Dia da Mulher: O que é e por que é celebrado em 8 de março?

Comemorado todos os anos em 8 de março, o Dia da Mulher pode parecer apenas mais uma data comercial como tantas outras. O que nem todo mundo sabe é que o dia possui razões mais sérias para existir. Afinal, não é de hoje que as mulheres desempenham um papel fundamental para o mundo e que merecem ser respeitadas e tratadas com igualdade. Para ajudar a promover essa reflexão sobre a importância da mulher na sociedade e celebrar a data, preparamos este post especial. Nele, você vai entender o que é o dia 8 de março, quais eventos deram origem, como comemorar o Dia Internacional da Mulher e como a Accor incentiva a equidade de gênero e as lideranças femininas. Acompanhe!

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O que é o Dia da Mulher?

Comemorado desde o começo do século 20, o Dia da Mulher é uma data que destaca a importância da figura na sociedade e também suas conquistas e direitos.

Oficial pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, esse é um dado usado para a igualdade de gênero e Organização para Reivindicar às mulheres.

O Dia Internacional da Mulher homenagemia, principalmente, a luta e as conquistas femininas através da história do mundo. E, cá entre nós, não são poucas e merecem ser relembradas.

 

Contudo, mesmo o Dia da Mulher existe uma importante celebração em nível global, controvérsias sobre sua origem. E é sobre elas que falaremos a seguir.

empoderamento feminino

Qual foi o objetivo da greve de 1857?

Uma das versões mais conhecidas para a criação do Dia Internacional da Mulher foi uma greve realizada por mulheres operárias em Nova Iorque, nos Estados Unidos, em 1857.

Segundo conta a narrativa histórica, essas mulheres teriam se reunido para reivindicar a redução da jornada de trabalho e a criação de uma espécie de licença-maternidade.

Naquela época, trabalhava-se muito e ganhava-se pouco, o que teria motivado os protestos.

Na luta por seus direitos, contudo, as operárias teriam morrido em um incêndio criminoso ocorrido na fábrica de tecidos Cotton, supostamente, comandado pelo diretor da empresa.

 

Mesmo sendo a origem mais popular no mundo, essa tragédia nunca foi comprovada. Porém, ela aconteceu em um momento de eclosão de passagem feminina de mulheres nos Estados Unidos, se torna mola propulsora para uma mobilização feminina por seus direitos.

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Conheça a origem do Dia Internacional da Mulher

Embora a origem da data mais feminina do ano seja, de fato, ligada à luta de mulheres operárias por seus direitos, o que aconteceu, na verdade, foi um pouco diferente.

As motivações para a criação de um dia especial foram parecidas, o que muda, no entanto, são as datas e cenários.

Conforme mostram as comprovações históricas, o Dia da Mulher ganhou força a partir de greves realizadas por mulheres nos Estados Unidos e na Rússia. Entenda mais sobre esses dois importantes acontecimentos nos próximos tópicos.

Greve nos Estados Unidos

Mais de 60 anos antes da oficialização do dia 8 de março como o Dia Internacional das Mulheres, cerca de 15 mil mulheres americanas se reuniram para uma greve.

Essa manifestação aconteceu em Nova Iorque, em 1909, e ficou conhecida como Dia da Mulher.

Naquela época, a carga horária de trabalho era exaustiva: trabalhava-se cerca de 14 horas em semanas de seis dias e o salário era baixíssimo. Além disso, as condições de trabalho delas eram piores que as dos homens.

Ambos trabalhavam em ambientes tão precários que representavam um cenário propício para o perigo.

Em 25 de março de 1911, então, aconteceu um incêndio na fábrica têxtil Triangle Shirtwaist Company, em Nova Iorque, que matou 125 mulheres e 21 homens.

A comoção com a tragédia foi tão grande que os sindicatos e o movimento trabalhista nos Estados Unidos se fortaleceram após o incidente.

A relação do Dia da Mulher com a Revolução Russa

Já na Rússia de 1917, cerca de 90 mil mulheres trabalhadoras do setor de tecelagem se reuniram para protestar nas ruas.

A fome mundial foram as principais figuras da primeira aparição, que aconteceu em fevereiro do antigo calendário russo e em 8 de março, no calendárioriano.

Por esses motivos, a ficou conhecida como “Pão e Paz”.

Com a adesão de milhares de pessoas, foi um evento que impulsionou a Revolução Russa. Após o episódio, o dia 8 de março foi oficializado pelos soviéticos como um data para comemorar a “mulher heróica e trabalhadora”.

Controvérsias sobre as origens do Dia Internacional da Mulher 

Embora a origem da Mulher seja associada ao incêndio na fábrica têxtil, ainda há teoria que diz que a existência na Europa está relacionada a outros dados, a outros dados.

De acordo com ela, anual 1910, a sindicalista alemã, do Partido Comunista da Alemanha, Clara Zetkin, do Partido Comunista da Alemanha, das mulheres, uma jornada de manifestações socialistas pela igualdade de direitos.

 

A data, porém, não foi determinada e o primeiro dia oficial da mulher na Europa foi celebrado no dia 19 de março de 1911.

international women's day

Qual a importância do Dia da Mulher?

Mesmo existindo controvérsias sobre as origens do Dia da Mulher, esse é um dado para reflexão e não apenas destinado a homenagens ou troca de presentes.

Embora tenha se tornado uma data com forte apelo comercial, é um dia de luta pelo empoderamento feminino, equidade e respeito.

Em países como Brasil e Estados Unidos, o dia 8 de março é marcado por protestos organizados por mulheres em suas principais cidades.

Além da igualdade salarial, as bandeiras mais levantadas pelos participantes desses movimentos são a descriminalização do aborto, a política de combate à cobrança do feminicídio, entre outras questões urgentes a serem resolvidas.

Ou seja, é um momento que serve para levantar os principais problemas que as mulheres enfrentam e também para aumentar a conscientização sobre a igualdade e a necessidade de respeito.

Marcos históricos das conquistas das mulheres no Brasil

Mesmo com uma história marcada pela submissão e violência, é verdade que, com o passar do tempo, a mulher conquistou muitos direitos. Mas ainda há muito a ser superado.

Vamos relembrar os principais marcos históricos das conquistas das mulheres no Brasil?

No país, o movimento por melhores condições para as mulheres remonta ao começo do século 19.

Em 1813, o baiano Domingos Borges de Barros passou a defender junto às cortes portuguesas a participação da mulher na política.

Já 60 anos depois, em 1873, elas tiveram o direito a frequentar instituições de ensino superior pela primeira vez na história.

Em 132, durante o governo do então Getúlio Vargas, como presidente do Tribunal99 ter o direito ao voto.

Lei Maria da Penha

Outro marco histórico importante veio em 7 de agosto de 2006, quando foi sancionada a Lei nº 11.340, conhecida popularmente como Lei Maria da Penha.

Ela é o principal instrumento legal para coibir e punir a violência doméstica praticada contra as mulheres no Brasil.

Seu nome foi uma homenagem à farmacêutica que, por anos, foi vítima de violência doméstica pelo próprio marido.

A lei Maria da Penha é uma importante feminina, ajudando a combater o problema que afeta a cada dois minutos em todo o país. O dado foi divulgado em 2019 durante a realização do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

 

A luta, no entanto, continua.

abraço interracial de mulheres

Cuidado com o Câncer de Mama em 2024: A Importância do Autoexame

 

A conscientização sobre o câncer de mama e a prática regular do autoexame continuam sendo pilares fundamentais na preservação da saúde feminina em 2024. Em um cenário de avanços médicos e tecnológicos, a atenção à própria saúde é a primeira linha de defesa contra essa doença que afeta tantas mulheres em todo o mundo.

1. Conhecimento é Poder: Estar informada sobre os riscos e sintomas do câncer de mama é o primeiro passo para a prevenção. Em 2024, a informação está acessível a todos, e é crucial entender que o câncer de mama pode se manifestar de diferentes maneiras. Esteja atenta a alterações no formato, tamanho e sensibilidade das mamas, bem como a qualquer secreção anormal.

