‘Voltei a ter sensibilidade nos seios’: jovem conta sobre inovadora cirurgia de mastectomia preventiva

Quando Sarafina Nance descobriu que tinha grande chance de ter câncer de mama, decidiu fazer uma dupla mastectomia preventiva seguida de reconstrução dos seios. A cirurgia reduz drasticamente o risco de câncer, mas pode acabar com a sensibilidade nos seios.

A jovem de 26 anos estava “totalmente preparada” para ficar sem sensibilidade, até que uma cirurgia mudou a vida dela.

A primeira vez que Sarafina fez exames para identificar câncer de mama, os médicos encontraram algo preocupante.

Ela já sabia que havia herdado o gene BRCA2 do seu pai, depois que ele foi diagnosticado com câncer de próstata avançado e ela fez testes genéticos.

O gene aumenta o risco de desenvolver vários tipos de câncer, entre eles, o de mama. Por isso, Sarafina, que mora na Califórnia, foi informada de que precisaria passar por exames duas vezes por ano.

Depois de sua primeira ressonância magnética, os médicos pediram uma biópsia.

“Esperando pelos resultados, fiquei completamente abatida”, diz Sarafina. “Lembro de ligar para o meu pai, perguntando o que acontecerá se nós dois tivermos câncer. E se eu morrer?”

O nódulo era benigno, mas Sarafina decidiu que não queria passar por exames repetidos. Ainda na casa dos 20 anos, ela decidiu fazer uma mastectomia dupla preventiva com reconstrução dos seios. Assim, o tecido mamário seria todo removido e implantes criariam novos seios.

Normalmente, a mastectomia com reconstrução é oferecida a dois grupos: mulheres com diagnóstico de câncer e aquelas com alta tendência genética ao desenvolvimento de câncer de mama que decidem passar por operações preventivas.

Emma Pennery, diretora clínica da instituição britânica Breast Cancer Now, diz que há uma diferença entre os procedimentos que podem ser oferecidos a mulheres como Sarafina e aquelas que já desenvolveram câncer de mama — e é da maior importância que o câncer seja tratado adequadamente.

“As células do câncer de mama podem existir na área atrás do mamilo ou atrás da aréola, então você precisa estar seguro para eliminar todo o câncer”, diz Pennery, acrescentando que os planos de tratamento do câncer em andamento podem afetar o método de reconstrução da mama.

‘Você não sente abraços’

Doutoranda em astronomia na Universidade da Califórnia, Sarafina começou a pesquisar as opções de cirurgia.

“Era muito difícil saber o que deveria decidir”, diz ela. “As mulheres que têm mastectomia e reconstrução podem perder a sensibilidade nos seios e isso pode significar que você não sente abraços ou que não sente ondas batendo em você se estiver no mar”.

Emma Pennery diz que os cirurgiões com quem ela trabalhou tentam minimizar os efeitos colaterais para as mulheres que fazem mastectomias preventivas.

“A facilidade de remover os seios e reconstruí-los varia muito e depente de fatores como o tamanho dos seios, o tamanho dos mamilos e das auréolas, e também a posição dele, coisa que pode ser afetada, por exemplo, para ser curta e grossa, por serem caídos”, diz ela.

A médica explica que, com o implante para reconstruir a mama, é “bastante provável” que a mulher perca a sensibilidade depois.

“Para fazer a mastectomia e a reconstrução, o cirurgião corta alguns dos nervos que atuam na área e é isso que leva à falta de sensibilidade.”

Um estudo do hospital Royal Marsden, em Londres, publicado em 2016, mostrou que “a sensibilidade da mama é significativamente prejudicada após a mastectomia e a reconstrução”, mas apontou que a maioria das mulheres passa a recuperar alguma sensibilidade de toque leve.

“As alterações sensoriais pós-reconstrução foram amplamente negligenciadas no passado, mas podem ser de importância crucial na qualidade de vida de uma mulher e afetar a forma como ela aceita sua reconstrução”, diz Ayesha Khan, consultora de cirurgia oncoplástica da mama e uma das autoras do estudo.

“Novas técnicas para preservar melhor a sensibilidade pós-reconstrução estão em evolução e provavelmente serão algo de que as mulheres poderão se beneficiar no futuro.”

Depois de semanas de pesquisa, Sarafina encontrou a médica Anne Peled, que atua na Califórnia e especializada em câncer de mama e cirurgia plástica e reconstrutiva. Peled inclusive teve câncer de mama.

“Quando recebi meu próprio diagnóstico, passei por um período muito, muito difícil para fazer uma escolha, porque eu senti que era muito assustador considerar, aos 37 anos, não ter nenhuma sensação no seio pelo resto da minha vida”, disse Peled.

Ela optou por uma cirurgia alternativa e agora está trabalhando com o marido, especialista em nervos, na descoberta de novas técnicas para preservar a sensibilidade das pacientes.

Peled foi responsável pela mastectomia e, em seguida, a reconstrução com implantes em Sarafina no fim de 2019.

A primeira emoção de Sarafina, quando ela acordou da anestesia, foi de alívio. E a recuperação dela vai bem.

“Agora tenho sensibilidade em todo o meu lado direito e três quartos do meu lado esquerdo, e ela volta cada vez mais, a cada dia”, diz ela.

Pelo Instagram, Sarafina elogiou o trabalho de Peled e destacou a importância de as mulheres terem a sensibilidade preservada após cirurgias. “Todas as mulheres merecem ter sensibilidade pós-mastectomia, e estou muito empolgada por esta opção estar disponível para mais e mais mulheres”, escreveu.

Sarafina também descreveu que Peled “faz preservação e enxerto de nervos durante a cirurgia para preservar a sensibilidade em mulheres”.

“Durante a mastectomia, a Dra. Anne trabalha para preservar os nervos no seio, em vez de cortá-los, para que as mulheres possam reter a sensibilidade. Se eles não puderem ser preservados, o Dr. Ziv usa o enxerto de nervos para reconectar literalmente os nervos e manter a sensibilidade. É extremamente novo — o primeiro artigo sobre enxerto de nervos saiu em agosto — e um avanço absolutamente incrível na saúde das mulheres e na cirurgia oncológica da mama.”

Além de usar as redes sociais para aumentar a conscientização sobre mastectomias preventivas e reconstrução, Sarafina se prepara para seu doutorado e disputa uma vaga de astronauta na Nasa.

O momento tem sido desafiador para a família dela, especialmente o pai, que ainda está em tratamento para o próprio câncer.

