A importância da vacinação durante a gravidez

Você sabe por que as grávidas têm prioridade na vacinação? Um dos motivos é que o sistema imunológico da mãe baixa um pouco a guarda durante a gravidez e, quando um vírus ou bactéria ataca, ela pode adoecer. Para evitar a doença, a melhor saída é a vacinação.

Toda grávida precisa fazer o pré-natal. O acompanhamento permite identificar e reduzir muitos problemas de saúde. E a vacinação é parte fundamental desse cuidado. A imunização durante a gestação protege não somente a mãe, mas também o bebê.

No primeiro ano de vida, o organismo do bebê se defende de infecções usando os anticorpos recebidos da mãe via placenta e/ou leite materno. Isso vai ajudar a protege-lo até que ele produza os próprios agentes de defesa, estimulados pela vacinação, explica a pediatra Bárbara Furtado.

Confira as vacinas que as grávidas precisam tomar e que ajudam a evitar problemas mais sérios:

  • Hepatite B: deve tomar a mulher que não foi vacinada ANTES de engravidar ou que não tenha tomado as três doses. No total são três doses, com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda, e de seis meses entre a primeira e a terceira.
  • Tríplice bacteriana (dTpa – Difteria, Tétano e Coqueluche): a vacina deve ser tomada a partir da 20ª semana de gestação e repetida a cada gravidez.
  • Gripe: protege contra os principais tipos de vírus influenza, que provocam a gripe. É preciso tomar uma dose anual, durante qualquer fase da gestação e a cada gestação, o mais cedo possível, inclusive no primeiro trimestre da gravidez.

Fonte: G1

Mitos sobre a gravidez

“A mulher grávida precisa comer por dois”

– O recomendado é por volta de 200 calorias a mais por dia, dependendo da gravidez.

“Uma taça de vinho não faz mal ao bebê”

– Não existe ainda uma quantidade de álcool considerada inofensiva para o bebê, e mais, e variaria de pessoa para pessoa.

“O formato da barriga define o gênero do bebê”

  • De forma alguma.

Manteiga de cacau evita estrias

Não há nenhuma comprovação que confirma esta afirmação. Mulheres grávidas podem ficar com estrias devido à condições genéticas e ao ganho de peso.

“A alimentação da mãe influência o paladar do bebê”

– A alimentação da mãe somente influência a saúde do bebê.

“Grávidas não podem ter gatos”

– Boas notícias para as cat lovers: isso é balela. É só não entrar em contato com as fezes do bichinho. Evite limpar a caixinha de areia, peça para outra pessoa.

“Exercícios físicos podem estrangular o bebê”

A posição do bebê independe da posição da mãe. Inclusive, exercícios físicos são recomendados durante a gravidez.

“Sexo machuca o bebê”

– Greve de sexo? Mas nem pensar! O bebê está extremamente protegido pela  membrana, pelo líquido amniótico e pela parede do útero que é bem grossa.

“Comidas apimentadas estimulam o parto”

Não há nem o que falar.

“Pintar ao cabelo pode fazer mal ao bebê”

-É só não utilizar produtos com amônia.

“A pele fica melhor”

A mulher pode ter acne e ou manchas por conta do aumento de progesterona.

“Yoga estimula o parto”

– Na verdade não…A yoga apenas ajuda a relaxar e alongar.

“Mulher grávida não pode fazer raio x”

– Somente se for excesso.

“Nenê cabeludo dá náusea na gravidez”

– A náusea na gravidez está relacionada com os hormônios

Personal trainer da musculatura vaginal

Pompoarismo é uma técnica milenar tailandesa que consiste em treinar a musculatura vaginal por meio de exercícios para fortalecê-la e usufruir dos benefícios. A prática também estimula a conexão da mulher com o seu próprio corpo e o conhecimento das suas partes mais sensíveis, colaborando para o a autonomia corporal e o e o autoestima.

No entanto, quando feito sem assistência de profissionais, o pompoarismo pode não só fazer diferença alguma, como prejudicar a saúde da mulher.

O movimento dos músculos vaginais em excesso ou de forma despreparada podem gerar uma disfunção no assoalho pélvico, e, consequentemente, o aparecimento de problemas intestinais, urinários, e até mesmo de dores durante o sexo.

Quando a ideia surgir na mente, a primeira pessoa a se procurar é um fisioterapeuta. O profissional vai avaliar o seu corpo e propor um que não o prejudique, além de ensinar a forma correta de contrair o assoalho pélvico. A fisioterapia pélvica leva em consideração:

-Reflexo: capacidade de contrair a musculatura por um comando recebido pelo cérebro;

-Controle: capacidade de contrair e relaxar. Mulheres com incontinência urinária podem apresentar dificuldade nesta etapa.

-Coordenação: capacidade de contrair e relaxar sem apertar o bumbum, a perna ou a barriga;

-Tônus: tensão do músculo relaxado;

-Força: força da contração medida pela palpação vaginal;

-Resistência: por quanto tempo os movimentos são mantidos.

Após as instruções, é necessário manter as consultas com o fisioterapeuta para que ele possa acompanhar a evolução da musculatura vaginal, o surgimento de algum problema e também para  montar novos treinos.

Fez tudo certinho? Aproveite os benefícios!

  • Redução das cólicas menstruais e dos sintomas da menopausa
  • Auxílio na preparação do parto e na recuperação pós-parto
  • Melhora do funcionamento do intestino
  • Tratamento da incontinência urinária
  • Combate a flacidez vaginal
  • Aumento da lubrificação e da libido
  • Autoconhecimento
  • Habilidade de contrair a musculatura vaginal durante o sexo

Sexo e gravidez combinam?

Um casal continua sendo um casal durante a gravidez e suas vontades e necessidades continuam existindo.

Os médicos afirmam seguramente que não há motivos para decretar greve de sexo se a gestação é de baixo risco. No entanto, a penetração não é aconselhável quando há:

  • Risco ou histórico de aborto espontâneo;
  • Risco de parto prematuro;
  • Sangramento vaginal antes da causa ser conhecida;
  • Problemas no saco amniótico;
  • Histórico de insuficiência de colo do útero;
  • Placenta prévia (também chamada de placenta baixa), quando a placenta está cobrindo o colo do útero;
  • Gestações de gêmeos, trigêmeos, etc.

Mas não é só a possibilidade de riscos que podem alterar a frequência das relações durante a espera de um bebê. As vontades da mulher também tem grande influência nisso tudo.

No primeiro trimestre, o desejo sexual pode perder para os enjoos, vômitos, dor os seios, cansaço e sono. Na ausência desses sintomas, é mais provável que a mulher tenha mais apetite sexual.

A mulher diz adeus a maioria dos sintomas no segundo semestre e passa a se sentir mais bonita, enérgica e mais sensível, principalmente na região pélvica, devido ao aumento de irrigação sanguínea.

O barrigão marca presença no terceiro semestre, mas não anula a atividade sexual, se ambos os parceiros desejarem. Tentar posições mais confortáveis, como a mulher por cima, de lado ou em quatro apoios, é uma forma interessante de manter a relação tranquila. Quando a gravidez é saudável, o sexo é possível até o momento da bolsa estourar, inclusive pode até induzir o trabalho de parto.

