Ovário Policístico e Diabetes

A síndrome do ovário policístico (SOP) é um distúrbio hormonal em que a mulher não ovula e nem menstrua com regularidade. Os sintomas mais comuns e conhecidos são a irregularidade do ciclo menstrual, pelas espinhas e pelos em excesso e pelas cólicas fortes. Mas além de facilitar a obesidade o e risco de câncer de endométrio, a condição também aumenta em 4 vezes a predisposição de desenvolver diabetes.

Estudos recentes mostraram que existe um elo entre a SOP e a resistência insulínica do corpo, causada por um defeito genético.

O estudo observou o sequenciamento genético de 60 mulheres com diagnóstico de puberdade precoce central ou histórico de menstruação precoce. Durante a análise, foram identificados 3 tipos de mutações do gene DLK1, as quais provocam mutações metabólicas como obesidade, intolerância à glicose, diabete tipo 2 e ovário policístico.

“Provavelmente, a falta do gene aumenta a diferenciação do tecido adiposo [gordura], principalmente na região abdominal. Esse aumento de tecido adiposo visceral está associado à piora da resistência insulínica”, explica Larissa Garcia Gomes, autora do estudo e diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional de São Paulo (SBEM-SP).

A médica explica que os ovários têm receptores de insulina nas células responsáveis pela produção de testosterona. O aumento desse hormônio está diretamente ligado à presença de ovário policístico. Quando a insulina está alta, a liberação de testosterona também aumenta. O aumento desse hormônio no organismo leva à anovulação, que é quando os ovócitos não atingem maturidade para a ovulação. Com isso, em vez de sair dos ovários, eles continuam lá dentro, formando os pequenos cistos característicos da SOP.

Larissa diz que a descoberta de alterações no gene DLK1 vai mudar a forma de conduzir as pacientes em termos de diagnóstico e tratamento. 

Fonte: Estadão