Ginecologista esclarece dúvidas sobre HPV

O programa “A Casa é Sua” do dia 05/02 recebeu no quadro “Ter Saúde” o ginecologista e obstetra, Edmar Cassemiro, falando sobre o HPV, um vírus que infecta a pele e as mucosas, podendo causar verrugas ou lesões percursoras de câncer, como o câncer de colo de útero, garganta ou ânus. O nome HPV é uma sigla inglesa para “Papiloma vírus humano” e cada tipo de HPV pode causar lesões em diferentes partes do corpo.

Edmar explica as causas, os sintomas, o tratamento e faz uma alerta aos pais sobre a vacinação em crianças e adolescentes.

Saiba mais:

Pesquisa: Expectativa da Mulher Brasileira sobre sua vida sexual e reprodutiva

Pesquisa Datafolha, encomendada pela FEBRASGO, registra que praticamente todas as brasileiras acham importante o ginecologista-obstetra dar acolhimento, realizar exames clínicos, dar atenção, aconselhar, passar confiança e fornecer informações clara e suficientes. Aproximadamente nove de cada dez declaram-se satisfeitas com estes atributos no atendimento recebido pelo atual ou último especialista. Conheça os resultados na íntegra:

PesquisaZFEBRASGO

Primeira consulta ao ginecologista: como funciona? O que perguntar?

Seja por medo, vergonha ou até falta de conhecimento, algumas mulheres nunca se consultaram com um ginecologista. Por isso, conversamos com profissionais da área e tiramos todas as dúvidas sobre a primeira consulta

Você já foi ao ginecologista? Se você é uma mulher adulta, o ideal seria responder “sim”. A consulta ao profissional é importante para prevenir algum tipo de doença, conhecer o próprio corpo – como o ciclo menstrual
– e tirar dúvidas sobre sexo e sexualidade.

No entanto, seja por medo ou falta de conhecimento, a verdade é que muitas mulheres nunca se consultaram com um profissional da área. De acordo com a ginecologista
e obstetra Ana Carolina Lúcio Pereira, isso acontece porque algumas mulheres acreditam que o exame feito durante a consulta pode ser desconfortável e doloroso. Além disso, elas têm medo de serem ridicularizadas por suas queixas, vergonha do corpo e até desconhecimento das vantagens de se conhecer.

O ideal é que a primeira consulta seja feita ainda na adolescência, quando acontece a primeira menstruação, ou antes de iniciar a vida sexual. Porém, se esse não é o seu caso e você se identifica com alguns dos exemplos citados por Ana Carolina, não se preocupe. Você não é a única. Apesar de já ser uma mulher adulta, sempre é tempo de buscar um profissional e se consultar.

Mas, como é a consulta? O que o médico vai fazer? O que perguntar? Para quebrar os mitos sobre a primeira consulta e te ajudar a encarar esse momento com mais naturalidade, o Delas conversou com alguns profissionais da área.

Como já foi falado anteriormente, o ideal é que a primeira consulta seja feita ainda na adolescência. Porém, se esse não foi o seu caso e você ainda não passou por um profissional da área, é hora de agendar uma consulta. Ao contrário do que muita gente imagina, uma visita ao ginecologista não deve ser feita somente quando a mulher tem uma vida sexual ativa ou diante da suspeita de uma doença ou gravidez.

De acordo com Marcos Tcherniakovisky, ginecologista especialista em endometriose, o ideal é que a consulta seja feita como uma forma de prevenção. “Se trabalharmos mais a ideia de prevenção, maiores são as chances de uma vida saudável”, comenta. Dessa forma, o diagnóstico de uma possível doença também é feito mais rapidamente para se seguir com o tratamento adequado.

A consulta também é o momento onde a mulher conhece mais sobre o próprio corpo e recebe orientações sobre o início da vida sexual. De acordo com a sexóloga e fisioterapeuta pélvica Débora Pádua, é a hora da mulher aprender sobre o uso de anticoncepcional, não necessariamente a pílula, de camisinha tanto feminina quanto masculina e sobre ISTs.

Muitas mulheres adiam esse momento por vergonha de conversar abertamente sobre o próprio corpo e a vida sexual com o médico. Afinal, é uma pessoa desconhecida diante de você fazendo perguntas sobre a sua vida, não é? Porém, não é preciso se preocupar. Marcos explica que o profissional da saúde trabalha respeitando o sigilo médico, ou seja, o que é falado no consultório diz respeito apenas à mulher. “É sigiloso, ninguém vai saber o que foi conversado ali”, fala.

Nesse sentido, você pode confiar inteiramente naquele profissional para conversar e tirar todas as dúvidas sobre o seu corpo e tudo o que está relacionado a ele. Ana Carolina fala sobre a importância de existir um vínculo entre profissional e paciente para se estabelecer uma relação de confiança e haver uma possibilidade terapêutica. “Se isso não for estabelecido, você deverá procurar outro profissional mais aberto”, aconselha.

Geralmente essa conversa é conduzida pelo médico que fará perguntas básicas sobre a saúde e sexualidade da mulher. Ele perguntará seus hábitos, orientação sexual, se você tem uma vida sexual ativa e outras questões para entender melhor como o seu corpo funciona e qual o seu histórico. “Quanto mais informações nós tivermos, mais nós poderemos ajudar”, explica Marcos.

Além das perguntas feitas pelo profissional, você também pode levantar as suas dúvidas e colocar questionamentos sem se preocupar com julgamentos. Segundo Ana Carolina, a mulher pode tirar todas as dúvidas sobre a saúde, principalmente da genital. “Qualquer assunto, por mais ingênuo que pareça, poderá ser abordado com o médico”, comenta. Ela ainda acrescenta que isso ajuda a estabelecer o vínculo com profissional e facilita o reconhecimento de riscos e possíveis patologias.

Débora sugere contar a história da sua vida, questionar sobre exames e perguntar qual o método anticoncepcional mais adequado para você. A sexóloga ainda reforça a importância de tirar todas as dúvidas e conversar abertamente com o profissional. “É importante que a mulher procure ajuda, porque se ela não tirar as dúvidas sobre como funciona o corpo e as relações sexuais, vai passar muito mais tempo com essas dúvidas e às vezes vai deixar de sentir prazer por isso”, fala.

Não tenha medo dos exames

Os exames são outro momento importante da consulta médica, mas que causa estranhamento para muitas mulheres. Alguns serão feitos na própria consulta e outros serão pedidos para um laboratório. Marcos explica que, geralmente, examinam-se as mamas da mulher e a região da vulva. A forma como o exame será conduzido depende se a mulher tem uma atividade sexual ativa ou não.

De acordo com o especialista, se a mulher tiver uma atividade sexual ativa, será feito o famoso exame “Papanicolau”, onde o médico introduz um espéculo, um aparelho chamado “bico de pato”, no canal vaginal. Além disso, em toda consulta há o exame de toque vaginal, no qual o profissional examina para identificar se o útero está móvel, se os ovários são palpáveis e se existe alguma alteração no corpo da mulher.

A princípio tudo isso pode parecer um pouco desconfortável, porém, o profissional fará o possível para que você se sinta bem durante o exame. “Se nós percebemos que existe uma vergonha muito grande ou que essa mulher não quer ser examinada em uma primeira consulta, explicamos que serão pedidos os exames de rotina primeiro e no retorno ela vai ser examinada”, explica Marcos. Segundo ele, isso ajuda a quebrar alguns preconceitos de que ela será imediatamente examinada.

Além de ser examinada no consultório, provavelmente serão pedidos exames básicos na primeira consulta. De acordo com o especialista, costuma-se pedir um ultrassom da mama para verificar se há algum cisto ou nódulo na mama. Se ela tiver uma vida sexual ativa, também se pede um ultrassom pela vagina.

Se não for o caso, o médico vai pedir um ultrassom abdominal, pélvico, que é feito por cima. Os exames são importantes para se ter a noção de como está o útero. Também é comum pedir exames para identificar avaliar as células sanguíneas e o colesterol. “Lembrando que o ginecologista acaba sendo o clínico da mulher, por isso, é importante ele saber como está o equilíbrio dela”, conclui Marcos.

Fonte: Delas

Atenção para os riscos de infecções durante o verão

Sol, praia, piscina e muito calor, combinação perfeita para quem quer curtir a estação mais desejada do ano. No entanto, esse período esconde inimigos invisíveis que podem se alojar e aumentar a proliferação de fungos e bactérias, nas regiões íntimas das mulheres.

Um dos fatores que contribuem para o surgimento do problema, é o uso prolongado de roupas molhadas como o biquíni. Segundo o ginecologista e obstetra, Dr. Domingos Mantelli, essa prática é muito comum entre as mulheres, além de ser um forte aliado no surgimento das infecções.

“No verão as mulheres estão mais suscetíveis a infecções tanto externas (na vulva) quanto internas (na vagina). Isso ocorre porque a umidade na região íntima provocada pela alta temperatura e pelo uso prolongado de biquíni molhado, torna o local próprio para a sobrevivência e disseminação de bactérias outros germes.)” afirma o ginecologista.

O especialista alerta que, o uso de roupas apertadas, em especial a calça jeans, produtos perfumados, também são fortes agravantes para o surgimento das infecções.

Entre os problemas mais comuns, está a candidíase vulvovaginal, doença que, segundo a Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp), afeta 75% da população feminina nesta época do ano. Provocada por fungos oportunistas que já vivem no corpo, seus principais sintomas são coceira, ardência, vermelhidão e secreção vaginal. O tratamento inclui o uso de antifúngicos orais e locais, além de cremes externos para aliviar a coceira.

Já a vaginose bacteriana é outra doença relacionada a muita umidade e calor na área genital. Causada principalmente pela gardnerella vaginalis, ela se manifesta por um odor desagradável e, às vezes, por corrimento amarelado. Para combater essa doença é necessário o uso antibióticos tópicos e orais.

“É importante alertar que em ambos os casos, candidíase vulvovaginal e vaginose bacteriana, a mulher pode transmitir a doença para o parceiro. Caso isso venha acontecer, é preciso tratar o casal para não ficar retransmitindo a doença um para o outro”, alerta o médico.

PROTEÇÃO VAGINAL

A vagina conta com mecanismos que a mantém ácida para defender naturalmente contra a presença de bactérias e fungos. Anticorpos e células de defesa também controlam os invasores indesejáveis e previnem as infecções. Porém, esse sistema falhará se a mulher não se atentar aos cuidados com a higiene, utilizar roupas apertadas e de tecido sintético e usar produtos perfumados (sabonetes e absorventes) dos quais podem provocar alergia. A baixa imunidade, as alterações hormonais e o uso de antibióticos também favorecem para o surgimento das doenças.

CUIDE-SE:

– Ao sair da água, troque o biquíni ou maiô imediatamente por roupas secas;

– Evite tirar todos os pelos do órgão genital e não se depile no mesmo dia que vai à praia ou mergulhar na piscina. Isso pode causar minúsculas lesões na pele, que fica desprotegida e exposta à contaminação;

– Fuja das roupas sintéticas nos dias mais quentes. Esse tecido impede a ventilação na vagina. Prefira as calcinhas de algodão;

– As calcinhas devem ser lavadas sempre com sabão de coco ou sabonete neutro. Evite amaciante e água sanitária nas peças;

– Não durma com absorvente íntimo. Ele deve ser trocado com regularidade. Dormir sem calcinha pode ser uma boa solução para arejar a região genital;

– Opte por sabonetes à base de glicerina, já que os sabonetes íntimos combatem tanto os microorganismos nocivos quanto os necessários à vagina. Se usar sabonete, a quantidade deve ser pequena;

– Consulte o ginecologista regularmente para realizar exames ginecológicos de rotina

 

Anticoncepção e sexualidade: dúvidas frequentes

O sexo é um ponto importante da qualidade de vida, afetando os aspectos físico e psicológico. Diferentes fatores como saúde, problemas emocionais, estresse e hormônios afetam a função sexual. Por outro lado, a contracepção mudou a sexualidade feminina. A possibilidade de sexo sem gravidez é tida como certa pela maioria das mulheres e facilita a disponibilidade sexual. Consequências potenciais para a resposta sexual feminina estão ligadas aos vários métodos contraceptivos em uso atualmente. Um aspecto muito pouco estudado dos contraceptivos é a sua aceitação sexual, ou como os métodos influenciam as experiências sexuais do usuário, podendo influenciar as preferências e práticas do planejamento familiar. Existem algumas perguntas que nos são feitas com frequência:

  • A Pílula leva à Disfunção Sexual?

A sexualidade feminina é complexa, refletindo a interação de muitos fatores, incluindo determinantes físicos, emocionais, psicossociais e culturais. Um potencial mecanismo de diminuição do desejo após o uso de Contraceptivos Orais Combinados (COC) tem sido sugerido como sendo o aumento induzido pela produção de Globulina Transportadora de Hormônios Sexuais (SHBG). Níveis elevados desta proteína aumentarão a ligação da testosterona circulante e, assim, reduzirá a testosterona livre e biologicamente ativa. Além disso, os COCs inibem a produção de andrógenos nos ovários e níveis reduzidos de testosterona biodisponível podem prejudicar a função sexual.

