Cisto no ovário: nem sempre ‘vai embora’ sozinho

A presença de cistos nos ovários nem sempre é algo que “vai passar com o tempo” e pode ser ignorada. Principalmente no caso da síndrome dos ovários policísticos (SOP), distúrbio caracterizado por alterações hormonais formação de pequenos cistos nos ovários.

As principais queixas das mulheres com SOP são o aumento de pelos em áreas de distribuição corporal tipicamente masculina, que ocorre em 75% dos casos, acne e irregularidade menstrual, muito comum, presente em até 85% dos casos. A obesidade também é um dos sinais que acomete até 60% das pacientes.

Mas muitas vezes existe demora no diagnóstico. Uma pesquisa feita em dezembro do ano passado, com cerca de 1.300 mulheres da América do Norte e da Europa, mostrou que o diagnóstico demorou mais de 2 anos para 33% dessas pacientes. E quase metade – 47% das mulheres – precisou passar em consulta por três profissionais de saúde para receber o diagnóstico. Apenas 15% das pacientes estavam satisfeitas com as informações fornecidas no momento do diagnóstico.

Geralmente, as primeiras manifestações começam ainda na adolescência – após 2 anos da primeira menstruação – com persistência de atrasos ou ausência dos ciclos menstruais, estendendo-se até o início do período da transição para a menopausa. A SOP acomete cerca de 6 a 10% da população feminina entre 18 e 45 anos.

A detecção dessa síndrome é feita por meio de um conjunto de critérios  – sintomas, exames de laboratório e ultrassonografia.

Segundo especialistas, o tratamento é direcionado às necessidades particulares de cada mulher, dependendo do desejo ou não de engravidar e na prevenção de futuras complicações em virtude da frequente associação com outras doenças.

O tratamento engloba perda de peso e podem ser necessárias orientações cosméticas, incluindo depilação a laser e medicações para normalizar a função menstrual.

Fonte: Febrasgo

DIU: longa ação e menos preocupação no dia a dia

Escolher um método anticoncepcional de longa ação, como o dispositivo intrauterino, o DIU, requer uma boa conversa com o ginecologista. No consultório, o médico avalia as expectativas da paciente e vai mostrar as vantagens e desvantagens do método. Se você é daquelas mulheres que precisam de lembretes, alertas no celular para não esquecer a hora de tomar a pílula, o DIU pode ser o ideal.

O DIU é um contraceptivo que associa facilidade de utilização ao bloqueio da fertilidade pelo tempo desejado. Isso significa prevenir a gravidez por muito mais tempo sem exigir compromisso periódico e permite o retorno da fertilidade depois da sua retirada, geralmente após a próxima menstruação.

“O DIU é muito recomendado para quem esquece de tomar um anticoncepcional na mesma hora ou nem lembra. No Brasil, existem dois. Um com o cobre e um com o hormônio progesterona. Tanto o DIU de cobre quanto o DIU com hormônio são colocados dentro do útero”, explica o ginecologista Rogério Bonassi, presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da FEBRASGO.

O procedimento para qualquer um dos métodos é simples, rápido e costuma ser realizado no consultório médico. “Os dispositivos evitam a chegada dos espermatozóides até as trompas”, descreve o médico.

O DIU com cobre (que é um metal) pode ser utilizado por até 10 anos. O cobre tem ação espermaticida, isto é, destrói os espermatozóides, impedindo sua penetração no útero.

Já o DIU com hormônio libera a progesterona no útero gradualmente, por cinco anos. Esse hormônio altera a secreção do colo uterino impedindo e dificultando a penetração dos espermatozóides.

O uso de qualquer um deles é reversível, ou seja, pode ser interrompido se houver o desejo pela maternidade em qualquer momento. Quando retirados, ocorre o retorno rápido da fertilidade pré-existente, não importando por quanto tempo a pessoa utilizou o método. Nenhum método contraceptivo é 100% eficaz, mas as taxas de falha de um DIU são muito baixas.

Em alguns casos, o DIU com o hormônio levonorgestrel pode alterar a menstruação (um sangramento irregular no início com tendência a diminuição). Após cerca de seis meses, algumas mulheres podem apresentar redução ou ficar sem menstruar. Há aquelas que menstruam normalmente. Mas importante destacar que isso em nada afeta a eficácia do método, nem traz risco para a saúde.

Fonte: Febrasgo

Menstruação e ovulação têm tudo a ver, sim

A duração do ciclo reprodutivo da mulher equivale ao número de dias contados desde o primeiro dia da menstruação até o dia anterior à próxima menstruação. O número de dias é a duração do ciclo, mas a quantidade de dias varia para cada mulher. E pode variar também em cada ciclo.

Muitas mulheres só vão pensar no assunto ovulação quando querem engravidar. Mas, afinal, o que é a ovulação e o que ela tem a ver com a menstruação? Ovulação é a fase do ciclo menstrual em que o óvulo é liberado pelo ovário, que segue até as trompas para ser fecundado e chega ao útero onde o óvulo fecundado se implanta. O período fértil ocorre normalmente no meio ciclo, mas não é uma regra absoluta. É difícil calcular o período fértil em casos de menstruação irregular. É durante a ovulação que o desejo da mulher costuma aumentar.

Já a menstruação é o fluxo de sangue provocado pela descamação das paredes uterinas que formam o endométrio, quando não ocorre a fecundação. Na teoria, não é possível engravidar durante este período de sangramento, já que menstruação é a “descamação” do endométrio, camada que é preparada para receber a gestação. Porém, o corpo não é uma máquina exata, por isso é sempre bom tomar medidas preventivas para evitar o risco.

Muitas vezes, o período da menstruação é acompanhado de indesejáveis cólicas. Exercícios físicos podem ser um bom aliado para aliviar o desconforto.

A pele da mulher também pode sofrer algumas alterações durante a menstruação, como acne e aumento da oleosidade, que podem ficar mais acentuadas neste período. É verdade também que os hormônios podem provocar inchaços no corpo feminino durante o período menstrual por causa da retenção líquida. Uma sessão de drenagem linfática e manter a atividade física são recomendados.

A maioria das mulheres sofre desconfortos como inchaço nos seios, pernas e abdome e indisposição durante o período pré-menstrual e menstrual, a chamada TPM ou tensão pré-menstrual.

Importante lembrar que é sempre recomendável procurar um ginecologista para confirmar que a saúde ginecológica está em ordem.

Fonte: Febrasgo

Doença inflamatória pélvica: diagnóstico ainda difícil

Uma em cada quatro mulheres com doença inflamatória pélvica (DIP) acabam tendo sequelas a longo prazo. A infertilidade é uma delas – podendo afetar 30 a 40% das mulheres.

A inflamação pélvica não é só uma dor. Trata-se de uma infecção do trato genital feminino que pode incluir o endométrio, as trompas uterinas e os ovários. Apesar de estar associada às doenças sexualmente transmitidas (DST’s) do trato genital inferior, a DIP é o resultado de um processo polimicrobiano.  Ou seja, vários micro-organismos podem estar envolvidos e o uso de preservativo representa uma importante barreira contra eles.

O diagnóstico nem sempre é fácil. O sintoma mais comum é a dor abdominal baixa. Mas ela pode se manifestar com dor durante o ato sexual, dor lombar, febre, calafrios, náuseas, além de corrimento, coceira, sangramento e forte odor na vagina. Mas há mulheres que não apresentam nenhum sintoma clássico.

E por que reforçamos tanto a atenção para esta doença? Pacientes com danos leves têm 3% de chance de terem dificuldade para engravidar no futuro. Danos moderados aumentam o índice para 13%. Quando a inflamação pélvica causa danos tubários graves, essas chances chegam a 29%.