“Ele ficou muito triste por eu ter a mutação [genética], ter que passar por isso e enfrentar coisas que acho que ele gostaria que nunca tivesse que enfrentar”, diz Sarafina. “Mas acho que ele está realmente orgulhoso e muito aliviado por tudo ter corrido tão bem e por eu me sentir 100% eu mesma.”

 

Fonte: BBC

Sexo e gravidez combinam?

Um casal continua sendo um casal durante a gravidez e suas vontades e necessidades continuam existindo.

Os médicos afirmam seguramente que não há motivos para decretar greve de sexo se a gestação é de baixo risco. No entanto, a penetração não é aconselhável quando há:

  • Risco ou histórico de aborto espontâneo;
  • Risco de parto prematuro;
  • Sangramento vaginal antes da causa ser conhecida;
  • Problemas no saco amniótico;
  • Histórico de insuficiência de colo do útero;
  • Placenta prévia (também chamada de placenta baixa), quando a placenta está cobrindo o colo do útero;
  • Gestações de gêmeos, trigêmeos, etc.

Mas não é só a possibilidade de riscos que podem alterar a frequência das relações durante a espera de um bebê. As vontades da mulher também tem grande influência nisso tudo.

No primeiro trimestre, o desejo sexual pode perder para os enjoos, vômitos, dor os seios, cansaço e sono. Na ausência desses sintomas, é mais provável que a mulher tenha mais apetite sexual.

A mulher diz adeus a maioria dos sintomas no segundo semestre e passa a se sentir mais bonita, enérgica e mais sensível, principalmente na região pélvica, devido ao aumento de irrigação sanguínea.

O barrigão marca presença no terceiro semestre, mas não anula a atividade sexual, se ambos os parceiros desejarem. Tentar posições mais confortáveis, como a mulher por cima, de lado ou em quatro apoios, é uma forma interessante de manter a relação tranquila. Quando a gravidez é saudável, o sexo é possível até o momento da bolsa estourar, inclusive pode até induzir o trabalho de parto.

A maior dica de todas é:  conversa. Consigo mesma, com o parceiro e, principalmente, com o médico.

 

 

Amamentação é sinônimo de dor?

Sentir dor ao amamentar é comum, principalmente quando não há muita prática ainda. A dor, além de incomodar a mãe, também torna a amamentação um evento um pouco traumático, reduzindo a sua repetição.

Veja algumas dicas que podem te ajudar durante o processo de alimentar o seu bebê.

-Evite o acúmulo de leite nas mamas. Quanto maior a quantidade, maior a pressão na hora de amamentar, e essa pressão pode causa dor. Respeite a fome do bebê, mas evite “retirar” o leite apenas quando ele for mamar.

-Bicos de silicone não são uma boa escolha, pois dificultam o processo da criança sugar de maneira adequada. 

-Massageie o seio antes de dar de mamar pela primeira vez no dia. Comece a massagear ao redor dos seios e depois ao redor da aréola.  Depois puxe o seio para trás e para frente para que uma leve quantidade de leite saia.

-Mantenha a calma. A ansiedade de amamentar pode te deixar ainda mais sensível.

-O lugar que o bebê abocanha também pode machucar as mamas. O correto é:

– Os lábios do bebê devem ficar voltados para fora, e a boca aberta como “boquinha de peixe”;

– O queixo do bebê deve se apoiar no seio da mãe;

– A barriga e o tronco do bebê ficam voltados para a mãe;

– Quando o bebê sugar o leite, espere a sua boca encher;

– O bebê abocanhar todo o mamilo e a parte inferior da aréola;

– O nariz do bebê não pode encostar no seio da mãe, para ele poder respirar tranquilamente.

Um aviso importante para todas as mulheres

O autoexame das mamas contribui para o diagnóstico do câncer de mama, mas não substitui o exame clínico realizado pelo médico.

Geralmente, no exame feito em casa, a mulher só sente o nódulo quando ele já está muito grande. Ao contrário do exame clínico, que pode detectá-lo mais cedo, quando ainda está bem pequeno.

O toque das mamas, é incentivado para que as mulheres possam conhecer melhor o próprio corpo e inclusive detectar tumores benignos, mas não deve ser considerado o método principal de detecção do câncer.

Atravessando um câncer

Ondas grandes demais

Desafios sempre foram bem-vindos na vida de Roberta Borsari –apaixonada por esportes de aventura, ela passou os últimos 15 anos praticando atividades como canoagem, surfe, caiaque polo, caiaque slalom, kayaksurf, canoa havaiana… Além da longa lista de modalidades, a atleta acumula uma porção de medalhas e títulos internacionais e nacionais, como o de tricampeã brasileira de rafting. Mas seu maior desafio surgiu inesperadamente, e fora do esporte.

Em setembro de 2016, a designer gráfica, 43 anos, recebeu o diagnóstico positivo para um câncer de mama agressivo e em estágio dois. O baque foi grande para Roberta e para as pessoas próximas: como alguém tão saudável, sem qualquer histórico familiar, poderia ter um tumor?

Além de buscar respostas para essa pergunta, Roberta reuniu forças para encarar o problema e seguir em frente. “Comecei uma longa trajetória para entender a doença, li muito sobre o assunto e busquei tratamentos além da quimioterapia e radioterapia, como terapias dentro da medicina ayurveda e meditação.”

Doença pode atingir qualquer mulher

Ao pensarmos em câncer, a genética e a falta de um estilo de vida saudável logo vêm à mente como maiores culpados pelo problema. Realmente, obesidade, sedentarismo, má alimentação, tabagismo e consumo excessivo de álcool estão entre os principais fatores de risco para muitos tipos de tumores. Porém, evitar esses hábitos ruins não é garantia de estar livre da doença.

“Quando estão fora do grupo de risco, algumas pacientes têm a falsa sensação de que estão protegidas contra o câncer de mama. Mas o maior perigo é simplesmente ser mulher”, alerta Fabiana Baroni Makdissi, cirurgiã oncológica e diretora do Centro de Referência da Mama do A.C.Camargo Cancer Center.

De acordo com a American Cancer Society, a doença é até 100 vezes mais comum em mulheres do que em homens. Isso porque pessoas do sexo feminino têm mais tempo de exposição hormonal, consequentemente desenvolvendo um maior volume de tecido mamário.

