Obesidade e sobrepeso, quais seus males e quando procurar ajuda

Os dados são alarmantes e as consequências, graves. Há uma tendência mundial de crescimento do número de pessoas obesas. No Brasil, 40% da população está na faixa da obesidade ou de sobrepeso. “A diferença entre ter sobrepeso e ser obeso é relacionada justamente ao risco maior de se ter problemas graves, relacionados a essa condição. E são muitas as complicações que podem surgir. Quem é obeso tem uma probabilidade maior de desenvolver doenças cardíacas, alguns cânceres, doenças articulares, apneia do sono (obstrução das vias aéreas), diabetes e doenças inflamatórias. Pesquisas indicam que mulheres obesas têm probabilidade maior de desenvolver o câncer de mama ou quadro de incontinência urinária, principalmente no período pós-menopausa”, explica a doutora Maria Celeste Osório Wender, professora titular de ginecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Os fatores que causam a obesidade também são vários. “Temos a questão genética, é preciso conferir o histórico familiar, se existem casos de obesidade na família. É sabido que se houverem casos como esse no âmbito familiar, será mais provável desenvolver a obesidade. E temos também as questões ambientais, como hábitos alimentares ruins, sedentarismo e o metabolismo. Com relação a esse último, vale dizer que quanto mais rápido ele for, melhor, por gastar mais energia, mais calorias. Essa é outra desvantagem que a mulher carrega, porque o homem tem mais músculos, tecidos que consomem muita energia e que ajudam na questão metabólica”, diz Maria Celeste.

Abordagem clínica

Para a doutora Maria Celeste “o médico, seja ele um clínico geral, um endocrinologista ou um ginecologista, é a pessoa indicada para abordar o assunto. É preciso entender os hábitos alimentares da pessoa e reeducá-la nesse sentido. Aqui a participação de um nutrólogo também é essencial, porque cada caso tem suas particularidades. Em todos os aspectos da obesidade o princípio é o mesmo: os ganhos acontecem gradativamente, sem sobressaltos.


De nada adianta impor uma dieta extremamente rigorosa para quem tem o hábito de comer muito, ela não vai conseguir cumprir os objetivos. Bom senso e equilíbrio são as palavras de ordem. Então tudo tem que ser feito com calma, estabelecendo-se metas possíveis de serem conquistadas, progressivamente”, afirma a doutora.

Outro fator fundamental é a prática de atividades esportivas, que auxiliam no metabolismo. “O ideal é que a pessoa pratique 150 minutos semanais de atividades aeróbicas (caminhadas, corridas leves, pedalar, nadar) combinada com duas a três sessões de musculação, na mesma semana. Se a reeducação alimentar combinada com a prática esportiva não der resultados satisfatórios, podemos recorrer ao uso de medicamentos, que na sua essência são moderadores de apetite. Em último caso, temos a possibilidade da cirurgia bariátrica (redução do estômago), mas existem regras para sua realização. O que posso afirmar é que essa cirurgia evoluiu muito e hoje apresenta riscos menores”, explica Maria Celeste.

A doutora chama a atenção para outro fator importante, o corpo pode tornar-se seu próprio inimigo durante o tratamento. “O que acontece é que ao se reduzir o peso, o organismo reage para voltar ao status original. Isso ocorre por meio do aumento da grelina, hormônio que estimula o apetite. Então, além de todos os obstáculos já citados, é preciso enfrentar mais essa condição, de sentir fome e ter que se controlar, que pode sim aparecer durante a luta de ter que perder peso devido a obesidade”.

