Obesidade e sobrepeso, quais seus males e quando procurar ajuda

Os dados são alarmantes e as consequências, graves. Há uma tendência mundial de crescimento do número de pessoas obesas. No Brasil, 40% da população está na faixa da obesidade ou de sobrepeso. “A diferença entre ter sobrepeso e ser obeso é relacionada justamente ao risco maior de se ter problemas graves, relacionados a essa condição. E são muitas as complicações que podem surgir. Quem é obeso tem uma probabilidade maior de desenvolver doenças cardíacas, alguns cânceres, doenças articulares, apneia do sono (obstrução das vias aéreas), diabetes e doenças inflamatórias. Pesquisas indicam que mulheres obesas têm probabilidade maior de desenvolver o câncer de mama ou quadro de incontinência urinária, principalmente no período pós-menopausa”, explica a doutora Maria Celeste Osório Wender, professora titular de ginecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Os fatores que causam a obesidade também são vários. “Temos a questão genética, é preciso conferir o histórico familiar, se existem casos de obesidade na família. É sabido que se houverem casos como esse no âmbito familiar, será mais provável desenvolver a obesidade. E temos também as questões ambientais, como hábitos alimentares ruins, sedentarismo e o metabolismo. Com relação a esse último, vale dizer que quanto mais rápido ele for, melhor, por gastar mais energia, mais calorias. Essa é outra desvantagem que a mulher carrega, porque o homem tem mais músculos, tecidos que consomem muita energia e que ajudam na questão metabólica”, diz Maria Celeste.

Abordagem clínica

Para a doutora Maria Celeste “o médico, seja ele um clínico geral, um endocrinologista ou um ginecologista, é a pessoa indicada para abordar o assunto. É preciso entender os hábitos alimentares da pessoa e reeducá-la nesse sentido. Aqui a participação de um nutrólogo também é essencial, porque cada caso tem suas particularidades. Em todos os aspectos da obesidade o princípio é o mesmo: os ganhos acontecem gradativamente, sem sobressaltos.


De nada adianta impor uma dieta extremamente rigorosa para quem tem o hábito de comer muito, ela não vai conseguir cumprir os objetivos. Bom senso e equilíbrio são as palavras de ordem. Então tudo tem que ser feito com calma, estabelecendo-se metas possíveis de serem conquistadas, progressivamente”, afirma a doutora.

Outro fator fundamental é a prática de atividades esportivas, que auxiliam no metabolismo. “O ideal é que a pessoa pratique 150 minutos semanais de atividades aeróbicas (caminhadas, corridas leves, pedalar, nadar) combinada com duas a três sessões de musculação, na mesma semana. Se a reeducação alimentar combinada com a prática esportiva não der resultados satisfatórios, podemos recorrer ao uso de medicamentos, que na sua essência são moderadores de apetite. Em último caso, temos a possibilidade da cirurgia bariátrica (redução do estômago), mas existem regras para sua realização. O que posso afirmar é que essa cirurgia evoluiu muito e hoje apresenta riscos menores”, explica Maria Celeste.

A doutora chama a atenção para outro fator importante, o corpo pode tornar-se seu próprio inimigo durante o tratamento. “O que acontece é que ao se reduzir o peso, o organismo reage para voltar ao status original. Isso ocorre por meio do aumento da grelina, hormônio que estimula o apetite. Então, além de todos os obstáculos já citados, é preciso enfrentar mais essa condição, de sentir fome e ter que se controlar, que pode sim aparecer durante a luta de ter que perder peso devido a obesidade”.

Saúde Mental

A condição da pessoa obesa traz outras complicações, podendo afetar a saúde mental do paciente. “A sociedade, de certa forma, condena o obeso. Isso pode desenvolver aspectos negativos como carregar dentro de si um sentimento de culpa, ansiedade excessiva ou ainda sofrer com um quadro depressivo, especialmente para quem é vítima do bullying. Essas condições podem pôr tudo a perder, fazer com que o paciente coma ainda mais, quando o necessário é justamente o inverso. A ajuda de médicos psiquiatras ou psicólogos pode ser relevante em alguns casos. É muito importante que a classe médica tenha consciência com relação ao tema; pessoas obesas precisam de ajuda. E, claro, o apoio de familiares e amigos nessa batalha também é requisitado. Evitar comparações e cobranças excessivas é recomendado, para que se minimize a possibilidade de frustração e o insucesso do tratamento”, finaliza a doutora.

Violência contra a mulher

A Lei Maria da Penha (Lei 11.340 de 7 de agosto de 2006) está completando 15 anos. Criada para coibir e prevenir a violência doméstica contra a mulher, é elogiada por todos pela forma com que discrimina os tipos de violência, por apontar os caminhos de assistência à mulher vítima dessas ações e por definir as medidas protetivas de urgência entre outros aspectos.

Porém, apesar de sua imensa contribuição para a sociedade, percebe-se que a execução do seu principal teor, na prática, continua sendo o principal problema. Os números são estarrecedores e provam isso. Em 2020, foram 690 mil denúncias de violência doméstica à Central de Atendimento à Mulher 180, um dos canais criados para que mulheres possam relatar casos de agressões de todos os tipos contra elas. Pesquisa realizada pelo instituto “Inteligência em Pesquisa e Consultoria (IPEC)” aponta que nesse mesmo ano de 2020, 13 milhões de mulheres sofreram com algum tipo de violência. São 25 brasileiras por minuto sendo violentadas, seja por assédio moral (ofensas), agressões físicas ou violência sexual.

A gravidade e relevância do tema levaram a Febrasgo a criar uma Comissão Nacional Especializada (CNE) no tema e a atuar de forma intensa no combate à violência contra a mulher. Muitas pessoas podem achar que a pandemia da COVID-19 é a responsável principal por esses números assustadores. Claro que contribuiu para o aumento de casos, pela questão do confinamento, verificada em outras pandemias também, mas isso já tinha sido previsto e prevenido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Porém, o Atlas da Violência, feito em 2019 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), tomando como base a década entre 2007 e 2017, já mostrava que o Brasil é o quinto país no mundo em assassinatos de mulheres (feminicídio), com cerca de 5 mortes a cada 100 mil mulheres agredidas. E ainda há quem conteste a gravidade dos fatos, sob o discurso de que o maior volume de violência ocorre contra os homens, já que são eles as vítimas em 92% dos homicídios. Só que ninguém fala que na maioria dos casos, eles são mortos por pessoas estranhas.

Mais de 50% das mulheres são assassinadas por parceiros ou ex-parceiros. Então, não podemos culpar a violência urbana, mas olhar com muita atenção para a questão do gênero”, diz a doutora Aline Veras Morais Brilhante, ginecologista e obstetra, com mestrado e doutorado em saúde coletiva pela Universidade de Fortaleza, com pós-doutorado em sociologia pela Universidade Rey Juan Carlos em Madri (ESP) e membro da CNE desde 2019.

Dentre os principais benefícios que a Lei Maria da Penha trouxe, ela aponta o reconhecimento dos diferentes tipos de violência. “Violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. A violência patrimonial, a menos conhecida, se caracteriza por criar uma dependência financeira com relação ao parceiro, que culmina num controle inaceitável e perda da autonomia, muitas vezes até no direito de ir e vir. Também é de grande valia o fato da Lei prever assistência integrada e ampliada como instrumento eficaz contra a violência. O principal problema que enfrentamos é a sua execução na prática, extremamente dificultada porque vivemos num país patriarcal, que tende a normalizar a violência contra a mulher. Um dos caminhos para solucionar esse dilema é a desconstrução dos discursos que tentam minimizar essa questão tão importante, que não se limita somente às mulheres. Idosos e crianças também sofrem com a violência doméstica. Geralmente ninguém intervém, porque é uma violência ‘naturalizada’, como se fosse ‘normal’ alguém apanhar ou ser ofendida constantemente.