Quanto mais velha for a mulher, maior tempo de exposição hormonal. Mas não é só por isso que a idade é, também, um fator de risco importante. “O câncer surge a partir de uma mutação genética. Quanto mais tempo se vive, maior a possibilidade de o DNA da célula passar a receber instruções erradas”, explica Felipe Ades, oncologista do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Como quanto mais cedo o tumor é detectado, maior a chance de sucesso do tratamento, é muito importante que as mulheres consultem o ginecologista ao menos uma vez por ano para investigar se há alterações nas mamas. Além disso, o Inca (Instituto Nacional do Câncer) recomenda a realização anual da mamografia a partir dos 50 anos de idade –porém, mulheres que fazem parte do grupo de risco moderado ou elevado às vezes devem iniciar a rotina de exames bem antes, conforme orientação do especialista.

Mente e corpo fortes para vencer o câncer

O tratamento de Roberta foi parecido com o de muitas mulheres que enfrentam a mesma situação: cinco meses de quimioterapia forte e uma cirurgia para retirada de quadrante da mama e linfonodo da axila; depois, mais 30 sessões de radioterapia. Para ela, a recuperação tinha que ser a melhor possível, já que seus planos de atleta e aventureira nunca saíram de sua mente. “Quis buscar todas as opções que existiam e pedi para o médico caprichar na cirurgia, porque, além de viver, eu ainda queria remar”, contou a atleta.

Para combater o problema de maneira ainda mais efetiva, ela buscou a medicina ayurveda, técnica indiana milenar que visa restabelecer o bem-estar emocional e físico. “Além das estratégias mentais, como os princípios da meditação usados para fortalecer a mente e combater a indisposição dos pacientes, recomendamos mudanças nutricionais, adicionando alimentos com poder antioxidante e melhorando a capacidade digestiva e absorção dos nutrientes por meio de escolhas naturais”, explica Ricardo Balsimelli, médico ayuverda da Clínica Soha.

Roberta acredita que a ayurveda a auxiliou a não sentir tanto os efeitos colaterais da quimioterapia e radioterapia. “Aprendi a escolher alimentos que ajudam a fortalecer minha imunidade, o que contribui para tornar meu corpo mais resistente no período do tratamento com medicamentos e radiação. Assim, passei de forma mais tranquila por esse momento”, conta a atleta, que leva os ensinamentos da técnica indiana até hoje. Segundo os médicos, uma alimentação saudável realmente tende a favorecer a recuperação de qualquer doença.

Mas é importante ressaltar que tratamentos alternativos nunca podem substituir o tratamento “convencional”. Eles servem apenas como apoio para fortalecer o corpo e a mente, contribuindo para que o paciente encare melhor a quimioterapia, a radioterapia e a cirurgia, por exemplo.

Tratamentos não medicamentosos: o que especialistas recomendam e Roberta adotou

1) Meditação

Lidar com a doença pode gerar frustração, estresse e ansiedade –problemas que a meditação é famosa por combater. A técnica ainda auxilia na autoaceitação e no autoconhecimento.

2) Pensamento positivo

“Apesar de não ter comprovação científica, na prática, sabemos que manter a fé, mesmo que seja apenas concentrada em se livrar da doença, ajuda muito”, comenta Makdissi.

3) Alimentação saudável

Uma dieta rica em frutas, verduras e legumes e sem alimentos industrializados melhora a resistência do corpo para o tratamento, deixando o organismo mais forte para aguentar, por exemplo, as sessões de quimioterapia.

4) Prática de atividades físicas

A aventura pelas águas continua

Realizar exercícios aumenta a resistência e a disposição física, além de estimular a produção de endorfina e outras substâncias que trazem bem-estar. O treino deve ser recomendado de acordo com cada quadro.

Em março de 2017, Roberta finalizou o tratamento e, para comemorar, decidiu fazer o que mais gosta: embarcar em uma nova aventura. “A primeira coisa que fiz foi comprar uma passagem e ir ao Tahiti. Ainda nem estava 100% com a minha energia vital, mas sabia que precisava desse tempo para mim”, conta.

Com a ajuda de fisioterapia e cuidados que toma até hoje, como uso de certos medicamentos e drenagem no braço pela falta do linfonodo, Roberta voltou a remar. Após alguns meses, a atleta retomou o projeto SUP Travessias, no qual percorre ilhas em sua prancha de stand up paddle (SUP), para registrar imagens de natureza, cultura e história dos lugares.

Fernando de Noronha, Ilha de Páscoa, Sri Lanka, Maldivas e Galápagos são alguns dos destinos já explorados pela atleta. “O projeto me levou a lugares surpreendentes e me trouxe experiências incríveis –nunca é só esporte, é também sobre conhecer culturas riquíssimas. Continuarei remando, porque desbravar ondas desconhecidas e mergulhar em jardins de corais é algo que sempre fará meu coração vibrar”, conta, sorrindo.

Fonte: Viva Bem

Nota de esclarecimento sobre vídeos divulgando informações falsas sobre a mamografia

NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE VÍDEOS DIVULGANDO INFORMAÇÕES FALSAS SOBRE A MAMOGRAFIA
O Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) se veem no dever de divulgar uma nota de esclarecimento em resposta a vídeos publicados recentemente na mídia eletrônica (Youtube), que disseminam de maneira irresponsável informações distorcidas sobre a detecção e diagnóstico do câncer de mama. Assim, gostaríamos de afirmar:
1) O câncer de mama é o tumor mais frequentes entre as mulheres e a principal causa de morte por tumor no Brasil e no mundo. Entretanto, no Brasil, diferentemente dos países desenvolvidos, a mortalidade pelo câncer de mama continua aumentando.
2) A causa do contínuo aumento da mortalidade é a falta de programas de rastreamento adequados ou a baixa adesão da população aos programas oferecidos – principalmente devido à falta de informação ou então acesso a informações distorcidas, como estas recentemente veiculadas. Também se deve a falta de acesso em tempo hábil aos tratamentos recomendados.
3) Deve-se enfatizar que a mamografia é o único exame que, quando realizado de maneira sistemática a partir dos 40 anos em mulheres assintomáticas, comprovadamente leva a uma redução da mortalidade pelo câncer de mama. Isso foi demonstrado através de grandes estudos realizados em mais de 500 mil mulheres, sendo observado uma redução da mortalidade que variou entre 10% a 35% no grupo de mulheres submetidas ao rastreamento em relação às que não eram submetidas.
4) Dessa forma, as principais sociedades médicas no Brasil e no mundo são unânimes em recomendar o rastreamento mamográfico para as mulheres assintomáticas, iniciando a partir dos 40 anos ou 50 anos (dependendo do país), com uma periodicidade anual ou bienal (também variando em alguns países). No Brasil, as sociedades médicas recomendam o rastreamento mamográfico anual para as mulheres entre 40 a 75 anos.
5) O auto-exame detecta o tumor quando o mesmo já está em uma fase adiantada, não tendo estudo que comprove qualquer benefício para a redução da mortalidade, não devendo ser adotado como método de rastreamento.
6) O risco de câncer radioinduzido é extremamente baixo, tendo em consideração as doses de radiação envolvidas em cada exame. E não existe estudo que demonstre que os riscos excedem os benefícios, na faixa etária recomendada.
7) Citação de absurdos como “uma biópsia leva a desenvolver câncer” foge a compreensão de qualquer médico com um mínimo de conhecimento na área oncológica.
Dessa forma, a indignação é porque muitas mulheres que assistem a esses vídeos podem considerar não realizar a mamografia. E isso pode significar a perda da chance de detectar o tumor de mama em uma fase inicial, em que se pode oferecer a possibilidade de cura e tratamentos menos agressivos.
Comissão Nacional de Mamografia – Colégio Brasileiro de Radiologia, Sociedade Brasileira de Mastologia, Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