A maior dica de todas é:  conversa. Consigo mesma, com o parceiro e, principalmente, com o médico.

 

 

Registrar para advertir: parteiras

Maria dos Prazeres de Souza tem 80 anos e realiza partos desde os 17 anos, assim como sua mãe e sua avó faziam. E ela tem mãos de anjo: já auxiliou mais de 5 mil partos sem nenhuma morte.

É difícil perceber a importância de parteiras quando se mora em uma cidade repleta de hospitais. Mas estas mulheres são rainhas em lugares longe de tudo e de todos. E é por causa delas que as mães dão à luz a um bebê vivo e continuam vivas. No entanto, este ofício está ameaçado pela expansão das casas de saúde. Como forma de se adaptar, muitas delas se tornam enfermeiras e carregam as suas práticas tradicionais consigo.

Alerta através da arte

As antropólogas Júlia Morim e Sumaia Vieira, a psicóloga Dan Gayoso e o fotógrafo Eduardo Queiroga, se juntaram para registrar a vida e o trabalho dessas rainhas, para que suas histórias originadas do sertão chegam no urbano que chamem atenção.

Esta união deu a luz ao livro Cordão, que retrata o cotidiano das parteiras através de fotografias  e relatos pessoais. As mulheres aparecem caminhando por paisagens áridas, abastecendo fogões a lenha, descansando em redes e participando de cerimônias religiosas. O livro abrange muito mais do que “partos”. Ele mergulha de cabeça na vida destas pessoas para contar as suas histórias que carregam tradição.

“Meu objeto não era o nascimento. Queria entender quem são as parteiras e como vivem. Elas têm outras profissões e são donas de casa. Via de regra, não recebem nada por acompanhar os partos, mas se tornam líderes em suas comunidades, desempenhando, muitas vezes, os papéis de juíza, psicóloga e assistente social entre as famílias”, revela o Fotógrafo.

Para estas mulheres, ser parteira é uma missão, é um dom divino que foi lhes dado para salvar vidas. Elas respeitam o tempo de cada mãe, as escutam e decidem em conjunto o momento certo.

“Elas estão à frente de seu tempo, várias já têm mais de 80 anos, e praticam a sororidade desde muito antes de o termo virar moda. Elas superam o cansaço de uma rotina exaustiva e contrariam a opinião dos maridos para ajudar outras mulheres nesse momento de vulnerabilidade”, conta a Antropóloga Julia.

Como o conhecimento das parteiras sempre foi transmitido oralmente, os registros escritos, fotográficos e audiovisuais recolhidos pelos pesquisadores estão sendo utilizados em um pedido oficial ao governo para que reconheça o ofício como patrimônio cultural nacional. Para as parteiras, a proposta é a valorização do trabalho de toda uma vida e, para a sociedade, um lembrete de que o cuidado e a atenção no atendimento às mulheres na hora do parto são valores que não podem ser perdidos com o tempo.

Fonte e fotos: Revista Crescer

Como (e quando) partos passaram a ser feitos por médicos

Entre os anos 1980 e as primeiras décadas dos 2000, quase todos os partos no Brasil foram feitos em hospitais. Em 2017, segundo o IBGE, apenas 0,6% do total de nascidos vivos no Brasil nasceram no domicílio.

Nascer no hospital, no Brasil e no mundo, nem sempre foi a regra.

Além disso, embora esses dados tratem da segunda metade do século 20, a transição entre nascer em casa – normalmente pelas mãos de uma parteira – e no hospital – normalmente pelas mãos de médicos –, remonta pelo menos ao século 19.

O Nexo conversou com Anayansi Correa Brenes, professora da Universidade Federal de Minas Gerais e autora do livro “Parteiras: Escola de Mulheres” e consultou estudos sobre o tema, e resume abaixo, em alguns pontos, como essa transição aconteceu, no mundo e no Brasil.

O parto era “coisa de mulheres”

Segundo Brenes, o parto era tradicionalmente feito por mulheres – normalmente por aquela que, na comunidade, tivesse tido ela própria um grande número de partos bem-sucedidos, sem complicações, julgada apta para realizar o parto das outras.

Essas mulheres eram conhecidas como comadres ou parteiras, e a princípio realizavam esse trabalho de maneira voluntária.

Portanto, até o surgimento da medicina moderna, no século 19, as mulheres pariam seus filhos em casa, sendo assistidas por outras mulheres.

No livro “Ao Sul do Corpo”, publicado em 1993, a historiadora Mary del Priore relata que, também no Brasil colonial, o parto era um evento de mulheres. Quando havia dificuldades, no entanto, ele passava a contar com a participação da vizinhança, tornando-se um evento coletivo.

Segundo del Priore, as mulheres se valiam de rezas, benzimentos, de instrumentos do mundo doméstico, como a bacia e a tesoura, para cortar o cordão umbilical, a garrafa de cachaça para limpar a tesoura, azeite, óleo ou banha para as massagens. Circunscrito ao âmbito domiciliar e culturalmente  imerso em tradições, rituais e crenças, todo o processo do parto e do nascimento era atendido pela parteira.

Parteiras de ofício

Com o passar dos séculos, a atuação das parteiras se tornou um ofício e passou a receber remuneração.

Foram criados cursos, ministrados pelos barbeiros-cirurgiões, que as capacitavam para fazer intervenções cirúrgicas caso o parto se complicasse.

No século 18, surge a que é considerada por historiadores como a primeira professora de obstetrícia da história: a francesa Angélique du Coudray (1712-1794), conhecida como Madame du Coudray.

Ela trabalhou na corte do rei francês Luís 15 que, em 1759, lançou uma iniciativa de combate à mortalidade infantil. Du Coudray foi designada a ensinar o ofício de parteira a mulheres de toda a França. Viajou pelo interior do país de 1760 a 1783 e estima-se que tenha treinado cerca de 10 mil mulheres.

Ela também criou o primeiro manequim obstétrico em tamanho real,  uma tecnologia de ensino que foi registrada e vendida ao mundo inteiro   – chegando inclusive ao Rio de Janeiro, segundo Anayansi Brenes. A boneca de pano permitia às parteiras aprendizes praticarem e aprenderem sobre anatomia.

Brenes aponta que a preocupação demográfica do rei francês marca, na história, a “entrada” do Estado no âmbito do parto.

No século 19, parteiras formadas começaram a atuar no Rio de Janeiro.  Conhecida como a primeira parteira graduada da então capital, Madame Durocher (1809-1893), se formou no curso de parteira da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1834 e se tornou a primeira mulher a integrar a Academia Nacional de Medicina.

A regulamentação das profissões

Na passagem do século 18 para o 19, a regulamentação das profissões abalou as práticas tradicionais, como a das parteiras.

“Não foi só a comadre: os herboristas foram substituídos pelos farmaceutas, e várias profissões tradicionais – que eram mais arte do que profissão – foram abaladas naquele momento, [que iniciou] um certo controle do Estado sobre as profissões”, diz Anayansi Brenes.

Nesse momento, aproximam-se as funções de cirurgião e médico, que antes tinham papéis distintos.

