Como identificar sinais de endometriose na adolescência

A puberdade nem sempre é um período tranquilo na vida das adolescentes. As mudanças hormonais promovem o amadurecimento dos órgãos sexuais para as meninas, levando à primeira menstruação. Além do sangramento mensal e da acne a adolescente pode começar a ter cólicas, que, apesar de considerada pela maioria das mulheres como algo normal, pode ser um sinal da endometriose, doença que afeta até 7 milhões de brasileiras, conforme estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Por ouvir de suas mães, amigas e inclusive dos médicos que ter cólica e desconfortos durante o período menstrual é natural, as jovens pode levar em torno de 7 anos para diagnosticar a doença. E o que é mais preocupante: quando os sintomas de cólica começam na adolescência esta demora para o diagnóstico pode durar 11 a 12 anos. Para a terapeuta ocupacional, Marília Gabriela Marques, foram mais ou menos 11 anos e 8 ginecologistas até o diagnóstico correto.

O especialista Dr. Maurício Simões Abrão, professor associado do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP e responsável pelo Setor de Endometriose do Hospital das Clínicas, explica que o útero da mulher é revestido internamente por uma espécie de película chamada endométrio que, quando a mulher engravida, é responsável receber o óvulo fecundado. Durante o período menstrual, o endométrio é renovado e descama, sendo eliminado do corpo em forma de menstruação.

“A paciente com endometriose apresenta endométrio implantado fora do útero, ou seja, podendo infiltrar outras estruturas, como por exemplo, os ovários e os ligamentos ao redor do útero. Em casos graves, o endométrio pode aderir inclusive a outros órgãos, como a bexiga e o intestino”, reforça. O que causa a dor extrema característica da endometriose é que, assim como o endométrio, estes implantes também se inflamam durante o período menstrual, podendo causar dores e até infertilidade.

A relação de normalidade entre o período menstrual e as cólicas pode ser indicada como um motivo para 53% das brasileiras desconhecerem a doença, conforme aponta uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE), em parceria com a Bayer.

No entanto, é necessário estar atenta a sinais importantes da endometriose que se manifestam já na adolescência:

• Dores incapacitantes e persistentes durante todo o período menstrual e fora dele;

• Dor pélvica inclusive durante a relação sexual;

• Dificuldade e dor para evacuar.

• Dores para urinar durante a menstruação

Ao identificar esses sinais, o mais indicado é procurar um ginecologista e solicitar a investigação do quadro. Exames como o ultrassom transvaginal e de abdômen podem auxiliar no diagnóstico precoce e definição do tratamento ideal.

“Quanto antes for detectada e tratada, melhor o controle sobre a endometriose, embora não tenha cura, a rapidez no diagnóstico evita as complicações da doença e inclusive que a paciente passe por tratamentos mais agressivos, além de preservar a fertilidade”, ressalta o especialista. Dr Abrão salienta ainda que no Brasil foram desenvolvidas formas de se fazer o diagnóstico da doença por Ultrassom com preparo intestinal, que tem sido muito útil para a definição do tratamento a ser realizado.

Marília relembra o longo caminho que percorreu antes de saber que tinha uma doença: “antes mesmo do diagnóstico, já tive que lidar com os efeitos da endometriose. Passei por 5 cirurgias e tive as duas trompas retiradas, passei 5 anos afastada do meu trabalho e da minha vida. Se eu tivesse a informação que eu tenho hoje, com certeza tudo teria sido diferente”. De acordo com a Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva, a doença pode afetar 10% a 15% das mulheres em idade reprodutiva, ou seja, dos 12 aos 50 anos.

Tratamento

Por se manifestar de diversas maneiras, cada quadro de endometriose deve ser estudado de forma individual para definir a melhor linha de tratamento.

“Há pacientes que não apresentam focos de endométrio fora do sistema reprodutor, então nesses casos podemos pensar em controlar os sintomas com o uso de métodos contraceptivos como a pílula e o DIU Mirena e, inclusive, suspender a menstruação”, explica o especialista.

Em casos mais graves da doença, em que a mulher apresenta endométrio na cavidade abdominal ou outros órgãos, por exemplo, pode ser necessário realizar cirurgias, como explica Dr. Abrão: “Esses casos são especialmente delicados, porque o plano cirúrgico vai depender de onde está o foco de endometriose, por isso precisam ser estudados de perto”.

Fonte: Diário do Nordeste

10 coisas que você precisa saber sobre hirsutismo (excesso de pelos)

1 – O que é hirsutismo?
Hirsutismo é a presença de excesso de pelos em áreas em que normalmente as mulheres não têm pelos. Essas áreas são hormônio-dependentes, ou seja, respondem à ação de hormônios masculinos.

2 – Quais as características dos pelos do hirsutismo?
Os pelos presentes no hirsutismo são chamados de pelos terminais e habitualmente são escuros, grossos e tortuosos. Eles diferem dos pelos finos, claros e delicados que são mais comuns no corpo feminino.

3 – Qualquer aumento de pelos é anormal?
Algumas pessoas têm uma quantidade de pelos maior que outras, mas apenas o aparecimento de pelos nessas áreas dependentes de hormônios é considerado hirsutismo. Essas áreas estão na face (buço e mento/queixo), tronco (tórax e mamas, linha central do abdômen), dorso, região lombar e de nádegas, e raiz das coxas e braços.

4 – Devo me preocupar com o aparecimento de pelos?
Pelos em excesso, principalmente aqueles de aparecimento mais rápido, não são normais e devem ser investigados pelo médico ginecologista. Os pelos podem ser um sinal de que há algum problema hormonal.

5 – Quais são as causas do hirsutismo?
As causas mais comuns de hirsutismo são a síndrome dos ovários policísticos, problemas na glândula suprarrenal, uso de medicamentos e até mesmo tumores produtores de hormônios masculinos. Em um número pequeno de casos, a origem do aumento de pelos pode não ser identificada (hirsutismo idiopático).

6 – Como saber a causa do excesso de pelos?
Saber a causa do aumento de pelos é importante para que o tratamento seja mais eficaz. Após a consulta e o exame físico, o médico pode pedir alguns exames de laboratório para identificar onde se origina o aumento hormônios e tentar corrigir o problema.

7 – É possível ter aumento de pelos com hormônios normais?
A maioria dos casos de hirsutismo é devida à produção aumentada de hormônios masculinos no corpo da mulher. No entanto, em um número pequeno de casos, existe a possibilidade de haver aumento de pelos, mesmo com os hormônios em níveis normais.

8 – Existe tratamento?
Na maioria das vezes, o hirsustismo responde bem ao tratamento. Há vários tipos de tratamento que podem variar de medicações de uso oral, métodos físicos (laser, remoção por pinça ou depilador), ou químicos.

9 – Como é feito o tratamento com medicamentos?
Esse tipo de tratamento normalmente lança mão de anticoncepcionais orais, que podem ser associados a medicações que bloqueiam a ação dos hormônios masculinos na pele. Em geral, esse tratamento tem ação relativamente lenta e deve durar no mínimo 6 meses. É importante que seja feito um acompanhamento de perto para monitorar a resposta de cada paciente.

10 – Qual é o melhor tratamento?
Depende. É importante ter acompanhamento médico adequado porque nem todos os anticoncepcionais têm o mesmo efeito. Alguns podem até mesmo piorar a situação. Além disso, muitas vezes são usadas associações de remédios que devem ser prescritas de acordo com cada pessoa.

Fonte: Febrasgo

Dez coisas que você precisa saber sobre adolescência e menstruação

1 – A partir de que idade é normal o aparecimento das mamas?
O desenvolvimento de mamas, que os médicos chamam de telarca, e o desenvolvimento de pelos nas axilas e na região do púbis podem se iniciar a partir dos 8 anos de idade. Quando o aparecimento for mais precoce, é preciso procurar um médico. Por outro lado, se o desenvolvimento das mamas e pelos não ocorrer até os 13 anos de idade, também é preciso fazer uma avaliação.

2 – A partir de que idade é normal menstrual?
A menarca, que é o nome que se usa para a primeira menstruação, geralmente acontece cerca de dois anos após o
início do desenvolvimento das mamas. Assim, menstruar a partir dos 10 anos de idade e até os 15 anos é normal. Meninas que tem a menarca antes dos 10 anos ou que não menstruaram até os 15 anos devem procurar um médico.

3 – A menstruação pode ser irregular?
Nos primeiros dois anos após a primeira menstruação é muito comum que o intervalo entre as menstruações seja
irregular e que, em alguns meses, não ocorra menstruação. Isto acontece em 43% das meninas durante o primeiro
ano. Embora este problema vá diminuindo, em 20% das adolescentes ainda há irregularidade mesmo após o sexto ano do início das menstruações.

4 – Por que a menstruação é irregular nesta fase?
Em adolescentes, a causa mais comum de menstruação irregular é a falta da ovulação devido a imaturidade do sistema que controla os hormônios femininos. Como isto pode ocorrer por alguns anos, só o acompanhamento vai mostrar quando a menstruação normalizar, mas em uma pequena porcentagem dos casos esta irregularidade pode
persistir mesmo na vida adulta, devido a falta de ovulação.

5 – Quanto tempo pode durar o sangramento irregular e aumentado?
Na maioria dos casos, o sangramento devido a imaturidade resolverá espontaneamente, mas se o tratamento for
necessário pela quantidade de sangramento, deverá ser usado. É importante uma dieta rica em ferro para evitar
anemia e, eventualmente, podem ser prescritos hormônios para regular a menstruação ou até medicamentos anti-inflamatórios.

6 – E quando o sangramento ocorre em grande quantidade?
Embora às vezes o sangramento possa ser aumentado, em especial quando ficar meses sem menstruar, se isto ocorre
na maioria das menstruações é importante uma avaliação, pois existem algumas doenças da coagulação do sangue que se manifestam clinicamente depois da menarca e que podem ter passado desapercebido até este momento.

7 – Como posso perceber que minha menstruação pode não ser normal e o que pode ser feito?
Procure seu médico e informe detalhadamente seu calendário menstrual, incluindo a duração e a severidade do
sangramento, assim como a história de outros problemas hematológicos como sangramento na gengiva ou nariz
aparentemente sem motivo. O médico vai orientar se é preciso investigar distúrbios incluindo os da coagulação.

8 – É normal ter cólica menstrual?
A cólica menstrual é chamada dismenorreia, que pode ser primária e secundária. Geralmente a dismenorreia primária aparece pouco tempo depois que a mulher começa a menstruar, ainda na adolescência, enquanto a dismenorreia secundária tem causas que precisam ser investigadas. Procure seu médico, relate como é sua dismenorreia, se isto atrapalha suas atividades. Há medicações que podem auxiliar.

9 – Se a menstruação for irregular, pode ser Síndrome dos Ovários Policísticos?
O diagnóstico da Síndrome dos Ovários Policísticos na adolescência não é muito fácil. O médico vai avaliar os sintomas e as outras manifestações. Geralmente é preciso acompanhar por algum tempo antes de afirmar que os sintomas são por síndrome dos ovários policísticos ou se vão desaparecer e se normalizar com o amadurecimento do organismo.

10 – Porque deveria ir ao médico na adolescência?
Nesta fase, o ginecologista pode orientar sobre as mudanças no corpo, sobre os sintomas, sobre anticoncepção, sobre a vacinação. Procure um(a) médico(a) que te oriente, fale de suas dúvidas.

Fonte: Febrasgo

Mulheres idosas com câncer ginecológico

O ano de 2018 será o Ano de Valorização e Defesa dos Direitos Humanos da Pessoa Idosa conforme estabelece a Lei 13.646/2018, publicada em 10.04.2018, no Diário Oficial da União.

Com o envelhecimento da população e a estreita associação entre a idade avançada e o câncer, nós ginecologistas precisamos estar preparados para atender estas novas demandas no cuidado de nossas pacientes. Na Ginecologia oncológica ainda não existe a figura do onco-geriatra, treinado para lidar com as demandas específicas desta parcela da população. Entretanto não é difícil perceber que esta será uma tarefa cada vez mais frequente e necessária nos anos vindouros. Velhos conceitos precisam ser revistos à luz dos novos conhecimentos: Qual a idade limite para indicar um tratamento cirúrgico? Qual a extensão da cirurgia na mulher idosa? O que muda no tratamento sistêmico ou na radioterapia?

