de engravidar, converse com seu médico. Ele irá retirar o seu DIU/DIU Hormonal. Após a retirada do dispositivo, sua fertilidade voltará ao normal rapidamente, não importando por quanto tempo você utilizou o método.

Maioria das grávidas não faz pré-natal

Apesar do bombardeio de informações e do acesso a médicos cada vez mais fácil, a maioria das gestantes não realiza o pré-natal, uma série de consultas e exames que verificam a saúde do bebê e da própria mulher. No Paraná, somente 30% das grávidas fazem o acompanhamento. Essa baixa incidência dá origem a outro dado alarmante: o da mortalidade materna. Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, são 57 mortes a cada cem mil bebês nascidos vivos. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de, no máximo, 20 mortes a cada cem mil nascidos vivos. No Brasil, neste mesmo parâmetro, ocorrem 74,5 óbitos.

O coordenador dos programas de saúde da mulher da Secretaria, Gleden Teixeira Prates, explica que há muitas razões para o grande número de mortalidade materna. Entre elas estão a realização inadequada do pré-natal, médicos não capacitados para fazer o acompanhamento e hospitais despreparados para atender os casos de gravidez de alto risco. Esse quadro gera as principais causas desses óbitos: hipertensão, hemorragias, infecções e abortos. As mortes acontecem durante a própria gestação, no parto e no puerpério (período pós-parto).

A grande ocorrência de gestação na adolescência também é um dos fatores que contribui para o índice de mortalidade. “O fato de ser adolescente por si só já é um motivo de risco porque o corpo nessa idade ainda é imaturo”, explica Prates. Os conflitos familiares que podem surgir com a notícia da gravidez de adolescentes também geram problemas. Por muitas vezes, elas tentam esconder que estão grávidas e não procuram orientação médica. Algumas também fazem abortos, que podem resultar em graves lesões para a mulher, causando hemorragia. O resultado final pode ser a morte da adolescente.

Qualidade de vida

As mortes de mulheres decorrentes da gravidez, aborto ou parto são entendidas pelos especialistas como indicadores da qualidade de vida dessas pessoas. Para Prates, o baixo nível sócio-econômico e o ambiente em que a grávida vive também influenciam no processo. “As mulheres que vivem em lugares inóspitos estão mais sujeitas a infecções, têm acesso a produtos químicos que podem causar deformações do feto, não se alimentam direito e não fazem uma higiene pessoal correta”, afirma o coordenador. “A população que vive abaixo da linha da pobreza tem uma qualidade de vida muito baixa e não possui acesso facilitado aos hospitais, causando muitos casos de alto risco.” Prates também destaca que a incidência de várias doenças, como as DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis), durante a gravidez, aumentam ainda mais o risco de vida para a mulher e o bebê.Ações de combate à mortalidade

A Secretaria de Estado de Saúde está colocando em prática diversas ações, desde o ano passado, para diminuir os índices de mortalidade materna. “Estamos capacitando os médicos de saúde familiar, que não são obstetras, a realizar o pré-natal”, comenta Gleden Teixeira Prates.

De acordo com ele, as unidades de gravidez de alto risco de alguns hospitais também estão sendo melhor estruturadas. “Com esses novos equipamentos, muitas mulheres não vão precisar sair da cidade onde morar para os grandes centros. Isto também evita a perda da mãe e do bebê enquanto se espera por uma vaga em hospital”, conta Prates.

Para esclarecer as gestantes quanto à importância do pré-natal, a Secretaria vai lançar uma campanha ainda no primeiro semestre deste ano. Já o governo federal, por meio do Ministério da Saúde, divulgou anteontem um pacto com as secretarias municipais e estaduais e organizações civis para reduzir em 15% os índices atuais de mortalidade materna até 2006. A intenção é diminuir os números em 75% até 2015. O ministério pretende investir R$ 120 milhões na extensão do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência para 152 cidades do País. Os oito municípios que integram o programa já estão contando com equipamentos para emergências obstétricas. (JC)

10 cuidados que a mãe precisa ter nos primeiros mil dias do bebê

Cada vez mais, especialistas do mundo todo vêm falando sobre a importância dos primeiros mil dias de vida do bebê – que incluem os nove meses de gestação e os dois anos após o nascimento. Tomar os devidos cuidados nessa fase é fundamental para que a criança cresça de forma saudável durante a infância, a adolescência e até a vida adulta. Pensando nisso, a Pastoral da Criança, em parceria com a Rede Globo, lançou a campanha Toda gestação dura mil dias, que contará, entre outras coisas, com um aplicativo que permitirá a gestantes e mamães acompanhar, semana a semana, o desenvolvimento da gravidez e dos filhotes.