2. Avanços em Diagnóstico: Os avanços tecnológicos na área médica oferecem novas possibilidades de diagnóstico precoce. A mamografia digital e outros métodos de imagem são ferramentas poderosas que podem detectar alterações mesmo antes de serem perceptíveis ao toque. Agende regularmente exames de rastreamento, especialmente se tiver histórico familiar ou outros fatores de risco.

3. O Papel do Autoexame: Apesar dos avanços tecnológicos, o autoexame das mamas continua sendo uma prática valiosa. Em 2024, a recomendação persiste: examine suas mamas mensalmente, de preferência alguns dias após o término do ciclo menstrual. Familiarize-se com a aparência e sensação natural de suas mamas, para que qualquer alteração possa ser prontamente identificada.

4. Conectando-se com Seu Corpo: O autoexame não é apenas uma rotina, mas uma oportunidade para se conectar consigo mesma. Reserve um tempo para este procedimento mensal, e faça dele um momento de autocuidado. Esteja atenta ao seu corpo, e se algo parecer diferente, não hesite em procurar orientação médica.

5. Diálogo Aberto e Apoio: Em 2024, a importância de um diálogo aberto sobre a saúde da mulher é enfatizada. Converse com amigas, familiares e profissionais de saúde sobre a prevenção do câncer de mama. O compartilhamento de informações e experiências contribui para uma rede de apoio valiosa.

6. Estilo de Vida Saudável: Adotar um estilo de vida saudável continua sendo uma estratégia importante na prevenção do câncer de mama. A prática regular de exercícios físicos, uma dieta balanceada e a moderação no consumo de álcool são hábitos que promovem o bem-estar geral e reduzem os riscos associados ao câncer de mama.

Em 2024, o cuidado com o câncer de mama é uma jornada compartilhada entre avanços médicos e o empoderamento individual. Ao permanecer vigilante, informada e comprometida com seu próprio bem-estar, você se torna a protagonista de sua saúde, contribuindo para a prevenção e detecção precoce do câncer de mama.

Outubro Rosa

O movimento Outubro Rosa surgiu na década de 1990 com o objetivo de alertar a sociedade quanto a importância da detecção precoce do câncer de mama, que é um dos tipos de câncer que mais acomete mulheres no Brasil e no mundo, correspondendo a 25% dos novos casos de câncer por ano, conforme o INCA.

A doença é mais comum a partir dos 35 anos e com o avançar da idade o risco cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. Os homens também podem ser acometidos pelo câncer de mama, de forma mais rara, representando apenas 1% do total de casos da doença.

O aumento dos casos de câncer de mama fez o movimento ganhar força no decorrer dos anos e a cor rosa é utilizada durante todo o mês de outubro em várias cidades do mundo para chamar a atenção da sociedade para a causa.

SOBRE O CÂNCER DE MAMA

O que é o câncer de mama?

É o tipo de câncer mais frequente nas mulheres. Ocorre um desenvolvimento anormal das células da mama, que multiplicam-se repetidamente até formarem um tumor maligno.

O câncer de mama tem cura?

Sim. Quanto mais cedo ele for diagnosticado, melhores serão os resultados e maiores são as chances de cura.

Fatores de risco para o câncer de mama

• Idade avançada
• Menarca precoce (primeira menstruação antes dos 12 anos de idade)
• Menopausa tardia (última menstruação após os 50 anos)
• Gravidez após os 30 anos
• Histórico familiar (parente de primeiro grau com a doença
• Ingestão regular de álcool (mesmo em quantidade moderada)
• Não ter tido filhos
• Obesidade
• Dieta rica em gordura

Sinais anormais que você deve ter atenção

• Qualquer deformação ou alteração no contorno natural da mama
• Qualquer retração ou desvio do mamilo
• Qualquer saliência da pele ou mama
• Vermelhidão e/ou descamação em torno do mamilo ou da auréola
• Perda de sangue pelo mamilo
• Qualquer nódulo ou caroço duro na mama ou na axila

Estratégias para detecção precoce do câncer de mama

• Exame clínico das mamas – deve ser realizado anualmente por médicos ou enfermeiros
• Mamografia diagnóstica – exame anual a partir de 40 anos e, para mulheres com história de câncer de mama na família (mãe, filha e/ou irmã), a partir de 35 anos de idade
• Mamografia de rastreio – exame realizado em uma população aparentemente saudável, com o objetivo é identificar lesões sugestivas de câncer e, a partir daí, encaminhar as mulheres com resultados alterados para investigação diagnóstica e tratamento. É realizado como parte de programas de rastreamento. No caso do SUS, o Ministério da Saúde estipula que o exame seja feito em mulheres com idade de 50 a 69 anos.

Tratando o câncer de mama

O tratamento depende do tipo de tumor e também do estágio de cada doença. Para cada tipo de câncer de mama haverá um tratamento específico. Formas de tratamento: Cirurgia, Radioterapia, Quimioterapia e/ou Hormonioterapia.

A mamografia é o principal método diagnóstico para detectar precocemente o câncer de mama. Visite regularmente um médico especialista.

Como fazer o autoexame de mama em 3 passos simples

Quando falamos em diagnóstico precoce do câncer de mama, sabemos que a mamografia é o exame que apresenta benefício comprovado para a redução da mortalidade pela doença, permitindo o diagnóstico em uma fase pré-clínica – antes mesmo de que haja qualquer alteração palpável.

Ainda assim, não é exagero dizer que o conhecimento do seu próprio corpo pode salvar a sua vida. Nesse sentido, o autoexame de mama pode ser um grande aliado das mulheres, auxiliando o diagnóstico em fases precoces da doença, sobretudo para os tumores chamados de “intervalo” (aqueles que aparecem no intervalo entre a realização da mamografia) e para aquelas pacientes que não fazem parte dos programas de rastreamento, seja por falta de acesso ao exame (falta de mamógrafos na região, por exemplo) ou por não estarem na faixa etária dos programas.

Embora seja uma prática bastante divulgada, ainda existem muitas mulheres que não sabem como realizar o autoexame de mama corretamente. Esse é o seu caso? Quer saber mais sobre o assunto? Neste post, nós mostramos o passo a passo do procedimento de um modo simples e rápido. Confira!

Qual é o passo a passo do autoexame de mama?

Quando falamos que o autoexame de mama é simples, é porque realmente se trata de um procedimento fácil e que qualquer pessoa pode aprender a realizar. Geralmente, ele pode ser feito de três formas: em frente ao espelho, no chuveiro e, até mesmo, deitada.

O ideal é se autoexaminar uma vez por mês, sete a dez dias após o início da menstruação, para a mulheres que ainda menstruam. Já aquelas que estão na menopausa podem escolher qualquer dia, desde que façam dessa prática um hábito. Veja, a seguir, como realizar o autoexame, na prática.

1. Observação em frente ao espelho

O modo mais comum de fazer o autoexame de mama é em frente ao espelho. Para tanto, você vai precisar de um espelho grande, que permita a visualização do seu tronco. Primeiramente, posicione-se de pé em frente ao espelho, colocando as mãos na cintura.

Depois, observe o tamanho, o formato, bem como o contorno das suas mamas. Analise se existe alguma alteração na pele dos seus seios, principalmente, no mamilo e na aréola. Cheque se o sutiã deixa marcas em apenas uma das mamas, pois isso pode indicar um eventual inchaço.

Na sequência, solte os braços e os deixe ao lado do seu corpo, e visualize as mamas mais uma vez. Por fim, levante os braços e preste atenção se há uma alteração na região dos seios.

2. Palpação em pé no chuveiro

Mais do que um momento para relaxar, o banho também pode ser uma ótima oportunidade para conferir se a sua saúde está em dia. Comece deixando a sua coluna ereta e colocando a sua mão esquerda atrás da nuca, mantendo o seu cotovelo para cima.

Leve a mão direita até a mama esquerda e a palpe, usando a ponta dos dedos. Faça movimentos em círculos e com firmeza, com cuidado para não exagerar na força. Inicie a apalpação na axila e vá movimentando a sua mão até o mamilo.

Enquanto está palpando, é necessário analisar se a área apresenta pontos mais densos ou com caroços. Repita os movimentos circulares nas axilas para verificar se existe algum nódulo que possa ser percebido.