Em um ensaio clínico randomizado controlado por placebo de um COC contendo Etinilestradiol (EE) e Levonorgestrel sobre a função sexual em mulheres, não foi encontrada redução significativa na função sexual global nas usuárias do contraceptivo em relação ao placebo, mas houve prejuízo nos domínios de desejo sexual e excitação, enquanto o orgasmo, a preocupação, a capacidade de resposta e a auto-imagem não foram significativamente afetados. Além disso, a frequência média de satisfação de episódios sexuais e sofrimento pessoal não foi significativamente diferente entre os grupos. Assim, os resultados indicam que o uso de COC pode diminuir alguns aspectos da função sexual.

Por outro lado, a segurança da contracepção e os benefícios não contraceptivos podem fazer com que as mulheres optem por métodos hormonais, apesar de possível alteração nesses aspectos da função sexual. Em um trabalho feito com mais de 3 mil jovens suecas, através de questionários, Independentemente do tipo de método, 27% das usuárias de contraceptivos hormonais relataram uma diminuição no desejo sexual que atribuíram ao uso do método, enquanto apenas 12% das mulheres que usaram contraceptivos livres de hormônios relataram uma diminuição no desejo sexual (p <0,01). No entanto, 88% delas estavam satisfeitas com o método e a maioria das usuárias de contraceptivos hormonais (85%) relatou pelo menos um efeito positivo do método: estes incluíram ansiedade reduzida em ter uma gravidez indesejada (44%), sangramento mais regular e reduzido (46-54%) e dismenorreia reduzida ( 43%).

  • Qual é a melhor pílula em relação à alteração no desejo sexual?

Com relação aos COC, as composições com progestágenos mais androgênicos poderiam contrabalançar em parte a diminuição da produção de testosterona e a diminuição da testosterona livre circulante, ocasionadas pelo EE dos contraceptivos. Além disso, os novos compostos com estradiol natural (valerato e 17β), além de interferirem menos na produção hepática de SHBG, portanto não diminuindo tanto a testosterona livre, têm um efeito melhor sobre a mucosa vaginal do que o EE, visto que o ressecamento vaginal é queixa frequente de pacientes usuárias de COC com EE. Por outro lado, os CO só com progestágeno (POP), podem ser uma opção, pois, por não alterarem a SHBG, não diminuem a testosterona livre circulante. Um trabalho usando esse tipo de contraceptivo em mulheres de Edimburgo (Escócia) e Manilla (Filipinas), não mostrou alteração na função sexual.

  • Quando a paciente refere redução no desejo sexual com o uso da pílula, qual método poderia ser oferecido?

Em primeiro lugar é importante excluir outras causas para a diminuição do desejo sexual, tais como: relacionamento conflituoso, outros medicamentos como antidepressivos, doenças sistêmicas, violência sexual prévia. O DIU de Cobre, dos métodos com maior eficácia, seria o que menor influência tem sobre a função sexual, pois é um método não hormonal. Apesar disso, o aumento de fluxo e uma possível dismenorreia poderiam influenciar negativamente na função sexual. O SIU-LNG, com um progestágeno androgênico, com mais ação local do que sistêmico, poderia ser uma opção interessante nessas situações. Um trabalho comparou o DIU de cobre e o SIU com LNG com relação à função sexual e não encontrou diferença estatística entre ambas as usuárias. Apesar disso, 25% das usuárias, tanto de DIU de cobre quanto do SIU de LNG referiram diminuição do desejo após início do uso.

Sem dúvida, a maneira como os métodos anticoncepcionais afetam o bem-estar das mulheres é importante para sua adesão ao método, o que influencia a continuação e, ao longo do tempo, a exposição à gravidez indesejada. Além disso, esses efeitos são importantes independentemente de os métodos serem “verdadeira” ou unicamente responsáveis por quaisquer alterações sexuais. Mesmo que os fatores estresse, fadiga e / ou relação sejam mais propensos às causas das disfunções sexuais, a percepção das mulheres sobre o que causou essas mudanças acabará moldando a aceitabilidade e os comportamentos contraceptivos.

Contracepção de emergência

A gravidez não planejada no mundo é uma questão social e de saúde pública, gerando entre milhões de mulheres gestações indesejadas ou abortos inseguros, principalmente entre adolescentes e mulheres jovens com baixa condição socio-econômica e com pouca ou nenhuma educação formal. A quantidade de recém-nascidos entre adolescentes de 15 a 19 anos de idade atinge 15 milhões ao ano, sendo mais frequente em países de baixa e média renda.

A contracepção de emergência, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia (ACOG), é definida como um método que pode fornecer às mulheres uma maneira não arriscada de prevenir uma gravidez não planejada até 120 horas da relação sexual. São métodos seguros e bem tolerados, podendo ser considerado um marcador de comportamento sexual de risco, pois indica exposição ao sexo desprotegido ou falha do método contraceptivo. Mesmo assim, ainda permanece subutilizada, pois existem lacunas significativas sobre o conhecimento da utilização pelas usuárias, assim como barreiras ao seu acesso.

Ocupa uma posição única entre os métodos contraceptivos, realizada através de medicamentos hormonais ou dispositivos intrauterinos (DIU), podendo ser utilizados ​​após relações sexuais desprotegidas, falha contraceptiva (rompimento de preservativo, pílula esquecida) ou quando uma mulher tem intercurso sexual contra a vontade dela (coerção, agressão, exploração). Dentre os anticoncepcionais hormonais temos as píluas combinadas com etinilestradiol e levonorgestrel (método Yuzpe), o levonorgestrel, o acetato de ulipristal e menos comum, a mifepristona. Os métodos Yuzpe e levonorgestrel devem ser preferencialmente utilizadas até 72 horas após as relações sexuais e o acetato de ulipristal e o DIU de cobre até 120 horas. O método de Yuzpe utiliza pílula combinada na dose de 100 μg de etinilestradiol associado a 0,5 mg de levonorgestrel repetidos após 12 horas. O comprimido de levonorgestrel, que inicialmente foi utilizado em um regime de duas doses (dois comprimidos de 0,75 mg tomado com intervalo de 12 horas) e atualmente, em um regime de dose única (comprimido de 1,5 mg tomado uma única vez). O DIU deve ser inserido até 120 horas após a relação sexual, não devendo ocorrer mais do que cinco dias da ovulação se puder ser estimado esse dia, podendo fornecer proteção por 10 anos da sua inserção como contraceptivo de longa ação (LARC). A taxa de gravidez acumulada de 1 ano em mulheres que escolheram o DIU foi de 6,5% contra 12,2% das que escolheram o levonorgestrel. O uso do levonorgestrel previne cerca de dois terços das gestações, se iniciada no prazo de 24 horas do ato sexual.

A frequência no uso dos métodos hormonais tem aumentado nos últimos anos. Desde 1995, o uso constante da contracepção de emergência aumentou entre mulheres de 15 a 44 anos de idade nos Estados Unidos da América (EUA), de 0,8% em 1995 para 20% de 2011 a 2015 (figura1).

Os mecanismos de ação dos métodos para a contracepção de emergência não são completamente compreendidos. De modo geral, os métodos hormonais agem impedindo ou atrasando a ovulação. Outros mecanismos propostos incluem alterar níveis hormonais, interferir no desenvolvimento folicular, interferir na maturação do corpo lúteo e inibir a fertilização. Embora exista um potencial para a concepção na maioria dos dias do ciclo menstrual já que a ovulação é imprevisível, esse risco é mais alto quando a relação sexual desprotegida ocorre na janela fértil que se estende 5 dias antes da ovulação até o dia da ovulação. Para as mulheres que não utilizam qualquer método contraceptivo, é importante a história menstrual, pois deve-se estabelecer o momento da relação sexual desprotegida no período da ovulação.

Os métodos anticoncepcionais de emergência não apresentam contra-indicações absolutas para as formas mais comuns de contracepção. O uso de pílulas anticoncepcionais de emergência não é recomendado em mulheres grávidas, embora não existam evidências de danos conhecidos para a mulher, o curso de sua gravidez ou o feto. Recomenda-se realizar um teste de gravidez antes do seu uso se a gravidez não puder ser excluída com base na história e/ou exame físico. Devido o risco de aborto induzido da mifepristona, seu uso não é amplamente utilizado.

Os eventos adversos são relativamente leves, e podem incluir náuseas, vômitos, cefaléia e tontura. O método Yuzpe apresenta maior incidência de náuseas e vômitos do que o levonorgestrel. Quanto ao retorno das menstruações, o acetato de ulipristal parece ser mais propenso a provocar um retorno menstrual antes da data prevista do que nas usuárias de levonorgestrel, que por sua vez, são mais propensas do que as usuárias do método Yuzpe. O DIU pode estar associado a maior incidência de dor abdominal do que os outros métodos de contracepção de emergência.

Os métodos de contracepção de emergência não protegem contra as doenças sexualmente transmissíveis (DST), incluindo o HIV. Se existe um risco de DST/HIV, recomenda-se o uso correto e consistente de preservativos, para a proteção mais eficaz dessas doenças.

Algumas barreiras importantes são apontadas para a baixa utilização da contracepção de emergência, tais como práticas prescritivas, conhecimento na utilização, valor na aquisição do produto e acesso.

A desinformação sobre a contracepção de emergência é alta. Na Nigéria, somente 27,8% dos estudantes tinham um bom conhecimento sobre o método, a maioria das entrevistadas nunca a utilizou (87,2%). As que já usaram, o fizeram incorretamente (85,7%), mais de 72 horas após a relação sexual. Entre estudantes de medicina no noroeste da Índia, observou-se que somente 61,6% delas estavam cientes sobre o tempo de uso da contracepção de emergência, e a fonte de informação mais comum para essas estudantes foi através da mídia audiovisual (76,6%). Em Berlim, embora 8,7% das adolescentes nunca tenha ouvido falar da contracepção de emergência, 38,6% conheciam sua eficácia, mas apenas 12,7% conheciam o prazo para sua utilização.

Uma pesquisa objetivou conhecer a perspectiva dos balconistas de farmácias de ambos os sexos sobre a contracepção de emergência na Região Metropolitana do Rio de Janeirol. Os entrevistados apresentaram concepções negativas sobre o método, enfatizando os riscos que podem provocar à saúde, sendo considerado uma “bomba hormonal” que pode levar à esterilização de mulheres jovens, ao câncer e outras doenças graves, por isso atribuem que a orientação e o aconselhamento sobre o uso do método deve ser de responsabilidade dos médicos ginecologistas e não dos farmacêuticos. Eles destacam ainda, os riscos do uso “descontrolado” ou “indiscriminado”, especialmente por adolescentes e mulheres jovens. Tal como apontado em outras investigações, demonstram desconhecimento técnico em relação à contracepção de emergência, revelando a baixa propagação de informações confiáveis sobre o método. Os resultados desta investigação recomendam a ampliação do debate sobre direitos sexuais e reprodutivos de homens e mulheres que precisam ter garantidos o acesso e a orientação para o uso da contracepção de emergência, em situações emergenciais, incluindo-se os farmacêuticos e balconistas de farmácias, além de profissionais de saúde e gestores públicos.

Todas as mulheres têm direito a informações, educação e aconselhamento baseados em evidências sobre os anticoncepcionais para garantir uma escolha informada. Essas escolhas são feitas em um determinado momento, contexto social e cultural, que muitas vezes são complexas e multifatoriais, onde a tomada de decisões geralmente requer a necessidade de conhecer as vantagens e desvantagens dos diferentes métodos, variando de acordo com as circunstâncias, percepções e interpretações individuais. A contracepção de emergência é um método seguro e eficaz para a prevenção de gestação não planejada, sendo sempre necessária a orientação sobre a utilização em condições excepcionais de sexo desprotegido ou na falha de um método, no entanto, não pode substituir uma contracepção rotineira e segura.

Está certo fazer ultrassonografia das mamas de rotina em mulheres com menos de 40 anos ao invés da mamografia?

Vou te pedir uma ultrassonografia das mamas para fazer prevenção porque você ainda não tem 40 anos para fazer mamografia.

Reconhece a frase acima? É um bom emprego da tecnologia?

Vamos examinar mais a fundo.

O que significa um exame de prevenção? Significa rastrear, fazer um exame em uma pessoa assintomática na tentativa de diagnosticar precocemente uma determinada doença presumindo que essa precocidade do diagnóstico torne o tratamento mais eficaz.

Também está implícito na frase que a paciente precisa de um exame, e como ela não está na idade de fazer mamografia, ela fará uma ultrassonografia.

Talvez o leitor concorde comigo que nas entrelinhas estão ainda duas informações subliminares: “mal não faz” e “não custa nada”.

Reflitamos.

O rastreamento de uma doença só está indicado se ficar comprovado o seu benefício. E não há nenhum dado na literatura que mostre benefícios em rastrear com ultrassonografia mamária uma população de mulheres de menos de 40 anos de risco normal (as pacientes com verdadeiro alto risco são um caso totalmente distinto). Portanto “prevenção do câncer” (seria melhor dizer rastreamento ou detecção precoce) em uma mulher de 30 anos assintomática e de risco normal com ultrassonografia mamária não pode ser uma indicação aceita.

