Dispareunia: Dor durante a relação sexual não é normal

Dor durante a relação sexual em mulheres pode ter origem emocional ou física, mas não é normal apresentar o sintoma. Conheça suas possíveis causas e tratamentos.

 

A dor durante o ato sexual, também chamada de dispareunia, é mais comum do que se imagina. Ela dificulta não só a relação sexual, mas compromete a rotina da mulher porque impede qualquer tipo de penetração, inclusive na hora de fazer exames ginecológicos. Ela pode ser classificada em dois tipos: superficial, quando ocorre em torno da abertura da vagina, normalmente no momento da penetração, ou profunda, quando a dor é sentida dentro da pelve, em geral durante o movimento peniano. Em ambos os casos, as características da dor são as mesmas e se manifestam em forma de ardência ou como uma cólica muito forte.

 

DOENÇAS QUE PODEM CAUSAR DOR DURANTE A RELAÇÃO SEXUAL

 

A recomendação inicial é procurar ajuda especializada ao primeiro sinal de dor, e não postergar imaginando que o desconforto vai passar de uma hora para outra. O médico irá solicitar exames como ultrassom, papanicolaou e exames de urina para se certificar de que o desconforto não é sinal de alguns problemas comuns.

No caso da dor superficial, algumas possíveis causas são: infecções genitais como herpes e candidíase (que costumam causar bastante ardência, já que a área da vulva fica inflamada), vaginismo (condição na qual a musculatura pélvica se contrai involuntariamente, tornando a penetração inviável) e sensibilidade aumentada na área vaginal.

Durante o exame ginecológico, os médicos pode fazer um teste rápido para identificar se você sofre de dor provocada, isto é, causada por algum agente externo como absorvente interno, coletor menstrual ou a própria penetração. O teste é simples e consiste em pressionar a área sensível com um cotonete.

 

 A dor profunda pode ser sinal de endometriose, que costuma ser uma das grandes responsáveis pela dor durante o ato sexual por conta do quadro inflamatório que provoca na pelve.

Cistos no ovário e cicatrizes na região pélvica provindas de alguma infecção, cirurgia ou radioterapia também podem se manifestar com dor durante o sexo.

É importante também ficar atenta à possibilidade de esse sintoma ter relação com a chegada da menopausa, pois nessa fase pode haver ressecamento vaginal por conta da diminuição do nível de estrogênio.

 

NÃO DEIXE DE LADO OS FATORES EMOCIONAIS

 

Não podemos esquecer que as causas da dispareunia podem ser de fundo emocional. Sexo ainda é tabu para muitas mulheres, cuja sexualidade com frequência é reprimida, o que dificulta a busca por informação. Existem pacientes que sentem o desconforto desde a primeira relação sexual e acham que isso é normal, que a dor faz parte da relação íntima. Assim, em vez de o sintoma ser encarado imediatamente como um problema a ser tratado, muitas podem pensar que é comum e negligenciar a procura por tratamento.

O cenário é ainda mais delicado se a mulher tiver passado por experiências traumáticas relacionadas à sexualidade, incluindo abuso e repressão por questões de gênero, ocorrências muito frequentes no Brasil. Mulheres com tal histórico tendem a suportar muitas dores e guardar os problemas para si.

 Porém, não são necessários grandes traumas para o sintoma aparecer. A dor pode surgir quando a mulher está com medo do contato íntimo por qualquer motivo, ou quando sente forte insegurança em relação à sua imagem, por exemplo. Esses fatores fazem com que ela não se sinta relaxada, o que dificulta a lubrificação vaginal e, consequentemente, provoca dor e desconforto. É o caso de procurar um psicólogo ou terapeuta.

É importante buscar esse tipo de acompanhamento o quanto antes, pois tratamentos que envolvem a saúde emocional podem ser longos. Além disso, conviver com a dor durante o sexo tende a provocar sentimentos de frustração e baixa autoestima, além de comprometer a saúde do relacionamento. Guarde: não é normal sentir dor.

 

TRATAMENTO DA DISPAREUNIA

 

Uma dica simples para aumentar lubrificação vaginal é utilizar lubrificantes próprios para uso íntimo e investir mais tempo nas preliminares. Contudo, o mais importante é descobrir a origem da dor e atuar nela.

Se você tem sentido dor em todas as relações sexuais, é preciso buscar ajuda especializada. O diagnóstico é fundamental, portanto, o primeiro passo é marcar uma consulta com o ginecologista para verificar se existe alguma doença por trás do sintoma. Problemas desse tipo geralmente são combatidos com antifúngicos ou antibióticos.

Para pacientes com endometriose, há muitas opções de tratamento cirúrgico ou clínico. Para os casos de vaginismo, sessões de fisioterapia pélvica podem ajudar. Nesses casos, é comum treinar a capacidade de se ter algo dentro da vagina, iniciando com a inserção, pela própria mulher, de objetos chamados dilatadores.

Se a questão for emocional, vale a consulta com um psiquiatra e, na maior parte das vezes, iniciar um acompanhamento terapêutico.

Sexualidade feminina: Esqueça a vergonha e seja dona de si

Entre quatro paredes tudo está liberado, não é mesmo? Para algumas mulheres, não. A sexualidade feminina ainda rende tabus. Há quem não consiga explorar e valorizar os próprios desejos. Assim, fica difícil dominar o e mostrar ao parceiro que algumas vontades podem ser prazerosas para ambos.

De acordo com a sexóloga Laura Meyer, despertar a sensualidade é essencial. A mulher que ainda se sente tímida ao tirar a roupa ou falar sobre suas preferências deve tentar melhorar a autoestima e livrar-se das paranoias. Saiba como fazer isso.

Tabus da sexualidade feminina

“A mulher que procura melhorar sua aparência usando roupas provocantes, cuidando do e perfumando-se para despertar o interesse do parceiro certamente está com sua sensualidade à flor da pele”, explica a sexóloga. Ao se produzir, ela também se sente melhor, garantindo a autoconfiança que precisa para deixar os medos de lado. “Ao sentir que é bem-sucedida em seu objetivo, sente-se segura e continuará agindo dessa forma sensual.”

Há quem acredite que se masturbar é um erro, por exemplo. Esse é um dos tabus que, além de ultrapassados, podem prejudicar o prazer feminino. A mulher que consequentemente não sabe o que é bom e o que garante bem-estar para si mesma. Por isso, separar um tempo para se divertir e descobrir do que você gosta é, sim, necessário.

sexo anal também é sinônimo de polêmica. Adorado por muitos homens e temido por várias mulheres, o ato deve ser discutido pelos parceiros e praticado, caso os dois se sintam à vontade. Se existe confiança e intimidade, o parceiro irá com calma e você sentirá prazer. O importante é manter diálogo e comentar quando algo está desconfortável.

Mitos e verdades da sexualidade feminina

1. Mulheres não têm tanto desejo sexual quanto os homens

Verdade. Segundo Laura, eles pensam muito mais em sexo que elas e, consequentemente, sentem mais desejo. Enquanto os homens pensam no que pode rolar em uma transa, as mulheres não sentem a necessidade de imaginar e pensar nisso ao longo de todo o dia. Ainda assim, o desejo sexual existe e deve ser explorado.

2. A masturbação pode atrapalhar o prazer sexual com o parceiro

Mito.Ela garante o autoconhecimento e proporciona transas mais quentes. A partir do momento em que você descobre do que gosta, deixa de perder tempo com estímulos que não garantem tanto prazer. De acordo com Laura, a masturbação pode atrapalhar apenas “se a mulher deixar de fazer a relação sexual com o parceiro para se masturbar”.

3. Mulheres apenas sentem prazer por masturbação clitoriana

Mito. É mais fácil sentir prazer com o estímulo clitoriano, fato. Laura destaca que o clitóris é o gatilho do prazer na grande maioria das mulheres. Porém, a também pode garantir boas sensações. O orgasmo vaginal depende muito da prática, da intimidade com o parceiro e do autoconhecimento.

4. O orgasmo feminino é difícil de alcançar

Mito. É fácil, desde que você esteja relaxada e conheça os pontos que garantem mais prazer. O orgasmo feminino, segundo Laura, é difícil nos casos em que a mulher seja sexualmente reprimida ou não esteja excitada. Se o parceiro for empenhado, inclusive, pode garantir sensações únicas e prolongadas.

Mulheres são mais vulneráveis ao HIV

HIV não é sinônimo de AIDS

HIV é a sigla para Vírus da imunodeficiência humana. Este vírus é contraído por meio de relações sexuais, de mãe para filho durante a gravidez ou amamentação, por meio de transfusão sanguínea, seringas e objetos cortantes contaminados. 

A fase inicial da contaminação por HIV é chamada de Síndrome Retroviral. Em muitos casos, ela pode apresentar diversos sintomas temporários, mas que não aparentam sérios por serem confundidos com uma gripe ou virose. Entre eles, estão:

  • Febre Alta
  • Fraqueza
  • Lesões de Pele
  • Dor de Garganta
  • Linfonodos Palpáveis e Indolores
  • Perda de Peso
  • Diarréia
  • Suores Noturnos
  • Dores Musculares

Após aproximadamente 4 semanas, os sintomas desaparecem e o paciente entra na fase latente. Esta fase é assintomática, no entanto, tem o potencial de destruir todo o nosso sistema de defesa, assim, causando a a Síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS).

Daí que surge a importância de se realizar exames periódicos, pois contrair HIV não é sinônimo de contrair AIDS. Quanto antes o diagnóstico for feito, maior será a efetividade do tratamento e, consequentemente, menores serão os danos do sistema imunológico, protegendo o corpo da AIDS.