É bastante comum haver muita dificuldade neste processo. As mamas apresentam irregularidades e o fato de serem compostas principalmente por gordura e tecido glandular – que têm diferentes densidades – faz com que a palpação possa simular diversos “pequenos nódulos”. Assim, é importante termos em mente a importância do autoconhecimento.

Se possível, examine suas mamas logo após o exame clínico de um médico. Entenda que aquela é a palpação “normal” da sua mama. Ter esse conhecimento do que é o seu “normal” permitirá a identificação de uma alteração, caso ela venha a aparecer.

Em seguida, pressione o mamilo e observe se sai algum líquido desconhecido. Troque os braços de posição e repita todos os processos para examinar a mama direta.

3. Apalpação deitada

O autoexame também pode ser feito enquanto você está deitada. Deite-se em sua cama e coloque um travesseiro, preferencialmente fino, embaixo do seu ombro esquerdo, depois coloque a mão esquerda atrás da cabeça.

Utilize a mão direita para palpar a mama esquerda, sempre fazendo movimentos circulares com a ponta dos seus dedos, e observe se existe alguma alteração. Feito isso, posicione o travesseiro embaixo do seu ombro direito e refaça o processo para examinar a mama direita.

Como identificar problemas?

Na maioria das vezes, o câncer de mama pode ser identificado pelo autoexame a partir do desenvolvimento de um nódulo rígido e irregular no interior da mama, que raramente causa dor. Porém, esse não é o único sintoma da doença ao qual você deve dar atenção. Saiba, abaixo, quais sinais também devem ser observados:

  • pequenas lesões ou feridas nas mamas;
  • irritação com ardência, coceira ou vermelhidão ao redor do mamilo, que não melhora com tratamento antialérgico;
  • inchaço que altera o tamanho ou o formato da mama;
  • secreção que sai espontaneamente pelo mamilo, sobretudo quando sai somente de uma mama e não da outra;
  • caroço na axila ou na mama, que pode ser percebido com o toque;
  • veia em estado dilatado e que aumenta de tamanho na mama fora do período de gestação/amamentação;
  • área retraída ou afundada, que afeta o contorno da mama;
  • alteração na textura da mama que se assemelha a rugas ou “casca de laranja”;
  • alterações novas no mamilo, que fica invertido (virado para dentro) ou desviado para um dos lados.

Quais são os fatores de risco?

O desenvolvimento do câncer de mama não tem uma única causa. Porém, sabe-se que ter familiares com histórico da doença significa um fator de risco. Diante disso, é recomendado procurar saber se as mulheres da sua família já tiveram câncer de mama, o que contribui para a sua detecção.

Outros fatores de risco para o câncer de mama são:

  • idade a partir de 50 anos;
  • gênero feminino;
  • mamas densas (com muito tecido glandular) nas mulheres na menopausa;
  • menopausa tardia, depois dos 55 anos;
  • histórico pessoal de lesões de alto risco para desenvolvimento de câncer;
  • obesidade;
  • ingesta de álcool mais do que duas vezes por semana;
  • sedentarismo;
  • tabagismo.

É importante ressaltar que alguns hábitos do estilo de vida da pessoa também podem contribuir para o desenvolvimento da patologia. Entre eles, não ter filhos ou ter a primeira gestação após os 35 anos, não amamentar, uso prolongado de pílulas anticoncepcionais e terapia de reposição hormonal.

Quando procurar um profissional especializado?

Como o risco de câncer de mama aumenta progressivamente com a idade, as sociedades médicas de mastologia, ginecologia, oncologia e radiografia preconizam que a mamografia seja realizada anualmente a partir dos 40 anos a fim de identificar qualquer lesão suspeita e permitir a investigação de maneira pouco invasiva.

Importante ressaltar que a ultrassonografia e a ressonância magnética podem eventualmente ser solicitadas por seu médico como método complementar à mamografia, mas nenhum desses outros métodos a substitui.

Caso a pessoa identifique algum sinal da doença durante o autoexame de mama, é fundamental buscar ajuda médica imediatamente. Caso seja realmente alguma alteração suspeita, o médico vai solicitar a realização de exames adicionais para fazer um diagnóstico mais preciso. Afinal, como colocamos acima, o autoexame pode encontrar alterações que “simulam” nódulos ou mesmo identificar nódulos tipicamente benignos. A avaliação do especialista, bem como a realização de exames adequados serão fundamentais para a elucidação diagnóstica.

Havendo o diagnóstico de câncer de mama, o acompanhamento com um mastologista, médico especializado em câncer de mama, é de extrema importância para a manutenção da sua saúde. Isso porque o profissional pode identificar a doença, bem como o estágio em que ela se encontra e, a partir daí, determinar qual é a o tratamento mais apropriado para o quadro da paciente.

Todo mês de outubro, as mulheres são impactadas pelas campanhas do ‘’Outubro Rosa’’, que alertam sobre a conscientização sobre o câncer de mama e a importância da realização da mamografia e do autoexame da mama, permitindo o diagnóstico precoce.

Contudo, não deixe para se cuidar apenas nessa época. Ao tocar os seus seios uma vez por mês, você pode cuidar do seu corpo e manter a sua qualidade de vida.

Câncer de Mama

Nas últimas décadas tem ocorrido, em todo o mundo, significativo aumento da incidência do câncer de mama e consequentemente da mortalidade associada a esta neoplasia. A Organização Mundial da Saúde estima a ocorrência de 1.050.000 casos novos de câncer de mama, o que o torna o mais comum entre as mulheres no mundo.

O câncer de mama representa hoje um grave problema de saúde pública global. Principalmente no ocidente observa-se uma incidência crescente do câncer de mama, devido ao envelhecimento populacional e maior exposição da população a fatores de risco modificáveis. Nos países de renda média e baixa, ainda são observadas altas taxas de mortalidade por esse tumor.

A estimativa do INCA (Instituto Nacional de Câncer) em 2018 é de 59.700 novos casos no Brasil, com 14.206 mortes relacionadas ao tumor em 2013 (SIM). A ocorrência destes casos tem maior prevalência na região Sudeste do país (54% dos casos – estimativa de 68/100.000 mulheres). O Município de São Paulo deve ser responsável por aproximadamente 6.000 casos novos ano (95/100.000 mulheres). Verifica-se um aumento gradativo na incidência de casos de câncer de mama, principalmente nas mulheres acima dos 50 anos (77,5% dos casos ocorrem a partir da quinta década de vida), caracterizando a idade avançada como um dos principais fatores de risco não modificáveis em relação à incidência e sobrevida.

O coeficiente de mortalidade por Câncer de Mama no município de São Paulo foi de 20/100.000 habitantes/ano de 2016 para 18,7/100.000 habitantes/ano de 2017.
O câncer de mama é o resultado da interação de fatores genéticos com o estilo de vida, aspecto reprodutivo e o meio ambiente.

A prevenção primária do câncer de mama está relacionada ao controle dos fatores de risco modificáveis conhecidos, através da promoção de práticas e comportamentos considerados protetores.

Os fatores hereditários e os associados ao ciclo reprodutivo da mulher estão relacionados com menos de 5% dos casos de câncer de mama, não sendo passíveis de modificação por ações de saúde. Já os fatores de risco modificáveis, como alimentação inadequada, tabagismo, sedentarismo, obesidade, uso indiscriminado de hormônios, consumo de álcool, terapia de reposição hormonal são passíveis de mudança e responsáveis por mais de 95% dos casos de câncer mamário.

Medidas que podem contribuir para a prevenção primária da doença são: praticar atividade física regularmente, manter o peso corporal adequado, adotar uma alimentação saudável priorizando o aleitamento materno, o consumo de alimentos in natura, além de reduzir ou evitar o consumo de alimentos ultraprocessados e de bebidas alcóolicas. A adoção de hábitos saudáveis pode reduzir em até 28 % o risco de desenvolver câncer de mama.