A médica ainda chama a atenção para a “violência em espiral”, que ocorre em várias fases. A violência em si, a reconciliação, nova crise, novo episódio de agressão e o aumento da frequência dos episódios de agressão. A mulher fica cada vez mais fragilizada, passa a internalizar todas as questões ligadas a esse sofrimento, perde sua autoestima, passa por distúrbios emocionais sérios, como a depressão. Além, claro, do risco à própria vida e um temos recorrente associado à violência.


Ações da Febrasgo

Nesse contexto, a médica Aline destaca o papel importantíssimo do profissional da saúde. “Pode até parecer inusitado, mas é a realidade. A grande maioria das mulheres relata casos de violência para o profissional da saúde antes de recorrerem a uma autoridade policial. O serviço de saúde é procurado 35 vezes mais do que a polícia! E o que isso significa? Que devemos estar preparados para agir em favor dessa vítima. Elas esperam um suporte, que as escutemos com atenção, que uma mão seja estendida e que mostremos a ela quais os caminhos possíveis para evitar a continuidade desses atos terríveis. Dessa forma, o médico tem que ter o conhecimento dos serviços sociais disponíveis para cada região. Existe a Casa da Mulher Brasileira, por exemplo, equipamento social presente em todo o território nacional. Lá, as mulheres têm assistência jurídica, médica e psicológica. Existem também as Casas de Abrigo, vinculadas a Casa da Mulher Brasileira. Muitas mulheres se sentem tão fragilizadas, que não têm força para reagir, mas, se forem acolhidas, vão se sentir estimuladas a proteger sua própria vida”, diz Aline.

A Febrasgo, por meio de sua CNE, tem atuado na prática para coibir a violência contra a mulher. “O primeiro aspecto em que a Febrasgo atua é justamente no reconhecimento do papel do profissional da saúde nessa cadeia. Ela atua firmemente para que essas competências supracitadas sejam obrigatórias na formação de um médico, já na época de faculdade e residência. É imprescindível que o profissional da saúde seja capaz de prestar uma assistência acolhedora e humanizada. A CNE também se manifesta contrariamente sobre decisões que qualifiquem como “normal” a violência contra a mulher, ou propostas de alterações jurídicas que a Febrasgo entenda ser um retrocesso. Por exemplo, a Lei 13.931 de 2019, determina a obrigatoriedade de profissionais da saúde em notificar a polícia sobre mulheres que tenham sido vítimas de violência. Essa obrigatoriedade traz dois problemas: primeiro, faz com que a mulher não se manifeste, por medo de uma retaliação, lembrando que os principais causadores da violência contra a mulher são companheiros, ex-companheiros, familiares. Outra questão é que vai contra a ética médica, que se caracteriza pela privacidade do paciente. A Febrasgo solicitou, inclusive, audiência com o então ministro Onix Lorenzoni contestando esse aspecto da lei. Não fugimos do debate. Muito pelo contrário: posicionamo-nos firmemente cada vez que acharmos ser um caminho necessário. E lutamos também para que as medidas protetivas, de um cunho teórico e legal excepcional, sejam realmente efetivas, o que ainda não acontece na realidade do dia a dia”, finaliza a doutora Aline.


Serviços de amparo e denúncia

Para qualquer tipo de violência, seja com você ou com qualquer outra mulher. Não aceite! Denuncie!

A REPERCUSSÃO NEURO-PSICOLÓGICA DA COVID-19

Completamos um ano de pandemia e continuamos aprendendo a cada dia. Além de todas as possíveis alterações físicas que o vírus pode causar (comprometimento pulmonar, perda de olfato e paladar, dores e atrofia muscular) e que podem permanecer por longos períodos, uma das consequências causadas pela COVID-19 são as alterações neuropsicológicas.

Um estudo publicado recentemente na revista Lancet (abril de 2021) procurou fornecer estimativas de taxas de incidência e riscos relativos de diagnósticos neurológicos e psiquiátricos em pacientes, nos seis meses após um diagnóstico de COVID-19. Foi comparado um grupo de pacientes com diagnóstico do coronavírus, com um grupo com diagnóstico de gripe e outro com diagnóstico de qualquer infecção respiratória. Entre 236 379 pacientes com diagnóstico de COVID-19, a incidência estimada de um diagnóstico neurológico ou psiquiátrico nos seis meses seguintes foi de 34%. Para pacientes que foram admitidos em uma UTI (doença mais grave), a incidência estimada de um diagnóstico foi de 47%. Condições neurológicas como derrame e demência foram raras, mas também aumentadas no grupo do COVID. E, quadros de ansiedade e transtornos de humor foram mais diagnosticados no grupo do COVID (17% dos pacientes com distúrbios de ansiedade e 14% com distúrbios de humor, incluindo depressão, nas infecções mais leves do vírus).

Esse estudo reforça a importância das medidas de prevenção da infecção (álcool gel, máscara, distanciamento social e principalmente as vacinas). A incidência de alterações emocionais que já está aumentada neste momento de incerteza (profissional, familiar, financeiro, futuro), pode ser exacerbada com a infecção pelo coronavírus.

A ajuda precoce de um especialista em saúde mental nos casos desses diagnósticos é fundamental para evitar agravamento do quadro. O importante é buscar ajuda, assim que se percebe a necessidade; o tratamento pode ser mais curto e menos estressante.

Os benefícios da psicoterapia têm sido significativos no enfrentamento do momento atual. Vão desde a conquista da autonomia para controlar as mais diversas situações, o autoconhecimento, a autogestão emocional e a uma melhor qualidade de vida dos pacientes.

Cuidem-se!

Dra. Patrícia Pereira Faure

Psicóloga / Psico-Oncologista

A importância da Psico-oncologia

Em primeiro lugar, é importante definirmos a Psico-Oncologia como uma área de interseção entre a Psicologia e a Oncologia, que busca compreender e estudar as variáveis do comportamento relacionadas ao processo de adoecimento e cura, e as intervenções ao longo de todo este mesmo processo. Está área de atuação profissional surgiu na década de 1970, com a psiquiatra Jimmie Holland, no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center em Nova Iorque. Ela criou um serviço de atendimento, pesquisa e treinamento para investigar os aspectos emocionais envolvidos no processo de doença e tratamento do câncer e avaliar a interferência na vida dos pacientes. Visando sempre a melhor forma de intervenção para reduzir o sofrimento do paciente durante o tratamento oncológico e aumentar sua qualidade de vida também.

O papel de um psicólogo em um ambulatório de Oncologia é oferecer suporte emocional para que o paciente possa expressar seus sentimentos, compreender as dificuldades do momento vivido, perceber as situações que lhe mobilizam emocionalmente e instrumentalizá-lo para lidar da melhor maneira possível com as alterações e limitações impostas pela doença e pelo tratamento. O acompanhamento psicológico é indicado, geralmente, quando notamos certa dificuldade de adaptação e adesão aos tratamentos propostos e quando ocorrem sintomas depressivos e/ou ansiosos.