Os tratamentos de hoje permitem que diversos indivíduos portadores de HIV vivam uma vida inteira saudável sem sequer chegar no estágio da AIDS.

Por que as mulheres estão mais vulneráveis ao HIV?

A superfície do órgão genital feminino é muito maior nas mulheres do que nos homens. Por ser externa, a mucosa da vagina acaba se tornando porta de entrada para o HIV ao ter contato com o esperma soropositivo.

Segundo Rowena Johnston, vice-presidente da Fundação Americana para a Pesquisa da AIDS (amfAR), há indícios de que as próprias defesas do organismo feminino contribuam para facilitar a propagação do vírus pelo corpo.

De acordo com a especialista, a mulher teria um sistema imune mais ativo, o que, em se tratando de vírus como o HIV, pode ser algo ruim. “Como o sistema imunológico passa o tempo todo tentando, sem sucesso, combater esse agente infeccioso, eventualmente ele pode falhar e parar de responder como deveria”, informa Rowena.

Vulnerabilidade social

Além das questões físicas, há também questões sociais. Muitas mulheres casadas não acham que podem contrair a doença do marido, e há solteiras que costumam ter dificuldade em negociar o uso do preservativo com o parceiro. “Sem falar que as mulheres estão muito mais sujeitas a sofrerem violência sexual”, lembra Rowena Johnston, que também é diretora de pesquisa da amfAR.

Aids e mulheres em números: por que você deve ficar alerta

  • Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as mulheres representam mais da metade das pessoas infectadas pelo vírus HIV no mundo inteiro.
  • De todas as mortes causadas pela aids no Brasil até 2012 28,4% ocorreram entre mulheres, de acordo com o Boletim Epidemiológico Aids HIV/Aids 2013.
  • O documento do Ministério da Saúde também aponta que a única faixa etária em que o número de casos de aids é maior entre as mulheres é de 13 a 19 anos.
  • No sexo feminino, 86,8% dos casos registrados em 2012 decorreram de relações heterossexuais com pessoas infectadas pelo HIV, segundo o boletim.

 

Prevenção e cuidados

Camisinha

A camisinha ou preservativo continua sendo o método mais eficaz para prevenir muitas doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids, a sífilis, a gonorreia e alguns tipos de hepatites em qualquer tipo de relação sexual (anal, oral ou vaginal), seja homem com mulher, homem com homem ou mulher com mulher.

Cuidado com objetos cortantes

Devido a possibilidade de se transmitir o vírus HIV durante o compartilhamento de objetos perfuro-cortantes, que entrem em contato direto com o sangue, é indicado o uso de objetos descartáveis. Se os instrumentos não forem descartáveis, como lâmina de depilação, navalhas e alicates de unha, é recomendável que se faça uma esterilização simples (fervendo, passando álcool ou água sanitária).

Atenção à transfusões sanguíneas

O contagio de diversas doenças, principalmente do vírus HIV, através da transfusão de sangue e da doação de órgãos tem contribuído para que as instituições de coleta selecionem criteriosamente seus doadores e adotem regras rígidas para testar, transportar, estocar e transfundir o material. Estes procedimentos estão garantindo cada vez mais um número menor de casos de transmissão de doenças através da transfusão de sangue e da doação de órgãos.

Prevenção no uso de drogas injetáveis

Os usuários de drogas injetáveis também precisam tomar alguns cuidados: Ter matérias de uso próprio (seringa, agulha, etc) e não compartilhá-los com outros usuários; Não reutilizar as agulhas e seringas; Descartar os instrumentos em local seguro, dentro de uma caixa ou embalagem.

Gravidez

É importante que toda mulher grávida faça o teste que identifica a presença do vírus HIV. Se o exame for positivo, a gestante vai receber um tratamento adequado para evitar a transmissão para o filho na hora do parto.

A gestante soropositiva recebe ao longo da gravidez e no momento do parto medicamentos indicados pelo médico. Até as seis primeiras semanas de vida, o recém nascido também deverá fazer uso das drogas.

Como a transmissão do HIV de mãe para filho também pode acontecer durante a amamentação, através do leite materno, será necessário substituir o leito materno por leite artificial ou humano processado em bancos de leite que fazem aconselhamento e triagem das doadoras.

Sexo e gravidez combinam?

Um casal continua sendo um casal durante a gravidez e suas vontades e necessidades continuam existindo.

Os médicos afirmam seguramente que não há motivos para decretar greve de sexo se a gestação é de baixo risco. No entanto, a penetração não é aconselhável quando há:

  • Risco ou histórico de aborto espontâneo;
  • Risco de parto prematuro;
  • Sangramento vaginal antes da causa ser conhecida;
  • Problemas no saco amniótico;
  • Histórico de insuficiência de colo do útero;
  • Placenta prévia (também chamada de placenta baixa), quando a placenta está cobrindo o colo do útero;
  • Gestações de gêmeos, trigêmeos, etc.

Mas não é só a possibilidade de riscos que podem alterar a frequência das relações durante a espera de um bebê. As vontades da mulher também tem grande influência nisso tudo.

No primeiro trimestre, o desejo sexual pode perder para os enjoos, vômitos, dor os seios, cansaço e sono. Na ausência desses sintomas, é mais provável que a mulher tenha mais apetite sexual.

A mulher diz adeus a maioria dos sintomas no segundo semestre e passa a se sentir mais bonita, enérgica e mais sensível, principalmente na região pélvica, devido ao aumento de irrigação sanguínea.

O barrigão marca presença no terceiro semestre, mas não anula a atividade sexual, se ambos os parceiros desejarem. Tentar posições mais confortáveis, como a mulher por cima, de lado ou em quatro apoios, é uma forma interessante de manter a relação tranquila. Quando a gravidez é saudável, o sexo é possível até o momento da bolsa estourar, inclusive pode até induzir o trabalho de parto.

A maior dica de todas é:  conversa. Consigo mesma, com o parceiro e, principalmente, com o médico.

 

 

Sempre conte os seus segredos para o ginecologista

Parece que não, mas muitas mulheres tem medo de compartilhar seus detalhes íntimos com os ginecologistas. Entendemos que é complicado se abrir com uma pessoa “estranha”, no entanto, não cabe ao médico te julgar e sim te acolher, ajudar e orientar. 

Vamos falar sobre algumas informações importantes que devem ser ditas em uma consulta ginecológica.

Aborto

É essencial mencionar se você  passou por abortos anteriormente, voluntários ou espontâneos. Abortos podem causar cicatrizes na cavidade do útero que facilitam o desenvolvimento da Síndrome de Asherman. Entre os sintomas desta síndrome, estão a dificuldade de engravidar, ausência de menstruação, abortos de repetição, problemas na placenta se a mulher conseguir engravidar, e nos piores casos, infertilidade e dor pélvica crônica.

Parceiros (as)

Às vezes é difícil contar para o médico que você tem mais de um(a) parceiro(a), né? Mas não tem problema nenhum nisso! Você tem quantos parceiros(as) quiser. O importante é se proteger direitinho para não ter riscos maiores de adquirir ou transmitir infecções sexualmente transmissíveis. Usar camisinha pode parecer suficiente, mas pois bem…Não é bem assim! Quando a penetração acontece em mais de um orifício,  é necessário trocar a camisinha.

Hábitos 

Hábitos como fumar, beber, usar drogas ilícitas, ou até mesmo, de se automedicar influenciam no tratamento de certas doenças. Se o ginecologista não souber desses hábitos, ele pode acabar te receitando um remédio que faça mal a quem consome drogas licitas ou ilícitas.

Por exemplo, fumar e tomar anticoncepcional ao mesmo tempo pode aumentar em 30 vezes a incidência de infarto, derrame ou trombose.

Dúvidas

Dúvidas sobre métodos de contracepção também é algo comum, até mesmo entre mulheres que tem uma vida sexual ativa há bastante tempo. Mas não tem problema não saber tudo, principalmente quando se trata da sua saúde. Somente o ginecologista tem conhecimento de qual é a melhor alternativa para você, além dos riscos e benefícios de cada tipo de tratamento. Seu papel é escolher qual das opções oferecidas te agrada mais.

Acontecimentos

Revelar se já fez sexo desprotegido, os tipos de sexo que costuma fazer (oral, vaginal e anal), se já sofreu abusos, entre outros detalhes, também é importante. A consulta não é apenas uma orientação ginecológica, é um momento para se abrir, ser compreendida, ser ouvida e encontrar formas de melhorar sua saúde física e mental. A vida sexual diz muito sobre o nosso psicológico.

Como tratar disfunção sexual feminina no consultório de ginecologia?

Faz parte do dia a dia de diversas especialidades, e principalmente da Ginecologia, ouvir queixas relacionadas à perda de libido, dispareunia  e ressecamento vaginal. A disfunção sexual (DS) acomete diversas faixas etárias, e impacta diretamente na qualidade de vida das mulheres.