São Paulo, 15 de abril de 2019

CÂNCER: Quanto mais se vive, mais teremos que lidar com ele

Câncer é uma doença degenerativa, que aumenta com a idade do indivíduo e torna-se mais frequente na mesma proporção do envelhecimento da população. No passado as pessoas não viviam o bastante para chegar à idade de ter câncer.

A mortalidade, por outro lado vem diminuindo na maioria dos países, e nos diferentes tipos de câncer. Os métodos de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento experimentaram avanços sem precedentes nas últimas décadas e isto pode ser viso nas estatísticas de mortalidade nos diferentes tipos de câncer(1).

Em um estudo publicado em 2017 sobre 282 causas de mortes em 195 países, demonstrou que as mortes por câncer contribuíram com 23,3% (um quarto) do total de mortes. O maior número de mortes ocorreram nos cânceres de pulmão, seguidos pelo câncer colorretal (2).

Globalmente, quando comparadas com as outras causas de morte, as mortes por câncer aumentaram 25,4% entre 2007 e 2017. A maior aumento no número de mortes neste período ocorreu nas doenças mieloproliferativas (leucoses),

Neste mesmo período a mortalidade global por câncer ginecológico, para cada 100.000 mulheres por ano, diminuiu em 7,2% para o câncer do colo do útero, 11,2% para câncer do corpo de útero, 1,7% para o câncer de mama, e aumentou em 1,1% para o câncer de ovário.

No Brasil, o câncer ginecológico (mama, colo do útero, endométrio e ovário) representam quase a metade de todos os cânceres que ocorre na mulher(3). O câncer do colo do útero é passível de prevenção através da vacina contra o HPV, recomendada para meninas de 9 a 13 anos, e meninos de 11 a 13 anos. Também é uma doença passível de diagnóstico e tratamento precoce. No entanto o câncer do colo do útero em nosso meio apresenta-se como doença avançada em 77% dos casos(3). Esta realidade precisa ser mudada urgentemente através de melhores programas de prevenção, rastreamento, diagnóstico e tratamento.

O câncer de endométrio vem crescendo de maneira assustadora devido à mudança do perfil da nossa população feminina (menor número de gravidezes e sobretudo a obesidade)(4)

Cabe ao ginecologista brasileiro colocar o câncer na sua agenda de trabalho. Não importa em qual área da Ginecologia e Obstetricia esteja a sua área de maior interesse. A sua paciente é uma candidata a: ter risco de câncer, prevenção de câncer, diagnóstico e tratamento de câncer no momento adequado. Câncer não espera e o sucesso no tratamento corre contra o relógio.

Autor: Profº Dr. Jesus Paula Carvalho – Professor Livre Docente da Disciplina de Ginecologia da FMUSP e Chefe de Equipe de Ginecologia Oncológica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – ICESP.

Referências:
[1] Mokdad AH, Dwyer-Lindgren L, Fitzmaurice C et al. Trends and Patterns of Disparities in Cancer Mortality Among US Counties, 1980-2014. JAMA. 2017;317: 388-406.
[2] Collaborators GCoD. Global, regional, and national age-sex-specific mortality for 282 causes of death in 195 countries and territories, 1980-2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017. Lancet. 2018;392: 1736-88.
[3] iNCA. Incidência de Câncer no Brasil. http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/: Instituto Nacional do Câncer 2016.
[4] Paulino E, Nogueira-Rodrigues A, Goss PE et al. Endometrial Cancer in Brazil: Preparing for the Rising Incidence. Rev Bras Ginecol Obstet. 2018;40: 577-9.

Uma em cada seis mulheres terá câncer em algum momento da vida

Enxergar o câncer a partir de novas perspectivas e, assim, quebrar o estereótipo de que todo câncer é uma sentença de morte. Com esse intuito, especialistas se reuniram em um evento organizado pela biofarmacêutica global AstraZeneca, em São Paulo, para discutir o avanço das tecnologias na área. Atualmente, por exemplo, é possível que uma pessoa diagnosticada com câncer utilize métodos que impeçam a queda de cabelo, além disso, há como antecipar e saber, através de um teste genético, se uma pessoa tem predisposição a ter câncer hereditário. Apesar das novidades positivas, dados mais recentes do relatório da Agência Nacional de Pesquisa Contra o Câncer, vinculada à Organização Mundial de Saúde (OMS), informam que uma em cada seis mulheres terá câncer em algum momento da vida.

Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), são esperados mais de 59 mil casos de câncer de mama no Brasil em 2018. Mais raro e agressivo, a expectativa é que seis mil mulheres sejam diagnosticadas com câncer de ovário no país. Somente neste ano, Pernambuco tem uma taxa estimada de 53,12 casos de neoplasia maligna da mama feminina para cada 100 mil mulheres, enquanto a expectativa de neoplasia maligna do ovário são de 6,28 casos para cada 100 mil mulheres. Os dois tipos de câncer (mama e ovário) podem ser causados por diversos fatores, como estilo de vida, idade avançada e também uma predisposição genética passado de pai ou mãe para filha.

