Os filhos superam as expectativas?

Ter filhos é algo que “nem sempre” se deseja de fato, embora a ideia de tê-los seja uma fantasia inconsciente perene, tanto que, mesmo nossas realizações importantes são chamadas de “filhos”.

         Lidamos de maneira diferente em relação à iniciativa de ter filhos. Qual é o seu motivo? Quanto estamos dispostos a abrir mão, pelo bem-estar de quem decidimos colocar no mundo? O que é importante para cada um de nós nesse cenário? Decisões necessárias!! A criação de quem decidimos ser nosso descendente, depende principalmente de nós mesmos, com toda carga e aprendizado que a vida nos mostrou! Cada um na sua individualidade, na sua dificuldade, nos momentos bons e ruins vividos!!

         Devemos mostrar aos filhos, o que acreditamos ser o “melhor”. E o melhor é o que cada um de nós aprendeu!! Importante ser sincero e explicar a razão de cada assunto. Os filhos vão escolher no final, lógico que levando em consideração o que aprenderam.

         Devemos conversar sempre com as “crianças”. Se a informação essencial não vier da orientação dos “pais”, certamente virá de alguém próximo. As crianças devem ser tratadas conforme a idade e as respostas devem ser baseadas na realidade delas; assim como, o conteúdo da resposta que fornecemos: são nuances, mas que podem fazer muita diferença no final.

         Um belo desafio que está presente na vida de todos que optam por este caminho. Certamente, a indicação do caminho, com exemplo e coerência, que venha das nossas ideologias, mesmo que não tão acertadas e com uma boa dose de abnegação, são a receita certa para uma boa educação.

         No final, filhos são uma benção!!

Dr. Ricardo Faure     

Fonte: Folha de São Paulo – Dra. Vera Iaconelli

Amor Líquido

O título deste texto vem de uma resenha escrita pelo Dr. Álvaro Pulchinelli (médico patologista clínico) na revista Ser Médico e vem alertar para uma realidade que estamos vivendo. Estamos na era das redes sociais, onde o contato, mesmo que virtual, é muito fácil, a coragem para exprimir pensamentos, opiniões e sentimentos é muito maior, afinal, em muitas situações, não temos o contato visual. Mas mesmo assim, no final somos o que falamos e postamos.

O amor-próprio atualmente é consequência de sermos amados. Quanto mais somos ouvidos e mais “likes” recebemos, mais felizes e especiais nos tornamos. As outras pessoas é que vão “determinar” o quanto somos importantes, dignos e amados.

Seguindo esta linha de raciocínio estão os relacionamentos atuais, onde o compromisso se perdeu. O importante é estar junto pelo prazer momentâneo. Quando percebemos que temos que passar por privações e fazer um esforço maior para construir uma unidade familiar, trocamos o parceiro. Existe uma tendência de acreditarmos que o próximo relacionamento será melhor, pela maior oferta e por acharmos que estamos sempre perdendo algo. É a troca pela quantidade na tentativa de suprir a falta de qualidade. O livro Amores líquidos, de Zygmunt Bauman, lida com essa ambivalência dos relacionamentos atuais. Há uma propensão a relações mais descartáveis e flexíveis.

Não podemos, porém, deixar de entender, que a nossa felicidade passa pela capacidade de nos amarmos pelo que somos e fazemos, independente da aprovação alheia. E que os sentimentos de amor e empatia pelo próximo devem ser uma constante em nossas vidas. Só assim teremos a capacidade de construir uma relação sólida, uma unidade familiar.

Todo este questionamento deve fazer parte da nossa vida constantemente. Num mundo onde as relações são cada vez mais superficiais, o que podemos fazer para nos aceitar e viver melhor? Quais são nossas referências morais? Estamos vivendo para sermos pessoas individuais e livres ou buscamos uma vida afetiva e estável? Vale sempre refletir.

Dr. Ricardo Faure               Fonte: Revista Ser médico nº 94 – 2001

A REPERCUSSÃO NEURO-PSICOLÓGICA DA COVID-19

Completamos um ano de pandemia e continuamos aprendendo a cada dia. Além de todas as possíveis alterações físicas que o vírus pode causar (comprometimento pulmonar, perda de olfato e paladar, dores e atrofia muscular) e que podem permanecer por longos períodos, uma das consequências causadas pela COVID-19 são as alterações neuropsicológicas.