A despeito dos avanços no conhecimento dos fatores epidemiológicos do câncer de mama e da evolução na abordagem terapêutica, a morbidade e mortalidade associadas a esta doença permanecem elevadas. O diagnóstico precoce, portanto oferece as melhores chances de impacto sobre esta neoplasia, sendo este embasado na consciência do próprio corpo (incluindo observação e palpação eventuais e sem técnica padrão), sinais de alerta de câncer e mamografia bianual na faixa etária alvo (50 a 69 anos).

Orientações:

– Detecção precoce do câncer de mama significa identificar o tumor no início e procurar consulta médica o mais breve possível para investigação diagnóstica.

– Nódulos palpáveis, retrações ou ulcerações de pele e mamilo, fluxo papilar espontâneo e persistente, unilaterais, de um único ducto e, principalmente, os de aspecto sero-sanguinolento ou incolor (cristalino) devem ser investigadas de forma breve pelo maior risco.

Mamografia

A mamografia é um exame de raios x que serve para identificar um nódulo pequeno na mama, de até 1 mm, ou seja, antes mesmo que a mulher ou seu médico consigam senti-lo com a palpação. A mamografia, quando identifica um “caroço” que vem a ser um tumor maligno, pode ajudar a salvar a vida da mulher, pois uma vez identificado no exame, o nódulo pode ser retirado e a mulher é tratada mais cedo, com mais chances de cura do câncer. O problema é que a mamografia também ajuda os médicos a visualizarem nódulos ou calcificações que não significam câncer: podem ser tumores benignos ou lesões de outro tipo, que não teriam consequências graves para a saúde dela.

A mamografia é recomendada como exame de rastreamento em muitos países, ou seja, um exame realizado de forma sistemática em toda uma população para identificar as pessoas com maior risco para uma doença.

Uma revisão sistemática da Cochrane, que foi publicada em 2013, teve seu resumo agora traduzido pelo Centro Cochrane do Brasil. O trabalho reuniu estudos com mais de 600 mil mulheres, de 39 a 74 anos, e mostrou que o rastreamento por mamografia reduz a mortalidade em 15% em 13 anos de acompanhamento, no grupo de pacientes entre 50 e 69 anos de idade. Porém, ao mesmo tempo, ele faz com que algumas mulheres recebam diagnóstico de que têm um tumor, apesar de o tumor poder não levá-la à morte ou doença grave, e por isso passam por ansiedade e sofrimento desnecessariamente. Mulheres com nódulos de mama podem ter essas lesões removidas por cirurgia desnecessariamente: para cada 2 mil mulheres submetidas ao exame de mamografia de rotina ao longo de 10 anos, 1 morte por câncer da mama será evitada e 10 mulheres saudáveis, que não teriam recebido nenhum diagnóstico se não tivessem feito a mamografia de rotina, serão tratadas desnecessariamente. Isso quer dizer que, ao ter um nódulo identificado pela mamografia, é preciso realizar mais exames para identificar melhor qual é o tipo de lesão e se exige tratamento.

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda que todas as mulheres com 50 anos ou mais façam mamografia de rotina a cada dois anos, independentemente de pedido médico.

Antes dos 50 e depois dos 70 anos de idade, o Ministério da Saúde do Brasil e a Organização Mundial da Saúde consideram que a mamografia de rotina não traz benefício.

 

‘Voltei a ter sensibilidade nos seios’: jovem conta sobre inovadora cirurgia de mastectomia preventiva

Quando Sarafina Nance descobriu que tinha grande chance de ter câncer de mama, decidiu fazer uma dupla mastectomia preventiva seguida de reconstrução dos seios. A cirurgia reduz drasticamente o risco de câncer, mas pode acabar com a sensibilidade nos seios.

A jovem de 26 anos estava “totalmente preparada” para ficar sem sensibilidade, até que uma cirurgia mudou a vida dela.

A primeira vez que Sarafina fez exames para identificar câncer de mama, os médicos encontraram algo preocupante.

Ela já sabia que havia herdado o gene BRCA2 do seu pai, depois que ele foi diagnosticado com câncer de próstata avançado e ela fez testes genéticos.

O gene aumenta o risco de desenvolver vários tipos de câncer, entre eles, o de mama. Por isso, Sarafina, que mora na Califórnia, foi informada de que precisaria passar por exames duas vezes por ano.

Depois de sua primeira ressonância magnética, os médicos pediram uma biópsia.

“Esperando pelos resultados, fiquei completamente abatida”, diz Sarafina. “Lembro de ligar para o meu pai, perguntando o que acontecerá se nós dois tivermos câncer. E se eu morrer?”

O nódulo era benigno, mas Sarafina decidiu que não queria passar por exames repetidos. Ainda na casa dos 20 anos, ela decidiu fazer uma mastectomia dupla preventiva com reconstrução dos seios. Assim, o tecido mamário seria todo removido e implantes criariam novos seios.

Normalmente, a mastectomia com reconstrução é oferecida a dois grupos: mulheres com diagnóstico de câncer e aquelas com alta tendência genética ao desenvolvimento de câncer de mama que decidem passar por operações preventivas.

Emma Pennery, diretora clínica da instituição britânica Breast Cancer Now, diz que há uma diferença entre os procedimentos que podem ser oferecidos a mulheres como Sarafina e aquelas que já desenvolveram câncer de mama — e é da maior importância que o câncer seja tratado adequadamente.

“As células do câncer de mama podem existir na área atrás do mamilo ou atrás da aréola, então você precisa estar seguro para eliminar todo o câncer”, diz Pennery, acrescentando que os planos de tratamento do câncer em andamento podem afetar o método de reconstrução da mama.

‘Você não sente abraços’

Doutoranda em astronomia na Universidade da Califórnia, Sarafina começou a pesquisar as opções de cirurgia.

“Era muito difícil saber o que deveria decidir”, diz ela. “As mulheres que têm mastectomia e reconstrução podem perder a sensibilidade nos seios e isso pode significar que você não sente abraços ou que não sente ondas batendo em você se estiver no mar”.

Emma Pennery diz que os cirurgiões com quem ela trabalhou tentam minimizar os efeitos colaterais para as mulheres que fazem mastectomias preventivas.

“A facilidade de remover os seios e reconstruí-los varia muito e depente de fatores como o tamanho dos seios, o tamanho dos mamilos e das auréolas, e também a posição dele, coisa que pode ser afetada, por exemplo, para ser curta e grossa, por serem caídos”, diz ela.

A médica explica que, com o implante para reconstruir a mama, é “bastante provável” que a mulher perca a sensibilidade depois.

“Para fazer a mastectomia e a reconstrução, o cirurgião corta alguns dos nervos que atuam na área e é isso que leva à falta de sensibilidade.”

Um estudo do hospital Royal Marsden, em Londres, publicado em 2016, mostrou que “a sensibilidade da mama é significativamente prejudicada após a mastectomia e a reconstrução”, mas apontou que a maioria das mulheres passa a recuperar alguma sensibilidade de toque leve.

“As alterações sensoriais pós-reconstrução foram amplamente negligenciadas no passado, mas podem ser de importância crucial na qualidade de vida de uma mulher e afetar a forma como ela aceita sua reconstrução”, diz Ayesha Khan, consultora de cirurgia oncoplástica da mama e uma das autoras do estudo.

“Novas técnicas para preservar melhor a sensibilidade pós-reconstrução estão em evolução e provavelmente serão algo de que as mulheres poderão se beneficiar no futuro.”

Depois de semanas de pesquisa, Sarafina encontrou a médica Anne Peled, que atua na Califórnia e especializada em câncer de mama e cirurgia plástica e reconstrutiva. Peled inclusive teve câncer de mama.

“Quando recebi meu próprio diagnóstico, passei por um período muito, muito difícil para fazer uma escolha, porque eu senti que era muito assustador considerar, aos 37 anos, não ter nenhuma sensação no seio pelo resto da minha vida”, disse Peled.

Ela optou por uma cirurgia alternativa e agora está trabalhando com o marido, especialista em nervos, na descoberta de novas técnicas para preservar a sensibilidade das pacientes.

Peled foi responsável pela mastectomia e, em seguida, a reconstrução com implantes em Sarafina no fim de 2019.

A primeira emoção de Sarafina, quando ela acordou da anestesia, foi de alívio. E a recuperação dela vai bem.