Os cirurgiões, que eram homens, passaram a se interessar nessa época pela atividade do parto. Com a atuação deles, configura-se uma disputa entre as duas classes, conflito que teria reverberações imediatas no Rio de Janeiro. A disputa entre médicos e parteiras ou obstetrizes perdura, como guerra cultural, até os dias de hoje.

Surgiam, no século 19, especialidades médicas voltadas à mulher e suas funções reprodutivas, como a ginecologia e a obstetrícia.

“A história feminista do parto e da maternidade retirou de cena a oposição ideológica entre saber e superstição, para colocá-la no campo das disputas profissionais e da constituição de novos saberes sobre o corpo feminino que tiveram lugar a partir do século 18. Dessa forma, mostrou como a entrada dos médicos na cena do parto foi muito mais o resultado de uma relação de forças do que simplesmente a superação do obscurantismo pelo progresso do conhecimento médico”

Ana Paula Vosne Martins

Historiadora, no artigo ‘A Ciência Obstétrica’, de 2004

Segundo Anayansi Brenes, foi a intervenção do Estado, tanto no caso da França quanto do Brasil, que consolidou a atuação dos médicos como a mais adequada na realização do parto.

“Era uma disputa entre profissionais, depois virou uma disputa de mercado, e o Estado, entrando na briga, acabou dando ganho de causa aos homens parteiros e à medicina, por ser [na época] uma categoria de maioria masculina, articulada com a política e com o poder”, disse Brenes ao Nexo.

Medicalização

O domínio moderno da medicina sobre o parto levou o procedimento para dentro de clínicas e hospitais, modificando suas práticas tradicionais e sua concepção natural. “Foi uma ruptura que isolou o parto no ambiente hospitalar e depois o transformou em doença, medicalizou”, afirma Brenes.

Mas a medicina também trouxe conquistas importantes, que ajudaram a reduzir a mortalidade materna, como o aprimoramento de intervenções cirúrgicas capazes de salvar vidas, a descoberta da causa da febre puerperal e o uso da anestesia.

Ainda no século 17, a família francesa Chamberlain disseminou o uso do fórceps no parto normal, instrumento que foi posteriormente aprimorado e contribuiu para a atuação médica no parto, além de evitar mortes de mães e bebês.

A cesariana, antes realizada apenas após a morte de uma mulher durante o parto, passou de um recurso importante – que justificou a participação dos cirurgiões – para a norma, se sobrepondo ao parto natural.

Fonte: Nexo

O veto ao termo violência obstétrica pelo governo

Um documento emitido pelo Ministério da Saúde em 3 de maio de 2019 determinou a suspensão do uso do termo violência obstétrica em normas e políticas públicas.

A expressão, consolidada na literatura científica e popularizada pelo movimento de mulheres envolvidas em seu combate, denomina a violência psicológica ou física praticada no atendimento a gestantes.

No documento, a pasta toma como posicionamento oficial a avaliação de que o termo “tem conotação inadequada, não agrega valor e prejudica a busca do cuidado humanizado” durante a gestação, o parto e o puerpério.

A resolução se baseia em uma definição da palavra violência dada pela Organização Mundial da Saúde, que a caracteriza como “uso intencional de força física ou poder, em ameaça ou na prática, contra si próprio, outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade”.

A partir disso, o uso da expressão violência obstétrica seria impróprio, “pois acredita-se que, tanto o profissional de saúde quanto os de outras áreas, não tem a intencionalidade de prejudicar ou causar dano”.

Pedido de entidades

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que o posicionamento foi feito a pedido de entidades médicas, seguindo pareceres dessas entidades.

Entre elas, o Conselho Federal de Medicina já havia se posicionado contrariamente à expressão por considerar que ela responsabiliza somente os médicos pelos atos de violência e discriminação, sem considerar o contexto mais amplo da assistência à gestante no país.

Para o ginecologista Ademar Carlos Augusto, relator de um parecer de 2018 do Conselho sobre “a proliferação de leis” relativas à violência obstétrica, a discussão sobre o tema “veio importada de países com viés socialista, e o Brasil também adotou”, disse Augusto ao jornal Folha de S.Paulo.

O parecer do Conselho considera ainda que o termo está “impregnado de uma agressividade que beira a histeria”. A ementa do documento o coloca como uma “agressão contra a medicina e especialidade de ginecologia e obstetrícia, contrariando conhecimentos científicos consagrados, reduzindo a segurança e a eficiência de uma boa prática assistencial e ética”.

Em nota enviada ao Nexo, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, afirma que “há evidências sólidas e crescentes de uma série de práticas desrespeitosas e violentas que as mulheres experimentam em instalações de atendimento obstétrico, particularmente durante o parto, sendo este um ponto sem grandes divergências na literatura”.

“Conquanto as evidências comprovem a violência obstétrica como uma realidade, não há consenso em nível global sobre como essas ocorrências são definidas e medidas. Nesse sentido, vale destacar que as atitudes e ações agrupadas na expressão violência obstétrica não se restringem aos atos dos profissionais de saúde, embora os inclua. A literatura revela que a violência pode decorrer de falhas sistêmicas nos diferentes níveis de atenção dos sistemas de saúde e inclui uma variedade de atos intencionais ou inadvertidos que possam vir a causar sofrimento ou ferir a autonomia da paciente”, diz o posicionamento da federação.

A federação ressalta ainda que o reconhecimento da violência obstétrica como uma realidade “não significa culpabilizar nenhuma categoria profissional específica” porque, como parte da violência de gênero, ela é estrutural.

Violência obstétrica no Brasil

São caracterizados como violência contra a gestante, por exemplo:

  • a restrição do direito de estar acompanhada
  • a realização de qualquer procedimento sem explicação prévia  sobre o que é ou do motivo de estar sendo realizado
  • a negação de alívio da dor durante o parto
  • a realização de procedimentos sem o consentimento da mulher
  • a realização de procedimentos constrangedores ou dolorosos, como a episiotomia, corte feito entre a vagina e o ânus para aumentar o canal de parto, sem que haja real necessidade
  • a separação do bebê saudável de sua mãe após o nascimento, sem necessidade clínica justificável
  • ameaças, piadas e frases desrespeitosas

Em 2010, uma pesquisa nacional realizada pela Fundação Perseu Abramo e Sesc mostrou que 25% das mulheres que tiveram partos normais (nas redes pública e privada) relataram terem sofrido maus-tratos e desrespeitos durante o trabalho de parto, parto e/ou pós-parto imediato.

Segundo a pesquisa Nascer no Brasil, da Fundação Oswaldo Cruz, que entrevistou mais de 23 mil mulheres sobre a assistência ao parto no Brasil entre 2011 e 2012 e divulgada em 2014, 53,5% entre as entrevistadas que tiveram parto normal haviam sofrido episiotomia, procedimento necessário em menos de 10% dos casos.

Outras 36% haviam sofrido manobra de Kristeller, pressão no útero para saída do bebê, contraindicada pelo Ministério da Saúde.

Grupos de profissionais da saúde e defensores dos direitos humanos e reprodutivos femininos vêm se organizando desde as décadas de 1980 e 1990 para discutir e combater a violência no parto. Mas foi nos anos 2000 que esse debate se intensificou, principalmente a partir do ativismo de mulheres mães pela internet.