Além do histórico de doenças inflamatórias prévias, outros fatores de risco predispõem a paciente a novos episódios, como a existência de múltiplos parceiros sexuais (mais de dois num período de 30 dias) e fazer sexo sem uso de preservativo.

Um alerta sobre as adolescentes: jovens que já manifestaram doença inflamatória pélvica devem passar por consulta periodicamente para serem orientadas de forma correta sobre a prática do sexo seguro.

Ovários Policísticos – O Que é, Causas e Sintomas, Prevenção e Tratamentos

A SOP, abreviação usada para a Síndrome dos Ovários Policístico, é um distúrbio que interfere no processo normal de ovulação em virtude de desequilíbrio hormonal que leva à formação de cistos. O aparecimento de cistos durante o processo de ovulação faz parte do funcionamento dos ovários, mas eles desaparecem a cada ciclo menstrual. Em portadoras da Síndrome de Ovários Policísticos (SOP), esses cistos permanecem e modificam a estrutura ovariana, tornando o órgão até três vezes mais largo do que o tamanho normal. A disfunção pode levar à secreção de hormônios masculinos (androgênios) em excesso. A portadora da síndrome ovula com menor frequência e tem ciclos, em geral, irregulares. Calcula-se que a SOP afeta 20% das mulheres durante a fase de vida reprodutiva.
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ORIGEM DA SOP
Os fatores que levam ao desenvolvimento da SOP não são totalmente conhecidos, mas ela tem origem genética, em parte, pois irmãs ou filhas de uma mulher portadora do distúrbio tem 50% de chance de desenvolvê-la. Tudo indica que sua origem está associada com a produção da insulina em excesso pelo organismo. O aumento da quantidade dessa substância no sangue (a hiperinsulinemia) provocaria o desequilíbrio hormonal.

PRINCIPAIS SINTOMAS E SINAIS
Ciclos irregulares, menor frequência de ovulação e dificuldade para engravidar podem ser características comuns da síndrome dos ovários policísticos. O distúrbio ainda favorece o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, do diabetes tipo 2 e obesidade. Quando há excesso de hormônios masculinos, os sinais observados são:

Crescimento anormal de pelos nas regiões do baixo ventre, seios, queixo e buço;
Aumento da oleosidade da pele e aparecimento de espinhas e cravos;
Queda de cabelos;
Aumento do peso;
Manchas na pele, principalmente nas axilas e atrás do pescoço

DIAGNÓSTICO
Depende de avaliação completa, que exclua variáveis como problemas com a tireóide ou a glândula supra-renal. O exame de ultrassom, isolado, não é suficiente para fornecer o diagnóstico acertado da Síndrome. Para investigar as causas da irregularidade menstrual ou das manifestações androgênicas, os médicos costumam pedir os seguintes exames:

Dosagem dos hormônios FSH, LH, Estradiol, TSH, S-DHE, Testosterona total, 17-OH progesterona (entre o 2º e 3º dias do ciclo menstrual)
Curva de insulina associada à curva de glicemia.
Ultrassom pélvico.

TRATAMENTOS
É uma síndrome que pode ser controlada por medicamentos. Estes variam de acordo com o quadro de sintomas da paciente e suas complicações. A utilização de anticoncepcionais hormonais como pílulas, anéis vaginais, implantes protegem os ovários contra a formação dos microcistos e diminuem os níveis de hormônios masculinos e de insulina. Mulheres que planejam engravidar também devem utilizar anticoncepcionais hormonais, em um primeiro momento do tratamento, para regularizar a menstruação.

A suspensão do anticoncepcional depois da regularização dos ciclos menstruais aumenta a chance de ovulação e gravidez. Outra forma de intervenção para aumentar as chances de gravidez são os produtos indutores da ovulação. Quando a portadora da SOP apresenta altos níveis de insulina os médicos usam medicamentos específicos para reduzir a produção dessa substância. Na presença de gravidez, tais medicamentos podem ser usados até a 36ª semana de gestação.

OUTROS CUIDADOS
Para manter os sintomas sob controle os médicos costumam orientar suas pacientes sobre a manutenção de dietas mais leves, especialmente quando elas apresentam obesidade, acompanhada da prática de exercício físico, que beneficia todas as portadoras da SOP. E, dependendo do caso, tratamentos cosméticos com dermatologista.

Fonte: Sogesp

Campanha incentiva escolha segura de contraceptivos

A campanha #VamosDecidirJuntos, uma iniciativa da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), no ar desde março, tem o objetivo de promover o diálogo entre os médicos, as pacientes e os seus parceiros para a escolha do método contraceptivo mais indicado de acordo com cada perfil.

A federação acredita que o diálogo trará mais segurança e informações claras para a mulher que utiliza métodos contraceptivos, aumentando o nível de eficácia e reduzindo efeitos colaterais.

Estimativas indicam que, no Brasil, 22,1% das mulheres adotam a pílula anticoncepcional como método para prevenir a gravidez, seguindo-se o preservativo masculino (12,9%), injeção contraceptiva (3,5%) e dispositivo intrauterino – DIU (1,5%). Os métodos tradicionais (comportamentais), como a tabelinha e o coito interrompido somam 2,4%.

Segundo o ginecologista e presidente da Febrasgo, César Eduardo Fernandes, a campanha pretende levar a discussão também para o casal e incentivar o diálogo aberto e transparente sobre a contracepção. “Os homens costumam achar que esse é um problema feminino e não é. É uma decisão que deve ser do casal, por isso precisamos conscientizá-lo para que esteja junto”, frisou. Para ele, o médico é importante para dar esclarecimentos quanto à medicação, embora a escolha seja somente da mulher. “A paciente é soberana em sua decisão, o médico é apenas o consultor”.

Fernandes completa que a ideia da campanha também foi motivada pelo desconhecimento que as mulheres têm sobre os métodos anticoncepcionais. “Lamentavelmente, somos obrigados a fazer uma consulta curta e não é possível falar sobre tudo, então a campanha vai alavancar a divulgação [de todos os métodos].”

A campanha conta com um portal (www.vamosdecidirjuntos.com.br) com informações seguras e baseadas em orientações médicas, vídeos com especialistas, textos e artigos sobre o tema. Há ainda um espaço para esclarecimento de dúvidas sobre os métodos contraceptivos. O objetivo é ampliar a discussão sobre a contracepção, os métodos mais indicados em cada perfil e cada momento da vida. A ideia é estimular a mulher a fazer uma reflexão sobre sua vida sexual, seu momento de vida e sua saúde para que leve os questionamentos ao médico.

Durante o lançamento da campanha, o presidente da Febrasgo e a ginecologista e professora do Departamento de Tocoginecologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ilza Maria Urbano Monteiro, falaram da importância da mulher avaliar as necessidades pessoais e das responsabilidades dos médicos.

“Com essa campanha, a informação está chegando para as mulheres, e é difícil uma pessoa tomar uma informação consciente se ela não tiver informação”, esclareceu a professora. “Muita coisa ainda precisa ser feita, mas precisamos começar a falar desse leque enorme de opções para oferecer informação”, afirmou.

Decisão

Segundo a entidade, a contracepção é uma escolha individual com responsabilidades compartilhadas. Por isso, são necessárias a discussão e a reflexão. De acordo com as mulheres entrevistadas pela Agência Brasil, mesmo com o aconselhamento e apoio, a escolha definitiva é da mulher.

Para a professora Marta Ferreira, a decisão em fazer a laqueadura aos 30 anos foi só dela, embora tenha consultado o médico e o companheiro. “Após três filhas, decidi fazer a laqueadura, pois não queria ter mais filhos, conversei com meu companheiro e ele disse que me apoiava no que eu decidisse. A decisão foi minha”.

