Como o câncer de mama pode afetar a fertilidade?

câncer de mama costuma ser mais comum em mulheres acima dos 50 anos. Em 10% dos casos, no entanto, a doença surge uma década antes e a preocupação sobre o quanto o tratamento pode impactar na fertilidade passa a ser debatida.

Caso a paciente receba a indicação da quimioterapia, há um risco de que a medicação comprometa a reserva de óvulos e, em algumas situações, antecipe a menopausa. No caso da cirurgia e da radioterapia — outras ferramentas terapêuticas —, o impacto na fertilidade é menor.

De acordo com João Bosco Oliveira, imunologista e diretor médico da Genomika Einstein, se o diagnóstico ocorrer enquanto o tumor tiver menos de um centímetro de tamanho, as chances de cura podem ultrapassar os 90%, e o tratamento tende a ser menos agressivo. “A prioridade nesses casos sempre será o tratamento adequado do câncer”, explica.

Papel da genética na gestação

A genética pode ser uma aliada à paciente que desejar engravidar após o tratamento. Uma das possibilidades oferecidas atualmente é a coleta e congelamento dos óvulos antes da quimioterapia.

Passada a doença, os especialistas fecundam os óvulos e realizam uma Triagem Genética Pré-Implantação, ou PGT-A. Este exame amplia as chances da fertilização in vitro ser bem sucedida, pois avalia geneticamente os embriões. A técnica é realizada pela Genomika Einstein.

“O exame irá avaliar o embrião geneticamente e indicará aqueles que possuem mais chance de resultar em uma gravidez, reduzindo o risco de abortos espontâneos”, explica Oliveira.

Câncer de mama precoce pode ter fatores genéticos

Casos de câncer de mama em mulheres com menos de 40 anos podem estar associados a predisposições genéticas. As mais comuns são as mutações que ocorrem nos genes BRCA1 e BRCA2. O Painel NGS de Risco Hereditário de Câncer, exame também realizado pela Genomika Einstein, analisa 44 genes relacionados ao risco aumentado de desenvolver vários tipos de câncer, incluindo os de mama e ovário.

Mulheres negras ainda buscam igualdade

O mundo está se transformando, sob vários aspectos. Ou, pelo menos, está tentando mudar. O preconceito histórico que envolve diversas questões, como classe social, religião, sexo ou orientação social, está sendo combatido gradativamente. Atualmente, a tolerância para situações ou comportamentos que levam à desigualdade e a constrangimentos é cada vez menor.

Porém, mesmo com esse movimento crescente, ainda estamos longe do cenário ideal. Isso porque, como já dito, são valores equivocados que vêm de séculos. São centenas de anos em que o preconceito predominava. Pior, ele se enraizou de tal forma que significativa parcela da população mundial continua acreditando em absurdos, como criticar ou condenar uma pessoa por sua cor de pele, por exemplo. Esse processo histórico trouxe situações de desigualdade. E não seria diferente com a condição das mulheres negras no mercado de trabalho.

Essa questão envolve dois preconceitos históricos: a desigualdade de gênero e a condição racial. A pesquisa “Potências (in)visíveis: a realidade da mulher negra no mercado de trabalho”, publicada no final de 2020, é um dos maiores levantamentos já realizados no Brasil sobre o tema de inclusão racial e de gênero no mundo corporativo. O trabalho é resultado da parceria entre a consultoria Indique uma Preta e a empresa Box1824.

Organizada no período de seis meses, a pesquisa não somente denuncia as dificuldades para a inserção das mulheres, como também destaca a necessidade de aprimorar ações afirmativas para ambientes de trabalho mais diversos.

Dados do IBGE

Os dados compilados são resultado de entrevistas com mais de mil mulheres negras de todo o país. E são alarmantes. As mulheres negras compõem 28% da população brasileira. Juntos, negros e negras representam 54,9% da força de trabalho do Brasil e 57,7 milhões de pessoas, segundo dados do IBGE. No entanto, são também os representantes mais comuns entre os profissionais desocupados e subutilizados.
Das trabalhadoras negras entrevistadas para o estudo, 54% não exercem trabalho remunerado e 39% delas dizem estar procurando emprego no atual momento. Mesmo nas empresas que adotam ações afirmativas de inclusão racial, a questão hierárquica ainda é branca e maior parte dos cargos para pessoas negras são para assistentes ou analistas juniores. Apenas 9% ocupam cargos de chefia, como gerentes, supervisoras ou coordenadoras, sócias ou proprietárias. Ou seja, a desigualdade está aí, comprovada em números.

Exceções

Porém, existem exceções que desafiam a regra e mostram que é possível, sim, que mulheres negras trabalhem em igualdade de condições, desempenhando brilhantemente suas funções. Uma delas é Rachel Maia, 48 anos. Formada em Ciências Contábeis na FMU, galgou degraus em diversas empresas, mesmo tendo enfrentado dificuldades na infância. Após construir brilhante carreira, ocupou o cargo de CEO da Lacoste Brasil.
Um exemplo para identificar o óbvio. Que mulheres negras são capazes. O que precisamos é que os movimentos de combate à desigualdade ganhem mais força e representatividade. E que o mundo corporativo abandone ideias ultrapassadas e passe a considerar no seu processo de seleção o que realmente importa: a capacidade e engajamento profissional de cada um.

Câncer de colo de útero e a luta pela vacinação, rastreamento e tratamento precoce

Em agosto de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou uma resolução defendendo a erradicação do câncer de colo do útero até 2030. De acordo com a OMS, se todos os países conseguirem manter um índice de casos menor do que quatro a cada 100 mil mulheres, o câncer de colo de útero será eliminado do planeta. Desde então, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) aderiu à campanha e vem promovendo ações de amplo engajamento neste sentido.

O tema é de extrema importância no Brasil, que contabiliza o diagnóstico de 16 mil novos casos por ano, e desses, sete mil vão à óbito. Os números são do Instituto Nacional do Câncer (INCA), que confirma que este tipo de câncer é uma das principais causas de morte entre mulheres. “O câncer do colo do útero é ligado ao HPV, um vírus sexualmente transmissível. Porém, ele pode ser erradicado e, para tanto, estamos participando de uma estratégia para todo território nacional, cuja atuação se baseia em três pilares: vacinação, rastreamento e tratamento precoce. Na questão da vacinação contra o HPV, a meta é que 90% das meninas entre 9 e 15 anos sejam vacinadas. Seria importante também que ao menos 70% dos meninos entre 11 e 14 anos sejam vacinados, apesar desse objetivo não constar oficialmente das metas da OMS e da campanha, já que ela é dirigida predominantemente ao público feminino. Duas doses em um intervalo de seis meses são suficientes para a prevenção do HPV maligno, que causa o câncer, e também do HPV benigno, que causa verrugas pelo corpo. A vacina está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS)”, fala a doutora Cecília Maria Roteli Martins, presidente da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Febrasgo, doutora em ginecologia e obstetrícia pela Unicamp e pesquisadora da Faculdade de Medicina do ABC.

“Sobre a questão do rastreamento, o que almejamos é que 70% das mulheres realizem um exame diagnóstico com teste efetivo até os 35 e outro até os 45 anos de idade. Nesse pilar, consta também a intenção da substituição do exame do Papanicolau, o único disponível hoje no SUS, pelo teste efetivo contra o HPV, que faz a leitura do DNA do vírus e é muito mais preciso. Queremos ainda que 90% das mulheres identificadas com lesões precursoras ou câncer invasivo recebam tratamento adequado”, completa Dra. Cecília.

