ATÉ QUE PONTO PODEMOS EVITAR AS DOENÇAS?

Um estudo divulgado nesta semana, por pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA), mostrou uma causa, que explica porque os ataques cardíacos coronarianos são tão comuns em seres humanos e são “virtualmente inexistentes” em outros mamíferos, inclusive nos nossos “parentes” chimpanzés.

Em algum momento entre dois e três milhões de anos atrás, nossos ancestrais “perderam” um gene chamado CMAH e suas funções foram desativadas. Essa característica foi passada até o Homo sapiens (200 mil anos atrás) e trouxe uma maior propensão a sofrer ataques cardíacos (Infarto agudo do miocárdio).

As doenças cardiovasculares são a maior causa de mortalidade no mundo (31% das causas) e a maioria destas mortes são por complicações da aterosclerose (“deposição de gordura nas artérias”); a ausência da CMAH impulsiona o desenvolvimento da aterosclerose e pode também contribuir para aumentar o risco de câncer de cólon e diabetes.

Embora exista uma série de fatores que aumenta o risco de ataque cardíaco (colesterol alto, sedentarismo, idade avançada, hipertensão, obesidade e tabagismo), em 15% dos casos de doença cardiovascular, o paciente não tem nenhum desses fatores. Seriam casos, apenas, de predisposição genética. Chimpanzés que foram criados em cativeiro e também com os fatores de risco listados acima, não apresentaram maior incidência dessas doenças.

Entre os nossos alimentos, a carne vermelha tem uma molécula em abundância, produzida por este gene, que por ser “estranha” ao homem causa uma reação imunológica, que pode causar uma reação inflamatória na circulação sanguínea e contribuir para o aparecimento da aterosclerose, sendo então um alimento prejudicial, principalmente se consumido em excesso.

Esse estudo pode ajudar a explicar por que os seres humanos são mais propensos a desenvolver complicações cardiovasculares em comparação com outras espécies, apesar de possuírem fatores de risco semelhantes e ajudar a desenvolver maneiras de combater a ausência deste gene.

Num momento em que muito se discute sobre meio ambiente, sustentabilidade e dietas sem proteína animal, devemos tentar diminuir o consumo de carne vermelha. Essa é uma medida que pode nos ajudar a melhorar nossa qualidade de vida.

 

Dr. Ricardo Faure                         Fonte: BBC.com – “O gene perdido” –