Saúde Mental

A condição da pessoa obesa traz outras complicações, podendo afetar a saúde mental do paciente. “A sociedade, de certa forma, condena o obeso. Isso pode desenvolver aspectos negativos como carregar dentro de si um sentimento de culpa, ansiedade excessiva ou ainda sofrer com um quadro depressivo, especialmente para quem é vítima do bullying. Essas condições podem pôr tudo a perder, fazer com que o paciente coma ainda mais, quando o necessário é justamente o inverso. A ajuda de médicos psiquiatras ou psicólogos pode ser relevante em alguns casos. É muito importante que a classe médica tenha consciência com relação ao tema; pessoas obesas precisam de ajuda. E, claro, o apoio de familiares e amigos nessa batalha também é requisitado. Evitar comparações e cobranças excessivas é recomendado, para que se minimize a possibilidade de frustração e o insucesso do tratamento”, finaliza a doutora.

Comunicação na busca pelo prazer

Estudos realizados no Brasil apontam que 49% das mulheres e 33% dos homens possuem algum tipo de queixa ou problema sexual. E, na grande maioria dos casos, a solução para a questão está dentro de casa e se chama comunicação. “Primeiramente é preciso esclarecer que uma boa vida sexual não está relacionada à quantidade de relações, essa necessidade varia de pessoa para pessoa, mas sim à qualidade delas.

Para que essa qualidade seja alcançada, é preciso que exista intimidade, boa comunicação sexual, respeito e comprometimento entre os parceiros. É necessário que se entenda que as respostas sexuais da mulher e do homem são diferentes. Nas mulheres, ela é mais centrada no desejo e na excitação, e nos homens na ejaculação. É preciso, especialmente para a mulher, uma atenção maior no que antecede a relação sexual, além de dedicação do parceiro sobre preliminares.

É sabido que uma mulher leva algo em torno de vinte minutos para alcançar uma excitação adequada. O homem demanda muito menos tempo. Essas diferenças podem atrapalhar e devem ser solucionadas com conversas francas, mesmo porque não existe uma fórmula mágica, somos seres individuais, com particularidades próprias”, explica a doutora Lucia Alves Lara, mestre-doutora em ginecologia e obstetrícia pela Universidade São Paulo (USP) e presidente da Comissão Nacional Especializada em Sexologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

Muitas vezes a rotina toma conta do casal, especialmente naqueles que estão juntos há muito tempo. Estudos nesse sentido apontam que 52% das mulheres com mais de 10 anos de matrimônio acabam tendo relações sexuais sem um desejo espontâneo.

“A repetição de estímulos, em tempos cada vez menores, pode levar a um caminho sexualmente equivocado. Mais uma vez o diálogo é ferramenta poderosa para reverter a situação. É essencial que o casal busque momentos íntimos, exclusivos, como tomar uma taça de vinho a sós, ir a um cinema. Procurar se afastar um pouco do círculo de amizades e até mesmo dos filhos. Olho no olho, aproveitar o momento para falar abertamente sobre a relação. O que se pode mudar para retomarmos o desejo sexual? Novas fantasias, novas carícias, estímulos? Esse deve ser sim um caminho para enfrentar as dificuldades”, fala Dra. Lucia.

Terapia Sexual

Uma relação aberta com seu ginecologista também é recomendada. Atualmente são profissionais capacitados para lidar com as queixas sexuais das mulheres. “Quando identificada a causa, ou ele mesmo resolve, ou encaminha para um sexólogo, profissional especializado em terapia sexual.

Traumas psíquicos também podem ser fatores determinantes para uma vida sexual ruim. Um sexólogo ajudaria e muito a esclarecer diversos pontos. Muitas mulheres nem sabem que esse profissional existe. O desconhecimento é tamanho que até mesmo a questão do orgasmo feminino é uma incógnita para grande parte delas.

O orgasmo caracteriza-se por contrações fortes, por cerca de 8 segundos, seguida de um relaxamento. Ou por uma contração única, prolongada. Algumas mulheres acham que têm que expelir líquidos, assim como os homens, tamanha é a falta de informação. E 90% delas necessitam de um estímulo no clitóris para alcançá-lo”, afirma Dra. Lucia.