Evitando o pior

Apesar de ser passível de erradicação e tratamento, o câncer do colo do útero apresenta algumas características que o tornam perigoso. A principal delas é de que ele é assintomático, ou seja, os sintomas só aparecem quando a doença já se encontra em estágio avançado. “A aplicação da vacina já seria uma solução definitiva. E a importância do rastreamento e o consequente tratamento precoce evitam que ele chegue nesse ponto. Mulheres que têm o hábito de fazer o Papanicolau certamente não terão a doença ou, se terão, poderão tratá-la como uma lesão precursora, quando uma simples intervenção cirúrgica basta para a cura. Em estágios mais avançados o tratamento é muito agressivo, com a aplicação de quimioterapia, radioterapia e intervenções cirúrgicas muito mais invasivas”, explica a doutora Neila Maria de Góis Speck, presidente da Comissão Nacional Especializada do Trato Genital Inferior da Febrasgo, professora adjunta do departamento de ginecologia da Unifesp e coordenadora científica da Associação Brasileira do Trato Genital Inferior.


Quando o câncer não é tratado no início, a mulher pode apresentar sangramento durante a relação sexual, sangramento espontâneo que não corresponde a menstruação, além de dor, secreções incomuns e forte odor vaginal. “Estamos nessa luta há mais de 20 anos sem conseguir mudar essa triste realidade. E apesar do câncer não escolher idade ou classe social, é verificada uma incidência maior em mulheres não brancas (60%) e mais de 2/3 delas com menos de 8 anos de escolaridade. Ou seja, é um problema social também, que atinge mulheres que moram na periferia, ou ainda em regiões remotas do país”, comenta a Dra. Neila.

Câmara Técnica

Uma ferramenta que pode ser utilizada, especialmente para mulheres que vivem longe dos grandes centros, é a autocoleta. Um kit contendo uma escova para raspagem intravaginal e frasco com líquido apropriado pode ser obtido no SUS. O material proveniente da raspagem é encaminhado ao laboratório, podendo inclusive ser enviado pelo correio. Sua análise poderá constatar se existe o DNA do HPV, o que levaria, em caso afirmativo, a outros exames mais específicos.

Além da campanha de erradicação estar voltando ao protagonismo que merece, já que a pandemia da Covid-19 também interferiu nesse processo, outra boa notícia é a iniciativa do Ministério da Saúde em criar uma Câmara Técnica voltada exclusivamente para essa questão. O objetivo é que profissionais da saúde especializados no tema, entre eles a doutora Yara Lúcia Mendes Furtado de Melo, membro da Comissão Nacional Especializada do Trato Genital Inferior da Febrasgo, possam dar à pasta o devido apoio técnico na atualização das ações de prevenção, detecção e tratamento precoce do câncer de colo de útero com foco na garantia de acesso e atenção integral às mulheres.

A doutora Cecília Maria Roteli Martins completa dizendo que “o desafio é enorme. Em 2014, quando a vacinação contra o HPV foi introduzida na rede pública de ensino, sua adesão foi fantástica. Porém, quando passou para o SUS, o resultado não foi o mesmo. Dados recentes mostram que 73,3% de meninas entre 9 e 15 anos tomaram a primeira dose, mas apenas 46,6% têm a segunda dose. Entre os meninos de 11 a 14 anos, as taxas são piores – 36,6% tomaram a primeira dose e apenas 19,2% a segunda – isso é muito pouco”.

Sobre a ampliação de informações acerca da prevenção do câncer de colo de útero a doutora Neila Maria de Góis Speck, afirma que “existe também a preocupação de disseminar conhecimento para todas as mulheres no Brasil, para que entendam o problema como um todo e pratiquem a prevenção. Até mesmo a classe médica necessita de capacitação; muitos profissionais nem ao menos seguem o protocolo sugerido pela OMS, tampouco a diretriz de rastreamento do câncer de colo uterino do INCA, com relação ao exame do Papanicolau. Acabar com tabus e preconceitos e incentivar o apoio familiar a quem tem o câncer do colo de útero são outras questões importantes que necessitam ser postas em prática o mais rápido possível”, conclui.

TROMBOEMBOLISMO VENOSO E CONTRACEPÇÃO

O tromboembolismo venoso (TEV) é caracterizado pela formação de coágulos de sangue no interior das veias, bloqueando de forma parcial ou total a passagem do sangue. Além disso, o termo é empregado para designar a combinação de duas doenças: a trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar (EP). A trombose venosa profunda é causada pela formação de coágulos no interior das veias profundas, geralmente ocorrendo nos membros inferiores do corpo, enquanto a embolia pulmonar é a obstrução das artérias do pulmão causada pela formação de coágulos (trombo).

É uma doença decorrente de condições diversas, adquiridas ou congênitas, e dentre os principais fatores de risco para o desenvolvimento do TEV estão aumento da idade, obesidade, cirurgia e trauma, câncer, gravidez e pós-parto, tabagismo, viagem de avião, varizes e uso de alguns hormônios. Entretanto, é uma doença rara em jovens.

O público feminino é mais comumente atingido pela doença devido à maior frequência de problemas genéticos que desencadeiam a trombose. Além disso, certos hormônios femininos, tanto os próprios da mulher quanto os ingeridos, tendem a provocar o aumento do processo de coagulação sanguínea em pessoas que já têm histórico familiar de trombose.
Para saber mais acesse a sessão de doenças femininas do gineco.com.br

Tromboembolismo Venoso e Contracepção

Fonte:

Cannegieter SC , Rosendaal FR. Pregnancy and travel-related thromboembolism. Thromb Res. 2013;131(1):S55-58.
Lensing AWA, Prandoni P, Prins MH, Büller HR. Deep-vein thrombosis. Lancet 1999; 353: 479–85.

Contracepção e tromboembolismo

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A maioria das mulheres não possui grande chance de desenvolver tromboembolismo, visto que é uma doença rara em jovens. sendo assim por esse motivo não possuem nenhuma contra indicação para o uso de quaisquer métodos contraceptivos.

No entanto, existem algumas mulheres que têm aumento de chance de desenvolver trombose ou que já tiveram e assim possuem restrições a certos contraceptivos, isso porque todos os contraceptivos combinados (pílulas, adesivo, anel vaginal, injeção mensal), ou seja, que contêm 2 tipos de hormônios femininos, o estrogênio e progesterona, aumentam o risco de desenvolver a doença.

A gestação nessas mulheres deve ser bem planejada, pois a gravidez e o pós-parto aumentam ainda mais o risco de desenvolver tromboembolismo.

Para essas mulheres, opções seguras são as opções sem hormônios ou contendo somente progesterona. Sendo que a eficácia é muito importante, os métodos mais indicados são os métodos de longa ação (LARCs da silga em inglês). são eles: DIU hormonal também conhecido como DIU Hormonal, DIU de cobre e implante.

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Vale ressaltar que algumas mulheres com alto risco de desenvolver tromboembolismo às vezes utilizam anticoagulantes que podem aumentar o fluxo menstrual. assim a opção do DIU Hormonal torna-se interessante já que também é indicado para reduzir o fluxo menstrual.

Caso você deseje saber se tem um aumento do risco para tromboembolismo ou deseja discutir mais sobre as características de cada método, procure o seu ginecologista; ele é a pessoa mais indicada para fazer essa avaliação.

CANDIDÍASE: INFECÇÃO COMUM, MAS QUE MERECE ATENÇÃO

Infecção provocada por fungos do gênero Cândida, a candidíase pode ocorrer em qualquer estação do ano, pois é considerada oportunista, isto é, ela se aproveita de um momento de maior fragilidade do organismo e da proliferação de microorganismos no ambiente, como conta a Dra. Flávia Fairbanks, professora e ginecologista da Clínica FemCare.

A médica explica que, no verão, a candidíase é comum devido à alta frequência a praias e piscinas, além do uso contínuo de biquínis molhados, contatos com areia e cloro, podendo estas situações mudar o pH ou alterar a flora vaginal, permitindo a instalação da infecção.