A presunção de que deve ser pedido um exame de mama obrigatoriamente para que o atendimento ginecológico de uma paciente assintomática seja bem feito. O exame só deve ser pedido se houver um benefício. Sabemos da pressão que as pacientes fazem para que solicitemos exames. Quantas vezes não ouvimos a frase “mudei de médico porque ele não me pediu nenhum exame”. Mas não devemos ceder a essa pressão sem ao menos tentar explicar para a paciente a ausência do benefício. Há outras formas de demonstrarmos que nos preocupamos com a saúde das mamas da paciente: conversar sobre auto palpação, sobre o que ela deve fazer se tiver um nódulo palpável ou uma descarga papilar, realizar um exame físico cuidadoso e atento. Não podemos esquecer que a solicitação de um exame mal indicado cria nas pacientes coletivamente uma sensação de que esse exame deva ser pedido sempre, gerando uma falsa demanda para o exame. Desfazer um costume é mais difícil que impedir a sua criação.

Por último, examinemos as afirmativas “mal não faz” e “não custa nada”. Não há exame ou intervenção médica que não tenha potencialmente uma iatrogenia associada. Assim como a prescrição de um medicamento de baixo risco pode resultar, mesmo que raramente, em uma reação alérgica grave e a colheita de um simples hemograma pode levar a complicações como a flebite, a ultrassonografia mamária também tem riscos. O maior deles é o falso positivo. Biópsias desnecessárias, exames adicionais, angústias, e até tratamentos e cirurgias diagnósticas dispensáveis. O que intuitivamente é percebido como um “direito da paciente” (fazer o exame) pode na verdade se tornar uma iatrogenia (prejudicar a paciente). E o custo não é só médico-humano. Há, sim, um custo financeiro. Os sistemas de saúde já estão sob uma grande pressão pelo crescimento da chamada inflação médica. Há muitas causas para esse aumento dos custos, a maior delas sendo a incorporação de novas técnicas e tratamentos, mas seria de boa norma não adicionarmos a realização de exames mal indicados em larga escala. E de uma forma perversa o aumento de gastos com exames desnecessários em uma prestadora de serviços médicos irá levar à diminuição dos honorários pagos aos outros médicos, pois o montante a ser dividido nunca tem a elasticidade necessária.

Uma última reflexão. O aumento exponencial na demanda por ultrassonografia mamária exige a disponibilização de um grande contingente de ultrassonografistas. Não havendo condições que provê-los, esses exames passarão a ser feitos por profissionais menos bem preparados, diminuindo a chance de uma paciente que realmente precisa ser atendida por um ultrassonografista bem formado. A ultrassonografia mamária, em função da discreta diferença entre o tecido normal e o patológico, é um exame que tem uma curva de aprendizado particularmente longa.

Uma ressalva, estamos falando de moças assintomáticas. A paciente portadora de nódulo palpável deve receber uma abordagem totalmente diferente.

Sei que essas reflexões irão de encontro a costumes difícil de combater, pressões sociais, rotinas regionais. Mas, ainda que não seja possível reverter de imediato uma situação estabelecida, é mister conhecer esses argumentos para embasar uma mudança no dia em que ela se tornar possível.

Autor: Hélio Sebastião Amâncio de Camargo Júnior

Fonte: Febrasgo

DIU Mirena ou de cobre, vantagens e desvantagens

Seguro e bastante eficiente no controle de fecundidade feminina, o método conhecido como DIU, sigla para dispositivo intrauterino, ainda é muito pouco utilizado em solo nacional. Estima-se que menos de 2% das brasileiras usem métodos reversíveis de longa duração, como o DIU, contra 70% das europeias.

Apesar da sua eficácia superior à tradicional pílula, o método ainda não ganhou força e segue envolto em mitos. Para esclarecê-los, reunimos algumas dúvidas comuns sobre essa forma de contracepção. Confira:

O que é o DIU?

É um dispositivo – também aparece com o nome de sistema intrauterino, ou SIU – em formato de “T”, ou “Y” ou de ômega (como se fosse uma ferradura), colocado dentro do útero da mulher, que torna o ambiente uterino nada favorável aos espermatozoides. Há dois tipos de deles: de cobre, sem nenhum tipo de hormônio, e o hormonal, conhecido pelo nome comercial Mirena.

O não hormonal libera cobre no interior da cavidade uterina, como explica o diretor de Ginecologia do Hospital Pérola Byington, André Malavasi, diretor da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo.

— Por uma ação iônica, ele diminui a motilidade dos espermatozoides, que não conseguem subir por que o ambiente fica hostil. E caso haja fecundação, o zigoto, que é o embrião primitivo, não consegue se grudar na parede do útero.

A versão hormonal contém 52mg de levonorgestrel (hormônio semelhante ao que a mulher produz quando ovula) e libera 20 mcg da substância por dia.

— A quantidade de hormônio é muito baixa, mas suficiente para ter efeito local. Para termos de comparação, a pílula do dia seguinte tem o mesmo hormônio, só que em uma dose de 1,5 mg — completa Malavasi.

De onde surgiu?

Conforme Malavasi, a ideia do sistema vem de um conceito árabe bastante antigo que tinha como base a inserção de pedrinhas no útero de camelos fêmeas para evitar a gravidez. Ou seja: um corpo estranho dentro da cavidade uterina seria capaz de alterar a fecundidade.

Qual a eficácia?

Ambos têm uma taxa de falha muito baixa. O DIU de cobre tem falha de 0,6% a 0,8% ao ano, enquanto o Mirena tem de 0,2%, anualmente.

— A pílula comum, quando falamos de uso perfeito, tem falha de 0,3%. Mas no uso habitual, chega a 3%, pois sabemos que a mulher pode ter vômitos, diarreia etc. — diz o médico de São Paulo.

Conheço mulheres que usavam DIU e engravidaram. Pode?

O que pode acontecer é de o dispositivo estar mal posicionado, por isso não agiria de forma efetiva.

— Em qualquer série mundial, mesmo o DIU mais simples, de cobre, é 10 vezes mais efetivo do que a pílula. O que acontece é que o DIU pode ser mal colocado, ficar no canal e não no colo, e a paciente não fazer a revisão. Na maioria dos casos é por que não revisou e ele foi mal colocado ou ele venceu — destaca o professor de ginecologia da UFRGS Valentino Magno.

Outra possibilidade é de mulher já estar grávida na hora do implante, o que pode gerar essa falsa conclusão. Também por isso é recomendado colocar o dispositivo durante a menstruação.

Quanto tempo dura?

Os de cobre podem durar três, cinco e 10 anos. Já o Mirena dura cinco anos.

Dói para colocar ou retirar?

Os procedimentos são, via de regra, indolores e podem ser feitos no consultório.

— Mas isso depende do limiar de dor da mulher — destaca Malavasi
— Pode-se usar anestesia local (para inserção), com xilocaína gel ou sedação leve para aquelas que têm aflição no exame ginecológico, mas isso é exceção — completa.

Por se tratar de um corpo estranho ao organismo, pode haver dor nas primeiras horas e até alguns dias após a inserção. Contudo, Magno afirma que isso é uma reação natural – o útero pode ficar em contração na tentativa de expulsar esse novo corpo. Isso pode ser resolvido com a prescrição de um anti-inflamatório. Os médicos também recomendam a colocação durante a menstruação por dois motivos: o colo do útero está mais aberto, facilitando o procedimento, e a convicção de que a mulher não está grávida.

Já a retirada do dispositivo também é considerada indolor e é feita durante uma consulta médica. Magno afirma que a retirada não exige nenhum preparo e o procedimento (em termos de desconforto) equivale ao exame preventivo de colo de útero.

Ele pode sair sozinho?

Pode acontecer, mas a taxa de expulsão varia de 2% a 4%, diz Malavasi. Essa expulsão ocorre, geralmente, dentro dos primeiros 30 dias. Passado o período, é raro haver expulsão.

— Costumamos reavaliar a paciente entre 20 e 30 dias após a colocação para verificar se o dispositivo está bem posicionado — fala Magno, acrescentando que, depois disso, a revisão deve ocorrer anualmente.

Nas revisões, tanto logo após a colocação, quanto anual, a paciente passa por um exame físico. Não há nenhuma norma que exija realização de exames de imagem nesses casos.

— A recomendação da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) é a revisão com o médico. Mas a maioria dos médicos pede ecografia nas revisões para dar mais segurança à paciente, mas não é necessário —garante Magno.

Como fica a menstruação?

Como o DIU de cobre leva a uma inflamação, geralmente, aumenta o fluxo menstrual e a duração dele – problema mais relatado entre queixas sobre o uso do DIU. As cólicas também podem ser mais frequentes. Com o hormonal, pode haver sangramento no primeiro mês, caindo pela metade no segundo e podendo chegar ao fim da menstruação todos os meses.

Eles engordam?

Malavasi é taxativo ao afirmar que nenhum dos dois tem efeito na balança.

Quando a vida sexual pode ser retomada após a inserção?

Não há problemas em ter relações sexuais após a inserção. No entanto, pede-se, pelo menos, 48 horas de intervalo após a colocação.

— Não tem regra, vale o bom senso. Mas como aumenta bastante a cólica, pedimos esse tempo — diz o professor da UFRGS.

Só vale um alerta: como o dispositivo pode estar mal posicionado, Magno recomenda que o casal utilize outro método contraceptivo adicional até a primeira revisão dos 20/ 30 dias.

Como fica a fertilidade após retirar o DIU?

A fertilidade é retomada assim que o dispositivo é retirado. Na prática, a mulher pode engravidar no mês seguinte. Para termos de comparação, ao tomar pílula, esse prazo pode chegar a seis meses após cessar a ingestão.

Quem tem indicação?

Mulheres jovens com ou sem filhos são boas candidatas para colocação de DIU.

— Mulher em qualquer idade e paridade (número de partos) que desejar um método contraceptivo. Mas vale o bom senso: se a pessoa quer engravidar no próximo ano, não vale a pena. Agora, se a mulher pretende gestar dentro de dois anos, já vale — explica Magno.

Além disso, mulheres que sofrem muito com cólica, sangramento excessivo – que leva à perda de ferro – ou outros problemas, como endometriose, podem ter indicação do Mirena para fins de tratamento.

Quem não pode colocar?

As contraindicações são poucas, mas existem. As primeiras são as mais básicas: não estar grávida e nem com infecção no momento do procedimento. Também não é recomendado para mulheres com mioma dentro do útero. Outras situações devem ser discutidas e avaliadas com o médico ginecologista.

Embora não haja proibição, o método não seria indicado para quem planeja engravidar dentro de um período de um ano.

DIU é abortivo?

A ideia dos dispositivos é evitar a fecundação. No entanto, pode haver um escape e uma fecundação, porém, o zigoto (união da célula masculina com a feminina) não vai para frente, pois não consegue se fixar na parede do útero.

— Na própria natureza isso é difícil, não há essa adesão, é quase um mecanismo fisiológico. Agora, se formos considerar que a gravidez começa antes da implantação do embrião, aí o DIU é abortivo — comenta Malavasi.

Há risco de câncer ou outros problemas?

Magno garante que não há nenhuma comprovação que o hormônio usado no Mirena cause qualquer tipo de tumor ou problema vascular. Também não tem risco de trombose.

Fonte: Zero Hora

Higiene íntima na medida certa

A falta ou o excesso de higiene íntima podem ser prejudiciais à saúde da vagina, desequilibrando o grau de acidez (PH) que controla a ação de bactérias, e consequentemente, resultando em inúmeras doenças.

Ginecologistas e especialistas em sexualidade afirmam que a maior dificuldade em cuidar corretamente da vagina, está na barreira e no velho tabu da mulher em conhecer e tocar o próprio corpo, analisando cada detalhe da região íntima. Essa falta de intimidade pode refletir na maneira equivocada de cuidar da genital feminina.

Toda mulher deveria reconhecer os odores e as características de sua região íntima, de forma a identificar o que é um odor comum e esperado, às características que possam indicar sinais de alguma doença.

A parte externa da vagina, que compreende a vulva, é uma região que acumula suor, gordura, umidade, células mortos e urina, muito propensas ao mal cheiro e complicações como fungos e bactérias, que causam coceiras e corrimentos.

Se por um lado, os descuidos com a higiene íntima podem causar doenças, o excesso de limpeza também pode ser perigoso, colocando em risco a proteção natural da vagina, expondo-a ao ataque de germes, responsáveis pelas infecções que podem levar à infertilidade.

A limpeza ideal dever ser feita com um sabonete hipoalergênico nas áreas que compreendem o monte púbico, a pele da vulva, raiz das coxas, região perianal (entre a vulva e o ânus) e ao interior dos grandes e dos pequenos lábios. Com uma pequena quantidade de sabonete nas pontas dos dedos, suaves movimentos circulares devem contemplar todas as dobras, seguida de enxague abundante com água corrente para a retirada dos resíduos. Uma toalha seca e limpa, finaliza a higienização.

Fonte: Sogesp

Métodos anticoncepcionais: saiba mais

Em 2020, os métodos anticoncepcionais hormonais completarão 60 anos. Com o passar do tempo e os avanços da Ciência, cada vez mais opções são colocadas à disposição das mulheres. Tão grande já é a diversidade que surgem muitas dúvidas na hora de escolher a mais adequada.
Assim, nada melhor que um especialista no tema para ajudar você a acertar na escolha. Aqui, você confere as orientações do Dr. Nilson Roberto de Melo.