É sabido, porém, que a questão da falta de desejo sexual também pode estar relacionada a alguma doença, como o hipotireoidismo, que causa uma baixa na libido. Ou ainda, uma queda hormonal por conta da menopausa. Avaliações clínicas por parte do ginecologista podem ajudar nessas elucidações. Nos homens, a disfunção erétil e a ejaculação precoce são comuns e precisam ser tratadas por um urologista. “O importante é ter a consciência que a busca para uma melhor vida sexual passa por uma boa comunicação. Seja com o parceiro, marido ou com um profissional da medicina especializado nessa área. A troca de informações é essencial para solucionar os problemas e, consequentemente, trazer novamente uma vida sexual de qualidade”, conclui Dra. Lucia.

Violência contra a mulher

A Lei Maria da Penha (Lei 11.340 de 7 de agosto de 2006) está completando 15 anos. Criada para coibir e prevenir a violência doméstica contra a mulher, é elogiada por todos pela forma com que discrimina os tipos de violência, por apontar os caminhos de assistência à mulher vítima dessas ações e por definir as medidas protetivas de urgência entre outros aspectos.

Porém, apesar de sua imensa contribuição para a sociedade, percebe-se que a execução do seu principal teor, na prática, continua sendo o principal problema. Os números são estarrecedores e provam isso. Em 2020, foram 690 mil denúncias de violência doméstica à Central de Atendimento à Mulher 180, um dos canais criados para que mulheres possam relatar casos de agressões de todos os tipos contra elas. Pesquisa realizada pelo instituto “Inteligência em Pesquisa e Consultoria (IPEC)” aponta que nesse mesmo ano de 2020, 13 milhões de mulheres sofreram com algum tipo de violência. São 25 brasileiras por minuto sendo violentadas, seja por assédio moral (ofensas), agressões físicas ou violência sexual.

A gravidade e relevância do tema levaram a Febrasgo a criar uma Comissão Nacional Especializada (CNE) no tema e a atuar de forma intensa no combate à violência contra a mulher. Muitas pessoas podem achar que a pandemia da COVID-19 é a responsável principal por esses números assustadores. Claro que contribuiu para o aumento de casos, pela questão do confinamento, verificada em outras pandemias também, mas isso já tinha sido previsto e prevenido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Porém, o Atlas da Violência, feito em 2019 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), tomando como base a década entre 2007 e 2017, já mostrava que o Brasil é o quinto país no mundo em assassinatos de mulheres (feminicídio), com cerca de 5 mortes a cada 100 mil mulheres agredidas. E ainda há quem conteste a gravidade dos fatos, sob o discurso de que o maior volume de violência ocorre contra os homens, já que são eles as vítimas em 92% dos homicídios. Só que ninguém fala que na maioria dos casos, eles são mortos por pessoas estranhas.

Mais de 50% das mulheres são assassinadas por parceiros ou ex-parceiros. Então, não podemos culpar a violência urbana, mas olhar com muita atenção para a questão do gênero”, diz a doutora Aline Veras Morais Brilhante, ginecologista e obstetra, com mestrado e doutorado em saúde coletiva pela Universidade de Fortaleza, com pós-doutorado em sociologia pela Universidade Rey Juan Carlos em Madri (ESP) e membro da CNE desde 2019.

Dentre os principais benefícios que a Lei Maria da Penha trouxe, ela aponta o reconhecimento dos diferentes tipos de violência. “Violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. A violência patrimonial, a menos conhecida, se caracteriza por criar uma dependência financeira com relação ao parceiro, que culmina num controle inaceitável e perda da autonomia, muitas vezes até no direito de ir e vir. Também é de grande valia o fato da Lei prever assistência integrada e ampliada como instrumento eficaz contra a violência. O principal problema que enfrentamos é a sua execução na prática, extremamente dificultada porque vivemos num país patriarcal, que tende a normalizar a violência contra a mulher. Um dos caminhos para solucionar esse dilema é a desconstrução dos discursos que tentam minimizar essa questão tão importante, que não se limita somente às mulheres. Idosos e crianças também sofrem com a violência doméstica. Geralmente ninguém intervém, porque é uma violência ‘naturalizada’, como se fosse ‘normal’ alguém apanhar ou ser ofendida constantemente.