Já a publicitária Maria Carolina Malta Lahoz Miranda, defende que o médico deve ser sempre consultado, mas o companheiro, não. “Eu exijo o preservativo, do contrário não me toca”, explica.

A documentarista Luísa Ramos concorda que a decisão deve ser da mulher. “Ainda devemos ouvir várias médicas e outras fontes diversas e confiáveis, além de experiências de outras mulheres”. E completa: “a pilula é libertadora para a mulher, mas o uso e prescrição deveriam ser melhor avaliados, inclusive dar a opção de fazer exame para saber a tendência de trombose”.

A maquiadora Amanda Araújo acredita que a indicação de um médico é fundamental. “Cada mulher tem necessidades diferentes e o acompanhamento médico é sempre bom. A opinião do parceiro, por mais que não seja crucial para tomada de decisão da mulher, é bem-vinda, não custa nada perguntar para saber a opinião dele”.

Métodos contraceptivos

Os métodos contraceptivos podem ser divididos em dois principais grupos, os reversíveis e os definitivos:
Reversíveis: hormonais (pílulas, implantes, anel vaginal, adesivo transdérmico, injetável mensal), barreira (preservativos masculino e feminino), comportamentais (tabelinha e coito interrompido), diafragma, dispositivo intrauterino (DIU) e contraceptivo de emergência (pílula do dia seguinte);
Definitivos: esterilização feminina (laqueadura tubária) e esterilização masculina (vasectomia).

A definição do método mais adequado para cada mulher deve considerar o perfil, histórico de saúde, necessidades e preferências individuais.

Fonte: EBC

Ovários feitos em impressão 3D podem um dia restaurar a fertilidade das mulheres

A fertilidade se tornou um grande alvo para a medicina regenerativa. O raciocínio é: e se ciência e medicina pudessem ser usadas para simplesmente restaurar a fertilidade de mulheres que, por alguma razão, não a têm mais? Os cientistas acabaram de fazer isso em ratos.

Em um novo estudo que saiu na Nature Communications, cientistas da Northwestern University relatam ter removido com sucesso o ovário de uma rata e tê-lo substituído por um impresso em 3D, feito de seus próprios folículos ovarianos. Além disso, usando essas biopróteses de ovário, as ratas conseguiram ovular como uma rata normal, acasalar, dar à luz ratinhos saudáveis e até amamentá-los.

“A ideia seria que uma paciente de câncer jovem que precise fazer quimioterapia teria um ovário retirado antes do primeiro tratamento de esterilização, esse tecido seria preservado, seus folículos ovarianos, isolados, e então, quando ela estivesse pronta, poderíamos dar-lhe um novo ovário”, disse Teresa Woodruff, cientista reprodutiva e diretora do Women’s Health Research Institute, da Northwestern University, em entrevista ao Gizmodo.

Mas essa não é sequer a parte mais legal disso tudo. Nos últimos anos, outros cientistas já conseguiram na verdade esse feito em ratos usando impressão 3D algumas vezes. Mas os ovários humanos são muito maiores e mais complicados do que os de ratos, e havia preocupações de que o material e o método de construção dos ovários não fossem aguentar se você tentasse a mesma coisa em pessoas.

“Nosso verdadeiro avanço aqui foi usar gelatina, um biomaterial que compõe maior parte do nosso tecido mole, e criar um ovário substituto”, disse Woodruff. “Isso será importante para todo o campo de engenharia de tecidos.”

Woodruff e sua equipe conseguiram fazer uma estrutura rígida o bastante para aguentar a cirurgia, mas também porosa o suficiente para funcionar com os tecidos corporais da rata. Eles também descobriram que o padrão no qual o novo ovário foi impresso tinha um impacto significativo no sucesso da prótese de ovário.

Eis como funcionou: cientistas removeram ovários de rato para esterilizá-los e então preservaram o tecido ovariano e isolaram suas células produtoras de hormônios que suportam óvulos prematuros. Usando uma impressora 3D e gelatina, eles então imprimiram a estrutura básica do ovário e dosaram-na com os folículos ovarianos cultivados. Esses ovários foram então cirurgicamente transplantados de volta nas ratas, onde seus óvulos começaram a amadurecer e ovular. Vasos sanguíneos se formaram, o que permitiu aos hormônios circularem dentro da corrente sanguínea da rata, tomando conta de todas as outras partes da gravidez, como a lactação após o nascimento.

Eventualmente, as ratas deram à luz seus filhotes. Os filhotes foram também projetados para brilhar no escuro, como uma maneira de identificar quais nasceram de mães com biopróteses de órgãos.

Woodruff disse que o objetivo final foi não apenas permitir às mulheres engravidar, mas restaurar a saúde completa do sistema endócrino de uma mulher.

“Algumas pessoas só pensam no ovário como fertilidade”, disse. “Mas é muito mais do que isso. Ele é parte de um sistema completo da saúde da mulher.”

Existe muito interesse em torno do uso de tecnologias avançadas para restaurar e melhorar a fertilidade — e vários planos malucos de como fazer isso. O trabalho de Woodruff, no entanto, pode ser uma das abordagens mais realistas até agora. Ele já se provou funcional em ratos várias vezes. A essa altura, muito do que se precisa é refinar os detalhes de como isso vai se traduzir para pessoas. Woodruff espera resolver alguns dos desafios, como encontrar um método de impressão que crie as melhores chances de maturação dos óvulos e um material que crie um órgão resistente que dure em humanos.

O laboratório de Woodruff tem estado na vanguarda da tecnologia de fertilidade várias vezes. Nesse ano, seu laboratório usou culturas de tecido para criar uma miniatura em 3D do trato reprodutivo da mulher, uma “menstruação em placa de petri“. E eles conseguiram, com sucesso, criar óvulos prematuros até que atingissem a maturidade em laboratório. Regras de financiamento federal impediram-na de levar essa pesquisa mais adiante, fertilizando o óvulo para ver como ele continua a se desenvolver, mas ela está buscando vias não-governamentais para prosseguir seu projeto.

O trabalho do laboratório agora será testado em porcos, e há muito a ser feito antes de que ele esteja pronto para os humanos. Mas, segundo Woodruff, isso não será muito adiante no futuro.

“Isso está a menos de dez anos de chegar às pessoas”, ela disse. “Mas ainda não estamos lá.”

Fonte: Gizmodo

Frente a Frente com Bernardo – Como identificar o Câncer de Mama, com Drs. Ricardo e Patricia Faure

Cistite

Cistites são inflamações da bexiga, um dos órgãos das vias urinárias. O sistema urinário humano é constituído pelos rins (órgão duplo com formato semelhante a um feijão), dois ureteres, canais que vão desembocar de um lado e do outro no interior da bexiga, uma espécie de bolsa onde fica armazenada a urina que é eliminada pela uretra. Os rins são órgãos bastante irrigados. A artéria aorta que sai do coração divide-se nas artérias renais (em azul, está a veia cava) que mandam inúmeros ramos para dentro dos rins.
É por causa dessa irrigação intensa que eles conseguem filtrar o sangue que volta para o coração. As infecções podem acometer o trato urinário em qualquer altura. Dependendo da região em que se localizem, são chamadas de uretrites (na uretra), cistites (na bexiga urinária) ou pielonefrites (no parênquima renal). Na verdade, fica muito difícil fazer essa distinção, porque qualquer bactéria que penetre pela uretra tem acesso a todo o sistema urinário.

PREVALÊNCIA NAS MULHERES

Drauzio – Como as bactérias conseguem atingir a bexiga urinária e provocar cistite?

Paulo Ayrosa Galvão – As bactérias que colonizam a região perineal, ao redor do ânus, podem entrar pela uretra, ascender até a bexiga e provocar um quadro infeccioso. Normalmente, tanto o homem quanto a mulher têm condições de evitar que isso ocorra, porque existem barreiras imunológicas capazes de impedir que elas atinjam a bexiga. Todavia, por alterações anatômicas ou razões ainda não totalmente compreendidas, a infecção acontece.