1. Sempre pergunte a seu médico todos os pontos positivos e negativos de cada método, antes de escolher um.

2. Um passo importante é decidir se deseja um método de longo prazo. Se sim, há opções, como o implante, com duração de três anos, o DIU de levonorgestrel, proteção por cinco anos, e o DIU de cobre, para dez anos.

3. Reflita bem: se for do tipo esquecida, algumas opções recomendáveis são o anel vaginal, com chances de gravidez inferiores a 1%, injeções a cada mês ou a cada três meses, além de outros métodos de longa duração, tais como implante e DIU.

4. Se costuma sentir fortes cólicas pré-menstruais, não é recomendado o DIU de cobre. O melhor é o uso de pílulas anticoncepcionais ou o DIU de levonorgestrel, bem como outros métodos hormonais.

5. Quer menstruar menos vezes no ano? Então, suas opções são o implante, as pílulas contínuas ou o DIU de levonorgestrel.

6. É bom lembrar que, assim como qualquer medicamento, métodos anticoncepcionais hormonais podem causar efeitos colaterais, mas geralmente são muito bem tolerados.

7. Em alguns casos, o implante e o DIU de levonorgestrel podem causar sangramentos mais frequentes nos primeiros seis meses, que tendem a melhorar com o tempo, daí a relevância do acompanhamento de todo o processo por um especialista.

8. Um fato significativo é que a pílula pode ser tomada com margem de segurança, entre duas horas antes e duas horas depois do horário estipulado.

9. Atenção: contraceptivos previnem uma gravidez indesejada. Para proteção das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), use métodos de barreira. É aconselhável sempre usar preservativos.

10. Não existe método perfeito contra a gravidez, faça sua parte exatamente como solicitada por seu médico e reduzirá as chances de surpresas.

Fonte: Sogesp

Posição da FEBRASGO sobre o Tratamento de “Modulação Hormonal” para o Antienvelhecimento

A FEBRASGO, através da sua Comissão Nacional Especializada (CNE) de Climatério, vem à presença dos seus associados e da comunidade em geral para informar acerca de sua posição referente ao julgamento da segunda turma do tribunal regional federal da 5ª região sobre o tratamento de “modulação hormonal” para o antienvelhecimento.

Constam nesta publicação, para melhor compreensão, a posição do Conselho Federal de Medicina, o julgamento da segunda turma do tribunal regional federal da 5ª região e, finalmente, a posição da Febrasgo.

I. Posição do Conselho Federal de Medicina CFM:

Segundo o publicado na página do CFM,“verifica-se que, segundo o Conselho Federal de Medicina a falta de evidências científicas de benefícios e os riscos e malefícios que trazem à saúde não permitem o uso de terapias hormonais, com o objetivo de retardar, modular ou prevenir o processo de envelhecimento”. Ainda no site, o magistrado explica que o CFM entendeu que a chamada “terapia antienvelhecimento” oferece risco à saúde da população, motivo pelo qual editou o ato normativo impugnado.

A Resolução:

No site do CFM está detalhada a Resolução 1999/2012. Seguem alguns pontos de destaque (para ver na íntegra, clique aqui).

Médicos que prescreverem métodos para deter o envelhecimento podem ser punidos com até com a perda do registro profissional.

Médicos brasileiros que prescreverem terapias com objetivo específico de conter o envelhecimento, práticas conhecidas como “anti-aging”, estarão sujeitos às penalidades precisas em processos éticos.

Ficam vedados o uso e divulgação dos seguintes procedimentos e respectivas indicações da chamada medicina antienvelhecimento:

I. Utilização do ácido etilenodiaminatetraacetico (EDTA), procaína, vitaminas e antioxidantes referidos como terapia antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para o tratamento de doenças crônico- degenerativas;

II. Quaisquer terapias antienvelhecimento, anticâncer, anti-arteriosclerose ou voltadas para doenças crônico-degenerativas, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados;

III. Utilização de hormônios, em qualquer formulação, inclusive o hormônio de crescimento, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra vidências de benefícios cientificamente comprovados;

De acordo com a Resolução CFM 1999/2012, a reposição de deficiências de hormônios e de outros elementos essenciais se fará somente em caso de deficiência específica comprovada e que tenham benefícios cientificamente comprovados:

IV. Tratamentos baseados na reposição, suplementação ou modulação hormonal com os objetivos de prevenir, retardar, modular e/ou reverter o processo de envelhecimento, prevenir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento saudável;

V. A prescrição de hormônios conhecidos como “bioidênticos” para o tratamento antienvelhecimento, com vistas a prevenir, retardar e/ou modular processo de envelhecimento, prevenir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento saudável;

VI. Os testes de saliva para dehidroepiandrosterona (DHEA), estrogênio, melatonina, progesterona, testosterona ou cortisol utilizados com a finalidade de triagem, diagnóstico ou acompanhamento da menopausa ou a doenças relacionadas ao envelhecimento, por não apresentar evidências científicas para a utilização na prática clínica diária.

II. Publicação da segunda turma do tribunal regional federal da 5ª região:

A Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região – TRF5 negou, por unanimidade, a apelação contra a Resolução Nº1999/2012) , do Conselho Federal de Medicina (CFM). Essa resolução do CFM (Nº1999/2012), combate a prática da reposição hormonal “anti-aging” sem comprovação científica e com objetivo de retardar, modular ou prevenir o processo de envelhecimento. Ela fora questionada judicialmente por uma Associação, que impetrou ação civil coletiva (no Juízo da 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará – SJCE), com o intuito de que o CFM fosse determinado a se abster de aplicar a Resolução aos médicos filiados à associação. Desta maneira permanece reconhecido o direito que tem o CFM de regular e impedir a prática, que vinha sendo intitulada por alguns de “modulação hormonal”.

III. Posição da Febrasgo:

A FEBRASGO, através da CNE de Climatério informa que estas práticas denominadas de “anti-aging” ou “modulação hormonal”, carecem de evidências científicas. Esclarece ainda que estas práticas proscritas de antienvelhecimento, não devem ser confundidas com a terapia hormonal do Climatério (TH), que continua sendo, respeitadas assuas contraindicações, o tratamento de escolha para os sintomas da menopausa com suas eficácia e segurança conhecidas e aceitas pela comunidade científica e sociedades de especialidade em todo mundo. ( , , )

Referências Bibliográficas:

[1] Resolução 1999/2012 CFM- acessível – http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&id=23324 . acessado em 24/10/2018.

[1] The 2017 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2017;24(7):728-53.

[1] ACOG Practice Bulletin No. 141: management of menopausal symptoms. Obstet Gynecol. 2014;123(1):202-16.

[1] Baber RJ, Panay N, Fenton A, Writing IMS. 2016 IMS Recommendations on women ’ s midlife health and menopause hormone therapy. Climacteric. 2016 Apr;19(2):109-50.

Fonte: Febrasgo

O remédio que previne HIV e o que significa ele ter falhado em 3 casos

Em maio de 2017 o SUS (Sistema Único de Saúde) anunciou que disponibilizará para 7.000 pessoas um medicamento que serve como prevenção e diminui significativamente a chance de contaminação por HIV. Patenteada pelo laboratório americano Gilead, a terapia se chama PrEP (profilaxia pré-exposição) e é vendida comercialmente com o nome de Truvada. Ela reúne duas drogas: tenofovir e a emtricitabina. Quem adere precisa tomar uma pílula por dia, todos os dias.

No momento, o público está passando por uma triagem, e a distribuição deve se iniciar no início de dezembro de 2017. A prioridade é para profissionais do sexo e homens que fazem sexo com homens, um grupo que tem uma proporção particularmente alta de pessoas infectadas.

Um estudo envolvendo 12 cidades encomendado pelo Ministério da Saúde e apresentado em setembro no 11º Congresso de HIV/Aids aponta que 18,4% dessa população está infectada no Brasil em 2017, contra uma taxa de 12,1% em 2009. A taxa da população em geral é de 0,4%.

Segundo especialistas consultados pelo Nexo, a camisinha continua sendo a forma de prevenção ideal, e não deve perder esse posto para a PrEP. Eles afirmam que a nova terapia pode, no entanto, atingir e proteger um público que, na prática, não tem aderido aos preservativos, como uma parcela dos homens jovens que fazem sexo com homens, entre os quais o HIV tem se propagado em um ritmo especialmente rápido.

Isso não significa que a PrEP é infalível. É possível ser infectado quando não se toma a pílula com consistência e um artigo publicado em setembro de 2017 na revista The Lancet, dedicada à área médica, lista três casos de infecção mesmo com a adesão correta ao tratamento.

O trabalho foi escrito por pesquisadores do Consórcio para Eliminação da Transmissão de HIV em Amsterdã, que acompanha regularmente diversas pessoas que usam a PrEP.

Quando a PrEP não barrou o HIV

Em dois dos três casos descritos na revista médica, a variante do HIV em questão era um vírus multirresistente a drogas, ou seja, resistente até mesmo à barreira oferecida pela PrEP.

O terceiro caso era inédito e foi descrito pela primeira vez no próprio trabalho publicado em setembro. Ele é diferente dos outros dois porque não foram encontrados vírus especialmente resistentes a drogas.

A pessoa infectada é um homem de 50 anos que faz sexo com homens e que tivera relações sem camisinha com entre 12 e 75 parceiros por mês nos oito meses em que usou PrEP. Frequentemente, era o parceiro receptivo nas relações sexuais. Ele havia sido diagnosticado em diversas ocasiões com doenças sexualmente transmissíveis, como clamídia, gonorreia e linfogranuloma venéreo.

A pesquisa não é conclusiva sobre o que levou à transmissão do HIV, mas levanta a hipótese de que as outras doenças sexualmente transmissíveis e o número especialmente alto de atos sexuais podem ter lesionado a mucosa anal, tornando-a mais vulnerável às infecções, a ponto de sobrepujar o efeito da PrEP.

Como a PrEP deve ser encarada após esses casos

O Nexo conversou com dois infectologistas para colocar em perspectiva esses casos de infecção por HIV mesmo com a adesão correta à PrEP:

Ricardo Vasconcelos é infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Sumire Sakabe é infectologista do Centro de Referência em DST/Aids de São Paulo e do Hospital Nove de Julho

O que esses casos de infecção dizem sobre a eficácia da PrEP?

Ricardo Vasconcelos Nos dois primeiros casos relatados, os vírus eram resistentes ao Truvada, e havia uma plausibilidade biológica para a infecção. Esse tipo de vírus não é tão raro, ele é razoavelmente frequente.

Uma das hipóteses por que tão poucas infecções aconteceram é o fato de que esses vírus resistentes são como “Frankensteins”, eles são mais lentos e têm menos “fitness viral”, ou seja, agilidade e capacidade de causar uma infecção em uma pessoa. A maior parte das infecções acontecem pelos vírus chamados de selvagens, que não são resistentes às drogas, mas são mais ágeis.

Esse terceiro caso [de infecção descrito na The Lancet] é único no sentido de que pela primeira vez um vírus selvagem sensível às drogas presentes no Truvada infectou alguém que tinha aderido ao tratamento corretamente. É a mesma coisa que dizer que alguém que estava usando camisinha sem estourar se infectou.

Eu estava na apresentação deste caso em fevereiro de 2017 em Seattle. O pesquisador holandês que fez a apresentação disse que a pessoa infectada era um paciente que tinha muitas relações sexuais, às vezes com cinco pessoas por dia, e devia haver lesões na mucosa anal, mas essa é uma hipótese.

O contraponto é que se trata de um caso de falha em 150 mil pessoas no mundo usando PrEP. É muito menor do que a falha da camisinha, quando se considera que alguns usam corretamente em todas as relações e outros não.

Sumire Sakabe Temos hoje uma porção de estudos que corroboram o funcionamento da PrEP [os primeiros são de 2010], feitos em um grande número de países com pessoas de diferentes tipos – velhos, jovens, negros, brancos – para que representem a vida real.

Os resultados são muito robustos e mostram que o único subgrupo em que a PrEP não impedia a infecção pelo HIV foi aquele em que as análises de sangue e as entrevistas mostravam que a pessoa não tinha aderido corretamente ao tratamento.

Esse caso do homem que foi infectado por um HIV não multirresistente a drogas, mesmo tendo usado a PrEP, é tão inédito que mereceu uma publicação na Lancet.

Mas ele tinha uma quantidade de parceiros muito muito grande e estava acometido por outras DSTs, que sabemos que contribuem para a infecção por HIV.

O que se supõe é que o vírus entrou pela mucosa anal, um epitélio [tipo de tecido celular] que tem um tropismo [potencial de ser infectado] muito grande do vírus. Se ele estava com esse epitélio inflamado, ele deve ter se exposto a uma carga de vírus muito grande e talvez a concentração de medicamento naquelas células não tenha sido o suficiente para impedir a infecção.

Casos como esse vão se repetir, mas não vão ser a regra. Eu ponho minha mão no fogo de que a PrEP funciona, só que há um risco muito pequeno, como em tudo.

Para quem a PrEP é recomendada?

Ricardo Vasconcelos Nunca ninguém dirá “pare de usar camisinha e começe a usar Truvada”. O que dizemos é: “escolha aquilo que você consegue usar de maneira continuada, correta e constante na vida toda”. Os casos de HIV não estão caindo, e é um erro insistir com alguém que não quer usar camisinha porque se sente incomodado ou acha que tem perda de sensibilidade.