A seguir, elencamos dez momentos importantes do desenvolvimento infantil durante esses mil dias e como as mães devem ficar atentas.

1. Planejar a gravidez

Embora essa fase não contabilize nos primeiros mil dias de vida de um bebê, ela é imprescindível para que a criança se desenvolva, na barriga e depois de nascer, cheia de saúde. Ao planejar uma gravidez, a mulher deve fazer uma série de mudanças em seu estilo de vida. Isso inclui abandonar certos hábitos – como fumar, ingerir bebidas alcoólicas e comer alimentos industrializados, gordurosos e cheios de açúcar – e adotar outros, a exemplo de uma alimentação balanceada (rica em frutas, verduras, cereais e carnes magras) e a prática de atividade física. Vale lembrar, é claro, que tudo isso deve ser feito sob a orientação de um médico.

Outra medida importante é a suplementação de nutrientes que estejam em falta no organismo da futura mamãe. Nesse caso, o principal é o ácido fólico, vitamina do complexo B que participa, já nas primeiras semanas de gravidez, da formação do tubo neural do feto – e que a maioria das mulheres não apresenta em doses adequadas. “O consumo desse nutriente deve começar no mínimo 30 dias antes de engravidar”, orienta a nutricionista Caroline Dalabona, da Pastoral da Criança. No entanto, a recomendação do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que isso aconteça entre 60 e 90 dias antes da gestação, para que dê tempo de atingir os níveis recomendados.

E não pense que é só o físico que precisa de cuidados. Fortalecer o lado emocional da mãe, do pai e do casal é fundamental para que a gravidez e a criação do bebê ocorra com tranquilidade.

2. Alimentar-se bem durante a gestação

Ter uma alimentação equilibrada se torna ainda mais importante durante os nove meses em que o bebê está na barriga. Entre os nutrientes que não podem faltar no prato da gestante estão ferro, vitamina C, cálcio, ômega-3 e fibras.

Comer de forma correta também é a melhor maneira de garantir que a futura mamãe ganhe peso de forma adequada – isto é, nem muito nem pouco. “Mulheres que comem demais estão propensas a desenvolver diabetes, por exemplo, o que oferece riscos ao bebê”, alerta a pediatra Luciana Herrero, autora dos livros O diário de bordo da família grávida e O diário de bordo do parto. “Por outro lado, aquelas que fazem dietas excessivas na gestação podem deixar de oferecer nutrientes importantes ao pequeno”, pondera.

3. Vacinar-se

Manter a carteira de vacinação em dia é outra atitude que não pode faltar na lista de uma mãe que se preocupa com o seu filhote. Isso porque, ao se imunizar, a grávida passa os anticorpos para o bebê, protegendo-o por tabela. As vacinas recomendadas na gestação são: influenza, hepatite B e a tríplice bacteriana acelular do tipo adulto, que combate difteria, tétano e coqueluche. Após o nascimento do pequeno, granta que ele siga o calendário de vacinação.

4. Preparar-se para o parto

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Isso mesmo: a preocupação com o nascimento da criança não deve existir apenas na reta final da gravidez. E o primeiro passo é buscar informação. “É essencial estudar a fundo os tipos de parto para eliminar mitos e preconceitos que envolvem esse momento”, indica Luciana Herrero. Segundo a médica, o ideal é que se evite o agendamento do parto, pois o risco de o pequeno nascer antes do tempo e desenvolver complicações é alto. “No Brasil, 35% dos bebês nascem entre 37 e 38 semanas e com menos de 2,5 quilos”, calcula.