Os testes genéticos buscam por alterações específicas herdadas (mutações) nos cromossomos, genes ou proteínas de uma pessoa. Simples de ser realizado, por meio de amostras de sangue e saliva, os testes para a mutação nos genes BRCA 1 e 2 ficaram mundialmente conhecidos após a atriz Angelina Jolie decidir tirar os ovários e mamas devido ao histórico familiar com grande probabilidade de desenvolver tumores nesses órgãos. A predisposição hereditária responde por entre 5 a 15% dos casos de câncer, mas quem possui a mutação nos genes BRCA possui 40% mais chances de ter cânceres femininos, como de mama ou ovário.

De acordo com o oncologista especialista em oncogenética e coordenador do Centro de Oncologia do Hospital Português de Salvador, Rodrigo Guindalini, os genes BRCA 1 e 2 impedem a proliferação de células tumorais e agem como freios para prevenir o desenvolvimento. “Quando um desses genes sofre uma mutação, ele perde sua capacidade protetora, deixando o organismo mais suscetível ao surgimento de tumores malignos, especialmente de mama e ovário”, comenta o especialista.

Diferentemente do que é pensado, o exame de teste genético não é inacessível como parece ser e já está presente em diversos planos de saúde e convênios. “Para quem não tem o serviço disponível e deverá pagar o exame, o valor em média do teste genético é de R$ 1.500 mil. Parece ser caro, mas antecipar o diagnóstico termina resultando um benefício maior. Temos casos de familiares que juntaram a quantia e pagaram para um parente” afirmou o médico. O Sistema Único de Saúde (SUS) não cobre o procedimento.

Em média um a cada dez tumores são hereditários. O oncogeneticista alerta que “vários familiares com a mesma doença, múltiplos câncer primário no mesmo indivíduo são algumas das suspeitas que demandam atenção”. Rodrigo Guindalini reforça ainda que mutação não é a doença e sim a predisposição a ter câncer. Ele também trouxe dados informando que de 12% das mulheres que vivem até 90 anos terão câncer de mama. Destes casos, 10% estão associados a mutações genéticas.

Os testes genéticos são aliados para identificar as mutações e traçar a melhor estratégia de prevenção e tratamento. Para Guindalini, é extremamente importante identificar o paciente que faz parte dos 10% que tem o câncer de mama associado a mutações genéticas. “Primeiro que você vai saber o que motivou o paciente desenvolver a doença. E além disso, uma vez que você identifica muda totalmente a vida da pessoa e dos familiares que tenham a mesma predisposição”, avalia.

Outro avanço tecnológico é o de preservação dos fios do cabelo por meio de crioterapia. Diagnosticada com câncer de mama em 2015, a ex-apresentadora do canal MTV, Sabrina Parlatore, também estava no encontro e comentou como foi a descoberta da doença. Segundo Parlatore, um ano antes de ter a certeza do diagnóstico, um médico negligenciou um autoexame afirmando que o que foi encontrado não era nada demais. “A primeira coisa que pensei quando recebi a notícia de que teria que fazer a quimioterapia era que eu ficaria careca”.

Para ela, o apoio de amigos e familiares foi essencial na luta contra a doença. “Tive muita sorte de estar rodeada por amizades verdadeiras e familiares que me apoiaram. Vivia contando os dias que já tinham passado e esperando o momento que acabaria com o tratamento” afirmou. Sobre a técnica de crioterapia, ela contou que conseguiu preservar os fios por meio do resfriamento do couro cabeludo. “Sentia o meu couro cabeludo congelar, tive até dor de cabeça em algumas sessões, mas aguentei firme”, contou a ex-apresentadora.

Fonte: Diário de Pernambuco

Mamografia faz mal?

Surgem questionamentos sobre a prática médica em diferentes áreas da sociedade. Questiona-se o parto assistido por médicos, a forma tradicional de tratarmos as diferenças de gêneros, a ultrassonografia feita exclusivamente por médicos, o próprio conceito de ato médico e, naturalmente, a mamografia.

É claro que há exagero, despreparo e interesses escusos nessas críticas. Mas a melhor maneira de enfrentá-las é nos aprofundarmos nesses temas, ainda que sob o preço de sairmos da nossa zona de conforto. Questionar é bom. Nos faz refletir sobre as coisas que passamos a fazer automaticamente em nossas vidas. Mamografia é uma delas.

Sabemos o que a mamografia faz de bom. Ela salva vidas, reduzindo a mortalidade de mulheres assintomáticas que são efetivamente rastreadas em até 40% (Coldman, JNCI 2014;106).

Mas como tudo na vida há um outro lado dessa moeda. Ela também tem efeitos colaterais indesejados, que precisam ser conhecidos pelo médico solicitante. Quais são esses efeitos, e qual a sua magnitude?

A resposta a essa pergunta é o objetivo dessa comunicação. Abaixo estão listados todos os inconvenientes da mamografia. É importante conhecê-los para podermos orientar nossas pacientes adequadamente e escolhermos as melhores condutas médicas.