A pessoa idosa tem fragilidades que comprometem a reserva biológica, que resulta em menor resistência devido ao declínio de múltiplos sistemas. Estas pacientes nem sempre se beneficiem dos tratamentos padrões devido a excessiva toxicidade, porém mesmo pacientes vulneráveis beneficiam-se de tratamentos oncológicos com graus variáveis de toxicidade.

O mais importante, entretanto, é não se fixar apenas na idade cronológica para determinar a fragilidade, mas determinar da forma mais adequada possível a idade biológica. Pessoas da mesma idade apresentam grande heterogeneidade na vulnerabilidade, tolerância ao tratamento e risco de complicações. Sempre que possível é aconselhável guiar-se por avaliações objetivas e para isto já existem recomendações estruturadas para estas situações.

Tratar em demasia, como se mulheres idosas fossem iguais às mulheres jovens perante os protocolos de conduta, ou deixar de tratar devido à idade demais avançada, são condutas igualmente não recomendáveis. O ponto de equilíbrio deve ser buscado ouvindo todos os atores do tratamento. O plano de cuidado de pacientes com câncer é sempre uma atividade multidisciplinar.

Jesus Paula Carvalho – CNE de Ginecologia Oncológica

Referência: Suh et. Al. Management of the Elderly Patient With Gynecologic Cancer. Int J Gynecol Cancer 2012;22: 161-169

Cistos ovarianos funcionais na infância e adolescência

Entende-se como tumor ou neoplasia a proliferação celular anormal, excessiva e descoordenada, que não cessa quando o estímulo inicial termina. A palavra neoplasia vem do grego, onde ‘’neo’’ significa novo e ‘’plasis’’ significa crescimento e multiplicação celular. Dentro deste espectro, poderíamos dividi-las em neoplasias benignas e malignas. Neoplasias benignas são aquelas que apresentam crescimento lento, não invasivo e, portanto, não causadoras de metástases. As neoplasias malignas são aquelas cujo crescimento é acelerado e podem invadir tecidos vizinhos e não vizinhos através das vias hematogênica e linfática, o que denominamos de processo metastático.

Pode-se entender também como tumor, e não como neoplasia, lesões que representam aumento de volume tecidual decorrentes de exercício de função ou de processo inflamatório, podendo se apresentar sob forma sólida ou cística. Aqui se enquadram os cistos ovarianos funcionais, dos quais falaremos.

Na presença de sinais e/ou sintomas sugestivos de massas ovarianas, devemos iniciar uma investigação, a qual passa, inicialmente, pela realização de um exame de imagem. Obviamente, na maioria dos casos, indica-se inicialmente a realização de uma ecografia pélvica abdominal (ou transvaginal no caso de adolescentes sexualmente ativas), com complementação da avaliação do abdome superior caso se suspeite de algum outro tipo de patologia.

As vantagens da ecografia estão no baixo custo, não necessidade de sedação e ausência de radiação ionizante. A realização concomitante do Doppler vascular permite avaliar fluxo presente ou não nas massas, como também auxiliar no diagnóstico de possíveis torções de pedículo. A ecografia pode distinguir cistos simples de massas sólidas e complexas, além de observar líquido livre na cavidade abdominal.

No caso de presença de massas complexas ou suspeita de malignidade, seria indicada a realização de exame de imagem por tomografia computadorizada ou ressonância magnética, o que pode esclarecer melhor a extensão do tumor e sua natureza. Imagens encontradas podem sugerir benignidade ou malignidade. Importante na avaliação propedêutica no caso de massas anexiais suspeitas de malignidade na infância e na adolescência são os marcadores tumorais, que constituem substâncias encontradas no sangue ou outros fluídos corporais, em quantidade aumentada, na presença de determinados tumores.

Gostaríamos de salientar o uso da terminologia ‘’Tumor-like lesions’’, amplamente usada pelos colegas patologistas, sedimentada em amplo artigo ‘’Seminários em Patologia Diagnóstica’’, 2014. Em tal artigo, que descreve amplamente tumores ovarianos e lesões ‘’tumor-like’’ nas primeiras três décadas da vida, os autores enquadram os cistos foliculares e cistos de corpo lúteo como lesões ‘’tumor-like’’, retirando-os da classificação de tumor, já que não obedecem as clássicas características de uma neoplasia, propriamente dita.

Os cistos simples de ovário compõem as massas ovarianas mais frequentemente encontradas na infância e adolescência. Folículos ovarianos normais (ou seja, com menos de 03 cm de diâmetro) podem se transformar em cistos funcionais e cistos de corpo lúteo, se evoluírem para diâmetros superiores a este. Estes cistos podem evoluir com dor, desenvolvimento de caracteres sexuais secundários precocemente, ruptura, torção de pedículo ovariano, podendo, até mesmo, evoluírem para cirurgia.

Cistos foliculares podem estar presentes em diversas etapas da vida, inclusive no período neonatal, na menacme e no período peri menopausa.

Os cistos neonatais podem ser grandes, sendo citados diâmetros de até 13 cm na literatura, podendo seu diagnóstico ser realizado ainda no período pré natal, através de ecografia rotineira da gestação. Se diagnosticado, deve ser acompanhado mesmo durante o período pré natal, já que a torção é possível, mesmo intra-útero. Geralmente os cistos encontrados no primeiro ano de vida são remanescentes de cistos intra-útero e tornam-se sintomáticos após o período neonatal. Após o primeiro ano de vida tornam-se raros e passam a ser documentados novamente na puberdade.

Os achados ecográficos destes cistos foliculares são de cistos simples ou complexos, os últimos contendo material hiperecóico (debris) intra-cístico que pode denunciar hemorragias dentro do cisto. Nestes casos de cistos complexos, o Doppler será de grande ajuda para diferenciá-los de lesões malignas.

Os cistos foliculares pré puberais são causados pelos pulsos hormonais intermitentes de gonadotrofinas. Nessa fase pré puberal, geralmente são menores que 01 cm de diâmetro e regridem espontaneamente (podendo ser chamados de cistos, apesar do pequeno tamanho, somente devido à tenra idade). Por vezes, podem ter diâmetro maior que 02 cm (2 a 5% dos casos).

Na fase da menarca, há um aumento na frequência de cistos ovarianos, e muitas das vezes, não são cistos foliculares, havendo já um aumento na frequência dos cistos de corpo lúteo, os quais podem romper e causar hemoperitômio.

Cistos assintomáticos de 02 a 05 cm de diâmetro costumam regredir em 04 a 05 semanas, e cistos maiores de 05 cm de diâmetro demoram cerca de 03 meses para resolução completa.

Cistos de 02 a 05 cm de diâmetro, assintomáticos, justificam conduta conservadora. A dúvida do tipo de abordagem existe em cistos de 05 a 07 cm de diâmetro, quadro no qual seria permissível a conduta conservadora, desde que acompanhado de perto, com abordagem cirúrgica em casos sintomáticos ou que persista o cisto após 03 meses de evolução.

Sabido é que tratamentos hormonais evitam o surgimento de novos cistos, mas não tratam cistos pré existentes. Tratamentos conservadores de cistos ovarianos merecem acompanhamento ecográfico e dosagem de marcadores tumorais para afastar possibilidade de estarmos diante de um cisto maligno. Ao se optar pelo procedimento cirúrgico, em casos citados anteriormente, deve-se optar por excisão do cisto com preservação do parênquima ovariano; a aspiração do cisto apresenta alta incidência de recorrência e deve ser evitado.

Autoras:

Cláudia Barbosa Salomão

Maria Virgínia Werneck Marinho

 

Referências Bibliográficas:

1. Kelleher CM, Goldstein AL. Adnexal Masses in Children and Adolescents. In: Clinical Obstetrics and Gynecology, 2015; 58 (1): 76 – 92.

2. Rivoire WA e cols. Diagnóstico, Patologia, Tratamento e Evolução de Tumores ovarianos em crianças e adolescentes. In: RGOBE (Rev. de Ginec. e Obst.), 2002; 13 (2): 67-69.

3. Ovarian tumors and tumor-like lesions in the first three decades. In: Seminars in Diagnostic Pathology, 2014; 01-45.

Fonte: Febrasgo

Microbioma vaginal e sua influência na saúde da mulher

O corpo humano tem de 10 a 100 trilhões de microorganismos comensais, ou seja, dez vezes mais do que o número de células totais do corpo humano e coletivamente contem 27 vezes mais genes (1). O convívio harmônico desta população com o corpo humano é importante na manutenção da saúde do indivíduo.

Primeiramente é importante reconhecer o significado de dois conceitos diferentes (microbioma e microbiota), por vezes, usados erroneamente como sinônimos. Microbiota corresponde aos microorganismos que coletivamente habitam um determinado ecossistema, enquanto microbioma se refere ao total de todos os genomas daqueles que habitam este ecossistema(2).

Uma das regiões mais intrigantes e estudadas é vagina. A microbiota vaginal está formada por mais de 250 espécies bacterianas, constituindo a principal linha de defesa contra a colonização de patógenos oportunistas e cuja integridade é fundamental para manutenção do equilíbrio do microambiente(3). Esta microbiota já foi demonstrada ser bastante dinâmica e influenciada por diversos fatores. Antes da menarca predomina uma combinação de microbiota cutânea e intestinal. Ao iniciar o menacme, por influência da função ovariana mais ativa, começam a proliferar bactérias que predominam até a menopausa. Normalmente são mais de 120 subtipos diferentes de lactobacilos, que por mecanismos variados (produção de ácidos, peróxido de hidrogênio, bacteriocinas e competição por nutrientes) atuam como protetores(4). Mais recentemente através de um estudo por pirosequenciamento de espécies vaginais em uma amostragem de 400 mulheres, um estudo, demonstrou que há diferenças étnicas e temporais no microbioma vaginal. Os autores sugeriram 5 grupos de comunidades bacterianas vaginais. O grupo I constituído predominantemente pela espécie L. crispatus, o II por L. Gasseri, o III por L. Iners, o V por L. Jensenii e o grupo IV formado por um conglomerado de bactérias predominantemente anaeróbias, tais como Gadnerella vaginalis e Prevotela. (5, 6). Além destas diferenças o microbioma vaginal é muito dinâmico, em especial no menacme e na gestação, variando sua composição conforme genética, práticas sexuais, mudanças hormonais, dieta e outros fatores(3).

Durante a vida intra-uterina se estabelece o primeiro contato entre os componentes que formarão a microbiota e a hospedeira, iniciando a modulação do sistema imune. Estudos de metagenômica têm demonstrado presença de numerosas bactérias no liquido amniótico e placenta sem aparente reação inflamatória (7, 8). Após o nascimento, todos os fatores genéticos, imunológicos e ambientais influenciam a microbiota a ser estabelecida nas demais fases da vida da mulher. As diferenças do microbioma se traduzem na possibilidade de determinadas mulheres terem maior predisposição para o desequilíbrio (disbiose) e mais risco de infecção sexualmente transmissível(9).

A associação entre a composição bacteriana vaginal e a doença inflamatória pélvica (DIP) já foi evidenciada. O escore de Nugent maior que 7 e cultura positiva para bactérias associadas a vaginose bacteriana estão associados a duas vezes maior risco para DIP (9). Esta mesma disbiose está associado a mais risco para infecção por Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae, Trichomonas vaginalis, Papilomavírus humano e Herpes simplex vírus (10). Estudos tem ainda demonstrado a associação entre a vaginose bacterina e o risco de infecção pelo vírus da imunodeficiência adquirida (11).

A composição e a disbiose do microbioma do trato genital pode impactar os resultados da gestação, como abortamento, trabalho de parto prematuro e endometrite pós-parto (12). É evidente que a disbiose vaginal está associada a infertilidade e complicações na gestação (13).