Drauzio – Por que as cistites são mais comuns nas mulheres do que nos homens?

Paulo Ayrosa Galvão – Provavelmente, uma em cada quatro mulheres vai ter cistite no decorrer da vida. Nos homens, a doença é mais rara. Aparentemente é uma questão anatômica. A uretra mais longa do homem aumenta o trajeto que a bactéria deve percorrer entre o períneo e a bexiga. Já a mulher tem uretra muito mais curta e bastante próxima do intróito vaginal e do ânus, o que favorece a infecção. Além disso, parece que por serem antissépticos, os líquidos prostático e seminal dificultariam contaminação. Outra hipótese é a ocorrência de predisposição genética. Algumas mulheres seriam mais suscetíveis às cistites, porque possuem alterações nas células que revestem o tecido urinário e menor capacidade para prevenir infecções.

Drauzio – Além dessa associação entre a anatomia feminina, vida sexual ativa e predisposição genética, existe alguma outra explicação para a prevalência das infecções urinárias nas mulheres?

Paulo Ayrosa Galvão – O uso de espermicidas tem nítida relação com a infecção urinária na mulher, porque mudam o pH do sistema urinário. Associados à relação sexual, que por si só é um fator de risco, aumentam a probabilidade de infecções.

PREVALÊNCIA NAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Drauzio – As cistites constituem um problema urinário não só para as mulheres grávidas ou que iniciam a vida sexual. Elas também são problemas sérios na vida das crianças.

Paulo Ayrosa Galvão – É muito importante que, feito um diagnóstico de cistite numa criança, sejam avaliadas as condições de suas vias urinárias para verificar se não existe malformação na bexiga ou nos ureteres que favoreça a instalação da doença. Mesmo que a criança seja assintomática, episódios de febre e perda de peso podem ser sinal de infecções urinárias de repetição responsáveis por lesões renais importantes.

Drauzio – Tanto as meninas e quanto os meninos precisam fazer esse estudo?

Paulo Ayrosa Galvão – Os meninos, sempre. Em relação às meninas, há um pouco de controvérsia, mas eu recomendo investigar a anatomia das vias urinárias para saber se não há alguma alteração como o refluxo vesicuretral, ou seja, o retorno para os rins de parte da urina que estava na bexiga. Esse problema pode ser provocado por uma anomalia nos ureteres e, se não for tratado, resultará em lesões renais graves. Às vezes, nos deparamos com adultos que apresentam perda ou insuficiência da função renal por causa do refluxo vesicuretral que não foi diagnosticado na infância.

Drauzio – Na infância, as infecções urinárias também são mais frequentes nas meninas do que nos meninos?

Paulo Ayrosa Galvão – São mais frequentes nas meninas.

Drauzio – E na adolescência, como é a distribuição dos casos?

Paulo Ayrosa Galvão – Sempre a mulher apresenta maior risco de infecção. Está provado que aumenta a incidência de infecção urinária, quando a adolescente começa a ter vida sexual ativa. Estudos realizados com jovens americanas confirmam invariavelmente esse achado. Embora a relação sexual seja um fator facilitador, há mulheres com vida sexual ativa que nunca tiveram esse tipo de infecção. Isso leva a crer que exista uma associação entre atividade sexual e predisposição genética.

POPULAÇÃO DE RISCO

Drauzio – Grande parte das uretrites são sexualmente transmissíveis. É o caso da gonorreia e das infecções por clamídea. Já as cistites não são doenças sexualmente transmissíveis, embora também possam estar relacionadas com o ato sexual.

Paulo Ayrosa Galvão – É bom que isso fique claro. As cistites não são transmitidas sexualmente tanto que a infecção pode acometer crianças. Por outro lado, embora o pico da infecção ocorra em mulheres jovens entre 30 e 40 anos, a incidência de cistites é alta em senhoras de mais idade.

Drauzio – Qual é o risco de as mulheres grávidas contraírem cistite?

Paulo Ayrosa Galvão – Mulheres grávidas têm predisposição maior para as infecções urinárias. Por isso, o pré-natal deve incluir exame de cultura de urina. Se o resultado for positivo, quanto antes for iniciado o tratamento, melhor para o controle da doença.

Drauzio – Por que a incidência de cistite aumenta nas mulheres mais velhas?

Paulo Ayrosa Galvão – Talvez aumente por alterações provocadas pela menopausa. No entanto, as alterações neurológicas por que passam homens e mulheres idosos também influem. Muitos são obrigados a conviver com certas limitações que favorecem a prevalência de infecções urinárias, como incontinência urinária, uso de fraldas e permanência no leito.

Drauzio – Quando entram na menopausa, um dos fatores de risco para a infecção urinária, algumas mulheres começam a apresentar cistites de repetição. A investigação mais rigorosa das vias urinárias se justifica para essas mulheres?

Paulo Ayrosa Galvão – No primeiro episódio de cistite da mulher, não peço essa investigação. Faço uma avaliação clínica completa e, não identificando nenhum outro problema, prescrevo o tratamento. Todavia, se a infecção recidivar, recomendo uma avaliação mais detalhada das vias urinárias para saber se existe um fator desencadeante, alguma obstrução, talvez. Como os homens, depois de certa idade,  podem apresentar cistite provocada por problemas prostáticos, a investigação mais rigorosa deve ser indicada para eles.

Drauzio – Muitas mulheres têm secura vaginal e facilidade para desenvolver infecções urinárias depois da menopausa. Embora tenha uma série de contraindicações, a reposição hormonal parece que melhora as condições do epitélio e reduz o índice de infecções urinárias nas mulheres de mais idade. Como você vê essa conduta terapêutica?

Paulo Ayrosa Galvão – A ideia de que a reposição hormonal, melhorando as condições tróficas do epitélio, poderia reduzir o número de infecções urinárias, não é muito consistente. No entanto, existe um trabalho bem feito mostrando que o uso tópico de hormônio nas regiões vaginal e periuretral reduz o número dessas infecções. Por isso, para as senhoras que não apresentam alteração anatômica alguma e têm infecções urinárias de repetição recomenda-se o uso de creme vaginal à base de hormônios.

SINTOMAS E TRATAMENTO

Drauzio – Quais são os principais sintomas da cistite?

Paulo Ayrosa Galvão – O sintoma clássico da cistite é dor ou ardor para urinar e a necessidade frequente de urinar eliminando apenas pequena quantidade em cada micção. Em alguns casos, o paciente pode urinar sangue ou apresentar dor na pélvis (parte baixa da barriga). A cistite, porém, pode ser absolutamente assintomática. Isso tem gerado intensa discussão a respeito da conveniência ou não de tratar esses pacientes.

Drauzio – Nos quadros clássicos de cistite, com dor e dificuldade de micção, é fácil diagnosticar e prescrever o tratamento. Quando a paciente é assintomática e os sinais de infecção aparecem num exame de urina de rotina, qual a conduta que se deve adotar?

Paulo Ayrosa Galvão – O tratamento da infecção urinária assintomática, também chamada de bacteriúria assintomática, é um assunto de extrema importância para ser discutido. Mulheres grávidas e os pacientes que serão submetidos à sondagem, a cateterismo das vias urinárias, devem ser tratados. Os outros, estamos autorizados a não tratar. Na verdade, é um erro tratar a bacteriúria assintomática. Veja o que acontece se o indivíduo sem sintomas, que descobriu ser portador de infecção urinária por um exame de rotina, receber tratamento. Depois de duas ou três semanas com medicação, um novo exame apresentará resultado negativo. Dali a alguns meses, porém, a taxa de recolonização das bactérias pode voltar a crescer muito e ele será tratado de novo. Repetindo essa conduta, em pouco tempo, teremos criado uma bactéria altamente resistente que não responderá à ação dos medicamentos. Pacientes assintomáticos devem ser informados que têm uma bactéria, aparentemente uma colonização delas, e que o uso de antibióticos, em vez de ajudar, pode prejudicá-los e muito. Eles precisam de orientação, acompanhamento e monitorização e não devem automedicar-se.