Sempre que vou a uma discussão sobre PrEP tem alguém que levanta a mão e diz que prefere camisinha porque não é um remédio e não tem efeito colateral. Mas temos que reconhecer que tem quem não use camisinha, e oferecer um cardápio para que a pessoa escolha aquilo que ela consegue usar.

Sumire Sakabe Nunca vamos propagandear a PrEP como uma alternativa à camisinha. Quando tentamos proteger uma pessoa, tentamos proteger ela de tudo, e sabemos que a PrEP só funciona para HIV, não para sífilis, hepatites, gonorreia – que está cada vez mais resistente a antibióticos. A camisinha é mais inteligente: se você usa de forma regular, você está muito protegido.

A PrEP veio tapar um buraco porque, apesar de a camisinha ser ótima e ser distribuída de graça, vemos o HIV subindo em certos grupos, como o de meninos que fazem sexo com meninos. Só a camisinha não está funcionando, e precisamos fazer outra coisa. A alternativa que apareceu é a PrEP.

Temos recomendações formais: a PrEP é para profissionais do sexo, inclusive [aquelas que são] transexuais, e homens que fazem sexo com homens e têm diversos parceiros.

É preciso pesar o risco de não tomar o remédio e se infectar, ou de tomar um remédio à toa e bancar os efeitos colaterais. A adesão é de uma pílula por dia, todos os dias, o que não dá problemas no curto prazo. Mas, no longo prazo, pode haver comprometimento da função renal e aceleração da osteoporose.

Esse cálculo sobre se vale a pena tomar a droga vai mudar com o tempo para cada um: hoje um homem pode ser casado e monogâmico, tranquilo, depois ele abre a relação, começa a sair todo dia, tem vários parceiros e não sabe o status sorológico de todo mundo com quem está transando, por exemplo.

Fonte: Nexo

Alerta para o silencioso câncer nos ovários

O câncer de ovário está próximo de se tornar a segunda neoplasia maligna mais comum entre os cânceres ginecológicos, com um aumento alarmante de sua incidência a cada ano. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, o Inca, a cada quatro mulheres diagnosticadas com câncer no ovário, três apresentam estágio avançado.

“Isso ocorre pelo fato da doença ser assintomática [sem sintomas] ou apresentar sintomas discretos na sua fase inicial. Infelizmente, essa doença apresenta menor chance de cura nesse estágio avançado. O câncer de ovário pode se manifestar em mulheres de qualquer faixa etária, mas cerca de 85% dos casos ocorrem naquelas acima dos 50 anos”, destaca o cirurgião geral e oncológico Carlos Antonello.

Avaliação

O médico ainda destaca a necessidade de uma avaliação apurada da saúde da mulher. “Outro problema que temos com essa neoplasia é que inexiste, até o momento, o benefício de realizarmos rastreamento populacional, a partir de determinada idade, isto é, não temos um exame, que deva ser pedido a partir de certa idade. A investigação deve ser individualizada para cada paciente”, ressalta.

Sintomas

Como é uma doença silenciosa, inicialmente não apresenta sintomas específicos. Porém, a medida que o tumor cresce, o cirurgião explica que podem aparecer manifestações como inchaço ou aumento do volume abdominal; dor pélvica ou abdominal; dificuldade para comer ou sensação rápida de saciedade; alterações urinárias e problemas intestinais. “Esses sintomas nem sempre significam tumores de ovário, mas, se persistirem por mais de duas semanas seguidas, é indicado procurar o médico de sua confiança para realizar o diagnóstico. Exames de imagem como a ecografia transvaginal podem auxiliar na descoberta da doença, mostrando lesões ovarianas suspeitas”, explica Antonello. No entanto, ele reforça a importância da mulher ficar sempre em alerta, pois o exame papanicolau, conhecido também como pré-câncer, não detecta essa doença.

Tratamento

O tratamento do câncer no ovário depende do estágio e a situação clínica da paciente. Se detectada no início, é possível realizá-lo por meio de cirurgia minimamente invasiva. Porém, em casos mais avançados, é preciso cirurgia oncológica associada à quimioterapia. “É importante levar em consideração fatores de risco que aumentam a incidência da doença, como história familiar de câncer de mama ou ovário, endometriose, tabagismo, infertilidade, síndrome de ovário policístico. Além disso, mulheres nuliparas (que não tiveram uma gestação) apresentam maior risco de desenvolver a doença e devem ter um cuidado especial”, lembra.

Fonte: Jornal NH

Convocação: 20,6 milhões de adolescentes devem se vacinar contra o HPV

Mais de 20 milhões de adolescentes brasileiros devem buscar os postos de saúde para receber a vacina HPV. A convocação é do Ministério da Saúde, que lançou no dia 04/09 uma Campanha Publicitária de Mobilização e Comunicação para a Vacinação do Adolescente contra a doença. A expectativa é de vacinar 9,7 milhões de meninas de 9 a 14 anos e 10,8 milhões de meninos de 11 a 14 anos. Para garantir a vacinação deste público, o Ministério da Saúde investiu R$ 567 milhões na aquisição de 14 milhões de vacinas. A vacina HPV é eficaz e protege contra vários tipos de cânceres em mulheres e homens.

Desde a incorporação da vacina HPV no Calendário Nacional de Vacinação, 4 milhões de meninas de 9 a 14 anos procuraram as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) para completar o esquema com a segunda dose, totalizando 41,8%. Com a primeira dose, foram imunizadas 4 milhões de meninas nesta mesma faixa, o que corresponde a 63,4%. “É importante alertar que cobertura vacinal só está completa com as duas doses, por isso quem tomou a primeira dose deve voltar aos postos após seis meses”, explicou a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, Carla Domingues.

Entre os meninos, que foram incluídos na vacinação contra HPV no ano passado, 2,6 milhões foram vacinados com a primeira dose, o que representa 35,7% do público alvo. Em relação à segunda dose, foram aplicadas 911 mil vacinas em meninos de 11 a 14 anos, completando, desta forma, o esquema de vacinação.

CAMPANHA HPV

Com o slogan “Não perca a nova temporada de Vacinação contra o HPV”, a campanha publicitária envolve várias peças e será veiculada no período de 4 a 28 de setembro. O filme mistura imagens reais e animação e traz dois jovens, um menino e uma menina, fugindo de um vírus em um cenário com inspiração nos seriados famosos que são de identificação do público jovem e dos pais. A fuga termina no momento em que os jovens entram em uma unidade de saúde e se vacinam.

Trata-se de uma campanha publicitária para mobilizar a população. A vacina contra o HPV faz parte do calendário de rotina disponível nas unidades do SUS, lembra Carla Domingues. “A campanha é importante para lembrar as pessoas sobre a necessidade da vacinação, esclarecendo o que é mito e boato, e informações verdadeiras, baseadas em estudos científicos”, observou a coordenadora.

HPV NO BRASIL

Segundo estudo realizado pelo projeto POP-Brasil em 2017, a prevalência estimada do HPV no Brasil é de 54,3 %. O estudo entrevistou 7.586 pessoas nas capitais do país. Os dados da pesquisa mostram que 37,6 % dos participantes apresentaram HPV de alto risco para o desenvolvimento de câncer.

O estudo indica ainda que 16,1% dos jovens tem uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) prévia ou apresentaram resultado positivo no teste rápido para HIV ou sífilis. Os dados finais deste projeto serão disponibilizados no relatório a ser apresentado ao Ministério da Saúde até o final do ano.

O projeto POP-Brasil é uma parceria do Ministério da Saúde, o Hospital Moinhos de Vento (RS), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade de São Paulo (Faculdade de Medicina (FMUSP) – Centro de Investigação Translacional em Oncologia), Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Secretarias Municipais de Saúde das capitais brasileiras e Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal.

Estudos internacionais também apontam o impacto da vacinação na redução do HPV. Nos EUA, dados mostram uma diminuição de 88% nas taxas de infeção oral por HPV. Na Austrália, redução da prevalência de HPV de 22.7% (2005) para 1.5% (2015) entre mulheres de 18–24 anos. Outro estudo internacional mostra que nos EUA, México e Brasil entre homens de 18 a 70 anos: brasileiros (72%) têm mais infecção por HPV que os mexicanos (62%) e norte-americanos (61%).

CÂNCER

A vacina HPV previne vários tipos de cânceres contribuindo com a redução da incidência de cânceres nas mulheres e homens. No mundo, dos 2,2 milhões de tumores provocados por vírus e outros agentes infecciosos, 640 mil são causados pelo HPV. A vacina utilizada no país previne 70% cânceres do colo útero, 90% câncer anal, 63% do câncer de pênis, 70% dos cânceres de vagina, 72% dos cânceres de orofaringe e 90% das verrugas genitais. Além disso, as vacinas HPV protegem contra o pré-câncer cervical em mulheres de 15 a 26 anos, associadas ao HPV16 /18. As vacinas é segura e não aumenta o risco de eventos adversos graves, aborto ou interrupção da gravidez.

VACINAÇÃO NAS ESCOLAS

O Ministério da Saúde enviou ao Ministério da Educação material informativo sobre as doenças. A ideia é estimular os professores a conversem com os alunos e familiares sobre o tema. O Brasil é o primeiro país da América do Sul e o sétimo do mundo a oferecer a vacina HPV para meninos em programas nacionais de imunizações. “A participação das escolas é imprescindível para reforçar a adesão dos jovens à vacinação e, consequentemente atingir o objetivo de redução futura do câncer de colo de útero, terceiro tipo de câncer mais comum em mulheres e a quarta causa de óbito por câncer no país”, completou Carla Domingues.

Para mais informações, acesse a página especializada sobre HPV no portal do Ministério da Saúde.

Fonte: Ministério da Saúde

Legalização do aborto no Brasil, o Judiciário e a saúde da mulher

Um dos temas mais polêmicos no Brasil deverá render um novo capítulo a partir de agosto. A discussão sobre o aborto será retomada em audiências públicas marcadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A etapa foi convocada pela ministra Rosa Weber, relatora de uma ação proposta pelo PSOL para que o aborto até o terceiro mês de gestação deixe de ser considerado crime, pois a proibição viola direitos fundamentais.

Um dos pontos de pressão para este novo debate também está na aprovação da vizinha Argentina do projeto de lei que descriminaliza o aborto no país. Por lá, a nova lei permitirá a realização do procedimento até a 14.ª semana de gestação em qualquer caso e ainda estabelece que, se a gestante for menor de 16 anos, ele deverá ser feito com o consentimento dela. Na Argentina, o aborto era proibido por uma lei de 1921 e punido com pena de prisão. Na América Latina, o aborto sem restrições é legal no Uruguai e em Cuba. Também é permitido na Cidade do México. Em quase todos os demais países do continente é permitido apenas no caso de risco para a mulher, quando não há chance de sobrevivência do feto ou se a gravidez for resultado de um estupro. Em El Salvador, Honduras e Nicarágua é proibido completamente.

Importa lembrar que, pela legislação brasileira, o aborto só é permitido em caso de estupro, de feto anencéfalo e em casos em que a vida da mãe está em risco. Sem dúvida, foram conquistados alguns avanços relativos à questão do aborto no país, mas a sociedade encontra-se, política e socialmente, despreparada para discutir o tema.

A definição do momento em que se inicia a vida é essencial para quem defende e para quem é o contrário aborto. Afinal, a vida começa na concepção?

Fato é que o Código Civil, em seu artigo 2° põe a salvo os direitos do nascituro, embora o artigo refira mais direitos à pessoa que com a vida adquire personalidade civil. Já a Constituição Federal, no artigo 5°, dispõe acerca da proteção à vida sem fazer qualquer referência à concepção, o que sugere a não adoção pelo texto constitucional da teoria que põe a salvo a vida naquele instante. Essa é uma das teorias.

Para parte dos ministros do STF são inconstitucionais os artigos do Código Penal que criminalizam o aborto, conforme decisão de 2016. O entendimento valeu apenas para um caso específico. Justamente por isso que o PSOL ingressou com a ação sobre o mesmo tema, para que o entendimento tenha alcance geral.

O debate será caloroso, já que há lados bem definidos. A chamada bancada religiosa do Legislativo tem uma grande força e faz um imenso lobby contra todos os avanços do tema, com justificativas em textos sagrados e na vontade de Deus – o que é compreensível. De outro lado, esses mesmos legisladores precisam olhar o tema a partir de dados. Descriminalizar o aborto não é incentivá-lo.

A controvérsia quanto ao aborto reside no fato de que o direito à vida não é absoluto. Para alguns, o Direito Constitucional (e natural) à vida do feto precisa ser respeitado. Para outra corrente, a mulher faz jus ao direito à dignidade humana, ao direito de escolha.

Outra ótica deve nortear a discussão no sentido de tratar o aborto como assunto de saúde pública. Globalmente, mais de 25 milhões de abortos inseguros (45% do total) ocorrem anualmente, segundo estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS). A maioria é realizada em países em desenvolvimento de África, Ásia e América Latina.

Esse estudo de 2017 mostrou que a restrição ou proibição do acesso não reduz o número de abortos. Ratificando esse dado, tem-se que, em países onde o aborto é completa ou parcialmente proibido, um em cada quatro abortos é seguro. Em países onde o aborto é legal, nove entre dez são realizados de maneira segura.