Outro ponto importante a ser ressaltado é a família do paciente oncológico. Por ser tratar de uma doença complexa, o familiar normalmente está bastante envolvido no processo de tratamento, tanto do ponto de vista operacional quanto do ponto de vista emocional; e cabe à equipe de saúde a ter um olhar cuidadoso a essa família ao longo do período de tratamento do paciente. O psico-oncologista pode abordar o paciente e sua família, tanto individualmente como em grupo, dependendo de alguns aspectos clínicos e institucionais.

Um questionamento muito comum que surge a respeito da prática do psicólogo em Oncologia, é se ter tristeza e angústia é normal durante o tratamento. Posso afirmar que sim, é normal, mas dependendo da intensidade e da duração destes sentimentos. Se esses ficarem muito intensos, ao ponto de interferirem no funcionamento do paciente e na adesão ao tratamento, é importantíssimo buscar ajuda especializada.

Para finalizar, é também função do psico-oncologista dar apoio emocional e suporte aos profissionais de saúde que lidam diariamente e intensamente com os pacientes oncológicos. Algumas ações institucionais, como grupos de apoio, oficinas e aulas, são exemplos de ações de cuidado com o profissional.

A experiência do câncer é geralmente desafiadora, independente do local, da extensão, do prognóstico e dos resultados do tratamento. Todas essas transformações na rotina do paciente podem contribuir para o desequilíbrio psicológico dele e desencadear diversas reações emocionais. Por essas razões, o tratamento psicológico presta inestimável ajuda no enfrentamento do tratamento oncológico.”

Por: Laura Campos – Psicóloga-oncológica do Americas Centro de Oncologia Integrado

Decifrando os sonhos

O psicanalista Carl Jung, afirma que o inconsciente nos passa mensagens através de imagens.

Aqueles sonhos repetitivos na verdade são pura insistência do inconsciente de tentar nos fazer compreender o que é tudo aquilo que está sendo mostrado e dito para podermos aplicar na vida real.

Para começar a entender a mensagem que os seus sonhos querem te passar é preciso identificar o tipo de sonho. Jung define os seguintes tipos:

Sonhos Traumáticos

São aqueles que remetem a um trauma passado ou recente, mas que talvez ainda não tenha sido superado. A suas atitudes diante dos sonhos traumáticos te dirão se você venceu este sofrimento ou não. Se você se esconde dos desafios que aparecem, significa que ainda é preciso trabalhar em cima deste trauma. Mas se os enfrenta, é muito provável que você esteja no caminho de superar, se não, já ter superado este trauma.

Sonhos Proféticos

Estes são mais raros, pois aparecem como uma premonição do futuro. Nada muito grandioso, apenas pequenos acontecimentos, como prever que algum objeto vai quebrar ou que você passará por uma rua em específico.

Sonhos Prospectivos

Dormir pensando em um monte de pergunta sem resposta, e no dia seguinte, você de repente acorda com uma solução para tudo. Às vezes descansar é o segredo!

Sonhos Extra-sensoriais

Este sonho também é tão raro quanto o profético, mas neste caso, envolve a morte de alguém que acaba se tornando realidade.

Sonhos Compensatórios

Estes são os mais comuns! Eles geralmente te mostram o que você precisa trabalhar em sua vida: medos, relações, objetivos, frustrações, defeitos, hábitos, etc. Ou por exemplo, se você se encontra em um momento muito triste da sua vida, você sonha que está extremamente feliz.

Agora que você tem plena consciência dos tipos de sonhos que seu inconsciente traz, é hora de seguirmos para próxima etapa, complementando ainda mais os significados.

As pessoas que aparecem no sonho podem trazer inúmeros significados e respostas para nós. Elas podem ser fragmentos da nossa psique, mostrando um aspecto de nós mesmos ou podem refletir os nossos relacionamentos. Como diferenciar?

Se estas pessoas são próximas à você e aparecem nitidamente, seu sonho é objetivo, ou seja, reflete a sua relacionamento com elas. Mas se elas são desconhecidas, ou até são conhecidas, mas aparecem um pouco diferente do que são na vida real, seu sonho é subjetivo, ou seja, representa fragmentos da sua psique.

Não existe uma totalidade no quesito subjetivo e objetivo. Na maioria dos sonhos você vai encontrar demonstração de ambos.

A próxima etapa é identificar de qual gênero estas pessoas são.

A psique de todos os seres humanos é constituída pela junção do feminino e masculino.

Nas mulheres, a parte masculina é chamada de animus e nos homens, a parte feminina é chamada de anima.

O animus representa o lado mais racional e cético das pessoas, enquanto a anima representa o lado mais intuitivo e emocional.

Se você é uma mulher e sonha com um homem, pode significar que você precise trabalhar alguma questão ou relação da sua vida de forma mais racional.. 

Se você é homem e sonha com uma mulher, pode significar o inverso, que você precise desapegar do lado racional e acreditar mais em sua intuição.

Se sonhamos com o mesmo sexo, significa que estamos vendo nossa própria sombra. A sombra remete aquelas características mais cabeludas, sabe? Segundo Jung, é o lado obscuro da nossa psique, o lado escondido, o que reprimimos e negamos aceitar. Como os defeitos, por exemplo.

Ainda assim, mesmo com todas essas explicações, cada sonho vai apresentar um significado único para cada pessoa. Portanto, o penúltimo passo é se perguntar quais experiências você viveu no sonhos. Por exemplo:

“Sonhei que estava caminhando uma praia vazia junto com o meu gato me senti muito liberta.”

E a última etapa é correlacionar os aspectos dos seus sonhos com o seu contexto de vida. Seguindo o mesmo exemplo:

“Sonhei (sou uma mulher) que estava caminhando uma praia vazia junto com o meu gato me senti muito liberta. Mas de repente apareceu meu chefe (homem) e ele disse pra eu voltar para o escritório.”

Interpretação 1)

Chefe

Não lembro claramente do rosto do meu chefe, mas sei que ele era homem. Então é muito provável que ele represente o meu lado masculino, o meu animus, aquele que me cobra uma postura racional diante de tudo. No fim, este sonho representa uma cobrança interna minha de ficar o tempo todo trabalhando para distrair a cabeça de questões mais profundas.

Gato

Já meu gato do sonho era igualzinho o meu gato da vida real. Talvez ele tenha aparecido porque quando estou com ele me sinto mais livre, sabe? Desencano um pouco dos meus problemas.

A praia

Praias desertas remetem uma paz interna. É como se todas as minhas angústias pessoais estivessem resolvidas e o silêncio finalmente pudesse ser contemplado, e eu pudesse viver o presente. Quando eu era criança me sentia exatamente, mas hoje em dia já mais difícil diante de tudo que estou passando.

Interpretação 2)

Chefe

Era meu chefe escrito no sonho! Acho que é porque eu preciso me posicionar melhor em relação à ele. Ele me pede muita coisa em momentos inapropriados e eu nunca sei dizer não. Acabo trabalhando praticamente 24h por dia. É melhor eu trabalhar minha coragem e atitude de confrontá-lo quando preciso.

Gato

Já gato do sonho era um pouco diferente, mas ainda assim sentia que era meu. Ao contrário do cachorro, o gato costuma significar liberdade, fuga, desapego. Vou me desapegar desse vício de trabalho que me acorrenta 7 dias por semana e usar minha energia para melhorar outras questões minhas que me trarão liberdade.

A praia

Praias desertas remetem uma paz interna. É como se todas as minhas angústias pessoais estivessem resolvidas e o silêncio finalmente pudesse ser contemplado e eu pudesse viver o presente. De fato, não consigo viver o presente diante de tanto trabalho e questões internas que evito.

Este é apenas um exemplo, baseado na mente da pessoa que está escrevendo. Outras pessoas podem ter o mesmo sonho e encontrar significados completamente diferentes.