Drauzio – Como é dada essa orientação?

Paulo Ayrosa Galvão – Em geral, isso acontece com a mulher. O médico deve dizer-lhe que, apesar de assintomática, ela tem uma bactéria nas vias urinárias e que deve entrar em contato com ele se sentir dor ou ardor para urinar, febre ou mal-estar. No caso do paciente idoso acamado e debilitado, a orientação é dada à família. Se ele apresentar febre, calafrios, rebaixamento do nível de consciência e ficar torporoso, o médico deve ser avisado logo, porque a infecção pela bactéria pode estar dando sintomas. Enquanto não aparecerem esses eventos, não se introduz o tratamento para não criar bactérias ultrarresistentes que tornarão o quadro muito mais difícil e complicado.

Drauzio – Em que situações você indica uma avaliação do sistema urinário mais criteriosa depois de um episódio de cistite?

Paulo Ayrosa Galvão – O médico está autorizado a tratar a adolescente ou a mulher jovem com cistite sem recomendar a avaliação criteriosa. No entanto, dependendo do grau de ansiedade da paciente, pode-se prescrever um ultrassom das vias urinárias, exame não invasivo que permite verificar se existe alguma alteração anatômica. Nos homens, a primeira infecção urinária e, nas mulheres, infecção urinária recidivante requerem investigação mais detalhada até para programar uma estratégia adequada de tratamento.

PREVENÇÃO

Drauzio – Quais são os cuidados de higiene que especialmente as mulheres devem tomar para evitar essas infecções?

Paulo Ayrosa Galvão – Analisando os hábitos de higiene em mulheres com infecção urinária, tentou-se estabelecer quais favoreceriam o aparecimento das crises, mas não se conseguiu chegar a nenhuma conclusão consistente. Portanto, o que se recomenda são cuidados básicos de higiene e evitar o uso de espermicidas. Mulheres com infecção urinária de repetição relacionada com o ato sexual devem sempre urinar depois da relação. Recomenda-se, também, que não deixem a urina parada na bexiga por muito tempo e procurem urinar com mais frequência. É necessário também beber mais água para diluir a urina e lavar as vias urinárias. No entanto, nada disso irá garantir que as infecções não ocorram. Parece que, nas mulheres com infecção urinária de repetição, a predisposição genética é um fator importante.

ESTRESSE

Drauzio – Há mulheres que relacionam estresse com infecção urinária. Isso procede?

Paulo Ayrosa Galvão – Não existe nenhum estudo consistente que estabeleça relação entre estresse e infecção urinária. Todavia, se não é causada por estresse, ela gera muito estresse. É incômodo ter cistite uma vez por mês ou a cada dois meses, com dor e desconforto, fazer exames e tratamento. A situação é tão desgastante que, quando a mulher jovem começa a ter cistite de repetição, uma das medidas que se tem mostrado eficaz é manter pequenas doses de antibióticos por semanas, às vezes por meses, como profilaxia. Embora seja uma proposta de tratamento de que nem sempre as mulheres gostam, parece que ajuda a reduzir o aparecimento e o número das infecções.

DURAÇÃO DO TRATAMENTO

Drauzio – O tratamento das infecções urinárias é feito com antibióticos ou quimioterápicos. Quantos dias esses medicamentos devem ser prescritos no primeiro episódio de uma infecção aparentemente benigna?

Paulo Ayrosa Galvão – O tratamento clássico para cistite não complicada em mulher são três dias de antibiótico. Considera-se um exagero manter a medicação por sete ou quatorze dias. Existem tratamentos com dose única, mas apenas 70% dos pacientes se beneficiam com ele e uma falha de 30% não pode ser desconsiderada. No entanto, mulheres grávidas e pacientes que vão passar por intrumentalização cirúrgica, têm cálculo renal ou apresentam sinais de que a infecção está ascendendo e suspeita de pielonefrite, devem ser tratados por mais tempo.

Drauzio – Qual a porcentagem de cura com três dias de tratamento?

Paulo Ayrosa Galvão – Mais de 90% dos casos.

Drauzio – Basta o exame de urina ou é necessário pedir o antibiograma para prescrever o tratamento?

Paulo Ayrosa Galvão – Mulher jovem com os sintomas clássicos de cistite sem complicações, o médico está autorizado a tratar sem pedir exames para confirmar o diagnóstico. Basta a história clínica da paciente para indicar três dias de antibiótico. Se ela reagir bem, assunto está encerrado. Nas infecções recidivantes, para paciente conhecida que não apresenta nenhum tipo de alteração, pode ser prescrito o mesmo tratamento por três dias sem necessidade de avaliação laboratorial. Caso haja alguma dúvida, exame de urina acompanhado de antibiograma ajuda a identificar a bactéria e a prescrever o antibiótico mais adequado. Quando esse tratamento empírico não surte efeito, suspende-se o antibiótico e colhe-se urina para exame a fim de verificar se a bactéria é resistente e escolher o remédio mais eficaz.

Drauzio – O procedimento é o mesmo para os homens?

Paulo Ayrosa Galvão – Normalmente, os homens com infecção urinária são tratados com medicamentos durante sete dias e pede-se a investigação das vias urinárias. No entanto, se o paciente estiver com os sintomas da cistite clássica, não espero 48 horas pelo resultado do exame de urina para identificar a bactéria. Dou início ao tratamento empírico e depois peço uma avaliação para entender melhor as causas da infecção.

Drauzio – Na prática, há médicos que chegam a prescrever sete ou quatorze dias de tratamento, embora para a maioria dos pacientes não haja necessidade de mantê-lo por tempo tão prolongado.

Paulo Ayrosa Galvão – Quatorze dias é o tempo indicado para tratar pielonefrites, embora o médico esteja autorizado a tratá-las por dez dias se o paciente estiver evoluindo bem. Manter a medicação por sete dias é uma opção para as infecções urinárias em homens e mulheres que tenham algum outro fator de risco associado.

DISTINÇÃO ENTRE CISTITE E PIELONEFRITE

Drauzio – Como você diferencia a cistite da pielonefrite?

Paulo Ayrosa Galvão – Nem sempre é simples. Às vezes, começamos a tratar pensando que era cistite e, em poucas horas, percebemos que é uma infecção urinária mais grave. A pielonefrite costuma provocar dor nas costas na altura dos rins, febre alta, calafrios, toxemia. De alguma forma, mulheres com cistite sentem-se mais dispostas, apesar dos sintomas. Com pielonefrite, ficam indispostas, com toxemia, calafrios, febre, náuseas e alimentando-se mal, um quadro clínico que chama mais a atenção.

Drauzio – Cistite pode provocar febre?

Paulo Ayrosa Galvão – Pode dar febre baixa e sangue na urina. Por isso, ás vezes não é fácil diferenciar a cistite da pielonefrite.

ORIENTAÇÕES

Drauzio – Existem algumas medidas caseiras muito antigas para aliviar o desconforto das cistites? Banho ou bolsa de água quente ajudam?

Paulo Ayrosa Galvão – O ideal é o calor local. Analgésico comum também ajuda nesse momento. Existem medicamentos próprios para as vias urinárias – alguns são antissépticos – que proporcionam certo conforto. Quando o paciente consulta o médico e começa a tomar antibiótico, em algumas horas apresenta melhora significativa. Resumindo: calor local, analgésico e entrar em contato com o médico para que prescreva o antibiótico adequado, se necessário, são medidas eficazes para aliviar os sintomas da cistite.