Quando os abortos são feitos de acordo com as diretrizes e padrões da OMS, o risco de complicações severas ou de morte é insignificante. Na ausência de condições seguras, os resultados podem incluir aborto incompleto, hemorragia, lesões vaginal, cervical e uterina, além de infecções, onerando os custos da saúde pública.

O Ministério da Saúde apresenta uma Norma Técnica sobre Atenção Humanizada ao Abortamento, cuja proposta é “fornecer aos profissionais subsídios para que possam oferecer não só cuidado imediato às mulheres em situação de abortamento, mas também, na perspectiva da integralidade deste atendimento, disponibilizar às mulheres alternativas contraceptivas, evitando o recurso a abortamentos repetidos”. Todavia, o que ainda se discute é o direito de a mulher optar pelo aborto, não somente nos casos já previstos em lei.

O procedimento abortivo em hospitais ou locais com segurança é feito apenas por quem tem dinheiro para pagar. O acesso a medicamentos abortivos de origem ilícita é pouco fiscalizado, existem sites que vendem explicitamente os produtos. Apenas uma fiscalização mais intensiva e com penalidades mais graves trarão alguma mudança no cenário atual.

Coaduno com a visão do ministro do STF, Luis Roberto Barroso, na qual a proibição do aborto deve ser relativizada pelo contexto social e pelas nuances de cada caso. Por exemplo, a interrupção da gravidez é realizada por muitas mulheres, mas apenas as mais pobres sofrem os efeitos dessa prática, pois se submetem a procedimentos duvidosos em locais sem a infraestrutura necessária. Esse ciclo coloca o Brasil como um dos países em que mais se morre pela prática do aborto clandestino, ainda que nem todos os abortos sejam contabilizados, pelo evidente receio da mulher em declarar a prática.

O Judiciário não pode carregar esse fardo constante de legislar, sobretudo em temas mais ásperos. Os três Poderes precisam enfrentar e discutir o tema aborto em conjunto com os profissionais da saúde e a sociedade organizada. É necessário que sejam estabelecidas regras cristalinas para que sejam reduzidos os casos de mortes e de lesões físicas e morais resultantes do aborto desassistido e clandestino. E que as discussões não se desviem do núcleo central da questão: o direito da mulher.

Sandra Franco é consultora jurídica especializada em Direito Médico e da Saúde, presidente da Comissão de Direito da Saúde e Responsabilidade Médico-Hospitalar da OAB de São José dos Campos (SP), presidente da Academia Brasileira de Direito Médico e da Saúde, membro do Comitê de Ética da UNESP para pesquisa em seres humanos e Doutoranda em Saúde Pública – drasandra@sfranconsultoria.com.br

Fonte: Estadão

A primeira epidemia de DST: a história da doença sexual que levou Europa a culpar a América no século 16

Em 1509, o jovem soldado alemão Ulrich von Hutten contraiu uma doença desconhecida quando estava na Itália. Ele sofreu com os sintomas por dez anos.

O paciente descreveu assim sua condição: “(O tempo todo) havia furúnculos, parecidos em tamanho e aspecto com uma bolota. Tinham um cheiro tão fétido que quem o cheirasse achava que estava infectado. A cor era verde escuro. Vê-los chegava a ser pior que sentir a dor, mesmo que a sensação pareça a mesma de encostar no fogo.”

Pouco antes disso, na década de 1490, a população europeia havia acabado de se recuperar das mortes provocadas pela propagação, no século anterior, da peste bubônica, surto conhecido como Peste Negra. Uma em cada três pessoas havia morrido em consequência da doença em todo continente europeu.

Com o aumento da população, chegou a prosperidade. Mas nem tudo foi positivo. Doenças desconhecidas começaram a aparecer, em meio à guerra endêmica e à fome frequente.

Contágio em velocidade alarmante gerou terror

Por volta de 1495, o rei francês Carlos VIII invadiu Nápoles reivindicando direito àquele reino. Mas as tropas se contaminaram com uma doença nova.

Ninguém jamais havia visto nada parecido. Os médicos da época não encontraram nenhuma referência nos livros. O nível de preocupação foi similar ao momento em que, séculos depois, o HIV foi descoberto.

A doença que fez o soldado alemão Ulrich von Hutten agonizar também era transmitida pelo contato sexual. Era a sífilis.

As pessoas estavam aterrorizadas porque a doença se espalhou com uma velocidade impressionante. Chegou à Escócia, à Hungria e à Rússia. Com exceção dos idosos e das crianças, todos corriam risco de se contaminar. Estava nos bordeis, mas também nos castelos.

Acredita-se que os reis Francisco I e Henrique III, da França, assim como o imperador Carlos V padeceram da mesma enfermidade.

Nem os monges escaparam da sífilis. A hierarquia não importava. Cardeais, bispos e até os papas Alexandre VI e Júlio II sofreram com a doença.

A velocidade com que se espalhou revela muito sobre os hábitos sexuais da sociedade naquela época.
O curioso papel da deusa Vênus nessa história

Os franceses diziam que a doença era italiana. Mas todo o resto da Europa se referia a ela como francesa. Inicialmente, não tinha nome técnico.

Ao final, um médico francês sugeriu que chamá-la de “doença venérea” por acreditar que a causa principal era o ato sexual que, por sua vez, estava ligado à deusa romana do amor, Vênus.

A epidemia causada pela sífilis era diferente das vistas anteriormente. Ela não se concentrava numa área específica nem estava relacionada a uma época do ano.

Todos corriam risco de adoecer. E, uma vez que isso acontecia, parecia que a pessoa nunca iria se recuperar.

Se o tormento durante o dia era difícil, parecia ainda pior à noite. Os que padeciam da doença gritavam continuamente por causa da dor que sentiam nos ossos. Mas qual era a causa?

Sífilis foi considerada castigo divino por pecados

No início, pensou-se que era um castigo de Deus pelos pecados cometidos pela sociedade. Assim, o primeiro passo para lidar com a doença era se arrepender e rezar por proteção divina.

Mas havia outras hipóteses. Astrólogos da época afirmavam que tinha relação com dois eclipses do Sol e a confluência de Saturno e Marte.

“As chuvas que caíram em todos os países atingidos naquela época foram tão abundantes que a terra foi contaminada com água estagnada, e não foi surpresa que a doença tivesse se apresentado”, registrou um professor de Medicina da época.

O encontro das estrelas com a contaminação da terra, por sua vez, causou uma podridão venenosa do ar. A consequência foi a putrefação do corpo humano.

No começo, acreditava-se que o mercúrio era um remédio para a sífilis. Era comum usar o medicamento para tratar de problemas de pele nessa época. Esse foi o tratamento recomendado ao soldado alemão: respirar gás de mercúrio quente.

Mas a cura era pior que a doença. Os pacientes perdiam a lucidez. No entanto, o uso do mercúrio para combater a sífilis continuou por muitos anos, até 1517, quando surgiu um novo remédio. O guáiaco, um arbusto encontrado no Haiti, supostamente era usado pelos que vinham daquela ilha.

Pedaços de tronco eram fervidos em água, e o líquido, bebido duas vezes ao dia. O tratamento completo incluía passar 30 dias em uma sala extremamente quente para suar e expelir a doença.

Nessa mesma época, estabeleceu-se uma relação entre a sífilis e o castigo divino decorrente de pecados individuais. A pessoa se contaminava se tivesse mantido uma relação sexual ilícita.

Nesse contexto, as mulheres eram consideradas as responsáveis por transmitir a doença. Eram elas que faziam os pobres homens caírem em tentação, ao estilo do casal bíblico Adão e Eva.

O estigma também afetava as crianças cujos pais sofriam com sífilis, porque era uma considerada uma doença hereditária. Gerações inteiras foram tidas como malditas.

Depois, detectou-se que a transmissão se dava de pessoa para pessoa. Assim, imaginava-se que a sífilis teve origem num lugar específico e não em consequência do clima.

Nessa época, acreditava-se que ela chegou à Europa com os marinheiros que vinham da América com Cristóvão Colombo. Supostamente, eles atracaram em Barcelona, uniram-se às tropas em Nápoles e às prostitutas. O Exército se encarregou de espalhá-la.

Mas historiadores médicos americanos não gostaram dessa teoria. Eles apresentaram, então, evidências arqueológicas para provar que a sífilis era uma doença nativa da Europa.

Identificada a causa, surge uma cura

Ainda há dúvidas sobre de onde a sífilis surgiu inicialmente. Mas, na verdade, as décadas antes e depois de 1500 representam uma grande mudança na sociedade europeia.

A vida urbana, novas técnicas de guerra e mudanças nos comportamentos sexuais. O ambiente europeu estava em mutação constante, o que fez aumentar a incidência de doenças.

Por isso, o surgimento de novas epidemias parecia inevitável. A sífilis chegou e ficou, propagando-se, em especial, em tempos de guerra.

Com a medicina moderna, identificou-se, em 1905, a bactéria que causa a doença. E, cinco anos depois, descobriu-se o primeiro tratamento efetivo.

Mas foi somente em 1943, com a descoberta da penicilina, que se encontrou a cura para a doença.

Fonte: BBC

Tire suas dúvidas sobre as regras atuais do aborto no país e o que pode mudar

Levantamento do Ministério da Saúde mostrou que, de 2008 a 2017, foram provocados entre 9 e 12 milhões de abortos no Brasil. Nesse mesmo período, o SUS gastou cerca de R$ 486 milhões com internações por aborto.

A legalização do procedimento para gestações de até 12 semanas está atualmente em discussão no STF, mas ainda não há data para o julgamento.

Abaixo, confira perguntas e respostas sobre aborto no Brasil.

O que está em discussão no STF?
Uma ação proposta pelo PSOL pede para o STF excluir do âmbito de incidência de dois artigos do Código Penal os abortos voluntários que forem feitos nas primeiras 12 semanas de gestação. Estão sendo discutidos os artigos 124, que criminaliza a mulher, e 126, que criminaliza quem provocar o aborto, incluindo profissionais de saúde. Em resumo, a ação pede que abortos feitos até a 12ª semana não sejam considerados criminosos. No início do mês, houve audiências públicas em que diferentes representantes da sociedade falaram sobre o tema. Ainda não há data para o julgamento.

Em que situações o aborto é permitido no Brasil?
Em três tipos de gravidez: a decorrente de estupro, a que cause risco à vida da mulher ou a de feto anencéfalo.

Pode haver aborto legal sem o consentimento da mulher?
É necessário que a mulher autorize o procedimento. A única exceção é caso a continuidade da gravidez ofereça risco de vida e a gestante esteja impossibilitada de manifestar seu consentimento.

É necessário comprovar o estupro para ter acesso ao aborto em uma unidade de saúde?
Não. Nem é necessário apresentar boletim de ocorrência, exame do IML ou mesmo autorização judicial. Basta procurar uma unidade de saúde que realize o procedimento (em São Paulo, é o Hospital Pérola Byington). Se não houver o serviço na cidade de residência, a mulher deve ser encaminhada a outro município em que haja unidade de saúde habilitada a fazer o procedimento.

Em caso de feto anencéfalo, é necessária autorização judicial para a realização do aborto?
Não, o procedimento pode ocorrer independentemente de autorização do Estado. É necessário, para isso, apresentação de exame específico que comprove a má formação e laudo assinado por dois médicos.

Um médico pode se recusar a fazer um aborto legal?
Norma técnica do Ministério da Saúde e o Código de Ética Médica garantem ao profissional o direito de se recusar a fazer o procedimento. Entretanto isso só pode acontecer se não houver risco à saúde da mulher e se houver outro médico disponível para fazer o procedimento.

O que é um aborto inseguro?
Segundo definição da Organização Mundial da Saúde, é quando o procedimento é realizado por pessoas sem as habilidades necessárias para fazê-lo de forma segura e/ou em ambiente que não esteja de acordo com os padrões médicos exigidos. De 2000 a 2016, 4.455 mulheres morreram no Brasil após complicações por aborto.

Um médico ou enfermeiro que atende uma mulher que chega à unidade de saúde com complicações do aborto pode denunciá-la à polícia?
Não. Isso é vetado pelo Código Penal, que considera crime “revelar alguém, sem justa causa, segredo de que tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem”. O Código de Ética Médica, por sua vez, reforça a proibição do rompimento do sigilo médico e ressalta que “na investigação de suspeita de crime, o médico estará impedido de revelar segredo que possa expor o paciente a processo penal”. O código de enfermagem também resguarda o sigilo.

Quais os principais argumentos para a legalização do aborto?
O principal, para além da defesa do direito de escolha da mulher, é a questão de saúde pública. Os números indicam que a proibição não faz com que mulheres deixem de abortar, apenas torna o procedimento arriscado. Isso é especialmente sensível no caso de mulheres pobres, que, por falta de recursos, recorrem a métodos extremamente perigosos, que podem levar a infecções, perda do útero e à morte. Além disso, o custo da realização do procedimento de forma segura é muito menor do que os custos com internações por complicações causadas por abortos inseguros. Em suma, os defensores da legalização afirmam que a proibição é pouco eficiente para impedir abortos, mas muito eficiente para matar mulheres.