Novas descobertas põem em cheque dogmas até então considerados, como aquele que definia ser o trato reprodutivo acima do orifício interno do colo uterino estéril. Recentemente foi demonstrado que bactérias podem estar presentes no compartimento materno-fetal em mulheres saudáveis . Os estudos de análise genética revelaram que estas bactérias lembram aquelas da cavidade oral e não do trato genital inferior, sugerindo que em gestações normais a placenta é colonizada primariamente por via hematogênica (8).

Embora seja evidente os limites da morfologia na determinação dos desequilíbrios da microbiota vaginal (disbiose), ainda na prática diária são estas as armas a serem utilizadas na maioria das vezes para diagnóstico de vaginoses. Em especial o escore de Nugent (14) através da bacterioscopia por Gram. Mas, todo o dinamismo aqui discutido pode ser observado através desta avaliação assim, como suas correlações. Enquanto os estudos de pirosequenciamento e de biologia molecular se resumem a pesquisas, a morfologia ainda é a nossa realidade. No entanto, é imperioso reconhecer que a disbiose tem forte influência e está associada a determinadas condições que põem em risco a saúde da mulher.

Autor:

José Eleutério Jr.

Referências :
Dunlop AL, Mulle JG, Ferranti EP, Edwards S, Dunn AB, Corwin EJ. The maternalmicrobiome and pregnancy outcomes that impact infant health: A review. Adv Neonatal Care. 2015;15:377–85.
David H. Martin. The Microbiota of the Vagina and Its Influence on Women’s Health and Disease. Am J Med Sci 2012;343:2-9.
Mendling W. Vaginal microbiota. Adv Exp Med Biol. 2016;902:83–93.8.
Fox C, Eichelberger K. Maternal microbiome and pregnancy outcomes. FertilSteril. 2015;104:1358–63.
Ravel J, Gajer P, Abdo Z, et al. Microbes and Health Sackler Colloquium: vaginal microbiome of reproductive-age women. Proc Natl Acad Sci USA 2011;108(suppl 1):4680 –7.
Smith SB, Ravel J. The vaginal microbiota, host defence and reproductive phy-siology. J Physiol. 2017;595:451–63.
Solt I. The human microbiome and the great obstetrical syndromes: A newfrontier in maternal-fetal medicina. Best Pract Res Clin Obstet Gynaecol.2015;29:165–75.12
Ramos Bde A, Kanninen TT, Sisti G, Witkin SS. Microorganisms in the femalegenital tract during pregnancy: Tolerance versus pathogenesis. Am J ReprodImmunol. 2015;73:383–9.16
Ness RB, Hillier S, Richter HE, Soper DE, StammC, Bass DC, et al. Can known risk factors explain racial differences in the occurrence of bacterial vaginosis? J Natl Med Assoc 2003;95:201–12.
Brotman RM, Ravel J, Cone RA, Zenilman JM. Rapid fluctuation of the vaginal microbiota measured by Gram stain analysis. Sex Transm Infect 2010;86:297–302.
Srinivasan S, Liu C, MitchellCohen CR, Lingappa JR, Baeten JM, Ngayo MO, Spiegel CA, Hong T, et al.Bacterial vaginosis associated with increased risk of female-to-male HIV-1transmission: a prospective cohort analysis among African couples. PLOS Med 2012;9:e1001251.
Jacobsson B, Pernevi P, Chidekel L, Jörgen Platz-Christensen J.. Bacterial vaginosis in early pregnancy may predispose for preterm birth and postpartum endometritis. Acta Obstet Gynecol Scand. 2002;81:1006-10.
Green KA, Zarek SM, Catherino WH. Gynecologic health and disease in relation to the microbiome of the female reproductive tract. Fertil Steril. 2015;104:1351-7.
Nugent RP, Krohn MA, Hillier SL. Reliability of diagnosing bacterial vaginosis is improved by a standardized method of gram stain interpretation. J Clin Microbiol 1991;29:297–301

Fonte: Febrasgo

Mulheres que mudaram a história: Trota, a primeira ginecologista

Trota de Salerno, primeira ginecologista de que se tem notícia, escreveu tratados que orientaram os tratamentos médicos para mulheres ao longo de 400 anos.

O que foi: Médica
Onde viveu: Itália
Quando nasceu e morreu: ?-1097

Para se manter saudável, toda mulher precisa praticar exercícios físicos regularmente. Massagens com óleos aromáticos ajudam a evitar o estresse. A alimentação deve ser balanceada.

Os dentes vão permanecer brancos se a pessoa escová-los usando o líquido resultante da fervura da casca de noz em água. A combinação de mel, suco de beterraba e água de rosas ajuda a cuidar dos lábios e ainda funciona como batom de cor forte. E os cuidados com a higiene pessoal previnem problemas ginecológicos.

Essas são sugestões escritas em latim, no século 11. Sua autora, Trota, nasceu e viveu em Salerno, no sul da Itália. Era médica, especializada no público feminino. Escreveu e foi fonte primária de tratados que deram início à ginecologia. Suas lições foram publicadas para os médicos e médicas de toda a Europa, ao longo de pelo menos 400 anos.

MÉDICAS PIONEIRAS

Trota nasceu com o sobrenome Riggiero e se casou com Giovanni Plateario, médico e um dos líderes da Escola de Medicina da cidade de Salerno. Ela mesma seguiu carreira na medicina. O casal ainda teve dois filhos que também se revelaram médicos talentosos.

Na época, pelo menos na Europa, só mulheres cuidavam da saúde demulheres. Pouquíssimas delas eram letradas, e menos ainda eram as que levavam adiante os estudos de medicina. Era mais comum que monjas aprendessem o básico na prática e atuassem especialmente como parteiras.

Mas Trota não era a única pesquisadora do assunto. Ela participou decoletâneas de artigos sobre a saúde da mulher. Suas colegas de escola demedicina na época foram autoras de textos influentes, distribuídos em todo o continente por séculos.

O tratado mais famoso da pesquisadora foi dedicado ao período da gravidez e do pós-parto. Chama-se De Passionibus Mulierum ante in et Post Partum (Algo como “Sobre a saúde das mulheres durante e depois do parto”) e recomenda até mesmo fazer suturas no períneo em caso de haver machucados decorrentes do nascimento da criança.

As dicas de saúde mais gerais estão no livro De Curis Mulierum (“Do tratamento para mulheres”, em tradução livre). Ali ela ensina a fazer cosméticos em casa, a lidar com picada de cobra e a amenizar os desconfortos da tensão pré-menstrual.

ALÍVIO NO PARTO

As pesquisas de Trota eram focadas na prevenção de doenças e na atenção a situações críticas. O parto recebeu uma atenção especial. Apesar de a anestesia só ser aplicada para o nascimento de filhos no século 19, ela testou chás e medicamentos que amenizavam a dor. Ela foi mais longe e também realizou algumas poucas cesarianas, sempre em situações de grande risco para a mãe ou criança.

Ela ainda defendeu que a infertilidade podia ser um problema masculino, e não exclusivamente da mulher. Era, de fato, uma médica muito à frente de seu tempo.

SEUS MAIORES ACERTOS

  • Difundiu a ginecologia
    Além de pioneira na medicina para mulheres, ela divulgou seus insights em textos que se espalharam até a França e a Inglaterra
  • Debateu anatomia
    Dúvidas sobre a higiene íntima e os desconfortos da menstruação não eram debatidas abertamente antes de Trota escrever sobre o tema
  • Reuniu pesquisadoras
    Figura de referência da Escola de Medicina de Salerno, ela colocou especialistas em contato e estimulou o intercâmbio entre elas

SEUS MAIORES FRACASSOS

  • Repetiu preconceitos
    Ela não escapou de algumas noções comuns para a época, incluindo a de que o corpo feminino era mais sensível do que o masculino e mais facilmente exposto a doenças. Também seriam mais propensos a vícios com comida e bebida
  • Não deu crédito
    Salerno reunia literatura médica dos gregos, dos romanos e dos árabes. O resultado eram guias de fácil leitura e muito atualizados em relação às melhores técnicas da época. Mas nem sempre a médica italiana citou suas fontes. Muitos achados ficavam parecendo de sua autoria

Fonte: Mundo Estranho

Histeroscopia, curetagem ou biópsia endometrial: Qual a melhor estratégia para investigar o sangramento uterino anormal?

Mulheres com sangramento uterino anormal podem ser portadoras de câncer de endométrio. O câncer do endométrio é uma doença tipicamente da pós-menopausa; o pico de incidência situa-se ao redor dos 62 anos de idade. Entretanto, pode ocorrer em mulheres mais jovens com predisposição familiar para câncer. Gitsch G et. al.(1) relataram que 14% dos carcinomas de endométrio ocorrem na pré-menopausa. Abaixo dos 40 anos, a incidência é de apenas 4% (Lee et.al)(2) e está associada à Sindrome de Lynch, que confere risco aumentado também para câncer colorretal entre outros(3).

Todo sangramento uterino anormal deve ser investigado para descartar câncer. Muitas mulheres têm o diagnóstico retardado pois o sangramento é atribuído a distúrbios hormonais ou outras causas. Quanto antes se fizer o diagnóstico do câncer, melhor o prognóstico. Pacientes que têm o diagnóstico de câncer em até oito semanas após o início do sangramento são as que têm o melhor prognóstico(4).

Qual a melhor estratégia para investigar o sangramento uterino anormal?

Esta pergunta fazia parte da prova prática do TEGO de 2017. Dos mais de 60 candidatos que foram examinados, 100% responderam histeroscopia; outros responderam histeroscopia com biópsia, e um número irrisório (2 ou 3 candidatos) responderam biópsia isolada ou aspirado endometrial.

A pergunta que me ocorre é quantos ginecologistas e obstetras nos rincões do Brasil dispõem de histeroscopia em seus ambulatórios ou unidades de saúde para esclarecer um sangramento uterino em tempo menor que 8 semanas? E por que ninguém pratica a biópsia de endométrio ou o aspirado endometrial?

Não há dúvidas de que a histeroscopia com biópsia é o padrão ouro para investigar a cavidade uterina. Entretanto, mulheres de alto risco para carcinoma do endométrio poderiam se beneficiar muito mais de procedimentos simples, efetivos e de baixo custo, e que podem ser disponíveis em qualquer unidade básica de saúde, em vez de ficar em filas intermináveis esperando por uma histeroscopia que não acontecerá em tempo adequado.

Existe vários dispositivos de baixo custo podem ser utilizados para este propósito(5):

  1. aspirador de Vabra, que é uma cânula de metal com 3 mm de espessura conectado a um receptáculo de plástico e que tem sensibilidade de 88% e apenas 2% de falsos negativos.
  2. Pipelle, que é um dispositivo de polipropileno com diâmetro de 3,1 mm, flexível, que pode ser utilizado ambulatorialmente, inserido na cavidade endometrial sem necessidade de anestesia ou dilatação cervical, com desconforto mínimo. A acurácia da Pipelle para lesões endometriais varia de 62 a 96,9%.
  3. Dispositivo AMIU (aspiração manual intra-uterina). É constituído por um dispositivo de aspiração a vácuo e sondas de material maleável de diferentes calibres que podem ser inseridos pelo canal cervical sem necessidade de dilatação ou anestesia. Normalmente utilizado para aspiração de restos ovulares, mas que pode também ser utilizado para coleta de material em pacientes com sangramento uterino anormal, com sensibilidade ao redor de 80%.
  4. Sondas uretrais acopladas a uma seringa de 10 ml. Este é o mais prosaico, mais simples e menos custoso dos dispositivos para investigação endometrial. É também a minha primeira escolha e preferência pessoal. O calibre da sonda depende da abertura do canal cervical. Podemos usar uma sonda no. 5 para mulheres com orifícios muito estreitos ou até uma sonda no. 8 nos colos pérvios e sangrantes. Com a ajuda de uma pinça Cheron metálica pode-se inserir gentilmente a sonda flexível pelo canal cervical até um comprimento de mais ou menos 6 cm. Feito isto e com uma seringa acoplada e fazendo pressão negativa para aspiração, move-se gentilmente a sonda em movimentos de vai-e-vem até obter material que flui pela sonda. Este material deve ser colocado em formol 10% e enviado para o patologista. Não esqueça de informar que aquilo é produto de um aspirado endometrial. A sensibilidade deste procedimento excede 90% para o diagnóstico de carcinoma do endométrio.