Já no inverno, a situação é outra: roupas justas e abafadas em excesso prejudicam a oxigenação vulvovaginal e também podem propiciar as infecções. Além disso, o abuso de álcool (vinhos, espumantes) e carboidratos devido ao frio (até os chocolates) também auxilia na acidificação vaginal e favorece as infecções fúngicas. “Por fim, a maior incidência de infecções nessa época, como gripes e resfriados, principalmente se tiverem sido acompanhados da necessidade de uso de antibióticos, também pode contribuir para a ocorrência da candidíase”, destaca.

Candidíase

Vale saber que este fungo, em níveis e condições normais, vive em nosso organismo sem causar maiores danos, mas ao encontrar ambiente propício para sua reprodução e um sistema imunológico deficiente, se multiplica, causando os sintomas de candidíase.

Grandes estudiosos da ginecologia afirmam que 75% das mulheres teriam, pelo menos, um episódio de candidíase na vida e 5% delas teriam o quadro de candidíase recorrente (mais de quatro episódios por ano). Apesar de não ser considerada uma doença sexualmente transmissível, ela pode ser transmitida através de relações sexuais, afetando homens e mulheres. Nas mulheres, os sintomas são dor, coceira, ardência, inchaço e vermelhidão na vulva, associados a dor para urinar e durante a relação sexual e, principalmente, corrimento esbranquiçado tipo leite talhado.

O primeiro passo para o tratamento é determinar as causas, combatê-las e evitar recidivas. O médico pode indicar antimicóticos e pomadas antifúngicas de uso local. Quando não são suficientes, ele prescreve medicamentos por via oral por tempo mais prolongado. Cabe ao ginecologista escolher o que é melhor para cada paciente.

Quando a candidíase vaginal não é tratada corretamente, ela pode se tornar um quadro persistente, repetindo em intervalos cada vez menores. Em casos mais sérios, em que existe depressão do sistema imunológico, a infecção é capaz de atingir órgãos vitais e, inclusive, gerar complicações nos rins, pulmões e levar a óbito.

Muitas mulheres sentem vergonha em falar sobre o assunto, mas a Dra. Flávia Fairbanks diz que não há nenhum motivo para isso, pois se trata de um problema de saúde que merece tratamento adequado. “O importante é ter informação, conhecimento, bom acesso ao serviço de saúde e cuidar/gostar bastante de si mesma. Isso vence qualquer obstáculo”, destaca.

Gravidez

Na gravidez existe aumento da incidência de candidíase devido à liberação dos hormônios da placenta que determinam o aumento da acidez vaginal, tornando o ambiente ideal para o fungo, além de existir uma diminuição da imunidade naturalmente nessa fase. Uma mulher grávida é dez vezes mais suscetível do que quando não está esperando bebê.
Importante ressaltar que a infecção por Cândida na mãe não prejudica o bebê. Se no momento do parto a mulher ainda tiver a infecção, há uma pequena chance de contágio quando a criança passar pelo canal vaginal. No entanto, não é grave e é facilmente tratável.

Durante os três primeiros meses de gravidez, os médicos não recomendam o uso de medicamentos. por isso, neste período, é preciso utilizar métodos naturais e o reforço da imunidade através de alimentos saudáveis.

Prevenção

Tudo o que permitir uma boa ventilação dos órgãos genitais é benéfico como forma de prevenir a infecção: dormir sem calcinha, utilizar calcinhas de algodão e evitar roupas de tecidos sintéticos e muito justas. Além disso, não consumir antibióticos sem necessidade, evitar o uso contínuo de absorventes internos, cuidar da higiene íntima, preferir o uso de papel higiênico branco e sem perfume, usar camisinha em todas as relações sexuais, bem como realizar as consultas preventivas periodicamente e seguir as recomendações do médico.

Ter uma rotina saudável e sem estresse também é fundamental para manter o sistema imunológico fortalecido. Algumas mudanças no cardápio podem prevenir a infecção e colaborar para acelerar o tratamento. A nutricionista da UNG Universidade, de Guarulhos, SP, Cristiane Botelho da Silva, lembra que a multiplicação fúngica descontrolada, se presente também no intestino, faz com que haja uma liberação de subprodutos que passam pela parede intestinal, causando uma variedade de sintomas como fadiga, gases, diarreia, infecções repetitivas, irregularidades menstruais, alergias, sensibilidade a medicamentos e até mesmo depressão.

Embora o primeiro passo seja uma avaliação médica, Cristiane Botelho da Silva diz que o nutricionista em conjunto com o médico pode orientar na melhoraria dos sintomas. A seguir, ela dá algumas dicas de alimentação para ajudar a lidar com o problema.

O que evitar
– Açúcares e carboidratos refinados e simples como biscoitos, arroz branco, macarrão e pão branco. Além de nutrir a Cândida, o doce modifica o pH intestinal.

– Vinho, cerveja e outras bebidas fermentadas pela ação dos fungos. Enquanto estiver com candidíase, todos os alimentos que contém fungos devem ficar de fora do cardápio, como cogumelos, vinagres e produtos que o incluem (ketchup, mostarda, azeitona e picles) e massas com fermento biológico (pão, pizza e torta).

– Alimentos ácidos, como arroz polido (branco), bebidas alcoólicas, café, doces (chocolates, bolos, tortas, sorvete, bala, adoçados com açúcar), refrigerantes normais e todos os cereais refinados.

Cristiane Botelho da Silva salienta que os probióticos são excelentes para a saúde intestinal e global do organismo e cabe ao médico receitar o melhor. Já a cebola e o alho são ótimos no combate tanto da Cândida quanto de outros parasitas, e devem ser consumidos na forma crua ou em suplementos de óleo ou extrato de alho.

“Uma alimentação equilibrada, com muita salada nas refeições, que são excelentes para a saúde intestinal, ajuda no controle da candidíase. A folha verde escura tem muitas fibras que auxiliam na fermentação das boas bactérias, mantém o pH do intestino adequado e, por consequência, controla os fungos”, explica.

Ela também indica o consumo de vitaminas e minerais, pois o sistema imunológico necessita de alguns nutrientes para o seu bom funcionamento, ajudando na prevenção e no tratamento da candidíase vaginal.

A nutricionista lembra que essas orientações são gerais e que o controle da infecção deve ser conduzido por um profissional, conciliando orientação dietética ao cuidado médico de um ginecologista.

DIU e DIU Hormonal

Dispositivo intrauterino (DIU) e Sistema intrauterino (DIU Hormonal – também conhecido como DIU medicado ou DIU Hormonal) são, como o nome já diz, sistemas ou dispositivos que devem ser inseridos por médicos, dentro do útero. A grande vantagem destes métodos é a comodidade e a alta eficácia, que pode proteger a mulher durante 5 a 10 anos, dependendo do produto.

Qual a diferença entre os dois?

Ambos impedem a penetração e passagem dos espermatozoides, não permitindo seu encontro com o óvulo. A grande diferença é que o DIU é feito de cobre, um metal, e não possui nenhum tipo de hormônio, enquanto o DIU Hormonal libera um hormônio dentro do útero. Além do efeito contraceptivo, o hormônio pode apresentar outros efeitos, como reduzir o fluxo menstrual.

Eles causam aborto?

Não. Como já citado, os dois métodos impedem que o espermatozoide encontre o óvulo, portanto eles nem deixam a gravidez ocorrer.

DIU e SIU

Existe chance de falha?

Sim. Atualmente não existe nenhum método anticoncepcional que seja 100% eficaz. No entanto, a chance de falha dos dois métodos é extremamente baixa, sendo parecida com a dos métodos cirúrgicos, como a laqueadura ou vasectomia, o que os deixa entre os métodos mais eficazes que existem.