E quais os contrários?
O princípio da inviolabilidade do direito à vida. Os grupos favoráveis à proibição, muitos deles religiosos, consideram que a vida existe desde a concepção e que o direito do feto de nascer é maior do que o da mulher de decidir pela interrupção da gravidez. Muitas entidades são a favor de mais programas de apoio financeiro e psicológico às mulheres grávidas, de modo que possam ter uma gestação saudável, com acesso aos serviços de saúde para que o bebê se desenvolva. Há também a defesa de que haja mais incentivo para que as mulheres que não queiram criar seus filhos possam entregar os bebês para adoção com segurança. Vale ressaltar que nem todos os grupos favoráveis à criminalização do aborto são contrários à realização do procedimento nos casos já previstos em lei.

Até que período da gestação o aborto legal pode ser realizado?
Não há limite nos casos de anencefalia e risco à vida da gestante. Em caso de gravidez decorrente de estupro, o procedimento pode ser feito até a 20ª semana de gestação. O prazo pode ser estendido até a 22ª semana caso o feto pese menos de 500 gramas.

Quando a gestante é menor de idade, quem decide pelo aborto?
Com exceção dos casos em que a vida da gestante está em risco, é necessária a autorização de um dos pais ou do responsável legal. Segundo a Defensoria Pública de São Paulo, contudo, a vontade da adolescente deve ser respeitada caso a família deseje fazer o aborto, mas ela não. Na situação contrária, em que a garota decide abortar mas a família é contra, a recomendação é que o caso seja submetido ao Judiciário, seja por meio do Conselho Tutelar, do Ministério Público ou da Defensoria Pública.

Quais as penas para quem faz um aborto ilegal?
Para a mulher que provoca o aborto, de um a três anos de prisão. Para a pessoa que faz o procedimento, de um a quatro anos se houver consentimento da gestante; se não houver, de três a dez anos de prisão.

Quais os métodos recomendados pelo Ministério da Saúde para a realização do procedimento nos casos permitidos pela lei?
Variam de acordo com a semana de gestação. Até o primeiro trimestre, recomendam-se aspiração intrauterina (que pode ser manual ou elétrica), aborto induzido por medicamentos (farmacológico) ou curetagem uterina. No segundo trimestre, o recomendado é o farmacológico, mas podem ser necessários métodos complementares. Segundo norma técnica do Ministério, “a ordem de escolha para os diferentes métodos depende das condições de cada serviço e da preferência da mulher, além da necessária avaliação do risco-benefício de cada procedimento”. Em todo caso, a recomendação é respeitar as condições clínicas, sociais e psicológicas da mulher.

O que pensa a população sobre a legalização do aborto?
De acordo com pesquisa do Datafolha de novembro de 2017, a maior parcela dos brasileiros adultos era favorável a criminalização do aborto. A taxa havia passado de 64% em dezembro de 2016 para 57%. Os contrários à criminalização subiram de 23% para 36%.

Fonte: Folha de S. Paulo

Como se proteger das doenças sexualmente transmissíveis em alta no Brasil

Existe um consenso entre os infectologistas de que as doenças sexualmente transmissíveis estão em alta na população jovem do Brasil.

“Esta última geração, que começou a vida sexual depois de 2010, tem um modo diferente de encarar as DSTs”, diz Alexandre Naime Barbosa, professor de Infectologia da Unesp. A noção de que a Aids se tornou uma doença crônica e tratável fez a adesão à camisinha diminuir muito, segundo ele.

No caso do HIV, o número de novos casos anuais subiu quase 140% entre 2007 e 2017 na população em geral: de 6.862 a 16.371, de acordo com o mais recente Boletim Epidemiológico de HIV/Aids lançado pelo Ministério da Saúde. Entre jovens de 15 a 19 anos do sexo masculino, o aumento chegou a 590%, segundo o mesmo documento.

No mesmo período, o número de novos casos de sífilis aumentou em 133% entre mulheres grávidas, segundo dados do Ministério da Saúde. O aumento de sífilis congênita em bebês menores de um ano foi de 60%.

Não há dados nacionais sobre casos de sífilis em outros grupos nem sobre outras infecções sexualmente transmissíveis – como HPV, gonorreia e clamídia – porque elas não são de notificação compulsória. Ou seja, as unidades de saúde não são obrigadas a registrar cada caso diagnosticado. Porém, segundo especialistas que atuam em centros de referência, a maioria está em alta entre os jovens.

Para piorar a situação, bactérias sexualmente transmissíveis como Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis e Mycoplasma genitalium estão se tornando resistentes aos antibióticos mais comuns, o que exige o desenvolvimento de esquemas de tratamento cada vez mais complexos.

O aumento de infecções sexualmente transmissíveis não é exclusividade do Brasil, observa a infectologista Lucy Cavalcanti Vasconcelos, membro da diretoria da Sociedade Paulista de Infectologia. Ela afirma que não se pode culpar apenas a falta de conscientização dos jovens pelo fenômeno, mas também uma falha generalizada dos planos de prevenção, que por muito tempo focaram exclusivamente no uso do preservativo.

A boa notícia é que novas estratégias de prevenção estão sendo desenvolvidas e, para algumas dessas doenças, a camisinha já não é mais o único meio de se proteger. Vacinas, medicamentos preventivos e tratamentos pós-exposição fazem parte, junto com o preservativo, de um arsenal anti-DST mais completo.

Métodos gerais de prevenção

A camisinha ainda é, segundo a Organização Mundial da Saúde, um dos métodos mais efetivos para prevenir as infecções sexualmente transmissíveis quando usada de maneira correta e consistente. Apesar de o preservativo masculino ser de longe o mais popular, o feminino é igualmente eficaz. O infectologista Sidnei Pimentel, do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids do Estado de São Paulo, reconhece que a camisinha feminina causa estranheza por ter o dobro do tamanho da versão masculina. Mas é a solução ideal para casos em que o parceiro tem dificuldade em manter a ereção com camisinha.

Qualquer que seja a escolha do preservativo, o ideal é usá-lo junto com gel lubrificante, para diminuir o atrito e o risco de rompimento. Os dois tipos de preservativo estão disponíveis de graça em qualquer serviço de saúde do SUS.

Pimentel lembra que é importante se proteger inclusive durante o sexo oral, em que há risco de transmissão de HPV, hepatites B e C, clamídia, gonorreia e HIV. As condições de higiene da boca são determinantes para medir esse risco, segundo o especialista. “O risco é maior quando a pessoa tem gengivite e locais de sangramento, que são portas de entrada pra infecções”, diz Pimentel. Quando o homem recebe o sexo oral, recomenda-se o uso da camisinha. Quando a mulher recebe, uma alternativa é usar filme plástico para cobrir a região genital.

A camisinha pode não ser totalmente eficaz contra o HPV, pois áreas não cobertas pelo preservativo – como os lábios da vagina, a base do pênis ou a bolsa escrotal – também têm potencial de transmissão quando há fricção.

O diagnóstico precoce e o tratamento também são estratégias importantes de prevenção. “Quando você trata um paciente, está quebrando a cadeia epidemiológica e pode estar prevenindo outras 10 infecções”, diz Vasconcelos. Segundo ela, é preciso haver um esforço maior para rastrear ativamente as infecções sexualmente transmissíveis que deve envolver outros especialistas como ginecologistas, urologistas, geriatras e hebiatras.

HIV

O HIV pode ser transmitido por sexo vaginal, anal e oral. A infecção pode ainda ocorrer por compartilhamento de seringas e outros objetos cortantes, como alicates, ou por transfusão de sangue. A mãe também pode transmitir para o filho durante a gestação, parto ou amamentação.

Desde dezembro de 2017, o SUS oferece de forma gratuita a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) para grupos em que há mais prevalência de HIV no país, como homens que fazem sexo com homens, pessoas trans, homens e mulheres profissionais do sexo e casais em que uma das pessoas tem HIV e a outra não. Ao todo, 36 serviços de saúde oferecem a PrEP pelo SUS atualmente no Brasil.

A PrEP consiste em tomar um comprimido por dia do medicamento de nome comercial Truvada, que combina duas drogas que inibem a replicação do HIV: tenofovir e entricitabina. Em pessoas saudáveis que fazem sexo desprotegido, o medicamento impede que o HIV se espalhe pelo corpo. “É como se colocasse uma pedra na engrenagem do HIV”, diz o infectologista Alexandre Naime Barbosa.

Mesmo quem não se enquadra nos grupos contemplados pelo SUS pode fazer uso do método mediante prescrição médica desde maio de 2017, quando a Anvisa aprovou a indicação do Truvada para esse fim. Nesses casos, a compra da medicação na farmácia tem um custo de cerca de R$ 300 ao mês.

Outra forma de prevenção importante é a Profilaxia Pós-Exposição (PEP). O método consiste em usar medicamentos antirretrovirais durante 28 dias após uma possível exposição ao vírus HIV. O esquema, disponível gratuitamente pelo SUS, deve ter início no máximo até 72 horas após a exposição. Indica-se o uso de PEP para pessoas que tiveram relações sexuais desprotegidas, sofreram violência sexual ou tiveram acidentes com agulhas ou outros objetos cortantes.

HPV (Papilomavírus Humano)

Apesar de não existirem estatísticas nacionais sobre HPV, estima-se que esta seja a infecção sexualmente transmissível mais frequente na população. Transmitido por sexo vaginal, anal e oral, o HPV pode levar à formação de verrugas na genitália e no ânus. Mas as consequências mais graves são câncer de colo do útero, de ânus, de pênis, de boca e de garganta.

Um estudo feito pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, em parceria com o Ministério da Saúde, revelou uma prevalência de HPV de 53,6% nos jovens de 16 a 25 anos no Brasil.

Além do uso do preservativo, o SUS oferece como prevenção uma vacina quadrivalente que protege contra o HPV tipos 6 e 11 (que provocam verrugas genitais), e 16 e 18 (que causam câncer de colo do útero). A vacina está disponível gratuitamente para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, além de pessoas de 9 a 26 anos que vivem com HIV. Para quem não faz parte dos grupos alvo, a vacina está disponível em clínicas particulares por cerca de R$ 300 a dose.

Gonorreia e clamídia

A gonorreia e a clamídia são doenças muito parecidas causadas pelas bactérias Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. Depois do HPV, estas são as infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no Brasil. Segundo um estudo publicado em 2005 pelo Ministério da Saúde, a gonorreia foi detectada em 18,5% de uma amostra de homens que procuraram atendimento em clínicas de DST de seis capitais brasileiras e a clamídia em 13,1%.

Elas podem ser transmitidas pelo sexo vaginal, anal e oral, portanto a melhor forma de prevenção é o uso de preservativo. O principal sintoma é o corrimento uretral ou vaginal, caracterizado pela saída de um líquido esbranquiçado pela uretra ou vagina. As áreas afetadas também podem arder ao urinar.

Como é muito difícil distinguir uma doença da outra por critérios clínicos, é indicado que se faça um diagnóstico sindrômico – ou seja, que se identifique o grupo de doenças que causam os mesmos sintomas – e que se aplique um tratamento com antibióticos que funcione para as duas doenças. “O risco de esperar os resultados é o paciente continuar transmitindo para outras pessoas e o quadro também pode complicar”, diz Barbosa.

Recentemente, o esquema de tratamento da gonorreia e clamídia teve de ser atualizado pelo Ministério da Saúde devido à resistência bacteriana.

Em casos de violência sexual ou de sexo desprotegido com um parceiro que sabidamente estava infectado com gonorreia ou clamídia, também se recomenda o uso preventivo dos antibióticos como Profilaxia Pós-Exposição.

Mycoplasma genitalium

O Mycoplasma genitalium é uma bactéria transmitida por relações sexuais que provoca sintomas parecidos com gonorreia e clamídia. O mais comum é o corrimento uretral e vaginal, mas o quadro também pode incluir ardência ao urinar, sangramentos, infertilidade e complicações na gravidez. A principal forma de prevenção é o uso de preservativo.

A situação epidemiológica da doença no país ainda é desconhecida, segundo o professor da Universidade Federal da Bahia Guilherme Barreto Campos, principalmente porque o teste para detectar a infecção não está amplamente disponível para uso de rotina nos serviços de saúde. Esse teste é complexo e exige uma estrutura tecnológica sofisticada. Por isso no Brasil o tratamento é feito com uso de antibióticos que podem tratar diferentes bactérias que levam a esses mesmos sintomas.

Uma preocupação recente em relação ao Mycoplasma genitalium é a resistência da bactéria. Por isso, a Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV (BASHH, da sigla em inglês) lançou em julho novas diretrizes de tratamento para tentar evitar que ela se transforme na mais nova “superbactéria”.

“No Brasil, os dados sobre a prevalência e resistência são escassos, mas existe um aumento mundial na prevalência de cepas resistentes a diversas drogas, o que torna o panorama algo preocupante”, diz Campos. Ele acrescenta que, com a atual globalização, é fácil que bactérias resistentes possam chegar ao Brasil.

Estudos feitos por Campos e seus colegas encontraram uma incidência de 28,1% da bactéria em uma amostra de mulheres atendidas em serviços públicos de saúde na Bahia. “Consideramos estes dados um alerta importante para os gestores de saúde tendo em vista que existem poucas pesquisas epidemiológicas realizadas nas diferentes regiões do país”, afirma o pesquisador.