Primeiro passo: identificar os fatores relacionados

O primeiro passo dessa abordagem é conhecer e tentar identificar os fatores que podem estar associados à queixa de disfunção:

 Condições médicas Diabetes, hipertensão arterial, tireoidopatias, neuropatias, dor pélvica crônica, depressão, ansiedade, hipoestrogenismo, hiperprolactinemia, hipoandrogenismo
Medicamentos Benzodiazepínicos, antidepressivos tricíclicos, inibidores da recaptação da serotonina (ISRSs), antipsicóticos antidopaminérgicos, antiandrogênicos (ciproterona, espironolactona), betabloqueadores adrenérgicos (propanolol), anti-hipertensivos de ação central (metildopa, reserpina), bloqueadores H2 histamina (cimetidina, ranitidina), anticoncepcionais hormonais
Didáticas e relacionais Relação conflituosa, de longa duração, rotina relacional, ausência do ritual de sedução, preliminares insuficientes, disfunção sexual da parceria
Aspectos socioculturais Costumes, valores, tabu e mitos, autoestima rebaixada, valores negativos em relação à sexualidade
Violência Sexual Abuso sexual, estupro
Quebra de contrato Traições cursam com desejo sexual hipoativo (DSH) e dificuldade de entrega
Repressão sexual Familiar, religiosa e social no processo de formação da sexualidade induz ao sentimento negativo em relação a sua sexualidade e inibe a expressão sexual
Hormonais Hiperprolactinemia, hipotireoidismo, hipoestrogenismo e hipoandrogenismo, anticoncepcionais hormonais
Desconhecimento da anatomiagenital e da resposta sexual Repertório sexual limitado, inibição, dificuldade de entrega
Disfunção sexual prévia Alteração em uma fase da resposta sexual pode desencadear disfunção de outra fase. Ex.: anorgasmia primária pode levar ao DSH, disfunção de excitação ou dor durante a relação sexual

*Adaptado de: Lara LA, Lopes GP, Scalco SC, Vale FB, Rufino AC, Troncon JK, et al. Tratamento das disfunções sexuais no consultório do ginecologista. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo); 2018. (Protocolo Febrasgo – Ginecologia, nº 11/Comissão Nacional Especializada em Sexologia).

O tratamento em si

O tratamento das DS consiste principalmente na educação e na terapia sexual, podendo ser individual e de casal, associando ou não medicações. A educação sexual se inicia com a explicação ao paciente sobre a anatomia e o funcionamento normativo da resposta sexual, resumido no modelo EOP :

E: ensinar sobre resposta sexual que inclui as três fases: desejo, excitação e orgasmo

O: Orientar sobre saúde sexual, oferecendo informações sobre a importância da sexualidade durante toda a vida, sobre ISTs e os métodos anticoncepcionais.

P: Permitir e estimular o prazer sexual, explicar que o sexo é uma função biológica importante para o bem-estar físico e emocional da pessoa, que todos têm a capacidade e o direito de sentir prazer sexual.

A TS foca no componente sensorial e visa diminuir a aversão aos toques sensuais ou a atividade sexual devido à ansiedade; melhorar a comunicação sexual e a intimidade do casal, reintroduzindo a atividade sexual de forma gradual.

Tratamento Hormonal

Nos casos em que a queixa de diminuição do desejo vem associada a manifestações clínicas da menopausa, como sintomas vasomotores e síndrome urogenital, a terapia hormonal está indicada, Pode ser administrado estrogênio, tibolona, ou testosterona.

Quando a disfunção de excitação está associada ao ressecamento vaginal na peri e pós-menopausa, a terapia hormonal tópica pode resolver a queixa. Está indicada a prescrição de creme de estrogênio conjugado 0,625 mg/g; creme de estradiol 100 mcg/g, creme de estriol 1 mg e promestrieno creme vaginal 1% (10 mg/g) ou promestrieno cápsula vaginal 10 mg. Uso local, intravaginal, contínuo, à noite, durante duas a três semanas e, em seguida, duas a três vezes por semana para manutenção.

A testosterona de uso cada vez mais corriqueiro na população feminina, de fato, melhora todas as fases da resposta sexual. A aplicação de testosterona transdérmica é efetiva no tratamento do DS em mulheres na pós-menopausa (Grau de evidência A), bem como em mulheres nos últimos anos da menacme (Grau de evidência B). E seu uso por período curto, até 3 anos, é seguro. Porém, caso não haja resposta terapêutica em até seis meses, o uso da testosterona deve ser descontinuado (Grau de evidência A).

No momento, nenhuma preparação para a terapia com testosterona foi deliberado pela FDA e Anvisa, mas pode ser manipulada nas doses de 300 μg/dia em adesivos colados na pele do abdome, ou em 1 grama de gel alcoólico ou Pentravan® aplicado na pele, duas vezes por semana.

As contraindicações de testosterona em mulheres são as mesmas para o uso de estrogênio e incluem alopecia androgênica, acne, hirsutismo, hipertrigliceridemia e transtorno hepático. Para o caso mulheres em uso de anticoncepcional hormonal com queixa de DS, pode-se trocar o método por outro não hormonal, como o DIU de cobre, progestagênio oral ou DIU com levonorgestrel.

Terapia Não Hormonal

O uso de medicamentos do sistema nervoso central como flibanserina , bupropiona , trazadona, e buspirona podem ser efetivos na resposta sexual, e são uma opção em casos de contra indicação à terapia hormonal. Tem como desvantagens seus múltiplos efeitos adversos. É preciso levar em conta que, se o relacionamento conjugal não for satisfatório, as medidas para melhorar a DS são quase sempre ineficazes.

Por ultimo, deve-se atentar aos casos  de vulvodínea e vaginismo. O tratamento deve ser multidisciplinar, envolvendo medicamentos sintomáticos, fisioterapia, psicologia e, até mesmo, em alguns casos, intervenção cirúrgica.

Fonte: Pebmed

Mulheres contam como foram suas primeiras transas após o parto

A doula e consultora de amamentação e sexualidade Patrícia Ramos, do Rio de Janeiro (RJ), não exercia a profissão de formação até ter um bebê: ela é psicóloga. Mas sentiu que deveria começar a atender como terapeuta ao sentir na pele a pressão social para voltar a ter relações sexuais com penetração com o namorado. Atualmente, ela dá apoio psicológico para mulheres durante a gestação e após o nascimento da criança. “Depois do nascimento, ela vira uma outra pessoa, responsável por outro ser”, diz. Por isso, voltar a transar é parecido com a primeira vez, mas com mais maturidade. “É como se fosse um novo início da vida sexual.”

A ginecologista, obstetra e palestrante do SIAPARTO (Simpósio Internacional de Assistência ao Parto) Ana Thais Vargas, de São Paulo (SP), explica que, mesmo após os 40 dias de resguardo, é comum que uma mulher que se tornou mãe não tenha vontade de fazer sexo com penetração. “Do ponto de vista hormonal, ela não está aberta para a reprodução. Como há um aumento de prolactina, que produz leite, acontece também a diminuição do estrogênio, que é o responsável pela lubrificação e pelo tônus da vagina. Por isso, a mulher fica pouquíssimo lubrificada e a libido cai bastante”, afirma.

Algumas mulheres relatam, ainda, que sentem dor na primeira relação sexual. “São vários os motivos para isso: o medo de ser penetrada e se ferir por causa das dilacerações e suturas feitas durante o parto”, diz Ana Thais. A especialista pontua, no entanto, que o fator que mais influencia a sensação de dor é o aspecto psicológico da mulher, que não está pronta para transar, mas se sente pressionada a fazer sexo mesmo não estando confortável. “Por isso, é importante que ela só tenha relações quando estiver à vontade. Seja antes ou depois dos 40 dias de resguardo ou até um ano depois. Não importa”, afirma.

Veja alguns relatos sobre as primeiras vezes de algumas mulheres:

 

“O meu corpo mexeu bastante com o meu emocional”

“Tive uma experiência um pouco diferente de outras mães que conheço. Foi um pouco tenso, porque eu estava com a minha libido superalta, mas, ao mesmo tempo, tinha a rotina com o recém-nascido. Existia o desejo, mas não existia a energia ou a ocasião.

O que marcou bastante esse momento foi o fato de que eu não estava reconhecendo direito o meu corpo. Ele não era o corpo de grávida, mas também não era o meu corpo de antes. Eu tinha medo de me sentir rejeitada pelo meu parceiro e de estar com a vagina muito “larga”, por ter feito o parto normal. Horrível dizer isso assim, mas é o que vem à nossa cabeça.

Foi um momento, então, de tentar me entender e aceitar. Tentar relaxar, aproveitar a liberdade física recém-adquirida. O que eu mais sentia falta era o de conseguir transar beijando, ter movimentos mais fluidos, que o final da gravidez não permitia.

“Tive uma experiência um pouco diferente de outras mães que conheço. Foi um pouco tenso, porque eu estava com a minha libido superalta, mas, ao mesmo tempo, tinha a rotina com o recém-nascido. Existia o desejo, mas não existia a energia ou a ocasião.

Letícia Abraão, 28, publiciária, de São Paulo (SP)

“Perguntei quando tirariam as facas de dentro da minha vagina”

“Esperei o resguardo terminar achando que o sexo seria ótimo como sempre. Os primeiros 40 dias do bebê são tão complexos que a gente tem pouco tempo para pensar em sexo, mas quando o resguardo estava perto de terminar, começou a bater a ansiedade. Meu principal medo era deixar de ser vista como ‘mulher’ e passar a ser vista como ‘mãe’ pelo meu marido.

A primeira vez que transamos foi assustadora. Eu estava muito ressecada, a impressão era a de que eu estava na menopausa. Nada de orgasmo. Logo em seguida mandei mensagem para o meu médico perguntando: ‘quando vão tirar as facas de dentro da minha vagina?’. Ele riu e me jurou que logo passaria.

Voltei a ter orgasmos apenas na terceira vez. Foi menos intenso do que o normal, mas acho isso aconteceu porque eu ainda estava encanada com a cicatriz da cesárea e com o fato de não poder tirar o sutiã porque meu peito pingava leite.