Uma vez que não dependem da correta administração pela usuária, o DIU e o DIU Hormonal possuem eficácia superior quando comparados aos métodos de curta ação, como as pílulas, injeções, anel e adesivo contraceptivo.

Como posso utilizar o DIU/DIU Hormonal?

O dispositivo deve ser inserido pelo seu médico após ele ter sido indicado para você. Algumas vezes antes do procedimento de inserção o médico poderá solicitar exames complementares, variando de caso a caso.

O procedimento de inserção é simples, rápido e costuma ser realizado no próprio consultório do médico, sem a necessidade de anestesia geral. porém, pode causar desconforto para algumas mulheres.

Qualquer mulher pode utilizar o DIU/DIU Hormonal?

Não. Existem poucas situações em que o DIU e o DIU Hormonal são contraindicados. A escolha do melhor método para cada tipo de mulher deve ser feita sob orientação médica, após a discussão e avaliação das suas necessidades e preferências.

Quais reações adversas posso apresentar ao usar um DIU/DIU Hormonal?

Entre as reações adversas mais comuns estão as alterações do fluxo menstrual.

O DIU, por não conter hormônio, provavelmente não irá alterar a frequência das menstruações, porém poderá causar um fluxo menstrual mais intenso e possível aumento das cólicas menstruais nos primeiros três meses de uso.

O DIU Hormonal, devido à liberação local do hormônio, costuma diminuir a intensidade do fluxo a duração das menstruações e, após 6 meses de uso, 44% das usuárias param de menstruar.

Se quiser engravidar e tenho um DIU/DIU Hormonal, como devo fazer?

Se decidir que é hora de engravidar, converse com seu médico. Ele irá retirar o seu DIU/DIU Hormonal. Após a retirada do dispositivo, sua fertilidade voltará ao normal rapidamente, não importando por quanto tempo você utilizou o método.

Câncer de colo de útero e a luta pela vacinação, rastreamento e tratamento precoce

Em agosto de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou uma resolução defendendo a erradicação do câncer de colo do útero até 2030. De acordo com a OMS, se todos os países conseguirem manter um índice de casos menor do que quatro a cada 100 mil mulheres, o câncer de colo de útero será eliminado do planeta. Desde então, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) aderiu à campanha e vem promovendo ações de amplo engajamento neste sentido.

O tema é de extrema importância no Brasil, que contabiliza o diagnóstico de 16 mil novos casos por ano, e desses, sete mil vão à óbito. Os números são do Instituto Nacional do Câncer (INCA), que confirma que este tipo de câncer é uma das principais causas de morte entre mulheres. “O câncer do colo do útero é ligado ao HPV, um vírus sexualmente transmissível. Porém, ele pode ser erradicado e, para tanto, estamos participando de uma estratégia para todo território nacional, cuja atuação se baseia em três pilares: vacinação, rastreamento e tratamento precoce. Na questão da vacinação contra o HPV, a meta é que 90% das meninas entre 9 e 15 anos sejam vacinadas. Seria importante também que ao menos 70% dos meninos entre 11 e 14 anos sejam vacinados, apesar desse objetivo não constar oficialmente das metas da OMS e da campanha, já que ela é dirigida predominantemente ao público feminino. Duas doses em um intervalo de seis meses são suficientes para a prevenção do HPV maligno, que causa o câncer, e também do HPV benigno, que causa verrugas pelo corpo. A vacina está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS)”, fala a doutora Cecília Maria Roteli Martins, presidente da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Febrasgo, doutora em ginecologia e obstetrícia pela Unicamp e pesquisadora da Faculdade de Medicina do ABC.

“Sobre a questão do rastreamento, o que almejamos é que 70% das mulheres realizem um exame diagnóstico com teste efetivo até os 35 e outro até os 45 anos de idade. Nesse pilar, consta também a intenção da substituição do exame do Papanicolau, o único disponível hoje no SUS, pelo teste efetivo contra o HPV, que faz a leitura do DNA do vírus e é muito mais preciso. Queremos ainda que 90% das mulheres identificadas com lesões precursoras ou câncer invasivo recebam tratamento adequado”, completa Dra. Cecília.

Evitando o pior

Apesar de ser passível de erradicação e tratamento, o câncer do colo do útero apresenta algumas características que o tornam perigoso. A principal delas é de que ele é assintomático, ou seja, os sintomas só aparecem quando a doença já se encontra em estágio avançado. “A aplicação da vacina já seria uma solução definitiva. E a importância do rastreamento e o consequente tratamento precoce evitam que ele chegue nesse ponto. Mulheres que têm o hábito de fazer o Papanicolau certamente não terão a doença ou, se terão, poderão tratá-la como uma lesão precursora, quando uma simples intervenção cirúrgica basta para a cura. Em estágios mais avançados o tratamento é muito agressivo, com a aplicação de quimioterapia, radioterapia e intervenções cirúrgicas muito mais invasivas”, explica a doutora Neila Maria de Góis Speck, presidente da Comissão Nacional Especializada do Trato Genital Inferior da Febrasgo, professora adjunta do departamento de ginecologia da Unifesp e coordenadora científica da Associação Brasileira do Trato Genital Inferior.


Quando o câncer não é tratado no início, a mulher pode apresentar sangramento durante a relação sexual, sangramento espontâneo que não corresponde a menstruação, além de dor, secreções incomuns e forte odor vaginal. “Estamos nessa luta há mais de 20 anos sem conseguir mudar essa triste realidade. E apesar do câncer não escolher idade ou classe social, é verificada uma incidência maior em mulheres não brancas (60%) e mais de 2/3 delas com menos de 8 anos de escolaridade. Ou seja, é um problema social também, que atinge mulheres que moram na periferia, ou ainda em regiões remotas do país”, comenta a Dra. Neila.

Câmara Técnica

Uma ferramenta que pode ser utilizada, especialmente para mulheres que vivem longe dos grandes centros, é a autocoleta. Um kit contendo uma escova para raspagem intravaginal e frasco com líquido apropriado pode ser obtido no SUS. O material proveniente da raspagem é encaminhado ao laboratório, podendo inclusive ser enviado pelo correio. Sua análise poderá constatar se existe o DNA do HPV, o que levaria, em caso afirmativo, a outros exames mais específicos.

Além da campanha de erradicação estar voltando ao protagonismo que merece, já que a pandemia da Covid-19 também interferiu nesse processo, outra boa notícia é a iniciativa do Ministério da Saúde em criar uma Câmara Técnica voltada exclusivamente para essa questão. O objetivo é que profissionais da saúde especializados no tema, entre eles a doutora Yara Lúcia Mendes Furtado de Melo, membro da Comissão Nacional Especializada do Trato Genital Inferior da Febrasgo, possam dar à pasta o devido apoio técnico na atualização das ações de prevenção, detecção e tratamento precoce do câncer de colo de útero com foco na garantia de acesso e atenção integral às mulheres.

A doutora Cecília Maria Roteli Martins completa dizendo que “o desafio é enorme. Em 2014, quando a vacinação contra o HPV foi introduzida na rede pública de ensino, sua adesão foi fantástica. Porém, quando passou para o SUS, o resultado não foi o mesmo. Dados recentes mostram que 73,3% de meninas entre 9 e 15 anos tomaram a primeira dose, mas apenas 46,6% têm a segunda dose. Entre os meninos de 11 a 14 anos, as taxas são piores – 36,6% tomaram a primeira dose e apenas 19,2% a segunda – isso é muito pouco”.