Drauzio – A ideia de que as mulheres podem pegar infecções urinárias em banheiros públicos tem algum fundamento?

Paulo Ayrosa Galvão – Não, e isso precisa ficar bem claro. Não existe a menor relação entre o uso de toalhas, piscina, etc. e infecção urinária, uma doença que não é contagiosa.

Fonte: Drauzio Varella

Estresse pode atrasar a menstruação?

A primeira suspeita do atraso de uma menstruação é a gravidez, mas não obrigatoriamente a única causa. O ciclo menstrual pode ser afetado por diversos fatores físicos e emocionais que podem tanto levar ao atraso, como até mesmo, à ausência temporária de menstruação.

Entre os fatores emocionais que podem interferir na irregularidade menstrual, estão o estresse e a ansiedade, fazendo com que a mulher não ovule em determinado ciclo, provocando a ausência de menstruação no mês.
O próprio atraso da menstruação e a hipótese de uma possível gravidez não planejada, na maioria das vezes, gera mais ansiedade e nervosismo, atrasando ainda mais o ciclo.

Isso ocorre, porque o estresse provoca alteração na região do cérebro responsável pelo controle dos hormônios que regulam os ciclos menstruais. Mas existem outros motivos fisiológicos que devem ser investigados nos casos da amenorreia e é por isso, que é muito importante que todas a mulheres façam exames ginecológicos regulares, para certificar-se de que não há nenhum problema mais grave.

Desde a primeira menstruação até a fase adulta, a mulher passa por várias transformações físicas e psicológicas, que podem, por si só, resultarem em ciclos menstruais irregulares. A adolescência, o uso de anticoncepcionais, dietas restritivas, o excesso ou a falta de exercícios, a obesidade, qualidade do sono, problemas de tireoide, ovários policísticos, menopausa, infecções e outras doenças mais graves, são algumas das inúmeras possibilidades que podem comprometer a pontualidade da menstruação e sinalizar que algo não vai bem no organismo.

Toda mulher já passou por um atraso no ciclo menstrual, que pode ser encarado natural, desde que de forma pontual e sempre associado a um fator externo, como o estresse e ansiedade. Por isso, atenção! Nenhuma irregularidade persistente, por mais de três meses, pode ser considerada normal e é necessário procurar a ajuda de um médico ginecologista para que ele faça o correto diagnóstico e tratamento.

Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher

No dia 28 de maio comemora-se o “Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher”, que reforça a importância da prevenção e tratamento adequado das doenças mais comuns.É importante o envolvimento de cada serviço de saúde na disseminação de informações para conseguirmos sempre uma medicina de qualidade, tanto no sistema de saúde privado como no sistema público, buscando sempre um acompanhamento de excelência.

Com o aumento da expectativa de vida das brasileiras que são mais da metade da população, é importante que estejamos atentos à prevenção das doenças mais incidentes em cada faixa etária das mulheres.

O exame de Papanicolau tem a finalidade de detectar alterações pré-malignas no colo do útero e vagina. É de fundamental importância, pois as lesões mais iniciais são tratadas com técnicas mais simples e muito menos agressivas. Isto reduz drasticamente a mortalidade e quase sempre preserva a fertilidade da mulher.

Rastreamento do “câncer de mama” – Deve ser realizado através do exame clínico na consulta ginecológica de rotina e com a mamografia e ultra-sonografia, a partir de faixas etárias determinadas, dependendo dos fatores de risco de cada paciente. Exames adicionais podem ser solicitados dependendo dos resultados destes exames iniciais. Existe um aumento de incidência do câncer de mama pelo aumento do diagnóstico, aumento da expectativa de vida da população, piora da qualidade dos hábitos de vida (sedentarismo, má alimentação) e fatores reprodutivos (menor número de filhos, gestações mais tardias).

Densitometria óssea – A avaliação da massa óssea é fundamental numa população que está vivendo mais tempo e muitas vezes sem se prevenir em relação à perda de massa óssea. Hoje, além da alimentação em excesso (metade da população está acima do peso) e do sedentarismo, vivemos em ambientes automatizados o que requer cada vez menos esforço físico. Tudo isso contribui para que a mulher envelheça com um aumento da perda de massa óssea, principalmente após a menopausa. O exame de densitometria ajuda a detectar alterações que podem ser controladas através de medidas comportamentais e medicamentosas.

Exames bioquímicos (sangue e urina) ajudam a rastrear o funcionamento do corpo direcionando exames adicionais dependendo dos resultados.

Outros exames de imagem como radiografias, ultra-sonografias, tomografias e ressonâncias, entre outros, devem ser solicitados, dependendo da avaliação clínica feita no momento da consulta. O exame clínico é fundamental para determinar quais exames subsidiários vão ser solicitados.

Importante lembrar que cada pessoa tem uma história com seus antecedentes e deve ser avaliada individualmente para que possamos minimizar o risco de aparecimento de doenças, proporcionando melhor qualidade de vida.

Dr. Ricardo Faure

Infertilidade feminina e reprodução assistida

As complicações que impedem uma mulher de engravidar naturalmente, em qualquer fase do período fértil, podem ter origens variadas. Entre elas, o homem, que também deve ser examinado por um especialista e realizar todos os exames necessários à confirmação da infertilidade do casal. Há casos em que ambos passam um bom tempo tentando uma gestação com base na avaliação da fertilidade apenas da mulher e quando, finalmente, descobrem que a infertilidade é do homem pode ser tarde para intervenções simples.

De qualquer forma, há muito tempo que a questão da infertilidade deixou de significar que um casal não terá filhos. Uma série de tratamentos registrados por publicações científicas mostram experiências bem sucedidas, e observações de casos na vida real também comprovam como é possível realizar o sonho de ter um bebê. Relacionamos mais abaixo aspectos da infertilidade feminina e reprodução assistida que devem ser conhecidos pelas candidatas à gestante.

Do ponto de vista médico, a infertilidade é definida como a incapacidade de estabelecer uma gravidez após um ano de tentativas, em que as relações sexuais ocorrem com frequência e sem uso de qualquer método contraceptivo. Se a gravidez não acontece durante este ano de tentativas regulares, é hora de o casal procurar os especialistas. A mulher deve, primeiramente, conversar com seu ginecologista, pois muitas vezes esse profissional resolve a questão. Não espere muito!

A investigação básica da mulher

A obtenção de uma boa história clínica e a realização de um exame físico completo podem  dar uma boa idéia dos fatores possivelmente relacionados à infertilidade do casal. Entre os exames complementares na mulher, a primeira etapa inclui a avaliação da ovulação. Uma mulher que tem menstruações regulares ovula em mais de 95% dos ciclos, mas isso não significa que a qualidade das ovulações é adequada e o especialista deve pedir um perfil hormonal da paciente que inclua a dosabem dos hormônios FSH, LH, estradiol e prolactina. A avaliação da glândula tireóide é também fundamental, uma vez que é cada vez maior a prevalência de distúrbios nessa glândula entre as mulheres, nas últimas décadas. Problemas com a ovulação podem ser responsáveis por até 40% das causas femininas de infertilidade.

Ovulações irregulares ou ausência de ovulação

É muito comum que mulheres com disfunções ovulatórias experimentem irregularidades no ciclo menstrual. Em alguns casos, não menstruam. Ciclos com menos de 21 dias, ou com mais de 36 dias, podem ser sinal de disfunção ovulatória.