A mamografia não é igualmente efetiva para todas as mulheres. Ela é menos eficaz em portadoras de mamas densas. Densidade é uma propriedade de cada mama, que significa falta de transparência à mamografia. Uma mamografia menos transparente esconde cânceres. Justamente numa população em que o risco de câncer de mama é maior. Uma pesquisa sueca mostrou um risco relativo de morte por câncer de mama de 1,91 em mulheres com mamas densas (Chiu, Cancer Epidemiol Biomarkers Prev 2010;19:1219), em parte pelo maior risco de câncer e em parte por atraso no diagnóstico.
Embora a mamografia seja solicitada na mesma periodicidade que a colpocitologia oncótica por um longo período da vida da mulher, tendo esses dois exames a finalidade de rastrear os dois cânceres mais comuns das mulheres, a eficácia da mamografia para reduzir a mortalidade específica é muito menor que a do Papanicolaou. Enquanto a morte por câncer do colo uterino pode ser quase erradicada pelo rastreamento, não chegamos a prevenir nem a metade das mortes por câncer de mama.
Nem tudo o que a mamografia vê é câncer. Significa dizer que há falsos positivos e biópsias desnecessárias. Quantas? Num bom serviço terá 2 a 3 biópsias positivas a cada 10 biópsias indicadas. Ou seja, 7 a 8 a cada 10 biópsias serão negativas, gerando o que chamamos de exame falso positivo. Em que pese o encontro de uma histologia benigna ser uma situação de desfecho alegre, todo o estresse da biópsia poderia nem sequer ter acontecido se a paciente não tivesse feito a mamografia. Vale lembrar que serviços de menor padrão de qualidade podem ter taxas de biópsias negativas bem maiores.
Há uma limitação biológica. Um câncer pode crescer rápido demais, não ser visto em uma mamografia de rotina e tornar-se palpável e muitas vezes incurável antes da próxima mamografia de rotina. Chamamos a isso câncer de intervalo, que é uma das características do câncer agressivo. Mais uma vez encontramos uma limitação da mamografia em uma população que precisa mais dela, a das portadoras de tumores mais agressivos.
Nem todo câncer diagnosticado significa uma vida salva. Essa observação mexe com nosso ego, que gosta de sentir que faz coisas importantes, mas é uma verdade essencial: descobrimos cânceres que nunca fariam mal àquela paciente. Permaneceriam indolentes ou até mesmo regridiriam. Pacientes são operadas, irradiadas e recebem quimioterapia desnecessariamente todos os dias. Essas situações são chamadas de sobrediagnóstico e sobre tratamento. Qual é a sua frequência? Esse número é de cálculo difícil, pois precisa precisa ser estimado com base em premissas incertas. Então ele é muito manipulável, servindo de crítica fácil para os detratores da mamografia, que chegam a estimá-lo em 50%, ou de argumento barato para os defensores incondicionais da mamografia, que chegam a dizer que sobrediagnóstico não existe. Pesquisas dentro de linhas bem equilibradas, porém, estimaram a taxa de sobre diagnóstico da mamografia em pouco menos de 10%.
Os custos do rastreamento mamográfico não são negligenciáveis, especialmente se acrescidos dos custos das biópsias geradas e do controle de qualidade que é essencial para obter os resultados que justificam a realização do rastreamento. Parece fútil falar de custo de mamografia em um país que gasta tanto em estádios de futebol e parques olímpicos, mas queiramos ou não a racionalização dos custos é uma responsabilidade cidadã, de todos nós, e se a vida não pode ter um custo as intervenções de saúde têm.
Existem muitas formas de biópsias. O desconhecimento pode levar à utilização de biópsias excessivamente agressivas para o caso em questão. É nossa responsabilidade ética usar sempre a forma menos agressiva de biópsia que forneça a informação desejada.
Não! A mamografia não causa câncer de tireoide de forma significante. Vamos esquecer essa lenda urbana que foi criada e que não se sustenta factualmente.

Não sou contra a mamografia. Sou dos que acham que os inconvenientes relatados acima são um preço que vale a pena pagar pelas vidas salvas (embora salvas em número menos do que gostaríamos). Estou entre os que percebem que essas vidas, além de salvas, têm tratamento menos mutilante, pois feito em fase mais precoce. Esse tratamento menos mutilante não é um “endpoint” primário da mamografia e não é citado

Estou entre os que defendem o rastreamento mamográfico, mas assumindo a responsabilidade de informar à paciente todos os seus inconvenientes e limitações, de racionalizar o seu custo e invasividade, de manter uma expectativa realista. Minha experiência é que isso não demove as pacientes da vontade de participar de um programa de rastreamento.

Autor: Dr. Hélio Sebastião Amâncio de Camargo Júnior

Fonte: Febrasgo

Exame de sangue pode ajudar a escolher tratamento para câncer de mama

Um exame de sangue para detectar células tumorais poderia ajudar a escolher o tratamento mais adequado para alguns tipos de câncer de mama e, assim, aumentar a sobrevida dos pacientes, de acordo com um teste clínico apresentado no dia 06/12 em um congresso nos Estados Unidos.

“Este é o primeiro estudo que mostra que, usando essa informação, podemos melhorar a sobrevida dos pacientes”, explicou à AFP o professor Jean-Yves Pierga, chefe do departamento de oncologia médica do Instituto Curie, onde o estudo foi realizado.

Mulheres com câncer de mama com metástases denominadas “sensíveis a hormônios” (o mais comum) são mais frequentemente tratadas com terapia hormonal, enquanto a quimioterapia, que produz pesados efeitos colaterais, é reservado a pacientes com formas mais graves.

Mas atualmente, “os critérios que permitem aos médicos avaliar essa seriedade e, portanto, a escolha do tratamento permanecem incertos”, ressaltam em um comunicado o Instituto Curie e a Universidade de Versalhes Saint-Quentin-en-Yvelines.

Em um ensaio clínico que incluiu 778 pacientes de cerca de 15 hospitais franceses, metade teve seu tratamento escolhido com base na avaliação do médico e a outra metade com base em suas células tumorais circulantes (CTC).

Para 300 delas, o tratamento indicado pela análise das células tumorais circulantes não correspondia àquele que o médico teria escolhido.

E, de acordo com os pesquisadores, “mulheres que foram tratadas com terapia hormonal de acordo com o médico, mas que finalmente receberam quimioterapia devido à elevada taxa de CTC no sangue, tiveram sua sobrevida aumentada”.

Estes resultados, apresentados no Simpósio sobre o câncer de San Antonio, Texas, pelo professor François-Clément Bidard, um oncologista do Instituto Curie, convidam “a combinar as duas abordagens para guiar as escolhas terapêuticas: a perspectiva do clínico e a dosagem do CTC”, estimou o pesquisador, citado no comunicado.

Este estudo foi financiado principalmente pelo Instituto Nacional do Câncer (INCa) com “uma pequena contribuição” da CellSearch, empresa americana que fornece tecnologia de dosagem de CTC, disse Pierga. Seus resultados serão posteriormente publicados em um periódico científico, acrescentou ele.

Fonte: AFP

Fluxo Papilar – Ectasia

Fluxo papilar e ectasia ductal são situações intimamente ligadas, que na maioria dos casos se manifestam como secreção papilar bilateral, multiductal e colorida podendo estar associadas a nodularidade e alterações anatômicas com complexo aréolo-papilar. A ectasia – dilatação – dos ductos mamários está na origem deste quadro clínico e há dúvidas na literatura se pode ser considerada doença ou simplesmente uma alteração que faz parte do processo fisiológico de involução mamária.

Estima-se que grande parte das mulheres apresentem ectasia ductal, mesmo que assintomática. Alguns autores já relataram em produtos de necrópsia a alta prevalência desta condição, em até 75% das peças analisadas. Outros autores que publicaram estudos com grandes casuísticas mostraram que a ectasia ductal pode existir, em diferentes graus (com ou sem sintomas), em cerca de 50% das mulheres na perimenopausa.