Nesse momento, ter um ‘parceiro’ de verdade como marido fez toda a diferença. Eu me sentia linda, amada, protegida e compreendida. As ‘facas’ foram embora, eu entendi que dá para ser mãe e mulher.”

Fabiola Zagordo, 41, servidora pública, de São Paulo (SP)

 

“Era como se minha vagina tivesse atrofiado”

“Foi normal esperar, até porque a minha libido despencou. Era muito cansaço, muita privação de sono. Fizemos sexo pela primeira vez depois de uns dois meses mais ou menos desde o nascimento de Aurora. Mesmo após o sangramento, eu ainda sentia incômodo no períneo porque tive laceração e levei dois pontinhos durante o parto normal.

Não estava com muita vontade, mas estava mais curiosa para saber como seria. Sentia falta do prazer do sexo, mesmo sem estar com vontade de ter a relação, por isso resolvemos fazer a penetração.

Na primeira vez, eu senti dor. Era uma dor muscular interna bem difícil de explicar. Nunca havia sentido isso antes. Parecia atrofiado, mesmo com lubrificante. Posições que sempre foram confortáveis pareciam horríveis. Quase todas elas doíam, a única que não era a de ladinho. O fato de eu ter tido parto normal pode ter contribuído para o incômodo. A lubrificação também ficou comprometida pela questão hormonal.

Aos poucos fui descobrindo novas maneiras de fazer gostoso. Tudo acabou voltando ao normal e não sinto mais diferença do que era antes.”

Ana Sanches, 32, estilista, de São Paulo (SP)

“Fomos nos adaptando, procurando novas formas de fazer sexo”

“Por causa de toda a rotina com o recém-nascido e por não estar segura com o meu corpo, eu não estava com muita vontade de fazer sexo. Porém, mais do que da relação, eu sentia falta de estar mais próxima do meu marido. E, para conseguir ter uma relação sexual, eu queria estar com ele mais tempo, para jantar e entrar no clima.

Quando aconteceu, eu não tive muito medo de fazer penetração, mas sabia que podia sentir dor. A primeira vez que transamos eu não tive o orgasmo, porque a lubrificação estava muito diferente. Minha vagina estava completamente seca. Isso aumenta o medo de machucar. Por causa da falta de lubrificação, a penetração doía. Sentia um desconforto tanto durante a relação como depois. Era como se fosse uma cólica bem forte. Mas a gente foi se adaptando, compramos lubrificante, encontramos outras posições. Demorou umas cinco transas para eu realmente voltar a curtir a penetração e, finalmente, ter um orgasmo.”

Carolina Sanchez, 29, analista de sinistros, de São Paulo (SP)

Fonte: UOL

Mulheres de 60 a 90 anos falam sobre sexualidade, juventude e liberdade

Muitos acontecimentos transformaram a vida da mulher brasileira nos últimos 90 anos; Beatriz Custódio que o diga. Pela idade, ela viveu a conquista do direito ao voto em 1934, a chegada do anticoncepcional em 1960, a sanção da lei do divórcio em 1977, a lei Maria da Penha em 2006 e a lei do feminicídio em 2015 – isso só para citar os mais conhecidos.

Embora reconheça os avanços, ela acha que, em alguns aspectos, são um tanto exagerados. “Era tudo muito familiar, muito puro. Hoje é uma anarquia que a gente nem entende mais nada.”

Essa é a percepção dela sobre a diferença de comportamento entre as mulheres de hoje e da época em que era mais jovem. Essa “liberdade exagerada” dos dias atuais é um ponto em comum às quatro mulheres com quem o a reportagem conversou para este Dia Internacional da Mulher, a mais jovem delas com 67 anos de idade. Ao mesmo tempo, é nessa fase da vida que todas se dizem mais livres para fazer o que quiserem, quando quiserem e com quem quiserem.

Diferente do que se vê na sociedade, principalmente em redes sociais, a experiência dos anos vividos lhes presentearam com sensatez. “A gente não pode criticar, porque são momentos que você vive e você vai procurar viver do jeito que puder. Hoje, eu não tenho nem condições, mas criticar o que nas pessoas?”, emenda Beatriz no auge de seus 89 anos. Ela se considera uma mulher feliz atualmente e a justificativa é simples e saudosa: “tive uma infância saudável”.

Linda Buono também tem lá suas opiniões, mas não critica, porque acha que cada um tem de viver do jeito que quiser. “Esse negócio de mulher com mulher eu fico meio assim, mas aceito porque a vida é delas e eu não tenho nada a ver com isso. É que eu sou velha, a liberdade ficou bem aberta mesmo, não é como antigamente. Estranho, mas não sou contra, a vida é de cada um”, diz e por diversas vezes questiona se suas respostas estão certas.

Para ela, ser mulher nessa fase da vida é “excelente”. Linda só lamenta a perna direita que passou por quatro cirurgias após uma queda, a faz caminhar com dificuldade e a impede de realizar atividades fora de casa. “Sei que sou velha, mas se eu tivesse a perna boa, seria a mesma de quando eu tinha 20 anos. Mas eu me sinto muito bem com meus 84 anos.”

Esse estar bem com a idade não é só percepção delas, está comprovado na pesquisa O Brasil 60+. Para 51,1% das duas mil pessoas entrevistadas, entre homens e mulheres, ter passado dos 60 anos é viver como em qualquer outra idade. Além disso, 30,8% consideram que é nessa fase que estão mais livres para fazer o que quiserem.

“(Ser mulher nessa fase) é uma coisa maravilhosa, porque aos 76 anos você não tem mais a preocupação de ser bonita ou de estar dentro da moda. Eu gosto de estar bem comigo mesma, de estar livre para vestir o que eu gosto, de não seguir o que é ditado”, afirma Sylvette Laniado, uma mulher que, desde os 14 anos morando no Brasil, não perdeu o sotaque característico de quem é estrangeiro – do Egito, no caso dela.

Interessada por assuntos diversos, como finanças, geografia e games (ela faz aulas de programação de jogos, inclusive), Sylvette considera que o direito ao voto foi uma das maiores conquistas das mulheres. “Foi a primeira vez que a mulher não se sentiu objeto, se sentiu um ser humano completo.” Mas outra conquista moderna lhe parece mais vantajosa. “A conquista de quem criou o ‘modess’. Você já imaginou aqueles panos que tínhamos que lavar antigamente? Era horrível”, conta, entre risadas, ao falar sobre o absorvente íntimo descartável que só chegou ao Brasil na década de 1930.

De lá para cá, a liberdade das mulheres alcançou outros âmbitos e no que diz respeito a comportamento, por exemplo, está “muito liberal” hoje em dia, segundo Regina Franco Caporici, de 67 anos. “Antes era uma juventude mais sadia. Hoje eu falo: ‘gente, vocês não viveram nada do que o mundo proporcionou de coisas boas’, mas cada fase é uma fase. Vamos em frente, porque as coisas tendem a mudar mais e eu quero ver mais mudanças.”

Sexualidade após os 60 anos

Sem pudores, essas quatro mulheres falam (quase) abertamente sobre sexo e desejos em uma fase da vida na qual a sociedade vê pessoas dessexualizadas. Conforme pesquisa sobre o perfil dos 60+, sexualidade não é um tabu entre esse público, mas os participantes admitem que tiveram de se reinventar para entender a dinâmica da sociedade atual.

“Não sei se é se reinventar. A gente, como mulher, sabe até onde vai nossa sexualidade e essa coisa de ter 50, 60 anos é a mesma coisa. Quando a pessoa passar (pela fase), vai ver que é a mesma coisa”, diz Regina. “É até mais prazeroso porque você não tem aquelas preocupações que tinha de ‘ah, eu tenho que estar preparada’. A liberdade sexual é tratada, após os 60, com mais carinho, com mais suavidade.”

Sylvette concorda. “A sexualidade continua também aos 76, ela pode ser transformada. Não é mais aquele fogo dos 20, 30 [anos], aquele ímpeto, mas ela toma uma forma mais gostosa. Se você estiver vivendo com uma pessoa durante muito tempo, conhece os gostos do outro. É uma coisa que, entre as duas pessoas, não faz diferença, é importante, faz parte da vida e permanece”, diz.

Demonstrando a liberdade que diz sempre ter tido, ela questiona: “O que impede que eu tenha sexo? Por que não? A gente sente, tem a mesma vontade”. A resposta vem de Linda, um tanto envergonhada e com resquícios de privação. “Até quando meu marido funcionou, não foi tabu, foi tudo normal e bom. Agora depois de velho, vixe Maria… (risos) Mas já sou velha, não preciso mais disso”, afirma e admite que “intimidade existe” com o marido que tem mal de Alzheimer.

Beatriz, cujo marido morreu há dois anos, tende a relembrar o passado quando o assunto é liberdade sexual. Ela é exemplo de como, de fato, os tempos são outros. “Eu fui solteira, conheci meu marido, naquele tempo era vestido branco, grinalda, tudo muito certinho. Acertamos casamento, tudo, sem nada de sexo, nem falar disso falava.”

Em um ponto, todas concordam: depois dos 60 anos, importa muito mais a qualidade do sexo do que a quantidade. “Carinho, afeição e toque”, diz Sylvette. “Mais diálogo e carinho do que o sexo em si. As carícias vêm automaticamente, mas o sexo não é mais prioridade”, afirma Regina.

Feministas?

“Eu prefiro ser feminina”, declara Regina, que diz não saber até que ponto o feminismo é bom ou ruim para as mulheres. Mãe de três homens e avó de um jovem de 15 anos, ela teve o último filho aos 41 anos, com o segundo marido – de quem se separou -, e ignorou as críticas de quem a chamava de “doida” por ser mãe ‘velha’.

