É importante falar sobre amamentação

Amanhã começa o Agosto Dourado, dedicado à amamentação.

Neste mesmo mês, será lançado nas telonas do Brasil o filme De Peito Aberto, que retrata o ato de amamentar de forma verdadeira, crua, natural e poética.

Como tudo começou

Depois de passar por muitas dificuldades para amamentar sua filha Clara, hoje com 6 anos, a diretora Graziela Mantoanelli percebeu uma escassez de imagens que representassem e contassem a realidade do que é amamentar. O apoio que recebeu de outras mulheres, organizadas em redes, grupos no WhatsApp, Facebook e presenciais, foi fundamental para alcançar êxito ao amamentar sua filha. E foi de onde tirou forças para enfrentar o desafio de realizar este filme. 

O Filme

 De Peito Aberto é um filme sobre aleitamento materno e também sobre o período de vida mais rico e transformador para a criança, para a mãe e para quem quiser acompanhá-los e apoiá-los nesse imenso desafio. O filme fala sobre a realidade da mulher em uma das maiores metrópoles do mundo, em pleno século XXI. É um filme sobre a indústria do alimento e a indústria do cuidado com a pessoa humana, e que discute o efeito cultural, simbólico, mitológico da Ama de Leite no Brasil atual. Acima de tudo, é uma obra poética, um agradecimento tardio a essa figura ao mesmo tempo central e invisível em nossa sociedade, que é a mãe. 

O Contexto

Seis mães de diferentes realidades socioculturais são retratadas durante os primeiros 180 dias de vida dos seus bebês. Elas vivem o desafio de amamentar os seus filhos durante o período recomendado pela Organização Mundial de Saúde para prover aleitamento materno exclusivo. Da sala de parto, onde ocorrem as primeiras mamadas, até os seis meses de vida do bebê, quando as mães oferecem um depoimento final sobre essa jornada, o filme capta emoções, embates e questões como o papel da mulher na sociedade atual, a família em diversos modelos e configurações, a relação entre maternidade e trabalho, as políticas públicas para amamentação, os interesses privados por trás do desmame precoce, entre muitas outras questões.

A costura narrativa se dá pela observação cotidiana da diretora Graziela Mantoanelli e sua equipe, composta de mulheres e homens engajados com a luta pelo aleitamento materno. E por sua relação com o feminismo, com a busca de um novo lugar para a mulher na sociedade atual. Como testemunha ocular de todos os problemas e dificuldades que se tornam fatores de desistência de muitas mães em cumprir a recomendação mínima da OMS, segue atrás de opiniões de especialistas e outras mães para problematizar o assunto. Suas reflexões são contextualizadas com imagens do intenso deslocamento pela cidade de São Paulo. Uma observação participativa, reflexiva, performática e poética sobre o tema. O resultado do processo é a transformação, o surgimento de novas realidades e possibilidades, tanto para as mães retratadas no filme, como para as gerações futuras, sensibilizadas para o poder do aleitamento como alimento, afeto e como cultura de vida.

Fonte: De Peito Aberto