Mãe não é tudo igual

A Revista AzMina publicou em 2016 uma reportagem riquíssima sobre a maternidade em diversas tribos indígenas. Já faz alguns aninhos, mas é muito interessante (e importante) conhecer mais sobre a cultura indígena e perceber o quanto ela tem a agregar. Indígena ou não, mãe não é tudo igual! O espirito materno é puro instinto, não tem lei. Tem escolhas, identificação e respeito. Tanto da mãe, quanto do filho.

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Agora, vamos para uma palhinha da reportagem.

Na Tribo Tapayuna, no Mato Grosso, as mães carregam a criança no colo praticamente o dia todo. Elas usam uma espécie de tipóia para sustentar seus filhos (as) e permitir que eles mamem quando tiverem vontade. E assim, elas continuam seus afazeres: fazer artesanato, tirar roupa do varal…Tudo que conseguirem fazer com a criança no peito.

Já as crianças da tribo Kaingang, mamam no peito de mais de uma mãe, e o quanto quiserem. Tem algumas crianças param de mamar com menos de um ano enquanto outras mamam até os 6 anos, conta a antropóloga Joziléia Daniza.

Nesta tribo, o desenvolvimento e a necessidade da criança é respeitado. Mamar em mais de um peito se tornou necessário desde que as mães passaram a trabalhar fora, em fábricas da região. Tudo para manter o bebê alimentado. E o ciúme? Até existe, mas são relações muito distintas.

“Você sabe que é importante para o seu filho que a avó leve ele para tomar banho, que outras mãe deem comida, que ele se relacione com diversos irmãos…Porque isso é um apoio. Uma criança Kaingang não fica sem pai, nem mãe. Ela vai ter pai e mãe, embora seus pais biológicos muitas vezes não estejam com ela”, diz a antropóloga.

A amplitude das relações de parentesco entre muitos grupos indígenas, permite que as crianças recebam atenção e cuidados de diversas pessoas e que desenvolvam autonomia desde pequenas. Em uma casa Kaigang, por exemplo, o núcleo familiar é formado pela “mãe velha”, como se fosse uma matriarca, e uma rede de mulheres: filhas, noras, netas e agregadas.

“Essas mulheres se cuidam e se apoiam. Temos uma relação de parentesco vai além do sangue, é uma relação de afinidade” – complementa Joziléia.

Os Tapayuana, por exemplo, usam a mesma palavra para denominar “pai” e “tio”, como se ambos fossem pai da criança.

Desmame

A autonomia vem mais cedo para as crianças indígenas, independente da idade do desmame. Geralmente, entre um e dois anos, a criança já começa a comer sozinha, ir para o rio com outras crianças, cuidar dos irmãos mais novos e ajudar nas tarefas.

Parto na tribo Dessana

Quando a cólica chega avisando a vinda do bebê, a mulher toma um remédio para aumentar ainda mais a dor e a parteira é chamada. Muitas vezes, os remadores (sempre homens) também  são convocados para “arrumar” a posição do bebê dentro do útero por meio de uma oração. Em um parto na tribo Dessana, sempre haverá a parteira, os rezadores, os pajés, curandeiros e os líderes espirituais.

O homem é o combo da força espiritual e física.

“Especialmente no parto normal, em casa, a gente precisa da força do homem. Porque é ele que vai segurar a gente. Na hora de dar a luz, a gente fica completamente sem força, sem nada. Então precisa do homem pra te segurar, pra manter você alerta ali. E da força do homem. Porque a gente tem o nosso parto sentada. Então o homem tem que ficar segurando a gente firme mesmo” – Gisele Fontes, da Aldeia Dessana.