Para analisar sonhos é preciso analisar a própria vida: passado, presente e até mesmo o futuro. É importante conhecer a si mesmo, e abrir a mente para as mensagens que o inconsciente quer ter passar, mas que você se recusa a aceitá-las.

Candidíase de repetição

A cândida é um fungo que vive em harmonia conjuntamente com a flora vaginal, mas quando a nossa imunidade cai, ela passa se proliferar e provoca o que chamamos de candidíase.

Além da ardência e coceira, manifesta-se também aquele corrimento branquinho, com uma textura similar a de coalhada.

Toda mulher vai vivenciar a candidíase em algum momento da vida, e tudo bem! Faz parte e costuma ser fácil de tratar. O problema é quando ela vence todos os tratamentos e se repete constantemente.

Quando isso acontece, é importante ficar atenta à questões emocionais. Muitas vezes, o nosso corpo somatiza conflitos mentais que estamos evitando lidar. A somatização não é nada mais que um alerta para você tomar alguma atitude!

Se o seu caso for candidíase de repetição, além de procurar um ginecologista, também procure uma terapeuta para conversar sobre tudo o que você está passando. Entender o seu contexto de atual de vida e como ele faz te sentir, vai ajudar a melhorar todo esse incômodo, físico e mental.

A alimentação também entra na jogada, tanto como aliada como inimiga. Preste atenção no que você anda comendo. Evite consumir açúcar refinado em excesso, massas e carboidratos no geral.

 

Fonte: Lasciva Lua

O nada que pode ser tudo

O universo pode parecer um grande espaço vazio a olho nu, mas as pessoas que o estudam de pertinho apontam o contrário. Aliás, ninguém foi capaz de apontar ou medir exatamente o que existe por lá.

O ser humano tem o costume de classificar como “inexistente” e como “vazio” tudo aquilo que ele não enxerga e não toca, tudo aquilo do que ele não conhece. Mas a realidade vai além da nossa mera percepção, que formada a partir de aprendizados, hábitos e experiências pelas quais passamos desde que estamos dentro do útero.

A junção de toda essa cultura que nos constitui como indivíduos é chamada de personalidade. O pai da psicologia analítica, Carl Gustav Jung, a apelidou carinhosamente de “ego”. 

Se ego é igual a  personalidade, logo, ego também é igual a eu? Sim e não. 

Segundo Jung, o self é o nosso verdadeiro eu. Verdadeiro mesmo! Que é inerente do ser humano, e precede qualquer influência externa, mesmo que não haja consciência de sua presença. O self é o centro organizador da mente, como se fosse a semente uma árvore.

É a partir do self que o ego se origina. E assim que deve ser, pois o ego é o responsável por nos adaptarmos à vida em sociedade e por nos motivar a concluir nossos objetivos mundanos, como diploma, trabalho, bens materiais, relacionamentos, etc.  

Após todas essas conquistas,  o ego passa a se aproximar do self. Esta aproximação acontece aos pouquinhos e é chamada de metanoia. Na metanoia, o indivíduo inicia uma busca interior de autoconhecimento para descobrir seu verdadeiro propósito de vida.

No entanto, esta aproximação não é tão simples, pois estamos acostumados a nunca estar satisfeitos com o que conquistamos. Passamos o tempo todo tentando preencher os vazios com qualquer coisa que apareça na nossa frente, pois nos incomodamos demais com a sensação de incertezas, e de faltas. O cérebro se incomoda, na verdade.

E é por isso que o ser humano se entedia tão fácil, mas ao mesmo tempo, morre de medo do desconhecido, do incerto. O principal poder do desconhecido é acabar com a zona de conforto, que até então era muito bem quista. Territórios inexplorados não são muito bem vistos e nem respeitados pela sociedade. É mais fácil seguir o caminho que todo mundo segue.

Para chegar ao self  é preciso se despir do ego e se esvaziar todos os preenchimentos cotidianos. Questione sobre seus costumes, hábitos, preconceitos e opiniões que você agregou durante a vida por meio de suas experiências sociais, profissionais e familiares. 

Cada paradigma quebrado é um passo dado para chegar no self. Esse caminho pode durar muitos anos e até uma vida inteira. Depende da sua disposição para lutar batalhas internas e descobrir verdades obscuras sobre si mesmo. 

O que é inevitável é a eterna sensação de vazio. Eterna pelo menos enquanto não tivermos consciência do nosso próprio self, que jamais poderá ser completamente tapado. Afinal, ele faz parte da nossa essência.

Assim como o universo, o self é desconhecido e por isso se apresenta como a sensação de vazio, vazio existencial. Quanto menos buracos você tapar, mais espaço você terá para se conhecer, de verdade.

“Sentir o self sempre é uma morte para o ego” – Jung.

As Deusas que habitam em nós

“O inconsciente coletivo é a instância psíquica mais profunda que armazena experiências que não são nem pessoais e nem individuais, mas imagens primordiais ou arquetípicas e também os instintos, que não podem ser acessadas quando necessário, entretanto, manifestam-se em sonhos, mitos e fantasias de maneira simbólica. Por isso, no íntimo de toda mulher encontrar-se-ão as deusas. Todavia, em cada mulher, estará uma ou mais deusas ativadas e outras não, e mesmo a ativação terá suas diferenças individuais.” – Carl Jung na obra As Deusas e a Mulher de Jean Shinoda Bolen

Segundo Carl Jung, arquétipos são um conjunto de imagens primordiais que se repetem sucessivamente durante as gerações. A sua presença no inconsciente de todas as pessoas (coletivo) dá sentido às histórias passadas.

Na Mitologia Grega, a energia feminina era reverenciada pela representação do arquétipo da Grande Mãe, constituída pela união de 6 deusas gregas: Atena, Ártemis, Afrodite, Hera, Perséfone e Deméter. 

Acredita-se que cada mulher tem um pouco (ou muito) das 6 deusas dentro de si. As deusas sabem de suas responsabilidades e dons perante às mulheres e também sabem escolher os momentos em que estarão mais presentes e aqueles momentos em que elas darão lugar à outra deusa, que lidará melhor com a situação. O ideal é manter um equilíbrio entre elas, para que a vida da mulher seja harmoniosa.

Para entender melhor sobre o arquétipo das deusas, citaremos uma por uma e seus respectivos papéis no comportamento da mulher. Leia e descubra com quais deusas você se identifica mais!