Sífilis

A sífilis pode ser transmitida por relação sexual sem camisinha e também da mãe para o bebê durante a gestação ou parto. A melhor forma de prevenção é o uso do preservativo. No caso das gestantes, é importante fazer o teste em diferentes momentos da gravidez e, caso detectada, tratar a doença o mais rápido possível para evitar a transmissão para o filho. O tratamento consiste na administração do antibiótico penicilina benzatina.

A doença pode se manifestar em três estágios, caso não seja tratada. Os primeiros sinais são pequenas feridas no pênis ou na vagina. Elas são indolores e, no caso das mulheres, pode ser difícil identificá-las se aparecerem no colo do útero. Depois de um período, essas feridas desaparecem espontaneamente. Esta é a sífilis primária.

Após um tempo sem sintomas, surgem manchas na pele que podem atingir todo o corpo, principalmente a planta dos pés e a palma das mãos. Trata-se da sífilis secundária.

Na sífilis terciária, ela pode acometer o sistema nervoso central, o sistema cardiovascular e vários órgãos do corpo. A sífilis pode até matar.

Herpes genital

A herpes é uma doença provocada por um grupo de vírus que podem ser transmitidos em relações sexuais, mas também pelo contato direto com as lesões de uma pessoa infectada. A prevenção se dá pelo uso de preservativo e evitando o contato com as feridas.

Essas lesões são um grupamento de bolhas que, ao se romper, provocam dor. Elas podem aparecer em qualquer lugar do corpo, mas os mais comuns são a boca, genitália e ânus. Herpes não tem cura e os sintomas aparecem e desaparecem várias vezes ao longo da vida. Mas existem tratamentos capazes de aliviar os sintomas.

Hepatites B e C

A hepatite B pode ser transmitida pelo sexo e também pelo contato com sangue infectado por meio de compartilhamento de seringas, alicates e outros materiais cortantes. Além do uso do preservativo, a prevenção é feita por meio da vacina contra hepatite B. O ideal é receber a vacina logo depois do nascimento. Outras três doses são necessárias aos 2, 4 e 6 meses de vida. Quem não se vacinou nessa fase pode se vacinar em qualquer idade. Neste caso, o esquema vacinal consiste em três doses com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda e de cinco meses entre a segunda e a terceira.

Quanto à hepatite C, a transmissão por sexo também é possível, porém mais rara em caso de sexo heterossexual. Também é possível a transmissão por transfusão de sangue e compartilhamento de kits de manicure não descartáveis. Para a hepatite C não há vacina.
Ferramentas de prevenção

Camisinha masculina e feminina: O preservativo, tanto masculino como feminino, é uma das formas mais eficazes de se proteger contra infecções sexualmente transmissíveis.

Profilaxia Pré-Exposição: O uso diário do medicamento Truvada reduz o risco de infecção por HIV, mas não protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis.

Profilaxia Pós-Exposição: Após uma relação sexual desprotegida, é possível evitar a infecção por HIV por meio do uso de drogas antirretrovirais por 28 dias. O início do esquema deve ser até 72 horas após a exposição.

Vacina contra HPV: Disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, a vacina quadrivalente protege contra os principais subtipos de HPV que provocam câncer de colo do útero.

Vacina contra hepatite B: Indicada para bebês recém-nascidos em um esquema de quatro doses ou para pessoas de qualquer idade em esquema de três doses.

Circuncisão: Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a circuncisão masculina reduz em 60% o risco de infecção por HIV em relações heterossexuais e oferece alguma proteção contra herpes e HPV.

Diagnóstico e tratamento: A detecção precoce e tratamento também são

Fonte: BBC

Endometriose Parametrial

Introdução

A definição anatômica do paramétrio é, de certa forma, controversa na literatura médica. Classicamente seria uma condensação de tecido areolar denso (junto com vasos e nervos) que se estende lateralmente do colo uterino até a parede lateral da pelve, no plano frontal[1]. Em mulheres com endometriose profunda de compartimento posterior, o acometimento parametrial ocorre em até 25% dos casos[2]. O ureter atravessa o paramétrio antes de entrar na bexiga, o que aumenta a chance das portadoras apresentarem hidroureter e hidronefrose, com graves consequências. Além de sua íntima relação com o ureter, o paramétrio possui rica vascularização e inervação, o que torna desafiadora a ressecção das lesões de endometriose desta região.

Diagnóstico

A endometriose parametrial, apesar da sua gravidade, ainda apresenta desafios para um diagnóstico precoce. Os principais sintomas apontados pelas pacientes com lesões nesta localização são dismenorreia, dispareunia de profundidade, infertilidade, disquezia, disúria e dor pélvica crônica, o que não difere em nada das pacientes com endometriose que acometem outros sítios da pelve[3]. Apesar da importância na identificação dos sintomas, a concordância entre o grau de dor e os achados pélvicos podem ser discordantes[4].

O acometimento do paramétrio pode trazer alguns sintomas relacionados às estruturas ali encontradas, principalmente quando acomete os ureteres e os nervos. Quando esses últimos estão envolvidos, pode haver alteração de parâmetros urodinâmicos (resíduo aumentado e obstrução do fluxo urinário) e também queixas urinárias, como dificuldade para urinar, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e interrupção do jato[5].

Um dos grandes avanços dos últimos anos no diagnóstico da endometriose foi a melhora dos métodos de imagem[5,6]. O diagnóstico por imagem da endometriose evoluiu muito com a utilização da ultrassonografia transvaginal (USTV-PI) e com a ressonância magnética da pelve (RM-PI), ambas com preparo intestinal. Por ser uma doença retroperitoneal, não é incomum encontrar pouco focos peritoneais clássicos. Nesses casos, o cirurgião fica ainda mais dependente dos achados de imagem para o correto planejamento da abordagem da endometriose.

Na avaliação da endometriose dos compartimentos anterior e posterior, o desempenho da USTV-PI é muito bom e com sensibilidade e especificidade em torno de 95% para a avaliação dos compartimentos anterior e posterior, porém não há evidências consistentes na literatura da avaliação do compartimento lateral (paramétrio) por este método. O acometimento na topografia do ureter é descrito, mas normalmente é a única informação relevante fornecida pela USTV-PI no que diz respeito ao paramétrio[7]. Já a RMP-PI consegue fornecer informações bem detalhadas do grau de infiltração, tamanho da lesão, estruturas acometidas e limites. Outra vantagem da RM-PI é a possibilidade de avaliação adequada até a parede pélvica. Essa avaliação parametrial já foi bem demonstrada em paciente com câncer de colo do útero[8]. Bazot et al. publicaram em um estudo preliminar, sensibilidade e especificidade de 83,3% e 98,6%, respectivamente na avaliação do paramétrio acometida por endometriose com RM-PI. Encontraram uma prevalência de 14,3% de comprometimento do paramétrio nessa série de casos[9].

Tratamento

A base terapêutica se mantém em relação aos casos em outros sítios. Inicialmente, o tratamento clínico pode ser tentado nas lesões menores (usualmente com menos de 2cm) para o controle dos sintomas álgicos. Importante salientar, que o tratamento clínico não é capaz de erradicar os focos, ou mesmo garantir que o mesmo não se desenvolva. Contudo, em alguns casos, pode trazer alívio sintomático e melhora na qualidade de vida[9,10]. O tipo de tratamento clínico mais usado continua sendo o uso de contraceptivos orais combinados ou de progestagênios isolados[11].

Nos casos de lesões maiores, a indicação cirúrgica é adequada devido a chance de acometimento funcional de algumas estruturas nobres do paramétrio. A compressão ureteral pelo nódulo de endometriose pode causar hidronefrose, com consequente perda da função renal, se não tratada em tempo hábil.

Quando indicado o procedimento cirúrgico, a ressecção de todos os focos visíveis da doença apresenta bons resultados na melhora dos sintomas álgicos; assim como podem melhorar as taxas de gravidez espontânea em pacientes inférteis. Devemos salientar, que pela complexidade da cirurgia, idealmente essa deve ser realizada por equipe multidisciplinar e a paciente deve ser informada sobre a possibilidade de complicações específicas[12].

Uma vez em que o procedimento cirúrgico exige a ressecção dos focos da doença, o cirurgião deve decidir sobre a realização da parametrectomia, que pode ser parcial ou completa. Por não se tratar de cirurgia oncológica, idealmente a ressecção parametrial deve ser limitada apenas à porção afetada. A preservação de nervos não acometidos minimiza as complicações funcionais intestinais e urinárias. É importante realizar sistematização cirúrgica, que permite a preservação das estruturas nobres. Inicialmente deve ser feito o restabelecimento da anatomia, para posteriormente ser realizada a exérese dos focos, de forma segura e com menor risco de lesões iatrogênicas. Desta forma, a dissecção do ureter (ureterolise quando envolvido pela doença) é etapa fundamental nas ressecções parametriais – primeiro pelo fato de que muitas dessas pacientes apresentam a forma extrínseca ou intrínseca da doença ureteral, em segundo lugar para que se evite uma lesão do mesmo durante a manipulação do compartimento lateral[13].

Além da ureterólise, outro tempo cirúrgico muito importante nessa região é a neurólise (nerve-sparing). Este procedimento consiste na identificação e liberação dos nervos pélvicos (envolvidos ou não no foco da doença), a fim de evitar que haja secção inadvertida dos mesmos durante a ressecção parametrial. Inicia-se com abertura dos espaços pré-sacral e pararretais e, “caminhando” pelos espaços avasculares, as fibras simpáticas do plexo hipogástrico inferior, dos nervos hipogástricos e do tronco lombossacral são preservadas[14].

A não realização desses cuidados durante o procedimento cirúrgico está relacionada a complicações importantes, dentre elas, as disfunções urinária, retal e sexual. Estudo sobre esse ponto comparou dois grupos de pacientes submetidas à ressecção parametrial para o tratamento de endometriose profunda, com resultados que mostraram diferença drástica na incidência de disfunções neurológicas da pelve. Aproximadamente 85% das pacientes que foram submetidas à cirurgia sem realização de neurólise apresentaram algum tipo de disfunção neurológica, enquanto que no grupo submetido à ressecção parametrial com preservação nervosa, esse tipo de alteração foi evidenciado em apenas 1,6% das pacientes[14].

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A endometriose infiltrativa de paramétrio parece ser mais frequente do que se imagina e é considerada uma apresentação grave da doença. Na maioria das vezes, lesões nessa localização requerem ressecção cirúrgica. Esse procedimento deve ser realizado por equipe experiente, multidisciplinar e com a sistematização cirúrgica, que envolve restabelecimento da anatomia, dissecção de ureter e preservação neural.

Referências Bibliográficas

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[3] Vercellini P, Trespidi L, De Giorgi O, Cortesi I, Parazzini F, Crosignani PG. Endometriosis and pelvic pain: relation to disease stage and localization. Fertil Steril 1996;65:299–304.

[4] Fauconnier A, Fritel X, Chapron C. [Endometriosis and pelvic pain: epidemiological evidence of the relationship and implications]. Gynecol Obstet Fertil 2009;37:57–69.

[5] de Resende Júnior JAD, Crispi CP, Cardeman L, Buere RT, Fonseca M de F. Urodynamic observations and lower urinary tract symptoms associated with endometriosis: a prospective cross-sectional observational study assessing women with deep infiltrating disease. Int Urogynecol J 2018.

[6] Reid S, Condous G. Update on the ultrasound diagnosis of deep pelvic endometriosis. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol 2017;209:50–4.

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[11] Dunselman GAJ, Vermeulen N, Becker C, Calhaz-Jorge C, D’Hooghe T, De Bie B, et al. ESHRE guideline: management of women with endometriosis. Hum Reprod 2014;29:400–12.

[12] Kho RM, Andres MP, Borrelli GM, Neto JS, Zanluchi A, Abrão MS. Surgical treatment of different types of endometriosis: Comparison of major society guidelines and preferred clinical algorithms. Best Pract Res Clin Obstet Gynaecol 2018.

[13] Cavaco-Gomes J, Martinho M, Gilabert-Aguilar J, Gilabert-Estélles J. Laparoscopic management of ureteral endometriosis: A systematic review. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol 2017;210:94–101.

[14] Ceccaroni M, Clarizia R, Bruni F, D’Urso E, Gagliardi ML, Roviglione G, et al. Nerve-sparing laparoscopic eradication of deep endometriosis with segmental rectal and parametrial resection: the Negrar method. A single-center, prospective, clinical trial. Surg Endosc 2012;26:2029–45.

Fonte: Febrasgo

HPV tem tratamento? Ginecologista responde esta e outras dúvidas frequentes no consultório

O papilomavírus humano (HPV) tem tratamento? O médico Jefferson Valença, presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia de Pernambuco, responde a pergunta durante o programa Casa Saudável, exibido pela TV JC. Trata-se de um vírus transmitido pelo contato direto com pele ou mucosas infectadas por meio de relação sexual. Também pode ser transmitido da mãe para o filho no momento do parto. Nas mulheres, o vírus é um dos causadores do câncer de colo de útero. No caso dos homens, o vírus pode causar o câncer de pênis e/ou os condilomas (verrugas). A vacina não substitui a realização do exame preventivo nem o uso do preservativo nas relações sexuais.

Confira: