Brasileiras deixam saúde do coração de lado, diz pesquisa

As brasileiras cuidam da saúde ginecológica, mas deixam de lado a atenção com a saúde em geral, especialmente a cardiovascular. A análise é do presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM), o professor doutor Antonio Carlos Lopes, ao avaliar os resultados da pesquisa Mulher Coração, divulgada neste mês.

Segundo o médico, as doenças cardiovasculares na mulher já ultrapassam as estatísticas dos tumores de mama e de útero. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que elas correspondem a um terço das mortes no planeta, com 8,5 milhões de óbitos por ano – ou seja, mais de 23 mil por dia. Entre as brasileiras, principalmente as acima dos 40 anos, as cardiopatias chegam a representar 30% das causas de morte, a maior taxa da América Latina.

“É uma questão cultural. No passado, realmente as doenças cardiovasculares não afetavam tanto as mulheres. E é compreensível porque isso mudou: elas têm uma carga de trabalho pesada, vivem sob pressão para cuidar da família… Aliás, o sistema econômico familiar, hoje, depende delas. E há até aquelas que são responsáveis, sozinhas, por suas famílias”, lista Lopes, que continua: “Os problemas dos filhos são diferentes dos que as crianças tinham no passado. Tudo isso aliado à alimentação inadequada – com mais fast-food –, sedentarismo, tabagismo, obesidade e consumo excessivo de bebida alcoólica contribui para essa estatística”.

Detalhe: a pesquisa revela que 78,61% das entrevistadas têm histórico de hipertensão na família. E 69,65% delas contam com histórico familiar de doença cardiovascular, aumentando ainda mais as chances de ficarem doentes. “A genética não dá para modificar, claro, mas a mudança de hábitos é primordial para prevenir essas doenças”, reforça Lopes. Diabetes e alteração nas taxas de colesterol são outros fatores de risco importantes, assim como a chegada da menopausa e as terapias de reposição hormonal.

O pacote de bons hábitos inclui fazer uma atividade física regular, alimentar-se de maneira equilibrada (consumindo frutas, verduras e menos alimentos gordurosos), não fumar e evitar a ingestão de bebidas alcoólicas, que têm impacto sobre a pressão arterial, além de manter o peso em dia. “O número de fumantes até caiu nos últimos anos no Brasil (na pesquisa, 14,14% informaram ser ou ter sido fumantes), mas, em compensação, as mulheres fumam mais agora do que no passado. E o alcoolismo entre elas aumentou (42,77% disseram beber)”.

Pelo fato de a mulher se consultar regularmente com o ginecologista (69,91% vão fazer check up uma vez por ano), Antonio Carlos Lopes recomenda que ela peça uma avaliação ao médico. “Ele não vai tratar dela, mas pode identificar os fatores de risco e encaminhar para um clínico ou cardiologista… Essa campanha Mulher Coração, que começou no ano passado, nasceu justamente da necessidade de informarmos a população feminina sobre a prevenção de doenças cardiovasculares. No Brasil, aproximadamente 30% dos acidentes cardiovasculares acontecem com mulheres. Assim, é de nossa responsabilidade divulgar as formas de identificar e evitar esses casos”, ressalta.

Fonte: A Tribuna.com.br