E como fica o papel da histeroscopia?

Na minha opinião, a histeroscopia está indicada nos casos de resultados inconclusivos da aspiração e nos casos de diagnósticos benignos. Agindo desta maneira, quase 90% dos casos de carcinoma do endométrio serão diagnosticados rapidamente com estes procedimentos simples. Os 10% que sobraram ou que foram erroneamente falsos negativos podem aguardar pela histeroscopia.

E para finalizar cito um aforismo cuja autoria é atribuída a diferentes autores (Albert Einstein, Louis Zukofsky, Roger Sessions, William of Ockham ou Anônimo):
“Tudo deve ser feito da forma mais simples possível, mas não simplória”

Everything should be made as simple as possible, but not simpler”

Autor:

Jesus Paula Carvalho
Professor Livre Docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Chefe de Equipe de Ginecologia Oncológica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – ICESP. Presidente da CNE de Ginecologia Oncológica – Febrasgo

Referências

[1]            Gitsch G, Hanzal E, Jensen D, Hacker NF. Endometrial cancer in premenopausal women 45 years and younger. Obstet Gynecol. 1995;85: 504-8.

[2]            Lee NK, Cheung MK, Shin JY et al. Prognostic factors for uterine cancer in reproductive-aged women. Obstet Gynecol. 2007;109: 655-62.

[3]            Obermair A, Youlden DR, Young JP et al. Risk of endometrial cancer for women diagnosed with HNPCC-related colorectal carcinoma. Int J Cancer. 2010;127: 2678-84.

[4]            Gerber B, Krause A, Müller H et al. Ultrasonographic detection of asymptomatic endometrial cancer in postmenopausal patients offers no prognostic advantage over symptomatic disease discovered by uterine bleeding. Eur J Cancer. 2001;37: 64-71.

[5]            Du J, Li Y, Lv S et al. Endometrial sampling devices for early diagnosis of endometrial lesions. J Cancer Res Clin Oncol. 2016;142: 2515-22.

Fonte: Febrasgo

Os riscos da pílula do dia seguinte: precisamos de uma ‘cultura do preservativo’

De acordo com a Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva, estima-se que mais de 6 milhões de mulheres sofrem de Endometriose no país. “Essa é uma enfermidade que tem início no sistema reprodutor, mas pode atingir intestino, bexiga… Quando é um caso de endometriose mais avançada, ela forma fibrose. Isso pode ainda levar à infertilidade. Sem falar que, quando é um quadro avançado, a mulher tem uma dor muito intensa na região pélvica, o que dificulta muito a qualidade de vida”, explicou a ginecologista. Confira a seguir a entrevista que a ginecologista Cristina Sá concedeu ao Bahia Notícias.

Quais sintomas devem criar um alerta para a possibilidade de endometriose?

O que mais vai criar um alerta é em relação à cólica. A mulher que passa a ter cólicas cada vez mais intensas deve ter muita atenção. Algumas meninas já têm uma predisposição à endometriose e, na adolescência mesmo, elas já começam com cólicas menstruais muito intensas. Isso aponta uma chance de desenvolver endometriose. Outro fator muito relevante é a dor durante a relação sexual. Mulheres que sempre sentem dor durante a relação sexual precisam investigar o que causa.

Como é feito o diagnóstico? Há fatores que aumentam o risco?

O fator hereditário é muito relevante. Com relação ao diagnóstico, é clínico e de imagem. Hoje a gente tem tanto a ressonância magnética quanto a ultrassonografia transvaginal para investigação de endometriose profunda, que é o procedimento padrão ouro para diagnóstico.

Existe alguma nova tecnologia que tenha facilitado o diagnóstico e também oferecido novas formas de tratamento para endometriose?

No caso do diagnóstico, há a ultrassom que investiga endometriose profunda. São poucos profissionais que fazem, realmente especializados nesse exame. É um exame muito demorado, tem que fazer um trabalho intestinal na paciente, para poder observar lesões de endometriose no útero,  ovário, bexiga, intestino… É um profissional extremamente capacitado. Com relação ao tratamento, a gente tem tratamento medicamentoso, com o objetivo de controlar e, em alguns casos, diminuir as lesões da endometriose. Alguns casos são cirúrgicos, mas hoje a gente já sabe que é a minoria. Antigamente, todo mundo operava de endometriose. Existem alguns fatores que podem melhorar a qualidade de vida das mulheres com endometriose, como alimentação saudável, aumentando a ingestão de alimentos com ação anti-inflamatória (como gengibre, alho macerado, açafrão, peixes ricos em ômega 3…) e atividade física regular.

Como funciona o tratamento cirúrgico?

Varia de caso a caso. Tem pacientes que precisam tirar um fragmento do intestino, outros têm endometriose no ovário, então precisam tirar. Realmente varia de caso a caso. A endometriose é uma doença que vai invadindo e se instalando nessa região. Cada mulher pode apresentar de forma diferente.

De que forma a mulher é afetada quando a endometriose se espalha para além do sistema reprodutor?

Essa é uma enfermidade que tem início no sistema reprodutor, mas pode atingir intestino, bexiga… Quando é um caso de endometriose mais avançada, ela forma fibrose. Isso pode ainda levar à infertilidade. Sem falar que, quando é um quadro avançado, a mulher tem uma dor muito intensa na região pélvica, o que dificulta muito a qualidade de vida.

É verdade que suspender a menstruação é positivo para mulheres com endometriose? Qual a relação entre as duas questões?

É porque, em todo período menstrual, a mulher sangra também onde existe foco de endometriose. Com isso, aumenta a inflamação desse local e aumenta a fibrose. Com a suspensão da menstruação dessa mulher, ela fica sem sangrar e reduz esse foco, então é realmente muito positivo.

Suspender a menstruação é uma questão muito controversa no geral. No caso de mulheres saudáveis, pode causar problemas?

No caso de mulheres saudáveis, a suspensão da menstruação é apenas desejo da mulher. Tem mulheres que não gostam de menstruar, outras não se sentem bem no período menstrual, têm alergia a absorvente… Suspender a menstruação nessas mulheres não vai causar transtorno nenhum. No entanto, não é uma indicação clínica, parte apenas de um desejo.

Como o uso de hormônios – seja em anticoncepcional, pílula do dia seguinte ou até mesmo tratamentos hormonais – pode influenciar na saúde da mulher? Há algum prejuízo, como para a fertilidade?

A pílula do dia seguinte tem que ser abordada de forma isolada, porque ela não pode ser considerada um método anticoncepcional. Tem adolescentes e adultas jovens, principalmente, que adotam a pílula do dia seguinte como método contraceptivo, mas não é. A taxa de eficácia é mais baixa, e a dose de hormônios é muito alta. Ela é para ser usada em uma emergência. Com relação aos anticoncepcionais, hoje a gente tem uma taxa de eficácia muito segura. Principalmente no caso dos orais, o retorno da fertilidade é muito rápida, então normalmente não causa nenhum prejuízo para a mulher.

No Carnaval deste ano, a prefeitura disponibilizou, nos postos de saúde, pílulas do dia seguinte. Esse tipo de ação pode ser considerada negativa, já que o uso frequente não é indicado?

O que eu acho que falta na nossa população é a cultura do preservativo. A população brasileira precisa ter a cultura do preservativo, principalmente nessas épocas de festa, quando se tem relação com parceiros desconhecidos e que talvez não veja nunca mais. Eu não acho negativa essa ação da prefeitura de disponibilizar pílula do dia seguinte, mas me pergunto se isso não seria um incentivo. A gente mora em um país onde o aborto é proibido, então uma gravidez originada de uma relação casual pode ser um problema muito grande para a mulher. Eu não acho que seja negativa essa ação, porque acredito que a mulher tem o direito de fazer o que quer com o corpo dela, mas o que acho que a gente precisa incentivar é o uso do preservativo. A gente tem, aqui em Salvador, um índice de HPV altíssimo. É a capital que tem a maior incidência de HPV e HTLV. A sífilis está voltando em todo o país também. Insistir no preservativo é fundamental.

Algumas jovens utilizam a pílula do dia seguinte após cada relação sexual. De que forma isso pode prejudicar a saúde?

Primeiro que ela vai causar um descontrole enorme no ciclo. Aquilo é uma dose de hormônio muito alta, que é feita para justamente parar a ovulação naquele ciclo ou, pelo menos, modificar rapidamente o muco cervical ou o endométrio. Só que ela tem uma taxa de eficácia baixa com relação ao anticoncepcional. Ela aumenta a incidência de gestação ectópica, que é a gestação na trompa. Ainda assim, mesmo usando pílula do dia seguinte, acontecem gestações. Muitas mulheres usam pensando que vai funcionar, mas não funciona como o uso de anticoncepcional. É apenas em casos de emergência.

Fonte: Bahia Notícias

Visitas ao ginecologista ainda são tardias entre jovens brasileiras, aponta pesquisa

Temas como educação sexual e cuidados com a saúde íntima merecem atenção, porém são negligenciadas, especialmente entre mulheres mais jovens no Brasil. Prova disso é o alto índice de gestação juvenil não planejada no País, maior do que a média na América Latina.

Não é de hoje que existe um tabu em torno da sexualidade, e isso acontece porque, em muitos casos, a conversa sobre o assunto, principalmente dentro de casa e no ambiente escolar, é tardia ou nem acontece. Uma boa notícia é que uma pesquisa recente, realizada pela Bayer, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com 1.500 brasileiras entre 16 e 25 anos, em cinco capitais (Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), mostrou que esse cenário vem melhorando, já que 83% das entrevistadas se considera suficientemente informada sobre métodos contraceptivos e cuidados com a saúde sexual.

O levantamento aponta também que 73% se sente confortável em falar sobre o assunto, e 93% afirmou saber se proteger de DSTs ou de uma gravidez não planejada. Com relação aos pais/responsáveis, 52% disse que foi com eles a primeira conversa sobre saúde sexual, percentual maior do que com amigos (18%) ou sozinha (11%). Para 59% das entrevistadas existe um diálogo aberto com os pais. Das que não conversam sobre sexualidade em casa (41%), boa parte (67%) gostaria de ter.

“A conversa aberta com os pais/responsáveis é extremamente importante para as jovens, já que são eles os principais disseminadores de valores e ensinamentos para os filhos, servindo como seu principal exemplo. São eles que podem fazer com que um assunto complicado se torne simples e natural, trazendo conforto e confiança para quem está iniciando a vida sexual”,
afirma Dr. Afonso Nazário.

Sobre o ambiente escolar, as notícias também são boas – a maioria (67%) teve acesso à educação sexual na escola. Isso mostra que conforme a discussão se torna mais transparente com pessoas confiáveis, maior o conforto e segurança das jovens. “É extremamente importante que as escolas estejam preparadas para dar continuidade à educação sexual iniciada dentro de casa. Dessa forma, o assunto passa a ser comum no dia a dia dos jovens e as dúvidas podem ser compartilhadas e sanadas de forma mais fácil”, reforça.

Relação com o ginecologista
Apesar dos dados positivos e avanço na discussão sobre sexualidade e contracepção, o último relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), referente ao período de 2010 a 2015, mostrou que o Brasil tem 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil meninas de 15 a 19 anos, índice acima da média latino-americana, que fica em torno de 65,5.
Segundo o Dr. Afonso, “isso pode ser um indicativo de que esse diálogo ainda precisa se expandir, por exemplo, para dentro do consultório, com o ginecologista, que é o principal responsável por dar orientações sobre exames e indicar os melhores métodos de acordo com o perfil de cada jovem”.

Dados da pesquisa comprovam, inclusive, que a relação entre as jovens e o ginecologista ainda não é bem estabelecida – eles apontam, por exemplo, que 7% das entrevistadas nunca se consultou com o especialista, e 11% só o visitou pela primeira vez após os 20 anos. Adicionalmente, apenas 17% o considera a principal fonte de informação sobre o assunto.