Atena: A Guerreira

Características

  • Guia aspectos da carreira e da vida profissional
  • Intelectual
  • Rege a tecnologia, a ciência e os movimentos políticos e sociais
  • Independência e Autonomia
  • Raciocínio Lógico
  • Energia Extrovertida
  • Prática
  • Guerreira
  • Luta pelas causas que acredita
  • Busca pela justiça
  • Coragem heróica

Estigmas

  • Desconexão com o corpo físico e emocional
  • Fragilidade Emocional
  • Inconsciência Sexual
  • Sentir-se pressionada para casar e ter filhos

O que ela nos ensina

  • A desenvolvermos o raciocínio lógico e intelectual
  • A buscarmos conhecimento
  • A fortalecermos o ego
  • A irmos para a ação
  • A nos posicionarmos
  • A sermos mais resilientes

Ártemis: A Caçadora

Características

  • Independência e autonomia
  • Energia introvertida
  • Conexão com a natureza e com a Terra
  • Física e Atlética
  • Conexão com o corpo físico
  • Energia vital física
  • Valoriza a liberdade
  • Autossuficiência Emocional
  • Fica bem em sua solitude
  • Aventureira

Estigmas

  • Não se encaixa no estereótipo do feminino patriarcal, o que pode levá-la a uma exclusão psicológica e, às vezes, literal, da sociedade
  • Sentir-se pressionada para casar e ter filhos

O que ela nos ensina

  • A sermos livres
  • A sermos independentes e autônomas
  • A nos reconectarmos com o corpo físico
  • A nos reconectarmos com atividades da terra e do físico: cozinhar, plantar, praticar esportes, dançar, etc

Afrodite: A Amorosa

Características

  • Rege o amor e a eroticidade
  •  Rege a sensualidade e a sexualidade
  • Rege aspectos da vida íntima e das relações pessoais
  • Conexão com o belo
  • Sensibilidade
  • Inspiração artística
  • Capacidade de ligar-se aos outros
  • Presença e conexão
  • Empatia e troca
  • Compreende a energia masculina

Estigmas

  • Distorção de suas características atribuindo a ela o papel de puta/vagabunda
  • A rejeição por outras Deusas e outras mulheres
  • Quando em desequilíbrio, baixa autoestima

O que ela nos ensina

  • A nos comunicarmos com amor (comunicação verbal, corporal)
  • A nos gostarmos
  • A termos autoestima
  • A nos abrirmos para o belo, para os sentidos
  • A termos empatia pelo universo masculino
  • A sermos sensíveis

Hera: A Rainha

Características

  • Rege o mundo material
  • Poder e Governança
  • Liderança
  • Confiança
  • Autoridade e Dignidade
  • Ligada à tradição
  • Energia prática e direta
  • Buscar parceria forte e equilibrada com os homens
  • Autoconfiança
  • Determinação e Paciência

Estigmas

  • Sentir-se frustrada por ser subestimada pelo parceiro, que não divide o poder com ela (Cultura Patriarcal)
  • Ter seu poder limitado ao matrimônio e à família

O que ela nos ensina

  • A termos visão
  • A traçarmos estratégias
  • A sermos eficazes
  • A buscarmos uma parceria equilibrada com o masculino
  • A buscarmos o poder material
  • A termos uma relação saudável com o dinheiro

Perséfone: A Médium

Características

  • Relação com o sobrenatural
  • Intuição
  • Mistério da força vital
  • Experiências místicas e visionárias
  • Contato com poderes transpessoais superiores da Psiquê
  • Relacionamento com o mundo onírico (dos sonhos)

Estigmas

  • Ego fragilizado
  • Confusão mental
  • Falta de assertividade e direção

O que ela nos ensina

  • A nos ajudarmos em nosso processo de autoconhecimento
  • A entrarmos em contato com as nossas sombras
  • A interpretarmos nossos sonhos

Deméter: A Mãe

Características

  • Rege as colheitas
  • Rege os ciclos reprodutivos
  • Relacionada à maternidade
  • Rege a fertilidade
  • Instinto para cuidar
  • Doação e entrega
  • Paciência
  • Cuidado e dedicação

Estigmas

  • Excesso de doação, esquecendo-se dela mesma
  • Síndrome do ninho vazio

O que ela nos ensina

  • A ouvir nosso instinto maternal
  • A termos paciência
  • A sermos tolerantes
  • A sermos generosas
  • A contribuirmos para o crescimento do outro
  • A servir

Sonhos podem te ajudar a tomar decisões

Nos primórdios da civilização, as pessoas consultavam oráculos e sábios e relatavam os seus sonhos para que eles fossem decifrados.

Na tribo Senoi na Malásia, as crianças sempre relatavam os sonhos para os seus pais, pois eles acreditavam que o controle dos sonhos era muito importante para o indivíduo e para a coletividade.

Há um relato bíblico que ilustra bem esta perspectiva sobre os sonhos.  Certo dia, o Faraó sonhou com 7 vacas gordas seguidas de 7 vacas magras. Curioso, ele procurou José do Egito para que ele decifrasse o sonho. Assim, José explicou que as vacas gordas simbolizavam 7 anos de fartura e que as vacas magras simbolizavam 7 anos de escassez. Ao ter essas respostas, o Faraó ordenou que o máximo de alimentos fossem estocados durante o período de fartura para que o povo sobrevivesse ao período de estiagem.

Sonhos e inconsciente

De acordo com a psicanálise freudiana, os sonhos são a estrada para o inconsciente. O inconsciente é a coleção de todas as memórias e suas combinações possíveis, é o projeto-base originário da natureza do ser humano.

O psicanalista Carl Jung também fala bastante sobre os sonhos e sua relação com o inconsciente. Ele afirma que os sonhos transportam imagens do inconsciente que representam arquétipos (símbolos) que representam características do sonhador. Ou seja, não podemos classificar as interpretações oníricas como universais, pois elas variam de acordo com o contexto de vida de cada pessoa. Se uma mulher sonha que está grávida, por exemplo, não significa necessariamente que ela esteja grávida. Na verdade, pode ser que uma grande transformação interior esteja a aguardando.

Sonhos e imagens

A palavra imagem é derivada do latim “in me ago”, que significa ajo em mim. E toda a imagem informa alguma coisa. A palavra informa também vem do latim “in” (dentro) + forma (matéria). Toda a imagem carrega consigo uma matéria. Logo, “as imagens apresentadas pelo inconsciente por meio dos sonhos, carregam consigo a forma de uma energia que está em ação”, diz o filósofo e  fundador da ontopsicologia Antonio Meneghetti.

Ainda de acordo com o filósofo, o sonha carrega uma informação completa do sonhador. Ao ser decifrada, esta informação se torna uma ferramenta que pode auxiliar o sujeito a tomar uma decisão em algum aspecto de sua vida. As imagens de um sonho completo, revelam: a situação existencial do sujeito aqui, agora e assim; a causa e a solução dos acontecimentos.

Sonhos e Sidarta Ribeiro

Segundo o neurocientista Sidarta Ribeiro, os sonhos são uma dimensão da mente que apresentam uma simulação da vida, que possibilita que a gente aja sem consequências. Como se sonhar fosse uma espécie de treinamento para a realidade.

“No mundo contemporâneo não há lugar nenhum para o sonho. Ninguém pergunta sobre os sonhos. Mas, se você não prestar atenção aos sonhos, no fundo, é todo um espaço mental que deixa de existir. É como se a pessoa abrisse mão de uma dimensão da sua mente”, diz o neurocientista.

Os sonhos também podem funcionar como autocrítica. Anotar os sonhos é uma estratégia muito interessante, que quando recorrente, possibilita que o indivíduo vá construindo análises sobre si mesmo através da ponte entre o os sonhos e a vida real.

Mas as pessoas estão cada vez menos introspectivas. Elas vivem focadas no externo: consumo, dinheiro, sucesso, trabalho, opinião alheia. Não sobra espaço para autoconhecimento. Segundo o escritor, voltamos à Idade do Bronze, caracterizada por baixa complexidade de pensamento.

Fontes: Sidarta Ribeiro, Antonio Meneghetti, Carl Jung e Freud.

SETEMBRO AMARELO – PREVENÇÃO AO SUICÍDIO

Neste dia 10 comemoramos o dia mundial da prevenção ao suicídio, que é a consequência final de um processo que ocorre por uma combinação de fatores e depende de aspectos psicológicos e biológicos de toda a vida.

São registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de 1 milhão no mundo. Os dados mostram que 17% dos brasileiros, em algum momento, já pensaram em tirar a própria vida e apenas 1% chegou a ser atendida em pronto-socorro, ou seja, temos uma visão limitada desta dimensão.