Outra maneira de se preparar para a chegada do filhote é por meio de exercícios que trabalham o períneo – região localizada entre a vagina e o ânus, que sustenta todos os órgãos pélvicos. Essa musculatura é muito exigida durante a gravidez, devido ao peso da barriga, e também na hora do parto, já que é por ali que o bebê passa. Exercitá-la ao longo dos nove meses facilita (e muito!) esse processo.Continua após a publicidade

5. Amamentar

O aleitamento materno protege o bebê contra infecções, diarreia, obesidade… É benefício que não acaba mais! A recomendação da OMS é que a amamentação seja exclusiva até os 6 meses de vida e que permaneça até, no mínimo, os 2 anos – mesmo com a alimentação complementar. “Quanto mais a criança mama no peito, melhor será o desenvolvimento cognitivo e a imunidade dela”, conta Luciana Herrero.

No entanto, boa parte das mães não tem o suporte necessário (do parceiro ou da família) ou conhecimento suficiente para que a amamentação ocorra de forma correta. “A mulher deve saber como o leite é produzido, como se faz a pega, a maneira de ordenhar…”, exemplifica a especialista, que também é consultora internacional em aleitamento materno. Portanto, fazer cursos e buscar ajuda de pessoas que já passaram por isso são ótimas escolhas.

6. Cuidar do sono do pequeno

Dormir bem é algo muito positivo para os bebês. Afinal, é por meio do sono que hormônios e células responsáveis pela manutenção do organismo são produzidos e que a memória é consolidada. Estudos já demonstraram que crianças que dormem pouco estão mais sujeitas a males como ansiedade, depressão e agressividade no futuro. Para isso, é importante que os pequenos descansem a quantidade de tempo necessária para a sua faixa etária. “É impossível estabelecer uma rotina antes dos 6 meses de vida, porque o cérebro do bebê ainda está muito imaturo”, esclarece Luciana Herrero. Para ter ideia, até os 4 meses, ainda não há produção de melatonina, hormônio que induz o sono. “A criança ainda não sabe o que é dia e o que é noite”, pontua a médica.

Daí porque tentar controlar os horários que o bebê dorme nessa fase é difícil, além de ser prejudicial ao desenvolvimento do pequeno. A recomendação é que, somente após os 6 meses, os pais comecem a aplicar técnicas para que o filho durma em horários específicos. O pediatra pode indicar a melhor forma de fazer isso.

7. Estimular os vínculos

Carinho, afeto e contato físico são alguns dos ingredientes essenciais para estabelecer e fortalecer os vínculos com o filhote. “Receber amor e atenção contribui para o desenvolvimento neurológico e também para a imunidade do bebê”, afirma Herrero. Além disso, uma criança com uma base emocional sólida tende a ser mais segura no futuro.

8. Brincar com o bebê

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Sentar no chão e brincar com o seu bebê é mais importante do que você imagina. Além de estimular a criatividade e o desenvolvimento cognitivo, as brincadeiras promovem a interação da família, de modo que a criança se sinta mais segura e amada. E não pense que isso inclui colocar o pequeno em frente a uma televisão – esse tipo de atividade apenas distrai. Brinquedos e atividades simples já dão conta do recado – e são muito mais divertidos!

9. Desenvolver o paladar

Durante a introdução de alimentos diferentes do leite materno, é importante variar, ao máximo, a oferta de sabores aos bebês – sempre respeitando, é claro, os itens indicados para crianças menores de 1 ano. Por isso, ofereça frutas, verduras, legumes, temperos naturais em diferentes preparações. E nem é preciso dizer que itens cheios de açúcar, gordura e sódio devem passar longe do prato do pequeno.

Além disso, não se esqueça de que a família deve ser exemplo. “Se você quer que o seu filho coma frutas, então consuma esses alimentos na frente dele”, orienta Caroline Dalabona.

10. Incentivar a fala correta

É normal que os pais falem de um modo diferente com bebês. A fala pausada é até benéfica para aqueles que ainda não estão na fase de pronunciar as primeiras palavras. No entanto, conforme os pequenos vão crescendo, estimular a fala correta é importante. Isso pode ser feito, por exemplo, evitando adivinhar o que a criança quer dizer. “Se ela apontar para um objeto, tente fazê-la repetir o nome”, indica a pediatra Luciana Herrero. Conversar com o pequeno, cantar músicas e ensinar palavras novas também são boas dicas.

Tudo começa na gestação

No Brasil, toda gestante tem direito ao atendimento pré-natal. Esse acompanhamento é importante para prevenir, identificar e tratar qualquer problema que possa afetar a saúde da mãe e o desenvolvimento do bebê. O pré-natal ainda ajudará a mulher a entender as transformações que ocorrem em seu corpo e o impacto emocional da gravidez. Afinal, a gestante precisa estar bem para que o bebê se desenvolva saudável.