A ausência de ovulação, denominada de oligovulação podem ter como causas uma série de fatores, entre eles, a Síndrome do Ovário Policístico (SOP). Outras potenciais causas de oligovulação seriam obesidade, peso muito baixo, hiperprolactinemia, grande carga de exercícios físicos, falência ovariana precoce, idade avançada ou baixa reserva ovariana, disfunção das glândulas tireóides (hiper ou hipotireoidismo) e altos níveis de estresse.

Estruturas orgânicas como o canal cervical, cavidade uterina e tubas uterinas também devem ser investigadas por meio de exames específicos para detectar outras causas. Essas estruturas devem estar livres de obstruções ou aderências, como as que ocorrem após cirurgias ou infecções pélvicas. Para analisar esse quadro, o médico pedirá um exame de imagem chamado histerossalpingografia, que é uma espécie de raio-X com contraste iodado, que é injetado dentro do canal cervical minutos antes do exame. Em situações específicas, o médico poderá solicitar a laparoscopia, em vez da histero, que é padrão-ouro na avaliação canalicular, porém requer internação e anestesia.

Reprodução assistida
Os principais tratamentos utilizados hoje quando há necessidade da reprodução assistida são descritos a seguir.

Coito programado (CP): é o método mais simples, realizado paralelamente à estimulação da ovulação.

Inseminação artificial (IA): um concentrado de espermatozóides é injetado dentro da cavidade uterina, também após estímulo ovulatório. Os resultados desses métodos costumam variar, mas no geral são baixos. Não é recomendado insistir neles depois de três tentativas.

Fertilização in vitro (FIV): os espermatozóides são colocados em contato com o oócito e o momento da fecundação ocorre in vitro. Pode também ser feita pelo método ICSI, também in vitro. A sigla vem do inglês e compreende a técnica em que o espermatozóide é injetado dentro do oócito. O material fecundado in-vitro, tanto na primeira quanto na segunda técnica, é implantado pelo médico no útero feminino.

Fonte: SOGESP

A importância do aleitamento materno

O leite materno é o alimento ideal para o seu bebê. Ele supre todas as necessidades nutricionais até os 6 meses de idade e protege a criança da desnutrição. Não existe leite materno “fraco” ou “aguado”.

O bebê deve mamar logo após o nascimento. O leite dos primeiros dias após o parto é chamado de colostro e oferece grande proteção contra infecções. Dizemos que o colostro é a “primeira vacina” do bebê.

A composição do leite materno fornece a água necessária para manter o seu filho hidratado, mesmo em temperaturas ambientais elevadas, está sempre fresco, encontra-se na temperatura certa e pronto para beber. Sua composição nutricional balanceada contribui para o crescimento e desenvolvimento adequado do seu filho.

Veja algumas vantagens de amamentar:

  • A criança amamentada ao seio estará protegida contra alergia e infecções, fortalecendo-se com os anticorpos da mãe e evitando problemas como diarreias, pneumonias, otites e meningites.
  • A amamentação é mais prática, mais econômica, e evita o risco de contaminação no preparo de outros leites.
  • A amamentação favorece o desenvolvimento dos ossos e fortalece os músculos da face, facilitando o desenvolvimento da fala, regulando a respiração e prevenindo problemas na dentição.
  • O aleitamento materno cria um vínculo entre a mãe e o bebê, proporcionando maior união entre eles. As crianças amamentadas são mais tranquilas, inteligentes e mais felizes.
  • A mãe que amamenta volta mais rapidamente ao seu peso normal. Reduzem-se os riscos de ter diabetes e infarto cardíaco.
    • A amamentação ajuda a reduzir a hemorragia após o parto e previne o câncer de mama e de ovário.
  • A mãe, ao oferecer o peito ao seu filho, transmite segurança, prazer e conforto. Ocorre liberação de hormônios – as endorfinas que aumentam a sensação de prazer e felicidade para a mãe que amamenta. Além disso, melhora sua auto-estima, ela sabe que o seu bebê está saudável porque está recebendo o alimento ideal: o seu leite!

O ato de amamentar é muito mais que oferecer nutrientes, é oferecer amor.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria

Endometriose: doença benigna de origem multifatorial

A doença benigna afeta de 10 a 15% das mulheres durante a idade reprodutiva e pode levar à infertilidade. Os locais mais comuns do crescimento anormal do endométrio, (originalmente, o tecido que reveste internamente o útero) são os ligamentos que sustentam o útero, os ovários, o intestino grosso e a bexiga. Como são tecidos originados do útero, os retalhos ou nódulos característicos da endometriose estão sujeitos tanto quanto o endométrio à influência do ciclo hormonal e ao sangramento caraterístico da menstruação. Começam aí os principais sintomas da doença, pois o sangue produzido fora do útero não tem por onde sair e o resultado é a degradação do próprio sangue e dos retalhos de tecido endometrial dentro do organismo, o que leva a inflamação, dor, formação de cistos e a infertilidade.

O QUE CAUSA

Ainda não se conhece exatamente a causa da endometriose. Mas se sabe que o fenômeno da menstruação retrógrada, em que parte do sangue menstrual, ao invés de sair pela vagina, reflui pelas tubas uterinas para dentro do abdome, tem participação importante no desenvolvimento da doença. O retorno de uma porção de tecido menstrual é comum em quase todas as mulheres, mas o sistema imunológico normalmente elimina o corpo estranho. As condições imunológicas que permitem ao tecido menstrual “criar raízes” e crescer como endometriose, em algumas mulheres, são objeto da maioria dos estudos atuais.

Outra explicação para a origem da doença é a teoria embólica, segundo a qual, o tecido endometrial migraria do útero para outras partes do organismo feminino através dos vasos linfáticos ou vasculares. Não está descartada a influência dos genes na doença. A predisposição genética favorece o desenvolvimento da endometriose. De acordo com estudos científicos recentes, compostos químicos organoclorados, usados na agricultura, poderiam ser  outros fatores do desenvolvimento da endometriose e, também, de outras doenças femininas dependentes de estrogênios, como os miomas e alguns tipos de câncer que afetam os órgãos reprodutivos.

OS PRINCIPAIS SINTOMAS

Dor antes e durante o período menstrual, muito mais forte do que a cólica menstrual normal, além de dor durante a relação sexual é um sintoma conhecido da endometriose. Outros sintomas comuns são fadiga e menstruações acompanhada de cólicas intestinais, dor nas costas, diarréias ou constipação intestinal seguida de mal estar. Quando a bexiga é afetada, pode ocorrer dor durante a micção. Algumas mulheres podem não sentir nenhum desses sintomas e a dor não tem, necessariamente, relação com o tamanho ou extensão dos tecidos em crescimento. Pequenos retalhos de tecidos podem produzir prostaglandinas em quantidade suficiente para causar dor intensa. A endometriose é uma causa comum de infertilidade. Cerca de 40 a 50% das mulheres com a doença apresentam também dificuldade para engravidar.

DIAGNÓSTICO

A maneira definitiva de confirmar a doença é o exame de laparoscopia, que usa um tubo com luz na extremidade para ver dentro da cavidade pélvica. É um tipo de intervenção cirúrgica, que requer anestesia e exige pequenos cortes para introdução dos instrumentos de exame. Mas, com a evolução recente dos exames de imagem, as diretrizes sobre a doença indicam a laparoscopia como um método de exceção para o diagnóstico, uma vez que exames especializados conseguem detectar os focos de endometriose com 99% de acurácia. Estes exames são a ressonância magnética de pelve e a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal. Ambos utilizam metodologia específica para o diagnóstico da endometriose, porém, são poucos os laboratórios especializados que oferecem essa abordagem.  O exame pélvico (realizado através do toque vaginal pelo ginecologista) também é fundamental quando há suspeita da doença, pois as lesões de endometriose podem ser facilmente sentidas como nódulos endurecidos e dolorosos ao exame ginecológico comum.