“O movimento contra a violência obstétrica no Brasil é derivado das críticas crescentes de diferentes grupos a respeito da assistência ao parto no país, sendo considerado como um ‘movimento em prol da humanização do parto e nascimento’”, diz um artigo publicado em 2017 pelos pesquisadores Ligia Moreiras Sena e Charles Tesser.

Esse movimento, segundo define o artigo, se baseia “no reconhecimento da participação ativa da mulher no processo de parto, com ênfase nos aspectos emocionais e no reconhecimento dos direitos reprodutivos femininos”.

As críticas de entidades e especialistas em 3 pontos

Negação

À Folha de S. Paulo, a pesquisadora Débora Diniz, do Instituto Anis de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, afirmou que o novo posicionamento do ministério representa uma tentativa do governo de negar a existência do problema. É o mesmo que ignorar e considerar que isso não existe”.

Segundo ela, a decisão deve ter impacto sobre as mulheres vítimas desse tipo de violência, já que o Estado passa a não reconhecer essa experiência e a forma como é descrita.

Para a advogada Ruth Rodrigues, da ONG Nascer Direito, ouvida pelo portal Uol, essa negação se volta para uma discussão mundialmente reconhecida: “Legislações e pesquisas internacionais se debruçam sobre o assunto usando o termo. A própria Organização Mundial da Saúde fala disso e cria campanhas contra práticas abusivas. Estamos indo contra uma corrente global”, disse.

Com isso, para organizações que estudam e combatem esse tipo de violência, a normativa pode deixar mulheres mais vulneráveis.

Dificuldade no combate

Para a advogada Ruth Rodrigues, o posicionamento do ministério pode criar um obstáculo para processos em andamento e futuras denúncias de abuso por parte de mulheres que tenham sofrido violência enquanto gestantes.

“A mulher corre o risco de processar um hospital público por episiotomia, por exemplo, mas o juiz não considerar violência obstétrica já que o termo, para o ministério, nem existe”, disse ao portal Universa, do Uol.

Produção de dados

Ao Nexo, a doutora em Saúde Coletiva com ênfase em violência obstétrica no Brasil Ligia Moreiras disse que a mudança atesta a falta de especialistas em cargos técnicos no governo “que fica à mercê de decisões equivocadas como essa” em um “claro corporativismo médico”.

“Este despreparo técnico é atestado em inúmeros pontos do despacho, começando por induzir o leitor à conclusão equivocada de que ‘não há consenso quanto à definição do termo’. Há consenso, há evidências científicas, há legislação nacional e internacional, há convenções e há reconhecimento internacional”, disse.

Do ponto de vista da produção de dados sobre o tema, Moreiras acredita que o documento não deve desestimular a realização de estudos.

“Os grupos de pesquisa não deixarão de pesquisar algo legítimo, real e grave à saúde da população”, disse. “Da mesma forma, certamente aumentarão as iniciativas do movimento de mulheres usuárias dos sistemas público e privado de saúde, apoiados pelos profissionais da assistência, em mobilizar as mulheres para lutar contra esta violação de direitos”.

Fonte: Nexo

O que é misoprostol. E os problemas se ele faltar no SUS

A compra de misoprostol pelo Ministério da Saúde está seis meses atrasada, segundo uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo publicada em 31 de março de 2019. Ao Nexo, a pasta negou o atraso.

O medicamento tem finalidades diversas, sendo usado para o tratamento de úlcera estomacal, por exemplo. É a versão sintética da prostaglandina E1, ácido graxo que atua como um hormônio no corpo, e foi desenvolvido pela indústria em 1973. Chegou ao Brasil em 1984.

Hoje, ele é fundamental para a saúde da mulher. É usado em situações como a indução do parto normal, o estancamento de hemorragia pós-parto e, ainda, em tratamentos de aborto incompleto, espontâneo ou provocado.

Ele atua na dilatação e no amolecimento do colo do útero, provocando contrações no órgão e a consequente expulsão do embrião ou feto, e da placenta, ou o estancamento de uma hemorragia.

Por conta desses usos, seu fornecimento é obrigatório nos 4.141 serviços de saúde obstétricos do país que possuem leitos disponíveis para o SUS, o Sistema Único de Saúde do governo federal. Ele também está na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, lista que orienta a oferta e prescrição de fármacos no SUS.

Para não haver escassez em 2019, seria necessário que a licitação para compra fosse iniciada em setembro de 2018. Até o momento, segundo a Folha, o Ministério da Saúde não deu entrada nos trâmites necessários para a compra. O processo leva cerca de sete meses. Devido à demora, o estoque já fabricado pelo Hebron, único laboratório que produz o medicamento no país, localizado em Recife (PE), corre o risco de vencer e perder sua utilidade.

O que diz o Ministério

Questionado pelo Nexo, o Ministério da Saúde se posicionou em nota afirmando não ter havido atraso na aquisição do misoprostol para o ano de 2019.

“A compra centralizada é realizada anualmente pela pasta e o Termo de Referência para aquisição da referida medicação já foi elaborado e está em fase interna do processo licitatório. As últimas entregas do medicamento foram realizadas no segundo semestre de 2018 com cobertura estimada até agosto de 2019”, disse a assessoria do órgão.

Uma vez realizada a compra, segundo o ministério, os medicamentos são encaminhados para os estados, “que recebem orientação, de caráter sugestivo, de quais maternidades deverão receber o insumo com base na produção de partos, curetagens e abortos”.

Para receber o medicamento comprado pelo Ministério da Saúde, cada hospital público deve fazer um cadastro na secretaria de vigilância sanitária do seu estado. As instituições privadas também realizam esse cadastro, mas a compra ocorre diretamente com distribuidores da empresa Hebron, com fiscalização da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e da Polícia Federal.

Além da compra centralizada pelo ministério, os estados e municípios podem adquirir o misoprostol diretamente do fornecedor e distribuí-lo de acordo com as necessidades locais.

As consequências da escassez

Ao Nexo, Ana Luiza Faria, médica do Hospital Pérola Byington, especializado no atendimento à mulher em São Paulo, disse que o misoprostol “é um medicamento de ótima utilidade, uma ferramenta que a gente tem nesses cenários” de saúde da mulher – de aborto retido, hemorragia pós-parto ou no auxílio ao parto normal.

Segundo ela, há outros recursos que podem ser utilizados nesses casos, mas a falta do misoprostol pode prejudicar a aplicação de um protocolo de tratamento estabelecido mundialmente, fazendo com que os médicos tenham que se adaptar.

Aumento no número de cesáreas

“Sem o misoprostol para indução do trabalho de parto, cerca de 70% dos partos normais virarão cesarianas”, estimou em entrevista à Folha de S.Paulo o médico ginecologista e obstetra Olímpio Barbosa de Moraes Filho, presidente da Comissão de Assistência ao Pré-Natal da Febrasgo, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

Essa mudança forçada vai de encontro a medidas tomadas nos últimos anos para reduzir o alto índice de partos cirúrgicos no Brasil, seguindo recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Aumento no número de mortes evitáveis por complicações decorrentes de partos e abortos

Desde 2016, a Anvisa analisa duas novas apresentações do Prostokos (nome comercial do misoprostol vendido pela Hebron), oral e sublingual, específicas para tratamento da hemorragia pós-parto.