“Agora tenho sensibilidade em todo o meu lado direito e três quartos do meu lado esquerdo, e ela volta cada vez mais, a cada dia”, diz ela.

Pelo Instagram, Sarafina elogiou o trabalho de Peled e destacou a importância de as mulheres terem a sensibilidade preservada após cirurgias. “Todas as mulheres merecem ter sensibilidade pós-mastectomia, e estou muito empolgada por esta opção estar disponível para mais e mais mulheres”, escreveu.

Sarafina também descreveu que Peled “faz preservação e enxerto de nervos durante a cirurgia para preservar a sensibilidade em mulheres”.

“Durante a mastectomia, a Dra. Anne trabalha para preservar os nervos no seio, em vez de cortá-los, para que as mulheres possam reter a sensibilidade. Se eles não puderem ser preservados, o Dr. Ziv usa o enxerto de nervos para reconectar literalmente os nervos e manter a sensibilidade. É extremamente novo — o primeiro artigo sobre enxerto de nervos saiu em agosto — e um avanço absolutamente incrível na saúde das mulheres e na cirurgia oncológica da mama.”

Além de usar as redes sociais para aumentar a conscientização sobre mastectomias preventivas e reconstrução, Sarafina se prepara para seu doutorado e disputa uma vaga de astronauta na Nasa.

O momento tem sido desafiador para a família dela, especialmente o pai, que ainda está em tratamento para o próprio câncer.

“Ele ficou muito triste por eu ter a mutação [genética], ter que passar por isso e enfrentar coisas que acho que ele gostaria que nunca tivesse que enfrentar”, diz Sarafina. “Mas acho que ele está realmente orgulhoso e muito aliviado por tudo ter corrido tão bem e por eu me sentir 100% eu mesma.”

 

Fonte: BBC

Sexo e gravidez combinam?

Um casal continua sendo um casal durante a gravidez e suas vontades e necessidades continuam existindo.

Os médicos afirmam seguramente que não há motivos para decretar greve de sexo se a gestação é de baixo risco. No entanto, a penetração não é aconselhável quando há:

  • Risco ou histórico de aborto espontâneo;
  • Risco de parto prematuro;
  • Sangramento vaginal antes da causa ser conhecida;
  • Problemas no saco amniótico;
  • Histórico de insuficiência de colo do útero;
  • Placenta prévia (também chamada de placenta baixa), quando a placenta está cobrindo o colo do útero;
  • Gestações de gêmeos, trigêmeos, etc.

Mas não é só a possibilidade de riscos que podem alterar a frequência das relações durante a espera de um bebê. As vontades da mulher também tem grande influência nisso tudo.

No primeiro trimestre, o desejo sexual pode perder para os enjoos, vômitos, dor os seios, cansaço e sono. Na ausência desses sintomas, é mais provável que a mulher tenha mais apetite sexual.

A mulher diz adeus a maioria dos sintomas no segundo semestre e passa a se sentir mais bonita, enérgica e mais sensível, principalmente na região pélvica, devido ao aumento de irrigação sanguínea.

O barrigão marca presença no terceiro semestre, mas não anula a atividade sexual, se ambos os parceiros desejarem. Tentar posições mais confortáveis, como a mulher por cima, de lado ou em quatro apoios, é uma forma interessante de manter a relação tranquila. Quando a gravidez é saudável, o sexo é possível até o momento da bolsa estourar, inclusive pode até induzir o trabalho de parto.

A maior dica de todas é:  conversa. Consigo mesma, com o parceiro e, principalmente, com o médico.

 

 

Amamentação é sinônimo de dor?

Sentir dor ao amamentar é comum, principalmente quando não há muita prática ainda. A dor, além de incomodar a mãe, também torna a amamentação um evento um pouco traumático, reduzindo a sua repetição.

Veja algumas dicas que podem te ajudar durante o processo de alimentar o seu bebê.

-Evite o acúmulo de leite nas mamas. Quanto maior a quantidade, maior a pressão na hora de amamentar, e essa pressão pode causa dor. Respeite a fome do bebê, mas evite “retirar” o leite apenas quando ele for mamar.

-Bicos de silicone não são uma boa escolha, pois dificultam o processo da criança sugar de maneira adequada. 

-Massageie o seio antes de dar de mamar pela primeira vez no dia. Comece a massagear ao redor dos seios e depois ao redor da aréola.  Depois puxe o seio para trás e para frente para que uma leve quantidade de leite saia.

-Mantenha a calma. A ansiedade de amamentar pode te deixar ainda mais sensível.

-O lugar que o bebê abocanha também pode machucar as mamas. O correto é:

– Os lábios do bebê devem ficar voltados para fora, e a boca aberta como “boquinha de peixe”;

– O queixo do bebê deve se apoiar no seio da mãe;

– A barriga e o tronco do bebê ficam voltados para a mãe;

– Quando o bebê sugar o leite, espere a sua boca encher;

– O bebê abocanhar todo o mamilo e a parte inferior da aréola;

– O nariz do bebê não pode encostar no seio da mãe, para ele poder respirar tranquilamente.

Um aviso importante para todas as mulheres

O autoexame das mamas contribui para o diagnóstico do câncer de mama, mas não substitui o exame clínico realizado pelo médico.

Geralmente, no exame feito em casa, a mulher só sente o nódulo quando ele já está muito grande. Ao contrário do exame clínico, que pode detectá-lo mais cedo, quando ainda está bem pequeno.

O toque das mamas, é incentivado para que as mulheres possam conhecer melhor o próprio corpo e inclusive detectar tumores benignos, mas não deve ser considerado o método principal de detecção do câncer.

Atravessando um câncer

Ondas grandes demais

Desafios sempre foram bem-vindos na vida de Roberta Borsari –apaixonada por esportes de aventura, ela passou os últimos 15 anos praticando atividades como canoagem, surfe, caiaque polo, caiaque slalom, kayaksurf, canoa havaiana… Além da longa lista de modalidades, a atleta acumula uma porção de medalhas e títulos internacionais e nacionais, como o de tricampeã brasileira de rafting. Mas seu maior desafio surgiu inesperadamente, e fora do esporte.

Em setembro de 2016, a designer gráfica, 43 anos, recebeu o diagnóstico positivo para um câncer de mama agressivo e em estágio dois. O baque foi grande para Roberta e para as pessoas próximas: como alguém tão saudável, sem qualquer histórico familiar, poderia ter um tumor?

Além de buscar respostas para essa pergunta, Roberta reuniu forças para encarar o problema e seguir em frente. “Comecei uma longa trajetória para entender a doença, li muito sobre o assunto e busquei tratamentos além da quimioterapia e radioterapia, como terapias dentro da medicina ayurveda e meditação.”

Doença pode atingir qualquer mulher

Ao pensarmos em câncer, a genética e a falta de um estilo de vida saudável logo vêm à mente como maiores culpados pelo problema. Realmente, obesidade, sedentarismo, má alimentação, tabagismo e consumo excessivo de álcool estão entre os principais fatores de risco para muitos tipos de tumores. Porém, evitar esses hábitos ruins não é garantia de estar livre da doença.

“Quando estão fora do grupo de risco, algumas pacientes têm a falsa sensação de que estão protegidas contra o câncer de mama. Mas o maior perigo é simplesmente ser mulher”, alerta Fabiana Baroni Makdissi, cirurgiã oncológica e diretora do Centro de Referência da Mama do A.C.Camargo Cancer Center.

De acordo com a American Cancer Society, a doença é até 100 vezes mais comum em mulheres do que em homens. Isso porque pessoas do sexo feminino têm mais tempo de exposição hormonal, consequentemente desenvolvendo um maior volume de tecido mamário.

Quanto mais velha for a mulher, maior tempo de exposição hormonal. Mas não é só por isso que a idade é, também, um fator de risco importante. “O câncer surge a partir de uma mutação genética. Quanto mais tempo se vive, maior a possibilidade de o DNA da célula passar a receber instruções erradas”, explica Felipe Ades, oncologista do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Como quanto mais cedo o tumor é detectado, maior a chance de sucesso do tratamento, é muito importante que as mulheres consultem o ginecologista ao menos uma vez por ano para investigar se há alterações nas mamas. Além disso, o Inca (Instituto Nacional do Câncer) recomenda a realização anual da mamografia a partir dos 50 anos de idade –porém, mulheres que fazem parte do grupo de risco moderado ou elevado às vezes devem iniciar a rotina de exames bem antes, conforme orientação do especialista.