“O fato de uma pequena porcentagem considerar o ginecologista como o responsável por passar informações sobre educação sexual é um dado extremamente preocupante, pois somente ele é capaz de indicar os melhores métodos contraceptivos e orientações sobre os cuidados com a saúde íntima.

Esse também é um fator que deve entrar, anteriormente, na conversa da jovem com os pais, que por sua vez tem a missão de explicar o papel do médico nesse processo e oferecer todo o suporte necessário”, comenta.

O alinhamento entre a jovem, os pais/responsáveis e o médico propicia segurança e faz com que ela se sinta confortável em fazer, a partir disso, suas próprias escolhas, de forma consciente e madura. Além disso, dá a abertura para que tire dúvidas sempre que necessário, fazendo com que um assunto tabu se torne um tema mais leve.

Fonte: Diário do Nordeste

7 sinais que o corpo dá quando você para o anticoncepcional

Bastou menos de uma semana para a estudante Mariana Pereira Lopes, de 19 anos, sentir diferença ao parar na frente do espelho. Pelos aparecendo nos lugares errados, espinhas no rosto e nas costas começaram a brotar, além de um mau humor que a impedia de se sentir bonita até na sua roupa favorita.

Também não demorou muito para que ela lembrasse que a única mudança na rotina era ter cortado o anticoncepcional. Esses são alguns dos sete sintomas mais comuns no corpo de quem interrompe a medicação. “Eu achava que tudo isso era mito, mas vi que não. Engraçado que eu nem lembro de ter reparado as mudanças pra melhor”, conta ela.

A fase que Mariana chama de “medonha” a deixou tão encanada que ela nem quis aparecer na foto para esta matéria. “Só depois que eu voltar a tomar o remédio”. O ginecologista Roberto Cesar Nogueira Júnior, doutor em ginecologia endócrina, diz que acontece mesmo tudo isso e muito mais.

“O anticoncepcional traz uma série de benefícios, como diminuição do fluxo menstrual e melhora da cólica, da oleosidade e da acne”. Isso porque a medicação corta a testosterona, hormônio masculino que também é produzido pelas mulheres. Só que da mesma maneira que os benefícios aparecem rápido, eles também vão embora voando. “Quando o anticoncepcional é interrompido, seus benefícios também são”, explica o médico.

Paciência é fundamental

Para a endocrinologista Leticia Iervolino, é só imaginar que o corpo está acostumado a receber os hormônios prontos e, de uma hora para a outra, precisa retomar a produção que estava parada. “Nesse momento, o organismo tem de se adaptar às alterações hormonais. Esse tempo vai variar de mulher para mulher, e depende do anticoncepcional usado”. Antes de começar ou parar de tomar pílula é imprescindível procurar seu médico.

E é bom seu crush ser avisado sobre essa mudança, já que a especialista explica que cólicas e TPM podem piorar. “Como as mulheres são uma montanha-russa hormonal, essas variações de humor voltam com a interrupção da medicação. Devem piorar sintomas como instabilidade emocional, irritabilidade, tristeza, impulsividade, alterações do sono e dor de cabeça”, diz Leticia.

Por outro lado, tem boa notícia e num assunto pra lá de importante. No sexo, a coisa promete ficar boa! Vai rolar aumento da libido e da lubrificação vaginal, explica a especialista. “Isso acontece principalmente nas mulheres que estavam usando as medicações com efeito antitestosterona”.

O ginecologista Luciano Pompei, secretário geral da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, diz que a diminuição do sangramento menstrual e a regularização desse ciclo também podem acontecer. “Algo que as jovens precisam saber é que todo medicamento tem benefícios e riscos. Por isso, é fundamental consultar um médico para buscar orientação. Além disso, o anticoncepcional não protege contra DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e Aids. É preciso usar camisinha”. Dito isso, não esqueça do preservativo!

Fonte: A Tribuna

Você sabe o que é vaginite?

Um termo pouco conhecido pelas mulheres, até mesmo para aquelas que costumam ir ao ginecologista pelo menos uma vez por ano fazer aquela revisão que é recomendada por todos os ginecologistas. Pois é, estamos falando sobre vaginite, que nada mais é do que um termo usado para qualquer infecção ou inflamação na vagina.

Existem vários tipos de vaginite, causas e sintomas. Desde a infecção por cândida, a vaginose, que é bacteriana, a vaginite por tricomoníase e até mesmo a vaginite não infecciosa.

A infecção pelo fungo cândida é provavelmente a forma mais conhecida de vaginite. Ela ocorre quando o fungo cândida cresce na vagina. As infecções por fungos produzem corrimento vaginal branco e espesso que geralmente não tem odor. Infecções por cândida geralmente fazem a vagina e vulva ficarem vermelhas e coçando.

A vaginose bacteriana é a mais comum infecção vaginal em mulheres na idade reprodutiva. Ela é causada por supercrescimento de bactérias que, geralmente, estão presentes na vagina. Vaginose bacteriana frequentemente causa corrimento vaginal leitoso e fino com odor. Muitas mulheres com vaginose bacteriana não apresentam sintomas e somente descobrem que a têm durante exame ginecológico de rotina

Já a vaginite por tricomoníase é uma doença sexualmente transmissível que é causada por um parasita unicelular. Tricomoníase pode causar coceira, queimação e sensibilidade na vagina e vulva, assim como sensação de queimação ao urinar. Muitas mulheres com tricomoníase não desenvolvem sintomas.

Quando o assunto é vaginite não-infecciosa a especialista explica que essa forma de vaginite é geralmente causada por reação alérgica ou irritação por sprays, gels, espermicidas ou outros produtos aplicados na vagina. A vaginite não-infecciosa pode causar queimação, coceira ou corrimento vaginal, mesmo que não exista infecção.

Tratamento para vaginite

A chave para o tratamento de vaginite é descobrir o seu tipo. O tratamento deve ser específico para o tipo de vaginite da paciente. É importante procurar um médico para que ele prescreva o tratamento adequado para o tipo de vaginite da paciente. Como alguns casos de vaginite não apresentam sintomas, é importante fazer exames ginecológicos regulares

Veja os tipos de tratamento para cada caso de vaginite:

Tratamento de vaginite por cândida

As infecções por fungos geralmente são tratadas com cremes ou óvulos antifungos colocados dentro da vagina. 

Tratamento para vaginite por vaginose bacteriana

As vaginoses bacterianas são tratadas com antibiótico oral ou tópico.

Tratamento de vaginite decorrente de doenças sexualmente transmissíveis

As formas de vaginite por doenças sexualmente transmissíveis precisam de tratamento médico imediato. É importante evitar contato sexual até que esteja tratada para prevenir a transmissão da infecção. O parceiro sexual da mulher também precisará de tratamento. Clamídia e tricomoníase são tratadas com antibióticos. Já infecções por herpes genital e HPV não podem ser curadas, mas podem ser controladas com ajuda de medicamentos.

Tratamento de vaginite não-infecciosa

A vaginite não-infecciosa pode ser tratada interrompendo o uso do produto que causou a reação alérgica ou irritação. O médico também pode receitar pomada para ajudar a reduzir os sintomas.

É preciso atenção e cuidado. A prevenção é sempre o melhor caminho e existem algumas coisas que as mulheres podem fazer para reduzir o risco de vaginite. Se tiver infecções frequentes por fungos como a cândida, a mulher pode evitar roupas que acumulam calor e umidade. É importante também evitar sprays e produtos que podem causar irritação vaginal e praticar o sexo seguro para ajudar a prevenir as formas de vaginite decorrentes de doenças sexualmente transmissíveis.

Fonte: Tribuna Hoje

Terapia hormonal nas disfunções do assoalho pélvico. Por quê? Quando?

Por Marair Gracio Ferreira Sartori

Vários sintomas urogenitais podem surgir ou se agravar na pós-menopausa. A terapia hormonal poderia atuar nos distúrbios de assoalho pélvico, como incontinência urinária de esforço, bexiga hiperativa, prolapso genital e infecções do trato urinário.

INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO (IUE)

Os principais fatores de continência são: mucosa da uretra, vascularização, musculatura e tecido conjuntivo periuretrais. Todos são fortemente influenciados pelos estrogênios.

Algumas pesquisas mostram piora da IUE com a terapia hormonal (TH). No entanto, é importante salientar que tais estudos foram desenhados para avaliar os efeitos da TH na prevenção de outras afecções, sendo os sintomas urinários estudados em subanálises, que nem sempre refletem a realidade. Há evidências que os estrogênios aumentem a pressão uretral, com melhora da IUE, porém, esses achados não foram confirmados8. A estrogenioterapia tópica atua favoravelmente na melhora da IUE.

Como existem evidências da ação estrogênica nos diversos fatores de manutenção da continência urinária, é natural supor que a estrogenioterapia seja uma opção terapêutica da IUE na pós-menopausa, podendo ser aplicada como coadjuvante dos tratamentos tradicionais.

BEXIGA HIPERATIVA (BH)

Os estrogênios poderiam aliviar os sintomas da BH por aumento do limiar sensorial da bexiga e de receptores alfa-adrenérgicos, relaxamento vesical ou por melhorarem o trofismo e colágeno ao redor da bexiga e uretra.

Há evidências que estrogênios diminuam urgência, frequência miccional, disúria e urgeincontinência, além de aumentar as capacidades vesicais. O estrogênio pode ser usado isoladamente ou associado com anticolinérgicos e a via vaginal tem efeitos benéficos mais pronunciados.

PROLAPSO GENITAL

Os estrogênios atuariam na espessura, umidade e elasticidade da parede vaginal, melhorariam força e elasticidade de ligamentos e músculos do assoalho pélvico.

A TH poderia melhorar os resultados das cirurgias, da fisioterapia, aliviar os sintomas irritativos decorrentes da atrofia genital e da exposição da parede vaginal e diminuir complicações relacionadas aos pessários.

Apesar dos possíveis efeitos benéficos, há poucos estudos randomizados e controlados para avaliar especificamente a ação estrogênica na prevenção ou tratamento do prolapso genital.

INFECÇÃO URINÁRIA (ITU)

Há aumento incidência de ITU em decorrência do hipoestrogenismo, e da diminuição da imunidade celular e humoral. Outros fatores contribuem para que ocorram mais infecções nessa fase, como micções pouco frequentes ou esvaziamento incompleto da bexiga.

Os estrogênios atuam na flora vaginal, aumentando o número de lactobacilos, consequentemente diminuindo o pH vaginal. Há menor colonização vaginal por enterobactérias e assim menos episódios de ITU.

A terapia estrogênica na pós menopausa leva à diminuição da incidência de infecção urinária bem como previne recidivas. A via de administração usualmente empregada é a vaginal, que apresenta melhores resultados.

CONCLUSÕES

O ginecologista deve avaliar cuidadosamente sua paciente na pós-menopausa, identificando os possíveis benefícios da terapia hormonal considerando os potenciais riscos. A prescrição da terapia hormonal deve sempre seguir os parâmetros de indicação e contraindicação, pelo tempo total em que os benefícios do uso superem os riscos. Assim, poderá indiscutivelmente melhorar a qualidade de vida da mulher na pós-menopausa, com toda a segurança que o conhecimento científico nos propicia.

