ESPIRITUALIDADE E DOENÇA

A maneira como cada pessoa enfrenta as etapas de uma doença (diagnóstico, tratamento, reabilitação) e como ela lida com a possibilidade de morrer depende de características pessoais como personalidade, história de vida, núcleo familiar e nível sócio econômico cultural e espiritual.

Uma doença crônica, muitas vezes de evolução incerta (câncer, doenças autoimunes, doenças degenerativas), faz a pessoa procurar respostas sobre a vida:

– Quanto tempo ainda me resta?

– Fiz o que deveria e poderia até hoje?

– O que ainda devo resolver?

– Tenho a vida que gostaria?

Como é um assunto que vem sendo colocado em evidência mais recentemente, existe pouca literatura científica para este tema tão abrangente e muita polêmica em relação ao enfrentamento do câncer com auxílio espiritual. Estudos antropológicos atuais mostram que a visão religiosa está envolvida com o processo saúde-doença. Alguns estudos têm demonstrado associação positiva entre espiritualidade e enfrentamento da doença, diminuindo depressão, favorecendo maior adesão ao tratamento e consequentemente melhorando a qualidade de vida. Na visão mais elementar, a espiritualidade funciona como um facilitador na condução da doença.

A visão cartesiana que trata a pessoa com intervenções físicas e químicas padrão, para doenças com evolução incerta, deve sempre ser reavaliada. O bem-estar espiritual é uma das dimensões de avaliação do estado de saúde junto com as características corporais, psíquicas e sociais. O efeito da espiritualidade é relatado como fator de redução de stress psicológico durante todo o processo da doença e o bem-estar espiritual oferece proteção contra o desespero do fim da vida, trazendo paz e significado para este momento quando ele é inevitável.

Vale lembrar que a espiritualidade independe de denominações religiosas. É a busca pelo sagrado independente de ligação com instituições religiosas. Deve favorecer o amadurecimento pessoal e mostrar significado pela situação de vida. É universal e disponível para qualquer ser humano.

Vivemos numa sociedade que presta pouca atenção à alma. A espiritualidade faz a alma despertar colocando-nos diante do sagrado da existência humana, fazendo-nos seguir com dignidade e coragem o nosso destino. É um dos pilares que devemos considerar na condução do tratamento do paciente.

Dr. Ricardo Faure / Dra. Patrícia Pereira Faure