Mente e corpo fortes para vencer o câncer

O tratamento de Roberta foi parecido com o de muitas mulheres que enfrentam a mesma situação: cinco meses de quimioterapia forte e uma cirurgia para retirada de quadrante da mama e linfonodo da axila; depois, mais 30 sessões de radioterapia. Para ela, a recuperação tinha que ser a melhor possível, já que seus planos de atleta e aventureira nunca saíram de sua mente. “Quis buscar todas as opções que existiam e pedi para o médico caprichar na cirurgia, porque, além de viver, eu ainda queria remar”, contou a atleta.

Para combater o problema de maneira ainda mais efetiva, ela buscou a medicina ayurveda, técnica indiana milenar que visa restabelecer o bem-estar emocional e físico. “Além das estratégias mentais, como os princípios da meditação usados para fortalecer a mente e combater a indisposição dos pacientes, recomendamos mudanças nutricionais, adicionando alimentos com poder antioxidante e melhorando a capacidade digestiva e absorção dos nutrientes por meio de escolhas naturais”, explica Ricardo Balsimelli, médico ayuverda da Clínica Soha.

Roberta acredita que a ayurveda a auxiliou a não sentir tanto os efeitos colaterais da quimioterapia e radioterapia. “Aprendi a escolher alimentos que ajudam a fortalecer minha imunidade, o que contribui para tornar meu corpo mais resistente no período do tratamento com medicamentos e radiação. Assim, passei de forma mais tranquila por esse momento”, conta a atleta, que leva os ensinamentos da técnica indiana até hoje. Segundo os médicos, uma alimentação saudável realmente tende a favorecer a recuperação de qualquer doença.

Mas é importante ressaltar que tratamentos alternativos nunca podem substituir o tratamento “convencional”. Eles servem apenas como apoio para fortalecer o corpo e a mente, contribuindo para que o paciente encare melhor a quimioterapia, a radioterapia e a cirurgia, por exemplo.

Tratamentos não medicamentosos: o que especialistas recomendam e Roberta adotou

1) Meditação

Lidar com a doença pode gerar frustração, estresse e ansiedade –problemas que a meditação é famosa por combater. A técnica ainda auxilia na autoaceitação e no autoconhecimento.

2) Pensamento positivo

“Apesar de não ter comprovação científica, na prática, sabemos que manter a fé, mesmo que seja apenas concentrada em se livrar da doença, ajuda muito”, comenta Makdissi.

3) Alimentação saudável

Uma dieta rica em frutas, verduras e legumes e sem alimentos industrializados melhora a resistência do corpo para o tratamento, deixando o organismo mais forte para aguentar, por exemplo, as sessões de quimioterapia.

4) Prática de atividades físicas

A aventura pelas águas continua

Realizar exercícios aumenta a resistência e a disposição física, além de estimular a produção de endorfina e outras substâncias que trazem bem-estar. O treino deve ser recomendado de acordo com cada quadro.

Em março de 2017, Roberta finalizou o tratamento e, para comemorar, decidiu fazer o que mais gosta: embarcar em uma nova aventura. “A primeira coisa que fiz foi comprar uma passagem e ir ao Tahiti. Ainda nem estava 100% com a minha energia vital, mas sabia que precisava desse tempo para mim”, conta.

Com a ajuda de fisioterapia e cuidados que toma até hoje, como uso de certos medicamentos e drenagem no braço pela falta do linfonodo, Roberta voltou a remar. Após alguns meses, a atleta retomou o projeto SUP Travessias, no qual percorre ilhas em sua prancha de stand up paddle (SUP), para registrar imagens de natureza, cultura e história dos lugares.

Fernando de Noronha, Ilha de Páscoa, Sri Lanka, Maldivas e Galápagos são alguns dos destinos já explorados pela atleta. “O projeto me levou a lugares surpreendentes e me trouxe experiências incríveis –nunca é só esporte, é também sobre conhecer culturas riquíssimas. Continuarei remando, porque desbravar ondas desconhecidas e mergulhar em jardins de corais é algo que sempre fará meu coração vibrar”, conta, sorrindo.

Fonte: Viva Bem

Nota de esclarecimento sobre vídeos divulgando informações falsas sobre a mamografia

NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE VÍDEOS DIVULGANDO INFORMAÇÕES FALSAS SOBRE A MAMOGRAFIA
O Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) se veem no dever de divulgar uma nota de esclarecimento em resposta a vídeos publicados recentemente na mídia eletrônica (Youtube), que disseminam de maneira irresponsável informações distorcidas sobre a detecção e diagnóstico do câncer de mama. Assim, gostaríamos de afirmar:
1) O câncer de mama é o tumor mais frequentes entre as mulheres e a principal causa de morte por tumor no Brasil e no mundo. Entretanto, no Brasil, diferentemente dos países desenvolvidos, a mortalidade pelo câncer de mama continua aumentando.
2) A causa do contínuo aumento da mortalidade é a falta de programas de rastreamento adequados ou a baixa adesão da população aos programas oferecidos – principalmente devido à falta de informação ou então acesso a informações distorcidas, como estas recentemente veiculadas. Também se deve a falta de acesso em tempo hábil aos tratamentos recomendados.
3) Deve-se enfatizar que a mamografia é o único exame que, quando realizado de maneira sistemática a partir dos 40 anos em mulheres assintomáticas, comprovadamente leva a uma redução da mortalidade pelo câncer de mama. Isso foi demonstrado através de grandes estudos realizados em mais de 500 mil mulheres, sendo observado uma redução da mortalidade que variou entre 10% a 35% no grupo de mulheres submetidas ao rastreamento em relação às que não eram submetidas.
4) Dessa forma, as principais sociedades médicas no Brasil e no mundo são unânimes em recomendar o rastreamento mamográfico para as mulheres assintomáticas, iniciando a partir dos 40 anos ou 50 anos (dependendo do país), com uma periodicidade anual ou bienal (também variando em alguns países). No Brasil, as sociedades médicas recomendam o rastreamento mamográfico anual para as mulheres entre 40 a 75 anos.
5) O auto-exame detecta o tumor quando o mesmo já está em uma fase adiantada, não tendo estudo que comprove qualquer benefício para a redução da mortalidade, não devendo ser adotado como método de rastreamento.
6) O risco de câncer radioinduzido é extremamente baixo, tendo em consideração as doses de radiação envolvidas em cada exame. E não existe estudo que demonstre que os riscos excedem os benefícios, na faixa etária recomendada.
7) Citação de absurdos como “uma biópsia leva a desenvolver câncer” foge a compreensão de qualquer médico com um mínimo de conhecimento na área oncológica.
Dessa forma, a indignação é porque muitas mulheres que assistem a esses vídeos podem considerar não realizar a mamografia. E isso pode significar a perda da chance de detectar o tumor de mama em uma fase inicial, em que se pode oferecer a possibilidade de cura e tratamentos menos agressivos.
Comissão Nacional de Mamografia – Colégio Brasileiro de Radiologia, Sociedade Brasileira de Mastologia, Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

São Paulo, 15 de abril de 2019

CÂNCER: Quanto mais se vive, mais teremos que lidar com ele

Câncer é uma doença degenerativa, que aumenta com a idade do indivíduo e torna-se mais frequente na mesma proporção do envelhecimento da população. No passado as pessoas não viviam o bastante para chegar à idade de ter câncer.

A mortalidade, por outro lado vem diminuindo na maioria dos países, e nos diferentes tipos de câncer. Os métodos de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento experimentaram avanços sem precedentes nas últimas décadas e isto pode ser viso nas estatísticas de mortalidade nos diferentes tipos de câncer(1).

Em um estudo publicado em 2017 sobre 282 causas de mortes em 195 países, demonstrou que as mortes por câncer contribuíram com 23,3% (um quarto) do total de mortes. O maior número de mortes ocorreram nos cânceres de pulmão, seguidos pelo câncer colorretal (2).