Sobre a ampliação de informações acerca da prevenção do câncer de colo de útero a doutora Neila Maria de Góis Speck, afirma que “existe também a preocupação de disseminar conhecimento para todas as mulheres no Brasil, para que entendam o problema como um todo e pratiquem a prevenção. Até mesmo a classe médica necessita de capacitação; muitos profissionais nem ao menos seguem o protocolo sugerido pela OMS, tampouco a diretriz de rastreamento do câncer de colo uterino do INCA, com relação ao exame do Papanicolau. Acabar com tabus e preconceitos e incentivar o apoio familiar a quem tem o câncer do colo de útero são outras questões importantes que necessitam ser postas em prática o mais rápido possível”, conclui.

Infecção Urinária

Infecção urinária é a presença anormal de patogênicos (que causam doença) em alguma região do trato urinário. Algumas pessoas, especialmente mulheres, podem apresentar bactérias no trato urinário e não desenvolverem infecção urinária, chamadas de bacteriúria assintomática.

As principais causas são a relação sexual e as bactérias do trato gastrointestinal, que migram por via ascendente da região perineal até a bexiga. Raramente ocorre pela via hematogênica (circulação sanguínea).

Existem dois tipos principais: a cistite e a pielonefrite. A Cistite é a infecção que afeta a bexiga, enquanto a pielonefrite afeta o rim. Essa última possui sintomas mais severos.

A incidência de infecção urinária é de 80% a 90% em mulheres, é mais prevalente na idade reprodutiva e nas mulheres que estão na menopausa, devido à queda do estrogênio e de alterações no tipo e quantidade de micro-organismos que protegem a vagina.

Infeccao Urinaria

SINTOMAS

Na infecção urinária, os principais sintomas na mulher são:

  • Disúria (ardor na uretra durante a micção);
  • Aumento da frequência urinária (mais de sete vezes por dia);
  • Noctúria (mais de uma micção noturna);
  • Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;
  • Dor suprapública;
  • Sangue na urina;
  • Alteração do aspecto físico da urina (coloração escura, aparência turva e odor forte).

Em alguns casos mais severos, a doença pode causar dor lombar, febre e/ou mal-estar.

DIAGNÓSTICO

A infecção urinária é uma doença que, quando não tratada adequadamente, pode acometer todo o trato urinário, independente da faixa etária do paciente. As mulheres sofrem mais com o problema por terem uma uretra mais curta e mais próxima ao ânus, local rico em bactérias provenientes das fezes. A doença é causada por micro-organismos que entram pela uretra e que podem até mesmo atingir a bexiga e os rins, infectando todo o trato urinário, causando fortes dores.

O diagnóstico da infecção urinária é realizado em consultório pela escuta das queixas do paciente e pelo exame físico realizado em consultório. A comprovação da infecção é realizada pelo exame de urina e determinação da quantidade de bactérias presentes na amostra coletada. Se o resultado for superior a 100 mil bactérias por mililitro é diagnosticada a infecção urinária. O tipo de bactéria causadora da infecção e o antibiótico apropriado para o tratamento são determinados pela cultura de urina (urocultura).

Dependendo do nível da infecção e do histórico do paciente, o médico pode solicitar outros exames para investigar o aparelho urinário. Podem ser solicitados exames como ultrassom do abdômen e da pelve, urografia excretora, cintilografia renal e outros exames de imagem, tais como tomografia do abdômen.

Apesar de não ser uma enfermidade específica do sexo masculino ou feminino, as mulheres estão mais predispostas a terem infecção urinária, pois sua uretra é mais curta e mais próxima do ânus, favorecendo o contágio por bactérias provenientes das fezes. Por esse motivo, é extremamente importante ter atenção à higiene dessa região.

Se sentir ardência ou dor ao urinar procure seu médico. A infecção urinária deixada sem tratamento pode comprometer diversos órgãos do trato urinário.

EXAMES

Para diagnosticar adequadamente a infecção urinária, o especialista deve solicitar a urocultura com antibiograma – exame realizado em laboratório. O antibiograma é um teste de sensibilidade a fim de identificar a sensibilidade a certos antibióticos do agente causador da doença.

PREVENÇÃO

Para prevenir a infecção urinária recomendam-se algumas medidas a serem realizadas no dia a dia. Confira abaixo:

  • Ingestão de líquidos em grande quantidade;
  • Não reter urina;
  • Corrigir alterações intestinais como diarreia ou obstipação;
  • Micção antes e após relação sexual;
  • Estrógeno para as mulheres na pós-menopausa sem contraindicação hormonal;
  • Evitar o uso do diafragma e espermicidas;
  • Tratamento adequado do diabetes mellitus.

TRATAMENTOS E CUIDADOS

Para a infecção urinária do tipo cistite é possível o tratamento com antibiótico de dose única, de curta duração (três dias) ou de longa duração (sete a dez dias). Já na pielonefrite, a indicação é o uso do de antibiótico por períodos mais longos.

Como no caso do corrimento vaginal, a idade e o modo de vida da paciente devem ser levados em consideração para a escolha do tratamento.

CONVIVENDO

Em alguns casos a infecção se torna recorrente e conviver com esse problema não é nada fácil. Alguns fatores aumentam as chances da doença reaparecer, como o diabetes, retenção urinária, uso de sondas inseridas no trato urinário, incontinência fecal e urinária, cálculos renais e gravidez.

Para evitar que a infecção urinária se torne uma doença recorrente o ideal é fazer um acompanhamento médico a fim de tratar causas que predisponham seu surgimento, beber bastante água e evitar a retenção urinária além de lembrar de urinar após as relações sexuais.

Endometriose

É uma doença caracterizada pela presença do endométrio – tecido que reveste o interior do útero – fora da cavidade uterina, ou seja, em outros órgãos da pelve: trompas, ovários, intestinos e bexiga.

Todos os meses, o endométrio fica mais espesso, para que um óvulo fecundado possa se implantar nele. Quando não há gravidez, no final do ciclo ele descama e é expelido na menstruação. Uma das teorias para explicar o aparecimento de endometriose é que um pouco desse sangue migra no sentido oposto e cai nos ovários ou na cavidade abdominal, causando a lesão endometriótica. As causas desse comportamento ainda são desconhecidas, mas sabe-se que há um risco maior de desenvolver endometriose se a mãe ou irmã sofrem com a doença.

É importante destacar que a doença acomete mulheres a partir da primeira menstruação e pode se estender até a última. Geralmente, o diagnóstico acontece quando a paciente tem em torno dos 30 anos.

A doença afeta hoje cerca de seis milhões de brasileiras. De acordo com a Associação Brasileira de Endometriose, entre 10% a 15% de mulheres em idade reprodutiva (13 a 45 anos) podem desenvolvê-la e há 30% de chance de que fiquem estéreis.

SINTOMAS

Os principais sintomas da endometriose são dor e infertilidade. Aproximadamente 20% das mulheres têm apenas dor, 60% têm dor e infertilidade, e 20% apenas infertilidade.

Existem mulheres que sofrem dores incapacitantes e outras que não sentem nenhum tipo de desconforto. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Cólicas menstruais intensas e dor durante a menstruação;
  • Dor pré-menstrual;
  • Dor durante as relações sexuais;
  • Dor difusa ou crônica na região pélvica;
  • Fadiga crônica e exaustão;
  • Sangramento menstrual intenso ou irregular;
  • Alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação;
  • Dificuldade para engravidar e infertilidade.

A dor da endometriose pode se manifestar como uma cólica menstrual intensa, ou dor pélvica/abdominal à relação sexual, ou dor “no intestino” na época das menstruações, ou, ainda, uma mistura desses sintomas.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico em casos de suspeita da endometriose é feito por meio de exame físico, ultrassom (ultrassonografia) endovaginal especializado, exame ginecológico, dosagem de marcadores e outros exames de laboratório.

Atenção especial deve ser dada ao exame de toque, fundamental no diagnóstico da endometriose profunda. Em alguns casos, o médico ginecologista solicitará uma ressonância nuclear magnética e a colonoscopia.