Um estudo publicado recentemente na revista Lancet (abril de 2021) procurou fornecer estimativas de taxas de incidência e riscos relativos de diagnósticos neurológicos e psiquiátricos em pacientes, nos seis meses após um diagnóstico de COVID-19. Foi comparado um grupo de pacientes com diagnóstico do coronavírus, com um grupo com diagnóstico de gripe e outro com diagnóstico de qualquer infecção respiratória. Entre 236 379 pacientes com diagnóstico de COVID-19, a incidência estimada de um diagnóstico neurológico ou psiquiátrico nos seis meses seguintes foi de 34%. Para pacientes que foram admitidos em uma UTI (doença mais grave), a incidência estimada de um diagnóstico foi de 47%. Condições neurológicas como derrame e demência foram raras, mas também aumentadas no grupo do COVID. E, quadros de ansiedade e transtornos de humor foram mais diagnosticados no grupo do COVID (17% dos pacientes com distúrbios de ansiedade e 14% com distúrbios de humor, incluindo depressão, nas infecções mais leves do vírus).

Esse estudo reforça a importância das medidas de prevenção da infecção (álcool gel, máscara, distanciamento social e principalmente as vacinas). A incidência de alterações emocionais que já está aumentada neste momento de incerteza (profissional, familiar, financeiro, futuro), pode ser exacerbada com a infecção pelo coronavírus.

A ajuda precoce de um especialista em saúde mental nos casos desses diagnósticos é fundamental para evitar agravamento do quadro. O importante é buscar ajuda, assim que se percebe a necessidade; o tratamento pode ser mais curto e menos estressante.

Os benefícios da psicoterapia têm sido significativos no enfrentamento do momento atual. Vão desde a conquista da autonomia para controlar as mais diversas situações, o autoconhecimento, a autogestão emocional e a uma melhor qualidade de vida dos pacientes.

Cuidem-se!

Dra. Patrícia Pereira Faure

Psicóloga / Psico-Oncologista

Uma palavra sobre Felicidade

Uma pesquisa chamada “Grant study”, sem dúvida, uma das pesquisas de grande relevância, realizada com critérios rígidos e por um longo período (já está ativa há mais de 80 anos), investigou os fatores que influenciam nosso bem-estar.

Escolheram 268 alunos do segundo ano da faculdade de Harvard (em 1938) e acompanharam suas vidas inteiras. Os pesquisadores iam de tempos em tempos anotar o máximo de características possíveis de cada pessoa: situação financeira, peso, hábitos, doenças, medicamentos, estado civil, se tinham filhos, vida sexual, entre outras. Hoje, pouco mais de 15 voluntários estão vivos e próximos dos 100 anos.

O resultado foi incontestável: Se você quer chegar feliz ao final da vida, deve se cercar de pessoas e ter diversas relações próximas. “Felicidade é amor”.

Fama e dinheiro não determinaram a satisfação pessoal de alguém, o nível de colesterol foi menos importante do que o número de relações próximas aos 50 anos, filhos e casamentos satisfatórios foram mais importantes do que bens ou doenças crônicas.

Humanos são animais sociais, sempre tiveram que viver em bandos para sobreviver. Nosso cérebro é especializado em interpretar emoções alheias.

Nossas relações são o que vai fazer-nos levantar felizes da cama todos os dias. A família é sem dúvida nosso maior “porto seguro”, mas uma comunidade bem construída é também fundamental. Invista em relacionamentos.

Difícil pensarmos em relacionamentos, num momento em que estamos com restrições de contato. Fica o recado para o momento em que pudermos voltar a nos abraçar. O contato humano é fundamental.

Dr. Ricardo Faure                                          Fonte: Revista Super Interessante

Janeiro Branco “A saúde mental em tempos de pandemia”

A campanha “Janeiro Branco” foi criada com o intuito de disseminar a importância sobre a saúde mental e trazer conhecimento sobre o assunto. A pandemia nos mostrou a importância de intensificar o cuidado com a saúde mental e como isso faz toda a diferença para manejar situações de adversidades, por isso, este ano, a campanha ganha uma relevância ainda maior.

A pandemia causou mudanças na rotina da população. O distanciamento físico e o aumento da desigualdade são alguns dos fatores que facilitam o sofrimento psíquico. A harmonia familiar foi amplamente testada e colocada em questão. Profissionais tiveram que se adequar a um novo modelo de trabalho, o “home office”. Pais e mães passaram a estreitar o relacionamento com filhos sem as aulas presenciais. Tudo isso, somado ao medo do contágio e da morte, à incerteza da empregabilidade e ao luto vivido por quem perdeu um ente querido para a Covid-19, completam um cenário desafiador para a mente humana, com ingredientes propícios para o sofrimento psicológico.