Globalmente, quando comparadas com as outras causas de morte, as mortes por câncer aumentaram 25,4% entre 2007 e 2017. A maior aumento no número de mortes neste período ocorreu nas doenças mieloproliferativas (leucoses),

Neste mesmo período a mortalidade global por câncer ginecológico, para cada 100.000 mulheres por ano, diminuiu em 7,2% para o câncer do colo do útero, 11,2% para câncer do corpo de útero, 1,7% para o câncer de mama, e aumentou em 1,1% para o câncer de ovário.

No Brasil, o câncer ginecológico (mama, colo do útero, endométrio e ovário) representam quase a metade de todos os cânceres que ocorre na mulher(3). O câncer do colo do útero é passível de prevenção através da vacina contra o HPV, recomendada para meninas de 9 a 13 anos, e meninos de 11 a 13 anos. Também é uma doença passível de diagnóstico e tratamento precoce. No entanto o câncer do colo do útero em nosso meio apresenta-se como doença avançada em 77% dos casos(3). Esta realidade precisa ser mudada urgentemente através de melhores programas de prevenção, rastreamento, diagnóstico e tratamento.

O câncer de endométrio vem crescendo de maneira assustadora devido à mudança do perfil da nossa população feminina (menor número de gravidezes e sobretudo a obesidade)(4)

Cabe ao ginecologista brasileiro colocar o câncer na sua agenda de trabalho. Não importa em qual área da Ginecologia e Obstetricia esteja a sua área de maior interesse. A sua paciente é uma candidata a: ter risco de câncer, prevenção de câncer, diagnóstico e tratamento de câncer no momento adequado. Câncer não espera e o sucesso no tratamento corre contra o relógio.

Autor: Profº Dr. Jesus Paula Carvalho – Professor Livre Docente da Disciplina de Ginecologia da FMUSP e Chefe de Equipe de Ginecologia Oncológica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – ICESP.

Referências:
[1] Mokdad AH, Dwyer-Lindgren L, Fitzmaurice C et al. Trends and Patterns of Disparities in Cancer Mortality Among US Counties, 1980-2014. JAMA. 2017;317: 388-406.
[2] Collaborators GCoD. Global, regional, and national age-sex-specific mortality for 282 causes of death in 195 countries and territories, 1980-2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017. Lancet. 2018;392: 1736-88.
[3] iNCA. Incidência de Câncer no Brasil. http://www.inca.gov.br/estimativa/2016/: Instituto Nacional do Câncer 2016.
[4] Paulino E, Nogueira-Rodrigues A, Goss PE et al. Endometrial Cancer in Brazil: Preparing for the Rising Incidence. Rev Bras Ginecol Obstet. 2018;40: 577-9.

Uma em cada seis mulheres terá câncer em algum momento da vida

Enxergar o câncer a partir de novas perspectivas e, assim, quebrar o estereótipo de que todo câncer é uma sentença de morte. Com esse intuito, especialistas se reuniram em um evento organizado pela biofarmacêutica global AstraZeneca, em São Paulo, para discutir o avanço das tecnologias na área. Atualmente, por exemplo, é possível que uma pessoa diagnosticada com câncer utilize métodos que impeçam a queda de cabelo, além disso, há como antecipar e saber, através de um teste genético, se uma pessoa tem predisposição a ter câncer hereditário. Apesar das novidades positivas, dados mais recentes do relatório da Agência Nacional de Pesquisa Contra o Câncer, vinculada à Organização Mundial de Saúde (OMS), informam que uma em cada seis mulheres terá câncer em algum momento da vida.

Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), são esperados mais de 59 mil casos de câncer de mama no Brasil em 2018. Mais raro e agressivo, a expectativa é que seis mil mulheres sejam diagnosticadas com câncer de ovário no país. Somente neste ano, Pernambuco tem uma taxa estimada de 53,12 casos de neoplasia maligna da mama feminina para cada 100 mil mulheres, enquanto a expectativa de neoplasia maligna do ovário são de 6,28 casos para cada 100 mil mulheres. Os dois tipos de câncer (mama e ovário) podem ser causados por diversos fatores, como estilo de vida, idade avançada e também uma predisposição genética passado de pai ou mãe para filha.

Os testes genéticos buscam por alterações específicas herdadas (mutações) nos cromossomos, genes ou proteínas de uma pessoa. Simples de ser realizado, por meio de amostras de sangue e saliva, os testes para a mutação nos genes BRCA 1 e 2 ficaram mundialmente conhecidos após a atriz Angelina Jolie decidir tirar os ovários e mamas devido ao histórico familiar com grande probabilidade de desenvolver tumores nesses órgãos. A predisposição hereditária responde por entre 5 a 15% dos casos de câncer, mas quem possui a mutação nos genes BRCA possui 40% mais chances de ter cânceres femininos, como de mama ou ovário.

De acordo com o oncologista especialista em oncogenética e coordenador do Centro de Oncologia do Hospital Português de Salvador, Rodrigo Guindalini, os genes BRCA 1 e 2 impedem a proliferação de células tumorais e agem como freios para prevenir o desenvolvimento. “Quando um desses genes sofre uma mutação, ele perde sua capacidade protetora, deixando o organismo mais suscetível ao surgimento de tumores malignos, especialmente de mama e ovário”, comenta o especialista.

Diferentemente do que é pensado, o exame de teste genético não é inacessível como parece ser e já está presente em diversos planos de saúde e convênios. “Para quem não tem o serviço disponível e deverá pagar o exame, o valor em média do teste genético é de R$ 1.500 mil. Parece ser caro, mas antecipar o diagnóstico termina resultando um benefício maior. Temos casos de familiares que juntaram a quantia e pagaram para um parente” afirmou o médico. O Sistema Único de Saúde (SUS) não cobre o procedimento.

Em média um a cada dez tumores são hereditários. O oncogeneticista alerta que “vários familiares com a mesma doença, múltiplos câncer primário no mesmo indivíduo são algumas das suspeitas que demandam atenção”. Rodrigo Guindalini reforça ainda que mutação não é a doença e sim a predisposição a ter câncer. Ele também trouxe dados informando que de 12% das mulheres que vivem até 90 anos terão câncer de mama. Destes casos, 10% estão associados a mutações genéticas.

Os testes genéticos são aliados para identificar as mutações e traçar a melhor estratégia de prevenção e tratamento. Para Guindalini, é extremamente importante identificar o paciente que faz parte dos 10% que tem o câncer de mama associado a mutações genéticas. “Primeiro que você vai saber o que motivou o paciente desenvolver a doença. E além disso, uma vez que você identifica muda totalmente a vida da pessoa e dos familiares que tenham a mesma predisposição”, avalia.

Outro avanço tecnológico é o de preservação dos fios do cabelo por meio de crioterapia. Diagnosticada com câncer de mama em 2015, a ex-apresentadora do canal MTV, Sabrina Parlatore, também estava no encontro e comentou como foi a descoberta da doença. Segundo Parlatore, um ano antes de ter a certeza do diagnóstico, um médico negligenciou um autoexame afirmando que o que foi encontrado não era nada demais. “A primeira coisa que pensei quando recebi a notícia de que teria que fazer a quimioterapia era que eu ficaria careca”.

Para ela, o apoio de amigos e familiares foi essencial na luta contra a doença. “Tive muita sorte de estar rodeada por amizades verdadeiras e familiares que me apoiaram. Vivia contando os dias que já tinham passado e esperando o momento que acabaria com o tratamento” afirmou. Sobre a técnica de crioterapia, ela contou que conseguiu preservar os fios por meio do resfriamento do couro cabeludo. “Sentia o meu couro cabeludo congelar, tive até dor de cabeça em algumas sessões, mas aguentei firme”, contou a ex-apresentadora.

Fonte: Diário de Pernambuco

Mamografia faz mal?

Surgem questionamentos sobre a prática médica em diferentes áreas da sociedade. Questiona-se o parto assistido por médicos, a forma tradicional de tratarmos as diferenças de gêneros, a ultrassonografia feita exclusivamente por médicos, o próprio conceito de ato médico e, naturalmente, a mamografia.