À Folha, o diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Hebron, Avaniel Marinho, afirmou que há resistência da Anvisa em aprovar o registro de um produto sem estudos clínicos feitos no Brasil sobre seu uso. Para Marinho, a restrição é um retrabalho. “Há uma infinidade de estudos clínicos do misoprostol em outros países para hemorragia pós-parto”, disse.

Por ser mais estável, mais fácil de armazenar e de administrar, e ter bom custo-benefício, o misoprostol é indicado pela OMS para prevenção e tratamento de hemorragia pós-parto, em substituição à ocitocina, para partos domiciliares e em locais distantes dos centros de saúde.

Sobretudo nessas circunstâncias, vividas por exemplo pelas mulheres indígenas, o medicamento pode salvar vidas.

Uso de procedimentos invasivos para abortos legais

Os abortos legais são previstos em casos de risco de morte da mãe, feto anencéfalo e gravidez decorrente de estupro. O misoprostol pode ajudar nesses casos, e também nos casos de aborto espontâneo incompleto.

Assim, a escassez do fármaco pode aumentar o número de curetagens, procedimento de raspagem da parte interna do útero utilizando um instrumento chamado cureta. A curetagem exige que a paciente esteja anestesiada e é mais invasiva em relação ao efeito do medicamento.

Os gargalos do acesso ao misoprostol

No Brasil, o misoprostol só é legalmente encontrado em hospitais, não em farmácia. A portaria 344, de 1998, incluiu o medicamento na lista de substâncias controladas, limitando seu uso ao ambiente hospitalar.

A restrição visava a barrar a ampla utilização do Cytotec, medicamento com o princípio ativo do misoprostol, como método abortivo, o que vinha ocorrendo no país nos anos 1980 e 1990.

Com isso, a droga se tornou alvo de um controle mais rigoroso por parte da Anvisa do que praticamente qualquer outra medicação usada nacionalmente.

Além da regulamentação restritiva da agência, a burocracia para adquirir o medicamento, o estigma do aborto e problemas na distribuição também prejudicam o acesso ao misoprostol no país.

No dia 28 de março de 2019, a Defensoria Pública da União recomendou que a Anvisa volte a permitir a venda do misoprostol em farmácias, para o uso nos casos em que o aborto é legalmente permitido no Brasil.

A comercialização seria feita com prescrição médica e retenção da receita. Para o órgão, a restrição viola o direito à saúde de mulheres que desejam e estão autorizadas pela lei a interromper a gestação.

A orientação tem aval da OMS e já foi adotada em outros países, como a Argentina, que liberou a venda do misoprostol em farmácias em dezembro de 2018.

Fonte: Nexo

Recomendações Febrasgo: Cuidados Gerais na Assistência ao Parto (assistência ao nascimento baseado em evidências e no respeito)

A assistência obstétrica no Brasil passa por profundas mudanças. Gradativamente a medicina baseada em evidências vem demonstrando que podemos fornecer uma assistência menos intervencionista, mais respeitosa e dentro dos critérios éticos da autonomia, mantendo ou melhorando os resultados perinatais. O presente texto pretende construir alguns posicionamentos, baseados no conhecimento atual, sobre aspectos relacionados à assistência ao parto eutócico e de risco habitual. Questões como avaliação da vitalidade fetal, partograma, analgesia e outras serão abordadas oportunamente.

Dieta

A restrição da ingestão oral foi recomendada durante o trabalho de parto ativo devido ao risco de pneumonite por aspiração, que pode ocorrer como uma complicação de uma eventual anestesia geral. No entanto, este risco é muito baixo e a restrição da ingestão oral pode levar à desidratação, cetose e prolongamento do trabalho de parto.

Durante o trabalho de parto eutócico, a ingestão de líquidos e de alimentos com baixo teor de resíduos pode ser permitido nas parturientes com risco habitual de necessitarem de uma anestesia geral.

Se necessário a restrição da ingestão oral, no trabalho de parto mais longo deve-se considerar a hidratação endovenosa, bem como a administração de glicose e eletrólitos.

Tricotomia e enemas

Não deve ser realizado a prescrição rotineira de enemas, bem como de tricotomia. Essas intervenções não são benéficas, podem ser incômodas e possuem potenciais efeitos colaterais.

Acompanhantes

As mulheres podem ter acompanhantes de sua escolha durante o trabalho de parto, parto e puerpério. O apoio individual durante o processo de parto pode reduzir a necessidade de analgesia intraparto e aumentar a satisfação da parturiente.

Deambulação e posição

Não existem evidências de alto nível comparando as diversas posições ou a mobilização durante o trabalho de parto e parto em relação aos benefícios clínicos e danos nos desfechos maternos ou perinatais.

Recomenda-se orientar as mulheres a adotarem as posições que lhes sejam mais confortáveis durante o primeiro estágio do parto. Deve-se evitar a posição horizontal em decúbito dorsal, que pode provocar compressão aorto-cava, induzindo hipotensão arterial e bradicardia fetal.

Caso não exista necessidade de manipulação do feto ou complicações previstas, a parturiente pode optar pela posição que acredita ser mais confortável no período expulsivo. As posições semi-sentadas, de cócoras ou laterais (Sims), são as mais comuns. As posições verticalizadas podem encurtar um pouco o segundo período.

Se houver necessidade de instrumentalização, manipulação do feto, episiotomia e/ou partos cirúrgicos, a posição de litotomia é vantajosa.

Imersão na água

O uso da imersão na água, durante a primeira fase do trabalho de parto, parece ser benéfico, pois é um método não farmacológico para o controle da dor, sem aumentar as complicações materno-fetais. Ainda é incerto o momento que pode ser indicado, ou por quanto tempo. No Brasil a experiência maior é com o uso da água em forma de ducha morna ou quente. A parturiente fica sentada em um banquinho ou na bola de Bobath, sob um bom chuveiro. É uma técnica que não exige muitas modificações na estrutura física das maternidades e facilita muito os cuidados de limpeza e controle de infecções. Foi relatado que a imersão prolongada (mais de duas horas) prolonga o trabalho de parto e diminui as contrações uterinas ao suprimir a produção de ocitocina.

Contudo, a imersão em água durante a segunda fase do trabalho de parto não foi associada com o benefício materno ou fetal e existem relatos de graves complicações. Evidências atuais alertam para um maior risco de lesões perineais, possivelmente pela dificuldade de o profissional assistente auxiliar na proteção perineal, ou diagnosticar algum problema. Deve ser restrita para situações de ensaios clínicos.

Pressão manual do fundo do útero

Não existem provas do benefício da realização rotineira da manobra de Kristeller realizada no segundo período do parto. Bem como, são escassas as evidências que tal manobra possa causar algum dano. Em dois estudos clínicos nos quais a manobra foi estudada, não se verificou vantagem, nem desvantagens, em sua realização. Portanto, não deve ser um procedimento de rotina e deve ser desaconselhado. Se a manobra for necessária, numa situação de excepcionalidade, deve ser realizada por profissional experiente, com consentimento da parturiente e devidamente justificada no prontuário.