REFERÊNCIAS

Sartori MG, Feldner PC, Jarmy-Di Bella ZI, et al. Sexual steroids in urogynecology. Climacteric. 2011 Feb;14(1):5-14.
Organization WH. The European health report 2012: Charting the way to well-being. 2013. http://www.euro.who.int/__data/assets/pdf_file/0004/197113/EHR2012-Eng.pdf.Nappi.
Endo RM, Girao MJBC, Sartori MGF, et al. Effects of estrogen–progestogen hormonal replacement therapy on periurethral and bladder vessels. Int Urogynecol J 2000;11:120–3
Jarmy-Di Bella Z, Girao MJ, Di Bella V, et al. Hormonal influence on periurethral vessels in postmenopausal incontinent women using Doppler velocimetry analysis. Maturitas 2007;56:297–302
Petros PE, Ulmsten UI. An integral theory of female urinary incontinence. Experimental and clinical considerations. Acta Obstet Gynecol Scand Suppl. 1990;153:7-31.
Grady D, Brown JS, Vittinghoff E, et al. Postmenopausal hormones and incontinence: the Heart and Estrogen/progestin Replacement Study. Obstet Gynaecol 2001; 97: 116–120.
Sartori MG, Baracat EC, Girão MJ, et al Menopausal genuine stress urinary incontinence treated with conjugated estrogens plus progestogens. Int J Gynaecol Obstet. 1995 May;49(2):165-9.
Cody JD, Jacobs ML, Richardson K, et al Oestrogen therapy for urinary incontinence in postmenopausal women (Review) cocrane
Matsubara S, Okada H, Shirakawa T, et al. Estrogen levels influence beta-3-adrenoceptor–mediated relaxation of the female rat detrusor muscle. Urology 2002;59:621–625.
Cardozo L, Lose G, McClish D, Versi E. A systematic review of the effects of estrogens for symptoms suggestive of overactive bladder. Acta Obstet Gynecol Scand. 2004 Oct;83(10):892-7.
Ismail SI, Bain C, Hagen S. Oestrogens for treatment or prevention of pelvic organ prolapse in postmenopausal women. Cochrane Database Syst Rev 2010 Sep 8;(9):CD007063.
Perrotta C, Aznar M, Mejia R, Albert X, Ng CW. Oestrogens for preventing recurrent urinary tract infection in postmenopausal women. Cochrane Database Syst Rev. 2008 Apr 16;(2):CD005131

Fonte: Febrasgo

Estado atual do tratamento do prolapso da parede vaginal anterior

Por Dra. Márcia Maria Dias e Dra. Maria Augusta Tezelli Bortolini

Prolapso de órgãos pélvicos (POP) é um sério problema de saúde que, ainda hoje, desafia os ginecologistas que atuam nesta área (1). O risco de uma mulher se submeter a uma cirurgia para POP ou incontinência urinária de esforço até a idade de 80 anos é de 11,1% (2). A parede vaginal anterior é a mais afetada, respondendo por mais de 80% dos procedimentos cirúrgicos para prolapso (2).

O POP ocorre por lesões ou deficiências dos tecidos de suspensão e/ou sustentação dos órgãos pélvicos: fáscia endopélvica, ligamentos e m. levantador do ânus. As principais causas de lesão destas estruturas são a paridade e o parto vaginal (3).

O tratamento

O tratamento do prolapso da parede vaginal anterior (PPVA) deve basear-se nos sintomas relatados pelas pacientes e nos achados do exame físico. Pode ser clínico ou cirúrgico e sua escolha depende da gravidade do prolapso e do estado geral da paciente.

Para o tratamento clínico, podemos considerar mudanças no estilo de vida tais como perda de peso e abandono do tabagismo, melhora dos hábitos intestinais, etc. Além destes, a fisioterapia auxilia no fortalecimento do assoalho pélvico, reduzindo a sintomatologia e prevenindo agravamento do POP. O uso de pessários vaginais é uma boa opção terapêutica para as mulheres não-candidatas ou que não desejam correção cirúrgica, repercutindo em melhora importante na qualidade de vida das pessoas acometidas. No entanto, carecemos de mais pesquisas abordando padronizações das práticas do tratamento com pessários para demonstrar seu papel na rotina de tratamento de prolapsos.

Quanto ao tratamento cirúrgico, pode ser realizado por via abdominal, para tratar os defeitos laterais, ou vaginal, pela qual se pode realizar as cirurgias obliterativas incluindo as colpocleises, ou as técnicas reconstrutivas utilizando-se de tecidos nativos, como a colporrafia anterior tradicional, ou a correção com uso de próteses (telas).

A abordagem das cirurgias reconstrutivas têm sido influenciada nas últimas décadas pelos crescentes conhecimentos da anatomia e funcionamento do aparato de sustentação e suspensão dos órgãos pélvicos (4).

A colporrafia anterior, descrita em 1913 por Howard Kelly, tendo como base a plicatura da fáscia pubocervical, tem sido associada a altas taxas de recidiva (5,6), aventado ser por utilizar tecidos frágeis e lesados. Esse racional impulsionou a utilização de telas, biológicas autólogas (fáscias) e heterólogas (tecido cadavérico, porcino e bovino) e sintéticas absorvíveis e não absorvíveis (2,7), para reconstrução do PPVA.

Entretanto, Dallenbach P., em revisão sobre cirurgia reconstrutiva de POP publicada em 2015, considera que estas altas taxas de recidivas atribuídas à colporrafia anterior, foram superestimadas (8). Sob outro ponto de vista, as taxas de reoperação para recidiva da parede anterior tratada pela colporrafia tradicional podem ser tão baixas quanto 3,5%, devido ao fato de que prolapso de grau leve ou moderado, em geral, é assintomático, não requerendo novo tratamento (9).

Recentes estudos mostram que telas sintéticas parecem ser superiores às telas biológicas e, ambas, melhores do que a colporrafia anterior tradicional, em relação aos resultados anatômicos. No entanto, associam-se com maior número de complicações, sem diferença em resultados subjetivos e melhora na qualidade de vida das pacientes que se submetem a estas técnicas.

O uso de telas via vaginal está associado a um risco não negligenciável de complicações inerentes ao material utilizado, tais como sangramento, exposição, erosão, infecção, granulomas, contração da tela, dispareunia, fístulas, dor crônica e outras, reduzindo a qualidade de vida e trazendo a necessidade de cirurgias adicionais. Em 2008, atualizado em 2011, o American Food and Drug Administration (FDA) faz um alerta sobre sérias complicações associadas ao uso de telas sintética (10), e em 2016, reclassifica esse material de risco II para risco III.

Em estudo nacional, Delroy et al., em 2013, publica os resultados de um estudo prospectivo, randomizado, controlado, comparando colporrafia anterior tradicional com correção com tela sintética do PPVA, em seguimento de 1 ano, em que obteve cura anatômica em 56,4% e 82,5% respectivamente (p=0.018), e uma taxa de exposição de tela de 5%. Entretanto, não houve diferença em relação à qualidade de vida, que melhorou nos dois grupos (11). Em extensão deste estudo, com resultados de seguimento de 2 anos, Dias et al, publicam uma taxa de cura anatômica de 51.52% versus 45.95% para colporrafia anterior e correção com tela, respectivamente (p=0.810) e com uma taxa de exposição de tela de 13.5%, numa demonstração de que os resultados da cirurgia com tela, também sofrem a influência do tempo e as complicações são crescentes (12).

As mais recentes metanálises publicadas na literatura não trazem modificações em relação às conclusões já descritas em estudos anteriores. Assim, Juliato et al. concluem que “cirurgia com tela para prolapso vaginal anterior apresenta melhor taxa de cura anatômica e menor recorrência, sem diferenças em relação à cura subjetiva, reoperação e qualidade de vida. Há maior tempo cirúrgico e perda sanguínea. O uso de telas deve ser individualizado” (13).

Por sua vez, uma revisão da Cochrane, reportou que o uso de telas sintéticas transvaginais para o tratamento do PPVA, resulta em taxas mais baixas de recidiva, mas está associado com maiores taxas de complicações, como erosão, lesão vesical e “de novo” IUE, quando comparado com a colporrafia anterior tradicional (14).

Finalmente, no mais recente estudo encontrado na literatura, publicado em 2017, Glazener et al., em ensaio multicêntrico, randomizado, controlado, compararam colporrafia anterior com tela sintética ou tela biológica, num seguimento de 2 anos, que envolveu 1348 mulheres. As conclusões deste estudo são que o reforço de um reparo vaginal com tela sintética ou biológica não melhoraram a efetividade do tratamento nem a qualidade de vida a curto prazo, porém, uma em cada dez pacientes teve alguma complicação (15).

Conclusão

Apesar de várias técnicas terem sido propostas ao longo da história da cirurgia vaginal, a taxa de sucesso a longo prazo ainda é questionável (16). A chave do problema do tratamento cirúrgico do POP está, de modo geral, em identificar estruturas, naturais ou artificiais, que forneçam a sustentação necessária para resultados adequados e persistentes.

Até o momento, não há evidência científica que apoie o uso de material sintético ou biológico no tratamento primário do PPVA. A maioria dos estudos existentes na literatura são ainda de seguimento curto. Como preconizado pela Associação Internacional de Uroginecologia (IUGA), a colporrafia anterior tradicional segue sendo o tratamento cirúrgico de primeira escolha, enquanto o uso de telas deve ser reservado para casos selecionados (recidivas, ausência de tecidos nativos apropriados), com os riscos de complicações inerentes a esta técnica sendo cuidadosamente informados para as pacientes (17).

Referências

Lensen EJ, Withagen MI, Kluivers KB, Milani AL, Vierhout ME. Surgical treatment of pelvic organ prolapse: a historical review with emphasis on the anterior compartment. Int Urogynecol J. 2013;24(10):1593–1602.

Maher CM, Feiner B, Baessler K, Glazener CMA. Surgical management of pelvic organ prolapse in women: the updated summary version Cochrane review. Int Urogynecol J 2011;22:1445–1457.

MacLennan AH, Taylor AW, Wilson DH, et al. The prevalence of pelvic floor disorders and their relationship to gender, age, parity and mode of delivery. 2000;107:1460-70.

DeLancey JOL, Kane Low L, Miller JM, Patel DA, Tumbarello JA. Graphic integration of causal factors of pelvic floor disorders:an integrated life span model. Am J Obstet Gynecol. 2008;199:610.e1-610.e5.

Weber AM, Walters MD, Piedmonte MR, et al. Anterior colporrhaphy: a randomized trial of three surgical techniques. Am J Obstet Gynecol. 2001;185:1299-306.

Olsen AL, Smith VJ, Bergstrom JO, Colling JC, Clark AL. Epidemiology of surgically managed pelvic organ prolapse and urinary incontinence. Obstet Gynecol. 1997;89(4):501-6.

Brubaker L, Maher C, Jacquetin B, Rajamaheswari N, von Theobald P, Norton P. Surgery for pelvic organ prolapse. Female Pelvic Med Reconstr Surg. 2010;16(1);9-19.
Dällenbach P. To mesh or not to mesh: a review of pelvic organ reconstructive surgery. Int J Womens Health. 2015 Apr 1;7:331-43.

Kapoor DS, Nemcova M, Pantazis K, Brockman P, Bombieri L, Freeman RM. Reoperation rate for traditional anterior vaginal repair: analysis of 207 cases with a median 4-year follow-up. Int Urogynecol J Pelvic Floor Dysfunct. 2010;21:27-31.

Food and Drug Administration. FDA safety communication: UPDATE on serious complications associated with transvaginal placement of surgical mesh for pelvic organ prolapse. Silver Spring (MD): FDA; 2011. Available at: http://www.fda.gov/MedicalDevices/Safety/AlertsandNotices/ucm262435.htm. Retrieved July 27, 2011.

Delroy CA, Castro RA, Dias MM et al. The use of transvaginal synthetic mesh for anterior vaginal wall prolapse repair: a randomized controlled trial. Int Urogynecol J. 2013 Nov;24(11):1899-907.

Dias MM, de A Castro R, Bortolini MA et al. Two-years results of native tissue versusvaginal mesh repair in the treatment ofanterior prolapse according to different success criteria: A randomized controlled trial. Neurourol Urodyn. 2016 Apr;35(4):509-14.

Juliato CR,Santos Júnior LC, Haddad JM, Castro RA, Lima M, Castro EB. Mesh Surgery for Anterior Vaginal Wall Prolapse: A Meta-analysis. Rev Bras Ginecol Obstet. 2016; 38(7): 356-64.

Maher C, Feiner B, Baessler K, Christmann-Schmid C, Haya N,Marjoribanks J. Transvaginal mesh or grafts compared with native tissue repair for vaginal prolapse. Cochrane Database Syst Rev 2016;2:

Glazener CM, Breeman S, Elders A et al. mesh, graft or standard repair for women having primary transvaginal anterior or posterior compartment prolapse surgery: two parallel-group, multicenter, randomized, controlled trials 9PROSPECT). Lancet, 2017;389(10067):381-392.