Segundo a OMS o crescimento das taxas de depressão, ansiedade, doenças crônicas, e mesmo, suicídios, reflete o tipo de sociedade e as relações sociais que temos vivido nas últimas décadas, associado aos valores que adquirimos da nossa educação e experiências de vida. Tudo isto vai nortear nossa história.

Para uma pessoa tirar a vida de maneira consciente e intencional normalmente ela deve ter chegado a um limite que considera insuportável. Momentos de tristeza extrema como perda do emprego, separação, morte de familiares devem ser momentos de maior vigilância.

Temos um papel fundamental como pais, irmãos, familiares e amigos no sentido de detectar sinais que indiquem a tendência ao suicídio. A família é na maioria das vezes o elo mais próximo e com maior facilidade para a percepção de “mudanças”. Difícil, mas importante detectarmos esses sinais, numa sociedade que está conectada o tempo todo, onde existe cobrança sempre para a perfeição e corre-se atrás de sermos bem-sucedidos a qualquer custo.

Fonte: Conselho Federal de Medicina

Dra. Patrícia Pereira Faure e Dr. Ricardo Faure

Suicídio

Suicídio sempre foi um tema polêmico e cercado de tabus, assim como o câncer, os transtornos mentais e as doenças infectocontagiosas. Hoje, não conseguimos mais “escapar” destes temas, porque estamos vivendo um momento em que as notícias são divulgadas, muitas vezes, em tempo real. Um assunto que antigamente era mantido entre quatro paredes, hoje é questão em constante discussão e inclusive existem séries na internet que abordam claramente o tema. O assunto é tratado com muito mais naturalidade e realmente deve ser, porque temos presenciado casos nas escolas dos nossos filhos. Onde estamos errando? Qual a nossa parcela de culpa e qual a parcela da sociedade? Como minimizar os efeitos que podem fazer uma pessoa tirar a vida?

Em 12 anos, a taxa de suicídios na população de 15 a 29 anos subiu de 5,1 por 100 mil habitantes em 2002 para 5,6 em 2014 – um aumento de quase 10%.

O Brasil é o oitavo país com maior número de suicídios no mundo (OMS – Organização Mundial da Saúde, 2014). Foram 2.898 suicídios de jovens de 15 a 29 anos em 2014. Nesta faixa etária, a taxa de suicídio é sempre um pouco superior em relação às outras idades (Waiselfisz, 2014).

Segundo a OMS o crescimento das taxas de depressão, doenças crônicas, ansiedade e mesmo suicídios, reflete o tipo de sociedade e relações sociais que a humanidade tem desenvolvido nas últimas décadas, associado aos valores que “adquirimos” da nossa educação e das experiências de vida. Tudo isto vai nortear nossa história.

O suicídio na juventude intriga profissionais de saúde, pais e professores pelo paradoxo que representa: o sofrimento num período da vida de descobertas, alegrias e amizades e não de morte. Segundo especialistas, o problema também está associado a fatores como depressão, abuso de drogas e álcool, além das chamadas questões interpessoais – violência sexual, abusos, violência doméstica e bullying. Existe também muita cobrança por competitividade, nota e sucesso.

Enfim, temos que cumprir um aprendizado contínuo e entendermos a dinâmica do mundo atual, para conseguir ajudar as pessoas que fazem parte da nossa vida. A educação tem um grande peso para garantir bem-estar, equilíbrio e qualidade de vida.

Dra. Patrícia Pereira Faure / Dr. Ricardo Faure

Fonte: Site – Globo.com

 

ESPIRITUALIDADE E DOENÇA

A maneira como cada pessoa enfrenta as etapas de uma doença (diagnóstico, tratamento, reabilitação) e como ela lida com a possibilidade de morrer depende de características pessoais como personalidade, história de vida, núcleo familiar e nível sócio econômico cultural e espiritual.

Uma doença crônica, muitas vezes de evolução incerta (câncer, doenças autoimunes, doenças degenerativas), faz a pessoa procurar respostas sobre a vida:

– Quanto tempo ainda me resta?

– Fiz o que deveria e poderia até hoje?

– O que ainda devo resolver?

– Tenho a vida que gostaria?

Como é um assunto que vem sendo colocado em evidência mais recentemente, existe pouca literatura científica para este tema tão abrangente e muita polêmica em relação ao enfrentamento do câncer com auxílio espiritual. Estudos antropológicos atuais mostram que a visão religiosa está envolvida com o processo saúde-doença. Alguns estudos têm demonstrado associação positiva entre espiritualidade e enfrentamento da doença, diminuindo depressão, favorecendo maior adesão ao tratamento e consequentemente melhorando a qualidade de vida. Na visão mais elementar, a espiritualidade funciona como um facilitador na condução da doença.

A visão cartesiana que trata a pessoa com intervenções físicas e químicas padrão, para doenças com evolução incerta, deve sempre ser reavaliada. O bem-estar espiritual é uma das dimensões de avaliação do estado de saúde junto com as características corporais, psíquicas e sociais. O efeito da espiritualidade é relatado como fator de redução de stress psicológico durante todo o processo da doença e o bem-estar espiritual oferece proteção contra o desespero do fim da vida, trazendo paz e significado para este momento quando ele é inevitável.

Vale lembrar que a espiritualidade independe de denominações religiosas. É a busca pelo sagrado independente de ligação com instituições religiosas. Deve favorecer o amadurecimento pessoal e mostrar significado pela situação de vida. É universal e disponível para qualquer ser humano.

Vivemos numa sociedade que presta pouca atenção à alma. A espiritualidade faz a alma despertar colocando-nos diante do sagrado da existência humana, fazendo-nos seguir com dignidade e coragem o nosso destino. É um dos pilares que devemos considerar na condução do tratamento do paciente.

Dr. Ricardo Faure / Dra. Patrícia Pereira Faure

‘Quando me amei de verdade’: o maravilhoso poema de Charles Chaplin

Um dos poemas mais famosos de Charles Chaplin, que nos oferece uma fabulosa lição sobre o crescimento pessoal, começa assim: “Quando me amei de verdade, eu realmente entendi que, em qualquer circunstância, diante de qualquer pessoa e situação, eu estava no lugar certo e no momento exato. Foi então que eu pude relaxar. Hoje eu sei que isso tem um nome: autoestima”.

Os historiadores nos dizem que houve um momento no mundo da arte, da ciência e da cultura em que dois nomes brilhavam acima dos outros: Charles Chaplin e Sigmund Freud. Se o primeiro tinha o rosto mais familiar e admirado, o segundo tinha a mente mais brilhante.

“Não devemos ter medo de nos confrontarmos… até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas”.
– Charles Chaplin –

Tal foi a notoriedade de ambos que Hollywood passou muitos anos tentando fazer com que “o pai da psicanálise” participasse de alguma grande produção. Foi em 1925 que o diretor da MGM (Metro-Goldwyn-Mayer), Samuel Goldwyn, chamou Freud para elogiar as suas obras e publicações definindo-o como “o maior especialista do mundo em amor”. Mais tarde, pediu a sua colaboração em uma nova produção: “Marco Antônio e Cleópatra”.

Ele lhe ofereceu uma remuneração acima de cem mil dólares, mas Freud disse “não”. Diante de tantas negativas, as pessoas passaram a acreditar que ele odiava o cinema e toda a indústria cinematográfica. No entanto, em 1931, Sigmund Freud escreveu uma carta a um amigo revelando a sua profunda admiração por alguém que ele chamou de “gênio”. Alguém que na sua opinião mostrava ao mundo a transparência admirável e inspiradora do ser humano: Charles Chaplin.