Episiotomia

O uso rotineiro da episiotomia é desnecessário e deve ser evitado. Fica reservada para partos com alto risco de laceração perineal grave, distocia significativa dos tecidos moles ou necessidade de encurtar o segundo período devido uma situação fetal não tranquilizadora.

Não é indicação de rotina nos partos instrumentalizados ou na distocia de ombros, contudo, pode haver necessidade técnica de sua realização nessas situações. Quando indicada, deve ser media-lateral.

Contato pele a pele e ligadura do cordão umbilical

Se o recém nato estiver vigoroso e for desejo da mãe, o contato pele a pele deve ser realizado, antes mesmo da ligadura do cordão. Pode melhorar a qualidade da amamentação e do vínculo mãe e filho, bem como ser eficiente na manutenção da temperatura corpórea. Quando o recém nato estiver vigoroso, deve-se retardar o clampeamento do cordão em, pelo menos, um minuto.

Referências

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12.American College of Obstetricians and Gynecologists’ Committee on Obstetric Practice. Committee Opinion No. 679: Immersion in Water During Labor and Delivery. Obstet Gynecol. 2016 Nov;128(5): e231-e236.

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14.Cox J, Cotzias CS, Siakpere O, Osuagwu FI, Holmes EP, Paterson-Brown S. Does na inflatable obstetric belt facilitate spontaneous vaginal delivery in nulliparae with epidural analgesia? British Journal of Obstetrics & Gynaecology 1999;106(12):1280-6.

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22.McDonald SJ, Middleton P, Dowswell T, Morris PS. Effect of timing of umbilical cord clamping of term infants on maternal and neonatal outcomes. Cochrane Database Syst Rev 2013.

Recomendações Febrasgo: Local para o Parto Seguro

Defendemos o parto com segurança para a saúde da gestante e de seu bebê. Defendemos o parto realizado dentro do hospital, com equipe de saúde completa, composta por médicos obstetras, médicos neonatologistas/pediatras, médicos anestesistas, enfermeiras, técnicas de enfermagem e demais profissionais.

A defesa do parto hospitalar tem como base os resultados de estudos científicos robustos realizados na Inglaterra, na Holanda e nos Estados Unidos.

Ressalte-se que nestes países já existe uma estrutura preparada para a realização de partos domiciliares, com logística organizada para o transporte e a comunicação com os hospitais, além de possuírem equipes treinadas para este tipo de assistência ao trabalho de parto e parto (domiciliar); e mesmo com tudo isso, os resultados perinatais foram piores para os partos realizados fora do ambiente hospitalar.

Descrevemos a seguir os estudos que fundamentam a segurança e o apoio ao parto realizados dentro das Maternidades/Hospitais:

– Annemieker Evers e colaboradores (BMJ, 2010), com o intuito de demonstrar a eficiência do sistema de saúde na Holanda, avaliaram 37.735 nascimentos de gestantes de baixo risco que tiveram parto domiciliar ou em Centro de Parto Normal realizado por enfermeiras e os compararam com os nascimentos de gestações de alto risco realizados por obstetras no hospital. Os recém-nascidos de partos de baixo risco realizados fora do hospital tiveram mais do que o dobro da mortalidade perinatal relacionada ao nascimento. As parturientes que foram referidas aos obstetras pelas enfermeiras tiveram 3,6 vezes mais risco de mortalidade perinatal e 2,6 vezes mais chance de ter seu filho internado em UTI neonatal.

– Estudo Inglês (Fonte: Birthplace in England Collaborative Group. BMJ 2011; 343 doi: 10.1136/bmj.d7.400. http://www.bmj.com/highwire/filestream/545014/field highwire article pdf/0.pdf) demonstrou que a mortalidade neonatal foi 1,75 vezes maior nas nulíparas que tiveram partos de baixíssimo risco realizados no domicílio ou em casas de parto normal, quando comparados com os partos hospitalares realizados por médico. A taxa de transferência desta nulíparas para o hospital chegou a 45% e o tempo de transferência chegou a 97 a 157 minutos. O tempo de deslocamento é outro fato relevante a ser considerado, já que estas horas podem ser definitivas para a sobrevida do recém-nascido. E é importante considerar que o tempo de transferência nas grandes capitais Brasileiras pode ser ainda maior, pelas condições piores de trânsito.

– Amos Grünebaum e colaboradores (Am J Obstet Gynecol, 2014) estudando 13.936.071 nascimentos entre 2006 e 2009 nos EUA, com dados do CDC, avaliaram dois desfechos neonatais: Apgar zero no 5º minuto e dano neurológico em 3 tipos de locais de parto: parto feito por enfermeiras no domicílio, em Centros de Parto Normal e em hospitais. A chance do recém-nascido ter Apgar zero no 5º minuto foi 3,5 vezes maior nos Centros de Parto Normal, 10,5 vezes maior no domicílio, quando comparados com o parto hospitalar. A chance do recém-nascido ter dano neurológico foi 2 vezes maior nos Centros de Parto Normal, 4 vezes maior no domicílio, quando comparados com o parto hospitalar. Demonstrando que o local do nascimento é um fator determinante nos resultados para os recém-nascidos.

– Outro estudo foi realizado nos EUA, com 79.727 nascimentos (The New England Journal of Medicine, dezembro de 2015) concluiu de forma semelhante aos trabalhos anteriores que a mortalidade perinatal é 2,43 vezes maior nos partos planejados fora do hospital quando comparada com os partos hospitalares. Além disso, o risco de convulsões neonatais também foi maior no parto domiciliar.

– Na mesma linha, a Academia Americana de Pediatria e o Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia afirmam que os Hospitais e as Maternidades são os locais mais seguros para o nascimento nos EUA. Em respeito aos direitos da mulher escolher, ela deverá ser informada sobre os riscos e benefícios baseados nas evidências científicas recentes para a tomada da sua decisão (www.pediatrics.org/cgi/doi/10.1542 /peds.2013-0575, PEDIATRICS – The American Academy of Pediatrics, 2013 – COMMITTEE ON FETUS AND NEWBORN Planned Home Birth; ACOG Committee Opinion, number 669).

Os resultados dos estudos demonstram que o local do nascimento é um fator determinante nos resultados para os recém-nascidos.

Além disso, o parto normal, eutócico, sem complicações pode ser um evento simples. No entanto, a classificação de baixo risco ou de risco habitual é dinâmica e esta definição só se completa depois do nascimento, com o bebê já no colo da mãe. O que incialmente parecia de baixo risco, pode se transformar em alto risco em poucos minutos e as ações necessárias para preservar a vida da mãe e do bebê precisam ser rápidas. Demorar ou não fazer o diagnóstico do alto risco ou da complicação do parto pode ser crucial e determinar resultados adversos para mãe e recém-nascido.

À luz dessas evidências que mostram consequências e impactos significativos para o binômio mãe-filho é óbvio concluir que o parto realizado em ambiente hospitalar é o capaz de assegurar as melhores chances e condições de cuidado adequado à vida e à saúde da parturiente e do recém-nascido, sendo, portanto, mais seguro.