Clark AL, Gregory T, Smith VJ, Edwards R. Epidemiologic evaluation of reoperation for surgically treated pelvic organ prolapse and urinary incontinence. Am J Obstet Gynecol. 2003;189(5):1261–1267.

Davila GW, Baessler K, Cosson M, Cardozo L. Selection of patients in whom vaginal graft use may be appropriate. Consensus of the 2nd IUGA Grafts Roundtable: optimizing safety and appropriateness of graft use in transvaginal pelvic reconstructive surgery. Int Urogynecol J.2012;23 Suppl 1:S7-14.

Fonte: Febrasgo

Ginecologista: sem receio para a primeira visita

Para algumas mulheres, a primeira visita ao ginecologista é motivo de pânico. Geralmente, esta consulta ocorre após a primeira menstruação, quando o corpo assume comportamentos totalmente desconhecidos pela menina até então. Neste momento, buscar a orientação de um ginecologista sobre o ciclo menstrual e as mudanças que chegam com ele é a melhor opção. As mães, por mais que já tenham passado por isso, não têm a didática nem o mesmo conhecimento de um profissional especializado.

Por falta de informação ou por constrangimento, muitas adolescentes adiam ao máximo este encontro. Entretanto, o acompanhamento ginecológico é indispensável para a saúde de toda mulher. Entre os 11 e os 15 anos, é o momento ideal para a primeira visita ao médico ginecologista¹. Esse profissional acompanhará a mulher ao longo de sua vida, prevenindo e tratando doenças do aparelho reprodutor, bem como outros diagnósticos comuns às mulheres como o de osteoporose, por exemplo.

Para desmistificar este momento tão importante e necessário, respondemos algumas das perguntas mais frequentes para as mães ou responsáveis repassarem às filhas quando o assunto é a primeira consulta ao ginecologista.

“A primeira visita deve acontecer logo que a menina sentir a necessidade de conversar a respeito das alterações de seu corpo, ciclo menstrual ou relação sexual. É interessante que tenha um acompanhamento e aconselhamento desde cedo e de preferência antes de iniciar a atividade sexual. Caso apresente alguma mudança mais significativa no desenvolvimento ou no ciclo menstrual, deve procurar um ginecologista antes”, aconselha a ginecologista e obstetra especialista em infecções genitais e higiene genital feminina Helena Giraldo Souza, membro da SOGESP (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo).

As visitas devem acontecer a cada ano, mas “sempre que houver alteração, o ginecologista irá estabelecer um intervalo mais curto para retorno de acordo com cada caso”.

A mãe pode e deve acompanhar a ida ao ginecologista, se a filha se sentir a vontade com isso. “Não é obrigatório, somente se ambas julgarem necessário e estiverem de acordo. O essencial é que a menina tenha o contato e o vínculo com o ginecologista”, ressalta Helena.

É fato que a adolescência é um período de muitas mudanças e inseguranças em relação ao corpo da mulher. A especialista informa que a melhor forma de lidar com isso “é esclarecendo todas às dúvidas que possam surgir e estar disponível para uma comunicação agradável e bem aberta. É importante que a mulher se sinta segura com seu médico para abordar qualquer assunto”.

Antes mesmo da ida ao ginecologista, a mãe deve esclarecer a relevância do ginecologista na vida da mulher.

“Precisamos ter a certeza de que podemos falar abertamente com o médico para esclarecer todas as dúvidas. Não há necessidade de se sentir envergonhada ao ser examinada; a consulta e o exame ginecológico, além de comuns, não doem e não devem constranger, já que são fundamentais para a boa saúde”, esclarece.

Nessa fase é imperioso saber se o desenvolvimento das mamas, genitais e o crescimento dos pelos estão adequados para a idade e etnia.

“Isso se faz através do exame clínico. Deve também ocorrer uma avaliação de imagem para visualização dos órgãos pélvicos com ultrassonografia. Exames de sangue para avaliação da saúde global como hemograma, colesterol, triglicérides, hormônios tireoidianos, glicemia, função renal e função hepática. Havendo alguma alteração, aí exames específicos devem ser solicitados”, pontua Helena.

Um dos temas mais importante de toda a visita é o início da vida sexual, incluindo uso de preservativo para evitar as doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez indesejada.

“É importantíssimo abordar essa questão. A adolescente precisa saber o que esperar em relação ao sexo e todas as alterações que seu corpo passará. Deve estar ciente dos riscos em relação às DSTs e aparecimento de infecções genitais, possuir mecanismos para lidar e se prevenir. É imprescindível que o ginecologista transmita segurança a essa menina para ajudá-la a lidar com esses assuntos. Também tem de desmitificar os tabus e mostrar-se pronto para resolver quaisquer problemas quando surgirem”, finaliza.

A primeira consulta

O que o ginecologista pergunta?
A primeira consulta geralmente é uma conversa informal, na qual o ginecologista faz perguntas sobre doenças da infância, hábitos, ciclo menstrual, doenças na família e histórico de câncer de mama. Dependendo da idade, o médico trará orientações sobre sexo, gravidez e doenças sexualmente transmissíveis. Se você tem queixas ou dúvidas, mesmo que pareçam banais, exponha-as ao seu médico. Tudo ainda é muito novo, então não existe pergunta óbvia.

Terá que fazer algum exame?
Se a paciente é virgem, o médico examina apenas os seios, a região abdominal e a parte externa da região genital. Entretanto, se a menina estiver muito nervosa, o ginecologista prefere deixar o exame físico para mais adiante, quando a paciente se sentir confortável para isso. A importância do exame é a prevenção e o diagnóstico de doenças.

A mãe deve entrar junto ?
A vontade da filha deve será respeitada. Tem menina que prefere que a mãe esteja presente no início, porque ela ajuda a responder as perguntas como a última menstruação, ou sobre o histórico de doenças na família. Por outro lado, quando o assunto são as dúvidas sobre sexualidade, a presença da mãe pode ser constrangedora e prejudicará a consulta. O que pode ser feito é um combinado entre o médico e a mãe sobre o momento certo para deixar sua filha a sós.

Fonte: Bem Paraná

SOGESP – Opinião: O uso de Anticoncepcionais Hormonais e o Risco de Câncer de Mama

Mais uma vez, a associação entre o uso de anticoncepcionais hormonais e o câncer de mama é trazida à baila, colocando no centro das discussões e preocupações, os ginecologistas, os mastologistas, médicos em geral e milhões de mulheres usuárias ou não de anticoncepção hormonal, em todo o mundo civilizado.

No dia 02 de dezembro de 2017, foi publicado um estudo de Morck e colaboradores, no New England Journal of Medicine (NEJM), que avaliou 1,8 milhão de mulheres da Dinamarca, usuárias de anticoncepcionais hormonais. Foram excluídas desse estudo, as mulheres com antecedentes de câncer de mama, tromboembolismo ou que foram submetidas a tratamento de infertilidade. As mulheres foram acompanhadas por um tempo médio de cerca de 11 anos e foram diagnosticados 11.517 casos de câncer de mama entre 1,8 milhão de mulheres.

No estudo, houve um aumento de risco de cerca de 20% nas usuárias de anticoncepcionais hormonais, quando se comparou com as mulheres que não os usaram. Quando as mulheres usaram os anticoncepcionais hormonais por mais de 10 anos, o risco aumentou para 38%. Esses resultados mostrados em porcentagem de risco podem assustar um pouco, pois pode-se pensar (principalmente entre leigos e em noticias mal interpretadas por desavisados) que uma mulher teria 38% de probabilidade de ter câncer de mama se tomasse pílula por mais de 10 anos, o que não é verdade!

Quando se traduz com mais detalhamento, esse aumento fica mais claro. O QUE SE ANALISOU NÃO FOI A PORCENTAGEM DE MULHERES QUE DESENVOLVERAM CÂNCER DE MAMA, mas sim, O AUMENTO DO RISCO RELATIVO DE DESENVOLVER CÂNCER DE MAMA, comparado com a não usuária de anticoncepcionais hormonais. Então, se a chance (RISCO) de ter câncer de mama até os 50 anos é de 2% em geral, para quem usou anticoncepção hormonal por 1 ano, o risco foi de 2,2% e para aquelas que usaram por mais de 10 anos, o risco foi de 2,38%. Traduzindo, para melhor entendimento, houve 1 caso a mais de câncer do que o esperado, para cada 7690 usuárias de anticoncepcionais hormonais.

É bom lembrar como se posicionou sobre o assunto, a Sociedade Brasileira de Mastologia, na palavra de seu Presidente Antonio Luiz Frasson: “É importante enfatizar que esse aumento de risco é relativo, baseado no risco individual sem uso e de acordo com a idade, sendo esse incremento, em termos absolutos, bastante pequeno”. No presente estudo, o aumento de risco absoluto foi de 13 casos por 100.000 mulheres, sendo de apenas 2 casos em 100.00 mulheres com menos de 35 anos.

O estudo publicado no NEJM não avaliou nesta publicação, a mortalidade geral de câncer, sabidamente diminuída entre as usuárias de anticoncepção hormonal, como o câncer de ovário, o câncer de endométrio e o câncer colo-retal, benefícios inequívocos do seu uso. Além disso, há que se pensar que não foram considerados nesse estudo, fatores confundidores para risco de câncer de mama, como obesidade, determinação genética e depressão, entre outros.

Finalizando e respeitando o estudo, a importância de uma publicação do NEJM e a competência e seriedade de seus autores, entendemos que sendo o câncer de mama multifatorial, devamos aguardar com prudência novas publicações sobre a associação entre anticoncepcionais hormonais e câncer de mama.

Os benefícios do uso de anticoncepcionais são sabidamente reconhecidos, entre eles, a diminuição das gestações não planejadas e suas consequências. Portanto, consideramos que o ginecologista deva individualizar cada caso, realizar orientação antecipatória de efeitos adversos, conversar sobre riscos e benefícios e continuar a seguir as orientações dos Critérios de Elegibilidade da OMS. Recomendamos prudência e bom senso na interpretação de tão importante estudo e dentro de nossa visão crítica, julgamos que não existe até o presente momento, motivos para a suspensão do uso de anticoncepcionais hormonais, considerando obviamente a individualização dos casos, como compete à boa prática ginecológica.

A SOGESP sempre preocupada com as mulheres brasileiras e em subsidiar os seus associados para que tenham as melhores práticas assistenciais, fez extensa revisão sobre o tema e publicou em suas RECOMENDAÇÕES no ano de 2015.

Dr. Jarbas Magalhães
Io Vice Presidente da SOGESP

Geraldo Rodrigues de Lima
Diretor Científico da SOGESP

7 fatos importantes sobre transmissão e prevenção de DSTs

Os conselhos para prevenção de DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) são velhos conhecidos de todas nós. Desde cedo somos orientadas a sempre fazer sexo com camisinha, aprendemos que os testes frequentes para a detecção de infecções são aliados para o tratamento das doenças em um estágio inicial e que a conversa aberta sobre sexo seguro com as pessoas com quem transamos é essencial.

É tudo muito útil e necessário, mas parece que não tem sido 100% eficaz: os casos de sífilis aumentam no Brasil diante de nossos olhos, a super bactéria da gonorreia assusta médicos do mundo todo e metade dos brasileiros tem HPV (e a maioria nem desconfia disso).

Conversamos com a médica infectologista Joana D’Arc Gonçalves, da Aliança Instituto de Oncologia, e com a ginecologista Ana Katherine da Silveira Gonçalves, membro da comissão de Doenças Infecto-Contagiosas da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), para esclarecer alguns pontos sobre a transmissão e a prevenção de DSTs que podem fazer toda a diferença no seu dia a dia. Vamos aos fatos.

As DSTs nem sempre manifestam sintomas

Por isso, estão começando a ser chamadas pelos especialistas de ISTs: infecções sexualmente transmissíveis. “Doenças pressupõem sintomas, enquanto as infecções não precisam obrigatoriamente apresentá-los. Muitas dessas condições são assintomáticas, caso da gonorreia e do HPV”, explica Joana.

A ausência de sinais de alerta dificulta muito o diagnóstico nos estágios iniciais (ou o diagnóstico como um todo) e pode manter a disseminação das infecções indefinidamente.