No trabalho, comandava uma equipe de 16 homens, sempre foi respeitada e por vezes pegava estrada em caminhão. Viúva do primeiro marido, ela teve de ir à luta para dar uma vida com mais conforto aos filhos.

Nesse quesito, apesar do relato, Sylvete não se considera feminista. “Acho que nunca fui dessas mulheres, que fui feminista, porque eu sempre trabalhei, sempre lutei e tentei conservar dentro de mim também o meu lar particular”. Conforme a conversa seguiu para o preconceito contra as mulheres, ela reconsiderou: “De certa forma, sou feminista, sim, sempre fui à luta pela liberdade, não admito o machismo”.

Beatriz não entende bem o termo, mas conta que desde jovem fazia serviços que muitos homens não faziam. Hoje, acha errado que elas ganhem menos do que eles exercendo a mesma função e considera qualquer serviço apto a uma mulher. “Se a gente consegue fazer, por que não?”

Fonte: Istoé

“Não nos podemos sentar no sofá à espera que o desejo apareça”

Para o presidente da Associação Mundial de Saúde Sexual (WAS), Pedro Nobre, é um mito dizer que “o desejo sexual vem espontaneamente”, assim como que os homens estão sempre prontos para o sexo. Essa crença de “macho” até lhes pode causar alguns problemas. E quando não há desejo? Há que criar estímulos eróticos e até fantasias sexuais e pensamentos positivos numa relação, responde. Estes são alguns dos temas abordados naquele que classifica como o “primeiro doutoramento em Portugal e único na Europa” em Sexualidade, na Universidade do Porto. E que conta com especialistas nas áreas de sexologia clínica, do género e identidades sexuais, educação sexual, medicina sexual, e saúde sexual e reprodutiva.

O também director do SexLab da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto diz que “existe uma necessidade crescente de formação avançada e especializada na área da sexualidade”. Estes doutorandos poderão depois investigar e intervir nas várias dimensões da sexualidade e “promover a saúde sexual que é uma necessidade básica de todos, mas a que tem sido dada pouca atenção”, alerta.

É um mito dizer que o homem tem sempre desejo sexual?
Tradicionalmente os homens referem ter mais desejo sexual do que as mulheres. A grande maioria dos estudos mostra isso. No entanto, estamos sempre a falar de estudos que dependem da resposta das próprias pessoas (e por isso sempre subjectivas). É verdade que os homens têm mais testosterona (hormona relacionada com o desejo) e que, segundo as teorias evolucionistas, é fácil explicar por motivos reprodutivos um maior desejo nos homens comparativamente às mulheres. Mas também é importante perceber que a diversidade é a “norma”. Ou seja, há entre os homens e entre as mulheres uma grande diversidade, e por isso há muitas mulheres com desejo sexual elevado (e maior do que muitos homens) e vice-versa. Isto cria um problema acrescido a muitos homens, uma vez que a crença de que estes devem estar sempre prontos e ter actividade sexual sempre que possível é muito central e definidora da masculinidade.

Quer dizer que este mito pode causar graves problemas no homem, no seu desempenho sexual?
Para um homem que se identifica com esta crença, será muito difícil reconhecer abertamente quando o seu desejo não é tão elevado como seria suposto, e também lidar com a “pressão” de se comparar com o mito da masculinidade/infalibilidade sexual. Por isso, também tradicionalmente existem muito mais mulheres a “queixarem-se” de baixo desejo comparativamente aos homens.

Nos dias de hoje, quem tem mais vontade? Eles ou elas, porquê?
Curiosamente e, apesar de historicamente os homens relatarem mais desejo sexual, cada vez mais vemos homens a queixarem-se de problemas de desejo e a procurarem ajuda. Os estudos mais recentes mostram uma tendência clara para este aumento, curiosamente mais visível em países ditos desenvolvidos e mais equitativos em termos de igualdade de género. O que pode significar uma menor adesão às crenças de masculinidade por parte dos homens e maior capacidade de reconhecer o baixo desejo. Outro aspecto muito importante é a discrepância do desejo nos casais. Isto tem sido estudado e significa que, muitas vezes, o mais importante não é se o desejo é alto ou baixo, mas o nível de compatibilidade no seio de um casal. Podemos ter casais em que ambos têm baixo desejo e que isso é vivenciado como não problemático e adaptativo. E depois podemos ter casos onde o problema não é o baixo nível de desejo, mas o facto de um dos membros ter muito mais desejo do que o outro e isto pode acontecer quer a homens quer a mulheres. Nestes casos, muitas vezes isto é vivido com grande angústia e o problema não é o baixo ou elevado desejo em cada um, mas sim a compatibilidade no desejo.

Quando isso acontece, o que é que os casais podem fazer?
Nestes casos, a comunicação sexual é fundamental numa relação. Reconhecer que o desejo é muito diferente é um ponto de partida e depois procurar “negociar” estratégias para que ambos possam ter satisfeitos os seus desejos é a via mais frutífera. Obviamente isto está longe de ser fácil para muitos casais, mas pensar que se resolve sem investimento, partilha e comunicação/negociação, é um mito. E as nossas crenças sobre a sexualidade, o papel tradicional do homem (como activo) e da mulher (como passiva), acabam, muitas vezes, por não ajudar.

Existem segredos para ter uma vida sexual gratificante numa relação amorosa de longa duração?
Não existem segredos nem receitas iguais para todos, uma vez que a forma como cada um vive a sexualidade é muito própria e a diversidade é a norma. Curiosamente, a questão da diversidade nos comportamentos, preferências e fantasias sexuais foi uma das principais conclusões do histórico estudo conduzido por Kinsey nos anos 40 e 50 do século XX, nos Estados Unidos da América. No entanto, há aspectos importantes que devem ser tidos em conta. Alguns estudos, sobre o que melhor prediz a satisfação sexual, sugerem que mais do que medir se o pénis tem uma erecção de cinco, dez ou 20 centímetros ou estar preocupado com o tamanho do pénis, ou com a aparência física e o desempenho sexual – e isto são preocupações de muitos homens e mulheres –, aquilo que parece determinar mais a satisfação sexual das pessoas são os pensamentos sexuais e as emoções positivas com que vivem as experiências sexuais.

Defende, então, nos seus estudos que a parte cognitiva é mais importante?
Os estudos mostram isso claramente. Se uma mulher ou homem estiver sobretudo centrado no tamanho do pénis ou das ancas, ou no que quer que seja relacionado com a imagem corporal ou desempenho, dificilmente vai ter uma experiência sexual prazerosa e satisfatória, estejam com quem estiverem. Se não estivermos atentos e focados nas pistas e estímulos eróticos e no prazer – o que pode ser através de pensamentos ou fantasias –, dificilmente teremos uma experiência sexual satisfatória.

Alguns destes dados resultam de estudos que realizam no laboratório SexLab?
Sim, e que mostram que, independentemente da idade, da condição física e da duração da relação, o mais importante para explicar a resposta sexual e mesmo o desejo sexual é a forma como a pessoa vivencia em termos de pensamentos sexuais e emoções positivas a própria experiência sexual. Portanto, se queremos ter uma vida sexual mais satisfatória, temos de criar condições para aumentar a nossa capacidade para focar a atenção em estímulos eróticos e emoções positivas no decorrer de uma relação.

Que tipo de estratégias é que os casais podem adoptar?
As estratégias podem depender de pessoa para pessoa, mas implicam criar condições para ter uma experiência sexual gratificante e prazerosa com o nosso parceiro ou parceira. E também depende, em grande medida, da forma como numa relação ambos os parceiros partilham desejos semelhantes ou estão abertos para partilhar os desejos e preferências do outro. Ou seja, a comunicação sexual e a capacidade de integrar e aceitar as preferências do parceiro também são fundamentais.

Como é que o podem fazer?
Não há nenhuma dica simples, porque aquilo que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Mas se quiserem ter uma vida sexual prazerosa e satisfatória têm de investir, ter tempo, e motivação. Existe um mito de que o desejo é sempre espontâneo e que todos devemos ter desejo para nos envolvermos sexualmente. E muitos homens e sobretudo mulheres (muitas vezes em relações de longa duração) se queixam que o seu desejo já não é o mesmo do que quando começaram a relação. E muitos acham que isto significa o fim da relação ou é um grave problema que deve ser tratado (incluindo com medicação). No entanto, e retirando casos mais extremos onde existem problemas médicos (doenças endócrinas que diminuem o desejo), na maior parte das situações o que temos é uma diminuição do desejo espontâneo que ocorre na maior parte dos casais ao longo do tempo.

O que fazer?
A boa notícia é que mesmo quando o desejo espontâneo é baixo todos nós temos capacidade para responder e ter desejo perante situações e estímulos eróticos. A isto chamamos desejo responsivo, o que implica estar disponível e motivado para nos envolvermos sexualmente e quando a situação se proporciona termos uma resposta sexual e também desejo sexual. Mas é preciso criar condições e um contexto erótico, onde haja estímulos que nos façam ter prazer e aumentem a nossa vontade e isso tudo facilita a resposta sexual e o desejo de continuarmos a envolver-nos sexualmente.