A médica ainda chama a atenção para a “violência em espiral”, que ocorre em várias fases. A violência em si, a reconciliação, nova crise, novo episódio de agressão e o aumento da frequência dos episódios de agressão. A mulher fica cada vez mais fragilizada, passa a internalizar todas as questões ligadas a esse sofrimento, perde sua autoestima, passa por distúrbios emocionais sérios, como a depressão. Além, claro, do risco à própria vida e um temos recorrente associado à violência.


Ações da Febrasgo

Nesse contexto, a médica Aline destaca o papel importantíssimo do profissional da saúde. “Pode até parecer inusitado, mas é a realidade. A grande maioria das mulheres relata casos de violência para o profissional da saúde antes de recorrerem a uma autoridade policial. O serviço de saúde é procurado 35 vezes mais do que a polícia! E o que isso significa? Que devemos estar preparados para agir em favor dessa vítima. Elas esperam um suporte, que as escutemos com atenção, que uma mão seja estendida e que mostremos a ela quais os caminhos possíveis para evitar a continuidade desses atos terríveis. Dessa forma, o médico tem que ter o conhecimento dos serviços sociais disponíveis para cada região. Existe a Casa da Mulher Brasileira, por exemplo, equipamento social presente em todo o território nacional. Lá, as mulheres têm assistência jurídica, médica e psicológica. Existem também as Casas de Abrigo, vinculadas a Casa da Mulher Brasileira. Muitas mulheres se sentem tão fragilizadas, que não têm força para reagir, mas, se forem acolhidas, vão se sentir estimuladas a proteger sua própria vida”, diz Aline.

A Febrasgo, por meio de sua CNE, tem atuado na prática para coibir a violência contra a mulher. “O primeiro aspecto em que a Febrasgo atua é justamente no reconhecimento do papel do profissional da saúde nessa cadeia. Ela atua firmemente para que essas competências supracitadas sejam obrigatórias na formação de um médico, já na época de faculdade e residência. É imprescindível que o profissional da saúde seja capaz de prestar uma assistência acolhedora e humanizada. A CNE também se manifesta contrariamente sobre decisões que qualifiquem como “normal” a violência contra a mulher, ou propostas de alterações jurídicas que a Febrasgo entenda ser um retrocesso. Por exemplo, a Lei 13.931 de 2019, determina a obrigatoriedade de profissionais da saúde em notificar a polícia sobre mulheres que tenham sido vítimas de violência. Essa obrigatoriedade traz dois problemas: primeiro, faz com que a mulher não se manifeste, por medo de uma retaliação, lembrando que os principais causadores da violência contra a mulher são companheiros, ex-companheiros, familiares. Outra questão é que vai contra a ética médica, que se caracteriza pela privacidade do paciente. A Febrasgo solicitou, inclusive, audiência com o então ministro Onix Lorenzoni contestando esse aspecto da lei. Não fugimos do debate. Muito pelo contrário: posicionamo-nos firmemente cada vez que acharmos ser um caminho necessário. E lutamos também para que as medidas protetivas, de um cunho teórico e legal excepcional, sejam realmente efetivas, o que ainda não acontece na realidade do dia a dia”, finaliza a doutora Aline.


Serviços de amparo e denúncia

Para qualquer tipo de violência, seja com você ou com qualquer outra mulher. Não aceite! Denuncie!

A REPERCUSSÃO NEURO-PSICOLÓGICA DA COVID-19

Completamos um ano de pandemia e continuamos aprendendo a cada dia. Além de todas as possíveis alterações físicas que o vírus pode causar (comprometimento pulmonar, perda de olfato e paladar, dores e atrofia muscular) e que podem permanecer por longos períodos, uma das consequências causadas pela COVID-19 são as alterações neuropsicológicas.

Um estudo publicado recentemente na revista Lancet (abril de 2021) procurou fornecer estimativas de taxas de incidência e riscos relativos de diagnósticos neurológicos e psiquiátricos em pacientes, nos seis meses após um diagnóstico de COVID-19. Foi comparado um grupo de pacientes com diagnóstico do coronavírus, com um grupo com diagnóstico de gripe e outro com diagnóstico de qualquer infecção respiratória. Entre 236 379 pacientes com diagnóstico de COVID-19, a incidência estimada de um diagnóstico neurológico ou psiquiátrico nos seis meses seguintes foi de 34%. Para pacientes que foram admitidos em uma UTI (doença mais grave), a incidência estimada de um diagnóstico foi de 47%. Condições neurológicas como derrame e demência foram raras, mas também aumentadas no grupo do COVID. E, quadros de ansiedade e transtornos de humor foram mais diagnosticados no grupo do COVID (17% dos pacientes com distúrbios de ansiedade e 14% com distúrbios de humor, incluindo depressão, nas infecções mais leves do vírus).

Esse estudo reforça a importância das medidas de prevenção da infecção (álcool gel, máscara, distanciamento social e principalmente as vacinas). A incidência de alterações emocionais que já está aumentada neste momento de incerteza (profissional, familiar, financeiro, futuro), pode ser exacerbada com a infecção pelo coronavírus.

A ajuda precoce de um especialista em saúde mental nos casos desses diagnósticos é fundamental para evitar agravamento do quadro. O importante é buscar ajuda, assim que se percebe a necessidade; o tratamento pode ser mais curto e menos estressante.

Os benefícios da psicoterapia têm sido significativos no enfrentamento do momento atual. Vão desde a conquista da autonomia para controlar as mais diversas situações, o autoconhecimento, a autogestão emocional e a uma melhor qualidade de vida dos pacientes.

Cuidem-se!

Dra. Patrícia Pereira Faure

Psicóloga / Psico-Oncologista

Depressão em meninas seria fator de risco para contrair HIV

Uma nova pesquisa da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, indica que aspectos sociais vinculados à depressão estão por trás de um aumento no risco de infecção pelo HIV, o vírus da aids, em meninas adolescentes.

Para chegar nessa conclusão, os cientistas esmiuçaram dados coletados entre 2011 e 2017 por outro estudo, esse de universidades americanas e sul-africanas. O levantamento original se focava em fatores que interfeririam na frequência escolar na província de Mpumalanga, localizada na região rural da África do Sul.

Acontece que, do total de voluntários, 2 533 mulheres de 13 a 21 anos haviam passado anualmente por avaliações para diagnosticar depressão e por testes de HIV. Com base nessas informações, o novo trabalho constatou que pouco mais de 18% das voluntárias estavam deprimidas desde o começo. Entre elas, aproximadamente 11% se tornaram soropositivas com o tempo. Já no grupo sem a doença psiquiátrica, somente 6,5% foram infectadas (quase duas vezes menos, portanto).

Para entender o que estaria por trás dos números, os estudiosos deram uma olhada no contexto social no qual essa garotada estava inserida. Eles notaram que as jovens com depressão eram mais suscetíveis a sofrer agressão como decorrência de o parceiro não aceitar usar camisinha. Em outras palavras, o sexo desprotegido seria a causa da enfermidade mental e do contágio pelo HIV.

Além disso, o grupo das meninas deprimidas tinha uma maior probabilidade de não possuir um relacionamento próximo com os pais. E, sem um diálogo aberto em casa, fica mais complicado ter acesso ao conhecimento sobre a prevenção do vírus da aids.

Há ainda a hipótese mais genérica de que, como a depressão em si reduz a vontade de cuidar da própria saúde, a paciente se esforçaria menos para evitar a infecção (seja no ato sexual ou através do contato com sangue contaminado).

“Agora conseguimos revelar que, pelo menos nessa população, […] a depressão leva ao HIV”, resume Jennifer Ahern, em comunicado à imprensa.

O HIV também causa depressão?

Apesar de o estudo com as meninas da África do Sul sugerir que a depressão (e o entorno dela) favorecem a infecção por HIV, não há outros levantamentos que apontem a mesma coisa em diferentes países. Mas há, na via oposta, evidências de que pessoas soropositivas correm maior risco de desenvolverem transtornos mentais.

Um estudo de 2018 realizado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids (Unaids), por exemplo, aponta que 15% dos adultos e 25% dos adolescentes infectados nos 38 países analisados relataram sofrer com a tristeza profunda ou com uma sobrecarga mental enorme.

Isso seria provocado tanto pelo HIV, que pode afetar o funcionamento do cérebro, como pelas questões psicossociais que envolvem o diagnóstico. Ora, não é fácil conviver com preconceito, medo da morte ou mesmo com a necessidade constante de tomar medicamentos.

 

Fonte: Saúde Abril

 

A importância da Psico-oncologia

Em primeiro lugar, é importante definirmos a Psico-Oncologia como uma área de interseção entre a Psicologia e a Oncologia, que busca compreender e estudar as variáveis do comportamento relacionadas ao processo de adoecimento e cura, e as intervenções ao longo de todo este mesmo processo. Está área de atuação profissional surgiu na década de 1970, com a psiquiatra Jimmie Holland, no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center em Nova Iorque. Ela criou um serviço de atendimento, pesquisa e treinamento para investigar os aspectos emocionais envolvidos no processo de doença e tratamento do câncer e avaliar a interferência na vida dos pacientes. Visando sempre a melhor forma de intervenção para reduzir o sofrimento do paciente durante o tratamento oncológico e aumentar sua qualidade de vida também.

O papel de um psicólogo em um ambulatório de Oncologia é oferecer suporte emocional para que o paciente possa expressar seus sentimentos, compreender as dificuldades do momento vivido, perceber as situações que lhe mobilizam emocionalmente e instrumentalizá-lo para lidar da melhor maneira possível com as alterações e limitações impostas pela doença e pelo tratamento. O acompanhamento psicológico é indicado, geralmente, quando notamos certa dificuldade de adaptação e adesão aos tratamentos propostos e quando ocorrem sintomas depressivos e/ou ansiosos.

Outro ponto importante a ser ressaltado é a família do paciente oncológico. Por ser tratar de uma doença complexa, o familiar normalmente está bastante envolvido no processo de tratamento, tanto do ponto de vista operacional quanto do ponto de vista emocional; e cabe à equipe de saúde a ter um olhar cuidadoso a essa família ao longo do período de tratamento do paciente. O psico-oncologista pode abordar o paciente e sua família, tanto individualmente como em grupo, dependendo de alguns aspectos clínicos e institucionais.

Um questionamento muito comum que surge a respeito da prática do psicólogo em Oncologia, é se ter tristeza e angústia é normal durante o tratamento. Posso afirmar que sim, é normal, mas dependendo da intensidade e da duração destes sentimentos. Se esses ficarem muito intensos, ao ponto de interferirem no funcionamento do paciente e na adesão ao tratamento, é importantíssimo buscar ajuda especializada.

Para finalizar, é também função do psico-oncologista dar apoio emocional e suporte aos profissionais de saúde que lidam diariamente e intensamente com os pacientes oncológicos. Algumas ações institucionais, como grupos de apoio, oficinas e aulas, são exemplos de ações de cuidado com o profissional.

A experiência do câncer é geralmente desafiadora, independente do local, da extensão, do prognóstico e dos resultados do tratamento. Todas essas transformações na rotina do paciente podem contribuir para o desequilíbrio psicológico dele e desencadear diversas reações emocionais. Por essas razões, o tratamento psicológico presta inestimável ajuda no enfrentamento do tratamento oncológico.”

Por: Laura Campos – Psicóloga-oncológica do Americas Centro de Oncologia Integrado

Decifrando os sonhos

O psicanalista Carl Jung, afirma que o inconsciente nos passa mensagens através de imagens.

Aqueles sonhos repetitivos na verdade são pura insistência do inconsciente de tentar nos fazer compreender o que é tudo aquilo que está sendo mostrado e dito para podermos aplicar na vida real.

Para começar a entender a mensagem que os seus sonhos querem te passar é preciso identificar o tipo de sonho. Jung define os seguintes tipos:

Sonhos Traumáticos

São aqueles que remetem a um trauma passado ou recente, mas que talvez ainda não tenha sido superado. A suas atitudes diante dos sonhos traumáticos te dirão se você venceu este sofrimento ou não. Se você se esconde dos desafios que aparecem, significa que ainda é preciso trabalhar em cima deste trauma. Mas se os enfrenta, é muito provável que você esteja no caminho de superar, se não, já ter superado este trauma.

Sonhos Proféticos

Estes são mais raros, pois aparecem como uma premonição do futuro. Nada muito grandioso, apenas pequenos acontecimentos, como prever que algum objeto vai quebrar ou que você passará por uma rua em específico.

Sonhos Prospectivos

Dormir pensando em um monte de pergunta sem resposta, e no dia seguinte, você de repente acorda com uma solução para tudo. Às vezes descansar é o segredo!

Sonhos Extra-sensoriais

Este sonho também é tão raro quanto o profético, mas neste caso, envolve a morte de alguém que acaba se tornando realidade.

Sonhos Compensatórios

Estes são os mais comuns! Eles geralmente te mostram o que você precisa trabalhar em sua vida: medos, relações, objetivos, frustrações, defeitos, hábitos, etc. Ou por exemplo, se você se encontra em um momento muito triste da sua vida, você sonha que está extremamente feliz.

Agora que você tem plena consciência dos tipos de sonhos que seu inconsciente traz, é hora de seguirmos para próxima etapa, complementando ainda mais os significados.

As pessoas que aparecem no sonho podem trazer inúmeros significados e respostas para nós. Elas podem ser fragmentos da nossa psique, mostrando um aspecto de nós mesmos ou podem refletir os nossos relacionamentos. Como diferenciar?

Se estas pessoas são próximas à você e aparecem nitidamente, seu sonho é objetivo, ou seja, reflete a sua relacionamento com elas. Mas se elas são desconhecidas, ou até são conhecidas, mas aparecem um pouco diferente do que são na vida real, seu sonho é subjetivo, ou seja, representa fragmentos da sua psique.

Não existe uma totalidade no quesito subjetivo e objetivo. Na maioria dos sonhos você vai encontrar demonstração de ambos.

A próxima etapa é identificar de qual gênero estas pessoas são.

A psique de todos os seres humanos é constituída pela junção do feminino e masculino.

Nas mulheres, a parte masculina é chamada de animus e nos homens, a parte feminina é chamada de anima.

O animus representa o lado mais racional e cético das pessoas, enquanto a anima representa o lado mais intuitivo e emocional.

Se você é uma mulher e sonha com um homem, pode significar que você precise trabalhar alguma questão ou relação da sua vida de forma mais racional.. 

Se você é homem e sonha com uma mulher, pode significar o inverso, que você precise desapegar do lado racional e acreditar mais em sua intuição.

Se sonhamos com o mesmo sexo, significa que estamos vendo nossa própria sombra. A sombra remete aquelas características mais cabeludas, sabe? Segundo Jung, é o lado obscuro da nossa psique, o lado escondido, o que reprimimos e negamos aceitar. Como os defeitos, por exemplo.

Ainda assim, mesmo com todas essas explicações, cada sonho vai apresentar um significado único para cada pessoa. Portanto, o penúltimo passo é se perguntar quais experiências você viveu no sonhos. Por exemplo:

“Sonhei que estava caminhando uma praia vazia junto com o meu gato me senti muito liberta.”

E a última etapa é correlacionar os aspectos dos seus sonhos com o seu contexto de vida. Seguindo o mesmo exemplo:

“Sonhei (sou uma mulher) que estava caminhando uma praia vazia junto com o meu gato me senti muito liberta. Mas de repente apareceu meu chefe (homem) e ele disse pra eu voltar para o escritório.”

Interpretação 1)

Chefe

Não lembro claramente do rosto do meu chefe, mas sei que ele era homem. Então é muito provável que ele represente o meu lado masculino, o meu animus, aquele que me cobra uma postura racional diante de tudo. No fim, este sonho representa uma cobrança interna minha de ficar o tempo todo trabalhando para distrair a cabeça de questões mais profundas.

Gato

Já meu gato do sonho era igualzinho o meu gato da vida real. Talvez ele tenha aparecido porque quando estou com ele me sinto mais livre, sabe? Desencano um pouco dos meus problemas.

A praia

Praias desertas remetem uma paz interna. É como se todas as minhas angústias pessoais estivessem resolvidas e o silêncio finalmente pudesse ser contemplado, e eu pudesse viver o presente. Quando eu era criança me sentia exatamente, mas hoje em dia já mais difícil diante de tudo que estou passando.

Interpretação 2)

Chefe

Era meu chefe escrito no sonho! Acho que é porque eu preciso me posicionar melhor em relação à ele. Ele me pede muita coisa em momentos inapropriados e eu nunca sei dizer não. Acabo trabalhando praticamente 24h por dia. É melhor eu trabalhar minha coragem e atitude de confrontá-lo quando preciso.

Gato

Já gato do sonho era um pouco diferente, mas ainda assim sentia que era meu. Ao contrário do cachorro, o gato costuma significar liberdade, fuga, desapego. Vou me desapegar desse vício de trabalho que me acorrenta 7 dias por semana e usar minha energia para melhorar outras questões minhas que me trarão liberdade.

A praia

Praias desertas remetem uma paz interna. É como se todas as minhas angústias pessoais estivessem resolvidas e o silêncio finalmente pudesse ser contemplado e eu pudesse viver o presente. De fato, não consigo viver o presente diante de tanto trabalho e questões internas que evito.

Este é apenas um exemplo, baseado na mente da pessoa que está escrevendo. Outras pessoas podem ter o mesmo sonho e encontrar significados completamente diferentes.

Para analisar sonhos é preciso analisar a própria vida: passado, presente e até mesmo o futuro. É importante conhecer a si mesmo, e abrir a mente para as mensagens que o inconsciente quer ter passar, mas que você se recusa a aceitá-las.

Candidíase de repetição

A cândida é um fungo que vive em harmonia conjuntamente com a flora vaginal, mas quando a nossa imunidade cai, ela passa se proliferar e provoca o que chamamos de candidíase.

Além da ardência e coceira, manifesta-se também aquele corrimento branquinho, com uma textura similar a de coalhada.

Toda mulher vai vivenciar a candidíase em algum momento da vida, e tudo bem! Faz parte e costuma ser fácil de tratar. O problema é quando ela vence todos os tratamentos e se repete constantemente.

Quando isso acontece, é importante ficar atenta à questões emocionais. Muitas vezes, o nosso corpo somatiza conflitos mentais que estamos evitando lidar. A somatização não é nada mais que um alerta para você tomar alguma atitude!

Se o seu caso for candidíase de repetição, além de procurar um ginecologista, também procure uma terapeuta para conversar sobre tudo o que você está passando. Entender o seu contexto de atual de vida e como ele faz te sentir, vai ajudar a melhorar todo esse incômodo, físico e mental.

A alimentação também entra na jogada, tanto como aliada como inimiga. Preste atenção no que você anda comendo. Evite consumir açúcar refinado em excesso, massas e carboidratos no geral.

 

Fonte: Lasciva Lua