Nessa carta, Freud analisou superficialmente o que Chaplin transmitia em todos os seus filmes: alguém de origem muito humilde, alguém que viveu uma infância difícil e que, apesar de tudo, prosseguia na sua maturidade com valores muito definidos. Não importavam as dificuldades que vivia diariamente, Chaplin sempre manteve um coração humilde. Assim, apesar das adversidades e obstáculos de uma sociedade complexa e desigual, sempre resolvia os seus problemas através do amor.

Nós não sabemos se Freud estava certo ou errado na sua análise, mas era o que Chaplin nos mostrava nos seus filmes e especialmente nos seus poemas: verdadeiras lições de sabedoria e crescimento pessoal.

Charles Chaplin: o homem por trás do poema

Dizem que Charles Chaplin escreveu este poema, “Quando me amei de verdade”, quando tinha 70 anos de idade. Alguns dizem que não é da sua autoria, mas sim uma adaptação livre de um parágrafo que aparece no livro de Kim e Alison McMillen “Quando eu me amei de verdade”. Seja como for, este não é o único texto de Chaplin que utiliza argumentos tão bonitos, requintados e enriquecedores sobre o poder e o valor da nossa mente.

Na verdade, também temos o poema “Vida”, onde ele nos diz, entre outras coisas, que o mundo pertence a aqueles que se atrevem, que viver não é simplesmente passar pela vida, mas lutar, sentir, experimentar, amar com determinação. Portanto, realmente não importa se este poema é uma adaptação de outro já existente ou se saiu da mente e do coração desse gênio icônico que nos cativou com o seu jeito de caminhar, seu bigode e sua bengala.

Carlitos, aquele personagem desengonçado, um vagabundo solitário, poeta e sonhador sempre em busca de uma diversão ou uma aventura, tinha uma mente muito lúcida: um homem com ideias muito claras sobre o que queria transmitir. E o que ele nos mostrou nas suas produções integra-se perfeitamente em cada uma das palavras desse poema. Na verdade, ele contou nas suas memórias que cada uma das características que constituíam a fantasia do seu personagem tinha um significado:

  • As suas calças eram um desafio para as crenças sociais.
  • O chapéu e a bengala tentavam mostrá-lo como alguém digno.
  • O seu pequeno bigode era uma demonstração de vaidade.
  • As suas botas representavam os obstáculos que enfrentamos todos os dias no nosso caminho.

Charles Chaplin sempre tentou nos conscientizar através da inocência do seu personagem, nos fazer acordar para entendermos os complexos paradoxos do nosso mundo. Um lugar onde apenas nossas forças humanas e psicológicas poderiam enfrentar a insensatez, a desigualdade, a presença do mal. Algo que vimos sem dúvida em “O Grande Ditador”, em que ele nos convidava a nos conectarmos muito mais com nós mesmos e com os outros seres humanos, defendendo os nossos direitos e os direitos do nosso planeta.

Até hoje, e isso não podemos negar, o legado de Chaplin não se desfez; sempre será necessário e indispensável. Porque as lições transmitidas através da tragicomédia são aquelas que mais nos fazem pensar, e poemas como “Quando eu me amei de verdade” são presentes para o coração, convites diretos para melhorarmos como pessoas.

‘Quando me amei de verdade’, Charles Chaplin

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância eu estava no lugar correto e no momento preciso. E então, consegui relaxar. Hoje sei que isso tem nome… Autoestima.

Quando me amei de verdade, percebi que a minha angústia e o meu sofrimento emocional não são mais que sinais de que estou agindo contra as minhas próprias verdades. Hoje sei que isso é… Autenticidade.

Quando me amei de verdade, deixei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a perceber que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje sei que isso se chama… Maturidade.

Quando me amei de verdade, compreendi por que é ofensivo forçar uma situação ou uma pessoa só para alcançar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou que a pessoa (talvez eu mesmo) não está preparada. Hoje sei que isso se chama… Respeito.

Quando me amei de verdade, me libertei de tudo que não é saudável: pessoas e situações, tudo e qualquer coisa que me empurrasse para baixo. No início a minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que isso se chama… Amor por si mesmo.

Quando me amei de verdade, deixei de me preocupar por não ter tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os megaprojetos do futuro. Hoje faço o que acho correto, o que eu gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é… Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos. Assim descobri a… Humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. E isso se chama… Plenitude.

Quando me amei de verdade, compreendi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, é uma aliada valiosa. E isso é… Saber viver!

Fonte: A mente é maravilhosa

Terapia com cães: quais são os seus benefícios?

O cachorro é o animal de companhia por excelência. Não importa o que tenha acontecido ou como tenha sido seu dia de trabalho, eles estarão sempre lhe esperando. Mas, além desta lealdade, a utilização da terapia com cães como recurso terapêutico vem se tornando uma prática cada vez mais comum.

Esse tipo de terapia é usado para ajudar pessoas com deficiências, doença de Alzheimer, depressão e até mesmo crianças autistas. A terapia com cães apresenta diversos benefícios físicos, psicológicos e sociais.

Para quem é indicada a terapia com cães?

Os cães são os animais mais utilizados nas terapias com animais. Está provado que eles ajudam a melhorar a saúde e o bem-estar dos pacientes. Este tipo de terapia é baseado na assistência e na realização de intervenções nas quais a interação entre o animal e a pessoa é introduzida como um ponto chave.

É importante entendê-la como um complemento das terapias clínicas, não como uma substituta ou alternativa para outros tratamentos convencionais. Ela deve ser supervisionada e dirigida por profissionais de saúde ou educação. É necessário um trabalho interdisciplinar para obter os resultados esperados.

Este tipo de terapia tem sido usada com muito sucesso para tratar pessoas que sofrem de diferentes problemas. Entre eles, os distúrbios emocionais e comportamentais, como TDAH, estresse, ansiedade ou depressão; vícios ou alterações psíquicas e neurológicas, como a doença de Alzheimer. E também para distúrbios do espectro autista, doenças venéreas como a AIDS ou com pessoas dependentes e idosas.

Dois tipos de cães terapeutas

Os cães utilizados nessas terapias devem atender a uma série de critérios ou características específicas. É conveniente que sejam ágeis, ativos, obedientes, afetuosos, pacientes e gentis. Uma vez passado por esse filtro inicial, eles podem ser treinados como cães terapeutas.

Devemos diferenciar dois tipos de cães, dependendo da finalidade da terapia:

  • Cães de assistência: são preparados para ajudar as pessoas com necessidades específicas. Por exemplo, cães-guia para cegos, aqueles que ajudam pessoas surdas ou que se tornam um suporte para as pessoas com deficiência física.
  • Cães de terapia: são aqueles que se tornam ajudantes ou “co-terapeutas”. Eles são usados ​​para alcançar uma maior interação com os doentes. Seu trabalho se concentra nas pessoas idosas, crianças autistas ou indivíduos com outros tipos de transtornos psicológicos.

São muitos os benefícios psicológicos e emocionais

Nas pessoas com dano cerebral adquirido, é muito útil fazer terapia com cães porque aumentam a sua motivação. Como um método para acelerar sua reabilitação, interagir com esses animais serve de incentivo e como uma forma de permanecer ativo. Alimentá-los ou realizar atividades com os cães os estimula mentalmente. Por sua vez, isso faz com que melhorem a sua atenção e se esforcem para acompanhar o ritmo marcado.