EXAMES

A endometriose ainda é uma doença difícil de diagnosticar por meio do exame físico, ou seja, realizado durante a consulta ginecológica de rotina. Dessa forma, os exames de imagem são mais adequados para indicar a possível existência do problema, que será confirmado posteriormente por meio de exames laboratoriais específicos.

Entre os exames de imagem que podem sinalizar a endometriose destacam-se:

Ultrassonografia transvaginal – Procedimento de menor custo, que permite a identificação de endometriomas, aderências pélvicas e endometriose profunda.

Ressonância magnética – Exame mais caro, a ressonância magnética apresenta melhores taxas de sensibilidade e especificidade na avaliação de pacientes com endometrioma e endometriose profunda.

Para identificar a existência da endometriose, outros exames complementares ainda podem ser solicitados pelo médico, como a ultrassonografia transretal, a ecoendoscopia retal e a tomografia computadorizada. Após a identificação de alguma alteração, o médico poderá optar por realizar uma biópsia da lesão encontrada, de modo a confirmar o diagnóstico. Essa avaliação será realizada por meio de exames chamados laparoscopia e laparopotomia.

Laparoscopia – Permite tanto o diagnóstico como o tratamento da paciente. O procedimento é realizado através de pequenas incisões na barriga, e a introdução de instrumentos telescópicos para a visualização, e se for o caso, para a retirada das lesões. A laparoscopia também permite a coleta de material para avaliação histológica e o tratamento cirúrgico das lesões. O ideal é que seja realizado após o término da fase de avaliação por meio dos métodos de imagem, permitindo que o diagnóstico e o tratamento possam ser feitos de maneira integrada – e evitando, assim, múltiplos procedimentos. A Laparoscopia é mais vantajosa que a Laparotomia, porque envolve um menor tempo de hospitalização, anestesia e recuperação, além de permitir uma melhor visualização dos focos da doença.

Laparotomia – É o procedimento tradicional e considerado mais invasivo em comparação à Laparoscopia.  Envolve uma incisão abdominal maior para acessar os órgãos internos, e pode ser indicada pelo médico dependendo das necessidades da paciente.

Hoje em dia, no entanto, existem diversos tipos de tratamentos não invasivos, que podem reduzir o número total de procedimentos a que a paciente é submetida. Vale ressaltar que a endometriose é uma doença crônica, e por isso o acompanhamento médico contínuo é fundamental.

PREVENÇÃO

A endometriose é uma doença benigna, que se caracteriza pela proliferação do tecido chamado endométrio para fora da cavidade uterina, local em que ele normalmente se desenvolve. O crescimento do endométrio faz parte do ciclo reprodutivo da mulher. Ao longo desse período, o tecido cresce, e quando não ocorre gravidez ele é eliminado em forma de menstruação. Entretanto, em algumas mulheres algumas células desse tecido migram no sentido oposto, podendo subir pelas tubas e chegar à cavidade abdominal, multiplicando-se e provocando a endometriose.

Não há consenso médico sobre as causas que levam ao desenvolvimento da endometriose, de modo que ainda é difícil falar diretamente em prevenção. Entretanto, diversos estudos sobre as características das mulheres que têm a doença ajudam a medicina a se aproximar de maiores respostas.

Enquanto alguns fatores de risco para a endometriose são bem conhecidos, ainda não é claro como determinados comportamentos, tais como o uso de determinados medicamentos, compostos químicos, entre outros fatores, poderiam aumentar ou diminuir as chances de desenvolver a doença.

Alguns estudos associam o padrão menstrual à ocorrência de endometriose: pacientes com fluxo mais intenso e mais frequente teriam mais risco de apresentar a doença.

A relação entre o uso de pílula anticoncepcional e a endometriose ainda é polêmica: há pesquisadores que encontraram aumento de risco, e outros que indicaram a redução ou ausência de efeito. Como alguns anticoncepcionais orais são utilizados por mulheres que apresentam cólicas menstruais (dismenorreia primária), e a endometriose causa dor pélvica (dismenorreia e dispareunia), a pílula é muitas vezes prescrita para mulheres que têm a doença, sem que se tenha descoberto alguma relação de causa e efeito entre elas.

Filhas e irmãs de pacientes com endometriose têm maior risco de também desenvolver o problema. A identificação genética poderia ajudar a entender melhor a doença, mas é ainda difícil saber o quanto os genes realmente são relevantes em relação a outros fatores, como etnia e fatores ambientais.

Consumir muito álcool e cafeína são hábitos que têm sido associados ao aumento do risco de endometriose, enquanto fazer atividades físicas parece diminuir as chances da doença.

Com um debate científico ainda bastante acalorado sobre as causas da endometriose, o melhor que as pacientes podem fazer para manter a saúde em dia é consultar regularmente o ginecologista. Observar os sintomas e conhecer seu corpo também são atitudes que ajudam a perceber alterações, indicando a necessidade de voltar mais cedo ao consultório.

TRATAMENTOS E CUIDADOS

Existem dois tipos principais de tratamento para combater as dores da endometriose: medicamentos ou cirurgia. Cada um deles tem suas especificidades, e cabe ao ginecologista avaliar a gravidade da doença em cada caso e recomendar o melhor tratamento. Vale lembrar que, dependendo da situação, ambos os procedimentos são feitos de maneira integrada.

  • Tratamento cirúrgico:

Nesse procedimento, a endometriose é removida por meio de uma cirurgia chamada laparoscopia. Em alguns casos, é possível eliminar apenas os focos da doença ou as complicações que ela traz – como cistos, por exemplo. No entanto, em situações mais sérias, o procedimento precisará até remover os órgãos pélvicos afetados pela enfermidade. Dependendo das condições da doença, é possível recorrer a tratamento por laparoscopia, com laser.

Também é possível a realização da videolaparoscopia, que diagnosticará o número de lesões, aderências, a obstrução tubária permitirá tratar a doença.

  • Tratamento com medicamentos:

Existem diversos medicamentos disponíveis no mercado para a endometriose, como: analgésicos, anti-inflamatórios, análogos de GNRh, danazol e dienogeste.

Antes de começar o tratamento, caso a paciente deseje engravidar, poderá ser indicado o encaminhamento para um Centro de Reprodução Humana, pois a melhor alternativa para a mulher que possui endometriose e deseja ter filhos é a fertilização in vitro. Isso porque a presença da endometriose não afeta as taxas de gravidez quando escolhido esse método.

É importante compreender que não existe cura permanente para a endometriose. O objetivo do tratamento é aliviar a dor e amenizar os outros sintomas, como favorecer a possibilidade de gravidez e diminuir as lesões endometrióticas.

CONVIVENDO

Se a doença for detectada logo no início, o tratamento poderá ser instituído precocemente, aumentando a efetividade de alívio dos sintomas. Para isso, a mulher deverá relatar ao médico as situações atípicas e quaisquer outros problemas que possam ser sintoma da endometriose.

Sintomas mais frequentes de DSTs na mulher

Falar sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) tem deixado de ser tabu e isso é muito importante para ajudar no diagnóstico e no tratamento dessas doenças.

Tanto homens como mulheres, todos que possuem uma vida sexual ativa podem contrair DSTs. Neste texto vamos falar especificamente sobre sintomas que são identificados na mulher. Mas afinal, o que são as DSTs?

O que são as DSTs?

As doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), que também podem ser chamadas de infecções sexualmente transmissíveis (IST) são infecções transmitidas através de uma relação sexual com alguém que já seja portador da infecção. Existem aproximadamente 13 tipos de DSTs, a grande maioria provocadas por vírus e bactérias.

Como comentamos, as DSTs são geralmente transmitidas através da relação sexual (coito), mas também podem ocorrer por meio de outros tipos de contato sexual, como a relação sexual anal e oral.