No nosso meio não existem ainda publicações dos resultados dos partos domiciliares, mas acreditamos que estes riscos sejam ainda maiores pela falta de estrutura e preparo.

É necessário advertir as pacientes que manifestem desejo de ter parto fora do ambiente hospitalar que, embora sejam menores as intervenções maternas (menores taxas de uso de ocitocina, fórcipe, cesárea), são maiores os riscos neonatais:

– Risco duas vezes maior de morte neonatal

– Risco três vezes maior de complicações como convulsões e danos neurológicos neonatais.

É necessário trabalhar na melhoria da ambiência hospitalar para o parto, pois é muito mais fácil tornar o ambiente hospitalar agradável do que tornar o domicílio seguros.

Referências:

ACOG Committee Opinion Planned Home Birtth number 669. OBSTETRICS & GYNECOLOGY. VOL. 128, NO. 2, AUGUST 2016.

Olsen O, Clausen JA. Planned hospital birth versus planned home birth. Cochrane Database of Systematic Reviews 2012, Issue 9. Art. No.: CD000352. DOI: 10.1002/14651858.CD000352.pub2

Snowden, Jonathan M et al. Planned Out-of-Hospital Birth and Birth Outcomes. N Engl J Med 2015;373:2642-53.
DOI: 10.1056/NEJMsa1501738.

Annemieke C C Evers et al. Perinatal mortality and severe morbidity in low and high risk term pregnancies in the Netherlands: prospective cohort study. BMJ 2010;341:c5639, doi:10.1136/bmj.c5639.

Kooy et al. Planned home compared with planned hospital births: mode of delivery and Perinatal mortality rates, an observational study. BMC Pregnancy and Childbirth (2017) 17:177 DOI 10.1186/s12884-017 1348-y.

de Jonge A, Geerts CC, van der Goes BY, Mol BW, Buitendijk SE, Nijhuis JG. Perinatal mortality and morbidity up to 28 days after birth among 743 070 low-risk planned home and hospital births: a cohort study based on three merged national perinatal databases. BJOG – Royal College of Obstetricians and Gynaecologists – 2015;122:720–728.

Fonte: Febrasgo

Alta taxa de cesáreas no Brasil é tema de audiência pública

Ação do MPF pede regulamentação dos serviços obstétricos realizados por consultórios médicos e hospitais privados.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que, com uma taxa de 55%, o Brasil ocupa a segunda posição no ranking de países com maior porcentagem de cesáreas no mundo, atrás apenas da República Dominicana. Para debater os altos índices dessa modalidade de parto no país, em 23 de outubro, foi promovida Audiência Pública no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3).

A iniciativa foi da desembargadora federal Consuelo Yoshida, relatora de recurso apresentado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) contra sentença que julgou procedente ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2010, que pediu a regulamentação dos serviços obstétricos realizados por consultórios médicos e hospitais privados no país, onde a taxa de cesáreas chega a 90%. Seguindo pedido do MPF, o juiz federal Victorio Giuzio Neto determinou que a remuneração do parto normal seja, no mínimo, três vezes superior ao da cesárea, como forma de estimular a rede privada de saúde.

Durante a audiência, o juiz afirmou que é preciso tentar buscar um acordo que consiga unir os objetivos econômicos dos hospitais com o interesse genuíno da saúde pública. “O Brasil é um dos campeões de cesarianas, esse não é um título para se ter orgulho. Estamos precificando saúde, transformando dinheiro em valor dominante”.

Segundo o Conselho Federal de Medicina, no Brasil, o índice de morte materna em casos não-complicados é de 20,6 a cada 1000 cesáreas. Em contrapartida, são 1,73 mortes para 1000 nascimentos de parto normal. “Diante desses números, a situação torna-se absurda”, declarou o procurador regional da República Sergio Lauria, que atualmente atua no caso. Para ele, uma remuneração maior para partos normais é uma solução justa e compatível com os menores riscos para a vida da mãe e do bebê, que oferece o parto normal, incidindo a prevenção a ele inerente em verdadeiro custo de qualidade, o que justifica o valor a maior.

“Essa ação nem deveria ser necessária porque é farta a legislação que temos no Brasil para amparar o direito da mulher de dar à luz”, disse a procuradora da República Ana Carolina Previtalli, autora da ação. “É um contrassenso ter que recorrer ao Judiciário para seguir a legislação”, completou.

A procuradora conta que uma das mais importantes conquistas do processo foi a possibilidade de a mulher ter acesso às taxas de cesariana dos médicos que prestam serviços a operadoras de saúde. “Quando consultamos, vemos índices de até 98%. Isso é uma vergonha, um crime. São médicos que estão expondo suas pacientes a um risco de vida”.

Presente na audiência, Guillherme Silva, da ANS, argumentou que a Agência não tem a atribuição legal de definir os valores que devem ser cobrados pelos serviços prestados pela rede privada de saúde.

Representantes de entidades como a Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp), o Conselho Regional de Enfermagem, a Rede Sentidos do Nascer, Associação de Doulas e a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) concordam que o tema é complexo e que uma mudança de cultura é necessária.

Para Juvenal Barreto, diretor da Febrasgo, o aumento da remuneração de partos normais seria uma boa medida, que, no entanto, não resolveria a questão por completo. “Existe um ecossistema de problemas que passa pela remuneração, mas também por leniência hospitalar e por uma dificuldade de se trabalhar em equipe multidisciplinar”, constatou.

Marta Oliveira, diretora da Anahp, também afirma que o aumento da remuneração é medida insuficiente. “Estamos há 30 anos praticando a cesariana, precisamos recapacitar os profissionais. É uma reconstrução do nosso sistema de saúde que leva um tempo”. Ela acredita, no entanto, que o Brasil encontra-se hoje em um processo irreversível no sentido de cada vez mais diminuir o número de partos cesárea.

Além das entidades, a audiência também contou com a presença de mães e estudantes de medicina – representantes da sociedade civil, que deram depoimentos sobre suas experiências.

A ação será julgada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região

– Informações da Assessoria de Comunicação Social – Procuradoria Regional da República da 3ª Região

Parto natural é mais comum fora do horário comercial, diz estudo

Um estudo feito na City University of London, na Inglaterra, comparou os dados de cinco milhões de partos e identificou que cerca de sete entre dez nascimentos ocorreram fora do horário comercial, isto é, entre as 9h e as 17h.

“Isso talvez aconteça por causa da evolução. Nossos ancestrais viviam em grupos que eram ativos e dispersos durante o dia, ao passo que se juntavam à noite. Assim, uma mulher que entrasse em trabalho de parto durante a noite teria mais proteção”, falou Peter Martin, autor principal ao Evening Standard.

Em contrapartida, as cirurgias cesáreas, que responderam a somente 9,2% dos partos em solo inglês, aconteceram majoritariamente nos dias úteis entre as 9h e as 11h59, com um pico até as 10h59.

“Não foi uma surpresa descobrir que cirurgias cesáreas agendadas não sejam marcadas para feriados, mas não é possível saber por que os partos sem nenhuma intervenção obstétrica são mais baixos no Natal e no dia seguinte”, disse Peter.