A terapia também os impede de se sentirem solitários. Os cães são considerados os melhores amigos do homem, porque nos aceitam sem condições. É por isso que eles são uma espécie de terapeutas naturais, que servem como um antídoto para combater a ansiedade, a depressão, o estresse ou a monotonia.

Os pacientes gostam da sua companhia, especialmente se gostam de animais. Normalmente eles preferem se recuperar junto com outro ser vivo, e não com uma máquina de exercícios totalmente mecânica.

Além disso, o vínculo criado entre o cão e a pessoa vai além do afeto mútuo. Muitos consideram que é semelhante ao vínculo gerado pela mãe com o seu bebê. Como consequência de todos esses benefícios, a terapia com cães melhora o humor dos pacientes.

Benefícios físicos e sociais

A terapia com cães aumenta a atividade física dos pacientes. Brincar com eles, fazer atividades de flexão ou caminhada fortalece os músculos, os ossos e articulações. Dessa forma, facilita um melhor desenvolvimento do sistema vestibular (relacionado com o equilíbrio e controle espacial), aumenta a propriocepção (equilíbrio postural) e a força muscular.

Por outro lado, melhora as habilidades motoras e a coordenação, porque trabalha todos os sentidos do paciente, desde a visão, audição ou tato. Também graças a atividades como acariciar, alimentar, cuidar ou escovar os seus pelos, o paciente adquire um maior domínio de movimentos específicos, especialmente das mãos e braços.

Portanto, além de ser uma poderosa ponte de comunicação entre o terapeuta e o paciente, a terapia com cães proporciona uma aprendizagem através das brincadeiras. Encoraja o contato social e o desenvolvimento de habilidades de lazer, melhora múltiplas habilidades, como a empatia, o respeito, a comunicação, a cooperação e o trabalho em equipe.

Sua grande vantagem: a versatilidade

A terapia com cães pode ser feita tanto em grupos como individualmente. Depende das necessidades de cada paciente e da maneira mais adequada de abordar a deficiência, transtorno ou dificuldade da pessoa. Em comparação com outras terapias que só permitem a sua realização em um centro especializado, estas também podem ser feitas em casa. A terapia personalizada pode ser dirigida a pessoas de qualquer idade, desde crianças até idosos.

Além de ser um dos animais de estimação preferidos pelas crianças e adultos, os cães nos dão possibilidades reais de cura. Usá-los como complemento de uma terapia oferece, como vimos, múltiplos benefícios em todos os níveis. Isso significa que eles são cada vez mais incorporados a terapias de ajuda e assistência de problemas com alterações e deficiências.

Fonte: A mente é maravilhosa

Síndrome de Boreout: a outra cara do Burnout

O mundo do trabalho pode ser bastante tóxico. É verdade que ter um emprego hoje em dia é sinônimo de privilégio, mas isso não significa que estamos isentos de problemas. Existem diversas condições relacionados com o trabalho que podem levar à depressão, insatisfação e ansiedade. Uma delas é a síndrome de Boreout, antagonista da Síndrome de Burnout.

Este último transtorno psicológico foca na supersaturação. Aparece naqueles trabalhadores com um grande estado de ansiedade e estresse emocional. O estado de esgotamento mental a que estão submetidos é tamanho que podem chegar a sofrer de problemas de ansiedade e pânico. A síndrome de Boreout, por outro lado, se baseia no sentimento de tédio decorrente da falta de expectativas no emprego. O conceito surgiu em 2007 das mãos de Phillippe Rothlin e Peter R Werder.

“A recompensa do trabalho bem feito é a oportunidade de fazer mais trabalho bem feito.”
– Edward Salk –

O que é a síndrome de Boreout?

A síndrome de Boreout é um fenômeno que, olhando de longe, pode parecer completamente inofensivo. Ter tão pouco trabalho ou tão pouca responsabilidade que não sabemos o que fazer com o resto do tempo é o sonho de muitas pessoas. Estas, submetidas a trabalhos precários ou à já mencionada Síndrome de Burnout, sonham com ter horas para respirar durante a jornada de trabalho.

O que muitos não sabem é que esta situação acaba afetando negativamente aqueles que a experimentam. A falta de objetivos, o desinteresse e a frustração não demoram a aparecer, provocando depressão, apatia e problemas de concentração a longo prazo.

Esta sensação crônica surge da falta de planejamento, do monopólio das tarefas mais interessantes por parte de outros, da superqualificação ou de limitações na hora de inovar. Muitos profissionais não se veem reconhecidos nem valorizados em seu trabalho por parte de seus superiores. Isso faz com que o trabalhador se dê conta de que, por mais que se esforce, seu posto será o mesmo. Influencia também a escassa preparação de alguns trabalhadores, que acabam se sentindo inúteis e deixando de lado suas funções.

Os empregos relacionados com tarefas monótonas promovem também esta situação, como as cadeias de montagem ou armazenamento. Fazer o mesmo trabalho durante horas, sem uma variação é, além de tedioso, algo nocivo.

Como posso prevenir a síndrome de Boreout?

A Síndrome de Boreout pode ser prevenida sempre e quando as empresas tomarem as medidas adequadas. A saúde mental dos funcionários é fundamental para uma boa realização das tarefas. Ignorar suas necessidades, não valorizá-los e não prestar atenção nas suas sugestões fará com que o clima de trabalho piore.

Existem vários focos aos quais devemos prestar atenção. Centrar-se neles, estudá-los e estabelecer soluções é essencial para acabar com este transtorno psicológico. Se a própria empresa decide não intervir, os trabalhadores devem buscar alternativas.

Pratique atividades fora do horário de trabalho

É importante separar a vida de trabalho da pessoal. Ao acabar o expediente, devemos nos desconectar e realizar atividades de que gostamos e que nos motivem. Praticar esportes, fazer teatro, ioga, ir ao cinema ou ficar com os amigos são as opções mais recorrentes. Ler é também um passatempo bastante utilizado, dado que nos permite fugir da realidade. Somos seres humanos, e como tais precisamos de distrações. Procure que sejam saudáveis e não recorra a alternativas prejudiciais, como o álcool ou as drogas.

Fale com um especialista

Se você notar que precisa de ajuda externa, fale com um especialista. Os psicólogos e psiquiatras são os encarregados de velar por sua saúde mental e emocional. Eles ajudarão a encontrar técnicas de relaxamento, escutarão seus problemas e irão acompanhá-lo na busca por soluções.

Não devemos ter medo de pedir ajuda. Às vezes algumas sessões por mês fazem muito mais do que pensamos.

Defina uma lista de objetivos

Ter uma lista de objetivos a curto e longo prazo sempre vai bem. Pense em tudo aquilo que deseja conseguir em pouco tempo, e depois em seus sonhos a longo prazo. Reflita, estabeleça conexões e tome decisões para chegar onde quer.

Algumas de suas metas podem ser impossíveis, mas outras não. O esforço e a constância vão sempre de mãos dadas com a sorte, que aparece quando deve. Tente estar preparado para quando ela surgir.

Fale com seus superiores

Se você acha que eles não são conscientes da situação, tente iniciar uma conversa. Pode ser que pela exposição de seus argumentos você seja ouvido e seja feita uma mudança. Procure ser amável e não exigir, explicando com tranquilidade seu ponto de vista sobre o assunto.

No pior dos casos tudo continuará igual, mas ao menos você saberá que tentou. É muito mais do que ficar parado, sem fazer nada, por medo da resposta. Tenha coragem para brigar por seus direitos como trabalhador.

Fonte: A mente é maravilhosa