O recomendado é que sejam feitos exames pelo menos uma vez ao ano para verificar se há algo a ser tratado. “Dependendo do grau de exposição, se foi feito sexo sem proteção, por exemplo, esse prazo pode ser menor”, orienta Joana.

A camisinha é ótima para prevenir DSTs, mas não é eficaz em 100% dos casos

Tanto na versão masculina quanto na feminina, a camisinha é o método mais prático, eficaz e difundido para a prevenção de DSTs. “Ela reduz substancialmente o risco individual de qualquer tipo de infecção. Os preservativos são altamente eficazes na proteção contra a infecção do HIV, desde que sejam usados corretamente em todo tipo de relação sexual”, afirma Ana Katherine.

A ginecologista conta que “os testes de laboratório mostram que nenhuma IST, incluindo a infecção por HIV, pode atravessar uma camisinha de látex intacta”.

O problema está nas áreas do corpo que as camisinhas não cobrem, ou seja, púbis, virilha, pernas, língua, dedos. “Uma ferida de sífilis que esteja na púbis pode infectar uma parceira ou um parceiro no contato com a pele sensibilizada”, exemplifica Joana, que também esclarece que verrugas de HPV podem aparecer em qualquer lugar do corpo, como os dedos. Daí já viu, né: na hora daquela preliminar delícia pode acabar havendo uma infecção.

Lubrificantes podem ajudar a evitar a infecção por DSTs

Joana destaca que a lubrificação adequada pode evitar DSTs. Isso porque o sexo sem lubrificação suficiente pode gerar feridas por fricção, que funcionam como uma porta de entrada para as infecções. “A pele é uma barreira, desde que não esteja machucada”, diz.

Mas deve-se tomar cuidado na hora de comprar o lubrificante: o ideal é que ele seja à base d’água. Ana Katherine explica por quê: “O uso de lubrificantes que contenham óleos, gorduras ou graxas pode enfraquecer o látex da camisinha e fazer com que ela se rompa.”

Há cerca de 30 DSTs circulando por aí

As DSTs podem ser, segundo a infectologista, virais (HIV e herpes), bacterianas (clamídia, gonorreia e sífilis), por fungos (candidíase – mas nem todos os tipos de candidíase são transmitidos sexualmente, é bom saber) ou por protozoários (gardnerella, tricomoníase). E são cerca de 30 as que existem atualmente.

Como foi colocado anteriormente, muitas vezes elas não têm sintomas de dor ou feridas, mas sempre haverá alguma espécie de corrimento vaginal ou uretral relacionado a elas. Quando algo diferente e com odor desagradável se manifesta no corpo, é interessante procurar auxílio médico.

Existem exames para detectar todas as DSTs existentes

São muito raras as ocasiões em que uma pessoa vai realizar testes para verificar se tem todas as DSTs existentes, mas eles existem e estão à disposição de quem tiver condições de pagar por eles. São os painéis moleculares para DSTs.

Há médicos super abrangentes que solicitam os exames quando a paciente decide começar a tentar engravidar, há indivíduos que tiveram muitas experiências sexuais desprotegidas e ficam inseguros. Há, ainda, pessoas que sofreram um estupro e querem tirar a prova completa, mesmo tendo passado pela profilaxia de emergência nas 72 horas seguintes à agressão. Mas estes casos são exceções.

“O recomendado pelo Ministério da Saúde é pedirmos os exames de acordo com os sintomas”, conta Joana. “O corrimento vaginal ou uretral normalmente é sinal de gonorreia ou clamídia, as úlceras genitais de sífilis e herpes são fáceis de identificar clinicamente. Com base nesses indícios pedimos exames para investigar o que é exatamente.”

A boa saúde bucal está intimamente ligada à prevenção de DSTs

Um estudo do Centro de Saúde da Universidade da Geórgia (EUA) mostra que sangramentos nas gengivas – sintomas de gengivite e de periodontite – são portas de entrada significativas para herpes, sífilis, clamídia, gonorreia, HPV e hepatite durante o sexo oral desprotegido.

Por isso, os médicos envolvidos no estudo recomendam duas atitudes. De um lado, que sempre seja usada a camisinha masculina ou feminina durante o sexo oral; do outro, que a pessoa não escove os dentes nem use fio dental imediatamente antes do sexo oral, para minimizar os riscos de sangramento. Se você quiser refrescar o hálito para sua performance, use um enxaguante bucal.

Além disso, a orientação é que um dentista seja consultado quando você notar qualquer sangramento nas gengivas, para manter a boa saúde bucal.

A ducha vaginal pode facilitar as infecções por DST

Ana Katherine explica que “a lavagem ou ducha vaginal com substâncias irritativas pode causar escoriações que podem favorecer a penetração de agentes infecciosos e até do HIV”.

“Existe uma única condição em que está formalmente indicado o uso da ducha vaginal, que é a vaginose citolítica. Nela, a vagina se torna muito ácida e é utilizada a ducha vaginal com bicarbonato de sódio para diminuto essa acidez”, ensina a ginecologista.

Por isso, nada de fazer lavagens vaginais à toa. A vagina só precisa ser lavada por fora, na área em que tem pelos. Internamente, ela é “autolimpante”.

Fonte: M de Mulher

Controlar a data da menstruação é possível e até benéfico, afirmam médicos

Sessenta anos depois da aprovação da primeira pílula anticoncepcional do mundo, o método segue imitando um ciclo menstrual de 28 dias. A mulher toma o medicamento por 21 dias e faz uma pausa de sete, quando normalmente tem sangramento.

Mas não precisa ser assim. “É um problema meramente religioso”, explica José Bento, ginecologista e obstetra dos hospitais Albert Einstein e São Luiz. Depois de décadas de rejeição a métodos de contracepção oral desenvolvidos por pesquisadores como Margaret Sanger e, posteriormente, pelo cientista Gregory Pincus, a indústria percebeu que imitar o ciclo menstrual da mulher seria uma forma mais fácil de convencer a sociedade – e a Igreja – a aceitar o medicamento.

Além de não ter motivo científico, a pausa de sete dias na cartela não deixa muitas mulheres felizes. Enquanto 85% das brasileiras menstruam mensalmente, 55% delas dizem que não gostam de ter que passar por isso. Os dados são da pesquisa Saúde Feminina, do Datafolha, realizada pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), em parceria com a Bayer. Foram entrevistadas 2.004 mulheres na faixa dos 18 aos 35 anos em oito capitais brasileiras.

Se você é mulher, provavelmente sabe por experiência própria que a maioria se incomoda muito “naquela semana” do mês. Mesmo assim, 45% das entrevistadas afirmaram que gostam de menstruar. A maioria justifica essa preferência por considerar a menstruação algo natural (25%), que mostra que estão saudáveis (39%) e que não estão grávidas (24%).

Portanto, a pausa para o sangramento ainda é considerada importante por quase metade das mulheres, apesar de desnecessária por motivos médicos. “As mulheres não querem menstruar, mas foram ensinadas que é uma coisa boa”, pondera Bento.

César Fernandes, presidente da Febrasgo, explica que o sangramento das mulheres que tomam pílula na verdade nem menstruação é. O útero não se prepara para a chegada da gravidez e a proliferação do endométrio não ocorre da mesma forma. Há uma descamação que é chamada de sangramento de privação.

Os especialistas garantem que, com orientação médica, a paciente não terá problemas ao emendar as cartelas de anticoncepcional. “Eu acho que esse processo de liberdade da mulher não tem volta, e não menstruar é um grande avanço para a mulher”, opina Regina Navarro Lins, psicanalista e escritora.

A atriz Fernanda Souza concorda. Ela revelou durante a coletiva de imprensa da campanha Sou Eu no Controle, da Bayer, que sofreu muito com cólicas – problema que afeta 62% das mulheres – e conseguiu controlar a dor quando começou a tomar pílula anticoncepcional. “Eu acho importante a gente escolher o momento de não sentir dor. Quando você tem dor, não consegue trabalhar direito, não consegue dar o seu melhor como ser humano. Eu digo isso porque já fui algumas vezes para o hospital tomar remédio na veia, já faltei a gravação, já perdi aulas aos 15, 16 anos.”

Já a cantora Karol Conká disse no evento que planeja passar para um método de ciclo estendido em breve. “Sou muito desregulada e não sei que dia menstruo. Fui fazer um show e tinha um look super cavado. Só que fiquei menstruada dois dias antes do esperado e tive que amarrar uma blusa na cintura, fiz o show com um look nada a ver”, disse.

Sem pílula. Bento pondera que algumas pacientes resistem à ideia principalmente por causa do recente movimento de rejeição à pílula anticoncepcional. Elas apontam que preferem se ver livres dos efeitos colaterais, como diminuição da libido e aumento no risco de trombose. “Como médico, você tem que respeitar. Eu explico para elas quais são os riscos, sem a pílula, do aumento de estrogênio toda vez que ela ovula. Isso pode a longo prazo trazer problemas para engravidar, como aparecimento de miomas, endometriose, cistos no ovário, pólipos”, diz. Ele ainda explica que, no passado, essas doenças eram menos comuns porque as mulheres engravidavam com mais frequência.

O médico ainda ressalta que cada paciente precisa conversar com seu ginecologista sobre as possibilidades de contracepção. “Uma mulher que está acima dos 35 anos, é obesa, sedentária e fumante não deve tomar pílula. E pílula anticoncepcional tem que ser orientada por médico.”

Novidade. No mesmo evento, a Bayer anunciou o lançamento de uma pílula anticoncepcional de ciclo estendido, a YazFlex. O produto é vinculado a um aplicativo no celular que ajuda a mulher a lembrar de tomar a pílula e planejar uma pausa de quatro dias a cada 120 (ou mais pausas, se preferir). Essa recomendação serve para garantir que, se houver algum sangramento por descamação de endométrio, a mulher terá planejado a data.

Fonte: Estadão

Infectologista fala sobre sífilis na Rádio USP

As infecções por sífilis têm tido um recrudescimento preocupante no Brasil. Segundo o infectologista Marcelo Magri, do Departamento de Moléstias Infecciosas do Hospital da Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, tanto pessoas que têm uma maior exposição, por exemplo, profissionais do sexo, até pessoas que só têm um parceiro vêm sendo surpreendidas com a bactéria.

O médico enfatiza a importância de se utilizar preservativo durante o sexo oral e avalia que o uso de drogas e álcool tende a levar a uma perda do senso crítico, o que pode ser um fator de risco em uma relação sexual. Magri indica, sobretudo, a realização de exames médicos periódicos. A repórter Sylvia Miguel, inclusive, passou pelos procedimentos para confirmar sua praticidade.

Fonte: Jornal.usp.br

Uso de camisinha entre os jovens cai e DSTs preocupam

Os números alertam: o uso da camisinha entre os jovens no Brasil voltou a cair. Nos últimos anos, o crescimento das doenças sexualmente transmissíveis alcançou níveis preocupantes e revela que a juventude vai na contramão da utilização do preservativo.

Dados recentes do Ministério da Saúde apontam que 40 mil novos casos de doenças sexualmente transmissíveis (DST), como HIV, sífilis e hepatite, são diagnosticados por ano no País. Em fevereiro deste ano, o Ministério da Saúde divulgou que casos de HIV e Aids entre jovens de 15 a 24 anos aumentou 85% nos últimos 10 anos. Em 2016, seis em cada 10 jovens mantiveram relações sexuais sem proteção.

Uma outra pesquisa, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), revela números ainda mais alarmantes. Dos dois mil homens ouvidos entre os 15 e 25 anos, em 10 capitais brasileiras (Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo), apenas 31% usam preservativos.

Durante o Bate-Papo Lado A Lado B que debateu sexo e relacionamentos, a youtuber Jout Jout falou sobre como a timidez pode atrapalhar no momento de exigir o uso de preservativos. “Tem gente que simplesmente não consegue exigir que o parceiro use camisinha por causa da vergonha.”

No ano passado, por ocasião do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, o Ministério da Saúde divulgou o Boletim Epidemiológico de HIV e Aids. Números mostram que, em 2016, eram 827 mil pessoas com HIV/AIDS.

Fonte: Estadão