É claro que há exagero, despreparo e interesses escusos nessas críticas. Mas a melhor maneira de enfrentá-las é nos aprofundarmos nesses temas, ainda que sob o preço de sairmos da nossa zona de conforto. Questionar é bom. Nos faz refletir sobre as coisas que passamos a fazer automaticamente em nossas vidas. Mamografia é uma delas.

Sabemos o que a mamografia faz de bom. Ela salva vidas, reduzindo a mortalidade de mulheres assintomáticas que são efetivamente rastreadas em até 40% (Coldman, JNCI 2014;106).

Mas como tudo na vida há um outro lado dessa moeda. Ela também tem efeitos colaterais indesejados, que precisam ser conhecidos pelo médico solicitante. Quais são esses efeitos, e qual a sua magnitude?

A resposta a essa pergunta é o objetivo dessa comunicação. Abaixo estão listados todos os inconvenientes da mamografia. É importante conhecê-los para podermos orientar nossas pacientes adequadamente e escolhermos as melhores condutas médicas.

A mamografia não é igualmente efetiva para todas as mulheres. Ela é menos eficaz em portadoras de mamas densas. Densidade é uma propriedade de cada mama, que significa falta de transparência à mamografia. Uma mamografia menos transparente esconde cânceres. Justamente numa população em que o risco de câncer de mama é maior. Uma pesquisa sueca mostrou um risco relativo de morte por câncer de mama de 1,91 em mulheres com mamas densas (Chiu, Cancer Epidemiol Biomarkers Prev 2010;19:1219), em parte pelo maior risco de câncer e em parte por atraso no diagnóstico.
Embora a mamografia seja solicitada na mesma periodicidade que a colpocitologia oncótica por um longo período da vida da mulher, tendo esses dois exames a finalidade de rastrear os dois cânceres mais comuns das mulheres, a eficácia da mamografia para reduzir a mortalidade específica é muito menor que a do Papanicolaou. Enquanto a morte por câncer do colo uterino pode ser quase erradicada pelo rastreamento, não chegamos a prevenir nem a metade das mortes por câncer de mama.
Nem tudo o que a mamografia vê é câncer. Significa dizer que há falsos positivos e biópsias desnecessárias. Quantas? Num bom serviço terá 2 a 3 biópsias positivas a cada 10 biópsias indicadas. Ou seja, 7 a 8 a cada 10 biópsias serão negativas, gerando o que chamamos de exame falso positivo. Em que pese o encontro de uma histologia benigna ser uma situação de desfecho alegre, todo o estresse da biópsia poderia nem sequer ter acontecido se a paciente não tivesse feito a mamografia. Vale lembrar que serviços de menor padrão de qualidade podem ter taxas de biópsias negativas bem maiores.
Há uma limitação biológica. Um câncer pode crescer rápido demais, não ser visto em uma mamografia de rotina e tornar-se palpável e muitas vezes incurável antes da próxima mamografia de rotina. Chamamos a isso câncer de intervalo, que é uma das características do câncer agressivo. Mais uma vez encontramos uma limitação da mamografia em uma população que precisa mais dela, a das portadoras de tumores mais agressivos.
Nem todo câncer diagnosticado significa uma vida salva. Essa observação mexe com nosso ego, que gosta de sentir que faz coisas importantes, mas é uma verdade essencial: descobrimos cânceres que nunca fariam mal àquela paciente. Permaneceriam indolentes ou até mesmo regridiriam. Pacientes são operadas, irradiadas e recebem quimioterapia desnecessariamente todos os dias. Essas situações são chamadas de sobrediagnóstico e sobre tratamento. Qual é a sua frequência? Esse número é de cálculo difícil, pois precisa precisa ser estimado com base em premissas incertas. Então ele é muito manipulável, servindo de crítica fácil para os detratores da mamografia, que chegam a estimá-lo em 50%, ou de argumento barato para os defensores incondicionais da mamografia, que chegam a dizer que sobrediagnóstico não existe. Pesquisas dentro de linhas bem equilibradas, porém, estimaram a taxa de sobre diagnóstico da mamografia em pouco menos de 10%.
Os custos do rastreamento mamográfico não são negligenciáveis, especialmente se acrescidos dos custos das biópsias geradas e do controle de qualidade que é essencial para obter os resultados que justificam a realização do rastreamento. Parece fútil falar de custo de mamografia em um país que gasta tanto em estádios de futebol e parques olímpicos, mas queiramos ou não a racionalização dos custos é uma responsabilidade cidadã, de todos nós, e se a vida não pode ter um custo as intervenções de saúde têm.
Existem muitas formas de biópsias. O desconhecimento pode levar à utilização de biópsias excessivamente agressivas para o caso em questão. É nossa responsabilidade ética usar sempre a forma menos agressiva de biópsia que forneça a informação desejada.
Não! A mamografia não causa câncer de tireoide de forma significante. Vamos esquecer essa lenda urbana que foi criada e que não se sustenta factualmente.

Não sou contra a mamografia. Sou dos que acham que os inconvenientes relatados acima são um preço que vale a pena pagar pelas vidas salvas (embora salvas em número menos do que gostaríamos). Estou entre os que percebem que essas vidas, além de salvas, têm tratamento menos mutilante, pois feito em fase mais precoce. Esse tratamento menos mutilante não é um “endpoint” primário da mamografia e não é citado

Estou entre os que defendem o rastreamento mamográfico, mas assumindo a responsabilidade de informar à paciente todos os seus inconvenientes e limitações, de racionalizar o seu custo e invasividade, de manter uma expectativa realista. Minha experiência é que isso não demove as pacientes da vontade de participar de um programa de rastreamento.

Autor: Dr. Hélio Sebastião Amâncio de Camargo Júnior

Fonte: Febrasgo

Exame de sangue pode ajudar a escolher tratamento para câncer de mama

Um exame de sangue para detectar células tumorais poderia ajudar a escolher o tratamento mais adequado para alguns tipos de câncer de mama e, assim, aumentar a sobrevida dos pacientes, de acordo com um teste clínico apresentado no dia 06/12 em um congresso nos Estados Unidos.

“Este é o primeiro estudo que mostra que, usando essa informação, podemos melhorar a sobrevida dos pacientes”, explicou à AFP o professor Jean-Yves Pierga, chefe do departamento de oncologia médica do Instituto Curie, onde o estudo foi realizado.

Mulheres com câncer de mama com metástases denominadas “sensíveis a hormônios” (o mais comum) são mais frequentemente tratadas com terapia hormonal, enquanto a quimioterapia, que produz pesados efeitos colaterais, é reservado a pacientes com formas mais graves.

Mas atualmente, “os critérios que permitem aos médicos avaliar essa seriedade e, portanto, a escolha do tratamento permanecem incertos”, ressaltam em um comunicado o Instituto Curie e a Universidade de Versalhes Saint-Quentin-en-Yvelines.

Em um ensaio clínico que incluiu 778 pacientes de cerca de 15 hospitais franceses, metade teve seu tratamento escolhido com base na avaliação do médico e a outra metade com base em suas células tumorais circulantes (CTC).

Para 300 delas, o tratamento indicado pela análise das células tumorais circulantes não correspondia àquele que o médico teria escolhido.

E, de acordo com os pesquisadores, “mulheres que foram tratadas com terapia hormonal de acordo com o médico, mas que finalmente receberam quimioterapia devido à elevada taxa de CTC no sangue, tiveram sua sobrevida aumentada”.

Estes resultados, apresentados no Simpósio sobre o câncer de San Antonio, Texas, pelo professor François-Clément Bidard, um oncologista do Instituto Curie, convidam “a combinar as duas abordagens para guiar as escolhas terapêuticas: a perspectiva do clínico e a dosagem do CTC”, estimou o pesquisador, citado no comunicado.

Este estudo foi financiado principalmente pelo Instituto Nacional do Câncer (INCa) com “uma pequena contribuição” da CellSearch, empresa americana que fornece tecnologia de dosagem de CTC, disse Pierga. Seus resultados serão posteriormente publicados em um periódico científico, acrescentou ele.

Fonte: AFP