A depressão é um dos grandes males do nosso século (OMS) e afeta mais de 350 milhões de pessoas no mundo, assim como a ansiedade atinge 18,6 milhões de brasileiros e os transtornos mentais de maneira geral são responsáveis por mais de um terço do número de “incapacidades” nas Américas. O Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo e o quinto mais depressivo. As turbulências emocionais do cenário pandêmico devem gerar impactos na saúde mental da população, que já é preocupante. 

Depressão é uma doença séria e deve ser diagnosticada e tratada o quanto antes. Saber identificar um quadro depressivo, por exemplo, é uma maneira de evitar o sofrimento contínuo e um agravamento ainda maior da situação, que pode em condições extremas, levar à morte. É essencial buscar ajuda profissional quando apresentar sintomas físicos que impactem o cotidiano, como sensações de angústia, sentimentos de não pertencimento, dificuldades de relacionamento e desinteresse pelas atividades cotidianas. O sofrimento não tratado pode evoluir para a piora dos sintomas.

O bem-estar emocional é um dos componentes para um estado de equilíbrio e felicidade e esse bem-estar pode ser estimulado e aprimorado, mesmo diante de mudanças e desafios.

O ano de 2021 abre caminho para o autoconhecimento e a ressignificação. É preciso estar aberto e disposto a olhar para si mesmo, enxergar o modo que se vivencia as próprias emoções e frustrações, perceber como você está agindo em relação às adversidades que a vida lhe impõe e buscar um novo significado para as diversas situações que estamos vivenciando.

Cuide-se e proteja-se!

Dra. Patrícia P. Faure 

Psicóloga / Psico-Oncologista 

SLOW LIVING

O “slow living” é um estilo de vida ou mesmo uma filosofia de se viver a vida de maneira desacelerada. É uma mudança de mentalidade contra o conceito de que quanto mais rápido, melhor. Uma oportunidade de vivermos o presente da maneira mais intensa possível e olharmos menos para o passado e futuro.

A pandemia nos obrigou a uma reavaliação da rotina em todos os seus aspectos, desde relacionamentos e convívio familiar até a adaptação para trabalhar em casa, que pode trazer benefícios, mas também dificuldades das mais variadas. Fomos também surpreendidos com um aumento da carga emocional, por termos que incorporar todas essas mudanças e este assunto acabou sendo muito “ventilado”. O fato é que diminuir o ritmo, pode gerar um grande incremento na qualidade de vida. E normalmente, vivemos num ritmo frenético nas grandes cidades.

Estamos falando aqui de diminuir o ritmo de uma maneira geral. Já é provado que uma alimentação saudável e prática de atividade física são fundamentais para nossa saúde. É importante pararmos para as refeições, que devem ser saudáveis, balanceadas e principalmente bem degustadas, evitando o “fast food”. Devemos reservar um tempo para a prática de atividade física que deve ser feita com calma.

Quando falamos em medicina em contraponto à telemedicina, que também ganhou força neste período, até que ponto ela deve ser usada? Qual a melhor forma de ajuda? Para quais pessoas, situações e regiões? Até que ponto não é importante conhecer quem estamos tratando, com todas as suas características? Quanto tempo devemos avaliar um paciente para sabermos diagnosticar as alterações e doenças? Uma consulta virtual com exames complementares, pode substituir o contato humano?

O objetivo está em encontrar o passo certo, vivendo o tempo em vez de apenas contá-lo. Fazer tudo da melhor maneira possível, em vez de o mais rápido possível. É uma questão de qualidade e não de quantidade, independentemente de onde estivermos. Devemos ajustar prioridades e estarmos presentes com “plenitude, disponibilidade e atenção”. Fazer tudo com concentração e na hora certa, reservando tempo para cada atividade.

Dr. Ricardo Faure                                                                Fonte: Casa Vogue

OUTUBRO ROSA

Chegamos a mais um “outubro rosa” e este ano fomos surpreendidos pela pandemia, que alterou a rotina de todos, inclusive a realização de exames de prevenção.

A mastologia é uma das áreas da medicina que mais evolui. O aperfeiçoamento do tratamento cirúrgico, com técnicas de cirurgia plástica associada (oncoplastia), que minimizam e mesmo excluem as assimetrias mamárias e quando não é possível preservar a mama, as técnicas de reconstrução mamária, vem ganhando novas possibilidades. Hoje temos a radioterapia intraoperatória para casos selecionados e mesmo aplicações com menos sessões, quando precisa ser realizada no pós-operatório. Contamos também com uma constante descoberta de novas drogas (quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo), que melhoram a sobrevida mesmo em casos mais avançados e agressivos da doença.