Porque é que refere que o desejo espontâneo é um mito?
Há desejo espontâneo, sim. Mas pensar que temos de esperar pelo desejo espontâneo para ter uma vida sexual satisfatória é o início de algo que não vai correr bem. Por exemplo, quando estamos numa relação estável há dez anos e já não estamos na fase da paixão, da descoberta, onde tudo tem um carácter mais erotizado, o desejo sexual espontâneo (sobretudo pelo parceiro/a) não surge tão frequentemente. Menos ainda, quando se tem filhos, tarefas exigentes, se sai tarde do trabalho, e temos cansaço acumulado. Seja que tipo de relação for (homossexual, heterossexual ou até poliamorosa), a grande questão é que as pessoas têm de criar momentos e isso significa pensar nisso, estabelecer prioridades na agenda: um dia, uma tarde ou noite para poder estar com os parceiros para criar condições para que haja envolvimento sexual, o prazer possa surgir e o desejo também.

Defende, então, que se deve investir na vida sexual.
Imaginemos que temos um jantar romântico ou outra coisa, e depois disso sentamo-nos no sofá e o desejo não vem. Não é assim. Não nos podemos sentar no sofá à espera que o desejo apareça, porque a probabilidade é volátil. A pessoa tem de investir e isso depende de cada um e pode ser através de fantasias, de estímulos visuais ou auditivos, de uma carícia, um toque ou através de mil e um pormenores. Mas é preciso investir. Normalmente, as pessoas sabem o que o outro gosta e o que o faz sentir mais desejado. Se isso for feito, o desejo acaba por vir.

É possível ter uma relação onde a parte sexual não existe?
Sim. É mais difícil obviamente, mas há pessoas para quem a vida sexual é menos importante do que para outras. O prazer sexual é fundamental para a grande maioria das pessoas, mas há, por exemplo, pessoas que se identificam como assexuais e que preferem viver uma vida saudável e satisfatória sem vida sexual (e existem estudos que o demonstram). Quem somos nós para as rotular como patológicas?

Fonte: Público

Ministro da Saúde defende educação sexual nas escolas

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, defendeu, no último dia 08, a educação sexual nas escolas. “Acho que tem que fazer, não dá para não fazer”, disse à Agência Brasil. A pergunta foi feita após cerimônia de assinatura de parceria entre ministérios para prevenção da gravidez na adolescência.

Segundo o Ministério da Saúde, a taxa de gravidez na adolescência no Brasil é de cerca de 56 adolescentes a cada grupo de 1 mil. Número maior que a taxa internacional, que é de cerca de 49 a cada 1 mil. Segundo a pasta, embora esse número esteja alto, houve, entre 2010 e 2017, redução de 13% de bebês de mães adolescentes. Meninas negras representam a maior proporção entre essas mães: 19,7% pardas e 15,3% pretas, seguindo a classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para o ministro da Saúde, a educação tem um papel importante na redução desses indicadores. Ele disse que a gravidez está relacionada ao abandono escolar, que, por sua vez, leva a um aumento da mortalidade infantil. “A evasão escolar é problema para a saúde pública”, disse.

Saúde na Escola

Também presente na cerimônia, o ministro da Educação, Ricardo Vélez, disse que o programa Saúde na Escola poderá ser atualizado. “No contexto do Ministério da Educação, temos as pautas de formação, de educação de nossos adolescentes, [que] serão mantidas. No entanto, no contexto desse acordo, veremos o que será necessário atualizar. No momento ficam as pautas conforme estão estabelecidas e, em diálogo, sobretudo, com as famílias”.

Vélez acrescentou que serão levados em consideração “novas demandas da sociedade e novos conhecimentos científicos que sempre estão aparecendo”.

O Programa Saúde na Escola foi instituído em 2007 com o objetivo de levar às escolas públicas ações de promoção, prevenção e atenção à saúde, para enfrentar vulnerabilidades que comprometem o pleno desenvolvimento de crianças e jovens. Entre as ações do programa estão a promoção da saúde sexual e da saúde reprodutiva, em conformidade com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde.

Parceria

No dia 08, os Ministérios da Saúde, da Mulher, Família e Direitos Humanos, da Educação e da Cidadania assinaram parceria para traçar ações conjuntas até 2022 para reduzir a gravidez precoce.

Dentre os objetivos estão promover apoio profissional qualificado em prevenção à gravidez na adolescência, ampliar e qualificar o acesso da população adolescente aos serviços de atenção básica, fomentar ações educativas voltadas para adolescentes, famílias, sociedade civil e toda a comunidade. Além disso, estão entre os objetivos disseminar informações sobre o cenário brasileiro de gravidez na adolescência e avaliações que gerem evidências de melhores práticas para subsidiar o aperfeiçoamento das ações públicas sobre o tema.

A carta de compromisso foi assinada no âmbito da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, estipulada do dia 1º de fevereiro até esta sexta-feira. A semana foi instituída pela Lei 13.798/2019, uma das primeiras sancionadas pelo presidente Jair Bolsonaro.

Fonte: Exame

Sexualidade é assunto para ser conversado desde a infância, garante psicólogo

Por Rita Lisauskas

Nos últimos anos, poucos assuntos ‘apanharam’ tanto nas redes sociais e nos grupos de Whats App quanto a educação sexual nas escolas. Mês passado, recebi pelo celular uma reportagem sobre o afastamento de uma professora que ensinou aos seus alunos adolescentes sobre o uso de preservativos masculinos e femininos. A matéria, compartilhada à exaustão, trazia o seguinte comentário: “os bons costumes da família brasileira estão sendo denegridos pelos educadores!”.

Falar sobre sexualidade em sala de aula é recomendação dos parâmetros curriculares de ciências do Ministério da Educação, o MEC, além de fazer parte da orientação técnica internacional sobre Educação em Sexualidade da UNESCO, que aponta que a educação sexual nas escolas deve servir para que os jovens façam “escolhas saudáveis e respeitáveis sobre relacionamentos, sexo e reprodução”. Mas o Brasil parece estar na contramão desse entendimento. Mês passado o presidente eleito, Jair Bolsonaro, declarou publicamente ser contra a abordagem dessa questão pelas instituições de ensino. “Quem ensina sexo para a criança é o papai e a mamãe. Escola é lugar de aprender física, matemática, química. Fazer com que no futuro tenhamos um bom empregado, um bom patrão e um bom liberal”, afirmou.

Mas quem estuda o assunto garante que a escola tem sim papel fundamental nessa discussão. O mestre em psicologia do desenvolvimento pela Universidade Federal da Bahia, Anderson Chalhub, afirma que criança tem o direito a espaços de conversa sobre sexualidade dentro de casa e também nas escolas. Chalhub também ressalta o papel fundamental das instituições de ensino em um mundo onde a maioria dos casos de pedofilia acontece dentro de casa. “Muitas vezes a violência sexual acontece quando a criança não tem um espaço de conversa sobre isso, não é ensinada que o corpo é dela, então não tem a mínima noção da violência sexual. Ela acha que está recebendo um cuidado quando está sendo, na verdade, violentada”, explica.

Blog: Como é que você esse movimento de deixar de falar sobre sexualidade nas escolas?

Anderson: Falar sobre sexualidade e desenvolvimento infantil e dos adolescentes é uma necessidade, porque a criança já nasce em um corpo que sente prazer. E aí é bom a gente fazer uma distinção entre sexo e sexualidade, porque o sexo traz o erótico, a erotização do corpo de uma pessoa com o de outra pessoa, algo que acontece muito na adolescência e na idade adulta, mas na infância a gente fala de um corpo sexualizado, um corpo que é erógeno, que sente prazer. Eu considero que se você orienta esse prazer com psico-educação, em um ambiente que possa propiciar uma conversa sobre a sexualidade, inclusive com as crianças, assim elas ficam situadas no que podem fazer quando esse corpo começa a se erotizar. Sexualidade é do humano e isso não depende da idade. E se ela faz parte do ser humano, por que não falar sobre a sexualidade desde a infância?

Blog: E como puxar essa conversa?

Anderson: Hoje a gente tem uma literatura muito bacana para crianças, que fala não só de como as crianças são concebidas, algo que ainda é um tabu, que muitas vezes passa por uma dificuldade do adulto, que prefere fantasiar sem trazer verdade a essa criança durante essa conversa. Geralmente conta-se que a criança foi trazida por uma cegonha ou que foi gerada de uma sementinha que o pai planta na mãe. Eu considero que a partir de uma determinada idade, por volta de 5 anos, já é possível falar de sexualidade com as crianças e isso a ajuda a se situar no mundo. Mas quando a gente trata isso como um tabu e enche de moralidade esse momento de descoberta, ela vai castrando esse corpo, impedindo esse corpo de sentir. Se não houver um espaço para se conversar sobre isso, debater sobre isso, ela pode deixar de sentir esse corpo no mundo. Essa é uma necessidade muito grande não só nas escolas, mas inicialmente as famílias precisam falar mais sobre isso.

Blog: Como a gente abordaria esse assunto com as crianças a partir dos 5 anos?

Anderson: Existem histórias que podem ser contadas às crianças com a ajuda de livros infantis (veja no final dessa matéria uma lista de livros indicados pelo psicólogo). Essa é uma ideia bacana, contar uma historinha e depois bater um papo sobre o que a criança sentiu, como ela percebeu aquilo, como ela ouviu a história, abrindo-se assim um espaço de conversação nessa família. A gente tem que parar de pensar que uma criança de 5 anos não tem compreensão sobre as coisas, ainda mais essa geração que está aí, que nessa idade já chega com uma série de “por quês”, tem questionamentos sobre o que acontece no mundo, o que acontece com ela e com os outros. E se a gente fica fantasiando para a criança, a gente a empurra para um lugar além da realidade. Não que a fantasia não seja algo importante, não é isso, mas a gente não pode confundir fantasia com mentira, entende?