Contrariando as estatísticas, o terceiro filho de Kate Middleton e príncipe William nasceu de parto natural às 11h01 (horário local) de uma segunda-feira. O parto gerou repercussão porque a duquesa de Cambridge saiu do hospital apenas sete horas após a chegada do menino.

Fonte: Estadão

Febrasgo recomenda vacina dTpa para as gestantes

Pensando na prevenção de óbitos por coqueluche em crianças com menos de três meses de vida, a Febrasgo orienta os Ginecologistas e Obstetras a prescreverem para todas as gestantes a vacina dTpa.

A vacinação deve ocorrer entre a 20ª semana de gestação e 15 dias antes do parto, para ter efeito de transferência de anticorpos para o feto, e está disponível tanto na rede privada, quanto, gratuitamente, na rede pública.

Também é importante registrar a prescrição, assim o Ginecologista e o Obstetra se eximem de uma possível responsabilização judicial, no caso de ocorrer alguma fatalidade decorrente da coqueluche neonatal, além de estar exercendo sua principal função, que é zelar pela vida.

Fonte: Febrasgo

ANS alerta para os riscos do parto agendado; cesáreas aumentam de dezembro a fevereiro

Entre dezembro e fevereiro o número de agendamento de cesárias aumenta no país, devido aos feriados de Natal, Ano Novo e Carnaval, segundo dados da ANS, a Agência Nacional de Saúde Suplementar.

Foi o que aconteceu em 2009, durante a primeira gestação de Ladjane Arruda. “Em dezembro de 2009, eu já estava com 39 semanas. Então a previsão era que realmente o bebê nascesse em pleno Réveillon. E o médico já tinha me avisado que ele iria viajar, sugeriu, deixou que eu escolhesse fazer um pouquinho antes ou arriscasse fazer só após o Réveillon mas sem a segurança de tê-lo com a equipe própria.”

Na tentativa de evitar os agendamentos por conveniência, seja dos pais ou dos profissionais de saúde, a ANS está lançando uma campanha que alerta para os riscos do parto prematuro, de forma a evitar os agendamentos desnecessários de cirurgias, como explica o Diretor de Desenvolvimento Setorial da ANS, Rodrigo Aguiar.

“A gente está lançando agora no final do ano uma campanha de intensificação sobre a informação a cerca da não adequação da realização de cesariana por mera conveniência da mãe ou do médico. Nesse período, entre Natal e Ano Novo, justamente, por uma questão de conveniência. Para que esse parto não ocorra nos períodos de festas, a gente percebe que acontece a antecipação da data do parto. Os partos acabam acontecendo mais no início do mês de dezembro que não acontecerem nesse final.”

A proposta da campanha é lembrar aos pais e aos profissionais de saúde que o bebê tem seu tempo, e que em uma gestão sadia e sem riscos, ele deve ser respeitado.

E que é importante a família ter as informações necessárias para fazer escolhas conscientes.

Segundo a ANS, estudos científicos apontam que bebês nascidos de cesarianas apresentam maiores riscos de complicações respiratórias e são internados em UTIs neonatais com mais frequência.

A cesariana é um recurso que pode salvar a vida das mães e dos bebês, mas ela não deve servir para antecipar desnecessariamente o parto.

A ANS defende que o alarmante número de cesáreas no Brasil pode ser revertido.

Além da Campanha do fim de ano, vai lançar em janeiro a segunda fase do Projeto Parto Adequado, que vem identificando modelos inovadores e viáveis de atenção ao parto e nascimento, reduzindo o número de cesarianas desnecessárias.

A primeira etapa do projeto, feito em 35 hospitais, conseguiu, segundo a ANS, evitar a realização de 10 mil cesarianas desnecessárias.

Ao mesmo tempo foi registrado aumento de 76% nas taxas de partos normais nos hospitais que aderiram ao projeto.

A segunda fase da campanha vai contar com a participação de 136 maternidades e 68 operadoras de planos de saúde.

Fonte: EBC

Trombose na Mulher: um novo desafio na Ginecologia e Obstetrícia?

No dia 13 de outubro, comemora-se o Dia Mundial de Trombose. Uma em cada quatro mortes no mundo é em decorrência de um coágulo que finda a vida. O dia não foi escolhido ao acaso.

É a data de aniversário de Rudolf Virchow, o pai da Patologia moderna e criador da célebre tríade que leva seu nome pela eternidade. Em seus escritos originais, Virchow descreveu com destaque a necrópsia de puérperas que tinham em comum uma das pernas acometidas por um coágulo venoso, associado a um coágulo pulmonar. O parto, ao longo da história, sempre foi associado a risco de morte. Com a evolução dos cuidados hospitalares, as intervenções médicas conseguiram reduzir as altas taxas de óbitos maternos. Em países que controlaram as causas clássicas de morte materna direta, como eclampsia e hemorragia, o tromboembolismo venoso desponta como a principal delas.Na sua forma mais letal – a embolia pulmonar–, o tromboembolismo venoso apresenta uma grande barreira de dificuldade a seu diagnóstico durante a gestação, em parte pela limitação ao uso de métodos de imagem que dependem de radiação.

A cada 1.000 partos, 1 a 2 mulheres tem tromboembolismo venoso. Estima-se que de cada cinco gestantes ou puérperas que morrem por embolia pulmonar, quatro tem ao menos um fator de risco. A atenção do tocoginecologista a estes indícios possibilita o uso do mais efetivo recurso: a prevenção. A prevenção do TEV na gestação, através de diretrizes baseadas em fatores de risco e a consequente instituição de profilaxia farmacológica, é ainda a melhor estratégia para reduzir esta nefasta intercorrência. Ainda, o uso de contraceptivos hormonais combinados aumenta o risco de tromboembolismo venoso em aproximadamente duas vezes.

A gestação, como critério de comparação, aumenta este risco em quatro a cinco vezes, e o puerpério em 20 a 35 vezes. Os métodos contraceptivos hormonais combinados constituem um importante arsenal terapêutico na prática cotidiana do tocoginecologista. A mulher não pode ser privada dos benefícios contraceptivos e extra-contraceptivos destas medicações.

Tanto o uso indiscriminado quanto sua proibição imotivada são inadequados e indesejados. Cada vez mais a escolha do método é feita por criteriosa seleção, sempre se avaliando as contraindicações, critérios de elegibilidade e autonomia da paciente.

A virtude,aqui também, está no meio. E, por último, mas não menos importante, há a preocupação com o tromboembolismo venoso em decorrênciadas cirurgias ginecológicas.

O uso de escores de risco, como o de Caprini, possibilita estratificar o risco individual, dando a exata dimensão de quando e como realizar a tromboprofilaxia, ponderando entre o riscos de trombose e sangramento.

Por tudo isso, e mais um pouco, hoje é um dia de reflexão para todos nós, Ginecologistas e Obstetras, em nossa luta contínua pela saúde da Mulher Brasileira.

ANDRE LUIZ MALAVASI LONGO DE OLIVEIRA

Presidente da CNE Trombose na Mulher

Fonte: Febrasgo