Não há consenso na literatura em relação aos fatores de risco. O tabagismo vem sendo associado em vários estudos, mas não há consenso. Amamentação e paridade também são fatores associados em algumas séries. Níveis séricos elevados de prolactina também poderiam levar a ectasia ductal pelo aumento de secreção ductal – galactorréia – o que por sua vez levaria a maior chance de ocorrer processo inflamatório com fibrose e dilatação dos ductos mamários.

A teoria clássica para explicar a ectasia ductal descreve que a dilatação dos ductos da mama é decorrente do acúmulo de material lipídico e debris na luz ductal, o que levaria a inflamação, espessamento, atrofia e perda da elasticidade da parede ductal. Com isso ocorreria rompimento e extravasamento do conteúdo, podendo levar à intensificação do processo inflamatório com contaminação bacteriana, abcesso e fistulização para área peri-areolar. Há outras situações nas quais pode ocorrer obstrução dos ductos, por descamação celular do epitélio da papila, mais comuns em processos inflamatórios crônicos do complexo aréolo-papilar e em mulheres que apresentam papila invertida congênita. O próprio quadro de inflamação e fibrose periductal pode levar a inversão da papila, que por sua vez poderia agravar ainda mais o processo de infecção com fistulização.

A fase inicial da ectasia ductal costuma ser assintomática. Quando sintomática, o sintoma mais relatado é o fluxo papilar – que costuma ser espontâneo, bilateral, multiductal e de diversas cores (podendo ser esbranquiçado, amarelado, acastanhado, esverdeado e enegrecido). Eventualmente o fluxo é hemorrágico e neste caso, o diagnóstico deve ser amparado com alguns exames de imagem para exclusão de outras causas, como papilomas e câncer. A dor é outro sintoma comumente relatado e cerca de metade dos casos há alterações do complexo aréolo-papilar, principalmente o desvio do eixo e retração da papila.

O diagnóstico é clínico e quando há dúvidas, a ultrassonografia é o método de imagem que pode trazer mais informações, pois consegue mostrar toda a árvore ductal retro-areolar. Por este método considera-se ectasia quando o diâmetro do duto é igual ou maior de 5mm. A mamografia é muito inespecífica e pode mostrar assimetrias e eventualmente calcificações retro-areolares. A ressonância magnética tem grandes limitações para este diagnóstico pois leva a um número grande de resultados falso-positivos, pelo próprio processo inflamatório inerente à patologia de base.

Por fim, o tratamento é clínico e a cirurgia reservada para casos específicos: fístulas, abcessos recorrentes, fluxos muito grandes com desconforto social e eventual necessidade de diagnóstico diferencial com câncer.

Autor: Renato Z Torresan / CAISM – UNICAMP /CNE Mastologia Febrasgo

Fonte: Febrasgo

10 dicas para prevenção do Câncer de Mama

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) informa que, entre todas os cânceres, o que mais atinge as mulheres é o de mama, devido a fatores hormonais. Quando detectado precocemente, pode ter boas chances de cura. Veja abaixo pequenas ações importantes para a prevenção, de acordo com João Bosco Ramos Borges, mastologista, ginecologista e obstetra da SOGESP.

1- Tenha uma dieta equilibrada: consumir frutas, verduras e legumes regularmente ajudam a manter a saúde em dia.

2- Diminua o consumo de alimentos embutidos.

3- Pratique atividade física: além de manter o corpo saudável, traz bem-estar e disposição.

4- Evite beber álcool, mesmo em quantidade moderada.

5- Não fume. Além prejudicar os pulmões, cigarro aumenta o risco de câncer de mama.

6- Cuidado com o peso: a obesidade também aumenta o risco de desenvolver a doença.

7- Mulheres acima de 40 anos devem realizar a mamografia anualmente e ser examinada por um médico ginecologista ou mastologista.

8- Dependendo do caso, reposição hormonal pode aumentar o risco de câncer de mama, portanto mulheres na menopausa devem consultar um médico para obter informações.

9- Realizar o autoexame é sempre importante, mostrando autocuidado, autoconhecimento e pode até ajudar na descoberta de nódulos.

10- A exposição ao sol ajuda na produção de vitamina D e reduz os riscos de câncer. Mas cuidado, não fique exposta entre 10h e 16h.

Fonte: Sogesp

Obesidade e deficiência de vitamina D podem indicar maior risco de câncer de mama

A vitamina D já é bem conhecida por seus benefícios na construção de ossos saudáveis. Um novo estudo apoia a ideia de que também pode reduzir o risco de câncer, bem como a mortalidade por câncer de mama, especialmente em mulheres com um menor índice de massa corporal. O câncer de mama continua sendo o câncer mais comum em mulheres no mundo e é a principal causa de morte por câncer em mulheres. Fatores de risco reprodutivos como início precoce da puberdade, menopausa tardia, idade mais tardia na primeira gravidez, nunca ter estado grávida, obesidade e histórico familiar mostraram estar associados ao desenvolvimento do câncer de mama. O papel da concentração de vitamina D no desenvolvimento do câncer de mama, no entanto, continua a ser debatido. Este estudo envolvendo mais de 600 mulheres brasileiras sugere que a vitamina D pode reduzir o risco de câncer por inibir a proliferação celular.

Pesquisadores envolvidos no estudo concluíram que as mulheres na pós-menopausa tinham um risco aumentado de deficiência de vitamina D no momento do diagnóstico de câncer de mama, associadas a taxas mais altas de obesidade, do que as mulheres do mesmo grupo etário sem câncer. Estudos similares também já demonstraram uma relação entre a vitamina D e a mortalidade por câncer de mama. As mulheres no quartil mais alto de concentrações de vitamina D, na verdade, tiveram 50% menos mortes por câncer de mama do que aquelas no quartil inferior, sugerindo que os níveis de vitamina D devem ser restaurados para uma faixa normal em todas as mulheres com câncer de mama. Embora a literatura publicada seja inconsistente quanto aos benefícios dos níveis de vitamina D e do câncer de mama, este estudo e outros sugerem que níveis mais altos de vitamina D no organismo estão associados ao risco reduzido de câncer de mama. A vitamina D pode desempenhar um papel no controle de células de câncer de mama ou impedi-las de crescer. A vitamina D vem da exposição direta à luz solar, suplementos de vitamina D3 ou alimentos ricos em vitamina D.

Referência

The North American Menopause Society (NAMS). “Obesity and vitamin D deficiency may indicate greater risk for breast cancer.” ScienceDaily. ScienceDaily, 19 September 2018.

Fonte: Terra

Outubro Rosa

Estamos novamente em outubro e não podemos deixar de falar sobre o câncer de mama e tudo que vem atrás deste diagnóstico.

