Telemedicina – Um olhar para o “futuro”

Em 2018, o Plenário do Conselho Federal de Medicina (CFM) encerrou o ano aprovando a Resolução n° 2.227/18, que é um novo marco para o exercício da profissão no Brasil. O texto, elaborado após debates com especialistas, amplia as possibilidades de atendimento médico a distância e estabelece as primeiras regras, levando em consideração questões éticas, técnicas e legais.

A resolução, em seu artigo 1.º, define a telemedicina como “o exercício da medicina mediante a utilização de metodologias interativas de comunicação audiovisual e de dados, com o objetivo de assistência, educação e pesquisa em saúde”.

Não existe dúvida, que a telemedicina já está presente em nossa realidade há algum tempo, através de “consultas” por rede social, aplicativos, e-mail e mesmo por telefone, mas a velocidade de crescimento da tecnologia é exponencial e todas as profissões estarão sempre se reajustando e rapidamente.

O benefício para determinadas situações como segunda opinião de tratamento, avaliações que são monitoradas por aparelhos como determinação de tipo de deficiência visual, avaliações de exames de diagnóstico, além de cirurgias à distância são incontestáveis. A demora no atendimento em postos de saúde e hospitais é apontada como fator crítico no funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

A finalidade da telemedicina pode beneficiar populações de cidades mais distantes, mas estas cidades precisam formar estruturas para viabilizar o projeto. Em muitos lugares a prioridade provavelmente nem é esta. Existem ainda diferenças culturais, que dificultam a comunicação médico-paciente.

A relação médico-paciente é sem dúvida um fator importante para o sucesso do tratamento. Em muitos casos, o olhar para cada pessoa, seu tom de voz, sua expressão e mesmo a característica de sua narração podem ser fundamentais para fazermos um diagnóstico. O cuidado com a informação que o médico recebe virtualmente deve ser muito bem avaliada. Tomar condutas nesta situação requer mais cuidado.

A medicina é uma profissão que exige ética acima de tudo.

A chegada da telemedicina é mais um avanço, mas como toda novidade que se incorpora em qualquer atividade humana, tem um período de adaptação, uma curva de aprendizado.

Precisamos contar com a honestidade, a coragem e a empatia das pessoas, para que a saúde seja de fato um direito da população, que novas tecnologias sejam aplicadas de fato em prol da saúde e não para interesses secundários. E que prevaleça sempre a intenção de curar, ajudar, aliviar…

 

Dr. Ricardo Faure                                             Fonte: Conselho Federal de Medicina