Blog: Se essas histórias não contam a história da cegonha e da ‘sementinha’, como abordam o assunto?

Anderson: Elas explicam para a criança como é um corpo infantil e um corpo adulto, as diferenças anatômicas entre um e outro, a diferença entre os sexos, o que o menino tem, o que a menina tem, o que o menino sente, o que a menina sente. Por que não falar disso? Isso não erotiza a criança. O que erotiza a criança é o pudor do adulto. A criança tem a possibilidade de perguntar se ela tiver um espaço para ouvir e falar sobre isso. Na minha infância eu aprendi que tinha nascido graças a uma ‘sementinha’ e isso para mim, durante um tempo, foi algo muito complicado, porque eu ficava procurando em mim uma semente, igual a das plantas, sem ter noção de como surgiu uma pessoa dali. A gente pode contar para as crianças que elas nasceram a partir da junção de duas células, de uma forma lúdica, porém real.

Blog: Quais são os ganhos de falar sobre sexualidade com as crianças?

Anderson: Nesse processo ela começa a ter noção dos limites do seu corpo no contato com outras pessoas, com estranhos. Ela precisa ser ensinada que o corpo é uma propriedade dela e que pessoas estranhas não podem tocá-la. É importante que a família dê segurança para a criança na exploração desse corpo para que ela saiba quem pode tocá-lo. Se a criança ou o adolescente não conhece seu próprio corpo, se não há uma conversa sobre ele, qualquer pessoa pode se apropriar desse corpo. Muitas vezes a violência sexual acontece quando criança não tem um espaço de conversa sobre isso, não entende que o corpo é dela, então a criança não tem a mínima noção da violência sexual, achando que está recebendo um cuidado quando está sendo, na verdade, violentada.

Blog: Em um contexto que a gente sabe que a maioria dos casos de pedofilia acontece dentro da família (segundo o Ministério da Saúde, a maioria dos casos de violência sexual é cometida por parentes da criança e do adolescente ), qual a importância, na sua opinião, da escola também falar sobre sexualidade?

Anderson: A escola é o primeiro centro de diagnóstico dos problemas que podem acontecer no desenvolvimento da criança. Não só os sexuais, mas também de maus tratos e violência. Eu acho importante que a escola seja um centro de proteção mesmo. Inclusive em termos de prevenção. E é importante, cada vez mais, entender a família na escola, para que a instituição seja mais hábil e tenha mais competências de identificar os casos de violência que ocorrem na família e de encontrar alguém confiável, que se una à escola, para salvar essa criança. Isso é uma necessidade. Por isso precisa haver espaço para se falar disso na escola. Agora, precisa haver uma formação desses atores sociais, algo que eu acho que ainda é bastante deficitário no Brasil. Os professores não sabem o que fazer com a sexualidade das crianças, parece que entram em pânico extremo quando a criança mostra que o corpo dela já sente prazer. Se não há um corpo docente para conscientizar e abrir um espaço de debate com as famílias sobre isso, se não for feita uma parceria, a escola constrói algo que a família na sequência destrói. O caminho não é jogar a peteca de um para o outro, tem que haver um processo de continuidade, para que a criança se sinta segura nos dois ambientes.

Blog: Quais outras questões desse contexto deveriam ser discutidas pelas escolas, nas sua opinião?

Anderson: Uma das maiores formas de perpetrar violência a uma criança é não dar escolha a ela. Por que se contar apenas histórias em que o final feliz, por exemplo, é entre um príncipe e uma princesa que foram felizes para sempre? Por que não apresentar outras possibilidades como a de um final feliz entre um príncipe e outro príncipe? Uma princesa com outra princesa? Quando se dá uma possibilidade só para uma criança você está imprimindo violência. Porque ela entende que só existe um caminho na vida. A gente precisa mostrar que existem outros tipos de família que pode ser diferente do que a que ela tem em casa, por exemplo. Existem famílias homoparentais, com dois pais ou duas mães, monoparentais, com apenas a mãe ou o pai e por aí vai.

Blog: Esse tipo de discussão ajuda a combater o preconceito?

Anderson: Sem dúvida. Precisamos ter debates e espaços para isso. Por que existem tantos casos de bullying nas escolas, em todas as escolas? Por que hoje temos casos com mais violência? Porque não existe discussão sobre tolerância e respeito às diferenças.

Blog: A gente discutiu até agora sobre o caminho ideal a ser trilhado quando o assunto é discutir sexualidade com crianças e adolescentes. Mas estamos caminhando para o oposto disso, de se tirar as discussões sobre sexualidade de dentro das escolas. Qual seria o impacto disso, no seu ponto de vista?

Anderson: Eu estou desesperançoso, muito triste e muito preocupado com o que está por vir. A gente pode dar um passo para trás em tudo o que se conquistou como direito ao longo de tantos anos como democracia. Educação e saúde andam juntas, estão no mesmo patamar e se conectam profundamente. Eu acredito que os espaços de resistência, formados por famílias conscientes, escolas politizadas, podem ser um contra-modelo do que vai se apresentar daqui para diante. As crianças têm direito a um espaço de discussão. Se o tabu sobre conversas sobre sexualidade for sendo incentivado, automaticamente vão aumentar os índices de doenças sexualmente transmissíveis, o uso de camisinha e de anti-contraceptivos cairá. Só existe processo de conscientização se ele for feito através da educação. Se não puder existir um espaço de debate, se não se puder falar sobre isso, estamos falando de opressão, de violência e, automaticamente, as pessoas começarão a adoecer.

Lista de livros sugeridos pelo mestre em psicologia Anderson Chalhub:

Sexo não é bicho-papão, de Marcos Ribeiro
Mamãe, como eu nasci, de Marcos Ribeiro
De onde viemos?, de Peter Mayle Artur Robins
Mamãe botou um ovo!, de Babette Cole
Como eu fui feito?, de Yvette Lodge

Fonte: Estadão

Fundo de População da ONU defende educação sexual para evitar gravidez na adolescência

No Brasil, um em cada cinco bebês nasce de uma mãe com idade entre dez e 19 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A cada três mulheres casadas com idades entre 20 e 24 anos, uma se casou antes de completar a maioridade.

Para discutir esses e outros desafios brasileiros em saúde sexual e reprodutiva, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) participou na sexta-feira (7), em São Paulo, de um simpósio sobre planejamento familiar.

No Brasil, um em cada cinco bebês nasce de uma mãe com idade entre dez e 19 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A cada três mulheres casadas com idades entre 20 e 24 anos, uma se casou antes de completar a maioridade. Para discutir esses e outros desafios brasileiros em saúde sexual e reprodutiva, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) participou na sexta-feira (7), em São Paulo, de um simpósio sobre planejamento familiar.

Presente no evento, a oficial de programa do UNFPA no Brasil, Anna Cunha, ressaltou que são necessárias ações direcionadas à prevenção da gravidez não intencional na adolescência. Essas estratégias, apontou a especialista, devem incluir a educação em gênero e sexualidade, englobando a oferta de recursos educacionais.

“O empoderamento de meninas e adolescentes e a corresponsabilidade masculina, para que possam tomar decisões voluntárias, informadas e responsáveis, devem incluir o acesso a insumos de saúde reprodutiva, como preservativos e contraceptivos, e a oferta de serviços de saúde de qualidade e acolhedores para adolescentes, respeitando aspectos como privacidade, confidencialidade e autonomia”, completou a oficial.

Realizado pelo Hospital e Maternidade Vila Nova Cachoeirinha (HMEC), o simpósio reuniu cerca de 70 profissionais de saúde, entre gestores e residentes, para discutir programas de planejamento reprodutivo e de promoção da autonomia. O objetivo do encontro era capacitar esses trabalhadores que lidam com adolescentes, além de garantir serviços de saúde capazes de dar aos jovens mais oportunidades para realizar seus projetos de vida.

No Brasil, a educação e a renda impactam diretamente nas taxas de fecundidade. As condições socioeconômicas também refletem no acesso a informações e a serviços de saúde sexual e planejamento da vida reprodutiva.

A doutora Cristina Guazzeli, professora da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), discutiu as diferenças entre os métodos anticoncepcionais atualmente disponíveis. Além disso, abordou as vantagens da utilização dos anticoncepcionais de longa duração entre adolescentes e alguns desafios que têm dificultado sua implementação no Brasil.

Albertina Duarte, responsável pelo programa de saúde do adolescente da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, apresentou dados sobre gravidez no Brasil, principalmente da unidade federativa onde atua. A gestora expôs as boas práticas de atuação do estado com foco no empoderamento e na construção de habilidades como aspecto fundamental para evitar a gravidez na adolescência ou uma segunda gestação não intencional.

Fonte: ONU

A sexualidade adolescente

Por Vera Iaconelli

Um curioso movimento pendular aparece quando se trata de pensar a sexualidade adolescente. Ora os jovens são tidos como indefesos e correndo riscos diante da educação sexual, ora são protagonistas de orgias sem precedentes. Daquele que não sabe nada sobre sexo para aquele que está promovendo bacanais, resta perguntar de quem falamos afinal.

As pesquisas mostram que a maioria dos jovens brasileiros começa sua vida sexual entre 13 e 17 anos, mal informada, desprevenida para doenças e para gravidezes. Essa é a informação palpável e bem documentada com a qual devemos nos preocupar para começo de conversa. Ela nos indica que temos que abordar o assunto na infância, informando e cuidando para que eles não tenham experiências emocionais traumáticas, doenças venéreas ou bebês indesejados. Historicamente, os pais têm se atrapalhado bastante na hora de falar sobre sexualidade com os filhos, seja porque têm dificuldade de reconhecer a mudança de fase das crianças, seja porque têm questões com a própria sexualidade, seja porque temem despertar o que acreditam que não estaria lá por si só.