O câncer é uma doença que afeta não só a própria pessoa, mas também seus familiares e amigos. A perspectiva muda radicalmente após o diagnóstico, uma mudança de planos sempre vai acontecer e neste momento o acompanhamento familiar e/ou profissional é muito importante.

O grande objetivo da campanha é a conscientização da necessidade de um diagnóstico precoce e de um tratamento eficaz, que aumentam muito as chances de cura.

Lembrar sempre dos sinais mais frequentes que são nódulos, retrações e vermelhidão na pele e secreção pelos mamilos. Os exames complementares como mamografia detectam as lesões antes mesmo de elas serem palpáveis, o que melhora ainda mais a chance de cura.

Estamos vivendo uma era onde os tratamentos para vários tipos de tumor estão se aperfeiçoando, as terapias estão mais selecionadas e individualizadas o que minimiza os efeitos deletérios do próprio tratamento e muitas vezes traz aumento de sobrevida. Recentemente, a publicação de um estudo mostrou que a quimioterapia não é necessária para um grande grupo de pacientes com câncer de mama. Mas, ainda existe um longo caminho a ser percorrido.

Hábitos de vida saudáveis (alimentação, controle do peso e atividade física) podem reduzir em até 28% o risco de uma mulher desenvolver câncer de mama, assim como existe menor risco de recidiva (volta do tumor) nas pacientes tratadas de câncer de mama que mantiveram este estilo de vida.

Dr. Ricardo Faure
Fonte: INCA – Estado de São Paulo

Mutações genéticas são principal causa do câncer de mama em jovens

O câncer de mama em mulheres jovens – de 20 a 34 anos – corresponde a 4,5% dos casos; entretanto, o grupo é o que possui diagnóstico mais tardio, o que o torna mais propenso à mortalidade. Com base nesses dados, foi realizada pesquisa de Maria Aparecida A. Koike Folgueira, do Centro de Investigação Translacional em Oncologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), apresentada no seminário Mutações somáticas em câncer de mama de pacientes jovens.

O câncer de mama hereditário é o resultado de mutações, na maioria dos casos, nos genes BRCA1 e BRCA2, que codificam proteínas importantes que participam do reparo do DNA. A perda das proteínas acarreta fragilidade desse DNA, que fica mais propenso a sofrer lesões, acumulando mutações e gerando uma célula alterada que pode resultar no câncer. Essa alteração é passada da genitora para a filha. A pesquisa trabalhou com a análise do dado de que aproximadamente 17% das mulheres jovens herdam essas mutações das mães, o que aumenta a probabilidade de desenvolvimento do câncer em uma idade precoce.

As mutações somáticas, que ocorrem na célula da mama ao longo do tempo por conta da morte das células a cada ciclo menstrual, seguidas de inúmeros ciclos de proliferação, fazem com que sejam mais comuns em mulheres mais maduras. Apesar disso, é a forma de câncer que mais afeta as mulheres jovens.

Maria Aparecida comenta que os motivos do desenvolvimento do câncer ainda são uma incógnita. Não há respostas sobre se o tumor pode ser atribuído ao acaso, relacionado às alterações naturais ou se existe outro fator que possa explicar isso.

O Ministério da Saúde e o Instituto Nacional do Câncer (Inca) na publicação mais recente “Diretrizes para a detecção precoce do câncer de mama no Brasil” recomenda rastreamento através de mamografia em mulheres de 50 a 59 e 60 a 69 anos, com periodicidade bienal. Em mulheres com idade inferior a 50 anos, não há recomendação de mamografia, exame clínico de mama e autoexame de mama. A pesquisadora alerta que, ao notar alterações, procurar um médico é a melhor decisão, informando a presença de membros da família com a patologia. O especialista decidirá quais exames devem realizados e com que periodicidade.

A investigação da atuação de outros tipos de câncer em jovens adultos dita a continuidade da pesquisa, com a pretensão de analisar os motivos do diagnóstico ao apresentar um estágio avançado da doença.

O câncer de mama em mulheres jovens – de 20 a 34 anos – corresponde a 4,5% dos casos; entretanto, o grupo é o que possui diagnóstico mais tardio, o que o torna mais propenso à mortalidade. Com base nesses dados, foi realizada pesquisa de Maria Aparecida A. Koike Folgueira, do Centro de Investigação Translacional em Oncologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), apresentada no seminário Mutações somáticas em câncer de mama de pacientes jovens.

O câncer de mama hereditário é o resultado de mutações, na maioria dos casos, nos genes BRCA1 e BRCA2, que codificam proteínas importantes que participam do reparo do DNA. A perda das proteínas acarreta fragilidade desse DNA, que fica mais propenso a sofrer lesões, acumulando mutações e gerando uma célula alterada que pode resultar no câncer. Essa alteração é passada da genitora para a filha. A pesquisa trabalhou com a análise do dado de que aproximadamente 17% das mulheres jovens herdam essas mutações das mães, o que aumenta a probabilidade de desenvolvimento do câncer em uma idade precoce.
Foto: JBLM PAO/Flickr-CC

As mutações somáticas, que ocorrem na célula da mama ao longo do tempo por conta da morte das células a cada ciclo menstrual, seguidas de inúmeros ciclos de proliferação, fazem com que sejam mais comuns em mulheres mais maduras. Apesar disso, é a forma de câncer que mais afeta as mulheres jovens.

Maria Aparecida comenta que os motivos do desenvolvimento do câncer ainda são uma incógnita. Não há respostas sobre se o tumor pode ser atribuído ao acaso, relacionado às alterações naturais ou se existe outro fator que possa explicar isso.

O Ministério da Saúde e o Instituto Nacional do Câncer (Inca) na publicação mais recente “Diretrizes para a detecção precoce do câncer de mama no Brasil” recomenda rastreamento através de mamografia em mulheres de 50 a 59 e 60 a 69 anos, com periodicidade bienal. Em mulheres com idade inferior a 50 anos, não há recomendação de mamografia, exame clínico de mama e autoexame de mama. A pesquisadora alerta que, ao notar alterações, procurar um médico é a melhor decisão, informando a presença de membros da família com a patologia. O especialista decidirá quais exames devem realizados e com que periodicidade.

A investigação da atuação de outros tipos de câncer em jovens adultos dita a continuidade da pesquisa, com a pretensão de analisar os motivos do diagnóstico ao apresentar um estágio avançado da doença.

Fonte: Jornal da USP