Entre os brasileiros, 69% [24] apontam o exame pré-natal como uma das três coisas mais importantes para o desenvolvimento do bebê. É a resposta com maior índice de concordância, e o reconhecimento de sua importância é uma boa notícia. Mas, de forma geral, o período de gestação é considerado apenas do ponto de vista médico e biológico, como indica a quantidade de práticas desse tipo citadas entre as três mais importantes: não fumar e não ingerir bebidas alcoólicas (32%, a terceira mais citada), ter cuidado com o uso de remédios (14%), controlar a pressão (13%), cuidar da alimentação (12%) e controlar o peso (10%).

De acordo com a pesquisa, os aspectos psicossociais ficam em segundo plano: embora seja a segunda resposta mais votada, apenas metade da população (48%) aponta a necessidade de o bebê receber carinho dos pais e familiares entre as três ações mais importantes para o desenvolvimento do bebê durante a gestação. Itens correlatos também têm votações menos expressivas, como a necessidade de conversar com o bebê (marcada por apenas 24% dos entrevistados), a importância de a mãe receber apoio da família (16%) e a aceitação da gravidez pela mãe (14%).

Apesar de reconhecer que o ambiente afeta a criança durante a gravidez, o público tem pouco conhecimento sobre essa influência, o processo de desenvolvimento intrauterino e a importância do momento do parto.[25]

Informações que valem ser divulgadas

  • O desenvolvimento da criança começa de fato no momento da concepção. Os cuidados durante a gestação, portanto, são determinantes para o processo de desenvolvimento, já que diversas estruturas do corpo estão em fase de formação e maturação. Assim, a ausência de atenção à fase intrauterina pode dificultar o bom desenvolvimento na primeira infânciahelp_outline.
  • O acompanhamento médico é essencial tanto para a mãe quanto para o bebê, mas a comunicação desse período deve ir além do ponto de vista médico e biológico.
  • Atividades estimulantes, como ler ou cantar para o bebê durante a gravidez, podem ajudar na construção do vínculo entre mãe e bebê mesmo antes do nascimento. Por volta da 25ª semana de gestação, o bebê já é capaz de ouvir os ruídos do organismo da mãe, bem como sua voz e outros sons do ambiente externo, e tem potencial para estabelecer comunicação e reter memórias afetivas.

Informação sem complicação

  • Aborde, sempre que possível, por meio de depoimentos ou exemplos, como é importante ter uma rotina agradável na gestação, com apoio emocional, exercícios físicos e momentos de descanso e lazer.
  • A comunicação deve valorizar ainda a rede de apoio. Procure reforçar com exemplos práticos de sua experiência pessoal ou profissional, ou mesmo com menções a estudos e pesquisas sobre o assunto, que a gestação deve ser amparada tanto pela família quanto pela comunidade.[26]
  • Procure reconhecer em suas comunicações que outras emoções acompanham esse período, como a angústia, a ansiedade e a depressão. A abordagem mais humanizada e menos idealizada da gestação é sempre melhor para a mãe e, em especial, para o bebê.
  • Ressalte a importância de serem feitas, no mínimo, oito consultas pré-natais.
  • Mencione, sempre que possível, que o Marco Legal da Primeira Infância garantiu uma série de direitos para as gestantes e as famílias com criançashelp_outline na primeira infância, como orientação sobre aleitamento materno, crescimento e desenvolvimento infantil integral (art. 14, § 3º).
  • O cuidado na gestação e nos primeiros meses também pode ser visto pelo prisma do ODS 3 (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU), que promove a saúde e o bem-estar e traz uma mensagem clara: quanto antes se investe na criança – ou, no caso, no bebê – e na família que a protege, mais se reduz a chance de ela desenvolver doenças cardiovasculares e não transmissíveis ao longo da vida adulta. Veja mais sobre os ODS e a primeira infância.