Apesar de toda evolução que a especialidade vem ganhando, o diagnóstico precoce é o fator que mais contribui para atingirmos altos índices de cura. Este ano, a Sociedade Brasileira de Mastologia lançou a campanha “QUANTO ANTES MELHOR”. A ideia é chamar a atenção das mulheres para a adoção de um estilo de vida saudável, com a prática de atividades físicas e alimentação saudável que ajudam a evitar várias doenças, entre elas, o câncer de mama. O rastreamento e até o tratamento da doença, que foram interrompidos, devem ser retomados.

Agora que estamos tendo um controle maior da pandemia na maioria das regiões do Brasil, é importante voltar a fazer exames de prevenção e principalmente nos casos onde existe alguma alteração clínica, que deve ser orientada pelo seu mastologista. Sempre tomando todos os cuidados de prevenção como o uso de proteção individual.

Dr. Ricardo Faure

A PANDEMIA E NOSSA ROTINA

Hábitos cotidianos foram alterados com o distanciamento social, necessário para prevenção da COVID-19. Aprendemos muito até aqui: como tratar a doença, o quanto podemos e temos que sair, quais as coisas que realmente importam e o que é imprescindível fazermos.

            O distanciamento social foi muito importante para que o sistema de saúde pudesse se adaptar à nova realidade que estamos vivendo. Mas, neste momento em que o número de casos está diminuindo, os hospitais de campanha foram fechados e o sistema de saúde pode absorver o número de novos casos da doença, temos que começar a voltar às nossas rotinas mais essenciais.

            Nos primeiros 3 meses de quarentena, 50 mil diagnósticos de câncer deixaram de ser feitos e até agora quase 400 mil cirurgias eletivas deixaram de ser realizadas. Esta demanda reprimida está começando a refletir, principalmente no sistema público de saúde, que em condições normais, já trabalha sobrecarregado.

            Os consultórios são locais onde a transmissão da doença é considerada baixa e principalmente quando são tomadas medidas para minimizar os riscos como álcool gel, distanciamento de consultas, uso de máscara obrigatório, além da higienização com maior frequência.

            A saúde é um bem que deve ser preservado e os exames de prevenção e sua consulta de rotina não devem ser mais postergados. Basta apenas que sejam tomados os cuidados necessários para a proteção de todos.

            Retomem os controles e façam seus exames de prevenção !!!!

Equipe CEMEP

Você sabe o que é sarcopenia?

Sarcopenia é um processo degenerativo que cursa com perda de massa muscular, força e performance física. Esse processo se inicia aos 40 anos e é consequência de alterações hormonais, lentificação da regeneração muscular e síntese de proteínas.

Esse assunto foi descrito pela primeira vez em 1989 e ganhou importância, na medida em que a população tem uma expectativa de vida maior e enfrenta alterações e doenças que eram pouco abordadas há alguns anos.

As pessoas começam a se preocupar com os músculos e osteoporose dos 50 aos 64 anos, mas só vão notar a perda quando os músculos se tornarem uma questão de saúde e não mais de estética.

À medida que envelhecemos, é inevitável estarmos diante de perda de mobilidade, força e equilíbrio. Estas características são fundamentais para evitarmos quedas, fraturas e até invalidez temporária ou permanente. Toda limitação física nos leva a restrições e consequentemente à piora da qualidade de vida.

Como em muitas situações na medicina, estamos sendo tratados das consequências da falta de prevenção. O tratamento dos ossos e articulações podem ser muito minimizados, se prestarmos mais atenção à nossa musculatura, que normalmente não é valorizada. As “doenças” da coluna e articulações são muito frequentes atualmente.

Combater a sarcopenia irá melhorar sua qualidade de vida durante o envelhecimento. Temos que inserir a cultura de ganho e manutenção da massa muscular. Profissionais como o médico, o fisioterapeuta, o educador físico e o nutricionista podem auxiliar na avaliação e recuperação.

Dieta adequada (“com pratos bem coloridos”), atividade física regular e moderada e em alguns casos suplementos nutricionais, são fundamentais para manter e retardar a perda muscular e envelhecer de forma mais saudável.

Dr. Ricardo Faure                               Fonte: Revista “Ser Médico” (Aglaé Silvestre)

Educação em tempos de pandemia

A educação é a formação de um novo ser humano. Aliada às características genéticas e para algumas pessoas, às experiências de vidas passadas, constitui provavelmente a maior fatia no equilíbrio que cada pessoa vai desenvolver até a vida adulta para tomada de decisões.

A grande parcela da educação vem de casa. Somos estimulados desde o dia do nascimento, quando a mãe recebe o recém-nascido e o coloca no “peito” para amamentar.  A partir daí aprendemos conceitos de amor, costumes e moral. O núcleo familiar é uma constante observação de exemplos. Lógico que muitas vezes vivenciamos mudanças nesta rotina e num novo desenho, o núcleo familiar deve ser adaptado, mas continua sendo igualmente importante. Toda pessoa deve poder buscar conforto na sua própria família. Os amigos são importantes, mas possuem conceitos diferentes, o que também pode ser positivo.

