Vacinas: Devo tomar?

A História das vacinas começou há cerca de 200 anos, quando Edward Jenner observou que as mulheres ordenhadoras de leite de vaca, que tinham se contaminado com a “vaccinia” ou varíola bovina, mantinham-se imunes à varíola humana, que era uma doença com alta taxa de mortalidade. A partir daí, foram realizados testes que comprovaram a eficácia da imunização, o que evitou a morte de milhões ou mesmo bilhões de pessoas até hoje. O nome vacina ficou então consagrado desde esta época.

Historicamente sempre houve resistência às campanhas e no Brasil não foi diferente. Em 1904 tivemos a “Revolta da Vacina”, que foi causada pela insatisfação da população contra a obrigatoriedade da vacinação posta em prática pelo sanitarista Oswaldo Cruz, a mando do presidente Rodrigues Alves.

Já foram desenvolvidas imunizações para várias doenças com alto poder de letalidade ou mesmo com sequelas incapacitantes, como a febre amarela e a poliomielite e certamente, isso determinou um forte impacto na redução da mortalidade por doenças infecciosas. Com exceção da água potável, nenhuma outra intervenção teve tanto impacto na redução da mortalidade e no crescimento populacional. A diminuição dos casos de determinadas doenças, faz a população diminuir a adesão à vacinação, o que pode causar novo aumento dos casos, como o que está acontecendo com o sarampo atualmente. O Brasil não tinha casos de sarampo desde setembro de 2016.

Assim como tudo na área da saúde, existe uma evolução contínua no desenvolvimento dos imunizantes, que em muitos casos já são feitos através de engenharia genética, o que diminui radicalmente os efeitos adversos (até os anos 80 as técnicas eram mais precárias). Diversas vacinas estão atualmente em desenvolvimento (HIV, Dengue, Zika, Malária) e existem recomendações de vacinação para cada idade segundo os órgãos responsáveis (OMS, Ministério da Saúde), que devem ser seguidas. Cada vacina tem o seu público alvo e sua relação risco/benefício e devem ser sempre realizadas, salvo em casos onde exista uma contraindicação. Consulte sempre um profissional de saúde. Previna-se

Dr. Ricardo Faure                      Fonte: Revista Ser Médico n° 85 ano 2018