TRATAMENTOS

A endometriose pode ser controlada com medicamentos. Para mulheres que não querem engravidar é recomendado o uso dos anticoncepcionais, que podem ser orais, injetáveis ou até o DIU de hormônio. Esta terapia interrompe a menstruação, levando o endométrio a uma atrofia por longo período, o que mantém também os focos da doença sob controle. Para as que continuam apresentando sintomas dolorosos apesar do uso de contraceptivos, é indicada a associação de analgésicos e anti-inflamatórios. A terapia com medicamentos por 6 meses é suficiente para a melhora dos sintomas da doença em cerca de 65% das mulheres. Para aquelas que não melhoram com o tratamento hormonal, ou apresentam algumas situações específicas (cistos ovarianos de endometriose maiores que 4 cm, lesões na bexiga ou ureteres, lesões intestinais graves etc.) é indicada a cirurgia para retirada de todos os focos da doença. É fundamental que a cirurgia seja realizada por um bom especialista, uma vez que a endometriose causa muitas aderências pélvicas e frequentemente invade outros órgãos (como intestinos e bexiga), tornando o procedimento cirúrgico tecnicamente difícil.

Para mulheres com endometriose que querem engravidar, a cirurgia e as técnicas de reprodução assistida (fertilização in vitro) apresentam resultados comparáveis. Nesses casos, é essencial uma minuciosa avaliação individual, pois a escolha por cirurgia ou FIV depende de diversos fatores como idade da mulher, tempo de infertilidade, sintomas, localização das lesões, tratamentos já realizados, entre outros.

Paralelamente aos tratamentos medicamentosos é fundamental manter hábitos saudáveis como uma dieta balanceada para corrigir deficiências de certos nutrientes e atenuar os sintomas da endometriose. As vitaminas, minerais e ácidos graxos essenciais obtidos por meio de uma alimentação adequada e de suplementos, quando for o caso, podem ajudar na recuperação da fertilidade e no alívio do processo inflamatório além de reduzir muito o sofrimento de quem convive com dor crônica, pois tais nutrientes melhoram a resistência à dor.

SINAIS DE ALERTA

Existem vários graus ou estágios de desenvolvimento da endometriose, desde mais leves, que não produzem quase sintomas, aos mais dolorosos, com processo inflamatório, formação de cistos e cicatrizes. A relação abaixo pode ajudá-la a observar eventual suspeita da doença. Se tiver a experiência de mais de um desses sintomas durante o período menstrual ou de forma crônica procure seu médico para fazer os exames necessários.

  •     Cólica menstrual intensa ou incapacitante
  •     Dor pélvica persistente, fora da menstruação
  •     Dor durante a relação sexual
  •     Infertilidade
  •     Problemas urinários durante o período menstrual
  •     Dor para defecar (principalmente se relacionada à menstruação)
  •     Fadiga
  •     Dor na região lombar

Fonte: Dr. Igor Padovesi, ginecologista do setor de endometriose do Hospital da Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

É certo lavar calcinha no banho?

Às vezes soa como praticidade: você está no banho e aproveita o tempo para lavar a calcinha, adiantando o trabalho de lavanderia. Um sabonete na roupa íntima, entre o xampu e o condicionador nos cabelos, e pendurar na torneira do box para secar. Mas será que essa rotina é saudável?

Lavar a calcinha no banho pode parecer uma economia de tempo e sabão em pó, mas para limpar adequadamente as roupas que terão contato com as partes íntimas é preciso tomar certos cuidados para que o hábito não leve a irritações, corrimentos, coceiras e alergias na vagina.

“Até podemos lavar a calcinha no box, não é proibido, mas não com qualquer produto, não de qualquer jeito. Até porque o maior vilão desse hábito não é lavar no chuveiro, e sim, deixar a calcinha secando no box.” – Bárbara Murayama, ginecologista do Hospital 9 de Julho, em São Paulo

Confira a seguir as dicas da ginecologista Bárbara Murayama e do biomédico Roberto Martins Figueiredo, conhecido como Dr. Bactéria.

Usar xampu, sabonete ou só a água para lavar calcinha é errado?
“Nada de produto para o corpo na calcinha, eles não foram feitos para isso”, afirma Bárbara. Segundo a ginecologista, devemos respeitar ao máximo as indicações de uso dos industrializados. “Cada coisa em seu lugar. Os produtos de saúde íntima são planejados para pH específico da vagina, para manter a flora de bactérias e microrganismos específicos”. Um xampu para cabelos lisos, por exemplo, tem uma química focada na queratina e não em áreas de mucosas delicadas. Em contato com a vagina, pode causar coceira, corrimento e queimaduras.

O que devo usar para lavar roupa íntima no banho?
O melhor é você usar um sabão líquido neutro, sem perfume e sem cor, evitando fatores alergênicos. “Você também pode usar sabonete líquido próprio para áreas íntimas ou sabonetes feitos para limpeza de calcinhas, desde que enxague bem para não deixar resíduos”, aconselha Bárbara. “É bom observar se o produto tem ação de desinfecção, o que é importante para evitar processos infecciosos como candidíase e HPV”, lembra Figueiredo.

Posso deixar a calcinha secando na torneira do chuveiro?
Nem na torneira nem na porta do box. Lugar de calcinha molhada não é no banheiro. “O local não é ventilado, tem alta umidade e a presença de água pode levar a proliferação de fungos, como o causador de corrimentos”, afirma o biomédico. “Deixar no banheiro é um erro! O ideal é secar calcinhas no sol e em lugares arejados, para evitar os germes. Além de se tornar um alvo de fungos, no banheiro tem a privada, que pode espalhar bactérias na calcinha e causar infecções vaginais”, diz a ginecologista.

Lavar com água quente é melhor do que com água fria?
A água quente ajuda se estiver fervendo. “Água morna não esteriliza ou extermina as bactérias. Você pode usar água fria, deixar secando no sol e depois passar o ferro, assim seria perfeito”, explica Bárbara. O biomédico Figueiredo afirma que o ideal seria lavar em uma temperatura de 60°C por ao menos 30 minutos, o que desinfeta e não e não agride o tecido.

Secar a calcinha com secador ajuda de alguma forma?
Infelizmente o secador não atinge o calor necessário para eliminar as bactérias, o melhor a se fazer é usar um ferro no forro da calcinha, para desinfetar a área que entra com contato com a vagina. “Mas claro que se você está em uma emergência ou viajando e precisa lavar no hotel, usar o secador é muito melhor que deixar secando em ambiente úmido”, diz a ginecologista.

Qual é o melhor jeito de lavar as roupas íntimas?
“A melhor forma é usar máquinas de lavar que consigam chegar aos 60°C por 30 minutos, mas também podemos imergir as peças em um produto desinfetante (próprio para tecidos) e depois lavar na mão ou em qualquer máquina”, afirma Figueiredo. Lembre-se de que o amaciante e sabão em pó devem ser evitados por conter agentes alergênicos. “O sabão em pó deixa resíduos por mais que a gente enxague. Confie no sabão líquido para roupas delicadas”, aconselha a ginecologista.

Na máquina, pode misturar calcinhas com outras roupas?
Não é o ideal. Quando você mistura calcinhas com calças na máquina, por exemplo, pode acabar sujando a roupa íntima. “Colocar tudo junto na máquina mistura os germes e a sujeira. Como a vagina é mais sensível, pode causar infecções. Depois de lavar roupa com sabão em pó, bata uma vez a máquina só com água para limpar e até tirar resíduos do produto”, diz a ginecologista. Porém, tudo o que tem contato apenas com seu corpo, como sutiã, pijama e até lençóis, podem ser lavados com calcinhas (desde que sem sabão em pó ou amaciante).

Fonte: Uol