Sonhos podem te ajudar a tomar decisões

Nos primórdios da civilização, as pessoas consultavam oráculos e sábios e relatavam os seus sonhos para que eles fossem decifrados.

Na tribo Senoi na Malásia, as crianças sempre relatavam os sonhos para os seus pais, pois eles acreditavam que o controle dos sonhos era muito importante para o indivíduo e para a coletividade.

Há um relato bíblico que ilustra bem esta perspectiva sobre os sonhos.  Certo dia, o Faraó sonhou com 7 vacas gordas seguidas de 7 vacas magras. Curioso, ele procurou José do Egito para que ele decifrasse o sonho. Assim, José explicou que as vacas gordas simbolizavam 7 anos de fartura e que as vacas magras simbolizavam 7 anos de escassez. Ao ter essas respostas, o Faraó ordenou que o máximo de alimentos fossem estocados durante o período de fartura para que o povo sobrevivesse ao período de estiagem.

Sonhos e inconsciente

De acordo com a psicanálise freudiana, os sonhos são a estrada para o inconsciente. O inconsciente é a coleção de todas as memórias e suas combinações possíveis, é o projeto-base originário da natureza do ser humano.

O psicanalista Carl Jung também fala bastante sobre os sonhos e sua relação com o inconsciente. Ele afirma que os sonhos transportam imagens do inconsciente que representam arquétipos (símbolos) que representam características do sonhador. Ou seja, não podemos classificar as interpretações oníricas como universais, pois elas variam de acordo com o contexto de vida de cada pessoa. Se uma mulher sonha que está grávida, por exemplo, não significa necessariamente que ela esteja grávida. Na verdade, pode ser que uma grande transformação interior esteja a aguardando.

Sonhos e imagens

A palavra imagem é derivada do latim “in me ago”, que significa ajo em mim. E toda a imagem informa alguma coisa. A palavra informa também vem do latim “in” (dentro) + forma (matéria). Toda a imagem carrega consigo uma matéria. Logo, “as imagens apresentadas pelo inconsciente por meio dos sonhos, carregam consigo a forma de uma energia que está em ação”, diz o filósofo e  fundador da ontopsicologia Antonio Meneghetti.

Ainda de acordo com o filósofo, o sonha carrega uma informação completa do sonhador. Ao ser decifrada, esta informação se torna uma ferramenta que pode auxiliar o sujeito a tomar uma decisão em algum aspecto de sua vida. As imagens de um sonho completo, revelam: a situação existencial do sujeito aqui, agora e assim; a causa e a solução dos acontecimentos.

Sonhos e Sidarta Ribeiro

Segundo o neurocientista Sidarta Ribeiro, os sonhos são uma dimensão da mente que apresentam uma simulação da vida, que possibilita que a gente aja sem consequências. Como se sonhar fosse uma espécie de treinamento para a realidade.

“No mundo contemporâneo não há lugar nenhum para o sonho. Ninguém pergunta sobre os sonhos. Mas, se você não prestar atenção aos sonhos, no fundo, é todo um espaço mental que deixa de existir. É como se a pessoa abrisse mão de uma dimensão da sua mente”, diz o neurocientista.

Os sonhos também podem funcionar como autocrítica. Anotar os sonhos é uma estratégia muito interessante, que quando recorrente, possibilita que o indivíduo vá construindo análises sobre si mesmo através da ponte entre o os sonhos e a vida real.

Mas as pessoas estão cada vez menos introspectivas. Elas vivem focadas no externo: consumo, dinheiro, sucesso, trabalho, opinião alheia. Não sobra espaço para autoconhecimento. Segundo o escritor, voltamos à Idade do Bronze, caracterizada por baixa complexidade de pensamento.

Fontes: Sidarta Ribeiro, Antonio Meneghetti, Carl Jung e Freud.