 A escola funciona como uma “oficina” para colocarmos em prática, as orientações dadas em casa, através da socialização e complementa a base que precisamos para entender o que escolheremos fazer. A autonomia das pessoas e a capacidade de trabalhar é uma das prerrogativas para “sermos felizes” segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde).

         Ainda que possam existir “falhas” no meio do caminho, sempre existe a possibilidade de reparamos nossa trajetória e isso deve ser feito com tudo que aprendemos e desejamos e em alguns casos com ajuda profissional. Corrigir ou melhorar nossas deficiências contribui sempre para nosso aperfeiçoamento.

  Hoje, em tempos de pandemia, lidamos com uma nova realidade em relação aos nossos filhos e uma nova adaptação nos solicita. As aulas virtuais (“on-line”) são um desafio para quem estava até a pouco tempo convivendo com amigos na escola. Um longo tempo demandado das crianças que precisam assistir aulas curriculares e extracurriculares, numa rotina que muitas vezes chega a 8 horas diárias na frente de um computador.

Hoje, já é descrita uma nova realidade chamada de fadiga de videoconferências – uma sucessão de encontros não presenciais. As “crianças” estão muito “presentes” virtualmente e tendo que se adaptar a essa nova realidade que se soma às consequências do confinamento. Como se concentrar e prestar atenção às aulas? Como se comportar diante de uma câmera? Quais as regras que devem ser respeitadas? Certamente o comportamento diante desta nova realidade vai ser avaliado e pesar na avaliação final dos alunos. Movimentos do corpo, olhares e até a frequência respiratória estão sendo observados.

   Estamos, portanto, diante de mais um desafio em relação à educação das crianças e devemos orientá-las e confortá-las diante desta nova realidade.

Dr. Ricardo Faure                                                                  Fonte: abril.com.br

Vamos falar sobre veganismo

            O vegetarianismo e o veganismo foram as principais tendências de dieta em 2019 e isso deverá progredir. No Brasil, estima-se que 14% das pessoas sejam vegetarianas ou veganas (pesquisa IBOPE de abril de 2018). A estatística, portanto, representa um crescimento de 75% em relação a 2012, onde 8% da população se declarou vegana ou vegetariana, representando hoje, quase 30 milhões de brasileiros que se declaram adeptos a esta opção alimentar.

            O veganismo é um movimento que tem como objetivo promover a libertação dos animais, bem como valorizar seus direitos e bem-estar. 

                A principal diferença entre os dois é que o veganismo, mais do que uma opção de alimentação, é um estilo de vida e uma escolha filosófica. Nele, não se deve consumir produtos de origem animal, como carne, peixe, laticínios, ovos e mel. Mas as escolhas ultrapassam a área da alimentação e se espalham por outros aspectos da vida. Não se usa produtos de couro, velas à base de cera de abelha na decoração e artigos para higiene e limpeza que tenham componentes de origem animal e nem podem ter sido testados em animais. Já o vegetariano não come carne, peixe e aves, mas pode consumir outros produtos de origem animal como o leite e o ovo.

                Existem pessoas não-veganas que possuem alimentação inadequada e podem ter deficiências nutricionais, ao passo que um vegano pode ter uma ingestão suficiente de nutrientes de fontes vegetais, sem possuir deficiência em, por exemplo, ferro,  cálcio, vitamina B12 e ácido fólico, que estão presentes em grande quantidade na carne e leite. Tudo vai depender da qualidade da alimentação. É muito importante então, que as pessoas que optam por esta alimentação façam uma avaliação nutricional para entender se não estão com deficiência de algum nutriente. Existem muitas escolhas não saudáveis e não balanceadas tanto no veganismo quanto fora dele, que podem levar a carências nutricionais

                É possível ter uma variedade enorme de alimentos naturais, que muitas pessoas sequer experimentam por estarem acostumadas com o padrão alimentar que muitas vezes não possui diversidade. Combinações de frutas, verduras, legumes, temperos, cereais e grãos dos mais diversos resultam em receitas incríveis. A alimentação vegana de qualidade deve ser composta por uma ampla variedade de alimentos naturais e integrais. Deve-se ter cuidado para não aumentar muito a ingestão de carboidratos refinados, como biscoitos e pães não integrais e ter uma baixa ingestão de leguminosas, frutas e legumes, que são ricos em proteínas e fibras. Existem vários alimentos veganos ultra processados no mercado e todos devem ser evitados.

                Entre as principais dicas estão a quinoa (também rica em fibras, ferro, magnésio e manganês), grão de bico (rico em fibras), lentilhas (também tem fibras) e o bom e o velho feijão, que, quando associado com o arroz, torna-se uma combinação perfeita; fonte não só de proteínas, mas de aminoácidos, vitaminas e sais minerais. Outras opções são o amaranto (rico também em ferro, vitaminas do complexo B e magnésio), aveia, castanhas, tofu, pasta de amendoim, semente de abóbora e de girassol. Entre os alimentos ricos em ferro estão as leguminosas, como feijão, frutas secas, sementes, oleaginosas (castanhas, amêndoas, nozes), vegetais verde-escuros (espinafre, couve, agrião, coentro, salsa), cereais integrais (trigo, aveia, arroz) e diversos outros, como mandioca, molho de tomate, tofu e melaço de cana.

            Existem também opções riquíssimas em cálcio, especialmente hortaliças verde-escuras como espinafre, brócolis, agrião e couve. Além disso, tomate, amêndoas, ameixa-preta, soja orgânica e frutas cítricas. Ou seja, um grande cardápio de variedades.

                Por um lado, existem muitas evidências que comprovam os benefícios da dieta vegetariana/vegana na diminuição do risco de desenvolver doenças crônicas, por outro, o consumo exclusivo de vegetais pode favorecer deficiências de nutrientes específicos, mas que podem ser evitadas com facilidade. Portanto, uma dieta vegetariana/vegana equilibrada permite oferta nutricional adequada, previne doenças crônicas e promove a saúde. As dietas baseadas em vegetais constituem alternativa segura, oportuna e preferencial para garantir qualidade de vida e longevidade.

Dra. Patrícia Faure                    Fonte: Globo.com / G1 / Nutrição

Efeitos da quarentena

Após 2 meses de distanciamento social, estamos aqui, tentando entender o que significa esta pandemia e tentando lidar com os efeitos que ela está trazendo ao nosso cotidiano.

            Do ponto de vista da doença, o distanciamento social é necessário para que todas as pessoas não fiquem doentes ao mesmo tempo. Um preço caro a ser pago, mas necessário para que nosso sistema de saúde, que habitualmente já trabalha no limite, não entre em colapso; tradução da falta de investimentos, a longo prazo, na área da saúde. Se os hospitais tivessem melhor condição de absorver os casos mais graves, não seria necessária uma restrição tão intensa.

            Esta semana saiu uma estatística, baseada em projeções, onde neste período, 50 mil casos de câncer deixaram de ser diagnosticados e 70% dos procedimentos cirúrgicos, de menor urgência, foram adiados ou tratados temporariamente de maneira alternativa. Isso tudo para diminuir o risco de complicações cirúrgicas e de evolução desfavorável em caso de contaminação pelo “coronavírus” e com a finalidade de desocupar as vagas de UTI, para ficarem disponíveis para os possíveis casos da COVID -19.

            Não podemos esquecer de todas as doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, que tiveram seu tratamento interrompido ou com alguma dificuldade de acompanhamento, os transtornos de saúde mental como depressão e ansiedade, que sofreram interrupção de acompanhamento psicológico e mesmo de medicação e até mesmo os casos de aumento de violência doméstica,  que estão em torno de 40% superiores. Qual o impacto que as medidas restritivas tomadas hoje vão trazer neste panorama, inclusive em termos de mortalidade??

            Falamos ainda, principalmente das classes sociais menos favorecidas, que estão sofrendo as consequências econômicas mais drásticas, onde muitas pessoas já passam fome.

            Fica a incerteza de como e quando será o nosso retorno à vida “normal” e o que temos que administrar, com as ferramentas que temos.

            Além de todo aprendizado que estamos tendo nesta “quarentena”, que possamos tirar os melhores exemplos e as melhores condutas e sempre fazer o melhor para todos. E que saibamos cobrar de nossas autoridades, mais compromisso com o “recurso público”, que dessa vez afetou nosso bem maior.

Dr. Ricardo Faure

Efeitos do distanciamento social.

Para algumas pessoas, “a quarentena” está sendo apenas uma “viagem de férias”, com poucas coisas a fazer e que podem ser resolvidas à distância, para outras a incerteza do futuro sob vários aspectos, frente a estatísticas que mudam diariamente e para outras, toda a incerteza da epidemia, aliada ao fato de não terem condição de comprar comida, o que leva à desnutrição, diminuição da imunidade e consequentemente maior exposição à doenças infectocontagiosas.

Além de termos que contabilizar o impacto que a crise na saúde causa nas pessoas, temos que pensar também na crise financeira. Como dosar qual o menor impacto? Temos muitos fatores que podem contribuir para uma vasta lista de doenças físicas e/ou emocionais. Além da mortalidade pelo “coronavírus”, temos que avaliar o impacto causado por outras variáveis que essa epidemia pode ocasionar como medo, angústia, insegurança, quadros de depressão, ansiedade e mesmo pânico e as consequências que podem causar.

Como determinar o melhor modelo de restrição das pessoas? Qualquer previsão que fizermos, mesmo as mais isentas, vai ser uma mera estimativa. Não sabemos exatamente quantos casos existem no mundo (número de infectados) e não sabemos com precisão a taxa de mortalidade. O Brasil é um país muito grande, heterogêneo e se comporta como se fosse um conjunto de países. Muito difícil adotar uma política de distanciamento sem errar. Temos muitas variáveis a considerar:

  1. Teríamos que restringir quem pode trabalhar de casa sem prejuízo, todos acima de 60 anos, todos com comorbidade. Esse é o grupo onde a doença deve ser evitada para não termos muitas hospitalizações de uma só vez. Este é o maior objetivo do distanciamento social. 80% dos óbitos ocorrem neste grupo.
  2. Teríamos que evitar qualquer contato deste grupo, principalmente com crianças que são muitas vezes portadores assintomáticos.
  3. Teríamos que resolver o problema da exclusão social (onde vivem muitas pessoas em um ou poucos cômodos) e não existe condição para isolamento. Qual vai ser o impacto disso?

Enquanto analisamos todo o contexto, os hábitos de higiene como lavar sempre as mãos, passar álcool gel após contato com áreas potencialmente contaminadas, usar máscara quando sair, manter distância de pelo menos 1,5 a 2 metros de outras pessoas, ajudam a minimizar a exposição ao vírus.

Muitos não vão gostar ou aprovar as medidas adotadas, somos seres individuais, cada um com sua vivência: aprendemos com a família, com os amigos, na escola; tudo isso nos prepara para enfrentar a vida. Por isso, não julgue. Faça tudo o que você puder para ajudar o próximo. O benefício dessa ação é muito recompensador.

Cada individuo vai sair desta pandemia com sua lição. Estaremos num mundo diferente. Para alguns, talvez igual, para outros muito diferente, mas alguma lição temos que levar desta experiência. Temos que enxergar além de ideologias políticas, além da religião, além da nossa própria existência. Pratique sempre a empatia, tente olhar pelo ponto de vista do outro, ajude da melhor maneira possível.

Com o intuito de minimizar os efeitos causados por esta quarentena, hoje existem serviços de atendimento telefônico gratuito (psiquiatras e psicólogos). Se você conhece alguém que precisa conversar ou mesmo, apenas para tentar entender este turbilhão de sentimentos, repasse essa informação.

Telefone de um dos serviços: SOS – Apoio emocional                                                Fone: 988630550 – (9h às 24h)

Dr. Ricardo Faure / Dra. Patrícia Pereira Faure

Uma visão sobre o Coronavírus

Coronavírus. Mais uma pandemia que acometeu o mundo. O que podemos tirar de lição desse novo episódio?

            Como qualquer situação nova, por mais que tenhamos conhecimento de doenças antigas, tecnologias, mentes brilhantes, sempre existe o período de aprendizado, que vem sendo cada vez mais rápido.

            Entendemos que o vírus se propaga rapidamente, que a grande maioria das pessoas tem um quadro gripal clássico e/ou sintomas mais leves, talvez mesmo sem sintomas, como em outras gripes. Entendemos que o vírus ainda não matou crianças abaixo de 10 anos, que é sempre um grupo preocupante para infecções e que tem uma alta taxa de letalidade nos idosos, principalmente quando existem doenças associadas como hipertensão e diabetes, sobretudo mal controladas.

            Também nos serve de aprendizado o fato de que não adiantam discursos de desunião. A evolução da doença só pode ser otimizada, se houver colaboração das pessoas, se houver empatia, se houver união de conhecimentos e compartilhamento.

            Porque somos submetidos a eventos como este, onde ocorre de uma hora para outra uma desestabilização mundial? Podemos acreditar em aquecimento global, devastação sem controle, dieta com consumo de animais, falta de conscientização e união das pessoas e até mesmo num aprendizado de teor religioso. Ou talvez a somatória de tudo.

            Dentro do que aprendemos até aqui para esta doença, o fundamental é que devemos proteger nossos idosos, evitando ao máximo a exposição deles ao vírus, porque apesar de estarmos todos expostos e neste aspecto somos iguais, os idosos apresentam pior evolução. Conseguimos isso fazendo o vírus circular menos, procurando sair de casa o necessário, evitando aglomerações e aí entram escolas, empresas, reuniões, cultos, cinemas, mesmo que isso represente a nossa fração de sacrifício. Temos exemplos como Singapura, que conteve a disseminação do vírus com essas medidas, mesmo que tenham sido radicais. Aprenderam com eventos pregressos e desenvolveram estratégias para contenção da doença.

                       Além do trabalho de toda equipe de saúde, estamos diante de uma situação onde a colaboração da população é o fator mais importante.

            Para obtermos sucesso nesta empreitada, siga os seguintes passos:

  1. Higienize as mãos e rosto com frequência, com sabonete e use álcool gel nas mãos.
  2. O grande objetivo é evitar grande número de infecções simultâneas, como o que aconteceu na China e na Itália. Muitas pessoas doentes demandam muitas internações ao mesmo tempo e sempre existem limitações no sistema de saúde.
  3. Se estiver com sintomas gripais, evite contato com outras pessoas e use máscara. Em caso de sintomas importantes como febre e principalmente dificuldade para respirar procure um pronto socorro. Não faça teste se você estiver assintomático. Com alta probabilidade o teste pode dar negativo e a pessoa desenvolve a doença mais para frente, tornando-se uma disseminadora e atrasando o diagnóstico de quem precisa.
  4. Procure seguir atentamente e com rigor as medidas que forem tomadas pela equipe de saúde que está conduzindo o caso. A restrição antecipada é sempre alarmista, mas certamente os efeitos que a doença pode causar vão ser insuficientes se nada for feito e então essa equipe será criticada.
  5. Seja consciente com os recursos que temos. Não vai acabar a comida e nem estamos diante do apocalipse. Compre comida com consciência e principalmente máscaras e álcool gel. Só deve usar máscara quem tiver suspeita da doença ou quem está cuidando de pessoas doentes. Se não tiver álcool gel para todos, estamos ajudando na disseminação da doença por quem não conseguiu comprar o produto.
  6. Não deixe de dar amor para sua família desde que tome as precauções de evitar contato direto. Neste momento, a presença vale muito mais que um abraço.

Dr. Ricardo Faure

UMA VISÃO SOBRE A MEDICINA E SUAS RELAÇÕES

Você está no final de campeonato da sua filha e recebe uma ligação dizendo que o filho do seu paciente idoso precisa falar com você com urgência. Um colega tem uma emergência familiar e o hospital precisa que você trabalhe em turno duplo. A ressonância magnética do seu paciente não é coberta e a única opção é ligar para a companhia de seguros e argumentar.

Esses dilemas são uma questão padrão para médicos e enfermeiros. Felizmente, a resposta também costuma ser uma questão padrão: uma maioria esmagadora faz a coisa certa para seus pacientes, mesmo a um alto custo pessoal, o que leva muitas vezes o profissional a um esgotamento.

Assim como no futebol, o profissional de saúde virou uma empresa, na qual tudo importa, menos os jogadores. O protagonismo fica com as emissoras de televisão, patrocinadores, empresas de material esportivo e os “cartolas” dos grandes clubes.

Na área da saúde, o profissional e o paciente também têm papel de figurantes. As negociações com os sistemas de saúde são muitas vezes difíceis, negadas ou não estão disponíveis. O desenvolvimento de novas drogas, sempre buscando a melhor eficácia e segurança e principalmente a incorporação de novas tecnologias mostra que temos recursos, mas que são limitados quando falamos em convênios e principalmente na rede básica de saúde (Sistema Único de Saúde – SUS).

O médico está, então, numa situação conflitante, pois tem a obrigação ética de oferecer o melhor para o paciente, que pode não estar disponível. Além disso, é angustiante ver hospitais, clínicas, empresas de seguros e de assistência médica se referir a médicos como “prestadores de serviço”.

Devemos defender firmemente o princípio sagrado da relação médico-paciente e rejeitarmos veementemente sua corrupção em uma transação fornecedor-consumidor.

A “businessificação” da saúde transformou a área em negócio, inclusive com e telemedicina, que orienta pacientes sem ao menos olhar para a expressão dos mesmos. Até que ponto isso está realmente ajudando?

Resta a cada um se adaptar aos novos conceitos de “trabalhar”, sempre com muita determinação e vontade de melhorar.

 

Dr. Ricardo Faure

 

Fonte:

  1. Henry A. Nasrallah; MDCurrent Psychiatry; Vl. 19, No. 2, p. 5-8
  2. Amaral, JLG; Revista APM; nº 716, 2019
  3. Ofri D; The New York Times; 8, jun, 2019