Ferramentas de comunicação e outras inspirações

Sugestões de imagens

  • Para mostrar a importância de uma rotina agradável na gravidez, procure usar imagens de gestantes em momentos de descanso e lazer, realizando exercícios físicos indicados para esse período, em situações que destacam o apoio da família à gestação e que exemplificam como elas podem ser atendidas e apoiadas em suas atividades pela comunidade.
Crédito: Fernando Martins
  • Um jeito de ilustrar como se forma o vínculo com o bebê durante a gravidez é usar imagens de gestantes lendo, cantando ou colocando músicas para o filho ainda na barriga.
Crédito: Thinkstock

Precisamos falar sobre depressão pós-parto

Luciana* retrata um típico caso de depressão pós-parto. Aos 24 anos,  engravidou pela primeira vez. Uma gestação desejada e tranquila. O parto também correu bem. No entanto, no dia seguinte ela se sentiu estranha. Natural estar à flor da pele nesse momento, pensou. Mas, semana a semana, o mal-estar continuava. Ela teve dificuldades para amamentar e foi complicado lidar com divergências familiares sobre a questão.

Até se acertar com o aleitamento, dois meses se passaram — e ela se enxergava cada vez mais só e sobrecarregada. Não conseguia dormir, mesmo exausta. A irritação era grande e o choro, constante. Nem a evolução da criança, que no começo a deixava feliz, a alegrava mais. Em seu íntimo, questionou-se: “Por que fui ter um filho?”.

A certa altura, intuiu que a angústia podia estar além da conta. Comentou com o marido na época: “Acho que estou com depressão”. Ele descartou a hipótese. Achava que, se o problema fosse esse, a esposa não sairia da cama.

Ao desabafar com a sogra, Luciana ouviu que, caso estivesse mesmo sentindo “isso”, teria que se afastar da criança. “Ela me apavorou. Passei meses fingindo que aquilo não era comigo. E não falei com mais ninguém a respeito.”

Quando a pequena completou 1 ano, Luciana iniciou a psicoterapia. E ouviu da profissional a confirmação de sua suspeita: estava vivendo uma depressão pós-parto.

Situações como essa são bem mais comuns do que se imagina. No Brasil, o transtorno atinge uma em cada cinco mulheres. O quadro pode se iniciar logo no primeiro mês de vida da criança ou até um ano depois. Cerca de 50% dos casos, na verdade, começam ainda na gestação, só que não são detectados.

O puerpério é um período naturalmente delicado, em que a mulher encara sua fragilidade física, psíquica e social ao mesmo tempo. O corpo está se recuperando do parto e os hormônios, mantidos em alta durante a gravidez, despencam, prejudicando o humor. Adaptações precisam ser feitas nas relações consigo mesma, com o parceiro e com o filho.

Além disso, é necessário um rearranjo de condições materiais e objetivas que garantam os cuidados da criança. “São pelo menos três situações de fragilidade que trazem sobrecarga e tornam o risco de adoecimento psíquico maior do que em qualquer outra época não patológica da vida”, explica a psicanalista Vera Iaconelli, diretora do Instituto Gerar, em São Paulo.

Para a maioria das mulheres, a soma desses fatores leva a um quadro chamado baby blues, que, embora inclua aspectos depressivos, tende a passar sozinho, como uma fase de adaptação. Mas parte delas evolui para a depressão em si, com sintomas mais numerosos, intensos e duradouros.

Episódios anteriores da doença (especialmente quando não devidamente tratados), contratempos surgidos na gestação, dificuldades conjugais, entre outras questões, podem contribuir para desencadear o distúrbio.

Os indícios centrais do problema no pós-parto são os mesmos de qualquer depressão: perda de motivação e prazer, além de uma sensação permanente de vazio e melancolia. Só que a falta de vitalidade torna a tarefa de cuidar do bebê mais difícil do que já é, causando sofrimento extra.

Pode haver sensação de incapacidade e até desinteresse pela criança. Em alguns casos, por um tempo, o parceiro, os familiares ou os outros cuidadores terão o importante papel de garantir que o bebê receba atenção e afeto.

Quando há o tratamento, são grandes as chances de a pessoa se recuperar e sair fortalecida. “A depressão nos dá oportunidade de olhar para um sofrimento que não estava sendo visto. É como uma febre, que sinaliza que algo não vai bem. Uma vez que você trata, não precisa repetir”, observa Vera.

A diferença entre depressão pós-parto e baby blues

Esse quadro atinge 70% das mulheres no pós-parto e é caracterizado por sintomas típicos da depressão, mas em menor grau e duração. Falta de energia, choro fácil e irritabilidade costumam surgir no segundo ou terceiro dia após a chegada do bebê, intensificam-se e, em seguida, vão se diluindo. Ao todo, duram, em média, duas semanas.

Ajuda familiar, orientação profissional e suporte de grupos de mães podem contribuir para a adaptação às mudanças drásticas dessa fase. Se as coisas não começam a melhorar após esse período, é o caso de avaliar a evolução para uma depressão propriamente dita.

 

Fonte: Saúde Abril

Parto prematuro: saiba como ele pode ser evitado com progesterona

Um artigo acadêmico, publicado pelo American Journal of Obstetrics & Gynecology, em novembro de 2017, demonstrou que a utilização de progesterona vaginal tem efeitos para reduzir o risco de parto prematuro em mulheres com o colo de útero curto. O artigo tem entre seus autores o obstetra brasileiro Eduardo Fonseca, da Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, Paraíba.

A prematuridade é uma das principais complicações da gravidez e 15 milhões de bebês nascem antes do tempo, em todo o mundo, anualmente. A progesterona é um hormônio natural produzido pelos ovários, no início da gravidez, e depois pela placenta. O declínio da progesterona é um dos gatilhos do parto e pode implicar em partos prematuros espontâneos, se essa queda ocorrer antes do previsto.

Algumas pesquisas já haviam sido publicadas em 2016. Médicos em todo o mundo investigaram se a administração de progesterona vaginal reduziria a taxa de prematuros. Agora, os médicos e pesquisadores resumiram os resultados de todos os estudos e descobriram que, quando toda a informação disponível é considerada, os efeitos são positivos.

A progesterona vaginal reduz a taxa de parto prematuro a partir da 28a semana, além de reduzir a frequência de complicações neonatais e o número de bebês com peso inferior a 1.500 gramas.

O médico reforça, porém, que a administração do hormônio deve ser realizada somente após a indicação de um obstetra, que também irá determinar a dosagem correta por meio de exames. A ocorrência de colo de útero curto deve ser identificada no exame ultrassonográfico, do segundo trimestre de gestação.

Além de auxiliar na vida e bem estar das mãos e dos bebês, a administração de progesterona para gestantes com colo uterino curto também tem impactos positivos de custo-eficácia no sistema de saúde. Os pesquisadores determinaram uma economia nos gastos públicos de, aproximadamente, U$500 milhões, por ano, somente nos Estado Unidos.

Além do médico brasileiro Eduardo Fonseca, que é Presidente da Comissão de Perinatologia da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, o artigo contou com mais sete pesquisadores, entre eles o autor principal Roberto Romero, Chefe do Departamento de Pesquisa de Perinatologia e diretor da Divisão de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal, NICHD / NIH / DHHS, e o autor sênior Kypros Nicolaides, Professor de Obstetrícia e Ginecologia da Kings College, em Londres, e Diretor da Fetal Medicine Foundation (www.fetalmedicine.com).

 

Efeito do estresse materno sobre o bebê ainda é incerto.

Que o estresse faz mal para a saúde já é algo de conhecimento geral. O que pouco se sabe é se os efeitos negativos poderiam ter início antes mesmo de a pessoa nascer. Estudos mostram que o estresse materno durante a gestação pode ter impacto direto no desenvolvimento do bebê, mas a afirmação ainda não é um consenso no mundo médico.

Uma pesquisa da Escola de Farmácia da Universidade Hebraica de Jerusalém (Israel) realizou experimentos com ratas de laboratório. Os filhotes daquelas que haviam sido submetidas a situações de estresse tinham a capacidade de aprendizado, atenção e memória prejudicada. Tinham, também, mais sintomas de ansiedade e depressão.

Efeito semelhante destacou um levantamento do Imperial College, de Londres (Inglaterra). Reunindo dados de estudos independentes sobre o assunto, a pesquisa apontou que esses mesmos problemas podem acontecer nos seres humanos.

Ambos os estudos apontam o aumento do nível de cortisol como a principal hipótese da causa do problema. Esse hormônio, responsável pela resposta ao estresse, estaria presente tanto no sangue da mãe, quanto no líquido amniótico, que envolve o bebê. Embora não se saiba exatamente como, a maior concentração desse hormônio teria impacto no desenvolvimento neurológico da criança.