A última ideia é curiosa, pois há muito Freud revelou que a sexualidade está presente desde a primeira mamada, pois somos seres sensuais por excelência. Peço desculpas à ministra Damares se Freud soa ousado demais para ela, faz só 113 anos que ele nos tirou do obscurantismo puritano. Não tirou a todos, claro.

Coetzee, em “Desonra” (2000), dirá que o sujeito, mesmo nas piores condições de sobrevivência, não pode ser condenado por “se agarrar (…) ao seu lugar no doce banquete dos sentidos”. Comer, respirar, movimentar-se, falar, ouvir, sentir o sol na pele, rezar são experiências de prazer corporal que nos alimentam tanto ou mais do que os nutrientes que ingerimos. Temos fome de que, se não da própria experiência de reconhecer-nos vivos em cada um de nossos atos? A sexualidade está em toda experiência humana, não há nada de obsceno nisso, apenas somos seres desejosos e desejantes que têm no corpo uma fonte inesgotável de prazer.

O ato sexual em si, devido a sua intensidade e as suas consequências, requer que ofereçamos informações e recursos para que os jovens tomem decisões menos afoitas e menos desprotegidas. Ajudá-los a lidar com a autoestima, com a autoimagem, a emancipar-se da pressão do grupo e, também, a acessar métodos contraceptivos e contra DST é o único caminho para protegê-los.

A viseira de burro, que serve para acreditar que o que está fora da vista não existe, prova sua ineficiência diuturnamente das formas mais catastróficas.

Quanto às orgias adolescentes que estariam migrando dos bailes funk para as casas de classe média alta, como bem apontou Mariliz Pereira Jorge, cabem algumas considerações. Elas revelam a busca por alguma forma de prazer que escape à caretice dos mais velhos, que tentam domesticar a sexualidade do jovem trazendo o antigo motel para o quarto dos filhos. Como transgredir se hoje o sexo está sob controle e bênção dentro da casa dos pais? Longe de fazer uma crítica moralista, trata-se de apontar para a emancipação que a vida sexual deveria antever.

Moral da história: jovens transam desde muito cedo, sem informação e sem proteção, pais permitam ou não. Ignorar ou exaltar a sexualidade adolescente nos impede de escutar os jovens e oferecer-lhes educação apropriada —é preciso encará-la sem hesitação.

Fonte: Folha de S. Paulo

Com que idade descobrimos nossa orientação sexual?

Com qual idade nós descobrimos nossa orientação sexual? Será que uma criança de 9 anos tem idade suficiente para saber qual sua preferência?

Nesta semana, a BBC publicou a história de Jamel Myles, um menino de 9 anos que cometeu suicídio nos Estados Unidos por sofrer bullying depois de revelar a colegas de escola que era gay. O caso ocorreu em Denver, no Colorado.

Leia Rochelle Pierce, mãe do garoto, disse que ele havia contado a ela sobre sua sexualidade há algumas semanas. Segundo Pierce, o garoto estava “orgulhoso” de sua orientação.

A BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, entrevistou dois psicólogos especializados em sexualidade para saber se é possível determinar com qual idade as crianças descobrem sua orientação sexual.

Os entrevistados são a psicóloga Asia Eaton, doutora em psicologia social e estudos de gênero e professora da Universidade Internacional da Flórida; e Clinton W. Anderson, diretor da Oficina de Assuntos LGBT da Associação de Psicólogos dos Estados Unidos.

BBC News – Com qual idade uma pessoa conhece sua orientação sexual? Há diferentes versões sobre isso ou é um tema de consenso entre especialistas?

Asia Eaton – Há estudos que revelam que os adultos de minorias sexuais experimentaram sua primeira atração sexual por pessoas do mesmo sexo por volta dos 8 ou 9 anos, mas outros pesquisadores dizem que esse desejo só desperta perto dos 11 anos. Há uma variedade de pesquisas sobre qual seria a média de idade.

É uma pergunta difícil, porque há uma diferença entre orientação e identidade sexual. A orientação sexual geralmente se refere ao sexo ou aos sexos pelo qual ou pelos quais a pessoa sente atração. Já a identidade sexual se refere à percepção de gênero sexual que a pessoa tem de si própria.

Ambas são dinâmicas e podem mudar ao longo do tempo de acordo com o contexto.

A verdade é que a gente tem essas experiências dentro de uma ampla faixa de idade. Alguém poderia ter sua primeira experiência de atração sexual desde os seis até os 16. Ou nunca.

Em média, os jovens de hoje passam a se dizer LGBTQ durante o ensino médio, o que é muito mais cedo que as gerações passadas. Isso ocorre principalmente porque hoje existem maior consciência e aceitação social das pessoas LGBTQ.

Clinton W. Anderson – Esse é um assunto ainda em pesquisa, entre outras razões, porque o gênero e a sexualidade são aspectos da psicologia que refletem as interações entre biologia e contexto sociocultural. Então, à medida que mudam a cultura e a sociedade, o gênero e a sexualidade também estão sujeitos a mudanças.

Certamente há indivíduos que podem experimentar atração sexual aos 9 anos ou antes, mas é pouco provável que com essa idade eles tenham capacidade cognitiva e emocional para compreender completamente o que significa orientação sexual.

Não há uma idade específica em que se espera que todas as pessoas se deem conta de sua orientação ou identidade sexuais. Há algumas pessoas com sexualidade fluida e que podem descobrir no futuro uma orientação diferente.

Para a maioria das pessoas, a orientação sexual – dado que se trata fundamentalmente de relações românticas e sexuais – tende a se desenvolver na adolescência. O gênero, por outro lado, se desenvolve na infância.

BBC News – Até que ponto os pais – e a sociedade em geral – podem influenciar o que as crianças pensam sobre sua própria sexualidade?

Asia Eaton – As pesquisas revelam que a maioria dos jovens LGBTQ dizem que, quando eram pequenos, eram chamados de “mulherzinha” ou “sapatão”, de forma depreciativa.

Todos os jovens que saem do armário correm o risco de sofrer preconceito, discriminação ou violência em suas escolas, locais de trabalho, comunidades religiosas e sociais.

Felizmente, pesquisas revelam que a família, amigos e a escola que apoiam os jovens são pontos importantes para diminuir os impactos negativos dessas experiências.

Os pais têm uma oportunidade poderosa e única para apoiar o desenvolvimento saudável da identidade de seus filhos e também as experiências deles com seus companheiros.

Clinton W. Anderson – A aceitação da diversidade e da identidade sexual é muito importante para a comunidade LGBTQ e para o bem-estar de seus membros.

Uma pesquisa concluiu que a rejeição dos pais está altamente associada a problemas de saúde mental e comportamental. Por outro lado, a aceitação está ligada a resultados melhores nesse sentido.

Essa aceitação dos pais pode proporcionar certa proteção, mas outras instituições com presença de crianças, como escolas e esportes, também podem ter efeitos muito positivos ou negativos, em caso de rechaço ao comportamento de uma criança.

Garantir que essas instituições sejam ambientes seguros e propícios para todas as crianças é muito importante para o sucesso da criança na escola e o bem-estar emocional das crianças.

Empoderamento e direitos sexuais pautam congresso de ginecologia e obstetrícia em SP

A campanha Ela Decide, focada no empoderamento de jovens e mulheres, foi apresentada pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no dia 24/08 durante o 23º Congresso Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, na capital paulista.

O evento, realizado pela Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP), contou com a presença de profissionais da saúde, médicos e médicas, e adolescentes de várias regiões do estado.

Ao todo, cerca de 150 pessoas tiveram a oportunidade de ampliar o entendimento sobre os desafios específicos das e dos jovens no campo da saúde sexual e dos direitos reprodutivos.

A campanha Ela Decide, focada no empoderamento de jovens e mulheres, foi apresentada pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) na sexta-feira (24) durante o 23º Congresso Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, na capital paulista.

O evento, realizado pela Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP), contou com a presença de profissionais da saúde, médicos e médicas, e adolescentes de várias regiões do estado.

Ao todo, cerca de 150 pessoas tiveram a oportunidade de ampliar o entendimento sobre os desafios específicos das e dos jovens no campo da saúde sexual e dos direitos reprodutivos.

Entre os presentes, cerca de 100 eram jovens e adolescentes de projetos sociais de São Paulo e Campinas.

As especialistas discutiram temas como início da vida sexual, relacionamento com os pais, namoros, infecções sexualmente transmissíveis, contracepção, saúde e direitos. No Brasil, um em cada cinco bebês nasce de mãe com idade entre 10 e 19 anos.

Segundo Anna Cunha, o evento teve como objetivo falar sobre os direitos e cuidados com as mulheres para que elas sejam respeitadas e possam fazer valer as decisões sobre sua sexualidade e seu futuro.

Os vídeos da campanha, estrelados pelas atrizes Juliana Alves, Bella Piero, por Gabi Oliveira e pela também youtuber Juliana Tolezano, a JoutJout, foram apresentados no encontro.

Gabi Oliveira ressaltou a importância da comunicação com os jovens. “Os adolescentes já têm uma linguagem diferente da minha. Hoje, em uma notícia, as pessoas só leem os títulos e isso é um grande desafio, tanto para uma campanha como para o universo da Medicina, que precisa se adaptar à nova juventude”.

Mais informações sobre a campanha estão disponíveis no site eladecide.org.

Fonte: ONU