As DSTs podem ser causadas por parasitas, bactérias ou vírus. Precisamos estar atentos a essas doenças pois, além do alto risco de disseminação, elas podem gerar graves danos à saúde da pessoa.

Os danos causados pelas DSTs vão desde distúrbios emocionais, doença inflamatória pélvica (DIP), infertilidade, lesões fetais, até câncer, além de facilitar a transmissão do vírus da AIDS (HIV).

Atenção ao HIV!

Aqui vale um destaque, pois recentemente foi divulgado que na última década, o número de infecções por HIV (vírus da AIDS) entre pessoas de 15 a 24 anos saltou 700%.

O uso da camisinha é uma das principais formas de combate ao vírus. Por isso o uso de preservativos é tão importante no combate a essa doença.

Quem pode pegar uma DSTS?

Já comentamos no início que qualquer pessoa que tenha vida sexual ativa corre o risco de contrair uma DST.

De modo geral, o risco maior ocorre quando a pessoa tem relação com vários parceiros, quando o parceiro teve ou tem parceiros múltiplos e principalmente quando a relação sexual acontece sem camisinha.

Quais os sintomas mais frequentes de DST na mulher?

As doenças sexualmente transmissíveis causam sintomas muito desconfortos na mulher, entre eles está a ardência, o corrimento vaginal, mau cheiro ou surgimento de feridas na região íntima.

Caso observe algum destes sintomas, a mulher precisa ir ao ginecologista para uma observação clínica, que pode identificar a presença de infecções como Tricomoníase, Clamídia ou Gonorreia, por exemplo.

Após a relação sexual sem preservativo, a infecção pode levar algum tempo para se aparecer, que pode ser por volta de 5 a 30 dias, o que varia de acordo com cada micro-organismo.

Depois que o médico identificar o agente causador, ele irá confirmar o diagnóstico e informar sobre o tratamento, que poderá ser feito com antibióticos ou antifúngicos, dependendo da doença em questão.

É importante destacar que, por vezes, alguns sintomas dos que citamos acima não estão diretamente relacionados à DST. Eles podem ser por uma infecção causada pela alteração da flora vagina, como é o caso da candidíase, por exemplo.

Para ficar de uma forma mais resumida, colocamos os principais sintomas em tópicos.

Os principais sintomas das DSTs são:

  • Verrugas cor da pele na área genital;
  • Febre, dor no corpo, gânglios linfáticos aumentados;
  • Coceira ao redor da vagina e/ou corrimento vaginal;
  • Corrimento/secreção na uretra peniana no homem;
  • Dor durante o sexo, ao urinar, ou na região da pelve;
  • Dores de garganta após sexo oral;
  • Dores no ânus após sexo anal;
  • Lesões não dolorosas na área genital, ânus, língua e/ou garganta;
  • Urina escura; urinar a todo momento; fezes mais claras;
  • Pequenas vesículas ou nódulos que se rompem na área genital;
  • Perda de peso, suores noturnos, cansaço inexplicável, infecções raras acontecendo.

Outros tipos de sintomas

É fundamental destacar que existem outras DSTs, como AIDS, a infecção pelo HIV, que não apresentam sintomas genitais, podendo apresentar alguns sintomas variados, como febre, mal estar e dor de cabeça. Outro exemplo é a hepatite, que causa febre, mal-estar, cansaço, dor abdominal, dor nas articulações e erupções na pele.

Essas doenças podem evoluir de forma silenciosa, podendo até atingir quadros graves e que colocar em risco a vida da pessoa. Por isso, é muito importante que a mulher visite regularmente o médico e faça periodicamente exames que possam identificar esse tipo infecção.

Mais uma vez lembramos que a principal forma de evitar as DSTs é com uso do preservativo. Além da camisinha masculina, existe a feminina, que também confere uma boa proteção contra DSTs.

Como tratar as DSTS?

Caso seja percebido pela mulher sintomas que indiquem uma DST, é fundamental ir ao ao ginecologista, para confirmar se é de fato uma infecção.  Após o exame clínico e a confirmação será possível dar início ao tratamento.

A maioria das DSTs pode ser curada com o tratamento envolve uso de medicamentos como antibióticos, antifúngicos e antivirais, em pomadas, comprimidos ou injeções, de acordo com o tipo e o micro-organismo causador da infecção.

Em alguns casos, como HIV, hepatite e HPV, a cura nem sempre é possível, mas existem tratamentos para amenizar a doença e ajudar a pessoa a conviver com ela.

Em alguns casos, o parceiro também precisa fazer o tratamento, para evitar reinfecções.

Caso você identifique algum dos sintomas citados, no centro medico saúde da família você pode marcar uma consulta com ginecologista até para o mesmo dia.

Maioria das grávidas não faz pré-natal

Apesar do bombardeio de informações e do acesso a médicos cada vez mais fácil, a maioria das gestantes não realiza o pré-natal, uma série de consultas e exames que verificam a saúde do bebê e da própria mulher. No Paraná, somente 30% das grávidas fazem o acompanhamento. Essa baixa incidência dá origem a outro dado alarmante: o da mortalidade materna. Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, são 57 mortes a cada cem mil bebês nascidos vivos. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de, no máximo, 20 mortes a cada cem mil nascidos vivos. No Brasil, neste mesmo parâmetro, ocorrem 74,5 óbitos.

O coordenador dos programas de saúde da mulher da Secretaria, Gleden Teixeira Prates, explica que há muitas razões para o grande número de mortalidade materna. Entre elas estão a realização inadequada do pré-natal, médicos não capacitados para fazer o acompanhamento e hospitais despreparados para atender os casos de gravidez de alto risco. Esse quadro gera as principais causas desses óbitos: hipertensão, hemorragias, infecções e abortos. As mortes acontecem durante a própria gestação, no parto e no puerpério (período pós-parto).

A grande ocorrência de gestação na adolescência também é um dos fatores que contribui para o índice de mortalidade. “O fato de ser adolescente por si só já é um motivo de risco porque o corpo nessa idade ainda é imaturo”, explica Prates. Os conflitos familiares que podem surgir com a notícia da gravidez de adolescentes também geram problemas. Por muitas vezes, elas tentam esconder que estão grávidas e não procuram orientação médica. Algumas também fazem abortos, que podem resultar em graves lesões para a mulher, causando hemorragia. O resultado final pode ser a morte da adolescente.

Qualidade de vida

As mortes de mulheres decorrentes da gravidez, aborto ou parto são entendidas pelos especialistas como indicadores da qualidade de vida dessas pessoas. Para Prates, o baixo nível sócio-econômico e o ambiente em que a grávida vive também influenciam no processo. “As mulheres que vivem em lugares inóspitos estão mais sujeitas a infecções, têm acesso a produtos químicos que podem causar deformações do feto, não se alimentam direito e não fazem uma higiene pessoal correta”, afirma o coordenador. “A população que vive abaixo da linha da pobreza tem uma qualidade de vida muito baixa e não possui acesso facilitado aos hospitais, causando muitos casos de alto risco.” Prates também destaca que a incidência de várias doenças, como as DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis), durante a gravidez, aumentam ainda mais o risco de vida para a mulher e o bebê.Ações de combate à mortalidade

A Secretaria de Estado de Saúde está colocando em prática diversas ações, desde o ano passado, para diminuir os índices de mortalidade materna. “Estamos capacitando os médicos de saúde familiar, que não são obstetras, a realizar o pré-natal”, comenta Gleden Teixeira Prates.

De acordo com ele, as unidades de gravidez de alto risco de alguns hospitais também estão sendo melhor estruturadas. “Com esses novos equipamentos, muitas mulheres não vão precisar sair da cidade onde morar para os grandes centros. Isto também evita a perda da mãe e do bebê enquanto se espera por uma vaga em hospital”, conta Prates.