Outro estudo, publicado na Ultrasound Obstetric Gynecol, indicou a relação entre a diminuição do fluxo da placenta e os altos níveis desse hormônio. “O estudo, porém, não conseguiu relacionar o estresse psicológico e os níveis de cortisol, uma vez que outros fatores da vida da gestante, como obesidade e hipertensão, não eram separados”, explica Renata Di Sessa, ginecologista e obstetra do Hospital Santa Catarina, de São Paulo.

O aumento do cortisol eleva também a chance de a pessoa desenvolver hipertensão grave e diabetes. Por conta disso, e dos maiores riscos de distúrbios endocrinológicos e alterações de glicemia, a mulher que sofre com muito estresse durante a gestação apresenta ainda maior risco de aborto.

Além disso, o estresse pode aumentar o risco das infecções urinarias de repetição e do trabalho de parto prematuro. “E, o que é muito importante: dificuldade na amamentação, o que pode levar a mãe até a desistir desse cuidado extremamente necessário para a nutrição e a defesa imunológica do recém-nascido”, menciona a médica.

Mas, de acordo com Renata, de uma forma geral os estudos que ligam estresse materno a problemas do bebê ainda não podem ser considerados conclusivos. “Penso que ainda há muito que ser estudado. São necessários mais estudos que comprovem tudo isso”, diz Renata.

Alterações genéticas

Uma pesquisa da Universidade de Konstanz, na Alemanha, publicada na revista científica Translational Psychiatry, foi feita com 25 mulheres que sofreram ameaças de agressão de seus parceiros durante a gestação e seus filhos. Segundo o estudo, os filhos dessas mães seriam mais sensíveis ao estresse, reagindo mais impulsivamente. Eles também teriam mais dificuldade para lidar com suas emoções.

O estudo aponta ainda que alguns desses filhos teriam uma alteração no gene receptor de glucocorticoide, responsável por regular a resposta hormonal do organismo ao estresse.

Tô grávida de gêmeos!

A gravidez é uma caixinha de surpresas! E cada uma tem suas particularidades e seus cuidados.

Hoje vamos falar sobre a gestação de gêmeos e o que a diferencia das demais.

Começamos pela fecundação, que pode ser monozigótica ou dizigótica.

Na monozigótica, o espermatozóide fecunda um óvulo, formando um embrião que poderá se dividir em dois. Ao se dividir, cada embrião formará um feto, um idêntico ao outro.

Na fecundação dizigótica, dois espermatozóides fecundam dois óvulos formando dois embriões. Cada embrião formará um feto, um diferente do outro.

Esta é a origem dos nomes univitelino e bivitelino. Gêmeos univitelinos se originam do mesmo óvulo e os bivitelinos de óvulos diferentes.

Cuidados em uma gestação gemelar

O primeiro passo é definir o tipo de gestação a partir de um ultrassom precoce. Se é mono ou dizigótica, se tem uma ou duas placentas, etc. Daí em diante serão determinados os cuidados que deverão ser tomados.

A gravidez de gêmeos requer o dobro de atenção, principalmente na alimentação.

É muito importante contar com o apoio de nutricionistas para manter uma alimentação saudável e sem excessos, reduzindo assim, as chances de ganhar muito peso e de desenvolver hipertensão ou diabetes gestacional.

É mito que é preciso comer por três quando se está grávida de dois.

Menos é mais

Toda grávida de gêmeos apresenta uma maior chance de prematuridade por conta do peso da gravidez. Para evitar que isto ocorra, é necessário medir o tamanho do colo do útero, responsável por sustentar os bebês.

A medida deve ser tirada entre a 20/24 semana de gestação por meio de ultrassom transvaginal. Caso o colo seja curtinho, será necessário tomar cuidados a mais, como repouso e uso de progesterona via vaginal para prorrogar a gravidez.

Ou seja, quando menos esforço, mais seguros os bebês estarão.

A frequência de consultas médicas deve ser maior a partir da 30 semana de gestação, para poder detectar precocemente a possibilidade de hipertensão e diabetes gestacional, que costuma ser mais frequente em grávidas de gêmeos.

Chegou a hora!

Mais de 70% acontecem antes da 37 semana e acabam sendo por cesariana. Para que o parto vaginal aconteça de forma segura, o primeiro bebê deve estar de cabeça pra baixo (posição cefálica) e deve ser mais pesado que o segundo bebê.