Para esclarecer as gestantes quanto à importância do pré-natal, a Secretaria vai lançar uma campanha ainda no primeiro semestre deste ano. Já o governo federal, por meio do Ministério da Saúde, divulgou anteontem um pacto com as secretarias municipais e estaduais e organizações civis para reduzir em 15% os índices atuais de mortalidade materna até 2006. A intenção é diminuir os números em 75% até 2015. O ministério pretende investir R$ 120 milhões na extensão do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência para 152 cidades do País. Os oito municípios que integram o programa já estão contando com equipamentos para emergências obstétricas. (JC)

21 razões para ir no ginecologista antes dos 21 anos

  • 1. Cuidar da saúde do seu corpo;
  • 2. Iniciar bons hábitos para ter ossos saudáveis;
  • 3. Manter peso adequado e saudável;
  • 4. Diagnosticar e tratar possíveis infecções urinárias;
  • 5. Tratamento para corrimento vaginal;
  • 6. Cuidados com acne e excesso de pelos;
  • 7. Tratar cólicas menstruais;
  • 8. Descobrir a causa de sua menstruação ter um fluxo intenso;
  • 9. Descobrir por que seu ciclo é curto ou longo e como tratar irregularidade menstrual;
  • 10. Como lidar com a TPM;
  • 11. Iniciar a vida sexual de maneira saudável e segura;
  • 12. Saber quando uma relação sexual é arriscada;
  • 13. Tirar dúvidas sobre relacionamentos homoafetivos;
  • 14. Informar-se antes de iniciar a vida sexual;
  • 15. Escolher um método anticoncepcional para evitar uma gravidez indesejada antes da hora;
  • 16. Informações e planejamento para uma futura gravidez segura;
  • 17. Fazer um teste de gravidez;
  • 18. Iniciar o pré-natal se estiver grávida;
  • 19. Saber como evitar doenças sexualmente transmitidas;
  • 20. Realizar vacina do HPV;
  • 21. Realizar teste de sífilis e HIV.

Câncer de Colo Uterino

          O câncer de colo uterino (ou cervical) é o terceiro em incidência entre as mulheres, atrás apenas do câncer de mama e do câncer colorretal. Tem uma relação importante com doenças sexualmente transmissíveis, principalmente alguns vírus HPV oncogênicos (Papilomavírus). Apesar disso, a infecção genital por esse vírus é muito frequente e não causa doença na maioria das vezes.

         Apresenta normalmente uma progressão lenta e existe uma evolução da alteração das células, desde a célula normal até a formação do câncer. Elas passam por alterações que chamamos de atipias leve, moderada e severa e na grande maioria das vezes podem ser detectados pelo exame de prevenção (Papanicolaou). Neste estágio a lesão ainda está localizada no colo (órgão de origem da doença) e sem possibilidade de disseminação, portanto é a fase ideal para tratamento.

         O exame de Papanicolaou é muito simples e tem alta sensibilidade, principalmente quando feito anualmente. É importante que a mulher faça o exame para detectar as lesões pré-malignas. Nos casos alterados deverão ser realizados exames mais detalhados como a colposcopia e a vulvoscopia com uma biópsia, se houver alguma anormalidade.

         O tratamento dependerá do estágio da doença e do desejo de gestação de cada pessoa. Muitas vezes temos casos de pacientes jovens que ainda não engravidaram. Nos casos de doenças iniciais podem ser feitas cirurgias menores ou menos invasivas, visando uma menor “agressão” cirúrgica e minimizando os efeitos de uma cirurgia radical (físicos e emocionais). A quimioterapia e a radioterapia também fazem parte das alternativas terapêuticas e sua sequência é determinada individualmente, dependendo da análise de cada caso.

         O Ministério da Saúde implementou no calendário vacinal, em 2014, a vacina tetravalente contra o HPV para meninas de 9 a 13 anos. A partir de 2017, o Ministério estendeu a vacina para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Essa vacina evita 70% dos casos de câncer de colo de útero.

         Nas relações sexuais use sempre preservativo. O início precoce da atividade sexual e o contato com múltiplos parceiros aumenta o risco de infecção por HPV e consequentemente de câncer de colo.

         Vacine-se e faça exame ginecológico periodicamente.

Escrito por: Dr. Ricardo Faure

Fonte: INCA

Para o que realmente servem os apps de ciclo menstrual?

O ciclo menstrual dura em média 28 dias. Vinte e oito dias que proporcionam a vivência dos mais variados sentimentos, dores, fome, energia e preguiça.

Para facilitar a vida das pessoas, surgiram aplicativos dedicados ao ciclo menstrual. E de fato, ajuda mesmo! Além de monitorar o ciclo menstrual é possível também relatar sentimentos e sensações que acontecem durante o período, abrindo portas para um autoconhecimento mais potente.

A partir desses dados, o app cria um gráfico que pode ajudar a mulher a se organizar, fornecendo informações como “no 14º dia, você costuma ter mais dor de cabeça e nas mamas e vontade de comer doces”.

Sabendo desses padrões com antecedência, é possível tomar algumas medidas profiláticas: se você tem muita dor de cabeça no dia x, comece a tomar analgésicos dois dias antes da menstruação; se tem muita vontade de doces, prepare-se mentalmente e planeje-se para dar preferência a chocolates 70% cacau.

O problema é que muitas mulheres também usam os apps como método contraceptivo, já que eles estimam o período fértil.  Em agosto de 2018, o Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, aprovou pela primeira vez na história um aplicativo de menstruação como método para evitar gravidez..   

No entanto, este app precisa ser usado juntamente com um termômetro de temperatura corporal basal (TCB), mais sensível que os termômetros comuns usados para medir febre. Com as informações pessoais inseridas pela usuária e as temperaturas medidas de acordo com orientações do próprio aplicativo, a tecnologia seria capaz de informar os dias em que a mulher precisa “usar proteção” (situação indicada por um círculo vermelho) ou nos quais ela “não está fértil” (círculo verde). O desenvolvedor do aplicativo, baseado na Suécia, recomenda medir a temperatura pelo menos cinco vezes por semana e esperar três ciclos completos para que o programa entenda bem o ciclo pessoal da usuária. 

A verdade é que, como prevenção de gravidez, este aplicativo só vai funcionar para mulheres que têm ciclos bem regulares e que conhecem muito seu próprio corpo. Ainda assim, não é garantido, pois estresse, atividade física, gordura corporal, tudo interfere em nosso ciclo a cada mês. Sem contar que muitas pacientes acabam ovulando precoce ou tardiamente.

Fonte: Drauzio Varella

Candidíase de repetição

A cândida é um fungo que vive em harmonia conjuntamente com a flora vaginal, mas quando a nossa imunidade cai, ela passa se proliferar e provoca o que chamamos de candidíase.

Além da ardência e coceira, manifesta-se também aquele corrimento branquinho, com uma textura similar a de coalhada.

Toda mulher vai vivenciar a candidíase em algum momento da vida, e tudo bem! Faz parte e costuma ser fácil de tratar. O problema é quando ela vence todos os tratamentos e se repete constantemente.

Quando isso acontece, é importante ficar atenta à questões emocionais. Muitas vezes, o nosso corpo somatiza conflitos mentais que estamos evitando lidar. A somatização não é nada mais que um alerta para você tomar alguma atitude!

Se o seu caso for candidíase de repetição, além de procurar um ginecologista, também procure uma terapeuta para conversar sobre tudo o que você está passando. Entender o seu contexto de atual de vida e como ele faz te sentir, vai ajudar a melhorar todo esse incômodo, físico e mental.

A alimentação também entra na jogada, tanto como aliada como inimiga. Preste atenção no que você anda comendo. Evite consumir açúcar refinado em excesso, massas e carboidratos no geral.

 

Fonte: Lasciva Lua